Solenidade de São Pedro e São Paulo – Dia do Papa

Por Pe. Fernando José Cardoso

Neste último domingo de junho e primeiro de julho, no Brasil, celebramos a festa dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo. Teve ambos, uma trajetória diversificada: Pedro seguiu Jesus desde os primeiríssimos tempos de sua vida pública na Galiléia. Foi a principal ponte entre o Jesus histórico e o Cristo da Ressurreição. Paulo, não conheceu o Jesus histórico. Após sua conversão, recebeu o encargo, do Ressuscitado, de ser o Apóstolo dos pagãos. Ambos tiveram suas fraquezas: Pedro, diz o texto bíblico, negou Jesus por três vezes; Paulo, no Livro dos Atos dos Apóstolos, foi um perseguidor ferrenho dos Cristãos. Ambos foram tocados pela graça: Pedro, pelo arrependimento, Paulo, pela conversão. Ambos reuniram a família de Deus. Pedro exerceu seu ministério entre os judeus circuncidados. Paulo foi o primeiro, na história da Igreja, a evangelizar uma multidão dos pagãos. Ambos se encontraram em Roma, durante a terrível perseguição Neroniana, que dizimou aquela comunidade, entre os anos sessenta e quatro a sessenta e sete. Não é dito, e não estamos seguros se ambos foram martirizados no mesmo dia. Diz uma tradição que Pedro foi crucificado na Colina do Vaticano, onde outrora se encontrava o círculo de Nero e Paulo decapitado fora das portas da cidade, num local chamado Aqua Salviae, que mais tarde se chamaria Tre Fontane, onde hoje existe uma abadia Cisterciense da primitiva observância. Estes dois Apóstolos construíram na história, a verdadeira Igreja de Jesus Cristo. Ela é rocha e Pedro é pedra, a partir do qual o edifício da Igreja foi construído solidamente. Com Paulo a barca que é a Igreja continua sua travessia pelo mar da história, até o último encontro com o Senhor Glorificado. Apesar de todos os limites da nossa Igreja e dos Papas sucessores de Pedro, sobretudo na renascença, Ela é forte. Ainda hoje a Igreja continua a anunciar intrepidamente a Palavra de Deus através de seus missionários. Nós louvamos e bendizemos a Deus por estes dois fundamentos. Através de ambos chegou para nós a fé apostólica que queremos professar até a morte.

Jesus como que faz um teste para os seus discípulos. Ele lhes interroga: “Quem dizem os homens que eu sou?” A própria pergunta nos coloca de início num ponto de vista humano, como que considerando a natureza humana de Jesus. De fato, Ele era reconhecido em Israel como um homem de Deus poderoso, comparado mesmo aos maiores profetas. A resposta de São Pedro, porém, nos abre os horizontes para reconhecer a sua natureza divina: é Ele o Cristo, o Filho de Deus.  Sobre esta fé Cristo edifica a sua Igreja. Pedro é a rocha e terá como função ser sinal visível de unidade e confirmar os irmãos na fé. Tal função, como a Igreja de Jesus, se perpetua na história e é exercida pelos seus sucessores, hoje o Papa Bento XVI. Santo Hilário escreve a este respeito: “O Filho de Deus, nascido de Deus, eternamente… Ele assumiu um corpo, se fez homem; e assim como a Eternidade assumiu o corpo de nossa natureza, devemos ter consciência de que a natureza de nosso corpo pode receber (no Cristo) o poder da Eternidade. Porque é essencial à fé reconhecer a dupla natureza do Cristo, o Senhor pergunta aos seus discípulos: “Quem dizem…” (…). É preciso reter e confessar que o Cristo é o Filho de Deus e o Filho do homem. Confessar um sem o outro, não nos daria nenhuma esperança de salvação… “Quem dizem eles…?”, o Cristo deixa pressentir que para além do que se via nele, havia algo mais para compreender”. São Leão Magno ressalta que “quando Jesus apela para o sentimento dos discípulos, o primeiro a reconhecer o Senhor é o primeiro em dignidade entre os Apóstolos”. Prontidão de um coração caloroso, mas também e, sobretudo Dom de Deus: a natureza e a graça. Tu és o Cristo, o Ungido, unção manifestada no batismo do Cristo. Se tal unção é o “sacramento” da consagração de uma pessoa a Deus, em Jesus ela é constitutiva de sua Encarnação, pois sua humanidade é diretamente assumida pela Pessoa do Verbo divino. Ele é o Cristo, o Ungido, por excelência. Em Cristo, todos os batizados são ungidos. Os profetas, sacerdotes e evangelizadores recebem a unção para uma missão de “Verdade, de Sacrifício e de Salvação”. “É belo, exclama Orígenes, que Pedro tenha dito ao Salvador: “Tu és o Cristo”; melhor ainda que tenha reconhecido “Filho do Deus vivo”. Ele mesmo que dissera pelos profetas: “Eu sou o Vivente!” e no Evangelho diz: “Eu sou a Vida”… Se nós também professamos como Pedro, será porque a luz do Pai nos terá revelado, e seremos também proclamados “Bem-aventurados”. “Senhor Jesus, eu professo e creio que vós sois o Cristo, o Filho do Deus vivo. Vós sois meu Senhor e meu Salvador. Fortalecei minha fé e dai-me coragem para proclamar a todos que eles podem vir e conhecê-lo pessoalmente como Senhor e Salvador e cresçam no conhecimento de vosso amor.”

 

SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO, DIA DO PAPA
Desde o século III que a Igreja une na mesma solenidade os Apóstolos São Pedro e São Paulo, as duas grandes colunas da Igreja. Pedro, pescador da Galiléia, irmão de André, foi escolhido por Jesus Cristo como chefe dos Doze Apóstolos, constituído por Ele como pedra fundamental da Sua Igreja e Cabeça do Corpo Místico. Foi o primeiro representante de Jesus sobre a terra. São Paulo, nascido em Tarso, na Cilícia, de uma família judaica, não pertenceu ao número daqueles que, desde o princípio, conviveram com Jesus. Perseguidor dos cristãos converte-se, pelo ano 36, a caminho de Damasco, tornando-se, desde então, Apóstolo apaixonado de Cristo. Ao longo de 30 anos, anunciará o Senhor Jesus, fundando numerosas Igrejas e consolidando na fé, com as suas Cartas, as jovens cristandades. Foi o promotor da expansão missionária, abrindo a Igreja às dimensões do mundo. Figuras muito diferentes pelo temperamento e pela cultura, viveram, contudo, sempre irmanados pela mesma fé e pelo mesmo amor a Cristo. São Pedro, na sua maravilhosa profissão de fé, exclamava: «Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo». E, no seu amor pelo Mestre, dizia: «Senhor, Tu sabes que eu Te amo». São Paulo, por seu lado, afirmava: «Eu sei em quem creio», ao mesmo tempo em que exprimia assim o seu amor: «A minha vida é Cristo»! Depois de ambos terem suportado toda a espécie de perseguições, foram martirizados em Roma, durante o governo de Nero. Regando, com o seu sangue, no mesmo terreno, «plantaram» a Igreja de Deus. Após mais de 2000 anos, continuam a ser «nossos pais na fé». Honrando a sua memória, celebremos o mistério da Igreja fundada sobre os Apóstolos e peçamos, por sua intercessão, perfeita fidelidade ao ensinamento apostólico.

A declaração de Pedro aponta para o máximo da revelação bíblica de Deus: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Contudo, tal afirmação está inserida no contexto do desenvolvimento catequético que Mateus faz para mostrar que Jesus é o Messias, o Filho de Davi, prometido no AT e tão esperado, mas que fora rejeitado pelos judeus. Ao lado disso, temos de considerar que esta afirmação de Pedro é na verdade uma profissão de fé cristológica (crença na filiação divina de Jesus e antecipação da fé pascal) e está numa perspectiva eclesial (construirei a minha Igreja). Aliás, estas são características deste evangelho considerado o evangelho da Igreja. Portanto, não é de se estranhar o realce que é dado à pessoa de Pedro como proeminente no grupo dos apóstolos. E nada obrigava que tivesse de ser assim a não a ser a liberdade de Jesus em escolhê-lo e confiar-lhe a Igreja. Para além de suas fragilidades humanas há uma conformidade total de sua vida com o Senhor a ponto de partilhar do mesmo destino do Mestre. Contudo, sua liderança não abafa nem contrasta com os dons carismáticos do apóstolo Paulo, que será premiado também com a coroa do martírio. Essa complementação harmoniosa entre ambos faz a missão da Igreja tornar-se promissora alcançando a muitos para o Reino de Deus. Quando a fé na pessoa de Jesus e no seu projeto é madura há conseqüências sérias para a vida, como vemos na de Pedro e Paulo. A sabedoria da Igreja está em assegurar o primado de Pedro, porque este foi dado pelo próprio Cristo (apesar das tantas controvérsias – Santo Agostinho faz uma salutar ponderação para se viver a comunhão eclesial: “Unidade no necessário, pluralismo no secundário, amor sempre e em tudo”), sem minimizar a apostolicidade carismática de Paulo. Isso dá o equilíbrio necessário para a vida eclesial, pois tudo em última instância converge para a missão de anunciar a salvação que Jesus, o Filho do Deus vivo, realiza. Ao celebrar a solenidade de hoje, não podemos deixar de considerar a grandeza destes apóstolos, e ao mesmo tempo, de nos conscientizar uma vez mais que a pedra angular e o fundamento da Igreja será sempre Cristo, porém a visibilidade disso se dá na comunhão eclesial que tem no ministério de Pedro seu referimento concreto de unidade. Portanto, a Igreja nos pede que  rezemos hoje em especial pelo nosso pontífice, que tem a missão de continuar confirmando na fé todos os discípulos de Cristo. Sabemos que sua missão de apascentar o rebanho é árdua, porém consola saber que a promessa que Jesus fez a Pedro continua sustentando toda a ação apostólica da Igreja. O caminho que Paulo percorreu continua a não ser um caminho fácil. Hoje, como ontem, descobrir Jesus e viver de forma coerente o compromisso cristão, implica percorrer um caminho de renúncia a valores a que os homens dos nossos dias dão uma importância fundamental; implica ser incompreendido e, algumas vezes, maltratado; implica ser olhado com desconfiança e, algumas vezes, com piedade… Contudo, à luz do testemunho de Paulo, o caminho cristão vivido com radicalidade, é um caminho que vale a pena, pois conduz à vida plena. Concordo? É este o caminho que eu me esforço por percorrer? Convém ter sempre presente esse dado fundamental que deu sentido às apostas de Paulo: aquele que escolhe Cristo, não está só, ainda que tenha sido abandonado e traído por amigos e conhecidos; o Senhor está a seu lado, dá-lhe força, anima-o e livra-o de todo o mal. Animados por esta certeza, temos medo de quê? “E vós, quem dizeis que Eu sou?” É uma pergunta que deve, de forma constante, ecoar nos nossos ouvidos e no nosso coração. Responder a esta questão, não significa repetir lições de catequese ou tratados de teologia, mas sim interrogar o nosso coração e tentar perceber qual é o lugar que Cristo ocupa na nossa existência… Responder a esta questão obriga-nos a pensar no significado que Cristo tem na nossa vida, na atenção que damos às suas propostas, na importância que os seus valores assumem nas nossas opções, no esforço que fazemos ou que não fazemos para segui-lo… Quem é Cristo para mim? É sobre a fé dos discípulos (isto é, sobre a sua adesão ao Cristo libertador e salvador, que veio do Pai ao encontro dos homens com uma proposta de vida eterna e verdadeira) que se constrói a Igreja de Jesus. O que é a Igreja? O nosso texto responde de forma clara: é a comunidade dos discípulos que reconhecem Jesus como “o messias, o Filho de Deus”. Que lugar ocupa Jesus na nossa experiência de caminhada em Igreja? Porque é que estamos na Igreja: é por causa de Jesus Cristo, ou é por outras causas (tradição, inércia, promoção pessoal…)? A Igreja de Jesus não existe, no entanto, para ficar a olhar para o céu, numa contemplação estéril e inconseqüente do “messias, Filho de Deus”; mas existe para testemunhá-lo e para levar a cada homem e a cada mulher a proposta de salvação que Cristo veio oferecer. Temos consciência desta dimensão “profética” e missionária da Igreja? Os homens e as mulheres com quem contatamos no dia a dia – em casa, no emprego, na escola, na rua, no prédio, nos acontecimentos sociais – recebem de nós este anúncio e este convite a integrar a comunidade da salvação?

 

Óbolo de São Pedro: contribuição dos fiéis para a jornada da caridade do Papa

A Igreja Católica no mundo inteiro celebra a jornada da caridade do Papa – a coleta do Óbolo de São Pedro,  quando cada católico é convidado a colaborar com as obras de auxílio do Santo Padre em favor dos mais pobres.
A coleta do Óbolo é feita por ocasião da solenidade dos apóstolos Pedro e Paulo.
As paróquias da Diocese de Novo Hamburgo receberão a oferta do Óbolo de São Pedro, durante as Celebrações Eucarísticas deste sábado e domingo, dias 27 e 28 de junho.
A coleta do Óbolo de São Pedro é destinada à prática da caridade e também a manter os serviços da Igreja em todo o mundo. A doação é realizada anualmente pelos católicos, com a finalidade de reunir recursos para a manutenção das obras sociais e caritativas do  Papa Francisco. Essa oferta é a expressão mais significativa da participação dos fiéis nas iniciativas de caridade da Igreja Católica no mundo. Destina-se ainda às obras eclesiais, a iniciativas humanitárias e de promoção social, e também para a sustentação das atividades da Santa Sé.
O Papa, enquanto pastor da Igreja inteira, preocupa-se também com as  necessidades materiais de dioceses pobres, institutos religiosos e fiéis em graves dificuldades (pobres, crianças, idosos, marginalizados, vítimas de guerras e desastres naturais, ajudas particulares a bispos ou dioceses em dificuldades, educação católica, ajuda a refugiados e migrantes).
O critério geral que inspira a prática do óbolo remonta à Igreja primitiva:  “a base primeira para a manutenção da Sé Apostólica deve ser constituída pelas ofertas dadas espontaneamente pelos católicos de todo o mundo e, eventualmente, por outras pessoas de boa vontade. Isto corresponde à tradição que tem origem no Evangelho (Lc 10, 7) e nos ensinamentos dos Apóstolos” (1Cor 11, 14) – Carta de João Paulo II ao cardeal Secretário de Estado, 20 de Novembro de 1982.

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