Teologia do corpo e Castidade, fontes espirituais do namoro

Na comemoração do dia dos namorados, percebe-se que esta palavra e denominação inclui várias experiências as vezes não compatíveis com o namoro cristão. Para começo de conversa, namorar significa criar e gerar vínculos amorosos na perspectiva da comunhão e vocação matrimonial. Namorar é ser capaz de construir um projeto conjugal de união oblativa, que una duas vidas para sempre.

São João Paulo II, ensinou que o nosso corpo reflete o esplendor da Santíssima Trindade, os namorados são chamados a crescer na comunhão interpessoal e a se prepararem para um ato e estado de consagração total do amor, que chamamos de casamento. A sexualidade deve expressar a total entrega como dom na reciprocidade e fidelidade da aliança esponsal do matrimônio cristão.

A castidade é a virtude que purifica o olhar, as intenções, a mística de respeitar, amar e querer bem ao outro, valorizando-o em todo o seu ser como um presente precioso dado por Deus a nós. Um amor verdadeiro e autêntico é capaz de esperar, de renunciar a tudo aquilo que está reservado para o momento pleno da conjugalidade marital, para desenvolver a ternura, delicadeza, e a arte de encantar ao futuro esposo/a. Pensar que atropelar ou descaracterizar a etapa do namoro, vai trazer algum aprendizado é o mesmo que querer ser amigo convivendo com a traição.

Diante do erotismo exacerbado e os apelos à pornografia e o sexo descompromissado, a castidade nos reconduz ao plano de Deus unindo o que o pecado separa, despertando para a beleza de um amor puro, incontaminado, integro e fiel que conta com a benção e a amizade de Jesus Nosso Senhor. Que Santo Antônio que une corações olhe para os namorados com amabilidade e desperte neles o verdadeiro amor nupcial, o amor que não passa.

Deus seja louvado!

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz, Bispo de Campos (RJ)

 

Teologia do corpo
Ensinamentos do Papa São João Paulo II

“Somente o homem casto e a mulher casta são capazes de amar verdadeiramente” (João Paulo II)

A Teologia do Corpo desenvolvida pelo Papa João Paulo II é resultado de 129 audiências pronunciadas no início de seu pontificado, entre 1979 e 1984 sobre a sexualidade, o amor humano e a família, oferecendo uma de suas maiores contribuições para a espiritualidade conjugal. Num primeiro momento o Papa medita as Palavras de Cristo sobre a Redenção do Corpo; depois trata do Sacramento do Matrimônio; e termina trazendo uma reflexão sobre a Encíclica Humanae vitae, respondendo às interrogações do homem de hoje.

Para o Papa é preciso estabelecer uma autêntica espiritualidade conjugal para compreender a família em seu valor autêntico e também a valorização da vida: “aqueles que desejam cumprir sua própria vocação humana e cristã no matrimônio são chamados, antes de tudo, a fazer desta teologia do corpo a essência de sua vida e de seu comportamento”.

A Teologia do Corpo de João Paulo II traz grande contribuição para a sexualidade humana e aprofundamento da compreensão do corpo e seu significado antropológico, descobrindo, a partir do corpo, a pessoa com sua subjetividade e como dom de si para o outro.

O Papa afirma: “Pelo fato de o Verbo de Deus ter se feito carne, o corpo entrou pela porta principal na teologia”, ou seja, pela encarnação do Verbo o corpo ocupa um lugar central na teologia e na espiritualidade cristã, Deus assume um corpo, elevando com isso a dignidade da natureza humana.

Como compreender a teologia do corpo? Segundo o Papa, no corpo acontece a revelação do mistério de Deus. “O corpo, e somente ele é capaz de tornar visível aquilo que é invisível: o espiritual e divino. Ele foi criado para transferir para a realidade visível do mundo o mistério invisível escondido em Deus desde os tempos imemoráveis, e assim ser um sinal deste mistério”, isto significa que Deus, ao criar homem e mulher à Sua imagem e semelhança (Gn 1,27) imprimiu em nossos corpos o Seu mistério invisível.

Para João Paulo II “o homem se torna ‘imagem e semelhança’ de Deus não somente através de sua própria humanidade, mas também através da comunhão de pessoas que homem e mulher formam desde o princípio. Em tudo isso, desde ‘o princípio’, nos é dada a bênção da fertilidade vinculada à procriação humana”.

O fato de Deus criar o corpo como um “sinal” de seu divino mistério, é a razão pela qual o Papa fala do corpo como uma “teologia”, ou seja, no corpo Deus se revela e por isto nele podemos conhecer os mistérios de Deus. Deus nos comunica Sua vida “no” e “através do” corpo; “em” e “através do” Verbo tornado carne.

Na teologia do corpo o Papa João Paulo II apresenta a beleza da diferença sexual e do nosso chamado à união sexual que possui uma linguagem inscrita por Deus que proclama Seu mistério infinito e também torna este mistério presente para nós.

A teologia do corpo é parte importante da antropologia teológica e moral familiar da Igreja Católica, por isto, o Papa João Paulo II aprofundou a partir de uma visão personalista e bíblica, trazendo respostas aos questionamentos do homem moderno sobre temas da sexualidade humana e familiar. A riqueza deste tema nos ajuda a compreendermos o valor e a beleza da sexualidade humana vivida segundo o Evangelho.

No seu ensinamento oficial, a Igreja sempre viu no corpo algo positivo, porque a Encarnação é real: Jesus Cristo assumiu um corpo. O corpo faz parte da nossa caminhada de fé. Mas não só, cremos na ressurreição deste corpo: a ressurreição da carne a partir da ressurreição de Jesus. Há a ascensão do corpo. Chamamos a Igreja de Corpo de Cristo, a Eucaristia de Corpo de Cristo. Há uma unidade: é Jesus inteiro. O corpo é nossa expressão, nosso sacramento.

Por Padre Mário Marcelo Coelho, scj

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