Somente a Bíblia?

“Assim, pois, irmãos, permanecei firmes, e conservai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa” (2Ts 2, 15).

Para os protestantes, a Bíblia é a única regra de fé, ou melhor, a Bíblia é a autoridade máxima da igreja. Mas será que esta também era a fé dos primeiros cristãos? (Por Cristãos, entenda-se Católicos)

A Doutrina da Igreja vem do ensino oral que Cristo deixou para os Apóstolos. Note que nos primeiros quatro séculos, muitos cristãos nasceram, viveram e morreram, sem mesmo saber quais eram os livros que deveriam compor a Bíblia. Nos primeiros quatro séculos a Igreja vivia somente da Tradição e do Magistério.

Foi com base na Tradição Apostólica, é que o Magistério Católico definiu o catálogo sagrado. Isto mostra claramente que a Bíblia é filha da Igreja e não sua mãe. Como diz meu amigo Professor Carlos Ramalhete: “pode algo maior sair de algo menor?”, é claro que não. A própria Bíblia declara que “A Igreja é a Coluna e o Fundamento da Verdade” (1Tm 3, 15). A Igreja é tão anterior à Bíblia que a própria Igreja é citada na Bíblia.

A doutrina protestante “Sola Scriptura”, isto é, “Somente as Escrituras”, não encontra amparo na Tradição Apostólica, no Magistério da Igreja e nem nas próprias Escrituras. Vamos utilizar a própria Bíblia para desmentir tal doutrina:

A Bíblia não contém toda revelação

“Jesus fez muitas outras coisas. Se cada uma delas fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que seriam escritos” (Jo 21, 25).
– o testemunho do apóstolo fala tudo, nem tudo que Jesus ensinou e realizou foi escrito, mas ficou mantido na Tradição Apostólica.

“[Jesus] depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias e falando do que respeita ao reino de Deus” (At 1, 3).
– o que Jesus ensinou aos apóstolos nestes quarenta dias após sua ressurreição não foi importante? Será que Jesus esteve com eles à toa? A Bíblia não nos relata o que Jesus ensinou neste período, mas a Tradição Apostólica sim.

“Tenho muito a vos escrever, mas não quero fazê-lo com papel e tinta. Antes, espero ir ter convosco e falar face a face, para que nossa alegria seja completa” (2Jo 1, 12).

“Tenho muitas coisas que te escrever, mas não quero fazê-lo com tinta e pena. Espero, porém, ver-te brevemente, e falaremos face a face” (3Jo 1, 13-14).
– São João ensinou muitas coisas oralmente.

“E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados” (Tg 5, 10).
– São Tiago Menor recebeu tal instrução da Tradição Apostólica, já que em nenhum lugar da Bíblia, Nosso Senhor Jesus Cristo ensina tal coisa.

A Tradição Apostólica tem autoridade

“Assim, pois irmãos, permaneceis firmes, e conservai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa” (2Ts 2, 15).

“E o que de mim, através de muitas testemunhas ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para ensinarem outros” (2Tm 2, 2).

“Ó Timóteo, guarda o depósito [a tradição] que te foi confiado, tendo horror aos clamores vãos e profanos e às oposições da falsamente chamada ciência [gnose]” (1Tm 6, 20).

“E [os cristãos] perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações” (At 2, 42).

“E, quando [Paulo, Timóteo e Silas] iam passando pelas cidades, lhes entregavam, para serem observados, os decretos que haviam sido estabelecidos pelos apóstolos e anciãos em Jerusalém” (At 16, 4).
– forte testemunho da ação do Magistério da Igreja no cristianismo primitivo.

Este é o testemunho da própria Bíblia sobre a doutrina protestante da “Sola Scriptura”.

Autor: Alessandro Ricardo Lima
Fonte: Veritatis Splendor  

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