Solenidade da Santíssima Trindade – Ano B

Por Mons. Inácio José Schuster

UM MISTÉRIO PRÓXIMO

A vida cristã desenvolve-se totalmente no sinal e na presença da Trindade. Na aurora da vida, fomos batizados «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo» e, ao final, junto a nossa cabeceira, recitar-se-ão as palavras: «Marcha, ó alma Cristã, deste mundo, no nome de Deus, o Pai onipotente que te criou, no nome de Jesus Cristo, que te redimiu, e no nome do Espírito Santo, que te santifica». Entre estes dois momentos extremos marcam-se outros chamados de «transição» que, para um cristão, estão marcados pela invocação da Trindade. No nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, os esposos unem-se em matrimônio e os sacerdotes são ordenados pelo bispo. No passado, em nome da Trindade, começavam os contratos, as sentenças e todo ato importante da vida civil e religiosa. Não é verdade, portanto, que a Trindade seja um mistério remoto, irrelevante para a vida de todos os dias. Pelo contrário, são as três pessoas mais «íntimas» na vida: não estão fora de nós, como sucede com a mulher ou o marido, mas estão dentro de nós. «Fazem morada em nós» (João 14, 23), nós somos seu «templo». Mas por que os cristãos crêem na Trindade? Não é já bastante difícil crer que Deus existe, e ainda para acrescentar também que é «uno e trino»? Os cristãos crêem que Deus é uno e trino porque crêem que Deus é amor! A revelação de Deus como amor, feita por Jesus, «obrigou» a admitir a Trindade. Não é uma invenção humana. Se Deus é amor, tem de amar alguém. Não existe um amor «ao vazio», sem objeto. Mas a quem ama Deus para ser definido amor? Os homens? Mas os homens existem tão só desde há alguns milhões de anos, nada mais. O cosmos? O universo? O universo existe só desde há alguns bilhões de anos. Antes, a quem amava Deus para poder se definir amor? Não podemos dizer que se amava a si mesmo, porque isto não seria amor, mas egoísmo ou narcisismo. Esta é a resposta da revelação cristã: Deus é amor porque desde a eternidade tem «em seu seio» um Filho, o Verbo, ao que ama com um amor infinito, ou seja, com o Espírito Santo. Em todo amor sempre há três realidades ou sujeitos: um que ama, um que é amado, e o amor que os une. O Deus cristão é uno e trino porque é comunhão de amor. No amor, reconciliam-se entre si unidade e pluralidade; o amor cria a unidade na diversidade: unidade de propósitos, de pensamento, de vontade; diversidade de sujeitos, de características, e, no âmbito humano, de sexo. Neste sentido, a família é a imagem menos imperfeita da Trindade. Não é casualidade que, ao criar o primeiro casal humano, Deus dissera: «Façamos o ser humano à nossa imagem, como semelhança nossa» (Gn 26-27). Segundo os ateus modernos, Deus não seria mais que uma projeção que o homem se faz de si mesmo, como quem confunde com uma pessoa diversa sua própria imagem refletida em um riacho. Isto pode ser verdade com respeito a qualquer outra idéia de Deus, mas não com respeito ao Deus cristão. Que necessidade teria o homem de dividir-se em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo, se verdadeiramente Deus não é mais que a projeção que o homem faz de sua própria imagem? A doutrina da Trindade é, por si só, o melhor antídoto ao ateísmo moderno. Parece demasiado difícil tudo isto? Não compreendeste muito? Dir-te-ia que não te preocupes. Quando se está na margem de um lago ou de um mar e se quer saber o que há do outro lado, o mais importante não é aguçar a vista e tentar examinar o horizonte, mas subir à barca que leva a essa margem. Com a Trindade, o mais importante não é elucidar o mistério, mas permanecer na fé da Igreja, que é a barca que leva à Trindade.

 

Evangelho segundo São Mateus 28, 16-20
Os onze discípulos partiram para a Galiléia, para o monte que Jesus lhes tinha indicado. Quando o viram, adoraram-no; alguns, no entanto, ainda duvidavam. Aproximando-se deles, Jesus disse-lhes: «Foi-me dado todo o poder no Céu e na Terra. Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado. E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos.»

Hoje celebramos a solenidade da Santíssima Trindade, após a contemplação dos mistérios de Cristo, nós somos conduzidos por Ele mesmo à fonte de onde todos Eles emanam e de onde provém a nossa própria salvação. É a festa do monoteísmo, mas o nosso monoteísmo é trinitário, nós o conjugamos com o trinitarismo sem deixarmos de sermos monoteístas. Recordo-me que no começo deste ano, levando um grupo de peregrinos à Terra Santa, estava na Jordânia e um guia local nos falava algo a respeito do Islã. Num determinado momento, algo a respeito de Alá, dizia-nos: “Nós não temos nada parecido com o Deus de vocês, nós não temos nenhum dogma trinitário, Deus não é Pai, não é Filho, não é Espírito Santo. Alá é um só” Eu ouvia e não dizia nada, porque não era o momento de dizer àquele guia coisa alguma. Eu não estava ali para convertê-lo ao Cristianismo, mas pensava comigo: que pobreza! Um único Deus grande, magnífico e ao mesmo tempo a suprema solidão. A solidão transcendente, Alá sem ninguém mais, ninguém que lhe seja igual. Como é diferente o nosso Deus! Nós dizemos: Deus é um só. Sobre este aspecto, Alá é também nosso Deus, mas nós dizemos que no interior de um único Deus, existem três relações subsistentes, a que damos o nome de pessoas, porque pessoa é o vocábulo mais nobre que conhecemos na criação. Nós não temos um vocábulo mais nobre para dirigir-nos a Deus, mesmo sabendo que quando chamamos Deus de pessoa, a pessoa do Pai, do Filho e do Espírito, estamos na analogia, porque a Deus ninguém vai por univocidade, de Deus ninguém predica nada, absolutamente nada por univocidade, porque transcende tudo que dele podemos dizer ou imaginar. Mas é magnífico o dogma trinitário: um único Deus, que numa relação primeira é Pai, porque desde sempre se pensa e por assim dizer, gera o seu pensamento, perfeita expressão de si mesmo, o seu Verbo o Filho. O Pai que ama a expressão perfeita de si mesmo, que ama o Filho por Ele gerado, e o Filho que ama o seu principio não principiado, o Pai. Deste amor mútuo, nasce não um sentimento apenas do Pai para com o Filho e do Filho para com o Pai, mas uma terceira pessoa, ou uma segunda processão, que é da vontade ou a processão do amor, o Espírito Santo. Deus é um só, e como os muçulmanos, nós também somos monoteístas, mas o nosso Deus não é a suprema solidão, o nosso Deus é a perfeita e a suprema comunhão, porque o Pai se encontra totalmente no Filho, e o Filho no Pai, sem que um se dissolva no outro, pelo contrário, possuindo um no outro no Espírito Santo. Pai e Filho nos amam também no Espírito Santo, e hoje nos chamam para que, da vida de peregrinos, passemos um dia, à vida familiar com a Santíssima Trindade. Eis o nosso ideal e a meta suprema de nossa vocação.

 

«Batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo»
Santo Ireneu de Lyon (c. 130-c. 208), bispo, teólogo e mártir
Demonstração da pregação apostólica 6-8 (trad. Verbraken / Orval)

Eis a regra da nossa fé, eis o fundamento do nosso edifício, eis aquilo que dá firmeza ao nosso comportamento. Em primeiro lugar: Deus Pai, incriado, ilimitado, invisível, Deus uno, criador do universo; é o primeiro artigo da nossa fé. Segundo artigo: o Verbo de Deus, Filho de Deus, Jesus Cristo, Nosso Senhor, que foi revelado aos profetas segundo o gênero das suas profecias e segundo os desígnios do Pai; por meio de Quem todas as coisas foram feitas; no final dos tempos, para recapitular todas as coisas, dignou-Se encarnar, aparecendo entre os humanos, visível, palpável, para destruir a morte, fazer surgir a vida e operar a reconciliação entre Deus e o homem. Terceiro artigo: o Espírito Santo, por Quem os profetas profetizaram, os nossos pais conheceram as coisas de Deus e os justos foram conduzidos para a via da justiça; no final dos tempos, foi enviado aos homens de uma maneira nova, a fim de os renovar em toda a face da terra, para Deus. É por isto que o batismo do nosso novo nascimento é colocado sob o signo destes três artigos. Deus Pai concede-no-lo, com vista ao nosso novo nascimento em Seu Filho, pelo Espírito Santo. Porque aqueles que trazem em si o Espírito Santo são conduzidos ao Verbo, que é o Filho, o Filho condu-los ao Pai, e o Pai concede-lhes a imortalidade. Sem o Espírito, é impossível ver o Verbo de Deus, e sem o Filho ninguém pode aproximar-se do Pai. Porque o conhecimento do Pai é o Filho; o conhecimento do Filho faz-se pelo Espírito Santo; e o Filho concede o Espírito segundo a complacência do Pai.

 

FILHOS AMADOS PELA TRINDADE
Padre José Augusto

Quero começar essa homilia parabenizando a cada um. Você é filho de Deus. É o que carta aos Romanos nos diz hoje: “Todos aqueles que se deixam conduzir pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm 8, 14). Você é filho de Deus. Não somos filhos de qualquer pessoa. Somos filhos de Deus! Hoje no Evangelho Jesus dá essa missão aos discípulos, de batizarem em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. O nosso Deus nos trata como filhos, e nós o somos de fato (cf. 1Jo 3). Lembro-me de quando era criança, e lá tinha um braço de mar. Ali eu aprendi a nadar. E era fundo. Quando eu caía naquela água, eu era tomado por inteiro por ela, eu desaparecia naquela água. Ser batizado é Jesus nos convidando a mergulharmos em Deus. Precisamos desaparecer em Deus, no mais profundo do coração da Santíssima Trindade. O Pai, o Filho e Espirito Santo dizem: ‘venha fazer parte da minha vida. Eu quero que você faça parte da minha vida’. Deus não quer você distante dele. Principalmente aqueles que se encontram mais distantes, precisam voltar. Deus quer que nós façamos parte da vida dele. Em Romanos 5, 5 diz: “O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.” Esse amor de Deus que foi derramado em nossos corações, ele nos foi dado. Deus, Pai, nos deu o seu Espírito para que sejamos chamados filhos de Deus, para que testemunhemos o verdadeiro Deus. O Pai no deu o Espírito Santo e nos deu Jesus Cristo. Você quer presente melhor do que esse? Não tem. O Pai nos amou tanto que enviou o Seu Filho para morrer por nós, e todo aquele que nele crer, jamais verá a morte. O Pai dá o Filho único dele, para dar a vida por mim e por você. Nós não merecíamos. Não tinha como merecermos. Ele nos deu por pura graça. Ele não quis perder ninguém. Mas, Ele nos salvou de quê? De irmos para o inferno. A porta do inferno foi fechada pelo Sangue precioso de Jesus Cristo. E lá só entra quem quer, quem não o aceitar, e não aceitar essa salvação que nos foi dada, quem não quiser acolher Jesus. Quando olhamos para Jesus, deveríamos dizer: ‘muito obrigado, muito obrigado’. Por que Ele já nos deu tudo! E ao voltar para a casa do Pai, Jesus nos deu o Espírito Santo. ‘A vida com Deus é vida em abundância’ Perceberam que a gente só recebe? Ele dá de si mesmo, dá o Filho, dá o Filho. Seria muita ingratidão se nós não o recebêssemos. Seria muita ingratidão. Mas o que podemos dar para Ele? Existe uma coisa: os nossos pecados. Dê a Ele os seus pecados. Ele quer recebê-los para você se tornar santo. Celebrar o dia da Santíssima Trindade é celebrar com muita alegria e gratidão no coração e dizer para a Santíssima Trindade: ‘obrigado Pai, obrigado Filho, obrigado Espirito Santo’. Para Deus fazer parte de sua vida você só precisa dizer: “Faça parte de minha vida”. A nossa vida sem Deus, é uma vida miserável. Mas a vida com Ele é uma vida em abundância (cf. Jo 10, 10). O inimigo veio para roubar, matar e destruir, mas Ele veio para dar vida em abundância para nós. Você quer essa vida? Deixe Deus fazer parte de sua vida. Em Deuteronômio 4, 39 diz: “Reconhece, pois, hoje, e grava em teu coração que o SENHOR é o Deus lá em cima no céu e cá embaixo na terra, e que não há outro além dele” Reconheça lá na sua casa, na sua família, na sua cidade, no teu coração, dentro de você, que não há outro Deus. Não precisa buscá-lo longe. Você carrega Deus dentro de você. A Trindade está dentro de você. Você não é uma amaldiçoado não, você é uma abençoado porque você carrega benção dentro de si. Você carrega Deus! Tem muita gente por ai que não sabe. Seja a boca de Deus. Fale do amor de Deus que foi derramado em nossos corações. Obrigado Senhor por essa grande graça. Agradeça a Deus por você ser filho.

 

FESTA DA SANTÍSSIMA TRINDADE
Mt 28, 16-20 “Vão e façam que todos os povos se tornem meus discípulos”

Hoje celebramos o mistério insondável de Deus, a Santíssima Trindade. Durante os primeiros séculos da sua existência, a Igreja lutou com dificuldade para expressar em palavras o inexprimível – a natureza do Deus em que acreditamos. Chegou à expressão profunda do Credo Niceno-Constantinopolitano, tão pouco usado nas celebrações de hoje, onde celebra o Pai “Criador de todas as coisas”, o Filho “Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial com o Pai’, e o Espírito que “dá a vida, e procede do Pai e do Filho”. Mas, mesmo essas expressões tão profundas não conseguem explicar a Trindade, pois se Deus fosse compreensível à mente humana, não seria Deus! Dentro das limitações da linguagem humana, tentamos expressar o mistério da Trindade como “três pessoas numa única natureza”. Mas mais importante do que encontrar fórmulas filosóficas ou teológicas abstratas para expressar o que no fundo não é possível definir, é descobrir o que a Doutrina da Trindade pode nos ensinar para a nossa vida cristã. Talvez, o livro de Gênesis possa nos ajudar. Lá se diz que Deus “criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus ele o criou; e os criou homem e mulher” (Gn 1, 28). Se somos criados na imagem e semelhança de Deus, é de um Deus que é Trindade, que é comunidade, unidade perfeita na diversidade. Assim só podemos ser pessoas realizadas na medida em que vivemos comunitariamente. Quem vive só para si está destinado à frustração e infelicidade, pois está negando a sua própria natureza. O egoísmo é a negação de quem somos, pois nos fecha sobre nós mesmos, enquanto fomos criados na imagem de um Deus que é o contrário do individualismo, pois é Trinitário. No mundo pós-moderno, onde o individualismo social, econômico e religioso é tido como critério fundamental da vida, a Doutrina da Trindade nos desafia para que vivamos a nossa vocação comunitária, criando uma sociedade de partilha, solidariedade e justiça, no respeito do diferente do outro, pois fomos criados na imagem e semelhança deste Deus que é amor e comunhão. O texto evangélico nos faz lembrar que somos continuadores da missão da Trindade encarnada em Jesus de Nazaré – a de testemunhar o Reino de Deus, vivendo em comunidade o projeto de Jesus, o missionário do Pai, que nos congregou na Igreja pela ação do Espírito Santo. Na medida em que criarmos comunidades alternativas de solidariedade, fraternidade, justiça e paz, estaremos vivendo na imagem e semelhança do Deus Uno e Trino, comunidade e comunhão perfeita, que nos convida a participar da sua própria vida. A festa de hoje não é de um mistério matemático – como se fosse possível explicar “três em um” – mas do mistério do amor de Deus, que nos criou para que vivêssemos comunitariamente na sua imagem e semelhança. É, portanto, ao mesmo tempo celebração e desafio, para que tornemos cada vez mais concreto o projeto de Deus para toda a humanidade, no caminho do discipulado de Jesus.

 

A Trindade está em nosso DNA
“Deus não vive em uma esplêndida solidão, mas é uma fonte inesgotável de vida que se doa e se comunica incessantemente”.

Bento XVI o recordou hoje, dia da Santíssima Trindade, aos 50 mil fiéis presentes na Praça São Pedro para rezar a oração mariana do Ângelus com o papa e ouvir sua alocução. Deus não está fechado em si mesmo, e para constatá-lo, é suficiente observar o macro-universo: nossa terra, os planetas, as estrelas e galáxias; mas também o micro-universo: células, átomos, partículas elementares. “Em tudo o que existe, o nome da Santíssima Trindade está impresso, porque tudo provém do amor, é voltado ao amor, e se move impelido pelo amor, naturalmente em níveis diferentes de consciência e liberdade”. O bispo de Roma sublinhou que Jesus revelou ao homem que Deus não é amor, “na unidade de una só pessoa, mas na Trindade de uma só substancia; três Pessoas que são um só Deus, porque o Pai é amor, o Filho é amor, e o Espírito é amor. A maior prova de que somos feitos à imagem da Trindade é que somente o amor nos faz felizes, pois vivemos para amar e ser amados” – disse o papa, que usou uma terminologia científica: “O ser humano tem em seu genoma o sinal profundo da Trindade, do Deus-amor”. Falando da janela de seu escritório, Bento XVI acrescentou que a liturgia pós-pascal evidencia uma perspectiva a partir da qual podemos entender todo o mistério da fé cristã, e citou as duas solenidades do Senhor que seguem a Trindade: o Corpus Christi e a festa do Sagrado Coração de Jesus. Enfim, o papa invocou Maria, espelho da Santíssima Trindade, para que nos ajude a crescer na fé no ministério trinitário, e concedeu a todos a sua benção: Após rezar a oração do Angelus, o papa saudou os peregrinos em várias línguas, e em espanhol, exortou os fiéis a proclamar a fé em Deus Pai, que enviou ao mundo seu Filho, Caminho, Verdade e Vida, e o Espírito da santificação, para revelar aos homens seu imenso amor, resgatando-os do pecado e da morte. Na próxima quinta-feira, Bento XVI irá à Basílica de São João de Latrão, a catedral de Roma, para presidir a solenidade de Corpus Christi. Após a missa, presidirá pelas ruas do centro de Roma a tradicional procissão eucarística, de São João de Latrão até a Basílica de Santa Maria Maior.
Fonte: Rádio Vaticano, 07/6/2009

 

Domingo, 07 de junho de 2009
Papa Bento XVI fala sobre a Santíssima Trindade
Da Redação, com Rádio Vaticano

“Deus é todo amor, só amor, amor puríssimo, infinito e eterno. Não vive em uma esplêndida solidão, mas é uma fonte inesgotável de vida que se doa e se comunica incessantemente”, destacou o Papa Bento XVI neste domingo, 7, dia da Santíssima Trindade. Cerca de 50 mil peregrinos estiveram presentes na Praça São Pedro para a oração mariana do Ângelus com o Papa. O Santo Padre lembrou as três solenidades do Senhor que a liturgia nos propõe após a festa de Pentecostes: Santíssima Trindade, Corpo de Deus e Sagrado Coração de Jesus. “Cada uma destas celebrações sublinha uma perspectiva a partir da qual se abrange todo o mistério da fé cristã: a realidade de Deus Uno e Trino, o Sacramento da Eucaristia e o centro divino-humano da Pessoa de Cristo”, destacou. Trata-se, na verdade, de “aspectos do único mistério da salvação”. “Num certo sentido, resumem todo o itinerário da revelação de Jesus”. Bento XVI referiu-se então sobre “a Santíssima Trindade tal como a fez conhecer Jesus”: “Criador e Pai misericordioso; Filho Unigênito, eterna Sabedoria encarnada, morto e ressuscitado e o Espirito Santo que tudo faz mover, cosmos e história, em direção à recapitulação final”. “Três Pessoas que são um só Deus porque o Pai é amor, o Filho é amor, o Espírito é amor. Deus é todo amor, só amor, amor puríssimo, infinito e eterno”. Deus não está fechado em si mesmo, e para constatá-lo, é suficiente observar o macro-universo: nossa terra, os planetas, as estrelas e galáxias; mas também o micro-universo: células, átomos, partículas elementares. “Em tudo o que existe, está impresso o nome da Santíssima Trindade, porque tudo provêm do amor, é voltado ao amor, e se move impulsionado pelo amor, naturalmente em níveis diferentes de consciência e liberdade”. O Papa explicou ainda que a Santíssima Trindade, são “três Pessoas que são um só Deus, porque o Pai é amor, o Filho é amor, e o Espírito é amor”. “A maior prova de que somos feitos à imagem da Trindade é que somente o amor nos faz felizes, pois vivemos para amar e ser amados”, disse o Papa, que usou uma terminologia científica. “O ser humano tem em seu genoma o sinal profundo da Trindade, do Deus-amor”.

 

SER HUMANO POSSUI SELO DA TRINDADE EM SEU GENOMA, EXPLICA PAPA
Ao falar do mistério de Deus Uno e Trino com uma palavra: “Amor”

CIDADE DO VATICANO, domingo, 7 de junho de 2009 (ZENIT.org).- Neste domingo, Bento XVI recorreu a uma analogia sugerida pela biologia para explicar que “o ser humano tem no próprio ‘genoma’ um profundo selo da Trindade, do Deus-Amor”. Na solenidade da Santíssima Trindade, que a Igreja celebra hoje, o pontífice dedicou suas palavras do Ângelus a meditar e explicar este mistério central do cristianismo, Deus Uno e Trino, que se resume em uma palavra: “Amor”. Ao dirigir-se aos milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, o Santo Padre explicou que, como o próprio Jesus revelou, Deus é amor “não na unidade de uma só pessoa, mas na Trindade de uma só substância”. “É Criador e Pai misericordioso – esclareceu; é Filho unigênito, eterna Sabedoria encarnada, morto e ressuscitado por nós; por último, é Espírito Santo que move tudo, o cosmos e a história, até a plena recapitulação final.” “Três pessoas que são um só Deus, pois o Pai é amor, o Filho é amor, o Espírito é amor. Deus é todo amor e só amor, amor puríssimo, infinito e eterno”, afirmou o Papa, falando da janela dos seus aposentos. A Trindade, segundo Bento XVI, “não vive em uma esplêndida solidão; pelo contrário, é fonte inesgotável de vida que incessantemente se entrega e comunica”. Para compreender melhor este mistério, o Papa convidou a observar “tanto o macrouniverso – nossa terra, os planetas, as estrelas, as galáxias – como o microuniverso – as células, os átomos, as partículas elementares”. “Em tudo o que existe, encontra-se impresso, em certo sentido, o ‘nome’ da Santíssima Trindade, pois todo o ser, até as últimas partículas, é ser em relação, e deste modo se transluz o Deus-relação; transluz-se, em última instância, o Amor criador”, disse o bispo de Roma. “Tudo procede do amor, tende ao amor e se move empurrado pelo amor, naturalmente, segundo diferentes níveis de consciência e de liberdade”, sublinhou. “A prova mais forte de que estamos feitos à imagem da Trindade é esta – esclareceu: só o amor nos faz felizes, pois vivemos em relação, e vivemos para amar e para ser amados.” Deste modo,o Papa concluiu utilizando uma analogia sugerida pela biologia, que lhe permitiu dizer que “o ser humano tem no próprio ‘genoma’ um profundo selo da Trindade, do Deus-Amor”.

 

BENTO XVI: AMOR EXPLICA MISTÉRIO DA TRINDADE
Intervenção por ocasião do Ângelus

CIDADE DO VATICANO, domingo, 8 de junho de 2009 (ZENIT.org).- Publicamos as palavras que Bento XVI pronunciou neste domingo, antes e depois de rezar a oração mariana do Ângelus junto aos peregrinos reunidos na Praça de São Pedro. * * * Queridos irmãos e irmãs: Após o tempo pascal, culminado na festa de Pentecostes, a liturgia prevê estas três solenidades do Senhor: hoje, a Santíssima Trindade; na próxima quinta-feira, a do Corpus Christi, que em muitos países – entre eles a Itália – se celebra no domingo seguinte; e, por último, na sexta-feira da outra semana, a festa do Sagrado Coração de Jesus. Cada uma destas celebrações litúrgicas sublinha uma perspectiva a partir da qual se abrange todo o mistério da fé cristã: respectivamente, a realidade de Deus Uno e Trino, o sacramento da Eucaristia e o centro divino-humano da Pessoa de Cristo. Na verdade, trata-se de aspectos do único mistério da salvação, que de certa forma resumem todo o itinerário da revelação de Jesus, da encarnação à morte e ressurreição, até a ascensão e o dom do Espírito Santo. Hoje contemplamos a Santíssima Trindade, tal como Jesus a deu a conhecer a nós. Ele nos revelou que Deus é amor “não na unidade de uma só pessoa, mas na Trindade de uma só substância” (Prefácio da Missa da Santíssima Trindade): é Criador e Pai misericordioso; é Filho unigênito, eterna Sabedoria encarnada, morto e ressuscitado por nós; por último, é Espírito Santo que move tudo, o cosmos e a história, até a plena recapitulação final. Três pessoas que são um só Deus, pois o Pai é amor, o Filho é amor, o Espírito é amor. Deus é todo amor e só amor, amor puríssimo, infinito e eterno. Não vive em uma esplêndida solidão; pelo contrário, é fonte inesgotável de vida que incessantemente se entrega e comunica. Podemos intuir isso, de certa forma, ao observar tanto o macrouniverso – nossa terra, os planetas, as estrelas, as galáxias – como o microuniverso – as células, os átomos, as partículas elementares. Em tudo o que existe, encontra-se impresso, em certo sentido, o “nome” da Santíssima Trindade, pois todo o ser, até as últimas partículas, é ser em relação, e deste modo se transluz o Deus-relação; transluz-se, em última instância, o Amor criador. Tudo procede do amor, tende ao amor e se move empurrado pelo amor, naturalmente, segundo diferentes níveis de consciência e de liberdade. “Ó Senhor nosso Deus, como é glorioso teu nome em toda a terra!” (Salmo 8, 2), exclama o salmista. Falando do “nome”, a Bíblia indica o próprio Deus, sua identidade mais verdadeira, identidade que resplandece em toda a criação, na qual todo ser, pelo fato de ser e pelo “tecido” de que está feito, refere-se a um Princípio transcendente, à Vida eterna e infinita que se entrega; em uma palavra, ao Amor. “N’Ele – disse o apóstolo no Areópago de Atenas – vivemos, nos movemos e existimos” (Atos 17, 28). A prova mais forte de que estamos feitos à imagem da Trindade é esta: só o amor nos faz felizes, pois vivemos em relação, e vivemos para amar e para ser amados. Utilizando uma analogia sugerida pela biologia, diríamos que o ser humano tem no próprio “genoma” um profundo selo da Trindade, do Deus-Amor. Nossa Senhora, em sua dócil humildade, fez-se escrava do Amor divino: acolheu a vontade do Pai e concebeu o Filho por obra do Espírito Santo. Nela, o Onipotente construiu um templo digno d’Ele e fez dela o modelo e a imagem da Igreja, mistério e casa de comunhão para todos os homens. Que Maria, espelho da Trindade Santíssima, ajude-nos a crescer na fé no mistério trinitário.
[Tradução: Aline Banchieri. © Copyright 2009 – Libreria Editrice Vaticana]

 

Cardeal Agnelo: como sabemos que em Deus existem três pessoas?
Arcebispo de Salvador fala sobre a Santíssima Trindade

SALVADOR, terça-feira, 9 de junho de 2009 (ZENIT.org).- “Como sabemos que em Deus existem três pessoas?” –questiona o arcebispo de Salvador (Brasil), Dom Geraldo Agnelo. A resposta “é simples”: “Sabemos porque Jesus nos disse. Os apóstolos creram em Jesus. Os evangelistas escreveram. A Igreja continua a anunciar”. Ao falar sobre a Santíssima Trindade em artigo enviado a Zenit hoje, o cardeal reconhece que este é um “mistério” de difícil entendimento, mas que é uma verdade “profunda, íntima a nós mesmos”. “O fato é este: Jesus anunciou aos homens o Pai e seu amor por nós; apresentou a si mesmo como Filho; prometeu e depois enviou aos apóstolos o Espírito Santo que opera sem cessar nas consciências e na Igreja”, escreve o arcebispo. E Jesus “mandou os apóstolos irem por todo o mundo a ensinar a boa notícia e a batizar em nome do Pai, Filho e Espírito Santo”. Segundo Dom Geraldo Agnelo, temos estes pontos “firmemente”. “Outra luz se acende se consideramos que Deus é amor. Esta é a insuperável definição de Deus dada pelo apóstolo João”. Porque Deus é amor, “o mistério trinitário é um mistério de amor. Existe um Pai, existe um Filho. São termos da família humana. João Paulo II em um discurso expôs esta ideia singular: ‘Deus não é uma solidão, é uma família’”. O arcebispo explica: “Deus Pai ama o Filho, e por sua vez é amado pelo Filho. Esta dupla corrente de amor, em Deus, se faz concreta, real, torna-se pessoa: o Espírito Santo. O Espírito Santo, dizem os teólogos que refletiram sobre o Evangelho, é o amor recíproco do Pai e do Filho, feito pessoa”. Segundo Dom Geraldo, quando “sentimos um impulso para o bem”, é o Espírito Santo “que nos fala e nos assiste”. “Quando fazemos alguma coisa de bom, é a força de Deus que opera em nós”. O arcebispo convida todos a estarem “mais atentos ao Espírito de Jesus que quer operar os seus prodígios também em nós e por meio de nós. Assim poderemos testemunhar o evangelho hoje e sempre”.

 

Santíssima Trindade

A prática cristã proclama a existência de Deus, que se manifesta de forma trina, como Pai, Filho e Espírito Santo. Na visão de um padre dos primeiros séculos do cristianismo, Tertuliano, Deus é três em grau, não em condição; em forma, não em substância; em aspecto, não em poder. A Trindade de Deus é uma realidade com profundo apoio nos textos bíblicos.

No universo da existência, dizemos que Deus é o Criador de tudo e de todos. Ele fez com o povo uma Aliança, um pacto de compromisso, entendido como missão. Isto acontece afirmando a unidade de Deus, proclamando a não existência de outros deuses. Deus é um, e não único em relação à existência de outros deuses.

Ao criar o ser humano, Deus já se revela como comunidade, porque fez isto à sua imagem e semelhança. Ele cria a coletividade das pessoas como reflexo de sua existência. As criaturas humanas são chamadas a ser como Deus, como comunidade, no respeito às diferenças, que deve contribuir para a unidade.

Ao enviar os apóstolos em missão, Jesus revela a trindade de Deus mandando batizar em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ao dizer: “Quem me vê, vê o Pai. Eu e o Pai somos um!” (Jo 14, 9-10), está afirmando que na Trindade Divina existe uma perfeita unidade.

Toda criatura humana é chamada a participar do mistério da trindade de Deus, nos dizeres do apóstolo Paulo: “todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm 8, 14). Com isto tornamo-nos filhos adotivos, herdeiros de Deus e impulsionados a viver na liberdade criativa da Trindade, comprometidos com a causa da unidade de todos.

Cabe a cada pessoa fazer sua inserção no dinamismo da Trindade, vendo nos diferentes uma força unificadora e criadora de um mundo novo. Isto acontece na experiência comunitária solidificada na solidariedade, no amor e na comunhão. Tudo deve criar em nós o desejo de construir uma sociedade justa, igualitária e à semelhança da Trindade.

Dom Paulo Mendes Peixoto, Arcebispo de Uberaba
30/05/2012

 

Assim na Terra como no céu
Dom Alberto Taveira Corrêa, arcebispo metropolitano de Belém do Pará

Com muita frequência nos deparamos com os resultados de pesquisas destinadas a compor estatísticas que avaliam as tendências de nosso tempo, nas diversas áreas da vida. Trata-se de uma atividade inteligente, com metodologia precisa, cada vez mais apurada. Durante a semana que passou, já estavam à disposição levantamentos a respeito do que os eleitores levarão em conta nas próximas eleições municipais. Os comerciantes estão sempre atentos às tendências de mercado, os meios de comunicação conferem sua audiência, e daí por diante. Também as estatísticas religiosas nos interessam! Queremos saber com quem estamos tratando, como as pessoas recebem nossas mensagens, o efeito prático de nossa pregação e daí por diante. É que todos querem saber em que chão estão pisando! Há alguns dias, veio-me um desejo diferente, o de tornar-me, como um texto lido há alguns anos, um contador de estrelas, olhando para o alto, ao invés de olhar apenas para o chão, sonhar com o Céu e não apenas constatar a realidade que nos circunda. E redescobri a oração do Pai nosso, tão antiga quanto nova e revolucionária. Para rezá-lo, veio espontâneo o sinal da cruz. Antes do Pai nosso eu disse “Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Vi que traçava, junto com as palavras, a cruz de Cristo sobre mim. Pareceu-me ver o universo aberto de forma diferente, com uma haste voltada para o alto, para o infinito. A outra abraçava o mundo. O contador de estrelas começou a sonhar, mas com os pés no chão! Vi que existe no alto um modelo para caminhar na terra. De fato, há um “plano” pensado desde toda a eternidade, há um sonho de Deus para a humanidade. Seu nome é santificado porque as pessoas são chamadas a viverem voltadas para fora de si, abertas para amar e não dobradas sobre os próprios interesses. Como sou livre, incomodou-me um pouco pensar que no desenho do projeto de Deus está escrito que é para fazer a sua vontade, até que entendi que numa reunião de amor, que dura toda a eternidade, a família de Deus, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, tramaram a estratégia da felicidade. Pareceu-me ver, olhando para as estrelas iluminadas no horizonte da fé, que é mesmo melhor fazer o que agrada a Deus, pois Ele é infinitamente maior do que todas as mentes humanas. E foi então possível rezar de novo “venha a nós o vosso Reino”, constatando que é melhor implantar o Reino que precede e pode iluminar todos os reinos do mundo. Se eu tivesse em mãos todas as constituições de todos os países, e a elas ajuntasse a avalanche de leis que os homens e mulheres elaboram a cada dia, no afã de encontrar saídas para os problemas de nosso tempo, descobriria nelas os rastros daquele “plano”, porque sei que estão plantadas por aí muitas sementes do Verbo de Deus. É que acredito na ação misteriosa e verdadeira do Espírito Santo, que planta o bem onde nós menos esperamos. Nas estrelas do Céu de Deus, vi que estava escrita a lei da providência. Pão do Céu e Pão da terra, pão compartilhado e dividido. Na oração, o sonho de que todos acolham o alimento do Céu e aprendam a lei divina da liberalidade, para que não haja fome nesta terra. Foi bom constatar que a natureza que Deus nos deu foi pensada com inteligência. Não faltam recursos nem comida, mas falta partilha! Quem se volta para o alto descobre a receita da despensa e da cozinha de Deus! O Céu de Deus, a casa da Santíssima Trindade, é amor eterno. Quando desceu a terra, este amor assumiu a face da misericórdia. Que ousadia e que risco corri ao dizer “perdoai-nos assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Viramos o jogo? O Céu e o Pai do Céu se submetem à nossa capacidade de perdoar? É que o plano de Deus nos introduziu num verdadeiro jogo de amor. Numa nova “escada de Jacó” (Cf. Gn 28,12 e Jo 1,51), o Céu e Terra partilham seus dons, ainda que o Céu seja sempre o vencedor, pois a vitória que vence o mundo é a fé! Para chegar a tais alturas, aquele que nos livra do mal nos liberte também da tentação de olhar somente para baixo, nivelando o mundo ao rodapé das constatações frias. Deus tem a palavra e Ele é mais inteligente do que minha pobre percepção da vida. Olhando para Ele, que é família e não solidão, sonhei com o mundo “passado a limpo”, como foi pensado para a felicidade de todas as criaturas de todos os tempos. Sonhei tanto que rezei assim: “Ó Deus, nosso Pai, enviando ao mundo a Palavra da verdade e o Espírito santificador, revelastes vosso inefável mistério. Fazei que, professando a verdadeira fé, reconheçamos a glória da Trindade e adoremos a Unidade onipotente”. E disse “Amém”. E sonhei de novo toda a humanidade vivendo o Céu, na terra e na eternidade!

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