118 Anos de História Abençoada

O Colégio Santa Catarina em Hamburgo Velho e suas sementes em Novo Hamburgo

Na Força da Semente… Madre Maria Josefine Thiel
60 anos das Irmãs da Congregação de Santa Catarina, VM, no Brasil (1996)
Título do original em alemão: WACHSENDES SENFKORN
(Págs. 67-78.140.167-168.182-186.187.207.218)

Quando as Irmãs tiveram de abandonar o Sanatório Bela Vista em Porto Alegre, o Divino Semeador já lhes apontara outro terreno melhor, onde o grãozinho de mostarda deveria dar fruto, cem por um, isto é, Hamburgo Velho, ou o assim chamado “Morro hamburguês”.
De onde vem o nome? Após o estabelecimento dos primeiros colonos alemães, em 1824, vindos em sua maioria do Hunsrück. Morava nessa região um comerciante alemão, Ludovico Kersting, natural de Hamburgo, na Alemanha. Em sua casa de comércio, havia de tudo para comprar, como era praxe em todas as vendas brasileiras da época: além de mantimentos, também fazendas, roupas feitas, roupas brancas, artigos de couro, tais como, botinas, sapatos, arreios, selins, inclusive artigos agrícolas, como machados, pás, foices, facas etc. Naturalmente, havia também “boa pinga”. Este comerciante costumava contar aos seus fregueses muita coisa de sua origem e de Hamburgo, na Alemanha. Na despedida, costumava dizer: “Não esqueçam de voltar à casa do velho hamburguês!” Como as primeiras casas foram construídas num morro, deu-se ao lugar o nome de Hamburgo Velho. No decorrer dos anos, procurou-se, várias vezes, mudar o nome da cidade por um nome de brasileiro célebre. Mas o povo protestava e ficou o nome antigo. No começo deste século, o lugar contava aproximadamente 1000 habitantes, hoje, 20.000 ou mais.
Foi em 1900 quando, por sugestão do Revdo. Pe. Bloes, SJ, duas jovens, uma delas, mais tarde, Irmã M. Teresia, visitaram as Irmãs de Santa Catarina em Porto Alegre, no Sanatório Bela Vista. Foram recebidas amavelmente e, durante a conversa, as Irmãs souberam que havia também, em Hamburgo, famílias de colonos alemães. As moças deixaram um convite para, no próximo domingo, irem a Hamburgo, festa de Primeira Eucaristia das crianças na igreja. As Irmãs prometeram aceitar o convite, caso nada as impedisse.
Grande foi a alegria da senhorita Klein, quando seu tio lhe comunicou, na manhã de domingo, que duas Irmãs tinham passado na diligência, perto de sua casa. Com toda a pressa, a moça foi ao encontro delas e conduziu-as, primeiro, à igreja para assistirem à santa Missa. Quis a Divina Providência que Pe. Norbert Bloes fosse o celebrante. Logo após a santa Missa, ele cumprimentou as Irmãs, manifestando-lhes sua alegria pela visita e chamou de notável aquele dia, a ser marcado em sua crônica paroquial.
Após a Missa solene, celebrada pelo Revdo. Pe. Benedikt Meyenhofer, SJ, Pe. Bloes convidou-o, juntamente com o Conselho Paroquial, para uma reunião na casa do proprietário do Hotel Kroeff. Num belo discurso de mesa, Pe. Bloes falou da visita das Irmãs de Santa Catarina, elogiou suas atividades na terra natal, e estimulou os presentes para aproveitarem a oportunidade de convidá-las a fundar uma escola em Hamburgo. Com entusiasmo, eles aceitaram a proposta e, às 15 horas, compareceu uma comissão na casa do Dr. Czermak, cunhado da senhorita Klein, onde se hospedavam as Irmãs. Estas deram seu sim ao convite, sob a condição de que a Madre Geral estivesse de acordo.
Em junho de 1900, veio o sim de Braunsberg e, no dia 27 do mesmo mês, as Irmãs Julita e Valentina, de Porto Alegre, mudaram-se para Hamburgo. Num discurso, Dr. Czermak deu-lhes as boas-vindas. Provisoriamente, as Irmãs residiram na casa dele.
No dia 10 de julho, após a santa Missa, as Irmãs foram levadas pelos fiéis, em procissão, para a casa alugada para elas, à Rua General Osório. O Senhor Pároco benzeu a casa e pediu insistentemente a seus paroquianos que ajudassem a nova obra, prestando toda a sorte de auxílio às Irmãs, visto que elas deixaram sua terra natal por amor a Deus, empenhando todas as suas forças para o bem da juventude.
O desejo do zeloso pastor foi aceito com generosidade pelo seu pequeno rebanho. As jovens, principalmente, se colocaram à disposição das Irmãs, com amor e prontidão. A casa era pequena e muito pobre. Faltava de tudo, principalmente mantimentos, mas as fiéis colaboradoras trouxeram pão, manteiga, carne, arroz e feijão. Também na limpeza da casa ajudaram de boa vontade.
Como sala de aula, servia um cômodo só. Bancos escolares, não os havia para começar. Inicialmente, apenas 8 meninos e 7 meninas frequentaram a escola. Em breve, porém, duplicou-se o número e cresceu ininterruptamente, de modo que as Irmãs se viram obrigadas a transferir-se para uma casa, do outro lado da rua, que tinha servido, até então, como casa de banhos pelo sistema Kneipp.
Em Braunsberg, acompanhava-se, com grande interesse, a nova fundação e foram enviadas três Irmãs para ajudar: Lina Parschau, Plácida Schröter e Heriberta Böhm, que chegaram no dia 8 de setembro de 1901. A recepção delas foi ainda mais solene do que a das primeiras Irmãs, pois já havia provas da abençoada atividade das Irmãs de Santa Catarina. Conta-nos Irmã M. Terésia: “As três Irmãs de Santa Catarina, após sua chegada ao Brasil, permaneceram ainda alguns dias em Porto Alegre, para resolver a questão da bagagem na alfândega. Na festa da Natividade de Nossa Senhora, naquela época ainda dia santo, chegaram a Hamburgo. Na estação, estiveram algumas famílias para receber as Irmãs. Moças e moços formaram um cortejo de honra. Montados a cavalo, acompanhavam os carros, de um lado as meninas e de outro, os rapazes. No alto da colina, os sinos começaram a repicar, morteiros estouravam no ar e foguetes eram lançados ao alto. Da igreja, vieram em procissão o Pároco, crianças com estandartes e muito povo. Foram saudadas em frente à igreja e introduzidas no templo ao som do órgão e de cânticos. Seguiu-se Missa solene, sermão e bênção do Santíssimo. Em seguida, o cortejo passou pelas ruas da cidade até a casa de minha irmã, Sra. Dra. Czermak, onde haviam preparado um bom almoço para as Irmãs. Nós, jovens, as servimos à mesa. Após o almoço, acompanhamo-las até a casa alugada para elas. Logo escolheram um pequeno cômodo para capela. Sempre que sabíamos que as Irmãs estavam à mesa, gostávamos de entrar sorrateiramente na capela, onde rezávamos e deitávamos sobre o altar flores, velas e óleo para a lâmpada do sacrário. Isso causava grande alegria às Irmãs, e Irmã Julita costumava dizer, brincando: ‘São Nicolau esteve outra vez aqui!’”
O bom Deus abençoou visivelmente o trabalho das Irmãs. De ano em ano, aumentou o número de alunos. Também nos povoados vizinhos tornou-se conhecida a atividade das Irmãs e, atendendo a um desejo geral, abriu-se um Internato. Embora as primeiras dificuldades ainda não tivessem sido superadas e a instalação do Internato, bem como a pensão e o tratamento das internas deixassem muito a desejar, o zelo das Irmãs foi reconhecido, os pais confiaram-lhes a educação das filhas e estas, por sua vez, na vida, mais tarde, souberam honrar suas educadoras.
No dia 20 de fevereiro de 1909, foi lançada a pedra fundamental de uma nova grande construção, para atender às sempre crescentes exigências. No entanto, faltavam recursos para a execução da obra; a Casa-Mãe de Braunsberg interveio, então, com ajuda financeira. Também o Sr. Bispo da Ermlândia, Dr. Andreas Thiel, manifestou-se como doador caritativo, de modo que a nova construção pôde ser concluída e inaugurada, no ano de 1910.
Com o correr dos anos, o Colégio se desenvolveu sempre mais. O número de alunas, tanto externas quanto internas, cresceu e o programa de ensino, de uma Escola Superior Alemã para meninas, foi adaptado às realidades brasileiras e executado. A Escola, no entanto, ainda não era oficialmente reconhecida. Isto aconteceu só em 1931, quando se fundou uma Escola Normal. As Irmãs professoras empregaram todos os seus esforços em levar o Estabelecimento a florescer, o que conseguiram a contento das autoridades religiosas e leigas, especialmente quando Madre M. Margarida Krause exerceu o cargo de Diretora. Ela teve também a alegria de entregar às primeiras normalistas o diploma de professora.
Querendo facultar às alunas do Colégio Santa Catarina outros estudos, abriu-se, em 1940, um curso ginasial, oficialmente reconhecido. Entretanto, foram emitidos novos programas pelo Ministério da Educação e Cultura, dando às alunas diploma das pelas Escolas Normais Oficiais a possibilidade de ingressarem nas Universidades. Também a Escola Normal Santa Catarina não hesitou em cumprir as novas determinações oficiais, podendo oferecer às suas alunas mais esta oportunidade. Entretanto, era preciso pensar também na questão de um espaço físico maior, para atender às novas exigências.
Assim sendo, lançou-se, em 1949, a pedra fundamental para mais um prédio escolar. Dá testemunho do espírito que animava, então, as Irmãs de Santa Catarina, o seguinte extrato do Registro do lançamento da pedra fundamental: “Foi o zelo de honrar a Deus e de seguir o ideal da Fundadora da Congregação, Regina Prothmann, através da educação da juventude, que levou a Direção Geral a empreender essa construção. Que a Bem-aventurada Virgem Maria, sede da Sabedoria, São José, o Patrono da Igreja e Protetor da Sagrada Família, Santa Catarina, Padroeira da Congregação, que soube unir a coroa do martírio à da ciência, venerada no mundo inteiro como Padroeira dos estudantes, através do Coração de Jesus, Mestre das verdades eternas, alcancem da Santíssima Trindade a graça de um trabalho fecundo, nesta casa, cujas paredes se erguem ao céu, qual sim bolo das pedras vivas que aqui, à luz da Eucaristia, serão plasmadas para a maior honra de Deus, para a glorificação da santa Igreja e da Pátria”.
Como as obras progrediam bem e rapidamente, o prédio já podia ser ocupado no ano de 1950. Diante do perigo de desmoronamento e risco de vida para futuros moradores e diante da recusa dos operários de fazer qualquer restauração nas últimas casinhas, testemunhas da penosa sementeira do grãozinho de mostarda, tornou-se necessário demoli-Ias em 1955. Em seu lugar, foi erguido um magnífico prédio para o Postulantado, o Noviciado e o Provincialado. A ampliação da capela foi feita, na mesma ocasião. Esta era uma necessidade urgente, principalmente por causa das festas de vestição e de emissão de votos, visto que o Noviciado da Província-Sul, por motivos bons e justos, foi separado do de São Paulo, em 1940, e transferido para Hamburgo. Aos 18 de janeiro de 1956, vinte cinco postulantes receberam, aqui, o santo hábito das Irmãs de Santa Catarina.
Após dez anos de existência, já haviam saído da Escola Normal 337 professoras. Que o Divino Semeador do grãozinho de mostarda, que produziu em Hamburgo fruto cem por um continue, também no futuro, a regar e a fecundá-lo com orvalho de Sua graça!

O Externato para Meninos em Hamburgo
Aos 28 de janeiro de 1907, Irmã M. Cáritas assumiu em Hamburgo a direção de uma escola masculina, até então confiada aos cuidados da Companhia de Jesus. Desempenhou o cargo com total dedicação e energia, educando e instruindo muitos meninos que, mais tarde, foram respeitáveis e honrados cidadãos da Cidade.
Com a chegada dos Irmãos Maristas, que se dedicavam à educação da juventude masculina em Hamburgo, cessou a atividade de Irmã M. Cáritas, no ano de 1914.

A Escola Santo Antônio de Novo Hamburgo
Já no ano de 1914, foi criada, em Hamburgo, uma escola primária para crianças pobres. A verdadeira causa para a abertura desta escola foi o abuso, então reinante, de excluir as crianças negras da frequência das escolas públicas. Os pais destas crianças, porém, apesar dos seus ressentimentos, devido à sua pobreza, eram impotentes para remediar o mal. Movido de compaixão, o Revdo. Pe. Antônio Queri resolveu fundar uma escola destinada somente a crianças negras.
Encontrou pronta ajuda nas Irmãs de Santa Catarina. As primeiras professoras eram as Irmãs Gotarda e Rosa. Mas, como faltavam Irmãs professoras, e as duas Irmãs tiveram de ser retiradas, o Revdo. Pe. Queri contratou uma professora leiga que, no entanto, após um ano de trabalho, já abandonou o serviço. Seguiu-lhe a Srta. Lidvina Vier. O ensino prosseguiu de novo, aos 16 de abril de 1917. A escola escolheu Santo Antônio como Padroeiro e se chamava, desde então, Escola Santo Antônio.
Srta. Lidvina Vier entrou como candidata na Congregação das Irmãs de Santa Catarina. Sendo ainda muito nova, foi enviada para o Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Alegrete, a fim de lá preparar-se para as atividades futuras. Era sempre de comportamento exemplar, mas, devido à sua saúde precária, não pôde ser admitida na Congregação. Por esta razão, foi encarregada da direção da Escola Santo Antônio e, por muitos anos, exerceu este cargo conscienciosamente, como professora e educadora, com alegre e dedicado amor ao próximo.
Inicialmente, a escola era frequentada por 50 alunos. Mais tarde, o número subiu até 155 e, assim, a Srta. Vier recebeu uma professora auxiliar. Os alunos apegaram-se com predileção à sua professora que não cobrava mensalidade nenhuma. Um ordenado mínimo concedeu-lhe o órgão administrativo de São Leopoldo, cidade do Distrito e, mais tarde, também a cidade de Hamburgo. Sob o governo do Prefeito Odon Cavalcanti, que reconheceu os méritos desta silenciosa, mas bem sucedida professora, dobrou-lhe o ordenado e concedeu-lhe o título de professora de ensino primário.
Neste meio-tempo, o racismo absurdo e anticristão foi um tanto vencido, e os filhos de negros podiam ser admitidos também nas escolas públicas elementares. A escola da Srta. Lidvina Vier, porém, ainda sempre continuou repleta até o último lugar disponível, tanto por crianças negras como também por crianças brancas, entre as quais se misturavam descendentes de índios.
Aos 16 de abril de 1942, a Escola podia celebrar, com grande alegria e gratidão para com Deus e os benfeitores, seus 25 anos de existência, com participação também do Sr. Prefeito Odon Cavalcanti.

A Escola São Luís em Hamburgo
Pela aplicação dos primeiros imigrantes alemães, Hamburgo cresceu a olhos vistos. Casas pequenas, casas grandes e fábricas saíram do chão como cogumelos. A parte que se estende em direção a São Leopoldo foi chamada Novo Hamburgo. Hoje chama-se a cidade toda Novo Hamburgo.
Com o crescimento da população, os Revdos. Padres Jesuítas acharam por bem fundar uma segunda Paróquia. Para as famílias com muitos filhos, foi necessário uma escola católica, em Novo Hamburgo. Assim sendo, em 1927, por intermédio do Sr. Pe. Bloemeke, sj, e de acordo com Madre Eustáquia Berendt, colocou-se a pedra fundamental para uma escola paroquial. As despesas da construção corriam por conta da Congregação. O prédio constava de quatro classes, separadas, duas a duas, por um corredor.
Aos 12 de fevereiro de 1928, foi inaugurada pelo Revdo. Pe. Bloemeke, para grande alegria e viva participação do povo, e recebeu, assim como a matriz local, o patrono São Luís. As primeiras professoras foram as Irmãs M. Aloísia Dankowski e M. Hadriana Hermanski. No início do primeiro ano, a escola contava 48, no fim, 123 alunos de ambos os sexos.
As duas Irmãs professoras moravam no Colégio Santa Catarina. O caminho para a escola, ida e volta, faziam a pé. Não era nada agradável no intenso calor. Com chuva, tomavam o bonde elétrico. Logo após a meditação matutina, punham-se a caminho. Comungavam na Missa escolar e tomavam, na escola, o café que traziam consigo numa garrafa térmica. O almoço lhes era enviado pelo Colégio. O garoto, encarregado de levá-lo, teve uma vez a infelicidade de entornar tudo na rua. No seu apuro, juntou tudo do chão e entregou a marmita às Irmãs. Sumiu o mais depressa possível, sem esperar a sua parte, como de costume. Logo depois, as Irmãs perceberam o que acontecera e, involuntariamente, tiveram de jejuar.
Após as aulas, pelas duas horas da tarde, as Irmãs limpavam as salas de aula e voltavam para casa. No Colégio, tiveram ainda a tarefa de supervisionar as alunas internas, na sala de estudo, o que muitas vezes era bem difícil, porque não dominavam a língua portuguesa. Irmã M. Hadriana, mais tarde, foi substituída por Irmã Sinclécia Bartzel e Irmã M. Aloísia foi transferida para Cachoeira.
Quem ficou por mais tempo peregrinando para a Escola São Luís foi certamente Irmã Bertha Liedtke. Muitos anos, dia por dia, marchou com uma pasta de livros e cadernos debaixo do braço, acompanhada de uma jovem co-Irmã, frequentemente substituída por outra. Às vezes, as Irmãs comungavam no Colégio e, de pé, tomavam o seu café da manhã, para não chegar tarde à Missa escolar. Tendo já melhorado um pouco as condições, voltavam à tarde de ônibus. Com quanto espírito de sacrifício e abnegação lançaram as Irmãs, na Escola São Luís, o grãozinho de mostarda!
Irmã Úrsula sucedeu à Irmã Bertha, em julho de 1943. Nos seis anos de seu cargo, conseguiu grande progresso para a Escola. Soube entusiasmar seus alunos e alunas pela religião, caridade e autêntico amor à Pátria. Foi ajudada por suas zelosas co-Irmãs, que não recuavam diante dos muitos e pesados trabalhos, mas pegavam corajosamente no serviço, onde era necessário fazê-lo. Além do ensino, estavam encarregadas da limpeza das classes, de maneira que deviam renunciar generosamente às suas horas de recreio.
Isto não podia ficar despercebido pelos superiores e, finalmente, fizeram ao lado uma construção nova que devia servir de moradia para as Irmãs, poupando-lhes as caminhadas diárias e cansativas do Colégio à Escola. Em outubro de 1951, podiam mudar para o seu novo lar. O dia 3 de novembro foi o dia feliz, em que o Santíssimo veio morar com elas, numa linda capelinha.
Nesta mesma época, iniciou-se também a construção de uma nova escola, porque a primeira, já há muito tempo, se tornara pequena demais para o número sempre crescente de alunos. No dia 7 de outubro, podia ser inaugurada a nova construção pelo Arcebispo Dom Vicente Scherer, na presença de autoridades eclesiásticas e civis.
Além das quatro classes elementares – meninos e meninas separados – foi acrescido mais um ano, que serviria como preparação para o ingresso em um ginásio. E, para ajudar às mães, que deviam trabalhar durante o dia, fora de casa, para o sustento de suas famílias, instalou-se um jardim de infância e um semi-internato para os alunos.
Tendo frequentado a Escola São Luís, até então, mais ou menos, 300 alunos, no ano de 1954 subiu o número a 600 e, em 1957, quase incrível, a 900! Visto que os dois prédios escolares já não podiam mais comportar a todos, organizou-se o ensino em dois turnos: matutino e vespertino. Além das 5 Irmãs professoras, lecionam 14 docentes leigos. Geralmente, ajudam também às Irmãs algumas juvenistas que, assim, ficam conhecendo os trabalhos das Irmãs e podem preparar-se para suas futuras atividades.
Numa visita à Escola São Luís, espontaneamente se pensa: “A Messe é grande, mas poucos são os operários”. Por outro lado, considerando a organização, a ordem e a calma, num complexo tão grande, que mereceu, mais de uma vez, o reconhecido elogio das autoridades, rezamos: “Senhor, com a Tua ajuda, tudo é possível a nós, Teus filhos, Teus indignos instrumentos. A Ti seja dada nossa gratidão, consagrado todo o nosso trabalho e todos os nossos sacrifícios!”
Os santos Anjos que, com seus tutelados, entram e saem nesta casa, zelem para que todos encontrem o caminho certo para a eterna Pátria celeste!

O Hospital “Regina” em Hamburgo
Para proporcionar às Irmãs doentes uma assistência boa e conveniente em seus sofrimentos e também oferecer um lar para as Irmãs enfermeiras e professoras, que necessitam de férias, foi fundado o Hospital que traz o nome de nossa venerável fundadora Regina. Faltando na cidade de Hamburgo um hospital, a nova Instituição devia também facultar aos seus habitantes tratamento e assistência.
A construção foi iniciada em 1929, no terreno pertencente ao Colégio Santa Catarina. Aos 24 de fevereiro de 1930, o hospital foi inaugurado pelo Sr. Arcebispo Dom João Becker, na presença da Madre Geral M. Winefrida e da Provincial Madre M. Hildegardis e autoridades da Cidade.
Possuindo o hospital uma excelente e saudável localização e dispondo de todos os modernos aparelhos e instalações, imediatamente foi ocupado pelos necessitados, não somente de Hamburgo, mas também das cidades e localidades vizinhas.
Em fins de 1946, já se lhe devia acrescentar uma nova ala, inaugurada aos 11 de outubro de 1948, pelo Sr. Arcebispo Dom Vicente Scherer. Para a construção contribuíram prodigamente damas caridosas e outras pessoas generosas por elas motivadas. O hospital está sempre ocupado até o último lugar e, se Deus quiser, será ainda ampliado futuramente.

O Hospital “Darcy Vargas” em Hamburgo
Antes de a Revda. Madre Provincial M. Margarida empreender sua viagem para o Capítulo Geral, na Alemanha, no ano de 1947, uma comissão de distintos senhores apresentou-se e pediu Irmãs para o recém construído Hospital “Darcy Vargas”. A Instituição foi criada principalmente para a classe operária e deram-lhe o nome da esposa do então Presidente da República, que fez muito em benefício dos trabalhadores.
Imediatamente, a Madre Provincial foi com Irmã M. Cáritas ao local, para conhecer o novo campo de trabalho. A decisão foi tomada, imediatamente, e aceito o contrato. No mesmo carro com que vieram, as duas Irmãs foram, meia hora depois, para Ivoti, onde comunicaram à Irmã sua transferência para o novo hospital. A mesma sorte teve, no dia seguinte, Ir. M. Teodora, em Caí. No dia 1º de novembro de 1947, deu-se a solene inauguração do hospital.
Há dez anos já que as Irmãs de Santa Catarina trabalham aí, a contento da Direção e dos pacientes. O quanto contribuíram para o bem da saúde do corpo e da alma está registrado no Livro da Vida. Atualmente, seis (6) Irmãs trabalham na Instituição.

A Escola Gratuita “Madre Regina” em Hamburgo
No ano de 1949, concluída a construção do novo prédio, onde o Colégio Santa Catarina devia continuar seu trabalho, pensou-se em instituir na casa que, até então, servia ao curso elementar e agora estava desocupada, uma escola gratuita para crianças pobres, visto que os pais manifestavam, sempre de novo, o desejo de que suas filhas fossem instruídas e educadas pelas Irmãs. Esta escola gratuita devia servir, ao mesmo tempo, de estágio para a Escola Normal, a fim de evitar que as classes elementares do Colégio fossem utilizadas com este objetivo, como até então acontecia.
A escola gratuita “Madre Regina” abriu-se no ano de 1951. Uma Irmã professora tem a direção da Escola nas mãos e se encarrega da distribuição das disciplinas e da execução do programa de ensino. Ela ministra também as aulas de Religião e de trabalhos manuais. Com especial dedicação e amor, Irmã Atália Zipprich assumiu, nos últimos anos, a Escola Gratuita. Frequentam a escola mais ou menos 100 alunas, distribuídas em 5 séries.
No último ano letivo, algumas delas sempre se preparam para os exames de admissão ao ginásio. Como prêmio de bom comportamento e aplicação, a melhor aluna recebe uma bolsa de estudos no Ginásio Santa Catarina. Cuida-se também de outras que demonstram capacidade para continuar a formação.
Esperamos que Madre Regina vele com sua bênção especial sobre a escola, pois foi ela mesma que legou um exemplo indelével às suas filhas no amor aos pobres. Em consequência da construção do Noviciado novo, no ano de 1956, as primeiras pequenas casas, velhas e arruinadas deviam ser demolidas. Entre elas também se encontrava o prédio da Escola Gratuita, cuja função foi transferida, provisoriamente, para o Colégio. Concluída a construção nova, devia ser encaminhada também uma nova construção para a Escola Gratuita “Madre Regina”.
Uma bênção especial recebeu a escola do Revdo. Sr. Arcebispo Dom Vicente Scherer, por ocasião de sua visita. O benévolo pastor interessou-se muito pelo trabalho da escola, teceu-lhe palavras de reconhecimento e de louvor, recomendando-a aos cuidados especiais das superioras.

Evoluindo sempre
A procura pela Escola Santa Catarina era grande e, em função disso, em 1949, é lançada a pedra fundamental para mais um prédio escolar, solenemente inaugurado em 27 de junho de 1950, ano em que a Escola festejou o Jubileu Áureo de sua fundação, sendo diretora da Escola, Irmã Maria Irene Czermak.

1. O “SANTA” SEGUINDO EM FRENTE
A partir de 1972, o “Santa”, tendo como diretora a Irmã Maria Gabriela Volkveis, implantou a reforma de ensino, segundo a lei nº 5692/71, seguindo uma trajetória feliz na luta educacional.
Em 1974, introduz a Escola de Datilografia que, registrada no Departamento de Educação Especializada da Secretaria de Educação e Cultura, sob nº P293/74, funcionou até 1979, sob a Direção da Irmã Maria Virgínia Exner e Irmã Maria Inês Schneider.
Irmã Maria Firmínia Ott era Diretora do Colégio Santa Catarina.
Em 1975, com justificado orgulho, introduz o curso Técnico em Enfermagem, mais uma habilitação de 2° Grau no seu programa de realizações.
Em 1977, implanta o Curso Supletivo de Qualificação Profissional Auxiliar de Enfermagem, que funcionou com interrupções até 1999.
O Técnico e o Auxiliar nasceram do esforço em fazer algo novo que continuasse a servir à comunidade. De grande valia foi a coordenação da então Diretora, Irmã Maria Firmínia Ott.
Em 1979, sob a Direção da Irmã Aládia Schneider, a Escola Santa Catarina assumiu na unificação o Colégio São Luiz de Novo Hamburgo. Foi um marco importante para a comunidade.
Outro acontecimento importante e que também significou um avanço na história da Educação do “Santa”, foi a implantação da Maternal, na Pré-Escola, hoje Educação Infantil. Isso ocorreu no ano de 1984, sob orientação da Irmã Maria Josefa Stertz. Mais um sonho tomou-se realidade.
Significativa também foi a contribuição de Irmã Maria Débora Brand, como vice-diretora, diretora e coordenadora do Estágio de Habilitação ao Magistério, mesmo sendo num curto espaço de tempo.
Em 1987, assume a direção Irmã Eloá Dorneles Ribeiro da Cunha que, com seu espírito empreendedor e grande dinamismo, contribuiu para que o Colégio voltasse a estar na vanguarda da educação em Novo Hamburgo.
Em 1989, atendendo aos pedidos dos pais e da comunidade escolar, o “SANTA” oferece mais um curso em nível de 2° Grau: Científico, sob a coordenação da atual Diretora. Funcionou até 1999, quando passou a chamar-se Ensino Médio, de acordo com a Lei nº 9394 de 20 de dezembro de 1996.

2. INVESTIMENTO EM CULTURA, ESPORTE, CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SEGURANÇA
Em 1990, quando a Escola Santa Catarina completava noventa anos de sua fundação, inaugurava-se um importante Centro Cultural e Esportivo, o Ginásio, obra coordenada pela Diretora Irmã Eloá Ribeiro Dorneles da Cunha.
Na época, a Associação de Pais e Amigos da Escola (atual APAMA), era denominada Círculo de Pais e Mestres (CPM) e era composto pelos seguintes membros:
Presidente: Dr. Walmor Cervi
Vice-presidente: Carlos Hoffmeister
Tesoureiros: Itamar Lucas, Raul Becker
Secretários: Isolde Müller, Noêmia Loeser, Martim Gegler, Suleika Fiedler
Já em 1996, outra importante inauguração complementa o investimento cultural e esportivo do “SANTA”: a PISTA ATLÉTICA.
Nesse ano, a Associação de Pais e Amigos da Escola -APAMA- tinha como membros da sua diretoria, as seguintes pessoas:
Presidente: Dr. Walmor Cervi
Vice-presidente: Dr. Olavo Meyrer
Tesoureiros: Luis Evaldo Kunz de Lima, Roberto Antônio Tavares da Silva
Secretários: Irene Fabian, Criseldes Maria Jucinsky
Pela Escola: Gilberto dos Reis, Carla Daudt dos Reis
O ano de 1997 é marcado por muitos acontecimentos importantes.
Além das comemorações do centenário da vinda das primeiras Irmãs ao Brasil – Petrópolis/RJ, iniciam-se importantes e intensos estudos para reformulação das bases curriculares e do Regime Escolar, de acordo com a nova Lei de Diretrizes e Bases, de número 9394, de 20 de dezembro de 1996, bem como a elaboração das bases curriculares para implantação de novos cursos como:
-Processamento de Dados;
-Técnico em Enfermagem com aproveitamento de estudos;
-Técnico em Processamento de Dados com aproveitamento de estudos.
Mas o que mais se salientou foi a inauguração do novo prédio dos Laboratórios de Química, Física e Informática, selando a era tecnológica e científica, com um importante e significativo espaço para o estudo, a experimentação, a pesquisa e o aprimoramento dos conhecimentos de nossos educandos. Essa obra representa a realização de um grande sonho.
Vale mencionar o esforço e o empenho da Direção da Escola, na pessoa da Irmã Eloá Dorneles, bem como o orgulho de todo corpo docente, discente, funcional e de toda a comunidade escolar, por tão importante conquista.

3. ADAPTAÇÃO À NOVA LEI Nº 9394/96
Em 1998, é implantado o ensino de acordo com a lei nº 9394, de 20 de dezembro de 1996.
A partir desta Lei, a Pré-Escola passou a denominar-se Educação Infantil.
O 1° Grau, agora Ensino Fundamental.
O 2° Grau, a partir de então, passou a ser Ensino Médio.

4. UM ESPAÇO A MAIS
Em outubro de 1998, o “SANTA”, sob a direção da Irmã Eloá Dorneles, adquiriu o prédio em frente à Escola, para servir de garagem e abrigo para os carros dos professores e funcionários, como também para contar com novas dependências, para permanentes exposições de trabalhos, mostras artísticas, científicas e literárias dos alunos da Escola. O espaço destina-se também à organização do museu da escola.

5. INTERNET
A instalação da INTERNET, em 26/3/1999, representou mais uma importante e significativa conquista e aquisição para uma forma de ensino mais qualificado em pesquisa e tecnologia, bem como na realização de intercâmbios culturais.

6. CONSTRUÇÃO DA GUARITA
Investir em segurança na Escola é sempre necessário. Com este intuito, em maio de 1999, inicia-se a construção da guarita junto ao portão da entrada dos veículos, cuja inauguração ocorreu em junho deste mesmo ano.
A APAMA – Associação de Pais e Amigos da Escola – sob a presidência do Dr. Walmor Cervi, financiou esta importante obra.

7. IMPLANTAÇÃO DE NOVOS CURSOS
Atendendo às exigências e necessidades atuais, de acordo com pesquisa realizada na Comunidade Escolar, o “SANTA”, em 1998, inova com mais dois cursos:
-Técnico em Informática;
-Magistério com aproveitamento de estudos.

AS DIRETORAS do Colégio Santa Catarina de 1900 (fundação) até o presente – 2016.
1. Irmã Maria Julitta Schwark – 1900 a 1901
2. Irmã Maria Lina Porschau – 1901 a 1902
3. Irmã Maria Camila Rex – 1902 a 1910
4. Irmã Maria Marcelina Wickert – 1910 a 1912
5. Irmã Maria Plácida Böhn – 1912 a 1919
6. Irmã Maria Winefrida Herrmann – 1919 a 1920
7. Irmã Maria Wunibalda Kosing – 1920 a 1927
8. Irmã Maria Eustáchia Behrendt – 1927 a 1932
9. Irmã Maria Margarida Krause – 1932 a 1945
10. Irmã Maria Winefrida Berwanger – 1945 a 1947
11. Irmã Maria Irene Czermak – 1947 a 1960
12. Irmã Maria Bernadete Flach – 1960 a 1963
13. Irmã Maria Clementina Rohr – 1963 a 1966
14. Irmã Maria Gabriela Volkveis – 1966 a 1972
15. Irmã Maria Firmínia Ott – 1972 a 1978
16. Irmã Maria Aládia Schneider – 1978 a 1980
17. Irmã Maria Josefa Stertz – 1981 a 1985
18. Irmã Maria Débora Brand – 1985 a 1986
19. Irmã Eloá Ribeiro Dorneles da Cunha – 1987 a 2004
20. Irmã Débora Brand – 2005 a 2006 e em 2013
21. Irmã Claudia Chesini – de 2007 a 2012
22. Irmã Veronice Weber – a partir de 2014…

Quanta história! São 118 anos do “SANTA”, 1900 a 2018.
Datas que se encontram, extremos que se tocam porque, no decorrer dos anos, as Irmãs de Santa Catarina, sempre atentas aos sinais dos tempos, de acordo com o espírito de sua fundadora, Beata Regina Protmann, e fiéis aos princípios cristãos, desafiaram dificuldades e venceram obstáculos. Hoje aí está o “SANTA”, radiante e orgulhoso pelas inúmeras conquistas: criação de novos cursos de acordo com as exigências e necessidades atuais, aumento significativo do ambiente físico, avanços científicos e tecnológicos e o crescimento expressivo do número de alunos.
Diante do exposto, faz-se necessário considerar com carinho e gratidão, todo o empenho das Irmãs nas atividades educacionais, por seu testemunho de vida, trabalho apostólico e espírito empreendedor.
No entanto, duas verdades surgem: significativa diminuição da presença das Irmãs de Santa Catarina na Escola e exigência de preparo de leigos, para assumirem, juntamente com as Irmãs, cargos que antes eram delas.
Essa realidade tão presente e tão atual, exige da Entidade Mantenedora Congregação Associação Congregação de Santa Catarina uma nova forma de administração, abrindo espaço para leigos e zelando pela devida formação dos mesmos.
“SANTA: 118 ANOS EDUCANDO PARA A VIDA”.

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