As Festas Juninas

Por Pe. Inácio José Schuster

São João, uma festa religiosa e popular

Os festejos de solstício de verão em diversas partes da Europa e Oriente Médio, foram incorporados às comemorações do dia de São João, que teria nascido em 24 de junho, dia do solstício.

Existem duas explicações para a origem das Festas Juninas. A primeira explica que surgiu em função das festividades que ocorrem durante o mês de junho. Outra versão diz que está festa tem origem em países católicos da Europa e, portanto, seriam em homenagem a São João. No princípio, a festa era chamada de Joanina, daí, com a evolução da linguagem vem o termo Junino. A Igreja costuma evocar a memória dos santos no dia do aniversário de morte.

Apenas nos casos de São João Batista e da Virgem Maria se celebra também o aniversário de nascimento. A razão é óbvia: tanto os natais de Nossa Senhora e de São João Batista se subordinam e, de algum modo, se incluem já no mistério de Cristo, do qual são prelúdio e preparação próxima. Por isso, celebrando o nascimento de São João Batista, a Igreja não deixa de celebrar o mistério de Cristo.

Sem defender todas as “folias” que se enraízam mais na religiosidade natural do que na revelação, não podemos, contudo, esquecer que São João Batista é uma figura da alegria: ainda no ventre de sua mãe exultou de contentamento perante a aproximação do Salvador e, não obstante a austeridade da sua vida e a severidade da sua pregação, auto-definiu-se como o “amigo do Esposo”, que se alegra ao ouvir a Palavra do Esposo: Cristo.

De acordo com historiadores, esta festividade foi trazida para o Brasil pelos portugueses ainda durante o período colonial (época em que o Brasil foi colonizado e governado por Portugal). Todos estes elementos culturais foram, com o passar do tempo, misturando-se aos aspectos culturais dos brasileiros (indígenas, negros e imigrantes europeus) nas diversas regiões do país, tomando características particulares em cada uma delas.

Embora seja comemorada nos quatro cantos do Brasil, no nordeste brasileiro a perspectiva das festas juninas transforma as cidades e o espírito das pessoas, que parecem sentir uma irresistível atração e afinidade pela festa. Ela ganha uma grande expressão.

O mês de junho é o momento de se fazer homenagens aos três santos católicos: São João, São Pedro e Santo Antônio. O “São João” (modo pelo qual se referem os nordestinos ao ciclo de festas do mês de junho), principalmente, adquire tal importância na vida social nordestina que não apenas é fonte de preocupação durante todo o ano (quando se poupa dinheiro a ser investido na participação na festa ou se organizam eventos a serem apresentados nela), como ainda move interesses políticos e econômicos que poucas vezes se imagina.

Como o mês de junho é a época da colheita do milho, grande parte dos doces, bolos e salgados, relacionados às festividades, são feitos deste alimento. Pamonha, cural, milho cozido, canjica, cuzcuz, pipoca, bolo de milho são apenas alguns exemplos. Além das receitas com milho, também fazem parte do cardápio desta época: arroz doce, bolo de amendoim, bolo de pinhão, bom-bocado, broa de fubá, cocada, pé-de-moleque, quentão, vinho quente, batata doce e entre outros.

As tradições fazem parte das comemorações. O mês de junho é marcado pelas fogueiras, que é o centro da festa, iluminando e aquecendo os arraiais, e pelas famosas quadrilhas. Os balões também compõem este cenário, embora cada vez mais raros em função das leis que proíbem esta prática, em função dos riscos de incêndio que representam. No Nordeste, ainda é muito comum à formação dos grupos festeiros. Estes grupos ficam andando e cantando pelas ruas das cidades. Vão passando pelas casas, onde os moradores deixam nas janelas e portas uma grande quantidade de comidas e bebidas para serem degustadas pelos festeiros. Já na região Sudeste é tradicional a realização de quermesses. Estas festas populares são realizadas por igrejas, colégios, sindicatos e empresas. Possuem barraquinhas com comidas típicas e jogos para animar os visitantes. A dança da quadrilha, geralmente, ocorre durante toda a quermesse.

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