Aspecto Social da Eucaristia

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho 

Há uma responsabilidade muito grande daquele que se aproxima da Comunhão eucarística. Jesus, com efeito, se intitulou o Pão da Vida, (Jo 6,48), mas vida em todo o sentido: daquele que O recebe e da vida social com os irmãos. Há em toda refeição um aspecto comunitário de suma importância. Na mesa da Eucaristia Jesus se une a cada um de maneira reduplicada, ou seja, como ele o declarou: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele” (Jo 6,56). Reúne, entretanto, nele todos os que o comungam. É o que, magnificamente, São Paulo escreveu: “Porque ainda que sendo muitos, um só povo e um só corpo somos, pois todos participamos de um só pão” (1 Cor 10,17) .

Deste modo, a Eucaristia é sinal vivo de unidade e amor que estreita o cristão com Cristo e com os irmãos. É, assim, penhor da graça que cada um necessita para que este amor seja forte, sincero, iluminando todos os atos do epígono do Redentor. Através da Eucaristia, Jesus, o Pão da Vida, deseja que todos formem um povo sempre agradável ao Pai numa dileção mútua fruto da convicção na veracidade das palavras do Mestre divino: “ Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes”. (Mt 25,40). Fortalecido pela energia espiritual da união com o Salvador, o batizado é capaz então de superar todas as rusgas no trato com o seu semelhante.

Como é triste, por vezes, se escutar de pais: quanto mais meu filho ou minha filha comunga mas intolerável se comporta em casa. É lamentável ouvir de esposos: quanto mais minha mulher ou meu marido comungam, mais agressivo se mostra. Tal contra testemunho é sumamente deletério. Com efeito, a Eucaristia é fonte da prática de todas as virtudes, sobretudo da caridade, da paciência, da humildade. Quem não age de acordo com Cristo recebido na comunhão demonstra não compreender a dimensão deste grande sacramento.

Adite-se que outro aspecto social da Eucaristia é que este sacramento é penhor da ventura perene no céu: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue terá a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6,54). Portanto, é arras de uma existência comunitária na Casa do Pai por toda a eternidade. A Comunhão é já uma parte do banquete de Cristo no Reino dos Céus do qual participarão todos os eleitos. Eis por que são milhares os que se santificam à luz desta concepção da comunhão maior envolvendo a todos os membros do Corpo Místico. Nem se deve esquecer que a Eucaristia é um memorial do que ocorreu no Calvário e Jesus morreu para todos: “Assim, todas as vezes que comeis desse pão e bebeis desse cálice lembrais a morte do Senhor, até que venha” (1 Cor 11,26).

Da mesa eucarística o cristão deve sair forte como um leão que vencerá todas as tentações do Maligno e manso como um cordeiro que tratará a todos com mansidão e doçura, mormente os que vivem sobre o mesmo teto ou convivem nos mesmos labores. Tolerância sobretudo com os que, consciente ou inconscientemente, vivem a irritar os outros. Cumpre, sempre, porém, ter alma eucarística e sem cessar dizer a Jesus: “Senhor, dá-nos sempre deste pão!” (Jo 6,34) Ele, de fato, asseverou: “Eu sou o pão da vida: aquele que vem a mim não terá fome, e aquele que crê em mim jamais terá sede” (Jo 6,35).

Deste modo, se continua a viver como os primeiros cristãos que “perseveravam na doutrina dos apóstolos, na reunião em comum, na fração do pão e nas orações” (At 2,42). Agiam assim não, porém, sem prolongar no dia a dia o sentido da Comunhão: “Partiam o pão nas casas e tomavam a comida com alegria e singeleza de coração” (At 2,46).

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