O grande engano da teologia da prosperidade

Prof. Felipe Aquino / [email protected]

Jesus não propôs riqueza nem prosperidade aos seus seguidores
Jesus nunca ensinou que o Evangelho pudesse ser uma fonte de enriquecimento ou um meio de se levar uma vida “regalada”, “em nome de Deus”; ao contrário, o Senhor ofereceu a renúncia e a cruz àqueles que o seguirem:
“Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz a cada dia e me siga. Porque quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la, mas quem sacrificar a sua vida por amor de mim, salvá-la-á” (Lc 9, 23-24).
Jesus fala de sacrifício, renúncia, de perder a própria vida; e diz que se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, não pode dar fruto (cf. Jo 12, 24). Isto está longe de ser um ensinamento de enriquecimento, porque se faz à vontade de Deus. Ele não é contra a riqueza justa e sabiamente usada para o bem de si mesmo e dos outros, mas isto está longe de justificar a teologia da prosperidade.
No entanto, os adeptos dessa teologia baseiam-se no Antigo Testamento para dizer que os homens de Deus foram ricos como Salomão, e que Jesus prometeu que veio para que tenhamos “vida em abundância” (Jo 10, 10).
Segundo a Teologia da Prosperidade, Deus concede riqueza e bens materiais a quem Lhe é fiel e paga o dízimo com generosidade; mas esta concepção está mal fundamentada. Todos os católicos devem dar a sua contribuição material à Igreja para que ela possa prover suas necessidades materiais; isto é ensinado pelo Catecismo:
§ 2043 – “Os fiéis cristãos têm ainda a obrigação de atender, cada um segundo as suas capacidades, às necessidades materiais da Igreja. O quinto mandamento [da Igreja] (“Ajudar a Igreja em suas necessidades”) recorda aos fiéis que devem ir ao encontro da necessidades materiais da Igreja, cada um conforme as próprias possibilidades (CDC, cân. 222)”.
Nem o Catecismo nem outro documento da Igreja obriga que o dízimo seja 10% do salário, embora muitos adotem isto na prática, o que é bonito. Mas o dízimo não pode ser uma troca com Deus; deve ser uma doação generosa de quem O ama gratuitamente e desinteressadamente.
Na mentalidade do AT, quando não se tinha uma noção clara da vida eterna, os antigos judeus julgavam que a recompensa de Deus para os bons seria neste mundo mesmo; mas esta mentalidade foi mudando, como se pode ver no livro de Jó, Eclesiastes, Daniel, etc. A certeza da vida eterna e de uma recompensa muito melhor foi finalmente trazida por Jesus: “Dirá o rei aos que estiveram a sua direita: ‘Vinde, benditos do meu Pai, recebei por herança o reino preparado para vós desde a fundação do mundo’ (Mt 25, 26).
E São Paulo completa: “O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram, e o coração do homem jamais percebeu, eis o que Deus preparou para aqueles que O amam” (1Cor 2, 9).
Jesus não propôs riqueza nem prosperidade aos seus seguidores. Prometeu sim, vida, e vida em abundância, mas não é a vida mortal e sempre ameaçada que o homem conhece na terra, mas a vida imortal em comunhão com o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
A “Carta aos Hebreus” ensina que Deus nos corrige para o nosso bem: “É para a vossa educação que sofreis: Deus vos trata como filhos. Qual é, com efeito, o filho cujo pai não educa? Se sois privados da educação da qual todos participam, então sois bastardos e não filhos” (Hb 12, 7s).
Dessas Palavras pode-se ver que é falso dizer que Deus paga em dinheiro e bens materiais a quem Lhe é fiel. São Paulo mostra os riscos do enriquecimento para quem não sabe se contentar com o que tem; isto, o avarento: “A piedade é de fato grande fonte de lucro, mas para quem sabe se contentar. Pois nada trouxemos para o mundo, nem coisa alguma dele poderemos levar. Se, pois, temos alimento e vestuário, contentemo-nos com isso. Ora, os que querem se enriquecer caem em tentação e cilada, e em muitos desejos insensatos e perniciosos que mergulham os homens na ruína e na perdição. Porque a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro, por cujo desenfreado desejo alguns se afastaram da fé, e a si mesmos se afligem com múltiplos tormentos” (1Tm 6, 5-10).
E Jesus deu-nos uma lição importante quando do encontro com aquele jovem rico, que perdeu a coragem de segui-Lo por causa do dinheiro: “Jesus lhe respondeu: ‘Se quiseres ser perfeito, vai, vende os teus bens e dá aos pobres, e terás um tesouro nos céus. Depois, vem e segue-me’. O moço, ouvindo essa palavra, saiu pesaroso, pois era possuidor de muitos bens. Então Jesus disse aos seus discípulos: ‘Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no Reino dos Céus. E vos digo ainda: é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus'”. Ao ouvirem isso, os discípulos ficaram muito espantados e disseram: ‘Quem poderá então salvar-se?’ Jesus, fitando-os, disse: ‘Ao homem, isso é impossível, mas a Deus tudo é possível'” (Mt 19, 21-26).
O Brasil tomou conhecimento do triste caso do casal de “bispos” da igreja Renascer. Um juiz brasileiro, da 1ª Vara Criminal de São Paulo, Paulo Antonio Rossi, decretou a prisão deles, em 11 janeiro de 2007 (Folha de SP), depois de terem sido presos nos EUA pelo FBI. O casal foi detido no aeroporto de Miami, na Flórida, em 09 de janeiro de 2007, pelo FBI ao tentar entrar no país com US$ 56 mil não-declarados (mais de R$ 120 mil) em dinheiro vivo, que estava dentro de uma Bíblia, em um porta-CD e nas malas. No despacho, os promotores acusam Estevam e Sônia de continuar a praticar lavagem de dinheiro, dessa vez em solo norte-americano – eles já respondem a esse mesmo tipo de crime na capital paulista.
No Brasil, Estevam e Sônia também são réus em processos por falsidade ideológica, estelionato e evasão de divisas. Desde então, já tiveram bens e contas bancárias seqüestrados ou bloqueados pela Justiça. É o caso do haras em Atibaia (a 60 km de SP), comprado pela Renascer por R$ 1,8 milhão, e uma casa de praia em Boca Raton, na Flórida, que vale US$ 470 mil (R$ 1,27 milhão).
Esses fatos confirmam os argumentos evangélicos apresentados de que a teologia da prosperidade é uma farsa perigosa que tem enganado a muitos. Pessoas bem intencionadas, às vezes desesperadas com os seus problemas, dão o que têm e, às vezes, o que não têm a essas “igrejas”, e depois ficam, muitas vezes, em situação pior ainda. Não é esta a vontade Deus; Jesus alertou: “Cuidado com os falsos profetas… pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7, 15-16).

 

A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE E O DÍZIMO
D. Estevão Bettencourt

A “Teologia da prosperidade” muito difundida entre diversas denominações evangélicas, apregoa o dízimo tão enfaticamente que redunda em propor ou quase impor um comercio com Deus. Isto contraria as grandes linhas do Novo Testamento, que realça a gratuidade dos dons de Deus, como se pode depreender dos textos citados no artigo abaixo. O que todo fiel Católico pode e deve oferecer a Deus, é um coração contrito e humilde, que possa ser preenchido pela graça. Quanto aos bens materiais, não há promessa de Deus, no Novo Testamento, que garanta aos fiéis fartura e bem estar neste mundo.

REFLETINDO
A idéia de que ser piedoso e consagrado não justifica alguém que não é dizimista está amplamente difundida entre diversas denominações evangélicas, e ocorre que amiúde este pensamento infiltra-se no seio da verdadeira e única Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, a nossa Igreja Católica Apostólica Romana. Vejamos:
1-Isto nos leva a dizer que a justificação, ou a graça de Deus, que apaga o pecado, custa dinheiro; sem dar a décima parte dos seus (grandes ou pequenos) rendimentos, o crente não obtém a graça de Deus. Esta vem a ser “comprada”, caso se queira usar uma linguagem mais crua.
2-Aqueles que reafirmam a necessidade do dízimo, garantindo aos crentes que as bênçãos materiais, além das espirituais, são dadas a quem entrega dinheiro à Igreja: “As janelas do céu serão abertas e as bênçãos da prosperidade cairão abundantemente sobre o dizimista”, não hesitam em reconhecer que a religião se torna um comércio; é uma troca que se faz com Deus por proposta dele mesmo; o sacrifício é oferecido para receber uma benção; faz-se assim um negócio com Deus, que é o mais seguro negociante.
Estas conclusões são logicamente deduzidas das declarações que escutamos. É preciso, pois negociar com Deus, a tal ponto que quanto mais alguém oferece ou “paga”, tanto mais preciosos benefícios espirituais e materiais estará “comprando”.
Diante da perplexidade que tais afirmações suscitam, convém procurar na própria Escritura a comprovação ou a refutação de tais concepções. Na verdade, não é difícil achar nos textos do Novo Testamento a desdita ou a refutação das conclusões propostas. Levemos em conta as seguintes passagens:
Mt 10, 8: “De graça recebestes,de graça dai”. -Nos antecedentes Jesus dissera: “Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios”. Disto se deduz que os fiéis recebem gratuitamente de Deus a sua graça, até mesmo… os benefícios corporais que Ele queira conceder. A graça é gratuita, não comprada, por isto tem que ser transmitida gratuitamente; não se fala de dinheiro no caso.
Ef 2, 8: São Paulo é muito claro ao dizer que somos salvos gratuitamente, não pelo dízimo nem pelo dinheiro que alguém dê à Igreja: “Pela graça fostes salvos, por meio da fé. E isso não vem de vós, é o dom de Deus. Não vem das obras para que ninguém se encha de orgulho”.
O Apóstolo acentua fortemente a gratuidade da salvação. Ninguém a compra; São Paulo não faz referência ao dinheiro. A salvação não é algo que alguém mereça porque é bom independentemente da graça de Deus; é Deus quem chama o homem gratuitamente para ser seu amigo. Verdade é que São Tiago acrescenta que ninguém permanece na amizade com Deus, se não pratica a virtude e a caridade para com os irmãos. Quem crê e não pratica a virtude, é como o demônio que tem fé, mas não pratica o bem; por isto crê e estremece (cf. Tg 2, 18-24). É de notar que São Tiago fala da caridade para com os irmãos, mas não fala do dinheiro pago a Igreja ou ao dízimo.
At 8, 9-24: Vivia, havia tempo, na cidade, um homem chamado Simão, o qual, praticando a magia, excitava a admiração do povo de Samaria e pretendia ser alguém importante. Todos, do menor ao maior, lhe davam atenção dizendo: “Este é o Poder de Deus, que se chama Grande”. Davam-lhe atenção porque ele, por muito tempo, os fascinara com suas artes mágicas. Quando, porém, acreditaram em Felipe, que lhes anunciara a Boa Nova do Reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, homens e mulheres faziam-se batizar. O próprio Simão ele também acreditou. E, tendo recebido o batismo, estava constantemente com Felipe, admirando-se ao observar os sinais e grandes atos de poder que se realizavam.
Os apóstolos, que estavam em Jerusalém, tendo ouvido que a Samaria acolhera a palavra de Deus, enviaram-lhes Pedro e João. Estes, descendo até lá, oraram por eles, afim de que recebessem o Espírito Santo. Pois não tinha caído ainda sobre nenhum deles, mas somente haviam sido batizados em nome do Senhor Jesus. Então começaram a impor-lhes as mãos, e eles recebiam o Espírito Santo.
Quando Simão viu que o Espírito era dado pela imposição das mãos dos apóstolos, ofereceu-lhes dinheiro, dizendo: “Dai-me também a mim este poder, para que receba o Espírito Santo todo aquele a quem eu impuser as mãos”. Pedro, porém replicou: “Pereça o teu dinheiro, e tu com ele, porque julgaste poder comprar com dinheiro o dom de Deus. Não terás parte nem herança neste ministério, porque o teu coração não é reto diante de Deus. Arrepende-te, pois desta maldade tua e ora ao Senhor, para que te possa ser perdoado este pensamento do teu coração; pois eu te vejo na amargura do fel e nos laços da iniqüidade”. Simão respondeu: “Rogai vós por mim ao Senhor, para que não me sobrevenha nada do que acabais de dizer”.
Como se vê o mago Simão converteu-se ao Evangelho e quis comprar as graças do Espírito Santo, oferecendo dinheiro à Igreja. São Pedro censurou severamente, e Simão reconheceu que havia errado. Pode-se crer que ainda hoje quem pretende receber dons de Deus (materiais e espirituais) em troca de dinheiro, está pretendendo comprar as dádivas divinas, o que é rejeitado peremptoriamente pelo Senhor.
At 20, 35: São palavras de São Paulo: “Em tudo vos mostrei que, afadigando-nos assim, é que devemos ajudar os fracos, tendo presentes as palavras do Senhor Jesus, que disse: “Há mais felicidade em dar do que em receber”.
Eis um princípio solene enunciado por Jesus: há mais felicidade em dar do que em receber. Se isto vale para nós, homens, vale por excelência para Deus, que é o primeiro Doador. É Ele quem tem a iniciativa de dar; quer dar de graça, porque “Ele primeiro nos amou” (cf. 1Jo 4, 19). Ele quer dar muito mais do que a criatura pode imaginar ou quer receber. Todavia ninguém provoca Deus, ninguém obriga Deus a dar mediante o dízimo ou a oferta. Pensar que isto seja possível equivale a fazer de Deus um grande Banqueiro ou um esperto negociante humano.

TRÊS OBSERVAÇÕES COMPLEMENTARES
1-Considere-se uma objeção que poderia ser levantada: não há um preceito da Igreja que manda atender a necessidade da comunidade eclesial? Isto já foi formulado nos termos seguintes: “Pagar dízimos conforme o costume”.
Observe-se que o dízimo, quando ocorre na Igreja, não é entendido como a décima parte dos emolumentos de alguém, mas significa uma contribuição estipulada por cada fiel católico que o posso e como o queira.
Esta contribuição não tem a finalidade de atrair graças espirituais e materiais de Deus; tem sim, a função de ajudar a Igreja, colaborando com ela para que possa realizar sua missão apostólica. Nenhum fiel católico pretende negociar com Deus, julgando que receberá favores divinos na proporção de quanto ofereça a Deus. O que se requer, é que o católico se sinta solidário com a Igreja e coopere com a tarefa evangelizadora.
Não há dúvida, em algumas paróquias foi instalado o regime do dízimo. Como dito, não se trata da décima parte da renda de alguém, mas de uma contribuição espontânea para o sustento da vida paroquial, coisa muito justa. Mas, é de notar que, se alguém não pode ou não quer praticar o dízimo, não é excluído da paróquia, muito menos excluído das graças de Deus. Peça-as em oração, como Jesus manda (cf. Mt 7, 7-11; Lc 11, 9), e será atendido segundo o beneplácito divino,sem oferta de dinheiro. Se isso fosse verdade que seria dos pobres, que não tem dinheiro? Afinal o Cristianismo não é a religião dos ricos nem dos que pretendem tornar-se ricos de bens materiais.
2-Conforme as concepções dos adeptos da teologia da prosperidade, esta prosperidade material é a consequência certa e indiscutível dos dízimos e das ofertas em dinheiro feitas com fé. O fiel é levado a crer que toda a pessoa que tem fé e oferece… se torna rica. Ora também isto contradiz o Evangelho: Jesus não prometeu dinheiro nem bens materiais aos seus seguidores. Ao contrário, Ele disse ao jovem rico: “Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens e dá o montante aos pobres, e terás um tesouro nos céus. Depois vem e segue-me (Mt 19, 21). Este texto chega a dizer que a perfeição cristã consiste em não ambicionar riquezas, mas em desapego e despojamento. O jovem rico que deseja ser perfeito, é aconselhado por Jesus no sentido de se desfazer das suas riquezas, dando-as aos pobres. Trata-se de uma vocação especial, muito cara ao Senhor Jesus e aos cristãos, vocação que é a antítese daquilo que apregoa a teologia da prosperidade.
3-As exortações em prol do dízimo e das ofertas se baseiam em textos do Antigo Testamento, que supõem um estágio da Revelação Divina ultrapassada pelo Senhor Jesus e pelo Evangelho. Tenham-se em vista os seguintes trechos:
Lc 16, 14s: “Os fariseus, amigos do dinheiro, zombavam de Jesus. Jesus lhes disse: “Vós sois os que querem passar por justos diante dos homens, mas Deus conhece os corações; o que é elevado para os homens, é abominável diante de Deus”.
Lc 12, 13-15: “Alguém da multidão lhe disse: Mestre, dize a meu irmão, que reparta a herança comigo. Ele respondeu: Homem, quem me estabeleceu juiz ou árbitro da vossa partilha? Depois lhes disse: Precavei-vos cuidadosamente de qualquer cupidez, pois mesmo na abundância, a vida do homem não é assegurada por seus bens”.
A concepção de que quem é fiel a Deus, recebe graças temporais nesta vida mesma, deve-se à antiga noção de vida póstuma dos israelitas: julgavam que a morte reduzia o núcleo da personalidade (os rephaim) a um estado de inconsciência no xeol (subterrâneo); em conseqüência a retribuição de Deus aos fiéis justos devia ser dada na vida presente em riqueza, saúde, vida longa, amigos…, daí Mc 3, 10. Tal noção, porém, foi superada pelo Novo Testamento, que ensina haver uma outra vida, plenamente lúcida no além… vida póstuma na qual cada um(a) colherá os frutos do que tiver semeado na vida presente. Esta se torne preparação ou ante-câmara da vida no além,que para os justos será a verdadeira vida.
Está claro que estas ponderações não significam que os fiéis não podem aspirar as condições de vida dignas neste mundo e pedir ao Senhor Deus o necessário para chegar a tanto. O próprio Jesus ensinou-nos a pedir: “o pão nosso de cada dia”. É lícito, portanto pedir saúde e bens materiais, não, porem,como se fosse a resposta certeira aos bons serviços prestados pelo orante a Deus, mas, sim, como subsídios que parecem oportunos para facilitar a caminhada do cristão em demanda a Casa do Pai. Nenhuma oração é perdida ou inútil; se Deus não atende na medida do que lhe sugerimos, Ele atende de modo mais sábio e mais condizente com o verdadeiro bem do orante.

 

A prosperidade
Dom Paulo Mendes Peixoto

Numa visão antiga, que vem sendo muito retomada nos últimos tempos, é a ideia de que Deus recompensa os bons e castiga os maus nesta vida. O que está claro é que a vida humana vive de altos e baixos, de alegrias e sofrimentos, o que constitui um mistério.

Pensando bem, não há explicação para o sofrimento. Jó nos mostra que Deus está presente onde o ser humano sofre. Nos evangelhos entendemos que Jesus cura quem sofre, mostra que Deus conhece o sofrimento do humano por dentro e o assume até o fim.

Falar de prosperidade é ater-se a uma vida sem sofrimento, de mirar para alvo que só ocasiona gozo e alegria. Esta pode ser uma visão cristã da vida, isto é, prosperidade significando intimidade com Deus, realizando o maior de todos os mandamentos, o amor.

É contra os princípios do evangelho ancorar-se na artimanha da prosperidade, para ferir a liberdade das pessoas, extorquindo delas bens materiais. Pior ainda quando isto é feito em nome de Deus. Isto passa a causar a queda de quem é “fraco na fé”.

O anúncio da Palavra de Deus pode estar cheio de ambiguidades, carregado de atitudes escusas. Ela pode ser instrumentalizada para atender aquilo que não favorece o bem comum. Deixa de ser uma Palavra de gratuidade e de transformação.

A Palavra de Deus é fonte de prosperidade espiritual. Ela aciona os corações e as mentes para a liberdade e abertura ao verdadeiro bem. Não pode ser “privatizada” para bens materiais e enriquecimento ilícito, explorando a sensibilidade das pessoas.

Não podemos ver nas doenças e sofrimentos um castigo. Aí acontece a manifestação do mistério divino. Sabemos que muitos sofrimentos são provocados por imprudências, vícios e atitudes irresponsáveis. Normalmente, o egoísmo aumenta o sofrimento.

É violência enganar as pessoas com falsas promessas de prosperidade, que até causam nos sofredores um sentimento de culpa. Muitos se perguntam: que fiz de errado? Por que mereci isto? O importante é dar sinais do amor de Deus, que é nosso Pai.

 

Reverendo presbiteriano lista motivos para não participar da Marcha para Jesus e critica: “É organizada por um homem que se autodenomina apóstolo”
Por Tiago Chagas
https://noticias.gospelmais.com.br/marcha-jesus-organizada-homem-autodenomina-apostolo-54621.html

Embora atraia milhões de participantes, a Marcha para Jesus não é uma unanimidade no meio evangélico, e constantemente é alvo de críticas e protestos por parte de lideranças que discordam do propósito do evento.
A mais recente crítica à Marcha foi feita pelo reverendo Ageu Cirilo, pastor da Igreja Presbiteriana de Vila Guarani, em São Paulo. Num artigo publicado na edição de maio do jornal Brasil Presbiteriano, o reverendo lista dez motivos que segundo ele, justificam a não participação no evento.
O primeiro motivo seria a participação do líder da Igreja Renascer, apóstolo Estevam Hernandes. De acordo com Cirilo, o título usado por Hernandes é uma autodenominação: “A igreja que organiza a maior parte da marcha é conduzida por um homem que se autodenomina apóstolo. Este é um erro cada vez mais frequente em algumas denominações. É sabido que o título “apóstolo” foi reservado àquele primeiro grupo de homens escolhidos por Cristo”, enfatiza.
Entre os motivos listados pelo reverendo há desde críticas ao modelo de “show gospel” existente no evento, até variações de teologias presentes na liturgia das denominações que aderem à Marcha para Jesus.
“A marcha tem caráter isolacionista, próprio de gueto, e não o que Cristo nos ensinou, a saber, envolvimento amplo na sociedade, como sal e luz (Mt 5.13-16), com irrepreensível testemunho cristão: “…mantendo exemplar o vosso procedimento no meio dos gentios, para que, naquilo que falam contra vós outros como de malfeitores, observando-vos em vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação” (1 Pe 2.12)”, argumenta o reverendo presbiteriano, antes de dizer que o evento é contraditório: “Ademais, é importante observar que toda a organização da marcha está centrada nas mãos de uma igreja apenas, excluindo-se o alegado caráter de união entre os evangélicos”.
Confira a íntegra do artigo “Dez Motivos para não Participar da ‘Marcha para Jesus’”, do reverendo Ageu Cirilo:
No dia, 03/9/2009, o então Presidente da República, Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou a lei que instituiu o Dia Nacional da Marcha para Jesus.
Estavam ali, naquele ato, alguns líderes do governo, juntamente com o bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, Marcelo Crivella, e os bispos da Igreja Renascer em Cristo, Estevam e Sônia Hernandes. A sanção do presidente veio apenas tornar oficial uma prática que se repete a cada ano. Considerando o tamanho do evento e a quantidade de irmãos que mobiliza, alisto abaixo dez motivos que cada cristão deveria considerar para não participar desta marcha. As informações que dão base à análise podem ser encontradas em sites de promoção da marcha:
1. A igreja que organiza a maior parte da marcha é conduzida por um homem que se autodenomina apóstolo. Este é um erro cada vez mais frequente em algumas denominações. É sabido que o título “apóstolo” foi reservado àquele primeiro grupo de homens escolhidos por Cristo. Após a traição e suicídio de Judas, os apóstolos escolheram outro para ocupar seu lugar (At 1.15-20), mas, como foi feita esta escolha? Que critérios foram usados? 1º) Ter sido discípulo de Jesus durante o seu ministério terreno; 2º) Ter sido testemunha ocular do Cristo ressurreto. Portanto, ninguém que não tenha sido contemporâneo de Cristo ou dos apóstolos (como Paulo o foi) pode sustentar para si o título de apóstolo;
2. A igreja que organiza a marcha ensina a Teologia da prosperidade (crença de que o cristão deve ser próspero financeiramente), Confissão positiva (crença no poder profético das palavras — assim como Deus falou e tudo foi criado, eu também falo e tudo acontece), Quebra de maldições (convicção de que podem existir maldições, mesmo na vida dos já salvos por Cristo) e Espíritos territoriais (crença em espíritos malignos que governam sob determinadas áreas de uma cidade);
3. A filosofia da marcha está fundamentada em uma Teologia Triunfalista (tudo sempre vai dar certo, não existem problemas na vida do crente), tendo como base textos como Êxodo 14 (passagem de Israel no mar Vermelho) e Josué 6 (destruição de Jericó);
4. De acordo com os sites que organizam a marcha, uma das finalidades dela é promover curas e libertações;
5. A marcha não celebra culto, mas “show gospel”;
6. Os líderes do movimento propagam que a marcha tem o poder de “mudar o destino de uma nação”;
7. Na visão do grupo, com base em Josué 1.3: “Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado”, a marcha é uma reivindicação do lugar por onde passam na cidade;
8. Na visão do grupo, a marcha serve para tapar as “brechas deixadas pelos atos ímpios de nossa nação”;
9. Na visão do grupo, a marcha destrói “fortalezas erguidas pelo inimigo em certas áreas em nossas cidades e regiões”;
10. A marcha tem caráter isolacionista, próprio de gueto, e não o que Cristo nos ensinou, a saber, envolvimento amplo na sociedade, como sal e luz (Mt 5.13-16), com irrepreensível testemunho cristão: “…mantendo exemplar o vosso procedimento no meio dos gentios, para que, naquilo que falam contra vós outros como de malfeitores, observando-vos em vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação” (1 Pe 2.12).
Ademais, é importante observar que toda a organização da marcha está centrada nas mãos de uma igreja apenas, excluindo-se o alegado caráter de união entre os evangélicos.
Tanta força e entusiasmo deveriam ser canalizados para a pregação do evangelho. As pesquisas indicam que os evangélicos já somam 25% da população brasileira, no entanto, a imoralidade, a corrupção e a violência estão cada vez maiores em nosso país. Os canais de TV, os programas de rádio, bem como as marchas não têm gerado transformação de vida em nosso povo.
A marcha que Cristo ensinou à sua igreja foi outra, silenciosa e efetiva, tal qual o sal penetrando no alimento (Mt 5.13); pessoal e de relacionamento, como na igreja primitiva (At 8.4); cotidiana e sem cessar, como entre os primeiros convertidos (At 2.42-47).
Que Deus nos restaure essa visão.

 

05 Razões porque eu não participo da Marcha para Jesus
Por Renato Vargens
http://renatovargens.blogspot.com.br/2015/06/05-razoes-porque-eu-nao-participo-da.html

Há 20 anos atrás eu participei de uma edição da “Marcha para Jesus” aqui em Niterói. Desde então, nunca mais o fiz e nem pretendo fazê-lo, mesmo porque, discordo dos moldes desenvolvidos pelos organizadores em todo Brasil.
Ora, antes de qualquer coisa, preciso afirmar que não desejo agredir ninguém que tenha por hábito participar deste evento, mesmo porque, isso não adiantaria em nada, a não ser promover belicosidade entre aqueles que me leem.
Isto esclarecido, permita-me elencar os motivos porque não participo da marcha em questão:
1-) Pelo fato de que a visão teológica dos idealizadores da marcha diverge em muito do ensino das Escrituras. Os organizadores do evento acreditam que através de atos proféticos uma nação pode ser transformada, o que do ponto de vista bíblico é inexequível.
2-) A Marcha pra Jesus peca por fazer enfatizar o entretenimento.
Do ponto de Vista das Escrituras, Deus jamais pode ser usado como fonte de lazer. A Igreja não foi chamada por Cristo para promover entretenimento. Charles Spurgeon, um dos maiores pregadores de todos os tempos, afirmou há quase 150 anos, que o adversário das nossas almas tem agido como o fermento, levedando toda a massa. Segundo o príncipe dos pregadores o diabo criou algo mais perspicaz do que sugerir à Igreja que parte de sua missão é prover entretenimento para as pessoas, com vistas a ganhá-las. Spurgeon afirmou que a igreja de Cristo não tinha por obrigação promover entretenimento àqueles que a igreja visitava. Antes pelo contrário, o Evangelho com todas as suas implicações precisava ser pregado de forma simples e objetiva.
3-) A Marcha pra Jesus na maioria das vezes tem sido usada pra fins eleitoreiros onde objetivo final é eleger alguns irmãos inserindo-os nas câmaras municipais, Assembleias Legislativas, Congresso Nacional, e poder executivo.
4-) A Marcha pra Jesus tem sido usado de forma comercial onde a ênfase se dá quase que exclusiva ao mercado gospel.
5-) Na maioria das vezes a igreja marcha por nada. Ouso afirmar que a igreja marcha para dizer ao país que somos muitos e que mediante Cristo todos podem prosperar e ser felizes.
Caro leitor, na minha perspectiva a Marcha poderia ser bem diferente.
Por acaso você já pensou em um milhão de pessoas, chorando diante do Senhor, pedindo perdão ao Eterno pelos pecados cometidos no país? Já imaginou essa multidão se arrependendo de suas transgressões, derramando sua alma diante de Deus, rogando ao Pai Celeste que perdoe a safadeza e a bandalheira promovida pelos políticos em nossa nação? Já pensou essa multidão se ajoelhando diante de Deus pedindo ao Salvador um avivamento?
Quão diferente seria isso não é mesmo? Que impacto isso poderia trazer a nossa nação não é verdade?
Que maravilha seria ver a igreja brasileira arrependida de seus pecados, humilhando-se do diante do Criador na expectativa de que este sarasse a nossa terra. (II Crônicas 7:14)
Que Deus tenha misericórdia do Brasil!
Pense nisso!

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