Divorciados Recasados e a Eucaristia

Quando um cristão casou validamente e depois de alguns anos de vida matrimonial se separou, o que deverá fazer?
De acordo com a Sagrada Escritura e a Doutrina da Igreja, não lhe é permitido novo casamento.
Mas, se casou novamente, como fica a sua situação perante Deus e a Igreja?
O divorciado recasado não deixa de ser católico. Se ele deseja amar sinceramente a Deus, Deus não o deixará abandonado.
Mas, se Deus não o abandona, o divorciado que casou novamente pode receber a comunhão?
Não. Não pode, porque a comunhão significa a plena comunhão do cristão com Cristo. No entanto, ao mesmo tempo em que comunga, o divorciado recasado desmente esta plena comunhão com a sua própria vida. Seria falta de coerência e a Igreja quer ajudá-lo a ser coerente.
Então, tudo está perdido?
Não. Não está. Os divorciados que casaram novamente continuam sendo católicos e pelo fato de serem batizados não ficam isentos de cumprir a sua missão. Eles têm outros meios para ajudá-los na sua caminhada para Deus. São: a palavra de Deus, a oração, o sacrifício e a caridade. Se são pais, têm a obrigação de dar aos filhos uma digna educação física, social, cultural, moral e religiosa.
No dia 25 de janeiro de 1997, o Papa João Paulo II dizia: “Os divorciados que voltam a casar são e continuam sendo membros da Igreja; ela os ama, está perto deles e sofre com a situação deles. Certamente, uma nova união, depois do divórcio, é uma desordem moral que contrasta com as exigências da fé, o que não exclui o empenho da oração, nem o testemunho ativo da caridade”.
Depois, afirmou: “Os divorciados que casam novamente não podem ser admitidos à Comunhão Eucarística e isto em virtude da autoridade do próprio Senhor”.
E termina dizendo: “Se sabem perseverar na oração, na penitência e no verdadeiro amor, aqueles que se encontram numa situação não conforme à vontade de Deus, podem obter d’Ele a salvação”.
Quando alguém está separado e não casou novamente, poderá comungar normalmente, se vive na graça de Deus. Não poderá receber a Comunhão o divorciado que casou novamente pelo civil ou, simplesmente, se uniu a outro cônjuge para viver maritalmente com ele. Seguidamente, chegam pessoas dizendo: “Olha, eu sou divorciado e casei novamente. Agora me dou muito bem com o atual cônjuge. Consultei pessoas católicas, incluindo sacerdotes, e eles me disseram que posso comungar”. Diante do fato, “eu não julgo ninguém” (Jo 8, 15).
No entanto, “lembra-te de como recebeste e ouviste a doutrina” (Ap 3, 3), pois, “eu vos digo: no dia do juízo os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido” (Mt 12, 26). Também dos conselhos que não foram dados de acordo com os ensinamentos da Igreja e da Sagrada Escritura. Recordamos que, se pessoas, incluindo sacerdotes, aconselharam divorciados recasados a comungar, o fizeram em nome próprio, porque esta não é a Doutrina da Igreja.
Será que eles não se tornarão corresponsáveis perante Deus, com os que comungam neste estado?
A Doutrina da Igreja e da Sagrada Escritura está expressa nas palavras do Papa, quando diz: “Os divorciados que casam novamente não podem ser admitidos à Comunhão Eucarística e isto em virtude da autoridade do próprio Senhor”.
O caminho para os divorciados recasados poderem comungar é o de viverem como irmãos. Sem ter relações conjugais.
É difícil?
É. Mas existem muitos casais que, por amor de Nosso Senhor, o fazem. E vivem muito felizes. Não disse Jesus: “Quem não carrega a sua cruz e não vem após mim, não pode ser meu discípulo?” (Lc 14, 27).
Os divorciados recasados, ainda que não possam comungar, são amados por Deus e podem e devem participar da missa, rezar, praticar a caridade e assim “podem obter a salvação”.
Manoel Luís Osório – http://srv-net.diariopopular.com.br/17_08_01/artigo.html

 

POR QUE NÃO PODEM CONFESSAR E COMUNGAR?
Padre Luciano Scampini, Sacerdote da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, da Arquidiocese de Campo Grande (MS)

A Sagrada Escritura começa pela criação do homem e da mulher, à imagem e semelhança de Deus (Gn 1, 26-27) e acaba pela visão das “núpcias do Cordeiro” (Ap 1, 7.9). O próprio Deus é o autor do matrimônio. O matrimônio foi elevado por Cristo à dignidade de sacramento: “os dois serão uma só carne (Ef 5, 31); “…casar-se… mas apenas no Senhor” (1Cor 7, 39). A Escritura diz que o matrimonio é a nova aliança de Cristo e da Igreja. O maior problema, o drama e a cruz que tocam diretamente os divorciados recasados é não poder ter acesso ao sacramento da Reconciliação – que prepararia e “abriria o caminho ao sacramento eucarístico” (Familiaris Consortio, FC 84) – e ao sacramento da Eucaristia, se viverem sexual e conjugalmente o seu segundo relacionamento não sacramental. A este ponto apresenta-se a pergunta espontânea: por que não podem receber estes dois sacramentos? O que os impede de receber os sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia? Segundo a FC são dois os argumentos ou motivos: o Doutrinário-teológico e o Pastoral.

1º ARGUMENTO
DOUTRINÁRIO-TEOLÓGICO

A Eucaristia comunica, realiza, faz, atua, alimenta, sustenta, santifica a nova, eterna, indissolúvel união e fiel aliança de Cristo com a Igreja (os fiéis). As palavras de Jesus: “Este cálice é a nova aliança em meu sangue que é derramado por vós…” (Lc 22, 20). O Matrimônio-sacramento também comunica, realiza, faz, atua, alimenta, sustenta, santifica a indissolúvel união e a fiel aliança de Cristo com os esposos, elementos estes essenciais do matrimônio-sacramento. De fato, desta indissolúvel união e fiel aliança nasce a família, primeira célula da Igreja. “Maridos amai vossas mulheres como Cristo amou a Igreja e por ela se entregou… (fidelidade até a morte). É grande este mistério; digo-o em relação a Cristo e à Igreja” (Ef 5, 25.32). Pela Eucaristia os esposos participam desta união indissolúvel e fiel aliança de Cristo com a Igreja. Aqui está o problema: a segunda união rompeu, contradiz esta união indissolúvel e fiel aliança dos esposos em Cristo realizada pelo matrimônio-sacramento. Não pode haver em Cristo duas alianças. A segunda união é ruptura, contradição destes dois elementos essenciais do matrimônio-sacramento. A Pastoral Familiar se baseia sobre dois princípios: o princípio da compaixão e da misericórdia e o princípio da verdade e da coerência. Os Padres do Sínodo colocaram bem claro a coexistência e a influência mútua dos dois princípios. Sendo eles igualmente importantes e complementares, os mesmos andam juntos, de tal forma que um não pode ser mais acentuado do que o outro. Deste modo a Igreja professa a própria fidelidade a Cristo reconhecendo o princípio da verdade: o matrimônio sacramento é indissolúvel e o princípio da compaixão e da misericórdia infinita acolhedora “igualmente importante. Baseando-se nestes dois princípios complementares, a Igreja não pode mais do que convidar os seus filhos, que se encontram nestas situações dolorosas, a aproximarem-se da misericórdia divina por outras vias, mas não pela via dos sacramentos, especialmente da Penitência e da Eucaristia, até que não tenham podido alcançar as condições requeridas. A Igreja, mãe misericordiosa, comporta-se nestes casos com espírito materno para com estes filhos, esforçando-se infatigavelmente por oferecer-lhes os meios de salvação, ou seja, o caminho espiritual-pastoral. A Igreja lembra que há múltiplas presenças de Cristo… A Eucaristia é o grande encontro com Jesus, mas não é o único. A Palavra de Deus, o sacrifício da Missa, a Adoração ao Santíssimo, a oração, as obras de penitência e da caridade podem e são outrossim encontros com Jesus.

2º ARGUMENTO
PASTORAL
Existe outra dificuldade para a recepção dos Sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia por parte dos divorciados recasados exposta pelo Papa: é a “razão pastoral”. “O respeito devido quer ao sacramento do matrimônio, quer aos próprios cônjuges e aos seus familiares, quer ainda à comunidade dos fiéis, proíbe os pastores, por qualquer motivo ou pretexto mesmo pastoral, de fazer, em favor dos divorciados que contraem nova união, cerimônia de qualquer gênero. Estas dariam a impressão de celebração de núpcias sacramentais válidas, e conseqüentemente induziriam em erro sobre a indissolubilidade do matrimônio contraído validamente”. Esta disposição da Igreja, porém, não impede que a mesma, como mãe carinhosa, tenha uma atitude pastoral materna. João Paulo II, de fato, na FC 84 ofereceu aos divorciados recasados a oportunidade de aproximar-se do Sacramento da Reconciliação – que abriria o caminho ao sacramento eucarístico – contanto que:
1. Sejam arrependidos de ter violado a indissolubilidade, que é o sinal da Aliança e da fidelidade a Cristo.
2. Sejam sinceramente dispostos a uma forma de vida não mais em contradição com a indissolubilidade do matrimônio.
3. Assumam a obrigação de viver em plena continência.
Não se deve esquecer, todavia, que a Igreja com firme confiança vê que, mesmo aqueles que se afastaram do mandamento do Senhor e vivem agora nesse estado, poderão obter de Deus a graça da conversão e da salvação, se perseverarem na oração, na penitência e na caridade.

O GRANDE VALOR DA COMUNHÃO ESPIRITUAL
A Comunhão Espiritual é um ato de desejo interior, consciencioso e sério, de receber a Sagrada Comunhão e, mais especificamente, de se unir ao Senhor. A Comunhão Espiritual pode ser feita por palavras ou por pensamentos interiores que levam a uma íntima união com Cristo, e Jesus não deixará de conceder as suas copiosas bênçãos. Nos dias de hoje se pode fazer com frequência a Comunhão Espiritual como desejo de maior união e intimidade com Deus, ao longo dos dias da nossa vida. A Comunhão Espiritual é e pode ser até o único meio de união e intimidade com Deus, por exemplo, para quem não guardou uma hora de jejum eucarístico, para quem vive numa situação de irregularidade perante a Igreja, ou até para quem pratica outra religião. A comunhão espiritual é o caminho para as pessoas que não podem recebê-lo sacramentalmente na missa, “mas podem recebê-lo espiritualmente” na Hora Santa ou quando entrar numa igreja ou quando estiver em casa ou no trabalho ou nas situações de dificuldade por que se passa na vida: “Senhor, que de Vós jamais me aparte” (Jo 6, 35), pois, “Quem come deste pão viverá eternamente” (Jo 6, 58). É bom cultivar o desejo da plena união com Cristo, por exemplo, através da prática da comunhão espiritual, recordada por João Paulo II e recomendada por santos mestres de vida espiritual (SC, 55). Uma visita ao Santíssimo Sacramento é uma boa oportunidade para se fazer uma Comunhão Espiritual (cf. universo católico-comunhão freqüente-comunhão espiritual).
a) Nos Documentos da Igreja. Um dos melhores meios para os divorciados recasados participar ativamente da comunidade cristã, é, segundo o ensinamento da Igreja, a Comunhão espiritual. Que o magistério reconheça a relação entre a graça e a Comunhão Espiritual se deduz especialmente do convite que a mesma Igreja faz aos divorciados recasados de unir-se a Cristo pela comunhão espiritual. Mais ainda: “Os fiéis devem ser ajudados na compreensão mais profunda do valor da participação ao sacrifício de Cristo na missa, da comunhão espiritual, da oração, da meditação da palavra de Deus, das obras de caridade e de justiça” (cf. Congregação para a Doutrina da Fé, Carta aos Bispos, 1994, n. 6). “A prática da comunhão espiritual, tão querida à tradição católica poderia e deveria ser em maior medida promovida e explicada, para ajudar os fiéis a melhor se comunicarem sacramentalmente quer para servir de verdadeiro conforto a quantos não podem receber a comunhão do Corpo e do Sangue de Cristo quer por várias razões. Pensamos que esta prática ajudaria as pessoas sozinhas, em particular os deficientes, os idosos, os presos e os refugiados. Conhecemos – afirmam os Bispos do Sínodo – a tristeza de quantos não podem ter acesso à comunhão sacramental devido a uma situação familiar não conforme com o mandamento do Senhor (cf. Mt 19, 3-9). Alguns divorciados que voltaram a casar aceitam com sofrimento não poder receber a comunhão sacramental e oferecem-no a Deus. Outros não compreendem esta restrição e vivem uma frustração interior. Reafirmamos que, mesmo se na irregularidade da sua situação (cf. CIC 2384), não estão excluídos da vida da Igreja. Pedimos-lhe que participem na Santa Missa dominical e que se dediquem assiduamente à escuta da palavra de Deus para que ela possa alimentar a sua vida de fé, de caridade e de partilha” (MENSAGEM DA XI ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA DO SÍNODO DOS BISPOS AO POVO DE DEUS. Cidade do Vaticano, 21 de outubro de 2005). A Exortação Apostólica pós-sinodal “Sacramentum caritatis” de 22 de fevereiro de 2007 confirma: “Mesmo quando não for possível abeirar-se da comunhão sacramental, a participação na Santa Missa permanece necessário, válida, significativa e frutuosa; neste caso, é bom cultivar o desejo da plena união com Cristo, por exemplo, através da prática da comunhão espiritual, recordada por João Paulo II (170) e recomendada por santos mestres de vida espiritual” (171) SC, 55).
b) Na teologia. É importante, segundo o Pe. G. Muraro redescobrir a doutrina do desejo do sacramento – através da Comunhão espiritual- para continuar a presença de Jesus na vida dos divorciados. Ele apela ao antigo princípio segundo o qual o caminho sacramental não esgota todos os caminhos da graça. O lugar teológico de referência para entender este caminho alternativo se encontra em Santo Tomás, aonde ele trata da comunhão espiritual. Segundo a explicação de Santo Tomás, a realidade do sacramento pode ser obtida antes da recepção ritual do mesmo sacramento, somente pelo fato que se deseja recebê-lo (cf. S. Tomás de Aquino, Summa Theologicae, III, q. 80,a, 4). O valor da Comunhão espiritual como caminho extrasacramentário da graça, encontra apoio no fato que a Igreja “com firme confiança crê que, mesmo aqueles que se afastaram do mandamento do Senhor e vivem agora neste estado, poderão obter de Deus a graça da conversão e da salvação, se perseverarem na oração, na penitência e na caridade FC 84” (cf. G. Muraro, I divorziati risposati nella comunitá cristiana, Cinisello Balsamo, Paoline,1994 in Sc. Catt. art. cit. 564-565). Dom Edvaldo, enfatizando o valor e o bem espiritual da Comunhão Espiritual, encoraja os casais em segunda união aconselhando a fazer a Comunhão Espiritual na Santa Missa, devidamente dispostos e desejosos de receber o Corpo de Cristo por uma oração sincera. Se sua fé e amor for tão intenso e apaixonado, é possível talvez que eles obtenham maior proveito espiritual do que aqueles que, por rotina e sem piedade alguma, recebem a sagrada hóstia em nossas celebrações sem nenhuma convicção e adequada preparação espiritual.

A ESPIRITUALIDADE DOS CASAIS EM SEGUNDA UNIÃO
A Igreja não quer discriminar e punir os casais em segunda união, mas quer oferecer-lhes um caminho espiritual – pastoral adaptado à sua situação. Este caminho espiritual- pastoral é apontado claramente pela “Familiaris Consortio”. Este caminho pode ser chamado e é de fato um caminho espiritual – pastoral, muito rico de frutos espirituais de vida cristã, mesmo que o “status permanente” de segunda união e sem retorno, seja uma situação “irregular”. A Exortação Apostólica “Familiaris Consortio”, 1981, de João Paulo II no n. 84 exorta os casais divorciados a participar de um caminho de vida cristã que deve consistir em: “ouvir a Palavra de Deus, a freqüentar o sacrifício da Missa, a perseverar na oração, a incrementar as obras de caridade e as iniciativas da comunidade em favor da justiça, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitência… que se resume em perseverarem na oração, na penitência e na caridade”. A Exortação Apostólica “Sacramentum caritatis”, 2007, de Bento XVI no n. 29 reafirma o convite a cultivar, quanto possível: “um estilo cristão de vida, através da participação da Santa Missa, ainda que sem receber a comunhão, da escuta da Palavra de Deus, da adoração eucarística, da oração, da cooperação na vida comunitária, do diálogo franco com um sacerdote ou mestre de vida espiritual, da dedicação ao serviço da caridade, das obras de penitência, do empenho na educação dos filhos”.
1. A comunhão com a Palavra de Deus
Escutar é algo mais que ouvir. É atender ao que se diz. É ir assimilando e tornando pessoal o que foi dito. É algo ativo, não passivo. É uma abertura a Deus que a eles dirige a Sua Palavra. Através de Isaías ou de Paulo fala-lhes, aqui e agora. Umas vezes esta Palavra os consola e os anima. Outras vezes julga suas atitudes e desautoriza seu estilo de vida, convidando-os à conversão. Sempre os ilumina, os estimula e os alimenta. A Palavra que Deus lhes dirige é, sobretudo uma pessoa: o Seu Verbo, a Sua Palavra, Jesus Cristo. Ele não se dá só no Pão e no Vinho, mas está realmente presente na Palavra que nos é proclamada e que escutamos. Também a nós o Pai continua a dizer: “Este é o meu Filho muito amado: escutai-O”. A leitura da sagrada Escritura acompanhada pela oração estabelece um colóquio de familiaridade entre Deus e o homem, pois a Ele falamos quando rezamos, a Ele ouvimos quando lemos os divinos oráculos” (DV 25). Este colóquio torna-se mais intenso pela “Lectio divina”, ou seja pela leitura meditada da Bíblia, que se prolonga na oração contemplativa. A Lectio é divina, porque se lê a Deus na sua Palavra e com o seu Espírito, pode ajudar os casais em 2ª União na consecução de uma grande familiaridade não só com a Palavra, mas com o mesmo Deus.
2. A visita e a adoração ao Santíssimo Sacramento
Jesus, sendo vivo e presente no Sacrário, pode ser visitado e adorado. Ele espera, ouve, conforta, anima, sustenta e cura. Por conseguinte, a visita e a adoração ao Santíssimo é um verdadeiro e íntimo encontro entre o visitante e o visitado que é Jesus. A visita e a adoração são uma escolha pessoal do visitante, e, acima de tudo, um ato de amor para com o visitado. A simples visita ao Santíssimo transforma-se em adoração, que é o ponto mais alto deste encontro. Os casais em segunda união são chamados e convidados a serem os adoradores do Santíssimo através da prática tradicional da Hora santa, que muito os ajudará na espiritualidade, seja do grupo como também do próprio casal. A prática freqüente da Hora Santa não é um opcional, por isto não se pode deixar facilmente de lado, pois ela é necessária para a perseverança.
3. A visita a Maria Santíssima: um conforto para o seu povo
Se o próprio Jesus moribundo na cruz deu Maria como mãe ao discípulo: “Mulher, eis aí teu filho” e a você discípulo como mãe: “eis aí, tua mãe!” (Jo 19, 26-27), é bom e recomendável que o casal em segunda união não tenha medo em fazer esta visita de carinho para receber conforto, força e consolação de sua mãe. Esta visita pode ser feita numa capela dedicada á Maria ou em casa junto com a família ou na intimidade do seu quarto. Pensando nisso, é bom e confortável que o casal em segunda união não esqueça de visitar, quantas vezes puder, Maria Santíssima. Visitar Maria, a mãe de Jesus, é ir ao seu encontro sem reservas, é entregar-se de coração a um coração que não tem limites para amar. Nossa Senhora em Medjugorje disse aos videntes e a nós seus filhos: “Se soubésseis quanto vos amo choraríeis de alegria”. Maria nos ama muito, como filhos queridos. O que ela mais deseja é ver seus filhos deixar-se AMAR POR ELA. O seu desejo é o de seu Filho… salvar a todos. Maria nos espera todos os dias, e ela sabe que quanto mais perto estivermos dela, mais perto ficaremos de Jesus, pois a sua meta é levarmos a Jesus.
4. Perseverança na Oração
O Casal em segunda união é convidado a perseverar na oração. A oração pode ser pessoal, pode ser oração como casal, ou como oração da família com os filhos, ou oração comunitária com os outros casais ou com outros fieis.
5. Participação nas Celebrações Penitenciais Comunitárias
A “Familiaris Consortio” 84, o Diretório da CEI e o Diretório da Pastoral Familiar da CNBB pedem que os casais em segunda união façam “atos de penitência”. Um deles é certamente a Celebração da Penitência.
6. Participação da Santa Missa: um encontro de amor
O casal de segunda união, como todo bom cristão, considerando este amor infinito de Jesus, deve participar da Santa Missa com amor fervoroso, de modo particular no momento da consagração, pois é neste momento que Jesus é vivo e presente. Bento XVI em recente discurso ao clero de Aosta IT valoriza a participação dos casais recasados da Missa mesmo sem a comunhão eucarística. A esse respeito o Papa fez este lindo e confortável comentário: Uma Eucaristia sem a comunhão eucarística não é certamente completa, pois lhe falta algo essencial. Todavia, é também verdade que participar na Eucaristia sem a comunhão eucarística não é igual a nada, é sempre um estar envolvido no mistério da Cruz e da ressurreição de Cristo. É sempre uma participação no grande Sacramento, na dimensão espiritual, pneumática, e também, eclesial, se não estreitamente sacramental. E dado que é o Sacramento da Paixão de Cristo, Cristo sofredor abraça de modo particular estas pessoas e comunica-se com elas de outra forma; portanto elas podem sentir-se abraçadas pelo Senhor crucificado que cai por terra e sofre por elas e com elas. Por conseguinte, é necessário fazer compreender que mesmo que, infelizmente, falte uma dimensão fundamental, todavia tais pessoas não devem ser excluídas do grande mistério da Eucaristia, do amor de Cristo aqui presente. Isto parece-me importante, como é importante que o pároco e a comunidade paroquial levem tais pessoas a sentir que, por um lado, devemos respeitar a indissolubilidade do sacramento e, por outro, amamos as pessoas que sofrem também por nós. E devemos também sofrer juntamente com elas, porque dão um testemunho importante, afim de que saibam que no momento em que se cede por amor, se comete injustiça ao próprio Sacramento, e a indissolubilidade parece cada vez mais menos verdadeira”. O mesmo Papa ainda recorda que o sofrimento faz parte da vida humana e no caso dos casais em segunda união é “um sofrimento nobre”. O sofrimento é considerado, de uma certa maneira, como o oitavo sacramento.
7. O toque a Jesus Eucarístico
O toque eucarístico é um ato de adoração. Pelo toque os casais em segunda união proclamam: nós Vos amamos, nós Vos adoramos, nós confiamos em Vós, nós cremos em Vós, não queremos nos separar de Vós: “Nós o amamos porque Deus nos amou primeiro” (1Jo 4, 19) e confia “ao Senhor a nossa sorte, esperamos nele, e ele agirá (cf. Sl 30, 5). É um ato de fé, de louvor: nós queremos Vos louvar com todo o nosso ser com toda a nossa alma, como Tomé, após a conversão: “meu Senhor e meu Deus” e “para mim a felicidade é me aproximar de Deus, é pôr minha confiança no Senhor Deus, a fim de narrar suas maravilhas” (Sl 72, 28). É um toque pelo qual Jesus fala através das mãos que se dão: Por que vocês tem medo? Nada é impossível para Deus. Eu vos amo. Eu sou o vosso melhor amigo, pode confiar em mim. Por vocês dei e vos dou a minha vida: “Nisto temos conhecido o amor: Jesus deu sua vida por nós” (1Jo 3, 16). Cheguem perto, fiquem sempre juntinho de mim. “Permanecei no meu amor” (Jo 15, 9). Ninguém vos ama como eu. Olhem para mim bem nos meus olhos. Mergulhem no meu coração.
8. A comunhão espiritual
Outros meios que auxiliam os casais em segunda união viver o caminho espiritual- pastoral:
1. Formação Pessoal e de Casal. É necessário para eles, como para todos os casais, uma formação pessoal e uma formação como casal, podendo participar da formação e da catequese que a paróquia ou outra realidade propõe para todos.
2. Grupos de Oração. O Casal em segunda união tem a possibilidade de participar de grupos de famílias e de grupos de oração para a sua formação, como também para se ajudar mutuamente.
3. Obras de Caridade. O Casal em segunda união, como todo cristão, deve empenhar-se nas obras de caridade organizadas pela paróquia ou por outras entidades, como voluntários… lembrando-se que “a caridade cobre uma multidão dos pecados” (1Pd 4, 8).
4. Praticar a Justiça. O Casal em segunda união pode e deve participar das iniciativas em favor da justiça.
5. Diálogo em família. O Casal em segunda união como família procure viver o diálogo com os vários membros para que haja paz e colaboração; aceite fazer a vontade de Deus, sobretudo quando ela é difícil ou quando o sofrimento bater à sua porta; abra o seu coração aos parentes e aos vizinhos, aos colegas… especialmente em necessidade.
6. Viver no cotidiano a vida cristã. O Casal em segunda união procure viver de maneira cristã a vida cotidiana no trabalho, em casa, no relacionamento com os vizinhos e com a sociedade: este é o caminho que os aproxima da salvação.
7. Um caminho espiritual valorizando a família. O caminho de vida espiritual, comum a todos os casais, levará certamente o casal em segunda união a valorizar a importância da família também para o bem da sociedade; a valorizar a própria casa como lugar aonde se constrói o Reino de Deus e se opera o bem imitando a família de Nazaré.
8. O perdão família.

Nenhum comentário ainda

Comentários desativados

Desenvolvido por Origy Networks – Criação de sites e propaganda