Festa da Visitação de Nossa Senhora – 31 de Maio

Por Pe. Fernando José Cardoso

Hoje, trinta e um de maio nós, com a Igreja, celebramos a festa da visita de Nossa Senhora a sua parenta Isabel.
Na primeira leitura, Paulo nos fala do serviço caridoso cristão, carta aos Romanos, capítulo12, versículos 9 a 16.
O Evangelho é tirado de Lucas capítulo 1, versículos 39 a 56.
O Evangelista Lucas, se compraz nos dois capítulos da infância em descrever diversas visitas.
Visita primeira de Maria a Isabel. Visita dos pastores à gruta de Belém. Visita de Maria e José ao templo de Jerusalém onde se encontram com Simeão e Ana.
Todas estas visitas nada mais são do que a expressão de uma grande visita que Lucas descreve no seu capítulo 7: “Deus visitou seu povo.”
Maria visita os pastores. Visitam Maria e José, visitam porque na verdade Deus visitou seu povo. E não apenas visitou no passado; Deus continua a visitar o seu povo, a se fazer presente no meio de seu povo.
Através de Jesus Cristo e do Espírito Santificador, Ele se põe no meio de nós. Assim, visitados durante todo o percurso da nossa vida por Deus, nós nos pomos também, como Maria, a visitar os nossos irmãos. Nos pomos como ela, a servir nossos irmãos como pede São Paulo na primeira leitura, no texto de Romanos, que citei no início desta reflexão.
A vida vale a pena ser vivida do ponto de vista cristão, se ela não for um egoísmo, não for uma vida para si próprio, se não for como bicho de concha, fechado para si mesmo.
A vida vale a pena ser vivida, se alguém sabe viver para o outro, assim como uma esposa sabe viver para seu marido, como uma mãe sabe viver para seus filhos, como o marido sabe viver para a sua esposa.
A vida cristã é servir. São Paulo afirma que o Espírito Santo distribui um sem números de carismas na Igreja, não apenas no passado, mas também no presente, através de algum carisma que eu ou você possamos ter recebido.
Deus deseja continuar a visitar, por nosso intermédio, agora os nossos irmãos necessitados.
Ponha então aquele carisma que Deus concedeu a serviço dos seus irmãos na fé. Faça isto com grande confiança em Deus.
Não reserve para você as boas coisas que Deus lhe concedeu.

 

É Lucas quem nos fala a respeito da Virgem Maria, já grávida de Jesus, fazendo uma visita às montanhas da Judéia à casa de sua parenta Isabel. O texto da primeira leitura retirado da carta de São Paulo aos Romanos diz o seguinte: “Apegai-vos ao bem, fugi do mal, amai-vos uns aos outros com amor fraterno, procurai ser fervorosos do espírito.” Tudo isto nós, hoje, vemos realizado na Virgem Maria que não se deixou ofuscar pelo privilégio de se tornar mãe de Jesus, mãe do Salvador, mas se pôs, imediatamente, ao serviço do outro encontrando sua parenta e, juntamente com ela, louvando e bendizendo, apregoando as maravilhas de Deus. Nossa Senhora, evidentemente, na glória não se compara a Jesus. Nossa Senhora não é uma divindade, Nossa Senhora é venerada por aquele grupo de cristãos que somos nós, os católicos. Também os ortodoxos a veneram com igual fervor, embora em lugar de imagens, prefiram ícones ou pinturas da Santíssima Virgem. Hoje, todos nós gostaríamos de pedir-lhe a graça de sermos por ela visitados. Hoje, nós gostaríamos que o gesto realizado, outrora na Judéia, se repetisse, se atualizasse em nosso favor. Nós podemos pedir a Nossa Senhora que se digne entrar, hoje, em nosso lar, em nossa família, ou então, diretamente na casa ou no abrigo do nosso próprio coração. Ela não é Deus, ela não é Jesus Cristo; é diferente o nosso relacionamento com Maria do relacionamento com Deus e com Jesus Cristo. Ela, de longe, não se compara a seu filho Jesus, mas, do alto da glória onde ela se situa, na visão beatífica, sendo ela também membro e membro eminente da comunhão de todos os santos na glória de Deus, por estar mais perto de Deus do que todas as outras criaturas, ela se deixa contagiar muito mais do que os outros santos com a caridade de Deus. E por isso mesmo, por estar mais perto de Deus, ela pode estar mais perto de nós; por estar mais perto e por contemplar Deus de maneira mais intensa em Deus, ela pode contemplar a cada um de nós. E por isso mesmo ela não deixa de ser sensível aos nossos pedidos, às nossas súplicas e, sobretudo, ao nosso gosto e vocação de sermos conduzidos pelas suas mãos, seguindo-a como ela seguiu Jesus, passo a passo à caminho da vida eterna. Seja esta a visita que a mãe hoje nos faz.

 

MARIA, A PORTADORA DA ALEGRIA EM DEUS
Padre Bantu Mendonça

Maria é a portadora da fonte da alegria e cada cristão é também convidado a sê-lo. “A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito exulta em Deus meu Salvador” (Lc 1,46). Com estas palavras, a Virgem Santíssima reconhece, em primeiro lugar, os dons singulares que Lhe foram concedidos e enumera, depois, os benefícios universais com que o Senhor favorece, continuamente, o gênero humano. Glorifica o Senhor a alma daquele que consagra todos os sentimentos da sua vida interior ao louvor e ao serviço a Deus; pela observância dos mandamentos, mostra que está pensando sempre no poder da majestade divina. “… porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo” (Lc 1, 49). Maria nada atribui aos seus méritos, mas reconhece toda a sua grandeza como dom d’Aquele que, sendo por essência poderoso e grande, costuma transformar Seus fiéis, pequenos e fracos, em fortes e grandes. Logo, acrescentou: “E santo é o seu nome” para fazer notar, aos que a ouviam e mesmo para ensinar a quantos viessem a conhecer suas palavras, que, pela fé em Deus e pela invocação do seu nome, também eles poderiam participar da santidade divina e da verdadeira salvação, segundo a palavra do Profeta: “E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (At 2,21). É, precisamente, o nome a que Maria se refere ao dizer: “E o meu espírito exulta em Deus meu Salvador”. Enquanto a Igreja aguarda a jubilosa esperança da vida eterna, introduz, na sua liturgia, o costume belo e salutar de cantar todo este hino de Maria, na salmodia vespertina, para que o espírito dos fiéis, ao recordar assiduamente o mistério da Encarnação do Senhor, se entregue com generosidade ao serviço divino e, lembrando-se constantemente dos exemplos da Mãe de Deus, se confirme na verdadeira santidade. Como Maria, que de nossa boca brotem apenas as palavras de gratidão que traduzem o sentir mais profundo do nosso coração: “A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador”.

 

COROAÇÃO DE MARIA NA FESTA DA VISITAÇÃO

Maio é o mês dedicado à particular devoção de Nossa Senhora. A Igreja o encerra com a Festa da Visitação da Virgem Maria à santa prima Isabel, que simboliza o cumprimento dos tempos. Antes ocorria em 02 de julho, data do regresso de Maria, uma semana depois do nascimento e do rito da imposição do nome de São João Batista. É tradição dos devotos de Nossa Senhora finalizar o mês de maio com a cerimônia de Coroação de Nossa Senhora.
Qual o significado deste ato de fé para nós?
Será simplesmente uma representação teatral em que crianças vestidas de anjo colocam uma coroa sobre a cabeça de uma imagem? Para o devoto, coroar Nossa Senhora é demonstrar que a reconhece como rainha.
Rainha de um reino que não é o desse mundo, mas, sim, o reino sonhado por Deus para seus filhos e filhas.
Na história da vida humana de Jesus, Maria tem o papel fundamental.
Seu “sim” sela a encarnação do Filho de Deus como homem e com sua aceitação ela demonstra que é possível uma pessoa fazer de sua vida uma constante escuta da vontade de Deus. Maria: filha, mulher, mãe.
Filha de pais fiéis a Deus, recebeu deles a educação que lhe abriu o coração para conhecer o Pai do Céu e escutar-Lhe as palavras.
Mulher, engajou-se no seu tempo a prestar atenção aos anseios daqueles que a cercavam e soube fazer de seu serviço uma interceder contínuo pela humanidade.
Mãe, constituiu a personalidade de seu único Filho, ensinou-lhe os passos e fundamentou seu conhecimento de Deus com aquilo que lhe era revelado.
Maria humana, gente, pessoa, que com todas as limitações próprias de sua natureza pode dizer “sim” e ensinar à humanidade a também dizer “sim”. Por isso reconhecê-la como rainha é dar um lugar de destaque à humanidade daquela mulher que enveredou por um caminho desconhecido pelo puro amor a Deus.
Mulher que sentiu a dor do parto, a dor da partida, a dor da perda.  Mulher que trabalhou, que cuidou de sua família, que acompanhou a lida do outro como aquela que oferece o descanso e o alimento.
Mulher que recebeu de seu filho o beijo carinhoso, o reconhecimento do colo, o sorriso cúmplice daqueles que partilham o mesmo entendimento do mundo.
Por sua “humanidade humana” Maria se torna rainha: por ser o exemplo capaz de mostrar a cada um de nós que é possível chegar ao reino que Deus nos prepara.
Basta dizer que sim, que em minha vida seja feita a vontade do Senhor. A referência mais antiga da invocação de Nossa Senhora da Visitação pertence a Ordem franciscana, que assim a festejavam desde 1263, na Itália. Em 1441, o Papa Urbano VI instituiu esta festa, pois a Igreja do Ocidente necessitava da intercessão de Maria, para recuperar a paz e união do clero dividido pelo grande cisma. A Bíblia narra que Maria viajou para a casa da família de Zacarias logo após a anunciação do Anjo, que lhe dissera “vossa prima Isabel, também conceberá um filho em sua idade avançada. E este é agora o sexto mês dela, que foi dita estéril; nada é impossível para Deus” (Lc 1, 26, 37). Já concebida pelo Espírito Santo, a puríssima Virgem foi levar sua ajuda e apoio à parenta genitora do precursor do Messias Salvador. O encontro das duas Mães é a verdadeira explosão de salvação, de alegria e de louvor ao Criador. Dele resultou a oração da Ave Maria e o cântico do “Magnificat”, rezados e entoados por toda a cristandade aos longos destes mais de dois milênios.

Nenhum comentário ainda

Comentários desativados

Desenvolvido por Origy Networks – Criação de sites e propaganda