IX Domingo do Tempo Comum – Ano B

CIC 345-349, 582, 2168-2173: o Dia do Senhor
A HOMILIA E O CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – ANO B

345 O Sábado – fim da obra dos «seis dias». O texto sagrado diz que «Deus concluiu, no sétimo dia, a obra que fizera» e que assim «se completaram o céu e a terra»; e no sétimo dia Deus «descansou» e santificou e abençoou este dia (Gn 2, 1-3). Estas palavras inspiradas são ricas de salutares ensinamentos:

346 Na criação, Deus estabeleceu uma base e leis que permanecem estáveis1, sobre as quais o crente pode apoiar‑se com confiança, e que serão para ele sinal e garantia da fidelidade inquebrantável da Aliança divina2. Por seu lado, o homem deve manter-se fiel a esta base e respeitar as leis que o Criador nela inscreveu.

347 A criação foi feita em vista do Sábado e, portanto, do culto e da adoração de Deus. O culto está inscrito na ordem da criação3. «Operi Dei nihil preponatur – Nada se anteponha à obra de Deus (ao culto divino)» – diz a Regra de São Bento4, indicando assim a justa ordem das preocupações humanas.

348 O Sábado está no coração da Lei de Israel. Guardar os Mandamentos é corresponder à sabedoria e vontade de Deus, expressas na sua obra da criação.

349 O oitavo dia. Mas para nós, um dia novo surgiu: o dia da Ressurreição de Cristo. O sétimo dia acaba a primeira criação. O oitavo dia começa a nova criação. A obra da criação culmina, assim, na obra maior da Redenção. A primeira criação encontrou o seu sentido e cume na nova criação em Cristo, cujo esplendor ultrapassa o da primeira5.

582 Indo mais longe, Jesus cumpriu a lei sobre a pureza dos alimentos, tão importante na vida quotidiana judaica, explicando o seu sentido «pedagógico»6 por uma interpretação divina: «Não há nada fora do homem que, ao entrar nele, o possa tornar impuro […] – e assim declarava puros todos os alimentos – […].
O que sai do homem é que o torna impuro. Pois, do interior do coração dos homens é que saem os pensamentos perversos» (Mc 7, 18-21). Proporcionando, com autoridade divina, a interpretação definitiva da Lei, Jesus colocou-Se numa situação de confronto com certos doutores da Lei, que não aceitavam a sua interpretação, muito embora garantida pelos sinais divinos que a acompanhavam7.
Isto vale sobretudo para a questão do sábado: Jesus lembra, e muitas vezes com argumentos rabínicos8, que o repouso sabático não é violado pelo serviço de Deus9 ou do próximo10, que as suas curas realizam.

1 Cf. Heb 4, 3-4.
2 Cf. Jr 31, 35-37; 33, 19-26.
3 Cf. Gn 1, 14.
4 São Bento, Regula, 43, 3: CSEL 75, 106 (PL 66, 675).
5 Cf. Vigília Pascal, oração depois da primeira leitura: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 276 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, p. 304].
6 Cf. Gl 3, 24.
7 Cf. Jo 5, 36; 10, 25.37-38; 12, 37.

2168 O terceiro mandamento do Decálogo refere-se à santificação do sábado: «O sétimo dia é um sábado; um descanso completo consagrado ao Senhor» (Ex 31, 15).

2169 A Escritura faz, a este propósito, memória da criação: «Porque em seis dias o Senhor fez o céu e a terra, o mar e tudo o que nele se encontra, mas ao sétimo dia descansou. Eis porque o Senhor abençoou o dia do sábado e o santificou» (Ex 20, 11).

2170 A Escritura vê também, no dia do Senhor, o memorial da libertação de Israel da escravidão do Egito: «Recorda-te de que foste escravo no país do Egito, de onde o Senhor, teu Deus, te fez sair com mão forte e braço poderoso. É por isso que o Senhor, teu Deus, te ordenou que guardasses o dia de sábado» (Dt 5, 15).

2171 Deus confiou a Israel o sábado, para ele o guardar em sinal da Aliança inviolável11. O sábado é para o Senhor, santamente reservado ao louvor de Deus, da sua obra criadora e das suas ações salvíficas a favor de Israel.

2172 O agir de Deus é o modelo do agir humano. Se Deus «descansou» no sétimo dia (Ex 31, 17), o homem deve também «descansar» e deixar que os outros, sobretudo os pobres, «tomem fôlego»12. O sábado faz cessar os trabalhos
quotidianos e concede uma folga. É um dia de protesto contra as servidões do trabalho e o culto do dinheiro13.

2173 O Evangelho relata numerosos incidentes em que Jesus é acusado de violar a lei do sábado. Mas Jesus nunca viola a santidade deste dia14. É com autoridade que Ele dá a sua interpretação autêntica desta lei: «O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado» (Mc 2, 27). Cheio de compaixão, Cristo autoriza-Se, em dia de sábado, a fazer o bem em vez do mal, a salvar uma vida antes que perdê-la15. O sábado é o dia do Senhor das misericórdias e da honra de Deus16. «O Filho do Homem é Senhor do próprio sábado» (Mc 2, 28).

CIC 1005-1014, 1470, 1681-1683: viver e morrer em Cristo
1005 Para ressuscitar com Cristo, temos de morrer com Cristo, temos «de nos exilar do corpo para habitarmos junto do Senhor» (2 Cor 5, 8). Nesta «partida»17 que é a morte, a alma é separada do corpo. Voltará a juntar-se-lhe no dia da ressurreição dos mortos18.

8 Cf. Mc 2, 25-27; Jo 7, 22-24.
9 Cf. Mt 12, 5; Nm 28, 9.
10 Cf. Lc 13, 15-16; 14, 3-4.
11 Cf. Ex 31, 16.
12 Cf. Ex 23, 12.
13 Cf. Ne 13, 15-22; 2 Cr 36, 21.
14 Cf. Mc 1, 21; Jo 9, 16.
15 Cf. Mc 3, 4.
16 Cf. Mt 12, 5; Jo 7, 23.
17 Cf. Fl 1, 23.

1006 «É em face da morte que o enigma da condição humana mais se adensa»19. Num certo sentido, a morte do corpo é natural; mas sabemos pela fé que a morte é, de fato, «salário do pecado» (Rm 6, 23)20. E para aqueles que morrem na graça de Cristo, é uma participação na morte do Senhor, a fim de poder participar na sua ressurreição21.

1007 A morte é o termo da vida terrena. As nossas vidas são medidas pelo tempo no decurso do qual nós mudamos e envelhecemos. E como acontece com todos os seres vivos da terra, a morte surge como o fim normal da vida. Este aspecto da morte confere uma urgência às nossas vidas: a lembrança da nossa condição de mortais também serve para nos lembrar de que temos um tempo limitado para realizar a nossa vida: «Lembra-te do teu Criador nos dias da mocidade […], antes que o pó regresse à terra, donde veio, e o espírito volte para Deus que o concedeu» (Ecl 12, 1.7).

1008 A morte é consequência do pecado. Intérprete autêntico das afirmações da Sagrada Escritura22 e da Tradição, o Magistério da Igreja ensina que a morte entrou no mundo por causa do pecado do homem23. Embora o homem possuísse uma natureza mortal, Deus destinava-o a não morrer. A morte foi, portanto, contrária aos desígnios de Deus Criador e entrou no mundo como consequência do pecado24. «A morte corporal, de que o homem estaria isento se não tivesse pecado»25, é, pois, «o último inimigo» (1 Cor 15, 26) do homem a ter de ser vencido.

1009 A morte é transformada por Cristo. Jesus, Filho de Deus, também sofreu a morte, própria da condição humana. Mas apesar da repugnância que sentiu perante ela26, assumiu-a num acto de submissão total e livre à vontade do Pai. A obediência de Jesus transformou em bênção a maldição da morte27.

1010 Graças a Cristo, a morte cristã tem um sentido positivo. «Para mim, viver é Cristo e morrer é lucro» (Fl 1, 21). «É digna de fé esta palavra: se tivermos morrido com Cristo, também com Ele viveremos» (2Tm 2, 11). A novidade essencial da morte cristã está nisto: pelo Batismo, o cristão já «morreu com Cristo» sacramentalmente para viver uma vida nova; se morremos na graça de Cristo, a morte física consuma este «morrer com Cristo» e completa assim a nossa incorporação n’Ele, no seu ato redentor: «É bom para mim morrer em (eis) Cristo Jesus, mais do que reinar dum extremo ao outro da terra. É a Ele que eu procuro, Ele que morreu por nós; é a Ele que eu quero, Ele que ressuscitou para nós. Estou prestes a nascer […]. Deixai-me receber a luz pura; quando lá tiver chegado, serei um homem»28.

18 Cf. Paulo VI, Sollemnis Professio fidei, 28: AAS 60 (1968) 444.
19 II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 18: AAS 58 (1966) 1038.
20 Cf. Gn 2, 17.
21 Cf. Rm 6, 3-9; Fl 3, 10-11.
22 Cf. Gn 2, 17; 3, 3.19; Sb 1, 13; Rm 5, 12; 6, 23.
23 Cf. Concílio de Trento, Sess. 5ª, Decr. de peccato originali, can 1: DS 1511.
24 Cf. Sb 2, 23-24.
25 II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 18: AAS 58 (1966) 1038.
26 Cf. Mc 14, 33-34; Heb 5, 7-8.
27 Cf. Rm 5, 19-21.

1011 Na morte, Deus chama o homem a Si. É por isso que o cristão pode experimentar, em relação à morte, um desejo semelhante ao de São Paulo: «Desejaria partir e estar com Cristo» (Fl 1, 23). E pode transformar a sua própria morte num ato de obediência e amor para com o Pai, a exemplo de Cristo29: «O meu desejo terreno foi crucificado; […] há em mim uma água viva que dentro de mim murmura e diz:
“Vem para o Pai”»30.
«Ansiosa por verte, desejo morrer»31.
«Eu não morro, entro na vida»32.

1012 A visão cristã da morte33 é expressa de modo privilegiado na liturgia da Igreja: «Para os que crêem em Vós, Senhor, a vida não acaba, apenas se transforma; e, desfeita a morada deste exílio terrestre, adquirimos no céu uma habitação eterna»34.

1013 A morte é o fim da peregrinação terrena do homem, do tempo de graça e misericórdia que Deus lhe oferece para realizar a sua vida terrena segundo o plano divino e para decidir o seu destino último. Quando acabar «a nossa vida
sobre a terra, que é só uma»35, não voltaremos a outras vidas terrenas. «Os homens morrem um só vez» (Heb 9, 27). Não existe «reencarnação» depois da morte.

1014 A Igreja exorta-nos a prepararmo-nos para a hora da nossa morte («Duma morte repentina e imprevista, livrai-nos, Senhor»: antiga Ladainha dos Santos), a pedirmos à Mãe de Deus que rogue por nós «na hora da nossa morte» (Oração da Ave-Maria) e a confiarmo-nos a São José, padroeiro da boa morte: «Em todos os teus atos, em todos os teus pensamentos, havias de te comportar como se devesses morrer hoje. Se tivesses boa consciência, não terias grande receio da morte. Mais vale acautelares‑te do pecado do que fugir da morte. Se hoje não estás preparado, como o estarás amanhã?»36.
«Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã a morte corporal, à qual nenhum homem vivo pode escapar. Ai daqueles que morrem em pecado mortal! Bem-aventurados os que ela encontrar a cumprir as tuas santíssimas vontades, porque a segunda morte não lhes fará mal»37.

28 Santo Inácio de Antioquia, Epistula ad Romanos 6, 1-2: SC 10bis, 114 (Funk 1, 258-260).
29 Cf. Lc 23, 46.
30 Santo Inácio de Antioquia, Epistula ad Romanos 7, 2: SC 10bis, 116 (Funk 1, 260).
31 Santa Teresa de Jesus, Poesía, 7: Biblioteca Mística Carmelitana, v. 6 (Burgos 1919) p. 86; [Santa Teresa de Ávila, Seta de Fogo (Lisboa, Assírio & Alvim 1989) p. 31].
32 Santa Teresa do Menino Jesus, Lettre (9 de Junho de 1897): Correspondence Générale, v. 2 (Paris 1973) p. 1015 [Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face, Obras Completas (Paço de Arcos, Edições do Carmelo 1996) p. 622].
33 Cf. 1 Ts 4, 13-14.
34 Prefácio dos Defuntos I: Missale Romanum, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970), p. 439 [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, 509].
35 II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 48: AAS 57 (1965) 54.
36 Imitação de Cristo 1, 23, 5-8: ed. T. Lupo (Città del vaticano 1982) p. 70.
37 São Francisco de Assis, Cântico das criaturas: Opuscula sancti Patris Francisci Assisiensis, ed. C. Esser (Grottaferrata 1978) p. 85-86 [Cf. Fontes Franciscanas, I (Braga, Editorial Franciscana, 1984) p. 78].
38 Cf. 1 Cor 5, 11; Gl 5, 19-21; Ap 22, 15.
39 Cf. 2 Cor 5, 8.
40 Cf. 1 Cor 15, 42-44.

O Filho do Homem é Senhor do sábado
Padre Bantu Mendonça

Os diversos conflitos de Jesus com os fariseus e demais líderes religiosos de Israel refletem o distanciamento do Senhor em relação à instituição religiosa do Judaísmo. Todavia, Cristo não suprime explicitamente a lei do sábado, tendo em vista que, em dia de sábado, visitava a sinagoga e aproveitava a ocasião para anunciar o Evangelho. Só que de modo mais violento do que os profetas, Ele atacava o rigorismo formalista dos fariseus e dos mestres da Lei: “O sábado está feito para o homem e não o homem para o sábado”.

Para o Senhor Jesus o dever da caridade é anterior à observância material do repouso. Por isso, Ele fez várias curas em dia de sábado, obras proibidas neste dia. Ademais, o Senhor se atribuiu poder sobre o sábado: “o Filho do Homem é Senhor do sábado”. Quer dizer, o dono do sábado e sendo dono tem autoridade sobre o sábado.

Essa nova maneira de observar o sábado se chocou violentamente com a mentalidade legalista dos fariseus. E essa era uma das acusações graves que eles faziam contra Jesus. Mas o Senhor estava consciente de que, fazendo o bem no dia de sábado, imitava Seu Pai, o qual, tendo repousado no sétimo dia, no final da criação, continua governando o mundo e vivificando os homens: “Meu Pai trabalhou até agora, e eu também trabalho”.

Assumindo o cultivo da vida como tarefa prioritária, Jesus se proclama o Senhor do sábado. E afirma Sua autoridade em suprimir as observâncias legais, de forma a favorecer a libertação das pessoas e a primazia do amor e da vida.

A atitude de Jesus diante desse dia [sábado] nos ensina que Ele agiu com liberdade de espírito com relação a essa lei e nunca considerou a observância do sábado como algo essencial em Sua pregação. Isso era algo menos importante para Ele.

Jesus Cristo disse claramente que não veio para suprimir a Lei, mas para dar-lhe seu verdadeiro significado. Veio dar à Lei um caráter misericordioso, compassivo, características próprias de Deus. Este dia de sábado não é para semear a morte, mas a vida. Não é para condenar, mas libertar. Para fazer o bem e não o mal. Qual sentido você tem dado ao sábado cristão?

Alguém poderia perguntar: Se Jesus observou o sábado por que nós cristãos não o observamos? A razão para optar pelo dia de domingo procede da Ressurreição do Senhor. Os quatro evangelistas concordam que a Ressurreição de Cristo aconteceu no primeiro dia da semana, que corresponde ao domingo atual (cf. Mt 28,1; Mc 16,2; Lc 24,1; Jo 20,1 e 19).

O fato de a Ressurreição de Cristo ser no dia de domingo – para os discípulos – era altamente significativo, razão pela qual tornou-se, desde então, o centro da fé cristã. Existem duas razões fundamentais para celebrar este dia da Ressurreição. E São Paulo diz: “Se Cristo não ressuscitou vã é a vossa fé” (I Coríntios 15,14).

Portanto, a Ressurreição é a verdade fundamental da nossa fé. Cremos, aceitamos e vivemos pela fé no Cristo vivo, ressuscitado dos mortos, após a consumação da nossa salvação na cruz (cf. João 19,28-30).

Com Sua Morte e Ressurreição, Jesus começou a Nova Aliança e terminou a Antiga Aliança. Durante a Última Ceia, Jesus proclamou: “Este cálice é a Nova Aliança, selado com meu sangue, que vai ser derramado por vós” (Lc 22,20). Os discípulos de Jesus, pouco a pouco, perceberam que nesta Nova Aliança a lei de Moisés e suas práticas teriam outro sentido.

A Morte e Ressurreição de Cristo significavam também para os primeiros cristãos a nova criação, já que Jesus culminava Sua obra precisamente com isso [Sua Morte e Ressurreição] justamente no domingo, passando a ser desde então o dia do Senhor.

Nós também recebemos a promessa de entrar com Cristo neste repouso. De agora em diante, a fé dos cristãos tem como centro Cristo ressuscitado e glorificado. Por isso, é fundamental – e muito lógico – celebrar o dia do Filho do Homem, ou seja, que este dia seja o dia do Senhorcomo o novo dia da criação (cf. Is 2,12).

A cura do homem de mão seca
Privado, pois, do auxílio sobrenatural de Deus, o homem é moralmente impotente para observar por longo tempo os Mandamentos da Lei.
https://padrepauloricardo.org/episodios/a-cura-do-homem-de-mao-seca

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (Lc 6, 6-11)
Aconteceu num dia de sábado que, Jesus entrou na sinagoga, e começou a ensinar. Aí havia um homem cuja mão direita era seca. Os mestres da Lei e os fariseus o observavam, para ver se Jesus iria curá-lo em dia de sábado, e assim encontrarem motivo para acusá-lo. Jesus, porém, conhecendo seus pensamentos, disse ao homem da mão seca: “Levanta-te, e fica aqui no meio”. Ele se levantou, e ficou de pé. Disse-lhes Jesus: “Eu vos pergunto: O que é permitido fazer no sábado: o bem ou o mal, salvar uma vida ou deixar que se perca?” Então Jesus olhou para todos os que estavam ao seu redor, e disse ao homem: “Estende a tua mão”. O homem assim o fez e sua mão ficou curada. Eles ficaram com muita raiva, e começaram a discutir entre si sobre o que poderiam fazer contra Jesus.

A cura do homem de mão seca se dá no contexto de mais um conflito entre Jesus e seus adversários, fariseus e mestres da Lei, que procuram sem descanso um motivo para acusá-lO; Cristo, como lemos noutra ocasião, fala como quem tem autoridade, arrogando-se com justiça o título de Senhor do sábado, o que deixa transtornados os que, aferrados à letra da Lei, se opõe à doutrina do Evangelho. Eis o sentido literal da passagem que a Liturgia nos propõe hoje à reflexão. De um ponto de vista espiritual, no entanto, este episódio nos revela, sob a imagem da mão ressequida e inutilizada, a nossa incapacidade de amar e praticar o bem como convém à salvação. É só com o auxílio da graça de Cristo, sem o qual nada podemos fazer (cf. Jo 15, 5), que nos tornamos capazes de realizar aquelas obras de justiça que o Pai tanto deseja recompensar.

Privado, pois, do auxílio sobrenatural de Deus, o homem é moralmente impotente para observar por longo tempo os Mandamentos da Lei — que se resumem em amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo (cf. Mt 22, 34-40) —, não só de forma meritória, em ordem à vida eterna, mas nem mesmo quanto à substância dos preceitos. Eis porque tão cedo a Lei se tornou para os judeus um fardo a ser carregado com uma obediência puramente externa, sem as disposições interiores sem as quais nem o maior dos sacrifícios tem valor (cf. 1Cor 13, 1ss). Estendamos hoje nossas mãos ressequidas a Cristo Jesus e, humilhados diante dEle, confessemos nossa incapacidade de amar como Ele ama e de fazer como convém o que Ele deseja. O Senhor, porém, que tudo pode e nos ama mais do que imaginamos, olhará compadecido para a nossa paralisia e realizará o prodígio de fazer brotar do rochedo de nosso coração a água de uma caridade benigna, sofredora, generosa e paciente (cf. 1Cor 13, 4-7).

Mão seca, coração endurecido
Padre Jonas Abib
https://padrejonas.cancaonova.com/informativos/artigos/mao-seca-coracao-endurecido-audio/

No Evangelho de hoje, nós vemos a seqüência dos últimos dias das homilias. No primeiro momento, nós vemos os fariseus criticando Jesus quanto ao jejum. Ontem, o Evangelho mostrava os mesmos doutores da lei criticando Jesus e seus discípulos, que passavam por um trigal e, por estarem com fome, pegavam as espigas de trigo, debulhavam-nas e as comiam. Para os fariseus, aquilo era um pecado por ser num dia de sábado.

Hoje, o Evangelho mostra Jesus na sinagoga com os escribas. Estes estavam atentos para ver se o Senhor iria curar alguém num dia de sábado. Percebendo o que eles estavam pensando, Jesus os provoca e chama aquele homem, cuja mão era seca, para o centro da sinagoga e lhe pede que estenda a mão. Imediatamente, sua mão ficou curada. Percebendo que todos O observavam, Jesus ficou cheio de ira e de tristeza porque eles eram duros de coração.

Assim, não sabemos quem era mais doente: se o homem da mão seca ou aqueles escribas, fariseus, doutores da lei, pessoas que ensinavam e conduziam o povo dentro dos caminhos de Deus. Qual doença era pior: uma mão entrevada ou um coração endurecido?

Meus irmãos, hoje é o dia em que Jesus quer operar as duas curas. Pois os sofrimentos, principalmente a nossa má vontade, a nossa pouca fé e os nossos pecados vão endurecendo os nossos corações. Por descuido, ressentimentos, decepções, maldades, raivas, rancores cultivados e vingança, nós acabamos ficando com o coração endurecido, mas o Senhor quer curá-lo.

“O Senhor quer curar o meu coração endurecido. Eu preciso, Senhor. Talvez eu nem tenha percebido até hoje como o meu coração estava insensível. Cura, Senhor, o meu coração endurecido”.

Que durante todo o dia de hoje o Senhor cure o seu coração endurecido. Ou pode ser que nós sejamos homens ou mulheres de “mãos secas”. Somos cristãos, somos católicos, mas, muitas vezes, nós buscamos de Deus que Ele atenda as nossas necessidades e traga cura e solução para nós. Que Ele dê um jeito em nosso casamento, nos filhos, nos pais, mas nós “tiramos o corpo fora” quando precisamos ser ativos da Igreja, participando e tomando a frente de algum ministério e serviço. Nós somos, como disse Jesus, o sal da terra, o fermento da massa.

Nós tivemos a graça de nascer de novo, de nascer do alto. Por isso precisamos viver como quem é filho de Deus. E o filho deve fazer as coisas que o Pai gosta de fazer. O Senhor nos quer sal para esta terra que está “apodrecendo”. O sal não precisa fazer muita coisa, basta que seja sal. Nós não temos “salinidade”, ela é do Senhor, do Espírito Santo que nós recebemos, e temos de usá-la em favor da Igreja. Nós temos o Pai, o Filho e o Espírito Santo vivos dentro de nós. Não podemos ser homens e mulheres de “mãos encarquilhadas”.

O Senhor quer curar as duas coisas em nós: a “mão seca” e o coração endurecido.

“Senhor, encha-nos do Espírito Santo, que Ele venha à tona. Infelizmente, tínhamos conservado o Espírito Santo preso em nós e acabamos ficando com o coração seco e a ‘mão endurecida’. Jesus, manda o teu Espírito para transformar o meu coração. Faz este milagre, esta transformação. Jesus, eu preciso que o Senhor cure o meu coração e as minhas mãos. Não é simplesmente curar a mão, mas me tornar mais ativo na Igreja, com a vida que já está em mim.”

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