Os Jesuítas e as Paróquias de HV e NH

O Pe. Inácio Spohr, SJ, sacerdote e historiador jesuíta, lançou o Livro sobre as Paróquias de Nossa Senhora da Piedade, Bairro Hamburgo Velho e de São Luiz Gonzaga, Bairro Centro.

São 151 páginas, com fotografias típicas do final do século XIX e século XX (até a década de 1940), quando os padres jesuítas lançaram as sementes da grande missão ininterrupta, e estiveram pastoreando nossa região.

O Livro pode ser adquirido na Secretaria Paroquial por R$ 25,00 reais (preço unitário).

Trata-se de crônicas e não de análise dos fatos.

HAMBURGO VELHO
A Paróquia Nossa Senhora da Piedade, de Hamburgo Velho, na cidade de Novo Hamburgo, passou por uma evolução bastante grande. A criação da Paróquia de Hamburgo Velho, da parte da Assembleia Provincial, data de 08 de maio de 1875. Uns anos mais tarde, Dom Sebastião Dias Laranjeira, bispo do Rio Grande do Sul, deu valor canônico à Freguesia de Nossa Senhora da Piedade, de Hamburger Berg, ao criá-la no dia 22 de julho de 1880.
No decorrer de 14 anos ela não teve pároco próprio, mas foi administrada pelo pároco de São Leopoldo, de quem dependia. Somente a partir de 02 de janeiro de 1894 é que Hamburgo Velho começou a ter seu vigário próprio morando na casa canônica, ao lado da igreja matriz.
Os jesuítas de São Leopoldo atenderam Hamburgo Velho desde 1860, mais ou menos, até 1893. Na época, “Hamburger Berg” era uma das muitas capelas de São Leopoldo. Com o desenvolvimento social e econômico, foi preciso dar-lhe maior “cidadania”, o que aconteceu no final do século 19, quando o bispo de Porto Alegre criou a paróquia. Os jesuítas de Hamburgo Velho abriram residência em 1894.
Quem geralmente morava na casa canônica, em Hamburgo Velho, eram o P. Vigário, o P. Coadjutor e um Irmão encarregado dos serviços domésticos. Em certas ocasiões, havia dois padres coadjutores e dois Irmãos. Um dos irmãos ficava encarregado da escola paroquial ou da catequese dos meninos.
Algumas capelas ficavam distantes, como Sapiranga, Campo Bom, Nova Palmira, Mundo Novo (Taquara). Embora não se mencione muito a montaria, é certo que o cavalo ou a mula eram muito usados pelos missionários e padres que trabalhavam nas colônias alemãs. Além das celebrações de missas, batizados, casamentos, confissões, enterros, catequese e outros ministérios, o padre devia estar sempre pronto para atender aos chamados de doentes a qualquer hora do dia e da noite.
O Apostolado da Oração e a Congregação Mariana desempenharam um papel importante na paróquia, não apenas com suas preces e devoções, mas também com suas ofertas para as obras da igreja como a aquisição de cálices, bandeiras, estátuas, tapetes, paramentos. Ao mesmo tempo, tais associações exerceram grande influência na formação religiosa das famílias. Nas procissões, festas e outros eventos, tais associações religiosas sempre colaboraram no que fosse necessário na vida paroquial.
As construções de capelas, igrejas e escolas ocuparam bastante a atenção dos vigários. Assim, Hamburgo Velho construiu uma igreja que durou várias dezenas de anos. Porém, ela não tinha batistério, um tema que o bispo sempre recordava ao P. Vigário por ocasião das visitas pastorais.
O assunto ficou adiado até a construção da igreja matriz, realizada em 1935 e 1936. A igreja, majestosa e bela, construída ao lado da antiga, foi inaugurada pelo arcebispo Dom João Becker. A obra foi feita em tempo recorde. O povo foi generoso com a oferta de donativos para pagar as despesas da construção, além do trabalho gratuito de muitas pessoas. O coro Palestrina deu muita vida na animação litúrgica da paróquia. A par disso, a aquisição do grande órgão de tubos Edmundo Bohn & Cia., fabricado em Novo Hamburgo, foi motivo de grande júbilo para os paroquianos.
Em tomo de 1900, duas congregações religiosas se instalaram em Hamburgo Velho: as Irmãs de Santa Catarina de Alexandria e os Irmãos Maristas. Como em outras paróquias, essas congregações chegaram a pedido dos jesuítas. Elas assumiram a escola paroquial, isto é, a educação das crianças e dos jovens. As Irmãs fundaram o Colégio Santa Catarina e os Irmãos o Colégio São Jacó. Com o tempo, as Irmãs também se dedicaram ao cuidado dos doentes, fundando o Sanatório Regina e o Hospital Regina.
As visitas pastorais dos bispos à paróquia, a cada quatro ou cinco anos, sempre exerceram um papel importante na vida dos paroquianos, não apenas pelo fato de o bispo administrar o sacramento da Crisma, mas também para animar os fiéis na vida cristã. A visita do bispo à igreja Matriz atraía a atenção de todos, não faltando as saudações de pessoas importantes e simples como o vigário, prefeito, professores, alunos. Os fogos de artifício, o repicar dos sinos e o coral animavam tudo.
Com o crescimento da cidade de Novo Hamburgo, foi preciso desmembrar a paróquia de Hamburgo Velho. Em 1924 e 1925, foi construída a igreja de Novo Hamburgo, dedicada a São Luiz Gonzaga. Ela media 25 metros de comprimento e 18 metros de largura. Dizia-se que a igreja situava-se “fora da cidade”, pois Hamburgo Velho estava no centro. Novo Hamburgo se desenvolveu rapidamente.
Em 1926, foi criada a Paróquia de São Luiz Gonzaga em Novo Hamburgo. Ela foi administrada pelos jesuítas desde a fundação até janeiro de 1941, quando foi entregue ao clero secular. Anos mais tarde, em 1980, a paróquia São Luiz Gonzaga tornou-se a sede da Diocese de Novo Hamburgo.
De 1931 a 1939, funcionou em Novo Hamburgo a Escola Normal Católica para a formação dos professores das escolas paroquiais. Durante estes anos ela esteve sob a direção do P. Miguel Meier, SJ. Em agosto de 1939, foi fechada pelo Governo, não sendo mais aberta.
Quanto às fontes de pesquisa para o presente trabalho, quase tudo se encontra no Arquivo Provincial dos Jesuítas, em Porto Alegre. Trata-se de manuscritos, cartas, diários da residência, “história domus” (relatórios de ano), recortes de jornal, catálogos, fotografias. Além disso, o livro de tombo da paróquia também forneceu dados importantes sobre o dia a dia da mesma.
A coleção “História das Casas” trata de história em forma de pequenas crônicas, extraídas dos diários, cartas, relatórios de ano, catálogos, e, como tal, serve para consultar fatos que dizem respeito à presença e ao trabalho dos jesuítas em paróquias, colégios e seminários no sul do Brasil.
Neste livro, são abordados os assuntos que tratam da Paróquia de Nossa Senhora da Piedade, de Hamburgo Velho, e da Paróquia São Luiz Gonzaga, de Novo Hamburgo.
Esta pesquisa histórica está focada no período jesuítico, de 1880 a 1940.
Pe. Inácio Spohr, SJ

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