A Missa assistida pela TV tem valor Sacramental?

A Missa assistida pela TV não tem valor sacramental, apenas espiritual; o sacramento só é válido ao vivo, com a participação presente do fiel.

Missas em Rádio e Televisão
No Brasil, há muitos anos, temos missas transmitidas pela rádio e pela televisão. Em encontros nacionais, promovidos pela CNBB, têm-se dado orientações pastorais sobre o modo de realizá-las e sobre o significado delas na vida dos cristãos.
Muitos católicos por motivos diversos assistem a essas transmissões. No Concílio Vaticano II, encontramos uma declaração significativa: “As transmissões por rádio e televisão das funções sagradas, particularmente em se tratando da Santa Missa, façam-se com discrição e dignidade, sob a direção e responsabilidade de pessoa competente, escolhida para tal pelo ofício dos bispos”.
Esta recomendação encontra uma orientação prática na palavra da Comissão Pontifícia para as Comunicações Sociais na Instrução Pastoral Communio et Progressio, publicada em 27 de maio de 1971: “A Missa e outros ofícios litúrgicos devem ser incluídos no número das transmissões religiosas. É necessário, porém, que tais programas sejam devidamente preparados, do ponto de vista técnico e litúrgico. Tenha-se em conta a grande diversidade de público e, se os programas se destinam também a outros países, deve-se respeitar a sua religião e costumes”.
O Magistério da Igreja vê na transmissão de celebrações eucarísticas, como também de outras celebrações, um meio de informar as pessoas sobre a liturgia e sua celebração.
A Instrução da Sagrada Congregação dos Ritos e Concílio, Eucharisticum Mysterium, vai além e diz que as transmissões televisivas de Liturgias, especialmente da Missa, devem ajudar o telespectador a associar-se à Páscoa de Cristo e que a missa transmitida pela rádio e pela televisão deve ser um modelo da celebração do sagrado mistério, conforme as leis da reforma litúrgica.
No encontro com produtores de missas transmitidas pela televisão, em setembro de 1998, a CNBB expressou que as transmissões devem ajudar os telespectadores a se associarem à Páscoa de Cristo: “Seria de máxima conveniência que, em relação a estas questões, fosse recordado que na liturgia celebramos o Mistério Pascal. Que haja, por parte de todos, respeito e fidelidade naquilo que estabelece o Magistério da Igreja com relação à celebração da Santa Missa e do Culto Eucarístico para que se evitem desvios e abusos, sobretudo nas transmissões televisivas. Aqueles que assistem à Missa pela TV sejam estimulados a participar da celebração na assembleia litúrgica. Cada celebração tenha sempre um tom orante para que transpareça a dimensão de sacralidade do mistério celebrado. Seja dado o devido valor aos símbolos litúrgicos, cuide-se das expressões artísticas do espaço celebrativo, dos objetos, das vestes litúrgicas. O canto e a música estejam de acordo com a índole própria da celebração, do tempo litúrgico e dos momentos celebrativos”.
A assistência à missa pela rádio e pela televisão não justifica a ausência na celebração para quem tem condições de participar dela fisicamente.
As declarações do Magistério da Igreja não deixam dúvida que as celebrações litúrgicas transmitidas pelos meios de comunicação social, especialmente pela televisão, se assistidas com fé, têm valor salvífico para os que não podem participar da missa em sua comunidade, por exemplo, por doença ou velhice. Toda a nossa vida em conformidade com Jesus Cristo é um levar a efeito a obra da salvação, isso vale mais ainda para quem se une espiritual e realmente à Páscoa de Cristo, assistindo a uma missa transmitida por rádio ou pela televisão.
Podemos entrar em comunhão com o Senhor Ressuscitado não só pela comunhão eucarística, mas também de outras maneiras. Por isso, quem não tem possibilidade de participar fisicamente da assembleia eucarística, tem através do rádio e mais ainda da televisão uma ótima possibilidade de entrar em comunhão com o Senhor.
Assistir a uma celebração pelos meios de comunicação é uma maneira de responder ao Senhor que bate à nossa porta pedindo entrada. Aberta a porta, o Senhor entra para realizar o encontro através da Palavra proclamada para todos e realiza-se um encontro pessoal, particular e salvífico.
Certamente as equipes, que preparam e animam as celebrações transmitidas pelo rádio e pela televisão, devem ter muita consciência do significado e do alcance dessas celebrações para as pessoas impedidas de se reunirem com a comunidade, como: doentes, idosos, presos, viajantes, os que moram longe do local das celebrações comunitárias e para os fieis em geral e até mesmo para as equipes de celebração das comunidades. Nunca se devem transmitir missas gravadas. Os telespectadores e radiouvintes devem estar informados quando se transmite alguma celebração em forma de documentário.
Toda celebração deve se realizar com unção e ter um tom orante. As celebrações litúrgicas são celebrações da Igreja e fundadas na longa tradição litúrgica; por isso, não cabe nelas inventar coisas, nem cultivar subjetividades. Muito menos devem ser palco de ‘shows’ e esnobismos de grupos ou pessoas.
As missas transmitidas pelos meios de comunicação social se justificam também como espaço de iniciação dos fieis e de formação litúrgica do povo.
Sem dúvida “a Santa Missa transmitida na televisão ganha inevitavelmente um certo caráter de exemplaridade; daí o dever de prestar particular atenção a que a celebração, além de se realizar em lugares dignos e bem preparados, respeite as normas litúrgicas”.

Acompanhar a missa pela televisão vale como missa dominical?
Os especialistas respondem à pergunta de um leitor
https://pt.aleteia.org/2017/02/13/acompanhar-a-missa-pela-televisao-vale-como-missa-dominical/

Pergunta:
O caso é de um idoso que, apesar de ser autossuficiente e capaz de sair de casa, tem medo de arriscar sua saúde no inverno e, por isso, acompanha a santa missa dominical pela televisão. Ele cumpre o preceito dominical?

Resposta de Gilberto Aranci, professor de Teologia Pastoral:
A resposta precisa pelo menos de duas premissas gerais: uma litúrgica e outra moral.
Segundo a liturgia cristã, o culto prestado a Deus é principalmente comunitário (liturgia = culto do povo) e enriquece a participação pessoal. Sempre é assim a celebração da Eucaristia: toda a assembleia participa (não apenas assiste) da celebração eucarística presidida pelo sacerdote e, junto dele, exerce o sacerdócio comum unindo a oferenda de si à de Cristo, feita de uma vez para sempre.
Como consequência – eis aqui o aspecto moral – o preceito festivo da missa não pode ser cumprido sem a participação pessoal da Eucaristia dominical. Além disso, leva-se em consideração o outro princípio moral segundo o qual ninguém é obrigado a cumprir atos “impossíveis”.
Por isso, quem, por sérios ou graves motivos, está impedido ou impossibilitado não está sujeito ao preceito: por exemplo, quem está doente ou é idoso, ou quem está particularmente longe do lugar da celebração dominical, ou onde, por falta de padres, a missa não é celebrada etc.
Tendo estas premissas, torna-se clara a resposta à pergunta sobre o caso particular: não se cumpre o preceito nunca escutando ou assistindo à transmissão radiofônica ou televisiva da missa; mas se pode afirmar simplesmente que, neste determinado caso, a pessoa, por motivos de saúde ou idade, não está sujeita ao preceito.
Resta, no entanto, considerar a ajuda e o significado espiritual que a transmissão televisiva da missa pode dar às pessoas impossibilitadas de participar pessoalmente da celebração dominical. São esclarecedoras as palavras que, em vários momentos, os bispos italianos expressaram com relação a isso. Um dos trechos diz:
“A missa pela televisão é frequentemente vivida com participação e devoção por parte do doente, do idoso ou de quem se encontra na impossibilidade de assistir pessoalmente na Igreja. E, precisamente a estes últimos, ela pode oferecer um serviço espiritual bastante útil. Mais ainda: é sobretudo nesta categoria de pessoas que será preciso pensar na participação dessas missas, na homilia, nas intenções da oração universal.
Quem está impedido, por motivos sérios, não está sujeito ao preceito. Por outro lado, a participação da missa pelo rádio ou pela televisão nunca satisfaz o preceito. No entanto, é evidente que uma missa pela televisão ou no rádio, que de forma alguma substitui a participação direta e pessoal da assembleia eucarística, tem seus aspectos positivos: a palavra de Deus é proclamada e comentada “ao vivo” e pode incentivar a oração; o doente e o idoso podem se unir espiritualmente à comunidade que, nesse momento celebra o rito eucarístico; a oração universal pode ser compartilhada e participada.
Falta certamente a presença física, mas a impossibilidade de levar uma oferenda ao altar não exclui a de fazer da própria vida (doença, fraqueza, lembranças, esperanças, temores) uma oferenda para unir à de Cristo. E a impossibilidade de se aproximar do baquete eucarístico pode ser hoje superada, em muitos casos, pelo pontual serviço dos ministros extraordinários da comunhão” (Il giorno del Signore, 1984).
Mais ainda, a vinte anos de distância: “Pela natureza e pelas exigências do ato sacramental, não é possível equiparar a participação direta e real (da missa) com a midiática e virtual, por meio de instrumentos da comunicação social.
Ainda que represente uma forma bastante válida de ajuda na oração, sobretudo para quem está doente ou impossibilitado de estar presente, dado que oferece a possibilidade de se unir a uma celebração eucarística no momento em que esta é levada a cabo em um lugar sagrado, é preciso evitar qualquer equiparação” (Comunicaziones e Missione. Direttorio sulle comunicazione social nella missione dela Chiesa, 2004, n. 64).
(Artigo publicado originalmente por Toscana Oggi)

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