O Espírito Santo é a força divina que muda o mundo, afirma Papa

Solenidade de Pentecostes

Domingo, 20 de maio de 2018, Da redação, com Boletim da Santa Sé

Na Solenidade de Pentecostes, no Vaticano, Francisco comparou o Espírito Santo a uma forte rajada de vento que traz mudança

Papa Francisco durante homilia da Santa Missa na Solenidade de Pentecostes, no Vaticano/ Foto: Reprodução Youtube Vatican News

Na Solenidade de Pentecostes celebrada neste domingo, 20, na Basílica Vaticana, Papa Francisco comparou a vinda do Espírito Santo sob os apóstolos a uma forte rajada de vento. Segundo o Santo Padre, a rajada de vento sugere uma força grande, mas não finalizada em si mesma. “É uma força que muda a realidade. De fato, o vento traz mudança (…) o mesmo, embora a nível muito diferente, faz o Espírito Santo: Ele é a força divina que muda, que muda o mundo”, afirmou.

De acordo com o Pontífice, o Espírito Santo penetra nas situações e as transforma, mudando os corações e as vicissitudes. Francisco aproveitou para recordar as palavras de Jesus aos apóstolos – “Ides receber uma força, a do Espírito Santo (…) e sereis minhas testemunhas” (At 1, 8) – e sublinhou o medo enfrentado pelos discípulos mesmo depois da ressurreição do Mestre, e que só foi transformado pelo Espírito. “De hesitantes, tornam-se corajosos e, partindo de Jerusalém, lançam-se até aos confins do mundo”, disse.

“O Espírito liberta os espíritos paralisados pelo medo. Vence as resistências. A quem se contenta com meias medidas, propõe ímpetos de doação. Dilata os corações mesquinhos. Impele ao serviço quem se desleixa na comodidade. Faz caminhar quem sente ter chegado. Faz sonhar quem sofre de tibieza. Esta é a mudança do coração. Muitos prometem estações de mudança, novos começos, renovações portentosas, mas a experiência ensina que nenhuma tentativa terrena de mudar as coisas satisfaz plenamente o coração do homem. A mudança do Espírito é diferente: não revoluciona a vida ao nosso redor, mas muda o nosso coração”, comentou o Papa.

O Santo Padre atribuiu também ao Espírito Santo a capacidade de manter jovem o coração, impedindo o envelhecimento interior. Segundo o Pontífice, a terceira pessoa da Trindade Santa renova os corações, transformando todos de pecadores em perdoados, de culpados e escravos do pecado, em livres e alegres com um coração de paz.

Francisco frisou como aprendizado da Solenidade de Pentecostes a busca pela verdadeira mudança. “Quando nos encontramos por terra, quando nos debatemos sob o peso da vida, quando as nossas fraquezas nos oprimem, quando avançar é difícil e amar parece impossível. Então servir-nos-ia um forte reconstituinte: é Ele, a força de Deus. É Ele – como professamos no Credo – que dá a vida. Como nos faria bem tomar diariamente este reconstituinte de vida! Dizer, ao acordar: Vinde, Espírito Santo, vinde ao meu coração”, suscitou.

Além dos corações, o Papa destacou que, como o vento, o Espírito Santo sopra por todo o lado e chega às situações, mesmo as mais imprevistas. O Santo Padre prosseguiu citando o livro dos Atos dos Apóstolos, no qual é possível ver um dinamismo contínuo, rico de surpresas do Espírito, e advertiu sobre os que buscam a autoconservação e não vão ao encontro dos distantes.

“Muitas vezes, precisamente nos períodos mais escuros, o Espírito suscitou a santidade mais luminosa! Porque Ele é a alma da Igreja, sempre a reanima com a esperança, enche-a de alegria, fecunda-a de vida nova, dá-lhe rebentos de vida”, afirmou o Pontífice. O Santo Padre continuou pedindo aos fiéis que não se cansem de convidar o Espírito para os ambientes onde estão inseridos, e antes das atividades.

O Papa sublinhou que o Espírito dá intimidade com Deus, e força interior para avançar, mas, ao mesmo tempo, é força centrífuga, isto é, impele para o exterior. “Aquele que conduz ao centro é o Mesmo que envia para a periferia, rumo a toda a periferia humana; Aquele que nos revela Deus impele-nos para os irmãos. Envia, torna testemunhas e, para isso, infunde amor, benignidade, bondade, mansidão. Somente no Espírito Consolador proferimos palavras de vida e encorajamos verdadeiramente os outros. Quem vive segundo o Espírito permanece nesta tensão espiritual: encontra-se inclinado conjuntamente para Deus e para o mundo”, comentou.

Ao final de sua homilia, Francisco pediu o Espírito Santo sobre os fiéis, rogando: “Soprai nos nossos corações e fazei-nos respirar a ternura do Pai. Soprai sobre a Igreja e impeli-a até aos últimos confins, para que, levada por Vós, nada mais leve senão Vós. Soprai sobre o mundo o suave calor da paz e a fresca restauração da esperança. Vinde, Espírito Santo, mudai-nos por dentro e renovai a face da terra”, concluiu.

Derramamento do Espírito Santo
Papa no Regina Coeli: Santidade não é privilégio, mas a vocação de todos

Domingo, 20 de maio de 2018, Da redação, com Boletim da Santa Sé

Em reflexão que antecede oração do Regina Coeli, Francisco recordou importância da Solenidade de Pentecostes para a história da santidade cristã

Da janela do Palácio Apostólico do Vaticano, Papa Francisco iniciou na manhã deste domingo de Pentecostes, 20, a reflexão que antecede a oração do Regina Coeli. Aos fiéis reunidos na Praça de São Pedro, o Pontífice recordou a importância da vivência do derramamento do Espírito Santo sobre os apóstolos e os outros discípulos reunidos em oração com a Virgem Maria no Cenáculo (cf. Atos 2 : 1-11). “Naquele dia começou a história da santidade cristã, porque o Espírito Santo é a fonte de santidade, que não é privilégio de poucos, mas a vocação de todos”, afirmou.

Francisco recordou que, no batismo, todos os cristãos são chamados a participar da mesma vida divina de Cristo e, com a Confirmação – a Crisma —, tornam-se testemunhas no mundo. O Papa seguiu citando um trecho de sua recém-lançada Exortação Apostólica, a Gaudete et exsultate: “O Espírito Santo derrama a santidade em todos os lugares no santo povo fiel de Deus” (Gaudete et exsultate , 6).

O Santo Padre retomou também os desígnios de santidade, anunciado pelos antigos profetas. “Vou colocar meu espírito dentro de você e fazê-lo viver de acordo com as minhas leis e vou fazer você observar e colocar em práticas minhas normas. […] tu serás o meu povo e eu serei o teu Deus”(36: 27-28), afirmou o Papa ao citar a passagem de Ezequiel.

“Hoje é a festa do derramamento do Espírito. Daquele dia de Pentecostes, e até o fim dos tempos, essa santidade, cuja plenitude é Cristo, é dada a todos os que se abrem à ação do Espírito Santo e se esforçam para serem dóceis a Ele. É o Espírito que nos faz experimentar uma alegria plena. Ao entrar em nós, o Espírito Santo derrota a secura, abre os corações para a esperança e estimula o amadurecimento interior no relacionamento com Deus e com o próximo”, sublinhou Francisco.

O Papa seguiu citando a frase de São Paulo: “O fruto do Espírito é o amor, a alegria, a paz, a magnanimidade, a bondade, a fidelidade, a mansidão e o domínio de si” ( Gal 5, 22 ). O Pontífice encerrou sua reflexão pedindo à Virgem Maria uma Igreja renovada em Pentecostes, uma juventude renovada para testemunhar a alegria de viver o Evangelho e a efusão, em todos os cristãos, de um profundo desejo de santidade.

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