O Rosário e os males do nosso tempo

O Santo Rosário da Virgem Maria: remédio para curar as feridas da sociedade, para os males do nosso tempo.

Na história Igreja, os fatos demonstram o quanto a oração do Santo Rosário é eficaz na defesa da fé e do povo cristão, na invocação do auxílio da Santíssima Virgem Maria para os males do nosso tempo e alcançar os favores divinos para nós e para a sociedade inteira. Conscientes desta maravilhosa eficácia, muitos Papas incentivaram o Povo de Deus a rezar o Rosário. Entre estes, destaca-se Leão XIII que, por sua fervorosa devoção mariana e estima pela “Coroa de Rosas” da Virgem Maria, ficou conhecido como “Papa do Rosário”1. No século XIX, tempo no qual nasceu o marxismo e o comunismo, que são dos grades males do nosso tempo, o Papa Leão XIII viu no Rosário um poderoso remédio contra os males de seu tempo. Hoje, vivemos as trágicas consequências desses males e, por isso, precisamos igualmente recorrer ao Santo Rosário e aos ensinamentos de Leão XIII.

Oração agradável a Virgem Maria, o Rosário de Nossa Senhora foi incentivado por grandes Papas, com palavras sábias e fervorosos louvores: “Urbano IV afirmou que ‘cada dia o povo cristão recebe novas graças por meio do Rosário’; Sixto IV proclamou que esta forma de oração ‘é oportuna, não só para promover a honra de Deus e da Virgem, mas também para afastar os perigos que o mundo nos prepara’; Leão X disse-a ‘instituída contra os heresiarcas e contra o serpear das heresias’; e Júlio III chamou-lhe ‘ornamento da Igreja de Roma’. Igualmente Pio V, falando desta oração, disse que, ‘ao difundir-se ela, os fiéis, inflamados por aquelas meditações e afervorados por aquelas preces, começaram de repente a transformar-se em outros homens; as trevas das heresias começaram dissipar-se, e mais clara começou a manifestar-se a luz da fé católica’. […] Gregório XIII declarou que ‘o Rosário foi instituído por S. Domingos para aplacar a ira de Deus e para obter a intercessão da bem-aventurada Virgem’”2.

Nos tempos difíceis que vivemos, estas palavras do Papa Leão XIII tornam-se mais que atuais: “julgamos assaz oportuno, nas presentes circunstâncias, ordenar solenes preces a fim de que a Virgem augusta, invocada por meio do santo Rosário, nos impetre de Jesus Cristo, seu Filho, auxílios iguais às necessidades”3. Hoje, como outrora, passamos por incessantes e graves lutas na Igreja e na sociedade. Como naquele tempo, “a moralidade pública e a própria fé – o maior dos bens e o fundamento de todas as outras virtudes – estão expostas a perigos sempre mais graves”4. Passamos igualmente por situações difíceis, por múltiplas angústias, mas, pela caridade que nos une tão estreitamente, as sofremos todos juntos. Destes, “o fato mais doloroso e mais triste de todos é que tantas almas, remidas pelo sangue de Cristo, como que arrebatadas pelo turbilhão desta época transviada, vão-se precipitando numa conduta sempre mais depravada, e se abismam na eterna ruína; por isto a necessidade do divino auxílio certamente não é menor hoje do que a que era sentida quando o grande Domingos, para curar as feridas da sociedade, introduziu a prática do Rosário mariano”5.

Iluminado por Deus, São Domingos “viu claramente que para os males do seu tempo não havia remédio mais eficaz do que reconduzir os homens a Cristo, que é ‘caminho, verdade e vida’6, mediante a frequente meditação da Redenção por Ele operada; e interpor junto a Deus a intercessão dessa Virgem a quem foi concedido ‘aniquilar todas as heresias’”7. Por este motivo, ele dispôs a prática do Rosário de modo que fossem sucessivamente recordados os mistérios da nossa salvação, e a este dever da meditação se entremeasse como que uma mística coroa de saudações angélicas, as Ave-Marias, intercaladas pela oração a Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nós, que procuramos um remédio para os diversos males que nos afligem, com o Papa Leão XIII, “não duvidamos de que a mesma oração, pelo santo Patriarca introduzida com tão notável vantagem para o mundo católico, tornar-se-á eficacíssima para aliviar também as calamidades dos nossos tempos”8.

Portanto, considerando todas estas razões, ouçamos o veemente apelo do Papa Leão XIII: “exortamos calorosamente todos os cristãos a praticarem, sem se cansar, o piedoso exercício do Rosário, publicamente, ou em particular, nas suas casas e famílias”9. Pois, como demonstra a história da Igreja, o Rosário da Virgem Maria é um extraordinário auxílio celeste contra todos os males. A eficácia do Rosário foi provada em tempos difíceis, de perseguição e de muito sofrimento, pelos quais muitos de nós, irmãos em Cristo, temos passado. Solidários com os sofrimentos de nossos irmãos na fé e de tantas outras pessoas que padecem pela miséria, pela fome, pelas drogas, pelas doenças, pela violência e tantos outros males, rezemos o Rosário, invocando com confiança o auxílio da Mãe de Deus. Nossa Senhora do Rosário, rogai por nós!

Referências:
1 PAPA JOÃO PAULO II. Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, 8.
2 PAPA LEÃO XIII. Carta Encíclica Supremi Apostolatus Officio, 9.
3 Idem, 10.
4 Idem, 11.
5 Idem, ibidem.
6 Jo 14, 6.
7 PAPA LEÃO XIII. Op. cit., 11.
8 Idem, ibidem.
9 Idem, 12.

Natalino Ueda é brasileiro, católico, missionário da Comunidade Canção Nova, formado em Filosofia e Teologia. Atualmente é produtor de conteúdo do portal cancaonova.com. Na consagração a Virgem Maria, segundo o Tratado de São Luís Maria, descobriu um caminho fácil, rápido, perfeito e seguro para chegar a Jesus Cristo. Desde então, ensina esta devoção, o caminho “a Jesus por Maria”, que é o seu maior apostolado.

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