Santo Cura D’Ars: belo dever do homem, orar e amar

Padre Luizinho, Canção Nova

Hoje a Igreja celebra a memória do Cura D´Ars. Um sacerdote que viveu na França e que se tornou um grande modelo de vida sacerdotal para todo padre. O Papa Bento XVI por ocasião dos 150 anos de seu falecimento promulgou o Ano Sacerdotal no ultimo dia 19 de Junho na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus. Com o tema: “Fidelidade de Cristo, Fidelidade do sacerdote”, você conhece São João Maria Vianney? Vamos conhecê-lo mais um pouco a partir de sua vida espiritual com este texto que trago para meditarmos e rezarmos, depois clique em Santo do Dia e conheça mais um pouco do santo modelo para os padres e para todos os cristãos:

Belo dever do homem: Orar e amar
Prestai atenção, meus filhos: o tesouro do homem cristão não está na terra, mas no Céu. Por isso, o nosso pensamento deve voltar-se para onde está o nosso tesouro. O homem tem este belo dever e obrigação: orar e amar. Se orais e amais, tendes a felicidade do homem sobre a terra. A oração não é outra coisa senão a união com Deus. Quando alguém tem o coração puro e unido a Deus, experimenta em si mesmo uma certa suavidade e doçura que inebria e uma luz admirável que o circunda. Nesta íntima união, Deus e a alma são como dois pedaços de cera, fundidos num só, de tal modo que ninguém mais os pode separar. Como é bela esta união de Deus com a sua pequena criatura! É uma felicidade que supera toda a compreensão humana. Nós tornamo-nos indignos de orar; mas Deus, na sua bondade, permite-nos falar com Ele. A nossa oração é o incenso que mais Lhe agrada. Meus filhos, o vosso coração é pequeno, mas a oração dilata-o e torna-o capaz de amar a Deus. A oração faz-nos saborear antecipadamente a suavidade do Céu, é como se alguma coisa do Paraíso descesse até nós. Ela nunca nos deixa sem doçura; é como o mel que se derrama sobre a alma e faz com que tudo nos seja doce. Na oração bem feita desaparecem as dores, como a neve aos raios do sol. Outro benefício nos traz a oração: o tempo passa depressa e com tanto prazer que não se sente a sua duração. Escutai: quando era pároco em Bresse, em certa ocasião tive de percorrer grandes distâncias para substituir quase todos os meus colegas, que estavam doentes; e podeis estar certos disto: nessas longas caminhadas rezava ao bom Deus e o tempo não me parecia longo. Há pessoas que se submergem profundamente na oração, como os peixes na água, porque estão completamente entregues a Deus. O seu coração não está dividido. Oh como eu amo estas almas generosas! São Francisco de Assis e Santa Coleta viam Nosso Senhor e conversavam com Ele do mesmo modo que nós falamos uns com os outros. Nós, pelo contrário, quantas vezes vimos para a igreja sem saber o que havemos de fazer ou que pedir! No entanto, sempre que vamos ter com algum homem, sabemos perfeitamente o motivo por que vamos. Mais: há pessoas que parecem falar a Deus deste modo: «Só tenho a dizer-Vos duas palavras para ficar despachado…». Muitas vezes penso: Quando vimos para adorar a Deus, conseguiríamos tudo o que pedimos se pedíssemos com fé viva e coração puro (Liturgia das Horas, Da Catequese de São João Maria Vianney, presbítero).

O Senhor da messe não deixe faltar à sua Igreja numerosas e santas vocações sacerdotais e religiosas!

Oração: Pai santo olha para esta nossa humanidade, que dá os primeiros passos no caminho do terceiro milênio. A sua vida ainda é fortemente marcada pelo ódio, pela violência, pela opressão, mas a fome de justiça, de verdade e de graça ainda acha espaço no coração de muitos, que esperam que tragas a salvação realizada por ti, por meio de teu Filho Jesus. Precisamos de arautos corajosos do Evangelho, de servos generosos da humanidade sofredora. Manda à tua Igreja, nós te suplicamos presbíteros santos, que santifiquem o teu povo com os instrumentos da tua graça. Manda numerosos consagrados e consagradas, que mostrem a tua santidade no meio do mundo. Manda na tua vinha operários santos, que ajam com o ardor da caridade e, impelidos por teu Santo Espírito, levem a salvação de Cristo até os últimos confins da Terra. Amém (João Paulo II, De Castel Gandolfo, 08 de setembro de 2001).

“Uma alma pura tem todo o poder sobre o bom Deus, não é mais ela que faz a vontade de Deus, mas Deus que faz a sua” (São João Maria Vianney).

ORAÇÃO
Deus de poder e misericórdia, que tornastes São João Maria Vianney um pároco admirável por sua solicitude pastoral, dai-nos por sua intercessão e exemplo, conquistar no amor de Cristo os irmãos e irmãs para vós e alcançar com ele a gloria eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

São João Maria Vianney, rogai por nós e por todos os nossos sacerdotes!

 

EXCERTOS DAS PALAVRAS do Santo Cura d’Ars
Com suas palavras, João Maria Vianney soube tocar os corações e guiá-los para Deus.
Fonte: Ars Net

Misericórdia e sacramento do perdão
Se compreendêssemos bem o que significa ser filho de Deus, não poderíamos fazer o mal […]; ser filho de Deus, oh, que bela dignidade! A misericórdia de Deus é como um rio que transbordou. Ao passar, arrebata os corações. Não é o pecador que retorna a Deus para lhe pedir perdão, é Deus que corre atrás do pecador e o faz voltar para Ele. Demos, portanto, esta alegria a esse Pai tão bom: voltemos a Ele… e seremos felizes. O bom Deus está sempre disposto a nos receber. Sua paciência nos espera! Há quem volte ao Pai Eterno um coração duro. Oh, como essas pessoas se enganam! O Pai Eterno, para desarmar sua justiça, deu a seu Filho um coração excessivamente bom: não damos o que não temos… Há quem diga: “Agi mal demais; Deus não pode me perdoar”. Trata-se de uma grande blasfêmia. Equivale a impor um limite à misericórdia de Deus, que não tem limites: é infinita. Nossos erros são grãozinhos de areia em comparação com a grande montanha da misericórdia de Deus. Quando o sacerdote dá a absolvição, precisamos pensar apenas numa coisa: que o sangue do bom Deus se derrama sobre nossa alma para lavá-la, purificá-la e torná-la bela como era depois do batismo. O bom Deus, no momento da absolvição, joga nossos pecados para trás das costas, ou seja, esquece-os, apaga-os: não reaparecerão nunca mais. Já não há o que falar dos pecados perdoados. Foram apagados, não existem mais!

A Eucaristia e a comunhão
Todas as boas obras, juntas, não se equivalem ao sacrifício da Missa, pois são obras dos homens, enquanto a Santa Missa é obra de Deus. Nada há tão grande quanto a Eucaristia. Oh, filhos meus, o que faz Nosso Senhor no Sacramento de seu amor? Toma seu coração bom para nos amar, e extrai desse coração uma transpiração de ternura e misericórdia, para sufocar os pecados do mundo. Aí está aquele que tanto nos ama! Por que não amá-lo? O alimento da alma é o corpo e o sangue de um Deus. Se pensarmos nisso, havemos de nos perder eternamente nesse abismo de amor! Venham à comunhão, venham a Jesus, venham viver d’Ele, para viver para Ele. O bom Deus, querendo oferecer-se a nós no sacramento de seu amor, deu-nos um desejo grande e profundo, que só Ele pode satisfazer. A comunhão produz na alma uma espécie de lufada de ar num fogo que começa a se apagar, mas em que ainda ardem muitas brasas! Depois que comungamos, se alguém nos dissesse: “O que você leva para casa?”, poderíamos responder: “Eu levo o céu”. Não digam que não são dignos disso. É verdade: vocês não são dignos, mas precisam disso.

A oração
A oração nada mais é que a união com Deus. A oração é uma doce amizade, uma familiaridade surpreendente; […] é um doce colóquio de uma criança com seu Pai. Quanto mais rezamos, mais queremos rezar. Vocês têm um coração pequeno, mas a oração o alarga e o torna capaz de amar a Deus. Não é para as longas nem para as belas orações que o bom Deus olha, mas para as que vêm do fundo do coração, com grande respeito e verdadeiro desejo de agradar a Deus. Como um pequeno quarto de hora que roubamos a nossas ocupações, a uma série de coisas inúteis, para rezar, lhe dá prazer! A oração particular assemelha-se à palha espalhada aqui e ali num campo. Se lhe ateamos fogo, a chama tem pouco ardor, mas, se reunimos a palha espalhada, a chama se torna abundante e se eleva para o alto do céu: o mesmo se dá com a oração pública. O homem é um pobre que precisa pedir tudo a Deus. O homem tem uma bela função: rezar e amar. […] Essa é a felicidade do homem na terra. Vamos, minh’alma, vai conversar com o bom Deus, trabalhar com Ele, caminhar com Ele, lutar e sofrer com Ele. Trabalharás, mas Ele abençoará teu trabalho; caminharás, mas Ele abençoará teus passos; sofrerás, mas Ele abençoará tuas lágrimas. Como é grande, como é nobre, como é consolador fazer tudo em companhia e sob o olhar do bom Deus, e pensar que Ele tudo vê, tudo enumera!…

O sacerdote
A ordem: é um sacramento que não parece dizer nada a nenhum de vocês, mas diz respeito a todos. É o sacerdote quem continua a obra da Ressurreição na terra. Quando vocês vêem o sacerdote, pensem em Nosso Senhor Jesus Cristo. O sacerdote não é sacerdote para si mesmo, mas por vocês. Tentem se confessar com a Santa Virgem ou com um anjo. Eles os absolverão? Darão o corpo e o sangue de Nosso Senhor a vocês? Não, a Santa Virgem não pode trazer seu divino Filho na hóstia. Ainda que vocês tivessem duzentos anjos a sua disposição, eles não poderiam absolvê-los. Um sacerdote, por mais simples que seja, pode fazer isso. Ele pode lhes dizer: vão em paz, eu os perdôo. Oh, o sacerdote é algo realmente grande! Um bom pastor, um pastor de acordo com o coração de Deus, é o maior tesouro que o bom Deus pode conceder a uma paróquia, e um dos dons mais preciosos da misericórdia divina. O Sacerdócio é o amor do coração de Jesus. Deixem uma paróquia vinte anos sem sacerdote: ali os animais serão adorados.

A Virgem Maria
A Santa Virgem é essa bela criatura que nunca desagradou ao bom Deus. O Pai adora contemplar o coração da Santíssima Virgem Maria, como a obra-prima de suas mãos. Jesus Cristo, depois de ter-nos dado tudo o que nos podia dar, quis ainda fazer-nos herdeiros do que tem de mais precioso, sua Santa Mãe. A Santa Virgem nos gerou duas vezes: na encarnação e aos pés da Cruz; logo, é nossa Mãe duas vezes. Não entramos numa casa sem falar com o porteiro! Pois bem: a Santa Virgem é a porteira do Céu! A ave-maria é uma oração que não cansa nunca. Tudo o que o Filho pede ao Pai lhe é concedido. Tudo o que a Mãe pede ao Filho também lhe é deferido. O meio mais seguro de conhecer a vontade de Deus é rezar a nossa boa Mãe. Quando nossas mãos tocaram um aroma, perfumam tudo o que tocam. Façamos nossas orações passarem pelas mãos da Santa Virgem: ela as perfumará. Creio que, no fim do mundo, a Santa Virgem ficará muito tranqüila, mas, enquanto durar o mundo, ela é puxada de todos os lados…

A tentação
“A tentação nos é útil e necessária”.
“Deus não nos pede o martírio; pede-nos que resistamos a umas poucas tentações”.
“Conhecemos o preço da nossa alma pelos esforços que o demônio faz para perdê-la. O inferno arma-se contra ela, o céu por ela… Como ela é grande! Quando o demônio prevê que uma alma caminha para a união com Deus, a sua raiva redobra … Feliz união!”
“Enquanto houver um cristão à face da terra, “ele” [o demônio] o tentará”.
“A maior tentação é não ter nenhuma”.
“Havia uma vez uma mulher (parece-me que era Santa Teresa) que se queixava a Nosso Senhor após uma tentação e lhe dizia: “Onde estáveis Vós, meu Jesus infinitamente amável, onde estáveis durante esta horrível tempestade?” Nosso Senhor respondeu-lhe: “Estava no meio do teu coração, feliz de te ver lutar” “.
“Todos os soldados são bons da caserna. É no campo de batalha que se vê a diferença entre os corajosos e os covardes”.
“Os combates levam-nos para junto da cruz, e a cruz é a porta do céu”.
“Quando fordes tentados, oferecei a Deus o mérito dessa tentação para obterdes a virtude oposta”.
“Muitos se entregam à moleza e à ociosidade. Não é de admirar que o demônio lhes ponha o pé em cima”.
“Três coisas nos são absolutamente necessárias para combater a tentação: a oração para obtermos luz, os sacramentos para ganharmos forças, a vigilância para nos preservarmos”.
“Se estivéssemos impregnados da presença de Deus, ser-nos-ia fácil resistir ao inimigo”.
“Quando o demônio quer perder uma pessoa, começa por incutir-lhe um grande desgosto pela oração”.
“O demônio é esperto, mas não é forte: basta fazer o sinal da cruz para pô-lo em fuga”.
“O demônio só tenta aqueles que querem sair do pecado e aqueles que estão em estado de graça. Os outros já lhe pertencem, não precisam de ser tentados”.

 

10 Ensinamentos de São João Vianney para a luta contra o mal
http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2016/08/04/10-ensinamentos-de-s-joao-vianney-para-a-luta-contra-o-mal/

O Santo Padre de Ars nasceu na França no ano 1786. Foi um grande pregador, fazia muitas mortificações, foi um homem de oração e caridade. Tinha um dom especial para a confissão. Por isso, vinham pessoas de diferentes lugares para confessar-se com ele e escutar seus santos conselhos. Devido a seu frutífero trabalho pastoral foi nomeado padroeiro dos sacerdotes. Também combateu contra o maligno em várias ocasiões, inclusive em algumas não só espiritualmente.

Em uma delas, enquanto se preparava para celebrar a missa, um homem lhe disse que seu dormitório estava pegando fogo. Qual foi sua resposta? “O Resmungão está furioso. Quando não consegue pegar o pássaro, ele queima a sua gaiola”. Entregou a chave para aqueles que iam ajudar a apagar o fogo. Sabia que Satanás queria impedir a missa e não o permitiu.

Deus premiou sua perseverança diante das provações com um poder extraordinário que lhe permitia expulsar demônios das pessoas possuídas.

Sua confiança em Deus e fé inabalável nos dão várias lições que podem também nos ajudar em nossas lutas do dia-a-dia em nossa caminhada nesta terra. Sim, o mal existe; mas, Deus pode mais… “Quem como Deus?”.

Confira:

1. Não imagine que exista um lugar na terra onde possamos escapar da luta contra o demônio, se tivermos a graça de Deus, que nunca nos é negada, podemos sempre triunfar.

2. Como o bom soldado não tem medo do combate, assim o bom cristão não deve ter medo da tentação. Todos os soldados são bons no acampamento, mas é no campo de batalha que se vê a diferença entre corajosos e covardes.

3. O demônio tenta somente as almas que querem sair do pecado e aquelas que estão em estado de graça. As outras já lhe pertencem, não precisa tentá-las.

4. Uma santa se queixou a Jesus depois da tentação, perguntando a Ele: “onde você estava, meu Jesus adorável, durante esta horrível tempestade?” Ao que Ele lhe respondeu: “Eu estava bem no meio do seu coração, encantado em vê-la lutar”.

5. Um cristão deve sempre estar pronto para o combate. Como em tempo de guerra, tem sempre sentinelas aqui e ali para ver se o inimigo se aproxima. Da mesma maneira, devemos estar atentos para ver se o inimigo não está nos preparando armadilhas e, se ele está vindo para nos pegar de surpresa…

6. Três coisas são absolutamente necessárias contra a tentação: a oração, para nos esclarecer; os sacramentos, para nos fortalecer; e a vigilância para nos preservar…

7. Com nossos instintos a luta é raramente de igual: ou nossos instintos nos governam ou nós governamos nossos instintos. Como é triste se deixar levar pelos instintos! Um cristão é um nobre; ele deve, como um grande senhor, mandar em seus vassalos.

8. Nosso anjo da guarda está sempre ao nosso lado, com a pena na mão, para escrever nossas vitórias. Precisamos dizer todas as manhãs: “Vamos, minh’alma, trabalhemos para ganhar o céu”.

9. O demônio deixa bem tranquilo os maus cristãos; ninguém se preocupa com eles, mas contra aqueles que fazem o bem ele suscita mil calúnias, mil ofensas.

10. O sinal da cruz é temido pelo demônio porque é pela cruz que escapamos dele. É preciso fazer o sinal da cruz com muito respeito. Começamos pela cabeça: é o principal, a criação, o Pai; depois o coração: o amor, a vida, a redenção, o Filho; por fim, os ombros: a força, o Espírito Santo. Tudo nos lembra a cruz. Nós mesmos somos feitos em forma de cruz.

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