XXV Domingo do Tempo Comum – Ano B

Por Pe. Fernando José Cardoso

Vigésimo quinto domingo do tempo comum, a Igreja nos apresenta a última lição de Jesus em Cafarnaun antes de deixar definitivamente a Galiléia em direção à Judéia. No caminho, vindos de Cesaréia de Filipe, seus discípulos discutiam animadamente. Os nossos ouvidos são tremendamente seletivos, quando se trata de alguma notícia desagradável ou que nos incomode, nós não ouvimos, não queremos ouvir ou até não conseguimos ouvir. Jesus em Cesaréia de Filipe havia anunciado pela primeira vez e de maneira clara a sua paixão eminente. Os discípulos caminhando com Jesus pela estrada que conduzia à Jerusalém, discutiam animadamente pelo caminho a respeito do melhor lugar. “Quem de nós será o melhor? Quem ocupará o ministério? Quem será o presidente do supremo Tribunal Federal? Quem será o presidente da Assembléia Legislativa?” Jesus em Cafarnaun os chama: “O que discutíeis pelo caminho?”, mas naquele momento se silenciaram envergonhados porque, diz o evangelista: “Estavam bem longe daquilo que Jesus lhes acabava de revelar”. Com infinita paciência, mas com majestade, Jesus se senta, vai oferecer a cada um, ensinamento cheio de autoridade, coloca-os ao redor de si e afirma que, no seu reino: “Quem desejar ser o primeiro, seja o último, seja o servidor de todos”. Esta palavra é um vocábulo tremendamente abusado. Existem pessoas que reclamam: “Eu não sou seu servidor, eu não sou seu empregado, eu não sou sua empregada”. Servidor é um título honorífico no Antigo Testamento; os patriarcas, Abraão em primeiro lugar eram servidores de Deus, Moisés é denominado servidor de Deus e o próprio Jesus se auto designa servidor de seu Pai. “Quem quiser ser o primeiro, seja o último”; naquele momento Jesus oferecia aos seus uma página de revelação, quando o Senhor do Universo em pessoa se põe a servir a cada um de seus discípulos e o fará de uma maneira mais explícita na última ceia, durante o Lavapés, revela-nos toda a grandeza do serviço. Sim o homem encontra a sua grandeza, a sua magnificência, encontra toda a sua vocação no serviço abnegado e perseverante aos seus irmãos. É isto que Jesus propõe, de maneira concreta, chama o último, chama uma criança, coloca-a no meio, abraça-a, ninguém a quer, naquela ocasião as crianças eram repelidas, Jesus a beija: “Quem quiser ser o maior, seja como um destes”. Nós nunca aprofundaremos suficientemente esta lição que hoje o Senhor do Universo, o Senhor da História nos dá. A sua Igreja ao longo dos séculos aprendeu, porque muitas vezes instituiu congregações e ordens religiosas para cuidar dos mais simples, dos mais fracos, dos mais abandonados. E nós temos vocação para servir como o Senhor do Universo? Ou preferimos ser servidos como aqueles que julgam ser alguma coisa, mas na realidade nada são!

 

Se você quiser ser o primeiro…
Sabedoria 2, 12.17-20; Tiago 3, 16-4,3; Marcos 9, 30-37
Por Frei Raniero Cantalamessa

«Jesus sentou-se, chamou os Doze e lhes disse: “Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos”». Será que Jesus condena, com estas palavras, o desejo de sobressair, de fazer grandes coisas na vida, de dar o melhor de si, e privilegia ao contrário a apatia, o espírito de abandono, os negligentes? Assim pensava o filósofo Nietzsche, que se sentiu no dever de combater ferozmente o cristianismo, réu, em sua opinião, de ter introduzido no mundo o «câncer» da humildade e da renúncia. Em sua obra Assim falava Zaratustra ele opõe a este valor evangélico o da «vontade de poder», encarnado pelo super homem, o homem da «grande saúde», que quer levantar-se, não abaixar-se. Pode ser que os cristãos às vezes tenham interpretado mal o pensamento de Jesus e tenham dado ocasião a este mal-entendido. Mas não é certamente isso o que o Evangelho quer nos dizer. «Se alguém quiser ser o primeiro…»: portanto, é possível querer ser o primeiro, não está proibido, não é pecado. Jesus não só não proíbe, com estas palavras, o desejo de querer ser o primeiro, mas o estimula. Só que revela uma via nova e diferente para realizá-lo: não às custas dos outros, mas a favor dos outros. Acrescenta, de fato: «… seja o último de todos e o servidor de todos». Mas quais são os frutos de uma ou outra forma de sobressair? A vontade de poder conduz a uma situação na qual a pessoa se impõe e os outros servem; e a pessoa é «feliz» (se é que pode haver felicidade nisso), enquanto os outros são infelizes; só se sai vencedor, todos os outros, derrotados; e se domina, os outros são dominados. Sabemos com que resultados se levou a cabo o ideal do super homem por Hitler. Mas não se trata só do nazismo; quase todos os males da humanidade provêm desta raiz. Na segunda leitura deste domingo, Tiago se propõe a angustiosa e perene pergunta: «De onde procedem as guerras?». Jesus, no Evangelho, nos dá a resposta: do desejo de predomínio! Predomínio de um povo sobre outro, de uma raça sobre outra, de um partido sobre os outros, de um sexo sobre o outro, de uma religião sobre a outra… No serviço, ao contrário, todos se beneficiam da grandeza das pessoas. Quem é grande no serviço, é grande ele e torna os outros grandes também; mais que elevar-se acima dos outros, eleva os demais consigo. Alessandro Manzoni conclui sua evocação poética das empresas de Napoleão com a pergunta: «Foi verdadeira glória? Na posteridade, a árdua sentença». Esta dúvida, sobre se se tratou de verdadeira glória, não se propõe para a Madre Teresa de Calcutá, Raoul Follereau e todos os que diariamente servem à causa dos pobres e dos feridos das guerras, freqüentemente arriscando sua própria vida. Resta somente uma dúvida. O que pensar do antagonismo no esporte e da competência no comércio? Também estas coisas estão condenadas pela palavra de Cristo? Não; quando estão contidas dentro de limites da concorrência esportiva e comercial, estas coisas são boas, servem para aumentar o nível das prestações físicas e… para baixar os preços no comércio. Indiretamente, servem ao bem comum. O convite de Jesus a ser o último não se aplica, certamente, às corridas ciclistas ou às de Fórmula 1! Mas precisamente o esporte serve para esclarecer o limite desta grandeza com relação à do serviço: «Nas corridas do estádio, todos correm, mas um só recebe o prêmio», diz São Paulo (1 Cor 9, 24). Basta recordar o que ocorre no término de uma final de 100 metros rasos: o vencedor exulta, é rodeado de fotógrafos e levado triunfalmente; todos os outros se afastam tristes e humilhados. «Todos correm, mas um só recebe o prêmio.» São Paulo extrai das competições atléticas, contudo, também um ensinamento positivo: «Os atletas — diz — se privam de tudo; e isso por uma coroa corruptível!; Nós, ao contrário [para receber de Deus a], coroa incorruptível [da vida eterna]». Luz verde, portanto, à nova corrida inventada por Cristo, na qual o primeiro é quem se torna último de todos e servo de todos.

 

Incrível lição
XXV do tempo comum (Marcos 9, 29-36)
Redigido por Dom Jesús Sanz Montes, ofm
Bispo de Huesca e de Jaca

O texto evangélico que neste domingo vamos escutar sempre me pareceu impressionante por essa espécie de duplo cenário no qual Marcos apresenta a subida de Jesus a Jerusalém. A narração do evangelista nos dá suficientes dados de palavras e de fatos de Jesus, para podermos imaginar o bem-estar experimentado por aqueles primeiros discípulos por pertencer a essa companhia incipiente do Mestre. São olhos acostumados à rotina de uma vida comum, transcorrida entre os afãs de um pequeno povoado e as fadigas do lançar as redes. Eis que se vêem surpreendidos por este Jesus que fala bem, que faz o bem, que está na boca de todos e na necessidade de tantos… E eles foram chamados pelo nome pessoalmente para acompanhar tão insigne personagem. Estavam felizes. Mas não compreendem os fundamentos da viagem de seu Mestre. Digamos que desfrutam de cada estação, arrebatam-se em cada parada do caminho, justamente quando o Mestre fala, quando cura, quando faz milagres. Mas a parada termina, e o caminho continua, e aonde vamos agora? Então Jesus lhes diz delicadamente: “o Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens, e o matarão; e depois de morto, ao terceiro dia ressuscitará” (Mc 9, 13). A reação que estas graves palavras provocavam neles fica magistralmente desenhada na breve observação de Marcos: “eles não entendiam aquilo, e tinham medo de perguntar-lhe” (Mc 9, 32). Ao chegar a Cafarnaum, Jesus lhes fará uma curiosa pergunta: vinham pelo caminho um pouco alterados, sobre o que discutiam? Mas eles, estranhamente, não quiseram responder, como quem, envergonhado, fora surpreendido em uma mesquinharia. E ficaram efetivamente mudos… de vergonha, pois não vinham comentando as palavras de seu Mestre, mas, pelo contrário, partilhavam sua pretensão: qual deles era o mais importante. Humanamente falando, era uma situação desalentadora para Jesus: Ele anunciando sua morte, sua entrega suprema por um supremo amor, e eles repartindo o título, o governo, o emprego, a túnica sagrada. Jesus adotará uma atitude compreensiva, cheia de misericórdia, e lhes explicará em que consiste a “importância” a que eles devem aspirar. Não complicar a vida, ser simples, acolhedor, humilde. Só aos pequenos se revela o verdadeiro sentido da vida, os segredos do Reino de Deus, só eles são verdadeiramente grandes.

 

TUDO A PARTIR DA PÁSCOA DE JESUS
Padre Wagner

Hoje nos deparamos com este evangelho, onde São Marcos nos apresenta, o que se chama do segundo anuncio da paixão, no domingo passado, o próprio evangelista nos apresentou o primeiro momento onde Jesus fala sobre sua paixão, morte e ressurreição, mas o evangelista ainda, coloca um terceiro momento, onde Jesus fala abertamente sobre sua morte e ressurreição, é interessante percebermos a insistência de Jesus, de falar de sua páscoa. Como ouvimos no evangelho de hoje, Jesus e seus discípulos atravessam o mar da Galiléia, mas Jesus não queria que ninguém soubesse, pois Ele estava ensinando os seus discípulos, era uma formação particular, somente para os seus discípulos. Jesus queria deixar bem claro, para os que estavam seguindo que Ele iria manifestar o reino de Deus de uma forma sublime no mistério da sua paixão, morte e ressurreição. Ao falar disso, os discípulos não entenderam, no evangelho de hoje, acontece a mesma coisa, eles não entenderam, enquanto eles percorriam o caminho e Jesus ia falava de sua páscoa, eles discutiam entre si, quem era o maior entre eles, estavam preocupados com os títulos, com a boa posição, por isso que Jesus precisou insistir, deixar bem claro no coração de seus discípulos, que sua missão se realizaria, por meio de sua páscoa. A liturgia da palavra de hoje, quer deixar bem claro que na vida do cristão, o centro deve ser a páscoa de Jesus, sua paixão, morte e ressurreição. Quem é discípulo de Jesus? Sua identidade? A identidade se revela no mistério pascal. A vida do cristão, deve ser uma vida toda ela vivida em comunhão com o mistério pascal de Cristo. Comunhão que cultivada, pela participação na igreja, principalmente na eucaristia. Pelo mistério pascal Jesus nos ensina, que ele não veio para ser servido, mas para servir, para a salvação de todos. Reinar é servir, fazer de sua vida um dom, um sacrifício em função da salvação dos irmãos. Nós estamos neste final de semana vivendo um acampamento particular em função do encontro de novas comunidades, quero dirigir uma palavra aos fundadores e todos aqueles que fazem parte de uma comunidade, nas novas comunidades e isso também serve para você que faz parte de uma comunidade paroquial, nas nossas comunidades tudo precisa partir do mistério pascal e tudo precisa voltar para o mistério pascal. A vida fraterna em comunidade, o apostolado, a missão, tudo precisa partir e voltar para o mistério pascal, porque do contrário, acontecerá o que São Tiago nos diz na segunda leitura: “Onde há inveja e rivalidade, aí estão as desordens e toda espécie de obras más.” Uma comunidade cristã , vai de mal a pior porque perdeu de vista, a razão de ser de sua própria comunidade, a paixão de cristo. Vocês sabem que não existem vida sem sofrimento, e na hora da dor, o sofrimento pode ser físico de ordem moral, espiritual, mas não há existência humana, sem a experiência do sofrimento. Se não tivermos essa consciência poderemos nos desesperar, pois a vida cristã é marcada pela paixão de Cristo, mas se você não responde a essa fé, a cruz irá pesar muito mais, na nossa vida. A paixão, morte e ressurreição de Jesus, precisa ser assimilada pela fé, pela vida comunitária, pela eucaristia. Assimilar que a páscoa de Jesus precisa ser a minha páscoa, o meu coração precisa bater em sintonia, com o coração de Jesus. Assim também precisa ser em nossas comunidades, tudo o que uma comunidade é e faz, precisa ter a marca da paixão, morte e ressurreição de Jesus, como tudo na sua vida, precisa ter a marca da paixão, morte e ressurreição só Senhor, do contrário nossa vida se torna um inferno, sem sentido, que nos deixa desorientado, perdido, assim vejo acontecer na vida de muitos membros de novas comunidades, porque perderam de vista o fundamento de vida cristã. Nós estamos aqui como membros de comunidades, como membros da Igreja, para professarmos nossa comunhão com o mistério pascal de Cristo, eu sigo Jesus onde quer que ele vá, eu sigo Jesus no mistério da sua paixão e morte, para seguir Jesus no mistério da ressurreição, no dia final eu ressuscitarei com Cristo, mas até lá, pela graça de Deus eu irei perseverar no seguimento de Cristo na sua paixão, morte e ressurreição. São Tiago nos que é preciso que despertem os sábios, quem semeia a paz nas comunidades? Os sábios e ele diz muito bem que a sabedoria que vem do alto e que torna os discípulos sábios “17Por outra parte, a sabedoria que vem do alto é, antes de tudo, pura, depois pacífica, modesta, conciliadora, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem fingimento. ”, ele não diz de uma sabedoria, que vem de estudos, ele diz de uma sabedoria que vem do Espírito de Deus e que torna portanto, os simples, humildes, torna essas pessoas sábias, nossas comunidades precisam desses sábios, pois eles são puros, pacíficos, modestos, conciliadores, cheios de misericórdia … Assim devem ser os membros das comunidades Cristãs, das novas comunidades, para não dar lugar a intrigas, fofocas, disse-me-disse… Os sábios que são puros modestos, na realidade são pessoas que vivem seu dia-a-dia aprendendo da graça, sabedoria que nos vem da Páscoa de Jesus. Está é a sabedoria do alto e esta sabedoria que nossas comunidades precisam, Jesus é o Senhor, mas São Paulo na carta aos Filipenses no capítulo 2 diz: “sim, Ele é o Senhor, mas antes ele humilhou a si mesmo, aceitando em sua vida, a morte de cruz, mas Deus em sua misericórdia, o ressuscitou.” Irmãos e irmãs, compreendam o carisma, a espiritualidade a partir da páscoa de Jesus, a vida fraterna, organizem a estrutura, façam discernimento do estado de vida, a partir da Páscoa de Jesus, e não segundo as honrarias do mundo. Jesus foi eternamente glorificado porque foi servo de todos. Peço ao Senhor que nos abençoe com o mistério de sua Páscoa, você, com sua comunidade, acolher de um modo novo, a Páscoa de Jesus, que se torne vida da sua vida.

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