Livres para Amar

Como namorar a pessoa certa?
Fernanda Soares e Jason Evert

Até agora dizemos o que não podemos fazer, mas isso não é o suficiente, pois, se vamos encontrar um amor verdadeiro, é preciso saber o que devemos fazer. É preciso saber o que fazer para encontrar um amor em Deus. Vou dar dez passos para você namorar a pessoa certa.

Primeiro passo: Entender o motivo, a razão de namorar. O objetivo de namorar é encontrar o cônjuge e não porque você está sozinho, sem ninguém. Quando você conhece a pessoa e começa a namorá-la porque ela cheira bem, namora e não dá certo e você termina o namoro. Isso não é um treinamento para o casamento, é um treinamento para o divórcio! Se você sente-se atraído pela pessoa sexualmente, fisicamente, isso não é suficiente. Conheci uma jovem que tinha um namorado que a traía e ela sabia disso, mas dizia: ”Não quero terminar”. Ele afirmava que, quando beijava outra garota, pensava nela. A infidelidade é uma característica que você aceitaria no casamento? Então você também não a deve aceitar enquanto está namorando. Precisamos namorar para discernir o casamento.

Segundo passo: conheça a inteligência e a moral da pessoa com que você namora antes do casamento. Conheço uma jovem que diz que não se casa se o rapaz não for merecedor de seu corpo, não que ela seja belíssima, mas porque se reconhece templo do Espírito Santo. Minha esposa não sabia o que queria em um rapaz, então fez uma lista com 60 itens para um rapaz. E ficou três anos sem namorar ninguém, e depois desse tempo, ela começou a namorar. E esse rapaz sou eu. Então ela começou a fazer uma investigação de minhas qualidades, mas isso havia se tornado uma barreira envolta de seu corpo e seu coração, eu precisava ser homem o suficiente para superar aquelas barreiras. Meninas, não queiram um homem perfeito, sejam vocês perfeitas. Ontem falávamos de pornografia, você coloca sobre você um “óculos de pornografia”, é preciso ir tirando essas coisas da nossa frente!

Terceiro passo: Traga sua família para seu relacionamento. Eu sempre perguntava à minha mãe: “O que você acha da Cristalina?” Porque, se seus relacionamentos não forem bons, você vai querer escondê-los da sua família. Um rapaz conheceu uma garota e o pai dela não permitiu que ele a namorasse, ele queria que a filha se concentrasse nos estudos. E eles começaram a namorar escondido, mas ele não conseguia mentir para o pai da moça. Então decidiu terminar o relacionamento, eles haviam escrito centenas de cartas amorosas um para o outro e ele as colocou numa caixa e enterrou no quintal na casa dela e se foi. Rezou a Deus pedindo que, se ela fosse a esposa da vida dele, o Senhor abrisse o coração de seu pai. Três depois o pai dela ligou para ele e lhe disse que gostaria de tê-lo em sua família, que sua filha estava preparada para namorá-lo. Um dia ele a convidou para plantarem uma árvore, chegando lá ele desenterrou a caixa e retirou a última carta que ele havia escrito para ela, mas ela nunca a havia lido, e lá estava o pedido de casamento para ela. O rapaz o fez de joelhos. E hoje eles são casados e têm uma família linda. No casamento, na intimidade sexual, você está ligado ao outro e deve focar no lado bom dele, não no mau. Ela deve se esquecer de que ele ronca, que bebe leite diretamente na garrafa. Agora imagine o sexo fora do casamento: você foca no lado bom do outro e não percebe que tem um relacionamento ruim, o sexo tapa a visão do relacionamento; as pessoas de fora percebem que o relacionamento não vai bem, mas você não. Uma mãe das Filipinas me perguntou como ela poderia ensinar a filha quando é um amor verdadeiro. Quanto mais perto dele, tanto mais livre você é, e isso acontece quanto mais perto da família dele você está.

Quarto passo: Faça com que seus compromissos sejam claros. Hoje as jovens estão confusas porque os homens não lhes dão segurança. A garota passa horas na casa da amiga falando do rapaz, e ele está em casa jogando, e não fala dela com ninguém. A mulher fala três vezes mais palavras do que os homens. Nos relacionamentos os moços não falam, então a jovem não sabe o que ele está pensando; por isso é importante que os homens aprendam a falar também. Se você tem dúvida se namora ou se vai ser sacerdote, não namore! Vá discernir a vocação primeiro. O relacionamento precisa ser planejado até mesmo nas paqueras. Quando você for levá-la para namorar puxe a cadeira para ela, dê a melhor visão para ela, sente-se virado para a parede mostre que seu foco está nela. E depois de casado você precisa continuar namorando sua esposa.

Quinto passo: Namore face a face. Desligue o computador, não fique namorando só na internet, você precisa namorar face a face.

Sexto passo: Mantenha a pureza. O futuro do seu relacionamento não é determinado pela intensidade das suas emoções. A proximidade do sacramento do matrimônio não lhe dá a oportunidade para pecar mais. Quanto mais perto do sacramento, tanto mais você deve se preocupar com a alma daquela pessoa. No dia do casamento, você vai usar um vestido branco, mulher, então, faça com que a sua alma esteja da cor do vestido do seu matrimônio! Aquilo que é externo não vai penetrar sua alma, mas a sua alma vai resplandecer no seu exterior. Então por que no dia do casamento o homem usa preto? Assim como o sacerdote usa batina preta para mostrar que, a partir daquele momento, morreu para si a fim de que o outro viva. E isso é próprio do homem e, assim, deve ser no casamento. Você não precisa proteger sua namorada de um tiro, você precisa protegê-la de você mesmo, da luxúria que está em você! Imagine o rapaz e uma moça no namoro, se o homem engravidasse? Tudo seria diferente. Ele não iria engravidar porque o treinador do futebol brigaria com ele porque engravidou. Quando o amor é de verdade a pessoa quer proteger o amado. São João diz em suas cartas que nós devemos ser puros como Deus é puro. A pureza de Deus Pai é o nosso patamar. A Igreja não diz para você não ir até o fim. Pelo contrário, a Igreja diz: vá até o fim, dê a ela seu último nome, um anel, toda sua respiração. João Paulo II afirmou que o homem não pode viver sem amor. Mas só o homem puro e a mulher pura podem viver o amor, porque desejam o céu um para o outro.

Sétimo passo: Evite ocasiões de pecado. Os desejos sexuais não são o mesmo que luxúria. Se você não tem desejo sexual não quer dizer que você seja santo, quer dizer que você está provavelmente morto. Tem diferença entre um passarinho voando sobre você e um passarinho fazendo um ninho na sua cabeça. Quando vierem os desejos leve-os para Deus. Você pode rezar o tempo todo. Vocês, moças, podem ajudar a nós, homens, em nossa pureza sendo modestas. Não usem blusas mostrando a barriga, a barriga do homem não é muito excitante. A barriga da mulher é o tabernáculo da vida. Você, mulher, tem o poder de mudar o homem. Um casal se conheceu no Texas e ele dormia com muitas moças e conheceu uma moça boa e queria namorá-la, ela não acreditou nele e disse a ele que para namorá-la ele precisaria fazer três coisas: pedi-la em namoro ao pai dela, ler um livro de 500 páginas sobre a Teologia do Corpo, e não beijá-la até o dia em que ele tirasse seu véu no casamento. Ele fez tudo o que ela lhe pedira e eles se casaram. Mulher, você tem o poder de mudar o homem!

Oitavo passo: Não morem juntos antes de se casar. Pessoas que moram juntas antes de se casar são duas vezes mais propensas ao divórcio. Muitas pessoas afirmam que moram juntas para ver se são compatíveis. Se você é homem e você é mulher, vocês nunca serão compatíveis. Meninas, pensem nisso, vocês saem uma noite com o rapaz e ele é grosso no fim da noite, simplesmente lhe diz: “tchau”. Agora imaginem com seis meses de namoro… Imaginem se vocês têm relação sexual será muito mais difícil romper o namoro.

Nono passo: Curta sua vida de solteiro. Ao invés de correr atrás de um jovem, corra atrás de Deus! Muitas moças estão tão preocupadas em correr atrás de um rapaz que se perdem de si mesmas. Depois de ter corrido atrás de Deus, olhe para o seu lado e veja quem está correndo atrás de Deus com você. Porque um homem que não busca a Deus não pode educar seus filhos.

Último passo: Não perca a esperança! Pode ser difícil, mas não perca a esperança. Deus responde nossa oração. Com Cristo nós podemos fazer qualquer coisa. Na Igreja primitiva havia 40 soldados que acreditavam em Jesus, mas o imperador não. Foi lhes pedido que negassem a fé, e eles não a negaram. Mandaram-nos para um lago congelado e lhes disseram que deveriam ficar lá até morrer. Esses mártires da Igreja morreram. Tinham amor o suficiente por Jesus Cristo para renunciar a qualquer coisa.

 

Como salvar seu casamento antes de conhecer seu futuro esposo(a)
Jason Evert

Minha meta é ajudá-lo a encontrar o amor de Deus. Há dois anos, minha avó faleceu. Eles tinham dez filhos, mas eram sempre enamorados. No velório de minha avó, ele foi até o caixão dela, deu-lhe um beijo no nariz e lhe disse: “Tchau, baby”. Eles tinham quase 100 anos e ainda se amavam. Isso é amor! Hoje, quando falamos em relacionamentos, pensamos em sexo. Como você fará um casamento dar certo, se você tem essa mentalidade? Há diversos “especialistas em casamento” que estão vivendo seu quarto ou quinto matrimônio. Mas saibam que um grande homem falou muito sobre o amor, embora ele nunca tenha sido casado: João Paulo II. O saudoso Papa escreveu o livro ‘Amor e Responsabilidade’, e nele lemos que o castidade é uma virtude que devemos sempre conquistar. Certa vez, uma jovem disse para seu namorado que não queria mais viver uma vida sexual com ele. Ela o estava testando, e ele não aceitou a proposta dela! Então, ela terminou o namoro e, acredite, estava feliz, pois viu que ele estava interessado apenas no sexo. Aonde devemos procurar o amor como uma virtude? Nos Estados Unidos da América há uma revista que, em um de seus artigos, falou sobre castidade. Em entrevista com mais de dois mil jovens, eles descobriram que os jovens que não tiveram relação sexual antes do casamento eram mais saudáveis e felizes, pois sabiam conversar e dialogar. Mas nós não podemos parar apenas nessa leitura, pois temos a Sagrada Escritura, temos o livro do Cânticos dos Cânticos, o qual fala sobre o amor de uma forma verdadeira. Vocês já viram algum filme que fala de uma sincera amizade entre o homem e a mulher, sem que eles tenham uma relação sexual? Por vezes, os relacionamentos acontecem de forma tão intensa que um não consegue esperar o tempo do outro. Daí, acontece que uma menina conhece uma cara bonito, e, por começarem a se gostar, trocam mensagens. Tempos depois, ela começa a fazer descoberta de que ele assistia a pornografia e outras coisas. Por isso, o tempo é necessário para que você possa conhecer gostos do seu parceiro e saber como ele trata outras meninas ou até mesmo como ele trata a mãe dele. Quanto aos homens, o tempo serve para que eles saibam se a namorada deles será ou não uma boa esposa, uma boa mãe. Se você começa um relacionamento tão rápido, não conhece de forma profunda o outro. As mulheres são conquistadas por aquilo que elas escutam; já os homens são conquistados por aquilo que eles veem. Mesmo que os homens sejam bonitos, é pelo que ele fala que a mulher é atraída. Mulheres, ensinem os homens a olharem para a sua dignidade. Penso que uma mulher não vai convencer um rapaz da sua dignidade se antes ela mesma não se convencer da sua própria dignidade. Vista-se com modéstia, mas não de forma feia, mas porque os estranhos não são dignos de ver tanta beleza. Só um homem é capaz de ver a glória do mistério que ainda não foi revelado, e isso se dará após o casamento. Para encontrarmos o amor que queremos, devemos superar nossos medos. Para o homem, o medo é iniciar um relacionamento, medo de perder sua liberdade. Ele tem estampado em seu corpo a iniciação para o amor. É o homem quem deve iniciar um relacionamento, mas também não estou dizendo que as mulheres devem ser passivas; no entanto, cabe ao homem a iniciativa no relacionamento. Ouvi certa vez: “Não sejam indecisos, façam o convite! Chamem-nas para sair!”. Na arte, o homem é sempre ativo. Quando o tempo é o certo, não podemos ser passivos. Se o homem tem medo do compromisso, a mulher tem medo do comprometimento, de ser aceita por ele. Há meninas que perderam a sua virgindade e são frustradas, acham que um outro homem não vai mais querê-las pelo fato de não serem mais virgens. Quando as meninas têm dois anos de idade, elas querem ser notadas. Se elas não têm um bom pai, não ouvem coisas bonitas dele. E, quando chegam à sua idade adulta, elas começam a ouvir isso dos homens, e, aparentemente, isso vai lhes bastando. A mulher anseia pelo amor, mas não é desse jeito que ela irá encontrá-lo, pois ela procura o amor do pai. Você precisa rezar e pedir que ela seja curada do seu relacionamento com seu pai. Certa noite, fui colocar minha filha para dormir e dei um abraço nela; depois disso, ela não me deixava sair de perto dela. Retornei, dei-lhe um outro abraço e ela me disse: “Nossa, pai, foi muito amor!”. E eu lhe disse: “É isso mesmo, é muito amor!”.

 

Desintoxicando de toda pornografia 
Fernanda Soares e Jason Evert

Nesta palestra sobre pornografia, sei que soa um pouco estranho meu comentário, mas a única coisa que temos de fazer é crescer nosso amor pelas atrizes pornográficas por meio dos escritos de João Paulo II. Um bispo disse que todos os ensinamentos da Igreja são difíceis para as pessoas aceitarem. Como fazer para isso seja atraente para o mundo moderno? Certa vez, falou que João Paulo II: “É necessário entender a alma da mulher. Não é isso que toda mulher quer? Ser compreendida? Não é isso que todo homem tenta fazer? Entender o mistério feminino? E se vamos entender a alma da mulher, precisaremos entender o corpo dela”. No início, o corpo nu de Eva era um convite para Adão amá-la como Deus a amava. Amor livre, total, fiel e aberto à vida. O corpo dela era um convite ao amor. O corpo é bom, muito bom. A meta da pureza não é apenas olharmos para ele, mas aprender a olhá-lo de uma maneira apropriada. Infelizmente, ao crescer, eu confundi amor com luxuria, pois vi a pornografia, pela primeira vez, aos 9 anos. Ela foi entrando em minha vida e eu achava que não havia problema. Mas quando o homem é viciado em coisas pornográficas, ele fica masculinizado. Na pornografia, o homem arranca da mulher o que ele quer. Uma vez, conheci uma atriz pornô em um aeroporto. Ela havia posado nua para revistas. Quando vemos pornografia, não olhamos apenas para um corpo, mas também para a filha de alguém. Muitas mulheres que vivem neste mundo pornográfico foram violentadas, e os profissionais dessa indústria tem uma alta taxa de mortalidade por drogas, assassinatos e depressão. Na Igreja Católica, há o Santo Vitalis de Gaza. Ele gastava todo o dinheiro que tinha com as prostitutas de sua cidade, mas não dormia com elas; pelo contrário, ele pregava o Evangelho para elas. Muitas dessas mulheres, converteram-se e tornaram-se grandes esposas. Um tempo depois, ele foi morto por uma dessas prostitutas; isso fez com que as outras fizessem uma procissão até seu túmulo. Digo isto para afirmar que eu acredito na redenção do homem e da mulher, estejam eles em qualquer situação. Sabemos bem que, quando pecamos, buscamos formas de justificar nossos erros. Deus não se importa com aquilo que não fizemos, mas Ele quer saber o que fizemos, pois Ele é obcecado pelo coração do homem. A mulher, quando vive a pornografia, é machucada, seja pelas doenças sexualmente transmissíveis ou pelas doenças da alma. A única saída para elas é amor. Não podemos julgá-las, porque muitas delas perderam a fé ou até mesmo não se amam mais. Os homens que ficam, mais de uma hora, vendo pornografia, consegue ver, no corpo da mulher, aquilo que levaria mais de cem anos para descobrir. Quando esse mal entra no casamento, este pode acabar! Há casais que admitem viver a pornografia ainda casados, pois acham que o casamento é o preenchimento de tudo o que veem  dela. Há filhos que sabem que seus pais tem acesso a revistas e filmes pornográficos. Quando isso acontece, a figura do pai para aquele jovem ou adolescente se torna distorcida. Recordo-me que, quando me casei, eu consegui ver a sombra da minha esposa pela janela. Logo que ela entrou, é como se eu tivesse visto a imagem da mão de Deus, atrás dela, dizendo-me: “Eis aí a sua esposa. Valeu a pena esperá-la!”. A mulher é a coisa mais linda que Deus criou! Nada existe de mais belo do que ela. Se ela é a coisa mais linda sobre a terra, um ser perfeito do Céu, devemos aprender que é atrás dela que o homem pode se achegar a Deus.

 

Livre para amar 
Emanuel Stênio

É bonito quanto entendemos que somos homens e mulheres livres, porque Cristo nos libertou; é um dom que nos diferencia dos animais e dos anjos. A liberdade é dom de Deus, que nos faz filhos d’Ele. Nós nos perguntamos: “Por que existe o mal?”. Precisamos entender que o mal só acontece pelo mau uso que o homem faz da sua liberdade. Todos nós somos livres, temos o direito de escolher o que fazer, seja em relação às coisas grandes ou pequenas. Deus nos deu essa liberdade, e é por causa dela que o pecado entrou no mundo. Eva tinha a escolha de não ser enganada pela serpente. No capítulo terceiro de Gênese, encontramos o diálogo entre Eva e a serpente, que, por meio de uma mentira, começou a mudar a verdade de Deus. São João ainda diz que “o demônio é o pai da mentira”. Cuidado com ele, porque vai tentar seduzi-lo como fez com Eva. Qual é nosso erro? Por que caímos? Porque conversamos com o pecado. Se Eva não tivesse escutado a serpente, talvez tivesse conseguido vencer aquela tentação. Não dê ouvidos à tentação, não dialogue com ela. Entenda que o primeiro pecado não aconteceu porque Adão e Eva comeram a maçã, mas por causa da desobediência, do orgulho, pois queriam ser como Deus. Por essa razão, tornamo-nos escravos do pecado, escravos do mal. Graças ao amor infinito e misericordioso de Deus, Ele enviou profetas para nos mostrar o caminho. Deus, por amor, nos enviou também Seu Filho para nos libertar da escravidão, por isso somos livres. São Paulo nos diz, em Romanos, capítulo 6 versículo 23, que: “O salário do pecado é a morte”; mesmo que não seja uma morte física, morremos espiritualmente. Quantos, ainda escravos do pecado, alegram-se por momentos de prazer, mas, depois, encontram tristezas e mais solidão. Isso é a morte, e não podemos permanecer nela. Mesmo com tribulações, somos felizes, porque temos Deus. O preço que nos salvou foi o Sangue de Jesus que nos resgatou e nos libertou de toda escravidão. Convença-se desta verdade: você é livre pelo Sangue de Jesus! Não podemos ficar presos ao pecado, aos vícios, à masturbação, ao adultério, à bebida, ao cigarro ou às drogas, porque o Senhor nos libertou pelo Seu Sangue precioso. Quantos de nós vamos à Missa para participar, cantar e tocar, mas, quando tudo termina, voltamos para casa e continuamos com os nossos vícios? Tome posse da sua liberdade, porque Jesus o libertou. Você precisa dar mais valor à salvação divina. Liberdade é a graça que Deus nos deu de escolhermos o que quisermos. Ninguém colhe o que não semeia; tudo tem consequências. No vício, o ser humano vende sua liberdade para algo que parece bom, mas, na verdade, torna-se escravo dele. Livre é aquele que escolhe o bem. Para aquele que tem um vício, eu lhe digo: você não é livre! Quando nós nos aprisionamos ao vício, nós nos tornamos escravos dele. O pecado vicia. Se a pessoa é boa hoje, precisa esforçar-se para ser boa amanhã também, lutar para viver sem o vício. É preciso entender que não se pode mais viver sob o jugo da escravidão. Não se deixe ser amarrado. Nós somos atraídos para o pecado, parece que sentimos uma necessidade aparente dele, mas nossa real necessidade é de Deus. Só no Senhor seremos verdadeiramente felizes. Quantos jovens passam a madrugada toda nas redes sociais e não têm tempo para Deus! Se não existe esforço, não há vitória. Não adianta apenas a graça, é preciso esforço. Se você quer se libertar da cachaça, passe longe do bar; se quer se libertar das drogas, fuja das “amizades” que o levam para elas. Se você quer se libertar da sexualidade desregrada, afaste-se dos “amigos” que o levam para isso. Corte o mal pela raiz! Você precisa desviar os seus olhos não só das coisas grandes, mas também das pequenas, pois são essas pedras pequenas que o fazem tropeçar e cair. Não dê brechas ao pecado, não dê oportunidades a ele. Você precisa tomar posse desta verdade: você foi liberto e precisa amar, de verdade, como Jesus o ama. É um amor de cruz, não é como o amor que o mundo nos apresenta. Amar não é se apaixonar, não é ter prazer; o amor verdadeiro faz renúncias, ele está onde há liberdade.

 

Mulheres segundo o coração de Deus 
Fernanda Soares

Você, que é homem, nunca vai compreender o mistério que é a mulher. Você percebe que o mundo de hoje está “anormal”? E que o homem e a mulher não sabem mais qual o seu papel? Para compreendermos isso melhor, vamos entender qual a identidade da mulher. O Senhor Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só; vou dar-lhe uma ajuda que lhe seja adequada. Tendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todos os animais dos campos, e todas as aves dos céus, levou-os ao homem, para ver como ele os havia de chamar; e todo o nome que o homem pôs aos animais vivos, esse é o seu verdadeiro nome. O homem pôs nomes a todos os animais, a todas as aves dos céus e a todos os animais dos campos; mas não se achava para ele uma ajuda que lhe fosse adequada. Então o Senhor Deus mandou ao homem um profundo sono; e enquanto ele dormia, tomou-lhe uma costela e fechou com carne o seu lugar. E da costela que tinha tomado do homem, o Senhor Deus fez uma mulher, e levou-a para junto do homem” (Gênesis 2, 18-22). O livro ‘O silêncio de Adão’ explica por que um homem nunca vai entender uma mulher, pois quando Deus a criou, Adão estava dormindo. E a mulher não vai entender o homem, porque, quando Deus nos criou, nós nem existíamos. Muitas vezes, nem eu me entendo, porque você quer me entender? A mulher tem vários hormônios, de acordo com seu ciclo menstrual, e, cada dia, ela está de um jeito. A mulher foi criada para estar ao lado do homem, segundo o coração de Deus, para construir, formar, dar a vida, amar e servir. No entanto, a mulher que não está ao lado do homem, como é o desejo do Senhor, vai destruí-lo. O feminismo destruiu o papel da mulher cristã. Segundo o Papa João Paulo II, “a máquina de lavar fez bem muito mais à mulher do que ao feminismo”.   Que lindo você perceber quando a mulher é submissa ao seu marido! Meu pai diz: “Só sou o que sou por causa da minha esposa. Se ela não fosse como é, eu já estaria morto!”. Quanto mais a mulher assume seu papel, mais fruto produz em seu casamento. Quando a mulher é rude, amarga, as pessoas se afastam dela. Como ser uma mulher segundo o coração de Deus? O coração d’Ele é manso, humilde, amoroso e terno. Então, nosso coração também deve ser assim e estar sempre nas mãos do Senhor. Quando lhe der vontade de ser rude, de ser grossa, de “chutar o pau da barraca”, acalme-se, espere. Se você estiver com o coração nas mãos do Pai, as pessoas vão dizer: “Ela é uma mulher segundo o coração de Deus”. Para mim, a Virgem Maria é um modelo [de mulher]. Quando fui à Terra Santa, visitei a casa da Virgem Maria e vi que aquela mulher soube ser mansa e humilde. Ela não precisou tirar a blusa, queimar o sutiã nem dizer: “Eu sou Deus”. É impossível ir à Terra de Jesus e voltar de lá tendo o mesmo relacionamento com Nossa Senhora. E você,  que mulher quer ser? Mulher, você tem o poder, no Espírito Santo de Deus, de mudar a sua família. Quando você muda, as coisas mudam. Não espere que sua família mude você. É preciso lançar-se nas mãos de Deus para que Ele opere em você. Quero mostrar a você algumas características da mulher segundo o coração de Deus: – Radicalidade. Uma mulher de Deus precisa ser radical. Assuma o Evangelho, seja uma mulher segundo a Palavra de Deus. Para isso, você precisa de um diretor espiritual, de oração de cura interior. Talvez, você precise até de um psicólogo para superar os traumas do passado. É preciso pureza no vestir, no andar. Como dizia padre José Augusto, missionário da Canção Nova, “não é porque está calor, que você tem de mostrar tudo. Existem roupas frescas e comportadas”. Eu preciso vigiar como me visto, como ando, como me comporto. – Oração. Ser uma mulher de oração. Você reza, mulher? A minha atitude quando estou com raiva é orar em línguas na minha cabeça. Às vezes, quero quebrar aquela pessoa, mas oro em línguas. – Silêncio e disposição para ouvir. O domínio de si nasce do silêncio e da paz. Espere a raiva passar e deixe o Espírito Santo dominá-lo. A mulher virtuosa não é frágil, mas forte em doçura e amor.  – Castidade. Ser uma mulher pura e equilibrada. Castidade é possível, Deus quer e você consegue. Quer saber se você ama e é amada? Viva a castidade. Só o homem que ama consegue isso. O amor que é livre, fiel, vital e seguro vive a castidade. Na aparição de Nossa Senhora, em Medjugorje, perguntaram a ela: “Porque és tão bela?” Ela respondeu: “Sou bela, porque amo”. Na carta de São Pedro, ele diz: “Não seja o vosso adorno o que aparece externamente: cabelos trançados, ornamentos de ouro, vestidos elegantes; mas tende aquele ornato interior e oculto do coração, a pureza incorruptível de um espírito suave e pacífico, o que é tão precioso aos olhos de Deus. Desafiador. Não é fácil, mas é possível”. Em 1978, minha família foi morar nos Estados Unidos da América. Meu pai quis aventurar-se lá. Hoje, ele pai vive na alegria e na tristeza, na saúde e na doença para que a família seja unida. Em 1994, minha mãe estava com muita saudade da família, por isso voltamos ao Brasil. Morei, aqui, por um tempo, mas meu pai não se acostumou. Voltamos para os Estados Unidos. Eu fazia faculdade quando conheci a Canção Nova, e lá fiz meu “caminho” com a comunidade. Mas havia o fato de eu não poder sair daquele país. Rezei e perguntei ao Senhor: “Como faço?”. Ele me respondeu: “Quem ama seus pais mais do que a mim, não é digno de mim”. Então, vim para o Brasil, para a comunidade Canção Nova. Depois, voltei para os EUA e passei férias com meus pais. No fim de 2008, quando ia novamente passar outros 20 dias com minha família, não pude entrar no país. Voltei para a Canção Nova. Dentro de mim, houve uma revolta. “Por que Deus permitiu isso?”. Era a mulher velha. Naquela ocasião, um dos policias me tratou tão bem, que perguntei a ele: “Você é cristão?” Ele disse: “Sim”. Ele perguntou se eu também era, e respondi que sim. Ele, então, me respondeu: “Então, confie, pois ‘tudo concorre para o bem dos que amam a Deus’”. Em 2011, tentei, mais uma vez, e não consegui. Agora, no fim de 2013, fui outra vez e não consegui embarcar para os Estados Unidos. Disseram-me que só em 2016. Você acha que é fácil ver a minha mãe pelo Skype e não poder abraçá-la? Vê-los fazer festas de aniversário, cantar parabéns, soprar a vela e comer o bolo,  e não poder tocá-los? Não! É difícil. Somente sendo uma mulher segundo o coração de Deus para não desistir. Se o mundo quer mostrar mulheres sem sutiã, fazendo uma aberração, eu quero mostrar mulheres de Deus. Mas eu não vivi tudo isso sozinha. Mulheres, vocês precisam da ajuda dos homens. Eu tenho dois cireneus: meu namorado e meu diretor espiritual. Eu queria chegar e dizer para vocês que, depois de cinco anos, eu vi meus pais. Mas não! Eu vou ver meus pais, com certeza, no céu. E se Deus permitir, aqui na Terra. Eu não vou desistir deles!

 

Homens segundo o coração de Deus 
Adriano Gonçalves

Eu vou falar sobre os homens segundo o coração de Deus. Até porque, nós mereçamos que alguém fale de nós. “Então disse Samuel a Saul: Procedeste nesciamente, e não guardaste o mandamento que o Senhor teu Deus te ordenou; porque agora o Senhor teria confirmado o teu reino sobre Israel para sempre; porém agora não subsistirá o teu reino; já tem buscado o Senhor para si um homem segundo o seu coração, e já lhe tem ordenado o Senhor, que seja capitão sobre o seu povo, porquanto não guardaste o que o Senhor te ordenou” (1Samuel 13, 13-14). O medo fez Saul sair da vontade de Deus. Tudo aquilo que você faz, tomado pelo medo, o faz sair da vontade de Deus. Muitas vezes, nós homens somos cobrados pela mãe, pelo pai, por isso fazemos tudo errado, por causa do medo. O Senhor iria confirmar para sempre o reino de Saul, mas o medo fez com que este perdesse para sempre a feliz vida que poderia ter. O que seria o homem segundo o coração de Deus, de acordo com a vontade d’Ele? O que estava na cabeça de Deus quando criou Adão e Eva? Para que o homem? Para que Deus o fez? Todo homem tem uma missão. Qual é a sua? Todo homem tem uma grande missão. Todo homem tem uma luta psicológica e espiritual. Nós homens temos a grande missão de fazer com que aqueles que o Senhor nos destinou chegue até Ele. E a maior missão do homem é a de conduzir o povo para Jesus. Homem, mostre como deve ser essa condução até o Senhor! Todos nós fomos feitos para a luta, para a iniciativa de assumir a missão e levá-la até o fim. Quando Deus criou o homem, deu a ele coragem e força. Eu quero mostrar a força que nós temos desde a concepção, pois já no ventre materno Deus nos amou e colocou essa força em nós. A mãe, quando tem um filho, é com ela que ele tem a primeira identificação, mas para que ele possa confirmar sua masculinidade, vai precisar se desligar um pouco dela; vai precisar de uma pai para dizer: é com ele que eu me pareço! O homem é quem vai chamar o outro homem para fora, e este novo homem precisa ser confirmado, precisa olhar para a mãe e perceber que ele, como homem, não se identifica com ela, mas sim com o pai. Hoje, estamos vivendo a grande crise da masculinidade. Sabe por quê? Porque estamos perdendo a grande missão que Deus nos confiou. Será que você, homem, tem lutado? Será que você, professor, tem lutado, como educador, para ensinar caráter [aos alunos]? Hoje, no mundo, está faltando caráter. Poderíamos falar de tantas outras lutas que nós homens também temos! Um homem, segundo o coração de Deus, é aquele que não desiste, que vai até o fim em um relacionamento, no casamento. Você tem a força de Deus dentro de você. Qual é a luta que hoje você tem cravado? Neste fim de semana, vamos conhecer jovens corajosos, que vivem a castidade na Canção Nova. Um aspecto da luta do homem é a batalha espiritual. Você, quando diz que “morre por uma mulher”, tem a coragem de matar o homem [dentro de você] que mata a pureza dela? Se, hoje, você não mata, não vai ser no casamento que você vai ser capaz fazê-lo. Para o mundo, o homem é visto como “o pegador”, aquele que “pega todas”, mas não conquista nenhuma delas; profaniza, mas não as leva para Deus. Um homem precisa olhar para Jesus e ver que Ele doou Sua vida por nós. Hoje, infelizmente, o mundo tem se mostrado tão compassivo que os homens não são capazes de controlar nem a sua sexualidade. Padre Jonas Abib, fundador da Canção nova, diz: “Homem, está difícil, mas aguente firme!”. Uma mulher está querendo alguém que lhe demonstre segurança, por isso é preciso a iniciativa do homem. A mulher é chamada ao mistério não à exposição. Outra característica de todo homem é deixar uma história. Meu pai me ensinou muita coisa! Ele me ensinou que homem de verdade tem palavra, ele luta. Toda característica do homem é ter uma história para contar. A presença de um pai garante ao filho autoconfiança, determinação e segurança. A ausência paterna, no entanto, diz que a possibilidade de a criança ter problemas na infância é muito grande; há o risco de mortalidade infantil quando recém-nascido. Claro que, se faltou o pai, aqui na Terra, você terá um Pai no Céu, pois você é filho de Deus. Hoje, você é um homem segundo o coração de Deus; amanhã, haverá pessoas que precisarão de você. Quando o homem tem a coragem de colocar-se diante da batalha e vai à luta pela sua família, pela sua casa, Deus já diz que ele é um guerreiro. A força dele vem de um Deus guerreiro, de um Deus forte!

 

O Amor que dá a vida 
Padre Demétrio

Mais um ano estamos, aqui, no Acampamento “Revolução Jesus”. E dentro desse tema, que ilumina todas as pregações – “Livres para amar” – nós abordaremos um tema interessante: o amor que dá a vida. É próprio do amor ser fecundo, gerar vidas novas. A Trindade Santíssima é um mistério inalcançável por todos nós seres humanos e até mesmo pelos anjos. Como pensar na existência de um Ser que não tem princípio, que não tem fim? Num ser que tudo sabe? Como imaginar isso? Deus não cabe na nossa concepção humana, Ele é infinitamente superior! Mas algo, sim, podemos falar da Santíssima Trindade, porque o próprio Deus quis se revelar a cada um de nós. Se Ele não se revelasse, jamais poderíamos afirmar que Ele é Uno e Trino. Se o Senhor não nos revelasse isso, até hoje não saberíamos que Ele é Pai, Filho e Espírito Santo. No entanto, não são três deuses, mas um único Deus. Deus é amor. A partir do encontro com uma pessoa que, em essência, é Amor, começamos a entender o que é ser cristão: um encontro de intimidade com Deus. O Filho é gerado eternamente pelo Pai, é amado por Ele. O Filho é amado, constantemente, pelo Pai e se entrega inteiramente a Ele. Deus, no Seu mistério mais íntimo, não é uma solidão, mas uma trindade amorosa que se ama eternamente. Ele não é solitário, mas tem paternidade, tem filiação e tem o Espírito Santo, que é amor. Deus cria, porque quer fazer com que outros seres participem desse mesmo amor. Lutero dizia: “Não me importa o que Deus é em si mesmo, não me importa se Deus é Pai, Filho e Espírito Santo”. Não importa o que Ele é em si mesmo, senão o que Ele é para mim, o meu Salvador. O que importa é o Deus faz para mim. Se nós não iluminamos nossa razão com a luz da fé, toda a nossa vida se torna um voluntarismo. Nós somos seres racionais e queremos entender os porquês, claro, mas dentro dos nossos limites racionais. Se quisermos entender o que é o amor precisaremos ir à origem de tudo. “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra” (Gênesis 1, 26-28). O homem é a única criatura que Deus criou à Sua imagem. Mas por que Ele nos criou? Por que Ele cria? Porque Ele quer. Por que Deus fez o homem e a mulher? Porque Ele quis. Deus é realizado em si mesmo. Ele não nos criou, porque se sentia sozinho, mas porque há n’Ele uma efusão de amor, que faz com que outras criaturas participem do Seu amor. Se estamos na existência, é porque Deus nos amou. Se nós não fôssemos amados, hoje, por Deus, não estaríamos aqui. Descartes dizia: “Penso, logo existo”. Poderíamos dizer: “Existo, logo sou amado”. E mesmo que você tenha vindo à existência por uma “falha” dos seus pais, hoje a Igreja diz a você que, mesmo que seu pai e sua mãe não tenham programado sua existência, Deus diz: “Eu o amo com amor eterno”. Somos amados infinitamente por Deus, e o que nos diz isso é a nossa existência. Ele nos ama e, por isso, estamos aqui. O homem não se equipara a qualquer outra criatura. Ele é a única criatura, que é a imagem de Deus. O homem só se encontra a partir do momento em que ele se doa, assim como a Trindade, quando o Pai se dá ao Filho e o Filho se dá ao Pai. “E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só” (Gênesis 2, 18). João Paulo II disse: “Nós somos um dom do amor para o Amor. Deus veio do amor e veio para amar”. O problema do pecado é quando começamos a dialogar com satanás. Não chegue perto dele, porque ele é muito mais esperto do que você. Quem quiser ser mais esperto do que satanás, vai se perder, porque ele é muito mais astuto! Adão e Eva se escondem de Deus. Aqui está a desarmonia do ser humano, pois eles tiram os olhos de Deus e começam a olhar para si mesmos. Acabou a harmonia, pois esta é rompida pelo pecado. O pecado, no fundo, é sempre um pecado de egoísmo. Os homens querem tirar Deus da sociedade para se colocarem no lugar do Criador. Santo Agostinho disse: “Aversão a Deus e às criaturas”. Nós fomos chamados à entrega, a sairmos de nós mesmos. O pecado é sempre realizado na atitude de si mesmo, no egoísmo. Quanto mais sozinhos, mais inclinados somos ao pecado. O pecado é sempre o oposto da nossa vocação original à santidade, à abertura do amor, é um ato de egoísmo. Amar é dar-se; pecar é fechar-se. A inclinação ao egoísmo afeta nossa relação com Deus. Hoje, é comum vermos pessoas que querem obrigar a Deus, exigir d’Ele aquilo que elas pensam ser melhor para elas. Nós queremos insistir que o Senhor faça o que nós queremos. Quando nós queremos exigir de Deus que Ele faça a nossa vontade, nós deixamos de ser cristãos e passamos a adorar a nós mesmos. Vale muito mais aquela adoração em que você não sentiu nada do que aquela em que você chorou e se arrepiou, mas ficou consigo mesmo. “A verdade é aquilo que penso que é”. Quando nós queremos buscar o amor para nossa autossatisfação, ele se torna instrumento de benefício pessoal. Enquanto o outro me faz bem, eu o amo; quando já não me satisfaz, eu troco de pessoa. Isso não é amor; o amor é amar-se e doar-se ao outro. Sentimento não é amor, porque ele vai e volta. Nós somos homens iluminados, guiados e voltados para a inteligência. Quem mais confia em si mesmo não vai chegar a lugar nenhum. São Filipe Neri dizia: “Senhor, não podes confiar em mim, porque, a qualquer momento, eu posso Te trair”. Nós, confiando em nós mesmos, vamos sempre nos frustrar. Nós não podemos nos autoajudar, o homem não é capaz de salvar-se por si mesmo. Precisamos uns dos outros, precisamos de um Redentor. Depois do pecado, não sabemos mais o que é amar. Por isso, Jesus Cristo, o Verbo Encarnado, veio nos ensinar a amar. Ele quer nos ensinar o amor extremo através da cruz. Mais do que amor em Belém, mais do que amor no Calvário, Jesus quis mostrar a humilhação na Eucaristia. Nós precisamos aprender a perder. Jesus teve compaixão, sofreu com os outros. Quando o padre confessa, ele está, constantemente, no Calvário; ele carrega o pecado das pessoas. Quando você para de pensar nos seus problemas e se preocupa com outro, você se torna feliz. Quanto mais você se entrega, mais é feliz. Enquanto o projeto da sua vida for querer buscar a sua própria felicidade, menos você será feliz. Se quiser realizar essa vocação ao amor, só o encontrará na doação sincera de si mesmo. Foi ordem Vossa, Senhor: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Dai-nos a graça de que não tenhamos medo de perder, como o grão caído na terra, que produz muito fruto, que não se perde em si mesmo.

 

Para sempre fiéis 
Padre Paulo Ricardo, Sacerdote da Arquidiocese de Cuiabá (MT)
www.padrepauloricardo.org

‘Livres para amar’ é o tema de, basicamente, toda a história do povo de Deus no Antigo e no Novo Testamento. Uma história de amor com Deus marcada pela fidelidade d’Ele e pela traição de Seu povo. A expressão “Deus é fiel”, muitas vezes, é interpretada como uma garantia de que Deus vai nos dar tudo o que quisermos. Na realidade, há muito mais por trás da fidelidade divina. Não é uma história mercantilista, de troca de favores; na verdade, é uma história de amor. Ontem, falávamos de dois casamentos contidos na Bíblia. O casamento de Adão e Eva e o casamento de Deus com a humanidade. Também ontem, aprendemos que nós queremos ser felizes, mas não existe nenhum homem ou mulher que nos fará felizes; apenas Deus. Deus nos criou para uma felicidade muito maior do que possamos imaginar. Ninguém pode imaginar o que é a felicidade no céu. Muitas pessoas não entendem por que pecam. Nós pecamos, porque queremos ser feliz, mas procuramos a felicidade onde ela não se encontra. O Papa João Paulo II elaborou uma frase que traz esta definição de pecado: “Pecado é buscar Deus onde Ele não se encontra”. Por que o drogado consome droga? Porque ele quer ser feliz. Mas a felicidade não está na droga. No fundo do coração do pecador mais infiel existe um grito que está clamando por Deus, mas ele não sabe disso. Nós temos de anunciar esta verdade às pessoas. O homem e a mulher são diferentes até na forma de pecar. O homem é mais cabeça dura. Ele diz: “Eu quero ser feliz”. Então, ele busca uma mulher; e quando não consegue ser feliz, acredita que ela é a mulher errada. Ele trocha de mulher e vai “batendo a cabeça” sempre no mesmo erro. Agindo assim, o homem está buscando Deus em uma mulher. Você que se tornou um dependente compulsivo por sexo, você está procurando Deus, mas você O está buscando no lugar errado. A mulher é diferente, ela é mais criativa. Ela diz para o marido: “Eu quero ser feliz e preciso que você me dê carinho”. Quando ela recebe carinho e não se sente plenamente feliz, acha que precisa de um sapato; depois, de uma viagem… E vai buscando, em diferentes coisas, a felicidade. O grande problema não resolvido para Freud é: “O que é que a mulher quer?”. O homem é obcecado sempre pela mesma coisa. A mulher é diferente, nunca sabe o que quer. A Igreja sabe o que a mulher quer, só que ela está buscando no lugar errado. Estamos buscando respostas desencontradas para nossas ansiedades. Nós queremos o Senhor e estamos nos confundindo. Com o pecado original aconteceu uma tragédia. Adão e Eva viviam felizes no paraíso; viviam nus e esta nudez original do corpo era uma imagem que os conduzia para Deus. Quando Adão olhava para Eva, ela via nela um dom maravilhoso do amor de Deus, o corpo dela era como uma vitrine que o levava a ver o Senhor. E assim também acontecia com Eva, quando ela olhava para Adão. Quando o homem está na santidade, o corpo humano é um ícone, ou seja, o contrário de um ídolo. No grego, ícone e ídolo querem dizer imagem, mas o ídolo é uma imagem do deus falso, já o ícone nos leva ao Deus verdadeiro. O homem é visual. Se você fizer uma pesquisa, descobrirá que quem mais consome pornografia na internet é ele. A mulher é diferente. Em sua sexualidade, ela tem necessidade de retirar a roupa, mostrar-se, ela quer ser vista. Veja como estamos aprisionados em um mecanismo de idolatria. Ser idólatra é transformar uma imagem, que deveria me levar para Deus, em um deus. O homem dobra-se diante da nudez de uma mulher e a idolatra, por isso não tem mais condições de viver aquela nudez original. Se fossemos santos e víssemos o corpo de uma mulher, cairíamos de joelhos e adoraríamos Deus. Como não estamos na pureza original do paraíso, nós temos de nos vestir de “roupas de figueira”, assim como Adão e Eva. O pecado original faz com que o homem e a mulher se idolatrem mutuamente. Mesmo quem não tem fé pode perceber o que vou dizer agora. Nós buscamos a felicidade, neste mundo, mas ela não está à nossa disposição. Você consegue ver isso, perfeitamente, dentro de você. Você não precisa nem acreditar na Igreja para perceber isso, pois percebe em você se for sincero. O que você diria se visse uma pessoa batendo a cabeça na parede? Pensaria que ela está louca. Nós somos esta pessoa, porque buscamos a felicidade em lugares nos quais ela não está, e nós insistimos no erro. Quantas vezes você buscou a felicidade no álcool, no adultério, na masturbação e ela não estava lá? Você acumula frustrações e tristezas. Temos duas alternativas: plano A e plano B. A primeira alternativa é que esta vida é um absurdo e a felicidade não existe. Deus não existe, pois não conseguimos ser feliz. E podemos pensar que tudo termina aqui. A segunda alternativa é que não há problema que eu não esteja sendo plenamente feliz nesta vida, pois ela é apenas uma preparação para a segunda vida no céu. Lá teremos a felicidade perfeita. Para acreditar nesta segunda opção, você precisa ter fé. Para detectar o problema, você não precisa de fé, mas para encontrar a solução é preciso acreditar. Essa conclusão vem dos filósofos existencialistas, os quais chegaram a esta conclusão. Se Deus não existe, essa vida só tem angústia, morte e destruição. Essa foi a constatação dos filósofos. Todo animal que tem sede de água é porque a água existe em algum lugar. Não é possível que o ser humano seja um animal defeituoso, que tem um desejo em seu coração e que não poderá saciar em nenhum lugar. Nenhum animal pratica o sexo do jeito que o ser humano pratica. Se um macaco tem uma relação sexual, ele fica plenamente satisfeito. O ser humano é capaz de ter várias relações sexuais em uma noite e não estar satisfeito. A felicidade é diferente do prazer, pois a felicidade vem da alma. O ser humano faz sexo e não fica plenamente satisfeito, porque ele foi feito para Deus. A sua insatisfação é a prova de que você foi feito para Deus. Quais são as consequências disso? Você está neste mundo, mas você não é para este mundo. O que Jesus disse de si mesmo serve para o ser humano: “O filho do homem não tem onde reclinar a cabeça”. Você já viajou de ônibus ou avião durante a noite? Você tenta dormir e busca várias posições; coloca a cabeça e não consegue uma posição boa durante toda a noite. Esta experiência nos mostra o que significa o que disse Jesus. Nossa vida, neste mundo, é uma viagem de ônibus. Você tenta reclinar a cabeça em diversas realidades, mas não encontra nunca a satisfação. Por quê? Porque você foi feito para Deus. Quer dizer, então, que esta vida é ruim? Não! Esta vida é boa. Mas ela é como um banquete, e, antes dele, lhe oferecem um aperitivo. É uma coisa boa, mas não foi feito para saciar a pessoa. Esta vida é muito boa, mas é apenas um aperitivo. O prato principal é o céu. Nós precisamos, a todo momento, de um exercício para colocar os nossos pés no chão. Este exercício se chama vida de oração. O problema é que, muitas vezes, nos sentimos um peixe fora d’água. Muitas pessoas vivem no pecado, e para isso não é preciso muito esforço. Ao contrário, para permanecer na fé é preciso esforço, é preciso oração, penitência e estudo. Nossos três inimigos são: o mundo, a carne e o diabo. Eles prometem, mas não cumprem suas promessas. Eles não nos fazem feliz. Nós insistimos no erro de cair em seus enganos, por causa do pecado original, que quer nos fazer achar que a felicidade plena está neste mundo. Imaginem uma noiva que recebeu um presente e fica tão encantada que esquece do noivo. Uma mulher dessas é maluca, não é? Nós somos essa mulher. Deus nos deu esse mundo de presente e nós ficamos tão encantados com o presente e esquecemos de Deus. Santo Tomás de Aquino nos ensina que a caridade sobrenatural não pode ser abusada, ao contrário do amor natural. Por exemplo: você ama seu filho, isso é bom. Mas você pode amá-lo tanto a ponto de ficar apegado a ele e isso se tornar uma carência, uma dependência. Já a caridade sobrenatural não tem limites. Qual a diferença entre o amor natural e o sobrenatural? É a razão, o porquê. Eu tenho que amar Deus, por causa d’Ele. Eu tenho que me amar, por causa de Deus, e eu tenho que amar o meu próximo por causa de Deus. E é assim que o amor é sobrenatural. Vamos ver isso na prática. Amar Deus por causa de Deus. Santa Terezinha do Menino Jesus aprendeu que deveria amar Jesus por Ele mesmo. Mas muitos fazem assim: adoram Jesus no sacrário, porque querem ir para o céu, ou seja, estão adorando-O não por causa d’Ele mesmo, mas pelo interesse de ir para o céu. O amor sobrenatural não é o de quem ama como um escravo nem como um mercenário. Quem ama como escravo ama a Deus por medo do inferno. Quem O ama como mercenário, o faz, porque busca recompensas. Santa Terezinha dizia: “Eu gostaria de amar Deus sem que Ele soubesse que fui eu quem O amou. Ela O amava por quem Ele era, não em busca de recompensas. Temos de transformar o nosso amor natural em um amor sobrenatural. Ame seus filhos, seus pais, todas as pessoas por causa de Deus. Como fazer isso? Quando seu filho lhe trouxer muitos sofrimentos e desgostos, e, por causa de Jesus, você permanecer amando-o, sem desistir dele, aí você ama com amor sobrenatural. Quando seus pais, depois de velhos, perdem a lucidez e lhe dão muito trabalho, mas, mesmo assim, você cuida deles, aí está o amor sobrenatural. O amor de Jesus, o Esposo fiel, pede de nós um caminho de amor sobrenatural, de amar os outros, a mim mesmo e a Deus por causa d’Ele. Aqui, nesta terra, não temos morada definitiva; nosso repouso será o céu. Ele nos espera. Coragem!

 

Revolução sexual x Revolução do amor 
Padre Paulo Ricardo, Sacerdote da Arquidiocese de Cuiabá (MT)
www.padrepauloricardo.org

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! É uma alegria estar aqui com vocês neste Acampamento “Revolução Jesus”, que tem este belo tema: “Livres para amar”. Uma das coisas mais extraordinárias que podem acontecer com o ser humano é, já aqui na terra, começar a amar. Mas não é uma coisa óbvia, pois, exatamente no centro da nossa vida, onde está a fonte da vida e da humanidade, parece que se instalou uma lei da morte e da escravidão. O bem-aventurado Papa João Paulo II, logo que foi eleito em 1978, fez um grande esforço ao ensinar aos jovens a força existente no amor de Deus, que se manifesta na nossa própria natureza humana, nos nossos corpos e nos nossos corações. Esses ensinamentos mais tarde ficaram conhecidos como “Teologia do Corpo”, que foram tema de 129 catequeses do Pontífice polonês para nos ensinar esta realidade. Ele fez isso, pois, como padre e bispo, notou a grande dificuldade que os jovens tinham de viver a lei de Deus com relação à sexualidade. A Igreja, hoje em dia, é tachada por muitas pessoas de repressora, algumas destas dizem: “Eu vivo o sexo como eu quiser! Esses homens velhos e solteirões da Igreja não entendem nada de sexo. A Igreja Católica é uma repressora por tentar impedir que as pessoas sejam felizes com seu impulso sexual”, essa é a grande acusação que fazem contra a Igreja e esta acusação é falsa. Os religiosos, esses “velhos” como o Papa João Paulo II, entendem muito mais sobre amor do que os chamados libertadores e revolucionários da Revolução Sexual. Aqui está a grande proposta da Igreja, se o mundo fez a revolução sexual nós precisamos fazer a revolução do amor. Alguns perguntam por que a Igreja não muda estas normas, não as adaptam aos tempos modernos? O Papa, os bispos e os padres não podem mudar as leis morais, porque elas não foram feitas por eles. Eles são mensageiros d’Aquele que nos fez, o nosso “Fabricante”, Deus, que vem com uma mensagem e nos diz: “Assim vocês serão felizes”. Vou fazer uma comparação para vocês entenderem. Se você tem um carro “flex” você pode abastecê-lo tanto com gasolina como com etanol. Você é livre para escolher qual combustível usar. Mas pensemos que você, revoltado, como um revolucionário, não quer se submeter a esta instrução de usar os combustíveis determinados pelo fabricante e, como dono do carro, abastece o veículo com diesel. O carro vai andar? Não. Na nossa vida é da mesma forma, temos dois caminhos, temos que escolher entre eles. O primeiro caminho é o mais comum, a aliança de amor, chamada de “matrimônio” e o outro caminho chamado é o “celibato”, que também é uma aliança de amor, uma oferenda da sua sexualidade para Deus. Esses são o “etanol” e a “gasolina” que você pode colocar no seu “tanque”. Acontece que o homem moderno não quer obedecer às “instruções do Fabricante”. Existe uma recomendação, mas queremos colocar outros “combustíveis no carro da nossa vida” e queremos obrigar esse carro a funcionar. Este é o problema! Existe um “Fabricante” que nos diz o caminho que devemos percorrer para sermos felizes e nós somos livres para escolher. Quem é solteiro, está solto, disponível. Um padre, como eu, não é solteiro. O padre é comprometido em uma aliança de amor com Deus e deve viver assim. Nós precisamos entender isso, ninguém tem vocação para ser solto, para ser solteiro, no entanto, hoje, nossa sociedade acha que liberdade é você ser solteiro, mas não é assim. A liberdade do amor acontece quando selamos uma aliança de amor, quando celebramos uma aliança de amor nós somos livres para amar. Para você que namora eu pergunto: Você tem vontade de matar sua namorado(a)? Não estou falando de momentos em que ele(a) o deixa com raiva. Digo se você já teve literalmente vontade de, com uma arma, matar seu(a) namorado(a) por estar com ódio dele (a). Outra pergunta: você tem vontade de matar sua mãe? Não! No entanto, existe um mandamento de Deus que diz: “Não matarás”. Existe este mandamento, mas você não sente vontade de matar sua mãe, você não se sente escravo dessa lei, pois você não sente vontade de matá-la, não é? Você é livre. Quando seu coração obedece à lei de Deus você vive uma liberdade maravilhosa! Vamos ver agora isso no campo da sexualidade. Você não tem vontade de ter relações sexuais com sua mãe, nem com seu pai. Você não vai dizer: “A Igreja castradora está me impedindo de fazer isso”, pois seu coração está no lugar e não deseja isso. Você nem chega a imaginar isso, porque seu coração está em ordem, no lugar certo e é livre para amar. A moral sexual da Igreja é a moral da família. Pegue todas as leis sexuais e você pode resumi-las na família, é a moral sexual que permite que exista família. Por que é que uma menina pode andar tranquilamente em sua casa, de pijama, sem ter medo de que seu pai e seus irmãos a desejem sexualmente? Isso acontece porque ela tem segurança de que, em sua casa, não existe um coração perverso. E por isso que o incesto é algo tão terrível, pois é uma desordem. A família é uma ilha de paz onde se tem segurança. A lei moral sexual, dentro da família, é muito clara e isso cria uma liberdade para amarmos. O projeto de Deus é que sejamos família. Existe algo dentro de nós que não quer ser família, existe algo que perturbou este projeto divino. A moral sexual da Igreja poderia ser chamada de “moral familiar”. O sexo só pode ser realizado em um projeto de família, em que um homem e uma mulher se unem de forma permanente para gerar filhos, não estou dizendo que ele é feito só para isso, mas ele tem a ver com esta obra linda de gerar crianças. Este é o projeto de Deus e é, porque perdemos a noção disso, que a moral sexual se tornou tão complicada para nós. Se eu, como padre, olhar para todas as pessoas como meus filhos espirituais eu não irei sentir desejo sexual por essas pessoas. Esse é o segredo do celibato: a paternidade. Quando o diabo joga uma flecha na minha imaginação para eu olhar de forma lasciva para uma pessoa, eu digo: “Não, ela é minha filha, não posso deixá-la órfã!” Se eu desejar uma mulher sexualmente ela ficará órfã, pois ela perdeu um pai espiritual. Nossa vocação é ser família. Ou você vai ser família biológica ou você vai ser família espiritual. O celibatário não é alguém sem família, ele tem uma família maior, espiritual. O amor não vicia, mas o pecado e o egoísmo sim. Ninguém pode dizer que é viciado na castidade. O marido e a mulher castos não são viciados em fidelidade, embora eles possam cair a qualquer momento. Mas quem é viciado na infidelidade, no pecado, não consegue ser fiel em nenhum momento, pois ele fica viciado. Onde está a raiz disso? Nas primeiras páginas da Bíblia é narrado o casamento de Adão e Eva e nas últimas páginas da Sagrada Escritura existe o casamento de Deus com a humanidade. O Papa João Paulo II nos ensina que Deus nos fez família aqui na terra, que nos casássemos aqui na terra para que isso fosse um sinal que aponta para o casamento definitivo de Cristo com a Igreja. Eu sou vigário em uma paróquia de Cuiabá, e todos os meses eu preparo casais para o casamento. É bonito ver o casal de pombinhos. Na palestra eu pergunto a eles: “Quem vai se casar para ser feliz?” E todos respondem: “Eu!” A má notícia é que isso não dá certo. E por quê? Rapaz nenhum, mulher nenhuma, vai poder fazê-lo feliz! Moça, nenhum rapaz vai fazê-la feliz. O mesmo vale para os rapazes. Só Deus, no céu, vai fazê-la verdadeiramente feliz! Nós fomos feitos para estar unidos com Deus no céu em uma felicidade completa, sem limites, infinita. Todas as felicidades desta terra são passageiras. Eu não estou dizendo para você não se casar. Se esta é a sua vocação, faça isso, mas não se case pensando que seu (a) marido (mulher) vai fazê-lo feliz, porque, senão, vocês dois estarão, daqui a algum tempo, trocando acusações. Se você está com seu (a) namorado(a) ou seu (a) esposo(a) diga para ele (a): “Eu não consigo te fazer feliz. Isso é no céu”. Imagine o fardo de ter que fazer uma pessoa plenamente feliz! O casamento dos cristãos é um letreiro que diz: “No céu seremos todos felizes em um casamento que não tem defeito, a união perfeita com Deus”. Quando você vai a um casamento você tem lá o casal e o padre, que é a testemunha qualificada. Olhando para o padre e para o casal nós vemos um diálogo silencioso: O casal diz para o padre: “Todos nós fomos feitos para o casamento”. E o padre diz para o casal: “Sim, mas o casamento a que nós somos chamados não é este, é o casamento definitivo com Deus”. Por isso a Igreja precisa de celibatários, pois eles nos apontam que nosso casamento definitivo é com Deus. O padre é escolhido para ser um sinal do Esposo. O padre usa a batina preta como sinal de que ele morreu para o mundo e deve viver agora para uma outra missão. Quem morreu? O Paulo Ricardo. E quem apareceu ali? Jesus Cristo, o Esposo. O padre é um outro Cristo. Quando você tem a Igreja reunida para a Eucaristia, você tem um sinal externo, simbólico do Esposo, que é Cristo, na pessoa do padre, e da esposa, que é a Igreja reunida. E é neste banquete maravilhoso que, um dia, vamos nos unir com Deus. Este é o projeto de Deus para nós, mas, infelizmente, ele [este projeto] foi deturpado. Nossos corpos falam que nós somos incompletos. Existe algo escrito em nosso corpo. Todos os nossos órgãos são completos, exceto os órgãos reprodutivos. Eu explico. Quando eu abro o olho, ele é completo nele mesmo, eu o abro e vejo. Eu não preciso do olho de outra pessoa para ver. Assim também com meus ouvidos, com minha boca. Mas, por exemplo, quando eu olho para os órgãos reprodutores, os genitais de um homem, eles não têm sentido nenhum se não existe o órgão reprodutor da mulher. Permita-me fazer a analogia: é como uma chave para uma fechadura. Você já encontrou chaves que não se encaixam em nenhuma fechadura? Ela não tem sentido, não serve para nada. Assim são os órgãos sexuais, eles têm uma característica única, não têm sentido em si mesmos. O Papa emérito Bento XVI, quando ainda era o cardeal Ratzinger, disse que, quando ele publicou uma orientação pastoral para os homossexuais, não tem ideologia gay no mundo que consiga quebrar a força dessa realidade.   Você pode repetir quantas vezes quiser que a união entre dois homens e que a união de duas mulheres são a mesma coisa que a união de um homem com uma mulher. Você pode repetir várias vezes isso, mas isso é artificial, pois o mundo real grita que, quando um homem se une com uma mulher, acontece o milagre da vida. Quando dois homens se unem não acontece nada; e quando duas mulheres se unem também não acontece nada; e este é o mundo real. Desculpem-me, não estou discriminando ninguém. A Igreja não quer discriminar os homossexuais como se eles fossem inferiores. A Igreja quer somente dizer: Existe uma obra inscrita na criação, se nós obedecermos ao nosso Criador, ao ”Fabricante”, vai ser melhor para todos. As pessoas dizem que ficamos castrando os homossexuais ao afirmarmos que eles não podem usar o sexo como querem. Mas ninguém pode usar o sexo como quiser. A Igreja não discrimina ninguém, ela pede a castidade para todos. Os casais [homem e mulher] também são chamados à castidade. Peguemos um versículo da Bíblia, Mateus 5, 27-28. Jesus, no Sermão da Montanha, fala a respeito da lei sexual. “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para cobiçá-la, já em seu coração cometeu adultério com ela”. O Papa João Paulo II nos ensina que este mandamento de Jesus vale para todos, inclusive para os esposos, um não pode olhar para o outro apenas como uma coisa, como objeto. As pessoas não são objetos para ser desfrutados. Quando usamos o sexo, fora daquilo que Deus planejou, estamos tratando as pessoas como coisa, não como pessoas. A melhor forma de entendermos o projeto para o santo matrimônio é olhar para a cruz de Cristo, pois ali Jesus ensina como todo esposo deveria olhar para sua esposa. Da cruz Jesus nos diz: “Isto é o meu corpo que é dado por vós”. O sonho de Deus é que Ele nos colocou nesta vida para que nós preparemos um matrimônio maravilhoso que acontecerá no céu. Precisamos amar desde já e para isso precisamos seguir as instruções do Criador. O sexo só deve ser realizado quando houver um amor de quem entrega para toda a sua vida. O amor é que torna lícito o sexo. Mas você pode dizer: “Eu amo minha namorada, padre! Estou disposto a dar a minha vida por ela. Eu a defenderia a vida dela com a minha”. Se você está disposto a defender sua namorada, defenda-a de você, pois ela pode nunca receber um tiro, mas é maior o risco que ela seja usada por você e ser jogada fora. Quantas vezes já vimos casais de namorados que fizeram juras de amor e depois descartaram o outro. Se você, de fato, está disposto a dar a vida por ela, então se case com ela! O sexo, fora do casamento, é sempre uma mentira, pois o corpo fala. O corpo é mais sincero que a boca. Muitas vezes, com sua boca, você diz uma coisa, mas o seu corpo diz outra. Na relação sexual, fora do casamento, o corpo diz que você é todo do outro, mas, no fim, você se levanta e vai embora. A lógica dos anticoncepcionais contradiz o amor de doação. O projeto de Deus, a revolução que Jesus Cristo quer colocar em nossos corações é a revolução do amor. Se, nas décadas de 60 e 70, o mundo fez uma revolução sexual, na década de 80, com o Papa João Paulo II, a Igreja fez uma revolução do amor. O Sumo Pontífice diz ao mundo inteiro que o sexo só tem sentido em um amor que entrega toda sua vida livre e fielmente, de forma fecunda para outra pessoa, quando um homem se entrega à outra pessoa para ser família. Deus abençoe vocês.

 

Totalidade de um grande amor 
Magda Ishikawa

Nós somos a geração que verá o retorno de Jesus, porque Ele nos escolheu a dedo. Nós estamos em uma guerra, por isso precisamos ser uma geração vigilante, atenta, de prontidão. Muitas vezes, estamos “preparados” para algo, mas, quando acordamos, percebemos que tudo mudou. Foi motivada por isso que eu entrei na Canção Nova e dei o meu ‘sim’ a Deus, o Amor total. Nós precisamos estar de prontidão, porque Jesus voltará na hora em que menos esperarmos. Padre Jonas, fundador da Canção Nova, diz: “Nós somos uma geração que verá a volta de Jesus”. E nós, que aguardamos a volta d’Ele, precisamos estar de prontidão. Esse amor grande e incondicional é o amor que o Senhor quer que nós sintamos, experimentemos. O mundo está nos dizendo: “Você pode ter prazer a qualquer hora”. Esse é o amor do mundo, e ele está nos dizendo que ainda não experimentamos tudo o que ele pode nos dar, como o êxtase, a droga, o sexo, a gravidez indesejada, o aborto… O mundo nos ensina que isso vai nos fazer “felizes”. Muitas vezes, achamos que encontramos o amor total, mas, na verdade, estamos vazios, porque o amor do mundo não é capaz de nos realizar. O sexo fora do casamento não é capaz de nos realizar, porque está fora do eixo, não está na vontade de Deus. Depois de fazermos tudo o que o mundo nos oferece, ficamos vazios; e queremos misturar o amor do mundo com o amor de Deus. Queremos, depois das drogas, ficar preenchidos, mas o mundo nunca vai conseguir nos oferecer o amor que vem do Pai. O pecado é sujo, não nos permite ser totalmente feliz como o amor de Deus. Muitos cristãos estão assim: metade de Deus, metade do mundo. Que tipo de cristãos estamos sendo? Misturamos as coisas santas com as coisas profanas; assim, não somos cristãos de verdade. O mundo não tem como nos dar aquilo que ele não tem, e ele não tem o amor total que vem de Deus. O amor total quando um homem e uma mulher se casam, comprometem ser fiéis na sua vida até o fim, porque fizeram um compromisso com Deus. Como o sacerdote que consagra todo seu ser, sua sexualidade a Deus. Mas o mundo diz dê o que você tem de melhor a qualquer hora, a qualquer um, que isso vai te preencher, mas isso é uma mentira. “No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor” (1João 4, 18). No amor não há medo. Por que você está com medo? O amor total traz liberdade; o amor do mundo traz medo. E aquele que está com medo não chegou na perfeição do amor. Quantos de nós estão em relacionamentos, em um “amor” que não lhes dá segurança! É isso que o pecado faz conosco quando não vivemos a castidade, quando não vivemos a amor de Deus. Por isso Deus nos diz para não fazermos sexo antes do casamento, porque vamos nos machucar, nos frustrar, pois está fora dos planos de Deus. Um amor total é aquele que vem de Deus e vai até o fim. Nós estamos no tempo do descartável, nós usamos e jogamos as coisas fora, porque o mundo tem nos ensinado isso. Mas nunca vamos nos sentir preenchidos, porque só conseguimos isso com o amor total, com o amor de Deus. Isso exige têmpera. O amor espera, é paciente, não se envolve com qualquer um nem a qualquer hora.

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