Santa Teresinha e a Eucaristia

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Teresinha sabia de cor o catecismo de sua época que trazia a pergunta: “Para que Jesus Cristo instituiu a Eucaristia”? E ela prontamente respondia: “primeiro, para continuar em nós o sacrifício oferecido na cruz; segundo, para permanecer corporalmente entre nós; terceiro, para ser alimento de nossas almas”. São estes os três aspectos do mistério eucarístico que a Igreja vem ensinando tradicionalmente: a missa, a presença real e a comunhão sacramental.

Pela definição do catecismo, Teresa tinha uma idéia clara do que é a missa: a missa é um sacrifício. Alude a esta realidade em duas poesias, uma dedicada expressamente à Eucaristia e outra escrita em louvor de Santa Cecília.

Na primeira canta: Derramaste teu sangue, mistério supremo! E segues para mim vivendo no altar.

Na outra é mais explícita: Em seu imenso amor se imola no altar O Verbo, Filho de Deus e Filho de Maria.

Seu apreço pela missa aumentará, sem dúvida, depois de ter lido no livro “Imitação de Cristo” (que aprenderá de cor) o seguinte comentário de Lamennais: “A missa, entre todas as ações do cristianismo, é a que mais glorifica a Deus e mais útil para a salvação dos homens”.

Está fora de discussão a grande estima de Teresa pelo sacrifício eucarístico. Seus pais iam cotidianamente à igreja para participar da Missa. Teresinha, ainda bem pequena, não quer privar-se de sua missa e espera o regresso de sua irmã Celina que lhe trará o pão bento da igreja: comê-lo com devoção representa “sua missa”.

O exemplo de seu pai Louis Martin é notável neste particular. Gravemente enferma aos 10 anos, observa que ele, para obter a cura de sua filhinha, encomenda uma novena de missas ao santuário parisiense de Nossa Senhora das Vitórias. Mais tarde, quando se curar, ela mandará celebrar missas pela conversão de Pranzini, seu primeiro filho espiritual. Seu amor pela missa jamais se esgotará. Por ocasião de sua tomada de véu manifestará sua alegria – e o agradece efusivamente – porque celebrou-se uma missa em sua intenção. E da mesma forma agirá quando, pouco antes de morrer, a Madre Priora encomendará missas para obter-lhe a cura.

O fervor com que Teresa participa da missa é tal que alguns dos acontecimentos espirituais mais importantes de sua vida giram em torno dela. Associa o fato de sua conversão à celebração da missa, pois ao contá-la, escreve: voltávamos da missa da meia-noite.

Tempos depois sentirá o forte chamado ao apostolado à vista de uma mão ensanguentada de Jesus crucificado. Isto ocorre ao final de uma missa da qual participara na catedral de São Pedro, no momento em que fechava o devocionário pelo qual acompanhara a celebração. Também sua inspiração para oferecer-se a si mesma como vítima de holocausto ao amor misericordioso a toma durante a missa da festa da Santíssima Trindade, no dia 9 de junho de 1895.

À questão: “Como Cristo se faz presente em nossos altares”?, eis a resposta de Teresa: “pelas palavras que o sacerdote pronuncia”. Não lhe falaram sobre a “epiclese”, isto é, o momento da atuação do Espírito Santo na consagração. Por isso ela escreve esta notável passagem: “Qual não é vossa humildade, ó divino Rei da Glória, submetendo-vos a todos os vossos sacerdotes, sem fazer qualquer distinção entre aqueles que vos amam e os que são – infelizmente! – mornos ou frios no vosso serviço… Vós desceis do céu a seu chamado; quer adiantem, quer atrasem a hora do Santo Sacrifício, estais sempre pronto…” (Or 20).

Quando termina a missa o Cristo não desaparece sob as espécies. Prossegue sua presença sacramental em nossos sacrários. Este é outro aspecto da Eucaristia que ela viveu intensamente.

A presença real
Teresa aprendeu que Jesus está presente em nossos altares. Diariamente fazia com seu papai a visita ao Santíssimo Sacramento, cada dia visitando uma nova igreja. Seu pai tem tanta fé na presença real que, frequentemente, ele chora emocionado de joelhos ante o sacrário. Este fato deixa Teresa impressionada e jamais o esquecerá. Gostava de “jogar flores aos passos de Deus” durante as procissões do Santíssimo. Por ocasião da festa de Corpus Christi, vai com suas companheiras ao monte do colégio interno que frequenta para colher abundantes flores que, no dia da festa, jogará quando passar a custódia. E ela se rejubila quando as rosas desfolhadas tocam a custódia que o sacerdote leva na procissão.

Isto tudo ocorre antes que ela se torne religiosa. No Carmelo sua devoção eucarística irá aumentar. Logo que ingressou no convento é conduzida ao coro, que – ela afirma – estava na penumbra pela presença do Santíssimo Sacramento exposto. E completa dizendo que declarara aos pés de Jesus Hóstia aquilo que viera fazer no Carmelo. Ao lado de Jesus Hóstia, junto ao sacrário, fará sua morada com muita frequência nos anos seguintes. Sua célebre poesia “Viver de amor” brotará de seu coração através de um impulso, durante os longos momentos de adoração do Santíssimo Sacramento exposto durante os três dias que reparam os excessos carnavalescos, antes do início da quaresma. Escreve o poema exatamente no dia 26 de fevereiro de 1895 (Poesias 17).

À Celina, que lhe escreve dando notícia – escandalizada – do abandono em que se encontra o sacrário de certo lugar recentemente visitado, Teresa responde: “Façamos de nosso coração um pequeno tabernáculo onde Jesus possa se esconder” (Cartas 108). Estimula, sempre que pode, a oração das pessoas diante do sacrário. Um grande número de suas poesias referem-se a este tema.

Além do mais, depois de permanecer algumas horas em adoração ante o Santíssimo exposto na vigília eucarística da Quinta-feira Santa, recebe o “primeiro anúncio da vinda do Esposo”, isto é, recebe um sinal de sua morte próxima com a primeira hemoptise. E há um gesto que ela fazia ocultamente e que talvez, em sua ingenuidade, resuma a excepcional piedade eucarística de Santa Teresinha: quando sabia não estar sendo observada ela se aproximava do sacrário e, tocando a pequena porta suavemente, perguntava: “Jesus, estás aí? Diga-me”.

A Comunhão
Sua primeira comunhão Teresa a chama de “primeiro beijo de Jesus em minha alma”. A página em que descreve esta experiência é realmente antológica. Só por isto nossa santa deveria ser proclamada pela Igreja como padroeira das crianças que fazem a primeira comunhão. Naquele dia ela recebe a graça de sua vocação religiosa. Depois deste dia suspira “pelo momento em que poderia recebê-lo pela segunda vez”.

Como àquela época não se permitia a comunhão diária, obteve permissão para fazer sua segunda comunhão na primavera. Nesse dia suas lágrimas escorreram novamente “com uma doçura inefável”. A partir deste dia seu desejo “de receber a Deus se fez cada vez maior” e obteve permissão para fazê-lo nas festas principais. No dia de sua Crisma tem “a felicidade de unir-se novamente a Jesus”. Ela ressalta em seus escritos que os dias mais importantes de sua vida são aqueles em que se lhe permitem comungar. Este desejo de comungar frequentemente vai acompanhá-la durante toda a vida. Há dois momentos muito significativos a este respeito: pouco depois do caso Pranzini, o confessor permite-lhe comungar quatro dias na semana e uma quinta vez quando ocorrer uma festa. Recordando este fato, escreve Teresa que seus olhos derramaram lágrimas muito doces, pois ela nunca se atrevera a pedir isto ao confessor.

Quando já religiosa a gripe se abate sobre a comunidade e só ela ficou de pé, recebe permissão para comungar diariamente. É o melhor presente que poderia receber: a comunhão diária.

Teresa suspirou a vida inteira para comungar diariamente. No dia 12 de junho de 1897 acontecia uma celebração de primeira comunhão na igreja de São Tiago. Ela encontrava-se muito enferma. Na véspera comenta, angustiada: “Amanhã não comungarei! E tantas meninas receberão a Deus”! Pouco antes de morrer profetizará que o Papa autorizaria a comunhão diária. Conta-se que o Papa Pio X, após ler uma carta de Teresa escrita a sua prima Maria sobre a sagrada comunhão, exclamou: “Oportuníssimo! Isto é oportuníssimo”. E por inspiração de Teresa assinaria o decreto sobre a comunhão diária.

Sua grande fé na presença de Jesus nas espécies eucarísticas motivava-lhe o desejo de ser sacerdote: “com que amor dar-te-ia às almas!”, exclama no Manuscrito B. E esta mesma fé a coloca diante da Virgem Maria para suplicar-lhe que ensine aos sacerdotes a tratar Jesus com a mesma delicadeza com que ela O envolvera nas fraldas. Essa mesma fé a impele a olhar atenciosamente o fundo do cálice, porque ela – Teresa – ali se refletia, precisamente onde estivera o Corpo e o Sangue de Cristo. Da mesma fora invejará os objetos que estão em contato com as espécies sacramentais. Sentir-se-á feliz por ser sacristã para poder ter um contato mais estreito com a Eucaristia. Igualmente está tão convencida da eficácia da comunhão que sua última comunhão nesta vida será oferecida pela conversão de um famoso apóstata, Jacinto Loyson.

Por fim, ama tanto a comunhão que, pouco antes de sua morte, ante uma pergunta das religiosas, sentencia: “Morrer de amor depois da comunhão é demasiada formosura para mim; as almas pequenas não poderão imitar isso”.

Ela que já sofrera da “doença do escrúpulo” pela qual as pessoas se afastam da Eucaristia por qualquer pecado venial, não hesitou em afirmar: “Quando o demônio consegue afastar uma pessoa da santa comunhão, ele já ganhou tudo… E Jesus chora!” (Carta 92).

Teresa é uma das almas mais eucarísticas da Igreja. Apesar de seu amor a Jesus Eucaristia, foi privada de recebê-los nos últimos meses de sua vida. Mas não se deixou abater. Para ela “tudo é graça”. Na verdade, seu grande sonho era ir mais além do que a comunhão na terra:

“Que será quando recebermos a comunhão na morada eterna do Rei dos céus?… Então, não veremos mais terminar nossa alegria!” (MA 60r).

Fonte: “Diccionario de Santa Teresa de Lisieux”, Ed. Monte Carmelo, Burgos, Espanha, 1997.
Verbetes: “Eucaristía” e “Comunión”. 
Tradução livre e resumida do original espanhol, não autorizada, para uso interno. 

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