A consagração a Nossa Senhora e o auxílio nos sofrimentos

A consagração total, ou escravidão de amor, a Virgem Maria é um extraordinário auxílio nos sofrimentos.

São Luís Maria Grignion de Montfort nos nos ensina que a consagração total, ou escravidão de amor, a Santíssima Virgem Maria é um grande auxílio em nossos sofrimentos. Diante disso, podemos perguntar: por que então seus servos enfrentam tantas ocasiões de tribulação e de sofrimento, por vezes mais que os outros que não são devotos de Nossa Senhora? Frequentemente nos contradizem, perseguem, caluniam, não nos suportam1. Muitos de nós consagrados talvez ande em trevas interiores, em aridez espiritual, sem nenhuma consolação2. Se esta devoção torna mais fácil o caminho que conduz a Jesus Cristo, por que sofremos e somos tão desprezados?

Em seu escritos, São Luís Maria não diz que os consagrados a Santíssima Virgem não serão visitados pelos sofrimentos, que não teriam de carregar a cruz de Cristo, senão estaria contrário ao que o Senhor diz no Evangelho: “Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me”3. A respeito da cruz de Jesus em nossas vidas, Luís de Montfort nos diz: “é bem verdade que os mais fiéis servos da Santíssima Virgem, porque são os seus grandes favoritos, recebem dela as maiores graças e favores do céu, isto é, as cruzes; mas sustento que são também os servidores de Maria que levam estas cruzes com mais facilidades, mérito e glória; e mais que, onde outro qualquer pararia mil vezes e até cairia, eles não se detêm e, ao contrário, avançam sempre, porque esta boa Mãe, cheia de graça e unção do Espírito Santo, adoça todas as cruzes que para eles talha, no mel de sua doçura maternal e na unção do puro amor; deste modo, eles as suportam alegremente, como nozes confeitadas, que, de natureza, são amargas”4.

Dessa forma, se queremos ser devotos da Virgem Maria e viver piedosamente em Jesus Cristo, consequentemente sofreremos perseguições, pois não somos maiores que nosso Senhor, que também foi perseguido5, e devemos carregar todos os dias a nossa cruz. Não poderíamos, sem uma grande violência, comer nozes verdes sem serem adoçadas com açúcar. Da mesma forma, não carregaremos nunca grandes cruzes, ou não as carregaremos com alegria até ao fim, sem uma terna devoção à Santíssima Virgem, que torna doces as nossas cruzes6.

Talvez seja difícil compreender que nós, que encontramos a Virgem Maria por uma verdadeira devoção, não fiquemos isentos de cruzes e sofrimentos. Mas, ao contrário, somos até mesmo mais assaltados por sofrimentos e perseguições. A este respeito, Montfort ilumina a nossa reflexão ensinando-nos que Nossa Senhora é Mãe dos viventes e, como tal, “dá a todos os seus filhos alguma porção da Árvore da vida”7, que é a cruz de Cristo. A Santíssima Virgem reserva para nós, seus escravos de amor, grandes cruzes e nos dá a graça de carregá-las com paciência, e até com alegria. Pois, as cruzes que Maria dá àqueles que lhe pertencem são saborosas, são cruzes doces e não amargas.

Assim, a consagração total, ou escravidão de amor, a Santíssima Virgem Maria é um auxílio nos sofrimentos. A nós que lhe somos consagrados, a Mãe de Deus nos ajuda a carregar a nossa cruz, conforme nos indicou Jesus como condição de Seu seguimento8. Não tenhamos medo das grandes cruzes, pois os servos de Maria levam estas cruzes com mais facilidade, mérito e glória9. Ainda que por algum tempo, por sermos amigos de Jesus10, devamos tomar a cruz e beber o cálice da amargura, a consolação e a alegria que recebemos de nossa bondosa Mãe – passada a provação – dá-nos força e a coragem para carregar cruzes ainda bem mais pesadas e amargas. Nossa Senhora da Piedade, rogai por nós!

Referências:

1 Cf. SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. 19ª ed. Petrópolis: Vozes, 1992, 153. Do pensamento de São Boaventura: “Servientes tibi plus aliis invadunt dracones inferni (Servindo-O mais do que outros atacaram os dragões do inferno)” (Psalter. Maius B. V., Sl 118).

2 Cf. idem, ibidem.

3 Mt 16, 24 (cf. Mc 8, 34; Lc 9, 23; Jo 18, 25-26).

4 SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. 19ª ed. Petrópolis: Vozes, 1992, 154.

5 Cf. Jo 15, 20.

6 Cf. SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. 19ª ed. Petrópolis: Vozes, 1992, 154.

7 Idem. O Segredo de Maria. Lorena: Cléofas, 2010, 22.

8 Cf. Mt 16, 24; Mc 8, 34; Lc 9, 23; Jo 18, 25-26.

9 SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. 19ª ed. Petrópolis: Vozes, 1992, 154.

10 Cf. Jo 15, 14.

Natalino Ueda é brasileiro, nascido em Londrina, Paraná. Ele é católico, missionário da Comunidade Canção Nova, formado em Filosofia e Teologia. Atualmente é produtor de conteúdo e fotógrafo do portal cancaonova.com. A partir da sua consagração a Virgem Maria descobriu uma nova forma de experiência com Deus, com a Igreja e com os irmãos, que mudou de forma extraordinária a sua vida.

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