Solenidade do Sagrado Coração de Jesus

Por Pe. Fernando José Cardoso

Hoje, 08/6/2018, a Igreja celebra a SOLENIDADE DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS.

Hoje celebramos com toda a Igreja a solenidade do coração de Jesus. Na Antiguidade, o coração foi sempre considerado a parte central do ser humano. No coração residiam, na concepção dos antigos, todos os afetos, todos os desejos e todas as decisões. Trata-se de um órgão no qual a vida intelectual, e sobretudo afetiva, vem, quase que fisicamente, representada. E assim, nós hoje contemplamos o coração de Cristo. Que significa isto? Contemplamos, no Homem Jesus, a plenitude da Divindade e contemplamos, no coração humano de Cristo, o amor que Deus nos tem demonstrado, de maneira sensível, de maneira humana, à nós e à Igreja. Na verdade, a celebração do coração de Jesus é a contemplação do amor divino e humano que Jesus Cristo tem para com a Igreja, e para com cada um de nós que somos seus membros. Tudo em nossas relações com Cristo está permeado de amor; Ele nos amou por primeiro, e nos amou gratuitamente. Seu amor é um amor criativo, é um amor não merecido por nós, é um amor imotivado, porque Jesus não detecta nenhuma amabilidade em nós, que não seja, em nós, por Ele mesmo colocada. Tratamos de um amor tão apaixonante quanto desinteressado. Ninguém, absolutamente ninguém nos amou como Jesus nos ama; nem o marido mais tenro, nem a esposa mais dedicada, nem o filho mais afeiçoado. Ninguém, absolutamente, amou-nos com o amor humano e Divino, que hoje queremos contemplar no coração de Cristo. A solenidade de hoje presta-se muito mais à contemplação do que propriamente ao culto, embora o culto seja aprovado pela Igreja, e perfeitamente aceito. É melhor, no entanto, no dia de hoje, buscarmos um espaço mais ou menos grande de silêncio, para deixar que a contemplação do amor de Deus em Cristo para conosco penetre, como chuva fecunda, nosso próprio coração e Deus nos dê hoje, por graça, a capacidade de compreender como somos por Ele amados, em Seu próprio Filho, Jesus Cristo.

 

EM JESUS ENCONTRAMOS O VERDADEIRO DESCANSO
Padre Bantu Mendonça

Na primeira parte do Evangelho de hoje, temos uma breve oração de louvor de Jesus com a afirmação da união de conhecimento entre o Filho e o Pai. Cristo dá testemunho do Pai diante de todos. A vontade do Pai é que todos O acolham. Contudo, surge uma separação entre os “sábios e entendidos” e os “pequeninos”. Os sábios e entendidos são os autossuficientes das elites judaicas e os poderosos das cidades nos dias atuais. Estes estão bem instalados em seus privilégios e não querem mudanças. Os pequeninos são os pobres bem-aventurados, privados e carentes, em busca do socorro de Deus e ansiosos pela mudança do sistema de opressão. Completando a oração, Jesus afirma a Sua união de conhecimento com o Pai, que é a fonte da Sua revelação ao mundo. Em Deus, conhecer e amar são atitudes inseparáveis. A experiência missionária confirma que os pobres estão mais disponíveis para acolher as propostas do Reino para a transformação do mundo. Por isso, Jesus agradece a Deus, Seu Pai: “Ó Pai, Senhor do céu e da terra, eu te agradeço porque tens mostrado às pessoas sem instrução aquilo que escondeste dos sábios e dos instruídos! Sim, ó Pai, tu tiveste prazer em fazer isso”. Depois da Sua ação de graças com alegria, sabendo Jesus que o ser humano precisa de descanso, de repouso para repor as energias – necessita de descanso físico e também de descanso espiritual – nos convida: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde­ de coração, e vós encon­trareis descanso. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. Neste Evangelho, Jesus vem ao encontro da necessidade de descanso espiritual. Ele diz a cada um de nós: “Vinde, aprendei e encontrareis descanso”. Quando Jesus diz isso, Ele não não quer simplesmente mostrar “pena” ou compaixão humanas. O que Ele quer é mostrar-nos o Seu Pai. O que Jesus diz, então, é que a simples confiança n’Ele e a natural vivência nos parâmetros da Sua Lei – a Palavra de Deus – são fardos leves e gratificantes. Pela confiança n’Ele encontraremos a Deus e n’Ele descansaremos. O Senhor convida a todos que estão cansados e desorientados com as opções e soluções que o mundo oferece e que não dão verdadeiro alívio ou descanso. Mas, principalmente, Jesus convida a todos que sentem o peso do pecado sobre a sua vida, com todas as consequências que ele traz sobre cada um. O pecado nos causa sofrimento físico, culpa e cansaço mental. E tudo isso enche o nosso coração de medo, autopiedade, intranquilidade e desespero. Quantas noites não passamos aflitos por causa dos problemas da vida, quantas vezes não estamos desanimados, lutando com os sentimentos de culpa ou medo e contra a nossa vontade pecadora! Nessas horas, Jesus vem e nos diz: “Vinde a mim todos vós que estais cansados de lutar. Desabafai comigo os vossos problemas, dores, medos e erros. Eu farei cada carga vossa mais leve e trarei paz a vossas almas”. São palavras de amor, carinho e compaixão que Jesus dirige a cada um de nós. Por isso, meu irmão, se você está triste, desanimado, cansado da vida, com os seus problemas, tristezas e desânimo, com os seus desejos, planos e objetivos corra para Jesus e entregue a Ele toda a sua vida e, com ela, tudo o que lhe perturba. Vá a Jesus pela fé, crendo n’Ele como o seu Salvador pessoal e como o Senhor da sua vida. Aprenda com a Sua Palavra, que nos mostra como viver uma vida feliz e que tem sentido e direção, e você encontrará alívio e descanso, pois o que Ele quer para mim e para você é o verdadeiro descanso nesta vida. E descanso eterno com Ele no céu.

 

“Pôs-se Jesus a dizer: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e doutores e as revelastes aos pequeninos”. Os termos “céu e terra” – observa Santo Agostinho – designam toda a criação. Certamente o orgulho intelectual, frieza de coração e o fanatismo fecham o homem para as coisas de Deus e de seu Reino. O orgulho, aliás, é a raiz de todos os vícios e exerce grande influência sobre nós, impelindo-nos ao pecado. Jesus contrasta o orgulho com a atitude de uma criança em sua simplicidade e humildade. O simples de coração vê sem pretensões, reconhece sua dependência de Deus e nele confia. As vocações de Davi e de Jeremias são dois exemplos, entre tantos outros, da predileção de Deus pelos pequenos e simples ou, ainda, dos que normalmente estavam excluídos da herança eterna. Deus se opõe aos orgulhosos e dá sua graça aos humildes. “Fazer-se conhecer pelos simples – considera Teodoro de Eracléia – evidencia a graça de Deus”. Jesus rende graças ao Pai, porque diz ele: “Escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos” e, mais adiante, acrescenta: “Ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar”. O verbo conhecer tem aqui toda a sua força e deve ser entendido como exprimindo a comunhão tanto no pensar como no querer. A filiação de Jesus, não é um simples título, mas uma intimidade, uma comunhão total e perfeita com o Pai. E é nesta intimidade que os simples e pequeninos são introduzidos. O Evangelho de hoje nos convida a abrirmos o coração para Jesus, que, no dizer de São Gregório de Nazianzo, “se faz pobre; suporta a pobreza de minha carne para que eu alcance os tesouros de sua divindade. Ele tudo tem, de tudo se despoja; por um breve tempo se despoja mesmo de sua glória para que eu possa participar de sua plenitude”. Eis a maior riqueza que Jesus nos comunica, fazermos parte da glória, da vida íntima do Pai.

“Deus concedei-me a simplicidade de uma criança e a pureza da fé para poder contemplar vossa face e participar de vosso amor todo misericordioso. Removei toda dúvida, medo e orgulho do meu coração e dos meus pensamentos, para que eu possa receber vossa palavra com confiança e humilde submissão”.

 

Ano B – A celebração como tal não é antiga no calendário litúrgico, porém o que se celebra faz parte do centro do mistério cristão, porque nós nos centralizamos hoje no amor de Jesus Cristo, simbolicamente representado no seu Coração Divino-humano. Lemos uma parábola de Lucas contida no capítulo 15, versículos 3 a 7. “Se alguém de vós tiver uma ovelha perdida, não deixará por acaso, as noventa e nove no rebanho para ir ao encalço daquela que se havia perdido? Pois Eu vos afirmo: haverá mais alegria no céu por um só pecador que faça penitência, que por noventa e nove justos que não necessitem de penitência”. É bem o coração de Cristo que fala através desta parábola. Na verdade nenhum pastor de seu tempo e do nosso também, se importaria com a perda de uma ovelha sobre cem. De resto seria falta de responsabilidade ou imprudência, deixar noventa e nove ovelhas no redil e ir às montanhas e vales, buscar aquela que se havia perdido. Poderia ser facilmente substituída por outra. No entanto, Jesus deixa sorrateiramente o real e passa a afirmar que o coração do Pai e o Seu próprio coração são diferentes de nossos corações. Para Jesus Cristo, cada um de nós é uma pessoa única, inigualável, eternamente pensada e querida no seio da Trindade. Para cada pessoa individualmente considerada, Jesus estaria disposto a realizar novamente a sua Paixão caso fosse necessário. Ela, de resto, vem atualizada cada vez que nós participamos do sacrifício da Eucaristia. Em cada missa, cada um de nós se percebe objeto do inteiro Amor de Cristo. Pois Cristo, no ato de sua morte e sua ressurreição, na Sua maior intimidade se entrega a cada um de nós, como se nós fossemos únicos para Ele. É claro, não se deve levar ninguém, ao individualismo dentro da Igreja. Nós somos comunitários, mas dentro da comunidade, ou de um único redil, cada um de nós conta e é amado infinitamente por Jesus Cristo. Hoje celebramos e contemplamos maravilhados este Amor.

 

“Filho, dá-me teu coração”, faz-nos dizer o ofício divino de hoje. Nós desejamos hoje renovar a entrega de todo o nosso coração, quem sabe após lho ter roubado inúmeras vezes. Os escribas e fariseus se sentiram muito ofendidos porque Jesus os associava aos pecadores e os tratava gentilmente. Os fariseus tinham estabelecido regras rigorosas sobre como manterem -se distantes dos pecadores, pois caso contrário incorreriam em impurezas legais. Eles não lhes emprestavam dinheiro nem lhes pediam algo, não lhes davam uma filha em casamento, nem os convidavam como hóspedes. Eles se escandalizavam do modo como Jesus os acolhia, chegando mesmo a “comer com eles”. Jesus lhes responde contando uma parábola tirada da vida cotidiana. O tema de Deus como pastor do seu povo é bastante familiar a todos os judeus. No relato da ovelha perdida os verbos “buscar-encontrar” revelam, antes de tudo, a iniciativa do Pastor, constituindo um convite para todos os pastores da comunidade cristã. Fala de seu ministério junto aos “pequenos”. O Senhor não quer que nenhum deles se perca. Acolher ou escandalizar um único dentre eles tem importância aos olhos do Pai, porque Ele tem para com o menor dentre eles um amor salvador: chama cada um de nós “por seu nome” próprio, insubstituível. Tal idéia não conduz a um individualismo, mas muito pelo contrário, trata-se de reconduzir ao redil comum. A dor e a ansiedade do pastor e da dona de casa se transformam em alegria quando eles encontram a ovelha ou a dracma perdidas. Ambos procuram até terem encontrado o que tinham perdido e participam o contentamento com toda a comunidade. A novidade no ensinamento de Jesus era sua insistência de que os pecadores devem ser buscados e não meramente censurados ou lamentados. Deus não se regozija com a perda deles, mas deseja que sejam salvos e reconciliados com Ele. A mesma idéia é encontrada no Evangelho de São João, em que o Bom Pastor vela para que nenhum de seus discípulos se perca. Santo Efrém vê nestas palavras a atitude de Jesus que “vê os pecadores e os chama, e os faz sentarem-se ao seu lado, Espetáculo admirável: os anjos temem, por causa de sua grandeza, e os pecadores comem e bebem com Ele”. “Senhor, que vossa luz dissipe a escuridão de forma que aquele que se perdeu possa ser encontrado e restaurado. Que vossa luz brilhe através de mim para que outros possam ver vossa verdade e amor e encontrem esperança e paz em vós”.

Santa Margarida Maria Alacoque
Margarida Maria Alacoque (Verosvres, 22 de julho de 1647 – Paray-le-Monial, 17 de outubro de 1690) foi uma monja e mística católica francesa. Aos 23 anos, entrou na comunidade de Paray-le-Monial. Junto a Jean Eudes, é recordada principalmente por ter siso, coadjuvada pelo jesuíta Claude La Colombière, a iniciadora do culto ao Sagrado Coração de Jesus, cujos primeiros sinais datam de 1200-1300.
Margarida nasceu no dia da festa de Maria Madalena filha do tabelião Claude Alacoque e de Fhiliberte Lamyn, também filha de tabelião. Margarida tinha quatro irmãos, dois dos quais, de saúde frágil, morreram com cerca de vinte anos, Chrysostome, o mais velho, assumiu o papel de pai quando ele morrer, assim que Margarida tinha apenas oito anos, e o outro irmão tornou-se padre em Bois Sainte-Marie. Desde pequena, teve formação cristã, como muitos de seus coetâneos, mas viu na vida de devoção um estilo condizente à sua natureza. Aos oito anos, morreu o pai, e a mãe a enviou a um colégio das Clarissas. A vida religiosa a atraia e ela amava imitar as outras religiosas e sentia nascer em si um desejo sempre mais forte de solidão e de oração. Mais tarde, em 1669, quando tinha 22 anos, recebeu o Crisma, ocasião em que fez acrescentar a seu nome o nome de Maria.
Enfim, Margherita-Maria se decidiu a entrar em um mosteiro, embora a família a obrigasse a se casar. Ele mesma, no início, tentou ir ao encontro das expectativas de sua família, mas sem êxito. Ao tomar a decisão de se fazer religiosa, e diante da necessidade de prover a uma dote, necessária para ingressar no mosteiro, seus familiares escolheram seja a ordem com o mosteiro, optando pela ordem religiosa das Ursulinas. Margarida-Maria julgava mais condizente para si a ordem da Visitação, e enfim, conseguiu alcançar seu intento.

A Vigente de Paray-Le-Monial
Foi no mosteiro da Visitação de Paray-le-Monial, localidade entre Dijon e Lyon, que Margarida-Maria, após alguns anos de vida monástica, revelou-se vigente, e começou a ter as revelações de Jesus conhecidas entre os cristãos como “as grandes revelações do Sagrado Coração”. Em sua vida, foi muito provada por incompreensões, sobretudo por parte de seu ambiente monástico, e ela tinha muitas dificuldades em avaliar claramente estas visões: estava cheia de dúvidas e incompreensões e as maldades de que foi vítima não lhe ajudaram certamente a avaliar claramente suas revelações.

A Mensagem do Sagrado Coração a Margarida Maria (1675)
“Eis este Coração, que tanto amou os homens, que nunca se poupou, até consumir-se na tentativa de testemunhar-lhes o seu amor. Como reconhecimento, recebo da maior parte dos homens apenas ingratidões, irreverências e sacrilégios, junto ao desprezo e a frieza. Mas o que me parece mais doloroso é que, a tratar-me assim, sejam os corações que me foram consagrados. Por isso, pelo que na primeira sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento, seja dedicada uma festa especial para honrar o meu Coração. Naquele dia, te comungarás e tributarás uma emenda de honra, para reparar as indignidades que recebeu durante o período em que foi exposto nos altares. Te prometo também que meu Coração também se dilatará e derramará abundantes influxos de seu divino amor sobre aqueles que tributarão esta honra e farão com que seja tributada”.
As promessas feitas por Nosso Senhor a Santa Margarida para as pessoas devotas a seu Sagrado Coração; a comunhão reparadora das nove primeiras sextas-feiras.

Fonte: Agência Fides

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