Edificar a família no amor que vem de Deus

Encontro com noivos, sexta-feira, 14 de fevereiro  de 2014, Jéssica Marçal / Da Redação

Francisco reuniu-se, nesta manhã, com noivos de várias partes do mundo que se preparam para o “sim” para sempre

Na chegada à Praça São Pedro, Francisco cumprimentou casais que se preparam para o casamento / Foto: reprodução CTV

No dia em que se celebra São Valentim, Dia dos Namorados na Itália e em alguns outros países, Papa Francisco participou de um encontro com noivos na Praça São Pedro. De várias partes do mundo, casais que se preparam para o matrimônio puderam ouvir as palavras do Santo Padre sobre amor, fidelidade e escolhas definitivas.

O tema do encontro foi “A alegria do ‘sim’ para sempre”. Esse foi, inclusive, o assunto da primeira pergunta dirigida por um casal de noivos a Francisco. O Papa recordou que, hoje em dia, muitas pessoas têm medo de fazer escolhas definitivas e, às vezes, se entende o amor somente como um sentimento. Mas é preciso, segundo o Papa, entender o amor como uma relação, uma realidade que cresce, como se constrói uma casa.

“Queridos noivos, vocês estão se preparando para crescer juntos, construir esta casa, para viver juntos para sempre. Não queiram fundá-la sobre a areia dos sentimentos que vão e vêm, mas na rocha do amor verdadeiro, do amor que vem de Deus. (…) Não devemos nos deixar vencer pela ‘cultura do provisório’”.

Esse medo do “para sempre” se cura, segundo o Papa, a partir da confiança em Jesus em uma vida que se torna um caminho espiritual cotidiano, feito de passos, de crescimento comum, de empenho para se tornarem homens e mulheres maduros na fé. Isso porque o “para sempre” não é só uma questão de tempo, mas é importante também a qualidade do matrimônio.

“Estar junto e saber amar-se para sempre é o desafio dos casais cristãos. Vem-me à mente o milagre da multiplicação dos pães: também para vós o Senhor pode multiplicar o vosso amor e doá-lo fresco e bom a cada dia”.

Na segunda pergunta, sobre o “estilo de vida” de um casal e a espiritualidade que se deve ter no cotidiano, Francisco voltou a enfatizar três palavras-chaves para a família: “por favor”, “obrigado” e “desculpe-me”.

“Todos sabemos que não existe uma família perfeita, um marido perfeito nem uma mulher perfeita. Existimos nós, pecadores. Jesus, que nos conhece bem, ensina-nos um segredo: nunca terminar um dia sem pedir perdão, sem que a paz volte à nossa casa, à nossa família. Se aprendermos a pedir desculpas e a nos perdoar, o casamento vai durar e seguir adiante. (…) Nunca terminem o dia sem fazer as pazes. Esse é um segredo para conservar o amor.”

Os preparativos para o casamento também estiveram entre as preocupações dos noivos, que pediram um conselho ao Santo Padre sobre como celebrar bem o matrimônio. Francisco disse ser preciso fazer com que o casamento seja uma grande festa, mas uma festa cristã, não mundana. O que tornará o casamento pleno e verdadeiro é, segundo destacou o Papa, a presença do Senhor que se revela e doa a Sua graça.

“Alguns se preocupam com os sinais exteriores, com o banquete, as fotografias, as roupas, as flores… São coisas importantes em uma festa, mas somente se são capazes de indicar o verdadeiro motivo da vossa alegria: a bênção do Senhor sobre o vosso amor”, disse.

Antes da chegada do Papa, os noivos participaram de momentos de reflexão, música e testemunhos.

 

DIÁLOGO DO PAPA FRANCISCO COM OS NOIVOS
Praça São Pedro – Vaticano
Sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Boletim da Santa Sé Tradução: Liliane Borges

1ª Pergunta : O medo do “para sempre”

Santidade, muitos hoje pensam que prometer fidelidade para toda a vida é um compromisso muito difícil, muitos sentem que o desafio de viver juntos para sempre é bonito, fascinante, mas muito exigente, quase impossível. Pedimos que sua palavra possa nos iluminar sobre esse aspecto.

É importante perguntar se é possível amar “para sempre”. Hoje, muitas pessoas têm medo de fazer escolhas definitivas, por toda a vida, parece impossível. Hoje tudo está mudando rapidamente, nada dura muito tempo… E essa mentalidade leva muitos que estão se preparando para o matrimônio a dizerem: “estamos juntos enquanto durar o amor.” Mas o que entendemos por “amor”? Apenas um sentimento, uma condição psicofísica? Certo, se é isso, você não pode construir em algo sólido. Mas se o amor é um relação, então é uma realidade que cresce, e nós podemos ter como exemplo o modo como é construída uma casa.

A casa se constrói juntos, e não sozinhos!  Construir aqui significa favorecer e ajudar o crescimento. Caros noivos, vocês estão se preparando para crescer juntos, para construir esta casa, para viver juntos para sempre. Não queiram fundá-la sobre a areia dos sentimentos que vêm e vão, mas sobre a rocha do amor verdadeiro, o amor que vem de Deus. A família nasce desse projeto de amor que quer crescer como se constrói uma casa, que seja lugar de afeto, ajuda, esperança e apoio. Como o amor de Deus é estável e para sempre, assim também o amor que funda a família queremos que seja estável e para sempre. Não devemos nos deixar vencer pela “cultura do provisório”!

Portanto, como se cura esse medo do “para sempre”? Se cura dia por dia confiando-se ao Senhor Jesus em uma vida que se torna um caminho espiritual diário, composto por etapas, crescimento comum, o compromisso de se tornarem homens maduros e mulheres de fé. Porque, caros noivos, o “para sempre” não é apenas uma questão de tempo! Um matrimônio não é apenas bem sucedido se dura, mas é importante a sua qualidade. Estar juntos e saber amar para sempre é o desafio de esposos cristãos.

Me vem a mente o milagre da multiplicação dos pães: também para vocês, o Senhor pode multiplicar o vosso amor e dá-lo fresco e bom todos os dias. Ele tem uma fonte infinita! Ele vos dá o amor que é o fundamento de vossa união e cada dia o renova, o fortalece. E o torna ainda maior quando a família cresce com os filhos. Neste caminho é importante e necessária a oração. Peçam a Jesus para multiplicar o vosso amor. Na Oração do Pai-Nosso nós dizemos: “Dá-nos hoje o nosso pão cotidiano”.  Os esposos podem aprender a rezar assim: “Senhor, dá-nos hoje o nosso amor cotidiano”, ensina-nos a amar, a querer bem um ao outro! Quanto mais vocês se confiarem a Ele, mais o amor de vocês será “para sempre”, capaz de se renovar-se e vencer todas as dificuldades.

2ª Pergunta : Viver juntos: o “estilo” da vida matrimonial

Santidade,  viver juntos todos os dias é belo, dá alegria, sustenta. Mas é um desafio a ser enfrentado. Acreditamos que devemos aprender a nos amar.  Há um “estilo” de vida conjugal, uma espiritualidade do cotidiano que queremos aprender. O Senhor pode nos ajudar nisso,  Santo Padre?

Viver junto é uma arte, um caminho paciente, bonito e fascinante. Ela não termina quando vocês conquistam um ao outro… Na verdade, é precisamente aí que se inicia! Esse caminho de cada dia tem regras que podem ser resumidas em três palavras, que eu já disse para às famílias, e que vocês já podem aprender a usar entre vós: Permissão, obrigado e desculpa.

“Posso?”. É um pedido gentil para poder entrar na vida de outra pessoa com respeito e atenção. É preciso aprender a pedir: Eu posso fazer isso? Te agrada que façamos isso?  Tomamos essa iniciativa, para educarmos nossos filhos? Você quer sair essa noite ? … Em suma, significa ser capaz de pedir permissão para entrar na vida dos outros com gentileza.

Às vezes, se usa modos um pouco “pesados”, como as botas de montanha! O verdadeiro amor não se impõe com  dureza e agressividade. Nos escritos de  Francisco se encontra essa expressão: “Saibam que a gentileza é uma das propriedades de Deus…  é irmã da caridade, que apaga o ódio e conserva o amor” (cap. 37). Sim, a gentileza preserva o amor. E hoje em nossas famílias, em nosso mundo, muitas vezes violento e arrogante, nós precisamos muito de gentileza.

“Obrigado”. Parece  fácil pronunciar esta palavra, mas sabemos que não é assim… Mas é importante! A ensinamos às crianças, mas depois, a esquecemos! A gratidão é um sentimento importante, lembram do Evangelho de Lucas? Jesus cura dez leprosos e, em seguida, apenas um volta para agradecer a Jesus. O Senhor diz: e os outros nove, onde estão? Isso vale também para nós: sabemos agradecer? No relacionamento de vocês, e amanhã na vida conjugal, é importante para manter viva a consciência de que a outra pessoa é um dom de Deus, e dar graças sempre. E nesta atitude interior agradecer por tudo. Não é uma palavra amável para usar com estranhos, para ser educado. É necessário saber dizer obrigado, para caminhar bem juntos.

“Desculpe”.  Na vida nós cometemos tantos erros, tantos enganos. Todos nós . Talvez haja um dia em que nós não façamos algo errado. Eis, então, a necessidade de usar esta simples palavra: “desculpe”.

Em geral, cada um de nós está pronto para acusar os outros e justificar-se. É um instinto que está na origem de muitos desastres. Aprendamos a reconhecer nossos erros e pedir desculpas. “Desculpe se eu levantei a voz”. ” Desculpe-me se eu passei sem te cumprimentar; desculpe-me  pelo atraso; desculpe-me  por estar tão silencioso esta semana; se eu falei muito e não te ouvi; desculpe-me se eu esqueci”. Também assim cresce uma família cristã.

Nós todos sabemos que não há família perfeita, e até mesmo o marido perfeito ou a esposa perfeita. Existimos nós, os pecadores. Jesus, que nos conhece bem, nos ensinou um segredo: nunca terminar um dia sem pedir perdão, sem que a paz retorne a nossa casa, em nossa família. Se aprendermos a pedir perdão e a nos perdoar, o matrimônio irá durar, irá em frente.

3ª Pergunta: O estilo da celebração do Matrimônio

Santidade, nestes meses estamos nos preparativos para o nosso casamento. O senhor pode nos dar algum conselho para celebrar bem o nosso matrimônio?

Façam de um modo que seja uma verdadeira festa, uma festa cristã, não uma festa social! A razão mais profunda da alegria desse dia nos  indica o Evangelho de João: vocês se recordam o milagre das bodas de Caná? Em um certo momento o vinho faltou e a festa parecia arruinada.  Por sugestão de Maria, naquele momento Jesus se revela pela primeira vez e realiza um sinal: transforma a água em vinho, e assim, salva a festa de núpcias.

O que aconteceu em Caná há dois mil anos, acontece na realidade em cada festa de núpcias: o que fará pleno e profundamente verdadeiro o matrimônio de vocês será a presença do Senhor que se revela e dá a sua graça. É a sua presença que oferece o “vinho bom”, é Ele o segredo da alegria plena, que realmente aquece o meu coração.

Ao mesmo tempo, no entanto, é bom que o matrimônio de vocês seja sóbrio e faça sobressair o que é realmente importante. Alguns estão mais preocupados com os sinais exteriores, com o banquete, fotografias, roupas e flores… São coisas importantes em uma festa, mas somente se forem capazes de apontar o verdadeiro motivo da alegria de vocês: a bênção do Senhor sobre o amor de vocês. Façam de modo que, como o vinho em Caná, os sinais exteriores da festa revelem a presença do Senhor e recorde a vocês e a todos os presentes a origem e o motivo de vossa alegria.

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