Cristãos celebram Festa da Exaltação da Santa Cruz

Sábado, 14 de setembro de 2013, Da Redação

“Ninguém pode tocar a Cruz de Jesus sem deixar algo de si mesmo nela e sem trazer algo da Cruz de Jesus para sua própria vida”, disse o Papa

Cristãos do ocidente e do oriente celebram neste sábado, 14, a festa da Exaltação da Santa Cruz. Segundo a tradição, a solenidade surgiu por volta do ano 355, por ocasião da inauguração de duas basílicas em Jerusalém: a Basílica do Calvário e a do Santo Sepulcro. A construção dos dois templos foi ordenada pelo imperador na época, Constantino.

Ainda segundo a tradição, as basílicas foram erguidas em consideração à descoberta do lenho da cruz de Jesus que teria sido encontrado por Santa Helena, esposa do imperador Constantino. Durante as escavações para a construção das igrejas, operários encontraram instrumentos que teriam sido utilizados na crucificação de Cristo e dos dois ladrões.

Os relatos históricos dizem que entre os objetos encontrados, estava um pedaço da cruz na qual Jesus morreu. A confirmação de que o fragmento se tratava da cruz de Cristo deu-se a partir da cura de um enfermo ao simples toque do pedaço de madeira.

O significado da Cruz, segundo Francisco

Na Via Sacra da JMJ Rio2013, o Papa Francisco recordou aos jovens presentes a importância da Cruz para os cristãos. Segundo ele, na cruz está a união de Cristo às diversas realidades que vive a humanidade, em seus diferentes aspectos.

“Com a Cruz, Jesus se une ao silêncio das vítimas da violência, que já não podem clamar, sobretudo os inocentes e indefesos; nela Jesus se une às famílias que passam por dificuldades, que choram a perda de seus filhos, ou que sofrem vendo-os presas de paraísos artificiais como a droga; nela Jesus se une a todas as pessoas que passam fome, num mundo que todos os dias joga fora toneladas de comida; nela Jesus se une a quem é perseguido pela religião, pelas ideias, ou simplesmente pela cor da pele; nela Jesus se une a tantos jovens que perderam a confiança nas instituições políticas, por verem egoísmo e corrupção, ou que perderam a fé na Igreja, e até mesmo em Deus, pela incoerência de cristãos e de ministros do Evangelho”.

Na ocasião, Francisco também afirmou que na Cruz de Cristo está o sofrimento, o pecado do homem. “Ele acolhe tudo com seus braços abertos, carrega nas suas costas as nossas cruzes e nos diz: Coragem! Você não está sozinho a levá-la!”, ressaltou. O Papa disse ainda que “ninguém pode tocar a Cruz de Jesus sem deixar algo de si mesmo nela e sem trazer algo da Cruz de Jesus para sua própria vida”.

Liturgia

Na liturgia da Igreja Católica, a Festa da Exaltação da Santa Cruz é celebrada como solenidade, paramentos litúrgicos vermelhos e com a oração do Credo, recitada especialmente aos domingos e dias solenes.

Na oração do dia a Igreja reza: “Ó Deus, que para salvar a todos dispusestes que o vosso Filho morresse na cruz, a nós, que conhecemos na terra este mistério, dai-nos colher no céu os frutos da redenção. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo”.

 

Papa Francisco: “No mistério da Cruz encontramos a história do homem e a história de Deus”
2013-09-14 Rádio Vaticana  
Cidade do Vaticano (RV) – O mistério da Cruz é um grande mistério para o homem e do qual se pode aproximar somente através da oração e das lágrimas: foi o que observou o Papa Francisco nesta manhã de sábado na Missa presidida por ele na capela da Casa Santa Marta, no dia em que a Igreja celebra a Festa da Exaltação da Santa Cruz. No mistério da Cruz – disse o Papa em sua homilia – encontramos a história do homem e a história de Deus, sintetizadas pelos Pais da Igreja, na comparação entre a árvore do conhecimento do bem e do mal, no Paraíso, e a árvore da Cruz: “Aquela árvore tinha feito tanto mal, e esta árvore nos leva à salvação, à saúde. Perdoa aquele mal. Este é o caminho da história humana: um caminho para encontrar Jesus Cristo Redentor, que dá a sua vida por amor. De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele. Esta árvore da Cruz nos salva, todos nós, das consequências daquela outra árvore, onde teve início a auto-suficiência, o orgulho, a soberba de querer conhecer, – nós -, tudo, de acordo com a nossa mentalidade, de acordo com os nossos critérios, também segundo a presunção de ser e de se tornar os únicos juízes do mundo. Esta é a história do homem: de uma árvore a outra árvore”.

Na cruz, se encontra também “a história de Deus” – prosseguiu o Papa Francisco –, “porque podemos dizer que Deus tem uma história”. De fato, “Ele quis assumir a nossa história e caminhar conosco”: inclinou-se, se tornando homem, enquanto nós queríamos nos elevar, e assumiu a condição de servo, sendo obediente até a morte na cruz, para nos levantar: “Deus faz este caminho por amor! Não há outra explicação: somente o amor faz essas coisas. Hoje olhamos para a Cruz, a história do homem e a história de Deus. Olhamos para esta cruz, onde se pode provar mel de aloe, o mel amargo, a doçura amarga do sacrifício de Jesus. Mas esse mistério é tão grande que por si só não podemos compreender bem este mistério, não tanto para entender – sim, entender … – mas experimentar profundamente a salvação deste mistério. Antes de tudo o mistério da Cruz. Somente se pode entender um pouquinho, de joelhos, em oração, mas também através das lágrimas: são as lágrimas que nos aproximam deste mistério”. “Sem chorar, chorar no coração – disse o Papa – não se poderá jamais entender esse mistério”. É o choro do arrependimento, o choro do irmão e da irmã que olham para tantas misérias humanas” e as vêem em Jesus, mas “de joelhos e chorando” e “nunca sozinhos, nunca sozinhos!” “Para entrar neste mistério, que não é um labirinto, mas se assemelha um pouco, temos sempre necessidade da Mãe, da mão da Mãe. Que Ela, Maria, nos faça experimentar quão grande e quão humilde é este mistério; tão doce como mel e tão amargo como o aloe. Que seja ela a nos acompanhar neste caminho, que nenhum outro pode fazê-lo além de nós mesmos. Cada um deve fazê-lo! Com a Mãe, chorando e de joelhos”. (SP)

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