São Jerônimo – 30 de Setembro – Dia da Bíblia

São Jerônimo encontrou o seu caminho na Bíblia
O amor cresce quando o conhecimento cresce
Dom Orani João Tempesta, Arcebispo Metrop. Rio de Janeiro

Estamos para findar o mês da Bíblia, setembro. E no final deste mês comemoramos o grande patrono das traduções bíblicas, que é São Jerônimo, cujo nome quer dizer “nome sagrado”. Nasceu na Dalmácia, antiga Iugoslávia, em 342. Seus pais eram ricos e puderam mandá-lo para Roma realizar seus estudos. Ele morreu a 30 de setembro de 420. Após seu encontro com o mundo cristão, Jerônimo logo percebeu que as traduções da Bíblia, em seu tempo, eram imperfeitas na linguagem e cheia de imprecisões. Iniciou, então, o seu trabalho de tradução dos textos em hebraico e grego para o latim, o que foi magnífico naquela época. Tradução que foi realizada com muita elegância, feita por completo, traduzindo todo o texto das Sagradas Escrituras do Gênesis ao Apocalipse. A sua preocupação não era um texto erudito, para professores e sábios, mas queria atingir o povo simples. Um texto enxuto para os simples. Daí o nome de sua tradução “VULGATA”, ou seja, vulgar, do povo, para pessoas comuns. A tradução foi de tão grande magnitude a ponto de o seu texto ser utilizado em toda a Igreja Católica durante 15 séculos ininterruptos. Somente nos últimos anos, com a valorização da leitura e dos estudos bíblicos, novas traduções surgiram. Num trecho famoso – comentário sobre Isaías e usado no oficio das leituras na memória de São Jerônimo – ele afirma, com a firmeza de suas convicções, que “ignoratio Scripturarum, ignoratio Christi est”, isto é, “a ignorância da Escritura é a ignorância de Cristo”. Sem dúvida, uma forte exortação de um Padre e Doutor da Igreja para os cristãos não só do seu tempo, mas, sobretudo, nos dias de hoje. O estudo sério da Sagrada Escritura é uma necessidade e não um opcional para o católico que quer viver com seriedade e convicção a sua fé. São Jerônimo encontrou o caminho de sua vida na Bíblia. Graças a ele, muitos hoje podem voltar também o seu olhar para a Palavra de Deus, na qual podem encontrar a plena felicidade, impossível de alcançar na simples realidade humana. Mas que felicidade? Jesus Cristo, o Ressuscitado, cuja Palavra é Ele mesmo. Só amamos o Cristo se O conhecemos, e O amamos como Verdade, Caminho e Vida! Verdade que encontramos nos Seus ensinamentos, algo que o escritor sagrado nos deixou, sobretudo, nos Evangelhos. Caminho que o Senhor nos pede para seguir. Que nos encoraja a trilhar e que nos dá a Paz. Caminho traçado pelo Cristo: Paixão e Ressurreição, que ilumina nossas vidas, nossas ações e nossos relacionamentos. Caminho que nos traça, enfim, a nossa salvação. E vida, que nos é apresentada na fonte da felicidade, que nos é apresentada no texto bíblico: a ressurreição de nossas vidas em Deus. Este encontro com o Cristo na Bíblia vai nos facilitar esse encontro com Ele. Assim, Jesus é para nós, hoje, a Verdade na Bíblia, a Vida na Eucaristia e o Caminho que seguimos com os irmãos, tal como Ele nos ensinou. Lembremo-nos do Seu encontro com os viajantes em Emaús. Portanto, o estudo bíblico é de fundamental e crucial importância para a nossa vida de fé. Algo que deve ter sido muito bem percebido por São Jerônimo. Porém, como ele, além do conhecimento e da erudição, o que nos faz santos é viver a Palavra de Deus, colocando-a em prática na vida de cada dia. Os santos fazem a diferença no mundo. Não há amor verdadeiro e convicto se por nossa inteligência for ignorado. O amor cresce quando o conhecimento cresce. Isso é dado para a experiência humana, mas também se aplica à experiência espiritual. Em resumo: não há conhecimento sem o amor de Cristo no estudo da Bíblia com Ele. Esta é a mensagem profunda São Jerônimo. O legado espiritual que esse grande santo da Igreja nos deixa é, por conseguinte, profundo e desafiador. Ele encontrou na Sagrada Escritura o seu fio condutor para Deus, a fonte e a raiz de sua caminhada de santidade. O seu extremo zelo na tradução, o seu hercúleo trabalho desenvolvido ao longo de anos, a sua dedicação ao serviço da Palavra, concretizam-se na sua vida de fé e demonstram o seu imenso amor a Cristo e à Sua Igreja. Assim, também, irmãos e irmãs, não deveria ser a nossa caminhada cristã? Esta perspectiva de Jerônimo poderia servir para nosso itinerário de fé.

São Jerônimo e o Dia da Bíblia
Deus quis manifestar a sua Pessoa aos homens

Estamos no mês da Bíblia, estabelecido neste mês justamente por causa de São Jerônimo, que, com seus estudos, traduções, interpretações, comentários e escritos nos facilitou o acesso a esse grande manancial de sabedoria transmitida pelos Livros Sagrados. A Bíblia, segundo o Magistério da Igreja, contém a revelação daquilo que Deus quis manifestar e comunicar a toda a humanidade, fazendo com que todos possam participar dos bens divinos. O Concílio Vaticano II nos diz que “pela revelação divina quis Deus manifestar e comunicar a sua pessoa e os decretos eternos da sua vontade a respeito da salvação dos homens, para os fazer participar dos bens divinos, que superam absolutamente a capacidade da inteligência humana” (cf. “Dei verbum”, capítulo I, item 6). Com efeito, a Bíblia significa coleção de livros, embora, costuma-se referir-se a ela como um livro único, na verdade, ela é uma coletânea de livros do Antigo Testamento e do Novo Testamento, em geral escritos em hebraico para o Antigo Testamento e grego para o Novo Testamento. O hebraico era um idioma falado pelas famílias semíticas e tudo o que contém nas Sagradas Escrituras nessa língua deve-se aos chamados escribas, fruto do laborioso e lento ofício a favor do povo escolhido. Já o grego era a língua dominante na época em que houve a divulgação da doutrina e vida de Jesus Cristo; por esse fato, o Novo Testamento foi escrito nesse idioma. Em decorrência dessas línguas, contudo, a Bíblia era inacessível aos romanos, que falavam o latim. Então, Jerônimo, educado em Roma, conhecedor do latim e grego, após uma longa doença, sentiu o chamamento de Deus para a vida religiosa e se tornou padre da Igreja Católica. Por volta do ano 374, ele foi para a Palestina, onde estudou hebraico e a interpretação da Bíblia. Inspirado por Deus, traduziu todos os livros da Bíblia para o latim, cuja tradução denominou-se “Vulgata”, pois o latim era a língua universalmente falada na época. O trabalho executado por São Jerônimo foi imenso, pois copilou, com fidelidade e dedicação, uma infinidade de documentos no decorrer das suas longas viagens pelo Oriente, do que resultou a edição adotada oficialmente pela Igreja Católica. A “Vulgata” foi grandemente divulgada, inicialmente por meio de manuscritos feitos pelos monges nos mosteiros e, com o advento da imprensa por Gutemberg, no século XV, teve ampla divulgação. Hoje, é o livro mais vendido do mundo. Estima-se que foram vendidos 12 milhões de exemplares na versão integral, 13 milhões de Novos Testamentos e ainda 450 milhões de brochuras com extratos dos textos originais. Um fato histórico trouxe um trauma enorme para os seguidores de Cristo: a chamada Reforma, dividindo protestantes e católicos. Os protestantes elegeram a Bíblia, excluídos alguns livros, como única maneira de inspiração divina. Os católicos, por sua vez, admitiram-nos juntamente com a tradição da Igreja, como formas de Deus falar aos homens, sempre com a interpretação do Magistério da Igreja. Ainda aqui nos recorda o Concílio Vaticano II: “A Sagrada Tradição, portanto, e a Sagrada Escritura relacionam-se e comunicam estritamente entre si. Com efeito, ambas derivando da mesma fonte divina, fazem como que uma coisa só e tendem ao mesmo fim. A Sagrada Escritura é a palavra de Deus enquanto foi escrita por inspiração do Espírito Santo; a Sagrada Tradição, por sua vez, transmite integralmente aos sucessores dos apóstolos a palavra de Deus confiada por Cristo Senhor e pelo Espírito Santo aos apóstolos, para que, com a luz do Espírito de verdade, a conservem, a exponham e a difundam fielmente na sua pregação; donde acontece que a Igreja não tira a sua certeza a respeito de todas as coisas reveladas só da Sagrada Escritura. Por isso, ambas devem ser recebidas e veneradas com igual afeto e piedade” (cf. (“Dei verbum” – cap. II, item 9). A Igreja sempre teve nos Livros Sagrados uma das fontes de inspiração e vida. Uma coisa, porém, é certa: após a invenção da imprensa, e agora com a versão da Bíblia nas línguas faladas em todo o mundo, ela é, na verdade, o livro mais divulgado e, hoje, fonte de inspiração para toda a humanidade. E todo o manancial constituído pelas Escrituras Sagradas, portanto, devemos ao trabalho dedicado e persistente do grande exegeta, escritor e santo, São Jerônimo, o qual a Igreja o festeja no dia 30 de setembro, mês da Bíblia. Ao concluir esta reflexão, faço-o com os versículos 103 a 105 do Salmo 119: “Como são doces ao meu paladar tuas promessas; mais que o mel para minha boca. Dos teus preceitos recebo inteligência, por isso odeio todo caminho falso. Lâmpada para meus passos é tua palavra e luz no meu caminho.”

 

Dar tudo a Jesus, inclusive nossos pecados

Na gruta, onde o menino Jesus veio ao mundo, morou bem uns 25 anos o célebre Doutor da Igreja, São Jerônimo (ano 420).

Uma vez ele rezou a Jesus deste modo:
– Querido menino, padeceste tanto para salvar-me: como poderei agora compensar-te?
E ouviu responder:
– Louva a Deus com as seguintes palavras: Seja feita a glória de Deus no alto do Céu.
Continua o santo:
– Isso eu já faço; mas eu quero dar-te alguma coisa: todo o meu dinheiro.
Foi-lhe respondido:
– Dá o dinheiro aos pobres; será como se desses a mim.
– Farei também isso; mas a ti que posso dar?
A resposta foi esta:
Dá-me os teus pecados; eu te os peço para cancelá-los.
– A estas palavras, Jerônimo se pôs a chorar e disse:
– Caro Jesus, toma, pois tudo o que é meu, e dá-me tudo o que é teu. Por esse diálogo compreendereis como é grande a bondade de Deus para com os homens.
(A PLAVRA DE DEUS EM EXEMPLOS — G. Mortarino J. C. — Edições Paulinas, S.P. — 1ª. edição, 1961, p. 95)

N.B.: Nós, católicos, precisamos dar tudo a Jesus, até os nossos pecados – especialmente os nossos pecados – para que Ele, com sua bondade imensa, os apague.

 

BENTO XVI APRESENTA ENSINAMENTOS DE SÃO JERÔNIMO
Intervenção durante a audiência geral 
Publicamos a intervenção que Bento XVI pronunciou nesta quarta-feira, na qual concluiu a apresentação da figura de São Jerônimo (347-419/420), que havia começado na quarta-feira precedente (Cf. Zenit, 7 de novembro de 2007).

Queridos irmãos e irmãs: Continuamos hoje apresentando a figura de São Jerônimo. Como dissemos na quarta-feira passada, ele dedicou sua vida ao estudo da Bíblia, até o ponto de que foi reconhecido por meu predecessor, o Papa Bento XV, como «eminente doutor na interpretação das Sagradas Escrituras». Jerônimo sublinhava a alegria e a importância de familiarizar-se com os textos bíblicos: «Não te parece que estás – já aqui, na terra – no reino dos céus, quando se vive entre estes textos, quando se medita neles, quando não se busca outra coisa? (Epístola 53, 10). Na realidade, dialogar com Deus, com sua Palavra, é em um certo sentido presença do Céu, ou seja, presença de Deus. Aproximar-se dos textos bíblicos, sobretudo do Novo Testamento, é essencial para o crente, pois ignorar a Escritura é ignorar a Cristo». É sua esta famosa frase, citada pelo Concílio Vaticano II na constituição «Dei Verbum» (n. 25). «Enamorado» verdadeiramente da Palavra de Deus, ele se perguntava: «Como é possível viver sem a ciência das Escrituras, através das quais se aprende a conhecer o próprio Cristo, que é a vida dos crentes?» (Epístola 30, 7). A Bíblia, instrumento «com o qual cada dia Deus fala aos fiéis» (Epístola 133, 13), converte-se deste modo em estímulo e manancial da vida cristã para todas as situações e para toda pessoa. Ler a Escritura é conversar com Deus: «Se rezas – escreve a uma jovem nobre de Roma – falas com o Esposo; se lês, é Ele quem te fala» (Epístola 22, 25). O estudo e a meditação da Escritura tornam o homem sábio e sereno (cf. «In Eph.», prólogo). Certamente, para penetrar de uma maneira cada vez mais profunda na Palavra de Deus se precisa de uma aplicação constante e progressiva. Por este motivo, Jerônimo recomendava ao sacerdote Nepociano: «Ler com muita freqüência as divinas Escrituras; e mais, que o Livro não caia nunca de tuas mãos. Aprende nele o que tens de ensinar» (Epístola 52, 7). À matrona romana, Leta, ele dava estes conselhos para a educação cristã de sua filha: «Assegura-te de que estude todos os dias alguma passagem da Escritura. Que acompanhe a oração com a leitura e a leitura com a oração… Que ame os Livros divinos em vez das jóias e os vestidos de seda» (Epístolas 107, 9.12). Com a meditação e a ciência das Escrituras se «mantém o equilíbrio da alma» («Ad Eph.», prol.). Só um profundo espírito de oração e a ajuda do Espírito Santo podem introduzir-nos na compreensão da Bíblia: «Ao interpretar a Sagrada Escritura, sempre temos necessidade da ajuda do Espírito Santo» («In Mich.», 1, 1, 10, 15). Um amor apaixonado pelas Escrituras caracterizou portanto toda a vida de Jerônimo, um amor que ele sempre procurou suscitar nos fiéis. Recomendava a uma de suas filhas espirituais: «Ama a Sagrada Escritura e a sabedoria te amará; ama-a ternamente, e te custodiará, honra-a e receberás suas carícias. Que seja para ti como teus colares e teus brincos» (Epístola 130, 20). E acrescentava: «Ama a ciência da Escritura, e não amarás os vícios da carne» (Epístola 125, 11). Para Jerônimo, um critério metodológico fundamental na interpretação das Escrituras era a sintonia com o magistério da Igreja. Por nós mesmos, nunca podemos ler a Escritura. Encontramos demasiadas portas fechadas e caímos em erros. A Bíblia foi escrita pelo Povo de Deus e para o Povo de Deus, sob a inspiração do Espírito Santo. Só nesta comunhão com o Povo de Deus podemos entrar realmente com o «nós» no núcleo da verdade que o próprio Deus nos quer comunicar. Para ele, uma autêntica interpretação da Bíblia tinha de estar sempre em harmonia com a fé da Igreja Católica. Não se trata de uma exigência imposta a este livro desde o exterior; o Livro é precisamente a voz do Povo de Deus que peregrina e só na fé deste Povo podemos estar, por assim dizer, no tom adequado para compreender a Sagrada Escritura. Por este motivo, Jerônimo alentava: «Permanece firmemente unido à doutrina da tradição que te foi ensinada para que possas exortar segundo a sã doutrina e refutar quem a contradiz» (Epístola 52, 7). Em particular, dado que Jesus Cristo fundou sua Igreja sobre Pedro, todo cristão, concluía, deve estar em comunhão «com a Cátedra de São Pedro. Eu sei que sobre esta pedra está edificada a Igreja» (Epístola 15, 2). Portanto, com clareza, declarava: «Estou com quem estiver unido à Cátedra de São Pedro» (Epístola 16). Jerônimo não descuida do aspecto ético. Com freqüência reafirma o dever de recordar a vida com a Palavra divina. Uma coerência indispensável para todo cristão e particularmente para o pregador, a fim de que suas ações não contradigam seus discursos. Assim, exorta ao sacerdote Nepociano: «Que tuas ações não desmintam tuas palavras, para que não suceda que, quando pregues na Igreja, alguém em sua intimidade comente: ‘Por que então tu não ages assim?’ Curioso mestre o que, com o estômago cheio, se pôr a pronunciar discursos sobre o jejum; inclusive um ladrão pode criticar a avareza; mas no sacerdote de Cristo, a mente e a palavra devem estar de acordo» (Epístola 52, 7). Em outra carta, Jerônimo confirma: «Ainda que tenha uma esplêndida doutrina, é vergonhosa a pessoa que se sente condenada pela própria consciência» (Epístola 127, 4). Falando da coerência, observa: o Evangelho deve traduzir-se em atitudes de autêntica caridade, pois em todo ser humano está presente a Pessoa do próprio Cristo. Dirigindo-se, por exemplo, ao presbítero Paulino, que depois chegou a ser bispo de Nola e santo, Jerônimo dá este conselho: «O verdadeiro templo de Cristo é a alma do fiel: adorna este santuário, embeleza-o, deposita nele tuas oferendas e recebe Cristo. Que sentido tem decorar as paredes com pedras preciosas se Cristo morre de fome na pessoa de um pobre?» (Epístola 58, 7). Jerônimo concretiza: é necessário «vestir Cristo nos pobres, visitá-lo nos que sofrem, dar-lhe de comer nos famintos, abrigá-lo nos que não têm um teto» (Epístola 130, 14). O amor por Cristo, alimentado com o estudo e a meditação, nos permite superar toda dificuldade: «Se nós amamos Jesus Cristo e buscamos sempre a união com Ele, o que é difícil nos parecerá fácil» (Epístola 22, 40). Jerônimo, definido por Próspero de Aquitânia como «modelo de conduta e mestre do gênero humano» («Carmen de ingratis», 57), deixou-nos também um ensinamento rico e variado sobre o ascetismo cristão. Recorda que um valente compromisso pela perfeição requer uma constante vigilância, freqüentes mortificações, ainda que com moderação e prudência, um assíduo trabalho intelectual ou manual para evitar o ócio (cf. Epístolas 125, 11 e 130, 15), e sobretudo a obediência a Deus: «Não há nada que agrade tanto a Deus como a obediência…, que é a mais excelsa das virtudes» («Hom. de oboedientia»: CCL 78, 552). Do caminho ascético podem também fazer parte as peregrinações. Em particular, Jerônimo as impulsionou à Terra Santa, onde os peregrinos eram acolhidos e hospedados em edifícios surgidos junto ao mosteiro de Belém, graças à generosidade da mulher nobre Paula, filha espiritual de Jerônimo (cf. Epístola 108, 14). Não se deve esquecer, por último, a contribuição oferecida por Jerônimo à pedagogia cristã (cf. Epístolas 107 e 128). Propõe-se formar «uma alma que tem de converter-se em templo do Senhor» (Epístola 107, 4), uma «jóia preciosíssima» aos olhos de Deus (Epístola 107, 13). Com profunda intuição, aconselha preservá-la do mal e das ocasiões de pecado, evitar as amizades equívocas ou que dissipam (cf. Epístola 107, 4 e 8-9; cf. Também Epístola 128, 3-4). Exorta sobretudo aos pais a criar um ambiente de serenidade e de alegria ao redor dos filhos, para que lhes estimulem no estudo e no trabalho, e lhes ajudem com o elogio (cf. Epístolas 107, 4 e 128, 1) a superar as dificuldades, favorecendo neles os bons costumes e preservando-lhes dos maus porque – diz, citando uma frase de Publilio Siro que havia escutado na escola – «dificilmente conseguirás corrigir-te das coisas às que te vais acostumando tranqüilamente» (Epístola 107, 8). Os pais são os principais educadores dos filhos, os mestres da vida. Com muita clareza, Jerônimo, dirigindo-se à mãe de uma moça e depois ao pai, adverte, como expressando uma exigência fundamental de toda criatura humana que se chega à existência: «Que ela encontre em ti a sua mestra e que sua adolescência se oriente para ti maravilhada. Que nunca veja em ti nem em seu pai atitudes que a levem ao pecado. Recordai que podeis educá-la mais com o exemplo que com a palavra» (Epístola 107, 9). Entre as principais intuições de Jerônimo como pedagogo, é preciso sublinhar a importância atribuída a uma sã e integral educação desde a primeira infância, a peculiar responsabilidade atribuída aos pais, a urgência de uma formação moral religiosa, a exigência do estudo para conseguir uma formação humana mais completa. Também há um aspecto bastante descuidado nos tempos antigos, mas que era considerado vital por nosso autor: a promoção da mulher, a quem reconhece o direito a uma formação completa: humana, acadêmica, religiosa, profissional. E precisamente hoje vemos como a educação da personalidade em sua integridade, a educação na responsabilidade ante Deus e ante os homens, é a autêntica condição de todo progresso, de toda paz, de toda reconciliação e de toda exclusão da violência. Educação ante Deus e ante o homem: a Sagrada Escritura nos oferece a guia da educação e, portanto, do autêntico humanismo. Não podemos concluir estas rápidas observações sobre este grande padre da Igreja sem mencionar a eficaz contribuição que ofereceu à salvaguarda de elementos positivos e válidos da antiga cultura judaica, grega e romana na nascente civilização cristã. Jerônimo reconheceu e assimilou os valores artísticos, a riqueza dos sentimentos e a harmonia das imagens presentes nos clássicos, que educam o coração e a fantasia nos nobres sentimentos. Sobretudo, pôs no centro de sua vida e de sua atividade a Palavra de Deus, que indica ao homem os caminhos da vida, e lhe revela os segredos da santidade. Por tudo isso, precisamente em nossos dias, podemos sentir-nos profundamente agradecidos a São Jerônimo.

 

São Jerônimo, Doutor da Igreja

Nasceu na Dalmácia (Iugoslávia) no ano 342. São Jerônimo cujo nome significa “que tem um nome sagrado”, consagrou toda sua vida ao estudo das Sagradas Escrituras e é considerado um dos melhores, se não o melhor, neste ofício. Em Roma estudou latim sob a direção do mais famoso professor de seu tempo, Donato, que era pagão. O santo chegou a ser um grande latinista e muito bom conhecedor do grego e de outros idiomas, mas muito pouco conhecedor dos livros espirituais e religiosos. Passava horas e dias lendo e aprendendo de cor aos grandes autores latinos, Cícero, Virgilio, Horácio e Tácito, e aos autores gregos: Homero, e Platão, mas quase nunca dedicava tempo à leitura espiritual. Jerônimo se dispôs ir ao deserto a fazer penitência por seus pecados (especialmente por sua sensualidade que era muito forte por seu terrível mau gênio e seu grande orgulho). Mas lá embora rezava muito, jejuava, e passava noites sem dormir, não conseguiu a paz, descobrindo que sua missão não era viver na solidão. De volta à cidade, os bispos da Itália junto com o Papa nomearam como Secretário a Santo Ambrósio, mas este adoeceu, e decidiu nomear a São Jerônimo, cargo que desempenhou com muita eficiência e sabedoria. Vendo seus extraordinários dotes e conhecimentos, o Papa São Dâmaso o nomeou como seu secretário, encarregado de redigir as cartas que o Pontífice enviava, e logo o designou para fazer a tradução da Bíblia. As traduções da Bíblia que existiam nesse tempo tinham muitas imperfeições de linguagem e várias imprecisões ou traduções não muito exatas. Jerônimo, que escrevia com grande elegância o latim, traduziu a este idioma toda a Bíblia, e essa tradução chamada “Vulgata” (ou tradução feita para o povo ou vulgo) foi a Bíblia oficial para a Igreja Católica durante 15 séculos. Ao redor dos 40 anos, Jerônimo foi ordenado sacerdote. Mas seus altos cargos em Roma e a dureza com a qual corrigia certos defeitos da alta classe social lhe trouxeram invejas e sentindo-se incompreendido e até caluniado em Roma, onde não aceitavam seu modo enérgico de correção, dispôs afastar-se daí para sempre e se foi a Terra Santa. Seus últimos 35 anos os passaram em uma gruta, junto à Cova de Presépio. Várias das ricas matronas romanas que ele tinha convertido com suas pregações e conselhos venderam seus bens e se foram também a Presépio a seguir sob sua direção espiritual. Com o dinheiro dessas senhoras construiu naquela cidade um convento para homens e três para mulheres, e uma casa para atender aos que chegavam de todas partes do mundo a visitar o lugar onde nasceu Jesus. Com tremenda energia escrevia contra os hereges que se atreviam a negar as verdades de nossa Santa religião. A Santa Igreja Católica reconheceu sempre a São Jerônimo como um homem eleito por Deus para explicar e fazer entender melhor a Bíblia, por isso foi renomado Patrono de todos os que no mundo se dedicam a fazer entender e amar mais as Sagradas Escrituras. Morreu em 30 de setembro do ano 420, aos 80 anos. “Desconhecer a Sagrada Escritura é desconhecer a Cristo”. São Jerônimo

Oração: Ó Deus, criador do universo, que vos revelastes aos homens, através dos séculos, pela Sagrada Escritura, e levastes o vosso servo São Jerônimo a dedicar a sua vida ao estudo e à meditação da Bíblia, dai-me a graça de compreender com clareza a vossa palavra quando leio a Bíblia. São Jerônimo iluminai e esclarecei a todos os adeptos das seitas evangélicas para que eles compreendam as Escrituras, e se dêem conta de que contradizem a religião católica e a própria Bíblia, porque eles se baseiam em princípios pagãos e supersticiosos. São Jerônimo, ajudai-nos a considerar o ensinamento que nos vem da Bíblia acima de qualquer outra doutrina, já que é a palavra e o ensinamento do próprio Deus. Fazei que todos os homens aceitem e sigam a orientação do nosso Pai comum expressa nas Sagradas Escrituras. Amém.

Nenhum comentário ainda

Comentários desativados

Desenvolvido por Origy Networks – Criação de sites e propaganda