Participar da Missa inteira aos Domingos e Dias Santos

… e abster-se de trabalho
Pe. Inácio José Schuster

O 1º Mandamento da Igreja Católica fala de participar da Missa inteira. O que significa Missa inteira? Alguns sacerdotes afirmam que é a partir da Liturgia da Palavra, outros que é a partir do Ato Penitencial, outros ainda desde o Sinal da Cruz.

Para responder a pergunta recorreremos ao Missal: Reunido o povo, enquanto entra o sacerdote com o diácono e os ministros, inicia-se o cântico de entrada. A finalidade deste cântico é dar início à celebração, favorecer a união dos fiéis reunidos e introduzi-los no mistério do tempo litúrgico ou da festa, e ao mesmo tempo acompanhar a procissão de entrada do sacerdote e dos ministros (IGMR, n. 39).

A segunda parte da frase define os dias que o católico tem o dever de participar da Missa, que são os dias de preceito e o domingo – Dia do Senhor. Os dias santos de guarda são aqueles dias, nos quais celebramos alguma solenidade católica que não coincide com o domingo, mas tem o mesmo valor deste. Esses dias são: Santa Maria Mãe de Deus, Epifania, São José, Ascensão de Jesus, Corpus Christi, São Pedro e São Paulo, Assunção de Maria, Todos os Santos, Imaculada Conceição e Natal.

No entanto, o Brasil recebeu uma dispensa para alguns desses dias e outras solenidades foram transferidas para o domingo, de modo que só celebramos como preceito os dias de Santa Maria Mãe de Deus (01/01), Corpus Christi (quinta-feira posterior à Solenidade da Santíssima Trindade), Imaculada Conceição (08/12) e Natal (25/12). Advirto, ainda, que Quarta-feira de Cinzas, Quinta-feira Santa e Sexta-feira Santa não estão entre esses dias. Todos aqueles dias são celebrados desde o dia anterior à tarde. Por isso, mesmo que a liturgia não seja aquela cujo preceito se celebra, essa Missa cumpre o dever cristão; realiza a “desobriga”, na linguagem popular antiga.

O último elemento, poucas vezes citado, é que o católico deve abster-se de alguns trabalhos nesse dia. Não significa fazer absolutamente nada, como pensam os judeus, mas dedicar o dia ao Senhor “se abstendo de trabalhos e negócios que possam impedir tal santificação desses dias” (CIC, n. 2042). Logo, se o trabalho prejudica o cumprimento do preceito, deve-se procurar outro meio de arrecadar o justo salário.

Tecnicamente, quem chega atrasado nessas Missas não deve comungar, e se saiu antes do término, está impedido da comunhão, até que se confesse. A comunhão, neste caso, não é um mérito ou congratulação por ter participado da Missa. O problema do recebimento da Eucaristia, aqui, insere-se no fato de cometer um pecado grave, devido descumprimento de uma lei canônica. Existem duas possibilidades de o fiel que chegou atrasado poder comungar. A primeira é que ele pode se comprometer a ir à Missa ainda naquele dia (ou no dia seguinte, se for Missa vespertina – celebrada no dia anterior) e, assim, cumprirá o preceito.

A segunda possibilidade é que o motivo do seu atraso é justificável. As justificativas podem ser motivos de doença, imprevistos etc. O critério para juízo, todavia, sempre será a consciência do fiel. Nas Missas feriais (durante a semana) não acontece a mesma coisa, pois o mandamento não as contempla. Embora haja quem proíba um fiel comungar quando chega atrasado à Missa, este não está impedido da mesma, pois não há pecado e nem haveria sacrilégio. Pensemos, para auxiliar, nas distribuições antes da Missa: entre os ritos aprovados da Igreja, tem um que só contém o rito da comunhão.

Quem busca a comunhão semanal deseja crescer na intimidade com Deus e receber maior número de graças. Porém, receberá graças muito maiores se participar inteiramente da Missa e com melhor preparação, sem atrasos indevidos. Preparemo-nos melhor para a Santa Missa, chegando mais cedo, rezando em silêncio e lendo anteriormente as leituras que serão proclamadas. Pois, seria muito triste se alguém procurasse uma ou outra atitude simplesmente por ser pecado ou norma. Estas posturas servem para nos ajudar a não desviar do foco que é Jesus, mas se o amamos verdadeiramente, devemos buscar dar-lhe sempre mais.

“Missa inteira” indica a presença corporal e a atenção; esta presença deve ser contínua, quer dizer, que dure do princípio ao fim da Missa, de sorte que não cumpriria o preceito aquele que omitir alguma parte “notável” da Missa. Dito de modo mais particular: 1) Não cumpre o preceito quem omite a consagração (por exemplo saindo fora) ainda que esteja presente todo o tempo antes e o todo tempo depois da consagração. 2) O que chega depois do ofertório. 3) O que chega na leitura do Evangelho, sai e volta imediatamente depois da comunhão. Nos casos anteriores, evidentemente, estou me referindo a uma ausência da Missa sem causa justificada; não é o caso dos enfermos que por um motivo ou outro devem sair da igreja por razão de sua enfermidade, ou os pais que o tem de fazer por seus filhos, etc. O que temos que meditar mais é o motivo pelo qual não se participou da Missa. Pode ser que a negligência pela qual se chegue tarde implique numa pouca valorização do Santo Sacrifício da Missa.

AO TERMINAR A MISSA, QUANDO É QUE POSSO SAIR?

* RITO FINAL
Conhecido como o Rito da Bênção, é o desfecho da Santa Eucaristia. Após os comunicados e avisos importantes a serem apresentados à comunidade é uma boa prática que a Equipe de Liturgia indique à Assembléia o compromisso da semana, baseada na liturgia que acaba de ser desenvolvida. Ao dar a bênção, o celebrante traça uma cruz sobre a Assembléia, e todos podem inclinar a cabeça. Existem outras fórmulas de bênçãos mais solenes, de acordo com a festa litúrgica. Eis, por exemplo, a bênção que o Missal Romano traz para o primeiro dia do ano:

CEL: Que Deus todo poderoso, fonte e origem de toda a bênção, vos conceda a sua graça, derrame sobre vós as suas bênçãos e vos guarde sãos e salvos todos os dias deste ano!
ASS: Amém!
CEL: Que vos conserve íntegros na fé, pacientes na esperança e perseverantes até o fim na caridade!
ASS: Amém!
CEL: Que Ele disponha na sua paz os vossos atos e vossos dias, atenda sempre vossas preces e vos conduza à vida eterna!
ASS: Amém!
CEL: A bênção de Deus todo poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo, desça sobre vós e permaneça para sempre!
ASS: Amém!

O celebrante pode também abençoar com outras palavras, de acordo com as circunstancias. Os franciscanos, por exemplo, utilizam muito a oração conforme Nm 6, 22-27, que diz: “O Senhor te abençoe e te guarde; o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti e te seja benigno; o Senhor mostre para ti a sua face e te conceda a paz”. Cada fiel deve se colocar pessoalmente sob aquela bênção, como seu nome e sua vida. Não saia da igreja antes da bênção final.

A Missa termina com a bênção e em seguida vem o canto final, que deve ser alegre, pois foi uma felicidade ter participado da Missa. E desejável também que a Assembléia só saia da igreja após a retirada do celebrante, acólitos e ministros. Exercite também o espírito de comunidade, conversando mais com seus irmãos. Ao chegar em casa, dê um abraço em todas as pessoas da sua família, saudando com “A Paz e Cristo”; mostre que você está em estado de graça, pois acaba de vir da Santa Eucaristia, que representa um encontro com o Senhor e com os irmãos em Cristo.

Fontes Bibliográficas: Missal Romano, co edição de Edições Paulinas e Editora Vozes, 1991
A Missa Parte por Parte, Padre Luiz Cechinato, Editora Vozes, 1993
Liturgia da Missa (Opúsculo), Edições Paulinas, 1979

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