É preciso confiar sempre mais na misericórdia de Deus

Domingo, 10 de fevereiro de 2013, Jéssica Marçal / Da Redação

‘O homem não é o autor da própria vocação, mas dá resposta à proposta divina’, disse Bento XVI antes do Angelus deste domingo, 10
 
O Papa Bento XVI reuniu-se com os fiéis na Praça São Pedro, no Vaticano, neste domingo, 10, para rezar o Angelus. Antes da oração mariana, o Pontífice fez uma breve reflexão sobre a liturgia do dia, que apresenta o relato do chamado dos primeiros discípulos.

Bento XVI lembrou que o chamado de Deus não olha tanto para a qualidade dos eleitos, mas para a sua fé, como aquela de Simão, que diz:  “Por causa de tua palavra, lançarei a rede” (Lc 5, 5). Essa imagem da pesca, segundo explicou o Papa, refere-se à missão da Igreja. Ele destacou que a experiência de Pedro, certamente única, representa o chamado de cada apóstolo do Evangelho, que nunca deve se desencorajar no anunciar Cristo a todos os homens.

“O homem não é o autor da própria vocação, mas dá resposta à proposta divina; e a fraqueza humana não deve ter medo se Deus chama. É preciso ter confiança na sua força que atua precisamente na nossa pobreza; temos de confiar sempre mais no poder da sua misericórdia, que transforma e renova”, disse.

O Pontífice disse ainda que essa Palavra de Deus reaviva nas comunidades a coragem, confiança e entusiasmo para anunciar e testemunhar o Evangelho. Ele convidou todos a confiarem também na intercessão da Virgem Maria, Rainha dos Apóstolos. “Com sua ajuda materna, renovemos a nossa disponibilidade de seguir Jesus, Mestre e Senhor”.

Após rezar a oração mariana, o Santo Padre dirigiu um pensamento aos povos do Extremo Oriente, que hoje festejam o ano novo lunar. Ele disse que paz, harmonia e agradecimento ao Céu são os valores universais que se celebram nesta ocasião e que são desejados por todos para construir a própria família, a sociedade e a nação.

“Desejo que se possa realizar para aqueles povos as aspirações de uma vida feliz e próspera. Envio uma saudação especial aos católicos daqueles países, para que neste Ano da Fé se deixem guiar pela sabedoria de Cristo”, disse.

Bento XVI lembrou ainda que nesta segunda-feira, 11, a Igreja celebra o Dia Mundial do Enfermo, data em que também se faz memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes. Ele recordou que haverá uma celebração solene no Santuário mariano de Altötting, na Baviera. “Com a oração e com afeto estou próximo de todos os doentes e me uno espiritualmente a todos que se reunirão naquele Santuário, a mim particularmente querido”.

 

Palavras do Papa antes do Angelus – 10/02/2013
Boletim da Santa Sé (Tradução: Jéssica Marçal – equipe CN Notícias)

Queridos irmãos e irmãs,

Na liturgia de hoje, o Evangelho segundo Lucas apresenta o relato do chamado dos primeiros discípulos, com uma versão original a respeito dos outros dois evangelhos Sinópticos, Mateus e Marcos (cfr Mt 4,18-22; Mc 1,16-20). O chamado, na verdade, precedeu o ensinamento de Jesus para a multidão e uma pesca milagrosa, cumprida pela vontade do Senhor (Lc 5,1-6). Enquanto de fato a multidão corre à margem do lago de Genesaré para escutar Jesus, Ele vê Simão desanimado por não ter pescado nada a noite toda. Primeiro pede-lhe para entrar em seu barco para pregar para as pessoas estando a uma curta distância da margem; depois, terminada a pregação, ordena-lhe que saia com seus companheiros e lance as redes (cfr v.5). Simão obedece, e esses pescam uma quantidade incrível de peixes. Deste modo, o evangelista faz ver como os primeiros discípulos seguiram Jesus confiando-se a Ele, fundando-se sobre sua Palavra, acompanhada também por sinais milagrosos. Observamos que, antes deste sinal, Simão se dirige a Jesus chamando-o de “Mestre” (v. 5), enquanto depois o chama de “Senhor” (v. 7). É a pedagogia do chamado de Deus, que não olha tanto para a qualidade dos eleitos, mas à sua fé, como aquela de Simão que diz “Por causa de tua palavra, lançarei a rede” (v. 5).

A imagem da pesca refere-se à missão da Igreja. Comenta a este respeito Santo Agostinho: “Duas vezes os discípulos começaram a pescar sob o comando do Senhor: uma vez antes da paixão e outra depois da ressurreição. Nas duas pescarias está representada toda a Igreja: a Igreja como ela é hoje e como será depois da ressurreição dos mortos. Agora acolhe uma multidão impossível de ser contada, e compreende bons e maus; e depois da ressurreição compreenderá apenas os bons” (Discurso 248, 1). A experiência de Pedro, certamente única, também é representativa do chamado de cada apóstolo do Evangelho, que nunca deve se desencorajar no anunciar Cristo a todos os homens, até aos confins do mundo. Todavia, o texto de hoje faz refletir sobre a vocação ao sacerdócio e à vida consagrada. Essa é obra de Deus. O homem não é o autor da própria vocação, mas dá resposta à proposta divina; e a fraqueza humana não deve ter medo se Deus chama. É preciso  ter confiança na sua força que atua precisamente na nossa pobreza; temos de confiar sempre mais no poder da sua misericórdia, que transforma e renova.

Queridos irmãos e irmãs, esta Palavra de Deus reaviva também em nós e nas nossas comunidades cristãs a coragem, a confiança e o entusiasmo no anunciar e testemunhar o Evangelho. Os fracassos e as dificuldades não levem ao desânimo: a nossa tarefa é lançar as redes com fé, o Senhor faz o resto. Confiemos também na intercessão da Virgem Maria, Rainha dos Apóstolos. Ao chamado do Senhor, Ela, bem consciente de sua pequenez, respondeu com total confiança: “Eis-me aqui”. Com sua ajuda materna, renovemos a nossa disponibilidade de seguir Jesus, Mestre e Senhor.

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