Santo Antônio de Pádua – 13 de Junho

Por Mons. Inácio José Schuster

Neste mês estaremos celebrando os santos juninos: São João Batista, São Pedro, São Paulo e Santo Antônio. Fogos, comidas e bebidas típicas, mas também um mês de muitas devoções e orações com a intercessão dos santos juninos.
Um deles é conhecido na Europa como o “Santo” e muito querido também entre nós na América Latina. Vamos conhecer um pouco mais sobre Santo Antônio, nascido em Lisboa – Portugal,  e o seu amor filial a Maria:
“Nós te rogamos, portanto, Senhora nossa e nossa esperança:
Tu, que és Estrela do mar,
Irradia a tua luz sobre nós,
Atormentados neste mar tempestuoso,
Encaminha-nos para o porto,
Protege-nos na morte com a tutela da tua presença,
Para termos a dita de sair seguros deste cárcere
E de chegar, alegres, ao gozo perene.
Isso nos conceda aquele que trouxeste no ventre
E que aleitaste nos teus seios sacratíssimos.
A ele honra e glória por séculos eternos. Amém! (Sermão do 3 domingo da Quaresma)
Santo Antônio, desde o início de suas pregações, preocupa-se com aqueles que viviam distantes da Palavra de Deus. Procurava evangelizar onde não conheciam a Sagrada Escritura. Mas, não apenas pregou a palavra de Deus, mas a viveu na pratica da bondade e da fraternidade com todos.
Ele se preocupava principalmente com os menos favorecidos, através da partilha, do gesto concreto de serviço ao irmão necessitado, que precisava do pão, do trabalho, da educação, da solidariedade, da amizade, da paz, enfim de vida digna.
O “pão de Santo Antônio”, que até hoje costumamos partilhar, é sinal da solidariedade demonstrada em sua vida. Caridoso, procurava solucionar o problema de todos os que careciam de ajuda e quando não encontrava solução para os problemas, oferecia ao irmão sua palavra, sua amizade ajudando-o a encontrar e adquirir a confiança em dias melhores.
Santo Antônio considerava pobres também aqueles que não tinham cultura e por isso procurava ajudá-los, pois sabia que o culpa ou sem culpa, e se encontravam separados dos outros homens. Considerava pobres aqueles que não tinham conseguido ser felizes no seu casamento, que não tinham conseguido uma profissão, um digno trabalho, que não tinham chegado a desenvolver todas as suas capacidades, todos os seus estudos, que é um bem devido a todos. Considerava pobres aqueles que não tinham amigos, que viviam na solidão, privados da amizade. Considera pobres aqueles que haviam perdido sua liberdade, com talentos.
Hoje nós devemos reconhecer como pobres de Santo Antônio os desempregados, os esquecidos e abandonados, os famintos de pão e justiça, os violentados, que esperam de nós um gesto de bondade e fraternidade. Desta forma, Santo Antônio nos mostra, com sua vida, exemplo de amor aos irmãos e que devemos buscar sempre o bem de todos.
Suas mensagens são o eco de sua vida e de sua pregação chegam ainda até nós, mesmo depois de 800 anos. Antônio foi o grande pregador do Evangelho, e a Igreja o proclama como “Doutor Evangélico”.
“Sua palavra, tão nítida e clara, como sempre, com a força de um vinho velho, nutre a devoção e a espiritualidade de todos aqueles que se aproximam de Antônio, com a devoção e a comoção necessárias, como para deixar tocar o coração por essa espada de dois gumes, que é a Palavra de Deus” (Frei Alejandro R. Ferreirós, OFM).
Contando com a intercessão de Santo Antônio, pedimos as bênçãos de Deus sobre todas as nossas comunidades paroquiais, nossas festas juninas e particularmente sobre os nossos idosos e enfermos.

 

MAIS QUE CASAMENTEIRO, SANTO ANTÔNIO É EXEMPLO DE COERÊNCIA
Muitas simpatias envolvendo a imagem de Santo Antônio surgiram com os anos, mas são heresias

Sempre muito compadecido com os pobres, Santo Antônio casava muitos deles sem exigir nenhuma contribuição financeira para a igreja, como era costume na época.
Veio daí a fama de “santo casamenteiro”. “Conta-se também que uma jovem muito bonita, que queria encontrar um marido, fazia todos os dias orações e colocava junto à imagem de Santo Antônio flores que ela mesma colhia em seu jardim. Já cansada de esperar ela atira a imagem pela janela que cai na cabeça de um rapaz que se apaixona por ela e mais tarde eles se casam”. Antes de morrer, Santo Antônio prometeu que nunca deixaria de atender um pedido dos fiéis. Com os anos, surgiram simpatias em relação a imagem do santo, mas, tais coisas são heresias que nada condizem com a fé católica. Santo Antônio é mais que um santo casamenteiro, ele foi um grande anunciador do Evangelho. O grande exemplo que Santo Antônio deixou foi o de uma vida coerente com aquilo que se prega. “Maior característica de Santo Antônio é a busca por uma vida coerente. Pois ele sabia que muito mais que anunciar é preciso ter a vivência da palavra de Deus, mirando o exemplo dos santos”.

História de Santidade
Nascido em 15 de agosto de 1195, em Lisboa, Portugal, ele recebeu no batismo o nome de Fernando. Era o único herdeiro de Martinho, nobre pertencente ao clã dos Bulhões e Taveira de Azevedo. Fernando teve uma vida farta e estudou nos melhores escolas. Mas depois ingressar na vida religiosa na Ordem dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho, o jovem  sacerdote pede para ser transferido para Coimbra a fim de ficar longe do assédio da família que não aceitava sua escolha pela pobreza. Nos estudos de filosofia e teologia, ele não encontrou dificuldade, pois tinha uma inteligência e uma memória formidável, acompanhadas por grande zelo apostólico e santidade. Em Portugal, conheceu a família dos Franciscanos e se encantou pelo testemunho dos mártires em Marrocos, além da vida itinerante na santa pobreza, uma vez que também queria testemunhar Jesus com todas as forças. E é na ordem dos franciscanos que Fernando adota o nome de Antônio. “Lá ele passa a fazer trabalhos braçais e viver uma vida bem diferente daquela que ele vivia. Lá ele também conhece a graça da contemplação e conhece o próprio Francisco de Assis”. Certa vez,  o supervisor pede para ele fazer o sermão do dia de improviso e todos ficaram surpresos com sua facilidade e sabedora para anunciar o Evangelho.

Amor aos pobres
Num certo dia, Santo Antônio tomou todos os pães do convento e distribuiu aos pobres. O padeiro do convento ficou desesperado, pois não tinha o que servir aos franciscanos, mas Antônio pediu para que ele verificasse na dispensa e ali aconteceu o milagre da multiplicação. Assim a exemplo de Santo Antônio, este ano, Beatriz decidiu doar alguns pães para sua paróquia, afim de que fossem abençoados e entregues às famílias. “Mas esse ano não estou pedindo nada, só quero que esses pães cheguem até a casa das famílias e que as abençoe para nunca faltar alimento a elas e que sejam felizes”, diz a devota.

Oração de Santo Antônio
Lembrai-vos, glorioso Santo Antônio, amigo do Menino Jesus, filho querido de Maria Imaculada, de que nunca se ouviu dizer de alguém que tenha recorrido à vós, tenha sido por vós abandonado. Animado de igual confiança, venho à vós fiel consolador e amparador dos aflitos. Gemendo sob o peso dos meus pecados, me prostro a vossos pés. Não rejeitais, pois, a minha súplica: (fazer o pedido). Sendo tão poderoso junto ao Coração de Jesus, escutai-a favoravelmente e dignai-vos a atendê-la. Amém.

 

MILAGRES de Santo Antônio

São muitos os milagres atribuídos a Santo Antônio, ocorridos tanto em vida como após a morte. O Santo nasceu provavelmente no Verão de 1195, com o nome de Fernando de Bulhões, perto da Sé de Lisboa, onde ainda criança iniciou a sua instrução. Aos 15 anos, entrou para o Mosteiro de São Vicente de Fora, de frades agostinhos, e, mais tarde, completou a sua educação em Santa Cruz de Coimbra, também da mesma ordem. Após ter aprendido em Portugal tudo o que era possível saber naquela altura, a sua natureza curiosa e o seu insaciável desejo de aprender levaram o jovem a embarcar para Marrocos, com a intenção de evangelizar os povos, dando-lhes a conhecer a palavra de Deus. No entanto, devido a problemas de saúde, rapidamente, embarcou de regresso a Portugal, onde nunca chegou, pois o barco, em que navegava, foi atingido por uma tempestade e chegou à Sicília, tendo depois rumado para o centro de Itália, onde se encontrava São Francisco de Assis. Foi companheiro deste e tornou-se franciscano, tomando o nome de Antônio. Começou a manifestar dotes de orador, tendo ficado famoso pela simplicidade e força dos seus sermões. Santo Antônio morreu aos 36 anos e foi canonizado pelo Papa Gregório IX, um ano apenas após a sua morte. Conta a lenda que Santo Antônio foi um dia pregar à cidade de Limoges, em França. Dizia-se que os seus sermões eram ouvidos por mais de 30 mil pessoas de cada vez e que, por isso, era obrigado a pregar ao ar livre. Estavam todos em silêncio a ouvir o Santo quando desabou uma grande tempestade sobre a multidão, que ficou atemorizada pela violência dos raios e dos trovões. Santo Antônio, porém, aconselhou os ouvintes a ficar, assegurando-lhes que, com a ajuda de Deus, nem uma gota de chuva os atingiria. O local onde estavam os ouvintes ficou enxuto, enquanto, à volta, ficou completamente encharcado. Uma outra vez, em Rimini, perante hereges cátaros que se tinham reunido para evitar a evangelização, houve um sermão que ficou célebre. Defrontado com a indiferença da população, Santo Antônio dirigiu-se aos peixes do mar que surgiram, aos milhares e, muito organizados, emergiram as suas pequenas cabeças para ouvir a palavra de Deus. Homens e mulheres acorreram para ver esta maravilha, tendo muitos deles acabado convertidos. A imagem de Santo Antônio é, como se sabe, representada com o Menino Jesus ao colo pela grande cumplicidade e companheirismo entre os dois. Conta a lenda que, em Mação, ia o Santo buscar lenha do outro lado do Tejo, a pedido de sua mãe, quando verificou, na volta, que barco e barqueiro tinham desaparecido. Preocupado por saber que a mãe o esperava do outro lado, Santo Antônio pediu ajuda ao Menino que lhe apareceu. Este disse-lhe que atirasse o feixe de lenha ao rio que Ele o conduziria para a outra margem. Diz a lenda que Santo Antônio apareceu do outro lado do rio com o Menino ao colo. Uma outra vez, em Pádua, Santo Antônio hospedou-se em casa de um homem rico que o surpreendeu a conversar com o Menino Jesus e que só foi autorizado a revelar o que tinha visto depois da morte do Santo. Ainda em Pádua, veio, um dia, um homem chamado Leonardo confessar-lhe um grande pecado: Leonardo tinha dado um pontapé a sua mãe. Santo Antônio comentou que uma pessoa que comete tal ofensa deveria ter o pé cortado. Não percebendo as palavras do Santo e levando-as à letra, Leonardo cortou o pé com a sua espada. A mãe deste correu indignada ao convento, queixando-se do frade que quase lhe tinha morto o filho. Santo Antônio desculpou-se e explicou que não era aquela a sua intenção e acompanhou-a a casa de Leonardo onde, depois de rezar a Deus, lhe juntou o pé à perna com tanta fé que estes se soldaram por milagre. Um dos muitos milagres de Santo Antônio passou-se com o seu próprio pai quando este foi injustamente condenado à forca por assassínio, em Lisboa. Por milagre de Santo Antônio, o homem que tinha sido morto voltou a viver para jurar a inocência do condenado. Este Santo é muito estimado pelo povo português que lhe dedicou muitas poesias populares, quer orais, quer escritas, para além do grande culto que lhe é prestado. É considerado o Santo casamenteiro e no dia em que se celebra o seu culto, a 13 de Junho, em Lisboa, realizam-se casamentos em conjunto, na cerimônia tradicionalmente chamada “Noivas de Santo António”.

Como referenciar este artigo: Milagres de Santo António. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2010. [Consult. 2010-06-13]. Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$milagres-de-santo-antonio>.

 

Santo Antônio e o milagre eucarístico de Rimini
A narração de um dos milagres mais significativos do Santo, por ocasião da celebração da sua memória litúrgica de hoje

“Santo dos Milagres”, assim era chamado Santo Antonio de Pádua, que hoje celebramos a memória litúrgica. De fato, foram muitos os prodígios que o Santo realizou ao longo da sua vida. Particularmente, a tradição nos deu a conhecer o famoso “milagre eucarístico de Rimini”, ou o assim chamado milagre “da mula”, acontecido na capital da Romanha e atribuído à sua intercessão. Na sua intensa atividade de evangelização, santo Antonio foi ativo em Rimini por volta do 1223 e foi justo neste período que o milagre foi narrado em vários livros históricos – entre os quais a Begninitas, uma das primeiras fontes sobre a vida do santo – que narram episódios análogos acontecidos também em Tolosa e em Bourges. O episódio está relacionado com a luta entre cristãos e hereges: nos primeiros séculos após o ano Mil, de fato, a hierarquia da Igreja era fortemente contestada por movimentos heterodoxos, incluindo os cátaros, patarines e valdenses. Especialmente, estes atacavam a verdade fundamental da fé católica: a presença real do Senhor no sacramento da Eucaristia. O Milagre Eucarístico foi obrado por Santo Antonio depois que um certo Bonovillo, um herege, o desafiou a provar por meio de um milagre a presença real do Corpo de Cristo na comunhão. Outra biografia antiga de Santo Antônio – A  Assídua – traz as palavras exatas faladas por Bonovillo no ‘desafio’: “Irmão! Digo-te diante de todos: acreditarei na Eucaristia se a minha mula, que deixarei sem comer por três dias, comer a Hóstia que tu lhe oferecerás, em vez da forragem que lhe darei”. Se o animal tivesse, portanto, deixado de lado a comida e ido adorar o Deus pregado por Santo Antônio, o herege ter-se-ia convertido. O encontro foi marcado na Praça Grande (Atual Praça dos Três Mártires), atraindo uma multidão enorme de curiosos. No dia combinado, portanto, Bonovillo apareceu com a mula e com a cesta de Forragem. Chegou Santo Antônio que, depois de ter celebrado a Missa, trouxe em procissão a Hóstia consagrada dentro do ostensório até a praça. Diante da mula, o Santo teria dito: “Em virtude e em nome do Criador, que eu, por mais indigno que seja, tenho realmente nas mãos, te digo, ó animal, e te ordeno que te aproximes rapidamente com humildade e o adores com a devida veneração”. O animal, apesar de estar esgotado pela fome, deixou de lado o feno, e aproximou-se para adorar a hóstia consagrada a tal ponto que inclinou os joelhos e a cabeça, provocando a admiração e o entusiasmo dos presentes. Antonio não se enganou ao julgar a lealdade do seu oponente, que, ao ver o milagre, jogou-se aos seus pés e abjurou publicamente os seus erros, tornando-se a partir daquele dia um dos mais fervorosos cooperadores do Santo taumaturgo. Em memória deste episódio foi construído, na praça Três Mártires, uma igrejinha dedicada a Santo Antonio com uma capela que fica na frente, obra de Bramante (1518). A capela, no entanto, foi destruída durante a Segunda Guerra Mundial. Hoje, então, é possível visitar, do lado do Santuário de São Francisco de Paula, o “templete” – como é chamado pelos habitantes de Rimini – em substituição da Igreja originária, que foi consagrada no dia 13 de abril de 1963. Com um tabernáculo de prata dourado que reproduz o pequeno templo exterior, e de um frontal de altar de bronze mostrando o milagre da mula, a igrejinha tornou-se sede da Adoração Eucarística perpétua a partir do 28 de novembro de 1965, por vontade do bispo Biancheri. Historicamente o milagre da mula apareceu um pouco tarde na iconografia de Santo Antônio, no âmbito do movimento eucarístico do século XIII que levou, em 1264, à instituição da festa solene do Corpus Domini pelo Papa Urbano IV, a fim de defender e dar o justo valor à Eucaristia.

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