Solenidade de Corpus Christi – Ano B

Por Mons. Inácio José Schuster

Êxodo 24, 3-8; Hebreus 9, 11-15; Marcos 14, 12-16.22-26

No meio de vós está quem vós não conheceis! Creio que o mais necessário que se deve fazer na festa do Corpus Domini não é explicar tal ou qual aspecto da Eucaristia, mas reavivar cada ano estupor e maravilha ante o mistério. A festa nasceu na Bélgica, a princípios do século XIII; os mosteiros beneditinos foram os primeiros em adotá-la; Urbano IV a estendeu a toda a Igreja em 1264, parece também que por influência do milagre eucarístico de Bolsena, hoje venerado em Orvieto. Que necessidade haveria de instituir uma nova festa? Será que a Igreja não recorda a instituição da Eucaristia na Quinta-Feira Santa? Acaso não a celebra cada domingo e, mais ainda, todos os dias do ano? De fato, o Corpus Domini é a primeira festa cujo objeto não é um evento da vida de Cristo, mas uma verdade de fé: sua presença real na Eucaristia. Responde a uma necessidade: a de proclamar solenemente tal fé; isso é necessário para evitar um perigo: o de acostumar-se a tal presença e deixar de prestar-lhe atenção, merecendo assim a rejeição que João Batista dirigia a seus contemporâneos: «No meio de vós está quem vós não conheceis!». Isso explica a extraordinária solenidade e visibilidade que esta festa adquiriu na Igreja católica. Por muito tempo a do Corpus Domini foi a única procissão em toda a cristandade, e também a mais solene. Hoje as procissões cederam o passo a manifestações (em geral de protesto); mas ainda que tenha caído a forma exterior, permanece intacto o sentido profundo da festa e o motivo que a inspirou: manter desperto o estupor ante o maior e mais belo dos mistérios da fé. A liturgia da festa reflete fielmente esta característica. Todos seus textos (leituras, antífonas, cantos, orações) estão penetrados de um sentido de maravilha. Muitos deles terminam com uma exclamação: «Oh sagrado convite no qual se recebe Cristo!» (O sacrum convivium), «Oh vítima de salvação!» (O salutaris hóstia). Se a festa do Corpus Domini não existisse, teria de ser inventada. Se há um perigo que correm atualmente os crentes com relação à Eucaristia é o de banalizá-la. Antigamente não se comungava com tanta freqüência, e era preciso antepor o jejum e a confissão. Hoje praticamente todos se aproximam Dela… Entendamo-nos: é um progresso, é normal que a participação na Missa implique também a comunhão; para isso existe. Mas tudo isso comporta um risco mortal. São Paulo diz: «Quem comer o pão ou beber do cálice do Senhor indignamente será réu do Corpo e do Sangue do Senhor. Examine-se, pois, cada um a si mesmo, e depois coma o pão e beba do cálice. Pois quem come e bebe sem discernir o Corpo, come e bebe seu próprio castigo». Considero que é uma graça saudável para um cristão passar por um período de tempo no qual tema aproximar-se à comunhão, tema ante o pensamento do que está aponto de acontecer e não deixe de repetir, como João Batista, «E Tu vens a mim?» (Mateus, 3, 14). Nós não podemos receber Deus senão como «Deus», isto é, conservando toda sua santidade e sua majestade. Não podemos domesticar Deus! A pregação da Igreja não deveria ter medo – agora que a comunhão se converteu em algo tão habitual e tão «fácil» – de utilizar de vez em quando a linguagem da epístola aos Hebreus e dizer aos fiéis: «Mas vós vos aproximastes do monte Sião e da Cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial… e de Deus, o Juiz de todos… e de Jesus, mediador de uma nova aliança, e do sangue da aspersão mais eloqüente que o de Abel » (Hebreus 12, 22-24). Nos primeiros tempos da Igreja, no momento da comunhão, ressoava um grito na assembléia: «Quem é santo que se aproxime, quem não é, que se arrependa!». Quem nunca se acostumou com a Eucaristia e que falava Dela sempre com comovido estupor era São Francisco de Assis. «Que tema a humanidade, que tema o universo inteiro, e o céu exulte, quando no altar, nas mãos do sacerdote, está o Cristo, Filho de Deus vivo… Oh, admirável elevação e designação maravilhosa! Oh, humildade sublime! Oh, sublimidade humilde, que o Senhor do universo, Deus e Filho de Deus, tanto se humilhe como para esconder-se sob pouca aparência de pão!». Mas não deve ser tanto a grandeza e a majestade de Deus a causa de nosso estupor ante o mistério eucarístico, quanto sua condescendência e seu amor. A Eucaristia é, sobretudo isso: memorial do amor do qual não existe maior: dar a vida pelos próprios amigos.

 

Evangelho segundo São Marcos 14, 12-16.22-26
No primeiro dia dos Ázimos, quando se imolava a Páscoa, os discípulos perguntaram-lhe: «Onde queres que façamos os preparativos para comeres a Páscoa?» Jesus enviou, então, dois dos seus discípulos e disse: «Ide à cidade e virá ao vosso encontro um homem trazendo um cântaro de água. Segui-o e, onde ele entrar, dizei ao dono da casa: O Mestre manda dizer: ‘Onde está a sala em que hei-de comer a Páscoa com os meus discípulos?’ Há-de mostrar-vos uma grande sala no andar de cima, mobiliada e toda pronta. Fazei aí os preparativos.» Os discípulos partiram e foram à cidade; encontraram tudo como Ele lhes dissera e prepararam a Páscoa. Enquanto comiam, tomou um pão e, depois de pronunciar a bênção, partiu-o e entregou-o aos discípulos dizendo: «Tomai: isto é o meu corpo.» Depois, tomou o cálice, deu graças e entregou-lho. Todos beberam dele. E Ele disse-lhes: «Isto é o meu sangue da aliança, que vai ser derramado por todos. Em verdade vos digo: não voltarei a beber do fruto da videira até ao dia em que o beba, novo, no Reino de Deus.» Após o canto dos salmos, saíram para o Monte das Oliveiras.

Hoje com toda a Igreja, nós celebramos a solenidade do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo. A instituição se deu na Quinta-Feira Santa, mas nós a comemoramos desde o início do segundo milênio, nesta quinta feira, após o domingo da Santíssima Trindade. A Eucaristia é o melhor presente que Deus nos poderia dar, enquanto peregrinamos neste mundo. Ele não nos dá objetos, por mais preciosos que sejam. Ele se dá a si mesmo, Ele se dá no próprio Filho, Ele entrega o Filho, não só como preço e resgate pelos nossos pecados, mas o dá também no ato em que se tornou o nosso Redentor, como comida em seu Corpo e bebida no seu Sangue. Quem come o Corpo de Cristo e bebe o seu Sangue, diz Ele mesmo, permanece Nele e será ressuscitado no último dia. O Corpo e o Sangue de Jesus Cristo são o nutrimento de todos aqueles que caminham em direção à Pátria Celeste. Jesus Cristo é a fonte da vida, e nós recebemos a fonte da vida na Eucaristia. Jesus Cristo na verdade, se dá a nós de duas maneiras complementares: na sua Revelação na sua Doutrina, sob a metáfora do pão. Esta é toda a primeira parte do capítulo VI, o discurso sobre o Pão da Vida, mas Jesus, que se dá a nós como alimento na Doutrina e na Revelação, a partir do versículo 51b deste mesmo capitulo até o versículo 58, se entrega a nós na Sua carne e no Seu sangue. “Minha carne é verdadeira comida, e meu sangue é verdadeira bebida”. Os protestantes ficam com apenas a primeira parte, Jesus Cristo na Doutrina e na Revelação. Nós, ao recebermos o Corpo e o Sangue de Cristo, com realismo com que nota o quarto Evangelista este mistério, recebemos a vida que vem de fora. Ao estender a mão, ou a mostrar a língua para receber a Hóstia Consagrada, nós fazemos uma profissão muda de fé: a vida na sua plenitude. A vida de Deus não se encontra totalmente em mim, eu devo recebê-la de fora, ela é exterior, ela vem a mim a partir do exterior. Eu não tenho tudo o que necessito para me aproximar de Deus. Jesus Cristo se dá a cada um de nós, do exterior ao interior, através das mãos de um outro, como comida e bebida. E assim nós somos progressivamente transformados naquele que recebemos, porque é o maior que transforma o menor, e não o menor que transforma o maior. Hoje agradeça a Deus este grande presente que Deus nos deu, lembre-se de sua primeira comunhão, e doravante participe das Eucaristias de maneira consciente e fervorosa.

 

«Recebestes de graças, dai de graça»
Concílio Vaticano II
Decreto sobre a atividade missionária da Igreja, «Ad Gentes», §§ 4-5

O Senhor Jesus, antes de dar livremente a Sua vida pelo mundo, de tal maneira dispôs o ministério apostólico e de tal forma prometeu enviar o Espírito Santo, que a ambos associava na tarefa de levar a cabo, sempre e em toda a parte, a obra da salvação. O Espírito Santo é Quem unifica na comunhão e no ministério […] toda a Igreja através dos tempos. […] O Senhor Jesus logo desde o princípio «chamou a Si alguns a quem Ele quis e escolheu doze para andarem com Ele e para os enviar a pregar» (Mc 13, 3). Os apóstolos foram assim a semente de um novo Israel e ao mesmo tempo a origem da sagrada hierarquia. Depois, realizados já definitivamente em Si, pela Sua morte e ressurreição, os mistérios da nossa salvação e da renovação do universo, o Senhor, que tinha recebido todo o poder no céu e na terra (Mt 28, 18), antes de subir ai céu fundou a Sua Igreja como sacramento de salvação, e enviou os Seus apóstolos a todo o mundo, tal qual Ele também tinha sido enviado pelo Pai (Jo 20, 21), dando-lhes este mandato: «Ide, pois, fazei discípulos de todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-as a cumprir tudo quanto vos prescrevi» (Mt 28, 19ss.). […] Daí vem à Igreja o dever de propagar a fé e a salvação de Cristo, tanto em virtude do expresso mandamento que dos apóstolos herdou a ordem dos bispos, ajudada pelos presbíteros, em união com o sucessor de Pedro e sumo pastor da Igreja; como em virtude da vida comunicada aos seus membros por Cristo. […] A missão da Igreja realiza-se, pois, mediante a atividade pela qual, obedecendo ao mandamento de Cristo e movida pela graça e pela caridade do Espírito Santo, ela se torna atual e plenamente presente a todos os homens e a todos os povos, para os conduzir à fé, à liberdade e à paz de Cristo, não só pelo exemplo de vida e pela pregação, mas também pelos sacramentos e pelos restantes meios da graça, de tal forma que lhes fique bem aberto o caminho livre e seguro para participarem plenamente no mistério de Cristo.

 

DAR A VIDA PELA EUCARISTIA
Padre José Augusto

Como disse no início, hoje é um dia de muita alegria para nós cristãos. Estamos hoje celebrando o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo. Hoje a Igreja diz ao mundo que realmente Jesus continua em nosso meio através de sua presença eucarística. Mas para entendermos a solenidade de hoje, precisamos entender o que aconteceu no Evangelho de São Marcos 14,12.16.22 ao 26. Não podemos separar a Eucaristia da Santa Missa. Para se ter a Eucaristia é preciso ter a Missa. Não faltem a Missa. Esse é o primeiro convite de Jesus pra você hoje. Quem anda faltando, precisa retomar. Principalmente no domingo. No Evangelho de hoje acontece a primeira Missa. Leiam o Evangelho de São Marcos 14, 12-16. O que acontece lá? Jesus reúne-se com os apóstolos. Na mesa estão o pão e o vinho. E Jesus diz ao apóstolos: ‘Tomai, isto é o meu corpo’. Depois diz ‘isto é o meu sangue, o sangue da eterna aliança’. ‘Tomai, isto é o meu corpo, o meu sangue’. Ainda tem muita gente que participa do sacrifício da Santa Missa e não percebe isso. Depois do ofertório vocês verão os seminaristas trazendo o pão e o vinho, em seguida nos sacerdotes vamos impor as mãos sobre o pão e o vinho e Jesus vai tornar-se presente. Aquele pão não será mais pão, e aquele vinho não será mais vinho. Ali estarão o Corpo e o Sangue de Cristo. O próprio Jesus. Nós somos convidados a nos alimentarmos de Deus. Tomai e comei, tomai e bebei. Toda as vezes que você vai a Missa, você é convidado a colocar dentro de você Deus. Não é qualquer coisa, não é qualquer alimento, é Deus. E quando você vai pra casa, você leva Deus dentro de você. Aquele que criou o céu, a terra, o mar, e te criou, você leva Ele dentro de si. Somos dignos disso? Não somos. Mas Ele quer que sejamos. Tem gente que leva horas esperando para ver um ídolo. Mais do que esse ídolo, eu tô te mostrando hoje, aquele que supera todos os ídolos: Jesus Cristo, teu Senhor e salvador. É Ele que tua alma anseia. Quem dera que hoje, dia de Corpus Christi, que aqui estivesse lotado. Que nossas igrejas estivessem lotadas, ao ponto de ser preciso colocar telões de tanta gente que tenha vindo contemplar Jesus Cristo. Nós não estamos atrás de pessoas, estamos atrás de Deus! Sinta-se privilegiado por você receber Jesus Cristo. Aqueles que O recebem todos os dias, ou aqueles que O recebem todo domingo, com esse desejo de receber o próprio Deus. Hoje nossa alma deve estar sedenta, faminta diante de nosso Senhor. Aquele que deu a vida por nós. Tem tanta gente dando a vida pela droga, pela bebida. Pessoas morrendo por causa disso. Chegou a hora de nós morrermos pela Eucaristia. De subir e descer montanhas, a pé, carregados ou não, para recebermos o Senhor. Aquele que é o grande remédio para o teu corpo e tua alma. E o único remédio pro nosso corpo e nossa alma, é nosso Senhor Jesus Cristo. É preciso que nós cristãos criemos gosto por isso. Esse dia precisa dar fervor aos que creem, e sanar a dúvida daqueles que não creem mais. Satanás quer que você não creia para que você não receba mais Deus. Não se pode faltar missa. Reze para que não falte padre, para não faltar missa, e não faltar Jesus na sua vida. Ficar sem receber Jesus significa morte. Quem quer ter vida eterna? Receba Jesus na Eucaristia. Aquele que comer do Seu Corpo e Sangue terá a vida eterna. ‘Nós somos convidados a nos alimentarmos de Deus’ Já perceberam que quando termina Missa, o sacerdote ou o ministro leva a âmbula com as partículas ate o sacrário? E ali está Jesus. Para quê? Para ele ser adorado por mim e por você. Quando você tiver qualquer problema insolúvel em sua vida, vá la na Igreja, e ali no sacrário Jesus diz? Vinde a mim vos que estai aflitos e eu vos aliviarei. Que coisa maravilhosa. A gente recebe Jesus, levamos ele pra casa dentro de nós, e Ele continua na Igreja te esperando. As vezes você fica atrás de um e de outro, e esquece que Jesus esta te esperando lá na capela. A gente vai a capela para pedir, mas principalmente para agradecer, para adorá-lo. Aquele que é o Senhor está na capela, e te aguarda. Você tem livre acesso a Ele. A gente fica desesperado atrás das pessoas e abandonamos Deus nas capelas. Dizemos que acreditamos, mas não mostramos com nossas atitudes que cremos nele. Vai visitar Jesus, vai dar a vida por Ele. Reserva uma hora pra estar com Ele. Não é um pãozinho não. É Deus quem está ali. Ali você vai encontrar força. Jesus não quer ficar sem ninguém. Ele vai atrás de todos, doentes, pecadores, santos. Jesus quer todos. Mas você precisa criar esse desejo de estar com Ele. Só vai quem ama. A pessoa que ama que estar sempre com o amado. Quem ainda não ama, não vai Que hoje Jesus renove em você esse amor. Que você sinta falta de Deus. Tem gente sentindo falta de bebida, de homem, de mulher. Onde estão aqueles que sentem falta de Deus? Por que não sentimos falta de Deus? Estou pedindo que nós abramos o nosso coração pra sentir saudade de Deus. E se a gente sentir saudade de Deus, a gente vai atrás dele. Pais, sintam falta de Deus para vocês irem atrás dele e seus filhos seguirem você. É tempo de correr atrás de Deus. Às vezes nós da cidade temos a igreja perto de nós, e acabamos não indo. Tem pessoas que moram na roça, que caminham 12 quilômetros pra receber e adorar nosso Senhor. Que nós sintamos saudades de Deus.

 

SOLENIDADE DE “CORPUS CHRISTI”
Padre Wagner Augusto Portugal

Nesta quinta-feira, celebra-se a solenidade de “Corpus Christi”. De tradição antiqüíssima, esta festa, comemorada de modo solene e pública, manifesta a centralidade da Santa Eucaristia, sacramento do Corpo e Sangue de Cristo: o mistério instituído na última Ceia e comemorado todos os anos na Quinta-Feira Santa, após a solenidade da Santíssima Trindade. Neste dia, manifesta-se a todos, circundado pelo fervor de fé e de devoção da comunidade de todos os batizados, o Mistério de Amor que nos foi legado por Cristo, para memorial eterno de sua Paixão. A Eucaristia, realmente, é o maior tesouro da Igreja, a preciosa herança que o Senhor Jesus lhe deixou. E, assim, a Igreja conserva a Eucaristia com o máximo empenho e cuidado, celebrando-a diariamente na Santa Missa, bem como adorando-a nas igrejas e nas capelas, levando-a como viático aos doentes que partem para a vida eterna. A Eucaristia transcende a Igreja: Ela é o Senhor que se doa “pela vida do mundo” (Jo 6, 51). Ontem, hoje e sempre, em todos os tempos e lugares, Jesus quer encontrar o homem e levar-lhe a vida de Deus. Por isso, a transformação do pão e do vinho no Corpo e Sangue de Cristo constituiu o princípio da divinização da mesma criação. Nasce, deste modo, o gesto sugestivo e oportuno de levar Jesus em procissão pelas ruas e estradas de nossas cidades e comunidades. Levando a Santíssima Eucaristia pelas vias públicas, queremos imergir o Pão que desceu do céu na vida quotidiana da nossa vida; queremos que Jesus caminhe onde nós caminhamos, que viva onde nós vivemos. O nosso mundo, as nossas existências devem tornar-se templo da Eucaristia. Somos conclamados a viver em santidade. Na intimidade com Nosso Senhor Jesus Cristo, presente em corpo, sangue, alma e divindade nas sagradas espécies de pão e vinho, seremos testemunhas vivas de seu amor, de sua misericórdia, a partir do momento em que vivermos por ele e com ele, sendo luz do mundo e sal da terra. Com grande entusiasmo, este momento sagrado, em que Cristo Eucarístico passa pelas ruas de nossa cidade a nos abençoar, somos soldados perfilados fazendo sua guarda de honra, somos crentes convictos da fé que professamos, fazendo-o publicamente, somos filhos amados por Deus que desejamos, mais e mais, viver mais unidos a Ele, tanto na participação da Eucaristia, quanto na vida exemplar de lídimos cristãos. Neste dia santo, a Eucaristia é tudo para ela, é a sua própria vida, a fonte do amor que vence a morte. Da comunhão com Cristo Eucaristia brota a caridade que transforma a nossa existência e ampara-nos no caminho rumo à Pátria Celeste. Neste préstito solene que se forma nesta solenidade tão cara à vida espiritual da Igreja, Cristo ressuscitado percorre os caminhos da humanidade e continua a oferecer a sua “carne” aos homens, como autêntico “pão da vida” (Jo 6, 48-51). Hoje “esta linguagem é dura” (Jo 6, 50) para a inteligência humana, que permanecem como que esmagadas pelo mistério. Para explorar as fascinantes profundidades desta presença de Cristo sob os “sinais” do pão e do vinho, é necessária a fé, ou melhor, é necessária a fé vivificada pelo amor. Só aquele que acredita e ama pode compreender alguma coisa deste inefável mistério, graças ao qual Deus se faz próximo da nossa pequenez, procura a nossa enfermidade, revela-se por aquilo que é infinito, o amor que salva. Precisamente por isso, a Eucaristia é o centro palpitante da comunidade. Desde o início, na primitiva comunidade de Jerusalém, os cristãos reuniam-se no Dia do Senhor (Dies Domini) para renovar na Santa Missa o memorial da morte e ressurreição de Cristo. O domingo é o dia do repouso e do louvor, mas sem Eucaristia perde-se o seu verdadeiro significado. Celebrando Corpus Christi, queremos renovar nosso autêntico compromisso de batizados, um compromisso pastoral prioritário da revalorização do domingo e, com ela, da celebração eucarística: “um compromisso irrenunciável, abraçado não só para obedecer a um preceito, mas como necessidade para uma vida cristã verdadeiramente consciente e coerente” (João Paulo II, “Novo Millennio Ineunte”, 36). Adorando a Eucaristia, não podemos deixar de pensar com reconhecimento na Virgem Maria. Sugere-o o célebre hino eucarístico que cantamos muitas vezes: “Ave, verum Corpus, natum de Maria Virgine” (“Ave, ó verdadeiro Corpo, nascido da Virgem Maria). Peçamos hoje à Mãe do Senhor que todos os homens possam saborear a doçura da comunhão com Jesus e tornar-se, graças ao pão de vida eterna, participantes do seu mistério de salvação e de santidade. Por isso cantemos: “Glória a Jesus…”

Seqüência – “Lauda Sion”

Terra, exulta de alegria, louva teu pastor e guia com teus hinos, tua voz!

Tanto possas, tanto ouses, em louvá-lo não repouses: sempre excede do teu louvor!

Hoje a Igreja te convida: ao pão vivo que dá vida vem com ela celebrar!

Este pão, que o mundo o creia!, por Jesus, na santa ceia, foi entregue aos que escolheu.

Nosso júbilo cantemos, nosso amor manifestemos, pois transborda o coração!

Quão solene a festa, o dia, que da Santa Eucaristia nos recorda a instituição!

Novo Rei e nova mesa, nova Páscoa e realeza, foi-se a Páscoa dos judeus.

Era sombra o antigo povo, o que é velho cede ao novo; foge a noite, chega a luz.

O que o Cristo fez na ceia, manda à Igreja que o rodeia, repeti-lo até voltar.

Seu preceito conhecemos: pão e vinho consagremos para nossa salvação.

Faz-se carne o pão de trigo, faz-se sangue o vinho amigo: deve-o crer todo cristão.

Se não vês nem compreendes, gosto e vista tu transcendes, elevado pela fé.

Pão e vinho, eis o que vemos; mas ao Cristo é que nós temos em tão ínfimos sinais…

Alimento verdadeiro, permanece o Cristo inteiro quer no vinho, quer no pão.

É por todos recebido, não em parte ou dividido, pois inteiro é que se dá!

Um ou mil comungam dele, tanto este quanto aquele: multiplica-se o Senhor.

Dá-se ao bom como ao perverso, mas o efeito é bem diverso: vida e morte traz em si…

Pensa bem: igual comida, se ao que é bom enche de vida, traz a morte para o mau.

Eis a hóstia dividida. Quem hesita, quem duvida? Como é toda o autor da vida, a partícula também.

Jesus não é atingido: o sinal é que é partido, mas não é diminuído, nem se muda o que contém.

Eis o pão que os anjos comem transformado em pão do homem; só os filhos o consomem: não será lançado aos cães!

Em sinais prefigurado, por Abraão foi imolado, no cordeiro aos pais foi dado, no deserto foi maná…

Bom pastor, pão de verdade, piedade, ó Jesus, piedade, conservai-nos na unidade, extingui nossa orfandade, transportai-nos para o Pai!

Aos mortais dando comida, dais também o pão da vida; que a família assim nutrida seja um dia reunida aos convivas lá no céu!

Nenhum comentário ainda

Comentários desativados

Desenvolvido por Origy Networks – Criação de sites e propaganda