O Matrimônio é um Sacramento e não…

… uma coreografia para uma festa ou um teatro na igreja.

Casamento ou teatro?
http://www.jmonline.com.br/novo/?noticias,22,ARTICULISTAS,69685

Nos primeiros séculos do Cristianismo, o matrimônio era uma festa familiar. Era uma cerimônia que se realizava nas casas dos pais, com a bênção dos pais. Não era uma festa mundana. O clima era de oração. Às vezes, o bispo era convidado para abençoar os noivos, juntamente com os pais. O significado era altamente “familiar”. A partir do século IV, a bênção passou a ser dada não mais pelos pais, mas somente pelo bispo ou por um de seus presbíteros. A cerimônia não era mais realizada na casa dos pais, mas no Templo. A cerimônia foi entrando na Liturgia, apareceram os sacramentários, livros com orações apropriadas para o acontecimento. O matrimônio tornou-se “eclesiástico”. A partir do século XII, a consciência de que o matrimônio era um Sacramento foi se aprofundando. Com o Concílio de Trento, a partir do século XVI, não poderia haver mais casamento para os cristãos a não ser perante a Igreja. Leis foram estabelecidas para regular a cerimônia. Para que fosse válido, era preciso que fosse consumado. O consentimento mútuo era importante, mas somente a consumação sexual sela a indissolubilidade absoluta. O matrimônio tornou-se um contrato sexual, regido por um direito, o Direito Canônico. Era um contrato. O que lhe dava sentido não era tanto uma união de amor, mas a intenção de procriar filhos. Uma relação que não tivesse a intenção de gerar filho, era pecaminosa. O matrimônio tornou-se “canônico”. No século XX, a partir de 1962, com o Concílio Vaticano II, o matrimônio passa a ser considerado muito mais do que um contrato regido por leis. É uma aliança. Seu objetivo primordial não é mais a procriação de filhos, mas sim uma união de amor, uma “aliança” de amor. Duas pessoas se unem não apenas para gerar filhos, mas principalmente para viver intensamente o amor cristão. É uma festa de amor. Para o cristão é uma união do mais alto significado. Não é apenas uma união de corpos, mas um “encontro” de duas pessoas humanas, no seu sentido mais profundo, em sua totalidade física, psicológica, afetiva e espiritual. É algo de muito sério. Alguns anos depois do Vaticano II, as coisas não estão como era de se desejar. O matrimônio está se esvaziando cada vez mais. Torna-se cada vez mais uma festa profana. De início, os noivos acham que o Curso de Preparação é uma exigência descabida da Igreja. Eles não entendem que a Igreja procura ajudar. Está tentando despertar neles a consciência de que aquele gesto é um gesto de grande significado para eles. Acham que já sabem de tudo. Reclamam das exigências da Igreja. Não é só. Aquela cerimônia se tornou mundana. Para as noivas é uma oportunidade para satisfazer vaidades. O acidental torna-se o centro das preocupações. O mais importante é o periférico. É a ornamentação, é o vestido, é o desfile, é a fotografia, são as damas de honra, das alianças, é a música. Eles não têm nenhuma consciência de que aquele ato é um ato religioso. Mais do que uma festa, alguns casamentos têm muito a ver com um teatro. No caso, o padre celebrante tem que tolerar, calado, atrasos de trinta, quarenta minutos. As noivas se esquecem de que atraso programado é falta de delicadeza para com a comunidade presente. E, o que é pior, enquanto o padre celebra a cerimônia, enquanto lê a Palavra de Deus, enquanto ora, os nubentes nem sempre prestam nenhuma atenção. O importante é o ambiente cênico. O casamento se tornou um “teatro”. Nem sempre de bom gosto.

(*) Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro

 

Quando os noivos confundem a igreja com o motel
Por A Catequista em 17/11/2011 
http://ocatequista.com.br/?p=2584

“Já viram uma noiva entrar na igreja com ‘Pretty Woman’? Pois é… Ontem eu vi… : S”. Ao ver esta mensagem no Twitter, não me surpreendi nada, nada. O senso do sagrado anda tão deteriorado, que nem debaixo das barbas de Deus o povo toma tento. As cerimônias de casamento, infelizmente, refletem este desbunde mais do que qualquer outro rito – até porque muitos casais que solicitam este Sacramento não são efetivamente católicos.

Houve um tempo em que os noivos e os convidados tinham uma postura reverente ao entrar no templo de Deus. Mas a minha geração vê o casamento mais como uma oportunidade especial de aparecer do que como um acontecimento religioso. Não são poucos os noivos que emporcalham o rito com músicas impróprias, trajes vulgares e bizarrices diversas, tudo isso sob os olhares condescendentes de alguns membros do clero. A banalização do rito do casamento fica evidente especialmente na escolha das músicas, que de religiosas não tem nada.

O que não falta é casal de noivos confundindo a igreja com o motel: querem que sejam tocadas no templo santo as mesmas baladas que costumam ouvir no “Xamego’s Point”. No top hit das músicas profanas para casamentos na Igreja, temos: • Com te Partiró – Andrea Bocelli; • She – Elvis Costello; • Hey Jude – Beatles; • Fascinação – versão do Armando Louzada; • Unchained Melody – Tema do filme Ghost; • Eu sei que vou te amar – Tom Jobim/Vinícius de Morais; • Over de Rainbow – Israel Kamakawiwo’ole; • Love me Tender – Elvis Presley; • My heart will go on – Celine Dion; • Endless love – Diana Ross & Lionel Richie. Ok, muitas destas músicas são tudo de bom, mas não têm nada a ver com uma cerimônia religiosa. Podem ser perfeitamente tocadas na festa do casamento, mas o povo insiste em avacalhar o rito, por ignorância ou por capricho.

Algumas noivas piriguetes querem-se fazer notar especialmente pela sensualidade, e, diante do altar do Cordeiro Imolado, se apresentam com os peitos quase saltando pra fora do decote. Alguém aí deve estar pensando que isso é papo de velha carola, mas #euqueriaserdotempo em que a palavra “pudor” e a expressão “local sagrado” faziam algum sentido. Cada vez mais são adicionados elementos estranhos ao rito do matrimônio, como o injustificável destaque dado à entrada de pajens e damas, quase sempre acompanhados pela canção tema de algum filme da Disney. À primeira vista, isso parece muito bonitinho e inofensivo. Mas cada um desses fru-frus colabora para que o Sacramento seja visto por todos como mais um evento mundano, distraindo a atenção daquilo que é essencial. Assim, aquilo que poderia ser uma bela ocasião de testemunho para os convidados e para a comunidade, se reduz a um triste circo de vaidades.

Ninguém está ligando muito pro sagrado (as leituras, as promessas, as orações, as bênçãos); todo o destaque é dado ao profano. Quando eu falo em “circo”, não estou exagerando. Em março deste ano, um homem e uma mulher de Garibaldi-RS casaram-se na Igreja fantasiados de Shrek e Fiona. A cerimônia, realizada na matriz da cidade, foi presidida por um frade, e os convidados também estavam fantasiados. Após o ocorrido, os bispos da Diocese de Caxias do Sul advertiram o celebrante e emitiram uma nota à imprensa desaprovando a palhaçada.

No Antigo Testamento, quando Deus falou a Moisés do meio da sarça ardente, disse: Não te aproximes daqui. Tira as sandálias dos teus pés, porque o lugar em que te encontras é uma terra santa (Ex 3, 5). É óbvio que não havia mal algum no fato de Moisés usar sandálias, porém, tirá-las antes de pisar no solo sagrado era um sinal concreto de respeito, de reconhecimento da santidade daquele local. Da mesma forma, não há mal nenhum em curtir Elvis Presley, por exemplo, mas inserir uma música do seu repertório dentro de um rito religioso só revela o quanto estamos mais interessados em fazer um evento “com a nossa cara”, “diferente” e “emocionante” do que em louvar a Deus de forma humilde, reverente e liturgicamente adequada.

 

O Sagrado Matrimônio não é um evento social
http://www.iesusdominus.com.br/2011/07/o-sagrado-matrimonio-e-profanacao-da.html

É triste saber que hoje a maioria das cerimônias de casamento perderam totalmente a sacralidade. A intenção deste texto é desfazer alguns equívocos cometidos durante as cerimônias, em especial no que se refere à liturgia

1 – Rito do Casamento dentro da Santa Missa

Ao contrário do que a maioria pensa, o Ritual de Casamento deve acontecer por regras gerais, dentro da Celebração do Santo Sacrifício, embora o pároco possa, tendo em conta as necessidades pastorais, ou a participação dos nubentes e dos assistentes na vida da igreja, propor que a celebração aconteça fora da Missa. (Conferir Ritual Romano do Matrimônio)

Em outras palavras, o NORMAL é que o casamento aconteça dentro da Santa Missa, e o casal católico deve fazer todo o possível para que o padre assim o faça, assistindo o casamento durante o Sacrifício o qual celebra.

Há de entender que o erro não está em que a celebração aconteça fora da Santa Missa, uma vez que o próprio livro traz as duas formas de celebração, o erro está principalmente em perceber que o extraordinário se tornou a regra, de forma que hoje é muito raro vermos acontecer alguma Celebração Matrimonial durante a Santa Missa.

2 – Músicas românticas x músicas sacras

Nas cerimônias de casamento, sejam elas dentro ou fora do Rito da Santa Missa, o uso de músicas românticas NÃO É PERMITIDO. O Ritual Romano é claro ao dizer que os cânticos devem ser adequados ao rito do matrimônio e devem exprimir a fé da Igreja. Há de se entender que a cerimônia do Matrimônio não é um evento social, mas sim um evento religioso.

O Papa Pio X, no Motu Proprio Tra Le Sollicitude, diz claramente que NADA deve suceder no templo que perturbe ou diminua a piedade e a devoção dos fiéis (…), nada que ofenda o decoro e a santidade das sacras funções.

O Compêndio do Catecismo da Igreja Católica também demonstra vários critérios para a escolha das músicas nas celebrações litúrgicas.

1 – Conformidade dos textos com a doutrina católica.

2 – Devem ser tomadas preferencialmente da Escritura e das fontes litúrgicas.

3 – Devem demonstrar a beleza expressiva da oração (não o romantismo do noivo pela noiva)

4 – A participação da assembléia.

5 – A riqueza cultural do Povo de Deus.

6 – O caráter sacro e solene da celebração.

Sobre a música sacra, é bom ler o Quirógrafo do Sumo Pontífice João Paulo II bem como o Motu Proprio Tra le Sollecitudini.

3 – Homenagens durante a cerimônia

Como já citei acima, o Ritual do Matrimônio não é um evento social, ou uma homenagem do noivo pra noiva, nem nada parecido, trata-se do momento onde os dois, perante um ministro autêntico da Igreja de Cristo, selam uma união eterna com Deus, prometendo fidelidade até que a morte os separe.

O romantismo é algo que pode (ou deve?) ser preservado e incentivado entre os casais, mas cabe entender que durante a Celebração do Matrimônio, ele deve ser deixado de lado por se tratar de uma cerimônia sagrada (não romântica).

Se querem fazer homenagens, declamar um poema, cantar pra noiva, dançar Macarena ou virar um mortal triplo pra trás, fiquem a vontade. Façam na recepção, na Lua de Mel, na casa, na praça, na Marginal Tietê ou qualquer outro lugar, mas NUNCA NA IGREJA durante uma cerimônia RELIGIOSA.

Todas essas coisas (inclusive o mortal triplo pra trás) não se constituem pecado, desde que sejam feitas no momento e no local certo, com certeza o momento certo não é durante a cerimônia do Matrimônio e o local certo não é dentro da Igreja.

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