Deus é Pai ou Mãe?

Por Pe. Inácio José Schuster

Deus é Pai. Não podemos chamar a Deus de “Mãe”. O chamamos “Pai”, não porque exista algum desprezo à feminilidade ou à maternidade, mas porque Jesus Cristo nos ordenou que lhe chamássemos “Pai” (cf. Mt 6, 9). Além disso, Jesus se referia a Ele como seu Pai e nosso Pai, e Ele mesmo o chamava assim (mais de 50 vezes no Evangelho Jesus se refere ao Pai ou a seu Pai). E, em um momento tão difícil como foi sua oração à noite antes de morrer, até o chamou: Abbá (Mc 14, 36), que tem em aramaico a conotação do trato carinhoso em diminutivo equivalente a “Papai” ou “Papaizinho”.

É certo que a palavra “Pai” é indicativa de algumas qualidades próprias dos pais naturais: proteção, atenção, liderança, força, segurança, estabilidade, diligência, etc. Mas algumas destas qualidades puderam caracterizar também à mãe. Igualmente as qualidades mais típicas da feminilidade e maternidade podem estar presentes nos pais: afeto, ternura, sensibilidade, cuidado, solicitude, dedicação, sacrifício, magnanimidade, etc.

Se observamos as parábolas mais eloquentes do amor paternal de Deus: a do filho pródigo (cf. Lc 15, 11-32) e a da ovelha perdida (Lc 15, 1-7), podemos ver no pai e no pastor traços paternais e também traços que costumamos assinalar às mães. Mas a verdade é que Deus está por cima dessas diferenciações. Tratar de enquadrar a Deus nesses termos terrenos e naturais é não nos darmos conta que Deus é muito mais que isso e que, por ser Quem é, supera infinitamente nossos conceitos limitados e nossa insuficiente terminologia humana. Alguns cristãos acreditam que estão descobrindo um conceito muito novo e de grande amplidão, porque incorpora uma visão feminista de Deus, e equivocadamente pretendem com esta “novela” elevar a dignidade da mulher.

Mas é preciso ter em conta que estes erros teológico-bíblicos não são originais. São trazidos do paganismo, do gnosticismo e da mal chamada “metafísica”. Lembramos que no paganismo, desde o começo as religiões pagãs em seus mitos sobre a criação degradam a ação criativa da divindade. Seitas modernas, como o Mormonismo, também caem nesta aberração. Para os metafísicos, seguidores de uma corrente de pensamento gnóstica e da new age, a criação dos seres humanos a imagem e semelhança de Deus se referiria, entre outras coisas, a que os seres humanos possuímos a masculinidade e a feminilidade. Conceito não só reducionista, mas abertamente equivocado e contrário à teologia bíblica e aos ensinamentos da Igreja.

Esclareçamos que quando a Bíblia diz que nós seres humanos fomos feitos a imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1, 26), não se refere a nossa natureza sexuada, como sugerem os pagãos e os gnósticos e “metafísicos”. Refere-se a que, sendo Deus espírito, nos deu um espírito semelhante ao seu o qual nos permite pensar, raciocinar, decidir e amar. Quer dizer, nossa alma nos assemelha a nosso Deus. A alma humana -entendimento e vontade- é nossa participação na natureza divina (cf. CIC #356), não só porque os seres humanos possuem entendimento e vontade, mas adicionalmente porque no uso reto e virtuoso dessas qualidades que constituem nossa alma, podemos participar na vida de Deus, ao optar por Ele e pelo que Ele deseja de nós.

ORAÇÃO
Pai amantíssimo, Papai Deus, cuja solicitude e ternura para com teus filhos faz que nos sintamos como criança protegida e segura, que nada necessita, porque tudo tem, graças te damos pela Tua infinita Bondade e Misericórdia e porque somos teus filhos. Amém.

 

O Pai e os pais 

Deus é comparado com muitas coisas na Bíblia: patrão, dono de plantação, pastor de ovelhas, luz, sol, fogo, etc. São metáforas, símbolos. No entanto, apesar de ser comparado com um pai, Deus é Pai em pessoa. Deus não é mãe mesmo quando é igual a uma mãe. Assim, não existe o Deus Pai, Mãe, Filho e Espírito Santo. Isto é uma ideia do politicamente correto, mas teologicamente errada. Da mesma forma, Deus não é Pai porque somos pais. Nós somos pais porque Ele é Pai. É uma questão de ordem na igreja e na família. Assim é preciso deixar Deus ser Pai. É preciso deixar o homem ser pai.

O psicanalista francês Charles Melman numa edição da Veja avisou: “Pela primeira vez na história a instituição familiar está desaparecendo e as consequências são imprevisíveis”. Segundo Melman, a ausência paterna no lar é a principal causa deste declínio. Para o psicanalista brasileiro Rubens de Aguiar Maciel, o pai é uma figura fundamental no papel e na sua função que tem para a personalidade da criança: “O papel de pai é mais normativo, tem a ver com as obrigações morais que ele deve ter diante de sua família. A função é algo mais profundo, diz respeito ao mundo interno da criança, à sua personalidade, seu lado emocional”.

Por isto os dados do Censo do IBGE 2010 preocupam quando afirmam que a quantidade de núcleos familiares no Brasil que seguem o modelo tradicional, pai mãe e filhos, representa menos da metade. Os números do Censo Escolar de 2009 já diziam que 5 milhões de estudantes não têm paternidade reconhecida na certidão de nascimento.

Evidentemente que não basta ser um pai presente. Têm pais que estão juntos e matam os filhos. Por isto a ordem do Pai dos pais: “Pais, não tratem os seus filhos de um jeito que faça com que eles fiquem irritados. Pelo contrário, vocês devem criá-los com a disciplina e os ensinamentos cristãos” (Efésios 6.4).

Marcos Schmidt, pastor luterano
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‘Deus não é homem, nem mulher’, diz Bento XVI
Papa analisa vida de Cristo em seu primeiro livro. Bento XVI convida o leitor a descobrir o chamado Jesus real. “Deus não é mãe, na Bíblia mãe é uma imagem, mas não um título de Deus”, afirma o Papa Bento XVI em seu livro “Jesus de Nazaré”, apresentado nesta sexta-feira (13) no Vaticano e com o qual convida o leitor a descobrir o chamado Jesus real, que ele diz não ser um mito. Bento XVI faz essa afirmação em um dos capítulos de seu primeiro livro como Papa, no qual assinala que a comparação do amor de Deus com o amor de uma mãe existe, mas adverte que nem no Antigo nem no Novo Testamento Deus “jamais é invocado ou qualificado como mãe”. “Mãe na Bíblia é uma imagem, mas não um título de Deus”, especifica o Pontífice, acrescentando que “Deus não é nem homem, nem mulher, é Deus, criador do homem e da mulher. O Papa teólogo acrescenta que os cristãos rezam como Jesus ensinou, tendo como base a Sagrada Escritura (o Pai Nosso). Com esta apreciação, o Sumo Pontífice corrige seu antecessor João Paulo I, que em 10 de setembro de 1978 durante a oração do Angelus disse que Deus era “pai e mãe”. “Deus é pai, mais ainda, é mãe. Os filhos se por acaso estão doentes têm uma condição a mais para serem amados pela mãe e se nós estamos doentes de maldade, fora do caminho, temos um motivo a mais para sermos amados pelo Senhor”, disse naquela ocasião Albino Luciani, verdadeiro nome de João Paulo I.

 

Bento XVI afirma no seu livro que “Deus não é mãe”
Cidade do Vaticano, 13 abr (EFE).- “Deus não é mãe, na Bíblia mãe é uma imagem, mas não um título de Deus”, afirma o Papa Bento XVI em seu livro “Jesus de Nazaré”, apresentado hoje no Vaticano e com o qual convida o leitor a descobrir o chamado Jesus real, que ele diz não ser um mito. Bento XVI faz essa afirmação em um dos capítulos de seu primeiro livro como Papa, no qual assinala que a comparação do amor de Deus com o amor de uma mãe existe, mas adverte que nem no Antigo nem no Novo Testamento Deus “jamais é invocado ou qualificado como mãe”. “Mãe na Bíblia é uma imagem, mas não um título de Deus”, especifica o Pontífice, acrescentando que “Deus não é nem homem nem mulher, é Deus, criador do homem e da mulher. O Papa teólogo acrescenta que os cristãos rezam como Jesus ensinou, tendo como base a Sagrada Escritura (o Pai Nosso). Jesus nunca chamou Deus de mãe, sempre o chamou de Pai. Logo não se deve chamar Deus de mãe. Outra coisa interessante também é que os anjos são chamados com nomes masculinos e representados como figuras masculinas. Chamar a Deus de mãe traz em si uma concepção pagã. É a tal da Mãe natureza, mas que não tem nada a ver com a expressão “mãe terra” usada por São Francisco no cântico das criaturas. No entanto não tenho conhecimentos mais profundos desse assunto.

 

Sobre a concepção de um deus feminino
Wicca (religião pagã com práticas de magia).
O movimento Wicca
É o caso do poderoso movimento feminista — na realidade uma verdadeira seita satanista — que se apresenta a si mesmo como uma forma de continuação das bruxas e feiticeiras medievais. Trata-se do movimento Wicca palavra inglesa arcáica da qual deriva o moderno vocábulo witch, bruxa. A seita Wicca se define decididamente como pagã e se coloca conscientemente contra o Cristianismo. Venera a Grande Deusa donde provém toda a vida e para onde tudo retorna. Ao lado, ou antes, abaixo dessa Grande Deusa está o poderoso deus cornudo, derivado do princípio feminino, o qual dizem elas, na época de perseguição às bruxas, era identificado com demônio bíblico. Trata-se de um panteísmo de cunho feminino, e não é de admirar que a seita procure vinculações com o movimento feminista e se considere parte integrante e militante dele, por razões religioso-filosóficas.

 

Chamar a Deus de mãe
Wikipédia
Conceito de deusa mãe no paganismo

As religiões pagãs são, no ocidente, aquelas que mais focalizam os cultos em uma Deusa Mãe. Na religião Wicca acredita-se em uma força superior, a Grande Divindade, de onde tudo veio. Essa força superior é adorada sob a forma de duas divindades básicas: a Grande Mãe e o Deus Cornífero. Esse Casal Divino representa todos os demais deuses das diversas mitologias adotadas pelos wiccanos. Como algumas tradições wiccanas seguem uma infinidade de Deusas e Deuses, a crença pagã é que todas essas deusas e todos esses deuses são aspectos diferentes da Grande Deusa e do Grande Deus. Daí o ditado da Wicca que diz que “Todas as deusas são uma Deusa e todos os deuses são um Deus (Dualidade cósmica). A Deusa Mãe é a geratriz de Todo o Universo e de tudo o que ele contém, daí a frase: Tudo vem da Deusa e tudo para ela retorna. Uma conseqüência do culto à Deusa Mãe na Wicca é a super-valorização da natureza, justificada pela sua ligação à Terra, na forma de Gaia. Além da Terra, outro símbolo muito importante da Deusa é a Lua, onde se manifesta de três maneiras, na forma de Deusa Tríplice, sendo a Lua Cheia associada ao seu aspecto de Deusa Mãe. Uma questão que muitas vezes se levanta na Wicca é se A Deusa é mais importante do que O Deus. O que se pode dizer é que é uma discussão inócua. A Deusa e O Deus são de igual importância na Wicca. Embora pareça haver mais enfoque à Deusa, as duas divindades básicas da Wicca são complementares. Não há hierarquia entre elas.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Deusa_m%C3%A3e

Wicca é uma religião neopagã influenciada por crenças pré-cristãs e práticas da Europa ocidental que afirma a existência do poder sobrenatural (como a magia) e os princípios físicos e espirituais masculinos e femininos que inteiram a natureza, e que celebra os ciclos da vida e os festivais sazonais, conhecidos como Sabbats, os quais ocorrem, normalmente, oito vezes por ano. A Wicca é uma religião politeísta, de culto basicamente dualista, que crê tradicionalmente na Mãe Tríplice e no Deus Cornífero, ou religião matriarcal de adoração à Deusa mãe. Estas duas deidades são muitas vezes vistas como faces de uma divindade panteísta maior, ou que se manifestam como várias divindades politeístas.

 

O correto é chamar Deus de PAI e não de MÃE
Deus não tem sexo. Ele é representado como Pai (Vide a oração do “Pai Nosso”) e não como Mãe porque se Deus fosse “Mãe”, teríamos Sua substância uma vez que o filho nasce ligado à mãe pelo cordão umbilical. Ou seja: o filho recebe a substância da mãe para formar seu corpo. A consequência disso? A Gnose, que é uma mentira, seria verdadeira, ou seja, TERÍAMOS ESSÊNCIA DIVINA EM NOSSO SER. O que é falso. Não somos deuses em potencial.
FONTE: http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR

 

O Catecismo da Igreja Católica também diz algumas coisas sobre o porquê de Deus ser chamado de Pai.
II. A revelação de Deus como Trindade
O PAI REVELADO PELO FILHO
238. A invocação de Deus como «Pai» é conhecida em muitas religiões. A divindade é muitas vezes considerada como «pai dos deuses e dos homens». Em Israel, Deus é chamado Pai enquanto criador do mundo (38). Mais ainda, Deus é Pai em razão da Aliança e do dom da Lei a Israel, seu «filho primogénito» (Ex 4, 22). Também é chamado Pai do rei de Israel (39). E é muito especialmente «o Pai dos pobres», do órfão e da viúva, entregues à sua protecção amorosa (40).
239. Ao designar Deus com o nome de «Pai», a linguagem da fé indica principalmente dois aspectos: que Deus é a origem primeira de tudo e a autoridade transcendente, e, ao mesmo tempo, que é bondade e solicitude amorosa para com todos os seus filhos. Esta ternura paternal de Deus também pode ser expressa pela imagem da maternidade (41), que indica melhor a imanência de Deus, a intimidade entre Deus e a sua criatura A linguagem da fé vai, assim, alimentar-se na experiência humana dos progenitores, que são, de certo modo, os primeiros representantes de Deus para o homem. Mas esta experiência diz também que os progenitores humanos são falíveis e podem desfigurar a face da paternidade e da maternidade. Convém, então, lembrar que Deus transcende a distinção humana dos sexos. Não é homem nem mulher: é Deus. Transcende também a paternidade e a maternidade humanas (42), sem deixar de ser de ambas a origem e a medida (43): ninguém é pai como Deus.
240. Jesus revelou que Deus é «Pai» num sentido inédito: não o é somente enquanto Criador: é Pai eternamente em relação ao seu Filho único, o qual, eternamente, só é Filho em relação ao Pai: «Ninguém conhece o Filho senão o Pai, nem ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar» (Mt 11, 27).
241. É por isso que os Apóstolos confessam que Jesus é «o Verbo [que] estava [no princípio] junto de Deus» e que é Deus (Jo 1, 1), «a imagem do Deus invisível» (Cl 1, 15), «o resplendor da sua glória e a imagem da sua substância» (Heb 1, 3).
242. Na esteira deles, seguindo a tradição apostólica, no primeiro concílio ecuménico de Niceia, em 325, a Igreja confessou que o Filho é «consubstancial» ao Pai (44), quer dizer, um só Deus com Ele. O segundo concilio ecuménico, reunido em Constantinopla em 381, guardou esta expressão na sua formulação do Credo de Niceia e confessou «o Filho unigénito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos, luz da luz. Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai» (45).
http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p1s2c1_198-421_po.html

 

Deus: Homem ou Mulher?
Por A Catequista em 19/04/2012
http://ocatequista.com.br/?p=5418

No imaginário geral, Deus Pai é um senhor sisudo de barba branca, bem parecido com Jesus, só que mais velho. Mas a verdade é que Ele não é mesmo assim. Bem, talvez até seja… mas não existem bases para afirmar que Ele tenha alguma forma humana, seja de homem ou de mulher. Ele é espírito, e não se enquadra dentro de nenhuma destas categorias biológicas. O Catecismo da Igreja Católica define muito bem essa questão: “Deus não é de modo algum à imagem do homem. Não é nem homem nem mulher. Deus é puro espírito, não havendo nele lugar para a diferença dos sexos” (CIC, 370). Ou seja, quando a Bíblia diz que fomos criados à imagem e semelhança de Deus, não se refere à forma física, mas sim ao intelecto superior às demais criaturas, à capacidade moral que nenhum outro animal tem, ao dom da vida eterna, à capacidade de se relacionar de forma consciente e livre com Deus. Tanto isso é verdade que, logo após dizer “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”, Deus determinou: “Que ele reine sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos e sobre toda a terra, e sobre todos os répteis que se arrastem sobre a terra” (Gn 1, 26). É bem verdade que Deus Filho veio ao mundo como um Menino, porém, quanto a Deus Pai… “Ninguém jamais viu Deus” (João 1, 18). Se bem que teve um sujeito que passou bem perto disso: Moisés. Confiando na intimidade de que gozava com o Criador, o profeta ousou pedir que Deus se revelasse aos seus olhos. Deus não topou, mas ao menos lhe deu a imensa graça de vê-Lo de costas. Moisés disse: “Mostrai-me vossa glória”. E Deus respondeu: “Vou fazer passar diante de ti todo o meu esplendor (…). Mas, ajuntou o Senhor, não poderás ver a minha face, pois o homem não me poderia ver e continuar a viver. (…) Quando minha glória passar, te porei na fenda da rocha e te cobrirei com a mão, até que eu tenha passado. Retirarei depois a mão, e me verás por detrás. Quanto à minha face, ela não pode ser vista” (Êxodo 33, 18-23). Deus não é homem nem mulher, mas uma coisa é certa: Ele quis se revelar nas Escrituras por meio de uma personalidade masculina. É fácil perceber que a maioria esmagadora das referências do Antigo Testamento se refere ao Senhor como um ser masculino; ele sempre é chamado de “Senhor”, e jamais de “Senhora”. Sim, há as algumas passagens em que Deus se coloca em um contexto mais feminino (“Mas agora grito, como mulher nas dores do parto” – Is 43, 14), mas são bem raras. É importante notar que esta absoluta predominância do tratamento masculino a Deus nas Escrituras não é determinada simplesmente pelo contexto cultural do povo hebreu, ou seja, pelo patriarcalismo. Afinal, o próprio Cristo se referia ao Criador como Pai, e se dizia “Filho do Homem”. E, quando ensinou seus discípulos a rezar, disse: “Pai Nosso…”. Mas, para ajudar a embananar as coisas, certa vez o Papa João Paulo I declarou que Deus é pai, mas é mãe também (1). Neste sentido, Bento XVI parece discordar de João Paulo I. No seu livro “Jesus de Nazaré”, o Papa alemão observa que “Deus nunca é designado como mãe” na Bíblia, mas somente como pai. Ele também salienta que, “apesar de todas as imagens do amor materno, ‘mãe’ não é nenhum título divino, não é nenhuma alocução para Deus” (2). Certo, Deus se revelou na Bíblia por meio de uma personalidade masculina, mas por quê? Bento XVI explica que o Deus de Israel precisava mostrar a Sua total diferenciação das divindades maternas adoradas pelos povos que cercavam os israelitas: “…a imagem do pai era e é adequada para exprimir a alteridade entre Criador e criatura, a soberania do ato criador. Somente por meio da exclusão das divindades maternas podia o Antigo Testamento levar à maturidade a sua imagem de Deus, a pura transcendência de Deus”. (2) No livro, Ratzinger esclarece ainda que a sua tese não explica todo o mistério, e nem tampouco tem a pretensão de ser uma verdade absoluta. Bem, mas já nos ajuda a compreender algo do Ser de Deus Pai.

Notas: (1) Site do Vaticano. Papa João Paulo I – Angelus Domini. 10/09/1978 (2) Bento XVI, Papa, 1927 – Jesus de Nazaré : primeira parte : do batismo no Jordão à transfiguração / Joseph Ratzinger; São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2007, p. 130-131

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