Santo Evangelho (Marcos 6, 1-6)

14º Domingo Comum 08/07/2018

Primeira Leitura (Ez 2,2-5)
Leitura da Profecia de Ezequiel:

2Naqueles dias, depois de me ter falado, entrou em mim um espírito que me pôs de pé. Então eu ouvi aquele que me falava, 3o qual me disse: “Filho do homem, eu te envio aos israelitas, nação de rebeldes, que se afastaram de mim. Eles e seus pais se revoltaram contra mim até o dia de hoje. 4A estes filhos de cabeça dura e coração de pedra, vou-te enviar, e tu lhes dirás: ‘Assim diz o Senhor Deus’. 5Quer te escutem, quer não — pois são um bando de rebeldes — ficarão sabendo que houve entre eles um profeta”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 122)

— Os nossos olhos estão fitos no Senhor:/ tende piedade, ó Senhor, tende piedade!
— Os nossos olhos estão fitos no Senhor:/ tende piedade, ó Senhor, tende piedade!

— Eu levanto os meus olhos para vós,/ que habitais nos altos céus./ Como os olhos dos escravos estão fitos/ nas mãos do seu senhor.

— Como os olhos das escravas estão fitos/ nas mãos de sua senhora,/ assim os nossos olhos, no Senhor,/ até de nós ter piedade.

— Tende piedade, ó Senhor, tende piedade;/ já é demais esse desprezo!/ Estamos fartos do escárnio dos ricaços/ e do desprezo dos soberbos!

 

Segunda Leitura (2Cor 12,7-10)
Leitura da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios:

Irmãos: 7Para que a extraordinária grandeza das revelações não me ensoberbecesse, foi espetado na minha carne um espinho, que é como um anjo de Satanás a esbofetear-me, a fim de que eu não me exalte demais. 8A esse propósito, roguei três vezes ao Senhor que o afastasse de mim. 9Mas ele disse-me: “Basta-te a minha graça, pois é na fraqueza que a força se manifesta”. Por isso, de bom grado, eu me gloriarei das minhas fraquezas, para que a força de Cristo habite em mim. 10Eis porque eu me comprazo nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições e nas angústias sofridas por amor a Cristo. Pois, quando eu me sinto fraco, é então que sou forte.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Mc 6,1-6)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 1Jesus foi a Nazaré, sua terra, e seus discípulos o acompanharam. 2Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga. Muitos que o escutavam ficavam admirados e diziam: “De onde recebeu ele tudo isto? Como conseguiu tanta sabedoria? E esses grandes milagres realizados por suas mãos? 3Este homem não é o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão? Suas irmãs não moram aqui conosco?”  E ficaram escandalizados por causa dele. 4Jesus lhes dizia: “Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares”. 5E ali não pôde fazer milagre algum. Apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos. 6E admirou-se com a falta de fé deles. Jesus percorria os povoados da redondeza, ensinando.

– Palavra da Salvação.
– Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santo Eugênio, zelava pela salvação das almas

Santo Eugênio zelou pela salvação das almas com dedicação

Um dado importante é que de cada três Papas, praticamente, um foi oficialmente declarado santo. Assim aconteceu com Santo Eugênio, que se tornou para a Igreja o homem certo para o tempo devido. Eugênio III nasceu no fim do século XI, em Pisa na Itália e, depois de ordenado, consagrou-se a Deus como sacerdote, até que abandonou todas suas funções para viver como monge.

O grande reformador da vida monástica – São Bernardo – o acolheu a fim de ajudá-lo na busca da santidade, assim como no governo da Igreja, pois inesperadamente o simples monge foi eleito para sucessor na Cátedra de Pedro. A Roma da época sofria com a agitação de Arnaldo de Bréscia, que reclamava instituições municipais com eleições diretas dos senadores, talvez por isso chegou a impedir a ordenação e posse de Eugênio, já que tinha sido eleito pelo Espírito Santo numa instituição de origem divina.

O Papa Eugênio teve muitas dificuldades no governo da Igreja, tanto assim que, teve de sair várias vezes de Roma, mas providencialmente aproveitou para evangelizar em outras locais como Itália e França. Além de promover quatro Concílios e lutar pela restauração dos santos costumes, Santo Eugênio zelou pela salvação das almas, com tanta dedicação, que passou por inúmeros sofrimentos.

Santo Eugênio, rogai por nós!

 

14º Domingo do Tempo Comum
“Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares” – Mc 6,1-6

Jesus vai a sua pátria, seguido dos discípulos. E, por onde passa faz brilhar a novidade de Deus, nos ajudando a reler o Evangelho com um novo olhar. Ele mostra vigor e coragem de avançar. Ensina na Sinagoga, desencadeando uma crise naquele povo. Ele rompe com a normalidade das pessoas, se torna imprevisível e desconcertante.

Na realidade, o ser humano tende a acomodar-se facilmente ao conhecido e se deixa levar pela rotina; isso lhe confere certa sensação de segurança e tranquilidade: “para quê e por quê mudar…?”  E isso ocorre também com suas idéias, crenças… Habituado a ver a realidade a partir de uma determinada perspectiva, o ser humano custa a abrir-se a outras percepções, novas ou desconhecidas.

Esta crise que Jesus introduz entre os seus visa redimir o ser humano, visa tirar o ser humano do seu horizonte limitado e estreito elevando-o ao plano de Deus, ou seja, um horizonte mais elevado. A crise ocorre quando os dois horizontes se entrechocam.

A mensagem de Jesus provoca uma crise radical para a situação social, religiosa, política e humana da época. Pois Ele proclama o Reino de Deus. E no Evangelho hoje, observamos que Jesus por suas palavras e atitudes produz uma crise, que gera uma ruptura, uma decisão pró ou contra Ele.

Jesus é realmente a crise do mundo. Ele veio para provocar uma derradeira decisão das pessoas pró ou contra Deus, agora manifestado em sua pessoa, em seus gestos e em suas palavras. Ele não foi simplesmente a doce e mansa figura de Nazaré; foi alguém que tomou decisões fortes teve palavras duras e não fugiu a polêmicas.

Jesus foi rejeitado precisamente pelos seus parentes e familiares. Jesus se sente “desprezado”: os seus não o aceitam como portador da mensagem profética de Deus. Por isso, fecham-se em sua ideias preconcebidas a respeito de Jesus e resistem a abrir-se à novidade de sua mensagem e ao mistério que se revela em sua pessoa. Porque estavam acostumados a ouvir sempre o mesmo, rejeitam-no por ensinar “coisas novas”.

Mas Jesus não se deixa domesticar e nem se acomoda às expectativas de seu povo.

Aos olhos de Jesus nada é mais perigoso para o espírito humano do que vidas satisfeitas, que não investem seu tempo alimentando sonhos e esperanças; mentes sem inquietações, sem o impulso das buscas; corações quietos, acomodados, ajustados, medrosos, covardes, petrificados, sensatamente contentes com aquilo que são e têm.

Quando o ser humano não busca um sentido maior, se conforma, têm medo de se expor, têm medo de se arriscar, não se assombra diante dos acontecimentos. “Tudo é tão normal… e sem sal”. Leva uma vida morna, sem sabor, sem criatividade.

O ser humano se acomoda e aparece o medo da mudança. Fecha-se no conhecido com medo do desconhecido. O ser humano é marcado pela normose (doença de ser normal). A pessoa fica presa no interior de uma pequena toca, pois em uma cabeça com medos não há espaço para sonhos.

Estas pessoas possuem ideias fixas, são conservadoras; sabem fazer, mas não sabem criar; fazem o que os outros mandam e fazem bem, mas sem paixão, sem emoção, inspiração; são pessoas perfeccionistas, para satisfazer ao outro e não serem criticados. Não vivem a partir do interior, por isto não sonham, não têm projeto. Daí o desânimo.

O que queremos: ousar ou nos conformar? Evoluir ou estagnar? Ser original ou mero repetidor? Em cada um de nós há um desejo de plenitude e, ao mesmo tempo, temos medo de arriscar. É o eterno desafio entre a pulsão da vida e a pulsão da morte. A normose se relaciona com a pulsão da morte, impedindo o fluxo da vida.

Somos convocados a existir, a trazer uma novidade. Viver! E não ter vergonha de ser feliz. Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz. Não nascemos para morrer e sim para ser. O ser humano é um ser a caminho. Precisamos investir as reservas de criatividade presentes em nosso interior. Se formos capazes de escutar o desejo profundo que habita e atravessar os medos paralisantes, alcançaremos uma identidade pessoal de verdadeiro cristão. Precisamos fazer o êxodo da estreiteza de nosso ser à largueza do coração.

É uma grande aventura tornar-se humano, sujeito da própria existência, ser dotado de um semblante único e assumir a direção dos próprios passos, realizando assim, a aspiração profunda de seu coração.

Como são humanamente repletos de vida aqueles que ainda se encantam com as buscas! Sua vida é penosa, sem dúvida, mas repleta de razões, fervor, criatividade, entusiasmo e vitalidade. O ser humano é um eterno enamorado de esperanças, um ousado, um contestador de tudo.

Ousar também tem a ver com “transgredir”. Nós cristãos seguimos Aquele que é considerado o maior “transgressor” da história: Jesus Cristo. Como o próprio Jesus, precisamos cultivar a arte de transgredir a inércia, o “pensamento único”, a normalidade petrificada. Há sempre um “mais além” com que podemos sonhar.

Que o Evangelho de hoje nos faça mais atentos: viver a palavra com a nossa vida!

Comentário ao Evangelho do Pe. Adroaldo Palaoro,SJ (Curso EE – Colégio Santo Inácio-RJ)

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