Os 40 mártires do Brasil – 17 de Julho

Muitos se perguntarão o que existe de especial em uma comemoração religiosa de pessoas que morreram há 442 anos e são desconhecidos, excetuando nos países em que nasceram, até dentro do ambiente da própria Ordem a que pertenciam. Exatamente por isso é importante falar do Beato Inácio de Azevedo e seus Companheiros neste dia em que costumamos escrever um editorial. Costuma-se dizer que temos memória curta e que nos esquecemos de efemérides outrora comemoradas com grandes celebrações. Infelizmente a idéia de moda e a atração por novidades levam muitas pessoas a se esquecerem de fatos importantes para a vida. Não se vai ao passado por saudosismo ou por ufanismo, mas se vai ao passado para refletir o presente e projetar o futuro. No caso de Inácio de Azevedo e seus Companheiros, cognominados os Quarenta Mártires do Brasil, é necessário uma ajuda especial àqueles que desconhecem a existência desses religiosos e sua saga em prol da evangelização de nossa Pátria. Inácio de Azevedo, nomeado visitador do Brasil pelo Padre Geral Francisco de Borja, tinha como um de seus ofícios, conseguir meios humanos e materiais para a missão na Terra de Santa Cruz. Já conhecendo o país e suas necessidades, Inácio de Azevedo conseguiu ajuda material em Lisboa, amplas faculdades pastorais dadas pelo Papa Pio V. Visitando casas e colégios da Companhia de Jesus, reuniu 73 jesuítas – sacerdotes, estudantes e irmãos – vários mecânicos e conhecedores de outros serviços. Ao todo 100 pessoas. Para proteger esse grupo tão ilustre e generoso, Pe. Azevedo resolveu conduzi-lo para a Quinta de Val de Rosal, fora de Lisboa. Assim, ao mesmo tempo em que o prepararia física e espiritualmente para a missão, o preservaria do contato com a peste que grassava na capital do reino. Foram 5 meses de preparação intensa. Dia 5 de junho de 1570, as três naus com os jesuítas deixaram o Tejo rumo à Ilha da Madeira e, de lá, ao Novo Mundo. Apesar do empenho de Inácio de Azevedo para que tudo corresse bem, os mercadores da nau São Tiago, onde viajavam Azevedo e 39 companheiros, pretenderam passar pelas Canárias, apesar da relutância do Governador do Brasil, Luís de Vasconcelos, que viajava na esquadra, e em um barco de guerra, preferiu permanecer na Madeira aguardando ventos favoráveis. Contudo, antes de dar prosseguimento a ida às Canárias, pressentindo o perigo de tal mudança em região de corsários huguenotes, Pe. Azevedo fez questão de alertar os que estavam com ele, sobre a possibilidade de martírio. Ele queria voluntários da morte por Cristo e não forçados. Os poucos que hesitaram foram substituídos por outros jesuítas que estavam em outras naus. Quando navegavam da Ilha Tazzacorte para a Ilha La Palma, surgiu a frota dos piratas. Durante o assalto e já ferido, Inácio pronunciou a seguinte frase: “Não choreis, filhos. Não chegaremos ao Brasil, mas fundaremos hoje, um colégio no céu”. Humanamente foi uma catástrofe para a evangelização do Brasil, mas na fé, só poderemos reverenciar Deus todo Poderoso que escreve certo em linhas tortas e não pensa como homem. Tendo sido beatificados pelo Papa Pio IX em 1854, aguardam, desde então, a ocasião de intercederem a Deus por um milagre, o que fará com que a Igreja os coloque no rol dos santos. Para isso, deveremos pedir suas intercessões quando nós ou alguma pessoa querida necessitar de algum milagre. Trabalhando nesse sentido está o Pe. João Caniço, Vice-Postulador da Causa dos Mártires do Brasil. Esse padre jesuíta é português e, de Lisboa, divulga a devoção aos nossos primeiros mártires. Apesar de não terem chegado aqui como José de Anchieta e outros missionários, são nossos porque fizeram a opção de vir, viver e morrer no Brasil e deram suas vidas por causa de nossa evangelização, quando estavam a caminho. Beatos Inácio de Azevedo e Companheiros, Mártires do Brasil, rogai pelo nosso Brasil, por seu povo, para que seja cada vez mais abençoado com a paz, com a fraternidade e vivência ética.

Fonte: Rádio Vaticano, 17/7/2010(12)

 

Dia dos Mártires do Brasil
Estes mártires foram beatificados pelo Papa Pio IX, em 11 de Maio de 1854.

As dioceses portuguesas celebram hoje, 17 de Julho, a festa dos Beatos Inácio de Azevedo e Companheiros Mártires, vulgarmente conhecidos como “Mártires do Brasil”. Trata-se de 40 jovens jesuítas, quase todos entre os 20 e os 30 anos de idade, que se dirigiam de barco para o Brasil, a fim de ajudar na sua evangelização, mas que, nas Ilhas Canárias, foram interceptados por navios de calvinistas que, sabendo que eles eram missionários católicos, os deitaram ao mar. Era o dia 15 de Julho de 1570. Chefiados pelo Padre Inácio de Azevedo, 32 eram portugueses e oito espanhóis. Com vista à sua canonização, cada um destes Mártires “merece a memória, a devoção, a imitação e a homenagem dos seus conterrâneos, que, por sua vez, se devem sentir orgulhosos deste seu glorioso antepassado, reconhecido pela Igreja Universal” – sublinha o Pe. João Caniço sj, vice-postulador da causa de canonização destes beatos. Estes mártires foram beatificados pelo Papa Pio IX, em 11 de Maio de 1854. Para a sua canonização, é condição necessária que o seu culto seja reconhecido como permanente entre o povo cristão. “Mas será melhor ainda se, por seu intermédio, Deus manifestar a sua intervenção, através de um milagre autêntico. Para isso, vamos pedir a Deus a canonização destes jovens e heróicos missionários, modelos para a nossa juventude” – afirma.

Sugestões
Sugerem-se algumas iniciativas possíveis em cada uma destas localidades: – venerar uma imagem do seu Beato (ou dos 40) numa capela ou numa igreja; – dar o seu nome a uma rua, praça ou outro local público; – dar o seu nome a uma instituição escolar, cultural ou religiosa; – dedicar uma capela, igreja ou paróquia à sua proteção; – celebrar a sua festa com novena ou pelo menos com missa solenizada e pregação; – dispor de um escrito com a sua vida ou resumo dela, para distribuir; – instituir uma “associação” ou um “grupo” de jovens dedicados ao Beato, estudando a sua vida, promovendo iniciativas em sua honra.
Os 32 portugueses provinham das seguintes 25 terras:
Alcácer do Sal – Francisco de Magalhães
Alcochete – Manuel Rodrigues
Borba – Domingos Fernandes
Braga – Brás Ribeiro e João Fernandes
Bragança – Nicolau Dinis
Celorico da Beira – Manuel Fernandes
Ceuta – Manuel Pacheco
Chacim – Bento de Castro
Chaves – Pedro de Fontoura
Covilhã – Francisco Álvares
Elvas – Aleixo Delgado e Álvaro Mendes
Entre-Douro e Minho –  João Adaucto
Évora – Luís Correia e Luís Rodrigues
Estremoz – Manuel Álvares
Fronteira – Pedro Nunes
Lisboa – João Fernandes
Marco de Canaveses – Amaro Vaz
Montemor-o-Novo – António Fernandes
Nisa – Diogo Pires (Mimoso)
Ourém – Simão Lopes
Pedrógão Grande – Diogo de Andrade
Porto – Inácio de Azevedo, Gonçalo Henriques, Simão da Costa, António Correia e Gaspar Álvares
Santa Maria da Feira – Marcos Caldeira.
Trancoso – António Soares
Viana do Alentejo – André Gonçalves
Por dioceses: Évora – 10; Porto – 8; Guarda – 3; Braga – 2; Bragança – 2; Coimbra, Ceuta, Leiria, Lisboa, Portalegre, Setúbal e Vila Real – 1 em cada uma.

Com Pe. João Caniço, SJ

 

SANTOS DO BRASIL E DO MUNDO

Destacar os santos brasileiros não é competição ou desconsideração com os nossos santos europeus, pelo contrário. É constatação de que eles são nossos verdadeiros irmãos, e compartilhamos a mesma herança e bem-aventurança. Fazemos parte do mesmo Corpo Místico, da mesma Igreja. A santidade continua seu caminho e ganha novas cores e acentos.

O esforço missionário europeu chegou ao Brasil por tantos ‘Anchietas’ e aqui vingou, criou raízes. O Espírito Santo sopra onde quer, e nada pode detê-lo…Sua ação não conhece fronteiras. Já tivemos a futura nação banhada com o sangue dos Beatos mártires Inácio Azevedo e seus 39 companheiros jesuítas. Com os imigrantes europeus vieram para nossas terras homens e mulheres cheios de fé e esperança, confiantes em Deus, que olha pelos pequenos e necessitados. Aos imigrantes europeus se juntaram os imigrantes do mundo inteiro. Essa é a história de Santa Paulina, a primeira santa brasileira, nascida na Itália. Mesmo Santo Antônio de Santana Galvão, considerado o primeiro santo nascido no Brasil, e tataraneto do Bandeirante Fernão Dias Pais, é filho de pai imigrante português.

A santidade criou raízes no Brasil
Nós, nossos pais, nossos avós, todos temos um pouco, ou mesmo muito, do sangue dos imigrantes que povoaram o Brasil. E com uma diferença: todos já temos o jeitinho brasileiro de ser. Assim são os nossos santos, filhos da imigração, herdeiros da fé dos pais e santos como eles. São brasileiros porque nasceram aqui ou chegaram a pouco tempo, não importa, mas todos marcados com o nosso modo de ser que deixa ‘saudades’. Não temos somente mazelas, temos também virtudes como todas as nações da terra. Em nossa realidade concreta, brasileira, o Espírito Santo moldou muitos exemplos para vivenciarmos o Evangelho, ensinando-nos a enfrentar desafios e criar novos horizontes. Os santos sempre inovaram e criaram novas perspectivas, pois eram dóceis às inspirações de Deus. Santa Paulina não sentou em seu escritório e idealizou uma congregação feminina e um determinado tipo de trabalho: como jovem sensível e generosa, ela foi socorrer uma cancerosa, em uma região desprovida de recursos. O amor de Deus lhe mostrou como agir, e ela foi em frente.

Um presente de Deus ao Brasil e ao mundo
Nossa Igreja é católica, e essa palavra quer dizer universal. O mesmo Espírito Divino que animou a Igreja em outras partes do mundo e forjou os santos que amamos, anima a Igreja aqui presente desde o início do nosso país, nascido sob o signo da Cruz, e continua forjando santos como sempre. Quando uma pessoa é declarada santa, significa que deve ser venerada com devoção por toda a Igreja Católica, ou seja, universalmente, nas Igrejas de todo o mundo. Assim, o aspecto mais importante não é o seu país de origem, a sua nacionalidade, ou língua, cultura, etc., mas a sua santidade, o fato de ser um dom de Deus para a Igreja do mundo inteiro, e não somente para um certo número de pessoas ou uma região específica. Desse modo, quando falamos em “Santos do Brasil”, ou “Santos Brasileiros”, não estamos dizendo que o aspecto principal a ser valorizado seja a sua brasilidade. Não é o Brasil que fez com que eles se tornassem santos, nem é o fator que dá a essas pessoas a sua grande distinção. Nem queremos dizer que são exclusivos nossos, pois, se são santos, são do mundo inteiro. Na verdade, o sentido poderia ser mais o de “Santos no Brasil”: dom de Deus para toda a Igreja, e para nós, brasileiros, um exemplo e estímulo todo especial a aprofundarmos a nossa fé. Mas é preciso aprofundarmos mais o que os santos significam para nós, e porque a Igreja os cerca de tanta veneração. São muito mais que um exemplo ilustre…

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