Por que a Igreja não indica nenhum candidato?

Terça-feira, 25 de setembro de 2012 / Kelen Galvan / Da Redação

Eleitores irão às urnas no dia 07 de outubro para escolher seus candidatos

A pergunta, que pode surgir em época de eleições, tem resposta clara. O secretário-executivo da Comissão Brasileira Justiça e Paz da CNBB, Pedro Gontijo, explica que a missão da Igreja é de universalizar sua mensagem, portanto, ela não quer que apenas um partido ou um candidato seja expressão da mensagem.

Segundo ele, a mensagem do Evangelho ultrapassa um partido ou uma coligação. “Nós queremos que todos os partidos defendam princípios que sejam norteados pela defesa da vida, pelo fim da desigualdade, pela igualdade de condições sócio-econômicas, por transparência no estado. Esses princípios deveriam ser norteadores, na nossa avaliação, de candidatos de quaisquer partidos e coligações”.
O fato de escolher um candidato ou partido implicaria em dizer que só aquele teria condições de cumprir esses princípios e os outros não.

Contudo, o secretário destaca que “boa parte dos partidos poderiam estar dentro da defesa desses princípios que deveriam ser, mais ou menos, comuns”.

“A Igreja quer convidar que todos reflitam sobre esses princípios éticos, que devem nortear a vida pública de qualquer mandatário, de qualquer pessoa que está num cargo público, para que, independente de partido, vivenciem esses valores”, enfatiza Gontijo.

Votos Brancos e Nulos

Muitos acreditam que ao votar branco ou nulo estão se esquivando da responsabilidade de ter que optar por candidatos com os quais não concordam ou mesmo que estariam expressando sua inconformidade com a realidade política.

De fato, “quando o voto branco ou nulo é feito de uma forma coletiva e organizada pode significar uma espécie de manifestação, seja com a estrutura social, política ou com os candidatos que se apresentaram”, explica Pedro Gontijo.

Entretanto, é preciso entender que essa “manifestação” só seria significativa se acontecesse de forma massiva, em grande número, para os cargos majoritários, como é o caso de prefeito, nessas eleições.

Se o número de votos brancos ou nulos é pequeno, não interferem no resultado da eleição e acabam contribuindo para aquele que tem mais votos. Principalmente na escolha dos candidatos ao legislativo.

“Voto branco ou nulo ao votar para vereador acaba sendo um voto que contribui para que aqueles que estão tendo mais votos, os partidos e coligações que estão tendo mais votos, sejam beneficiados”, alerta o secretário.

De modo geral, ressalta Gontijo, voto branco ou nulo não contribui para a melhor escolha de candidatos que venham depois a fazer um trabalho mais sério em favor da comunidade.

“Voto branco e nulo não nos parece hoje uma estratégia de participação consciente. Nos parece muito mais importante que as pessoas votem e acompanhem aqueles aos quais votou. Que elas façam o acompanhamento do mandato”, conclui o secretário.

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