Junho, o mês do Sagrado Coração de Jesus

O mês de junho é dedicado a este Sagrado Coração porque neste mês se celebra a festa do Coração de Jesus

Vitaliano Mattioli

“Vinde a mim todos vós que estais cansados e aflitos, e eu vos darei descanso” (Mt 11, 28).

Jesus pronunciou estas palavras no segundo ano da sua atividade apostólica. Depois do discurso na sinagoga de Cafarnaum sobre a instituição da Eucaristia, Jesus, num momento de profundo lirismo, nos abriu o seu coração indicando-o como nosso refúgio. Este coração foi aberto logo depois da sua morte: “Um soldado golpeou-lhe o lado com uma lança” (Jo 19, 34) para nos convidar a entrar e saborear as doçuras da ternura de Jesus. A devoção ao Sagrado Coração é muito antiga; iniciou desde o século XII. O mês de junho é dedicado a este Sagrado Coração porque neste mês se celebra a festa do Coração de Jesus (neste ano é o dia 7). Esta festa já se celebrava em várias dioceses do mundo (p.ex. na França desde o ano 1672). O Papa Pio IX a estendeu para toda a Igreja no dia 23 de agosto do ano 1856. Esta celebração é importante: conduz à essência do cristianismo, à pessoa de Jesus manifestado no mistério mais íntimo do seu ser. O coração na antiguidade foi sempre considerado como o centro vivo da pessoa, a sede dos sentimentos, dos afetos, do carinho. A Sagrada Escritura usou este símbolo para expressar o amor de Deus. Deus tem um coração grande: “Eu te amei com amor eterno, por isso conservei para ti o amor” (Jr 31, 3); “Deus é amor. Foi assim que o amor de Deus se manifestou entre nós: Deus enviou o seu Filho único ao mundo, para que tenhamos a vida por meio dele” (1Jo 4, 8-9). Assim Jesus se transforma em sinal, revelação, a presença entre nós do amor de Deus. Deus, enviando o seu Filho, materializou este seu amor. Jesus se apresenta como a “imagem (visível) do Deus invisível” (Cl 1, 15): “Ninguém jamais viu a Deus; o Filho único, que é Deus e está na intimidade do Pai, foi quem o deu a conhecer” (Jo 1, 18). Se o coração de Jesus é a manifestação do coração de Deus, para compreender Deus a única solução é entrar neste coração aberto de Jesus para descobrir a ternura de Deus Pai. Este é o convite que nos já apresentou Santo Agostinho: “A entrada é acessível: Cristo é a porta. Também pra você foi aberta a porta quando o lado de Jesus foi aberto com uma lança… Daqui escolhe para donde você possa entrar” (Discurso 311, 3,3). A ferida era a porta, agora aberta, o coração a meta, o santuário recôndito donde encontrar o amor e, por consequência, oferecer-se a ele. Se os Padres da Igreja (Justino, Ireneu, Cipriano, Ambrósio, Agostinho) nos apresentaram o coração de Jesus como a sede da ternura e do carinho de Deus Pai, Orígenes e outros teólogos (especialmente Pedro Damião e Pedro Canísio) nos apresentaram o mesmo Coração como a fonte da verdade e o santuário da eterna sabedoria. Não por nada Jesus no Oriente é chamado de Sofía, isto é ‘a sabedoria eterna de Deus’. Aproveitando o simbolismo do coração a intenção é prestar o culto à pessoa mesma de Cristo. São João Eudes (1601-1680) foi o primeiro apóstolo do culto aos Sagrados Corações de Jesus e de Maria. O convite de Jesus: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e aflitos, e eu vos darei descanso” manifesta todos os sentimentos de Jesus para conosco. Jesus compreende a nossa fraqueza e nos convida a entrar no seu coração, isto é, a recorrer a Ele, fonte de misericórdia, para encontrar um refúgio tranquilo e seguro. A religião se transforma em um ato de amor, num abandono confiado na ternura de Jesus-Deus. Assim a devoção ao Sagrado Coração de Jesus se manifesta como a raiz e o fundamento das outras devoções. Jesus nos convida a permanecer no seu amor: “Permanecei em mim… Permanecei no meu amor” (Jo 15, 4 e 9). Deste modo os dois corações: o nosso e o de Jesus se encontram e o nosso é transformado no coração de Jesus. Para celebrar o centenário desta festa, o Papa Pio XII escreveu uma Carta Encíclica, Haurietis Aquas (Sobre o culto do Sagrado Coração de Jesus, 15 de maio de 1956). Nesta o Papa diz: “À vista de tantos males que, hoje como nunca, transformaram profundamente os indivíduos, as famílias, as nações e o mundo inteiro, encontramos um remédio eficaz no culto augustíssimo do Coração de Jesus, para satisfazer as necessidades atuais da Igreja e do gênero humano” (n. 70). O mesmo Pio XII encorajou a consagração das famílias ao Sagrado Coração de Jesus. Em um discurso aos esposos (5 de junho de 1940), Ele assim falou: “Nas revelações plenas de amor… Nosso Senhor prometeu que ‘onde quer que a imagem deste Coração for exposta para ser honrada, ela ali atrairá toda sorte de bênçãos’. Confiantes na palavra divina, vós podeis portanto conservar em vossa moradia a imagem do Sagrado Coração com as honras que a Ele são devidas… Cumpre portanto que a imagem do Coração seja exposta e honrada na vossa casa. Exposta e honrada: isto quer dizer que esta imagem não deve somente velar sobre vosso repouso, em um quarto privado, mas ter tida lealmente em honra… Em uma palavra, o Sagrado Coração é honrado devidamente em uma casa, quando aí é por todos e por cada um reconhecido como Rei de amor; o que se exprime dizendo que a família foi a Ele consagrada. O Coração de Jesus se empenhou em cumular de graças especiais aqueles que em total modo se derem a Ele. Mas quem se consagra deve também cumprir as obrigações que derivam de tal ato. Longe portanto dela tudo o que contristaria o Sagrado Coração: prazeres perigosos, infidelidades, intemperança, revistas, a licença com a lei moral, qualquer forma de injustiça”. Assim o culto ao Sagrado Coração de Jesus se transforma em uma bênção para as famílias.

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