São Filipe e São Tiago, Apóstolos – 03 de Maio

São Filipe foi natural de Betsaida, na margem do lago da Galiléia. Tinha casa, mulher e três filhas pequenas quando Jesus o chamou para o apostolado com aquele “segue-Me”, que nos deixou são João no Evangelho. Desde esse momento, Filipe não vive senão para Jesus e para a sua causa.
Logo que vê um amigo seu, chamado Natanael, comunica-lhe a alegre notícia de ter encontrado o Messias. Sente-se tão cheio da autoridade e força de Jesus, que às dificuldades que lhe opõe Natanael não responde senão com estas lacônicas e profundas palavras: Vem e vê. Sabia muito bem Filipe que ouvir e conhecer Jesus era decisivo para as almas de boa vontade. E não se equivocou. Natanael ficou também subjugado pelo Mestre.
São Filipe volta a aparecer na primeira multiplicação dos pães, junto ao lago da Galiléia. O Senhor quer prová-lo e pergunta-lhe: “Filipe, como havemos de dar de comer a toda esta gente?” Filipe não pensava no milagre; olhou para os presentes, fez um cálculo e chegou à conclusão de que o salário de 200 operários não bastaria para começar a dar de comer a tanta gente.
Deve ter sido homem simples e bondoso. Segundo (Jo 12, 20), um grupo de gregos queria falar com Jesus e dirigiu-se a Filipe para obter a audiência.
No discurso da última ceia intervém ainda São Filipe com perguntas e respostas de grande ingenuidade. Não sabe ainda que o Filho e o Pai têm a mesma natureza. Quando Jesus pondera tanto as excelências e vantagens da união e conhecimento do Pai, diz-Lhe: “Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta”. “Filipe, responde-lhe Jesus, quem Me vê a Mim, vê o Pai”.
Depois da Ascensão volta a ouvir-se uma vez o nome de São Filipe, entre os Apóstolos que esperam a vinda do Espírito Santo.
A seguir desaparece e somente pela tradição sabemos que esteve na Frigia e morreu na sua capital, Hierápolis. Lá se lhe venerava, no século II, o sepulcro, e o de duas filhas que a Deus consagraram a virgindade. A terceira foi enterrada em Éfeso.
A maior parte dos documentos antigos afirma que são Filipe morreu mártir no tempo de Domiciano (81-96). São João Crisóstomo diz que o sepulcro de São Filipe em Hierápolis foi sempre célebre pelos milagres.
São Tiago, o Menor, chamado assim pela estatura ou pela idade, tem um título que o toma credor de especial veneração: é parente do Senhor, segundo a carne.
Nasceu em Caná, perto de Nazaré. Sua mãe, Maria, e seu pai, Cléofas, pertencem à mesma família que São José. É talvez sobrinho de São José por parte do pai. Tinha um irmão que se chamava Judas, distinto do traidor. Os dois foram escolhidos para o aposto lado. Depois não se fala de São Tiago, senão para ser dito que o Senhor lhe apareceu nos dias da Ressurreição.
Junto com Nossa Senhora e os outros Apóstolos, espera no cenáculo a vinda do Espírito Santo, que o unge e o consagra para o cargo que vai desempenhar, de primeiro bispo de Jerusalém; isto, ou por eleição dos outros Apóstolos, como diz São Jerônimo, ou por designação particular do Senhor, como lemos em Santo Epifânio e São João Crisóstomo.
A sua presença e atividade em Jerusalém foi realmente providencial. São Paulo considera-o coluna fundamental daquela comunidade, mãe de todas as Igrejas. Judeus e cristãos inclinavam-se diante dele pelo amor que tinha à lei e pela grande austeridade. Todos o consideravam com respeito ao vê-lo passar magro, descalço e extenuado; todos o escutavam reverentes, quando falava de Jesus crucificado como «porta» pela qual se chega até Deus Pai.
A sua oração era contínua e fervorosa. Era visto no templo, à entrada do Sancta Sanctorum, com o rosto inclinado até ao chão.
O seu zelo ultrapassou a igreja de Jerusalém. Escreveu uma carta católica dirigida às “Doze tribos da dispersão”, exortando à perseverança, que é “a coroa da vida”, à resignação na pobreza e à generosidade e caridade na riqueza.
“O irmão de condição humilde glorifique-se na sua exaltação e o rico na sua humilhação, porque ele passará como a flor da erva; porque assim como o Sol desponta com ardor e a erva seca e a sua flor cai, perdendo toda a beleza, assim murchará também o rico nos seus caminhos”.
A fé para São Tiago é “graça sobrenatural, dom perfeito que desce de cima, do Pai das luzes e regenera pela palavra da verdade”, mas não desenvolve a sua virtude redentora, senão se a «palavra plantada na alma lançar dela todo o lodo do pecado, fazendo germinar frutos de justiça, de paz e de misericórdia”. Diante da corrupção dos grandes do seu povo, sente-se profeta e anuncia-lhes os castigos que hão de vir sobre Jerusalém: “E agora vós, ó ricos, chorai em altos gritos por causa das desgraças que virão sobre vós. As vossas riquezas estão apodrecidas e os vossos vestidos estão comidos pela traça. O vosso ouro e a vossa prata enferrujaram-se e a sua ferrugem dará testemunho contra vós: devorará a vossa carne como o fogo. Entesourastes nos últimos dias! O salário dos trabalhadores, que ceifaram os vossos campos, foi defraudado por vós, e clama; e os clamores dos ceifeiros chegaram aos ouvidos do Senhor dos exércitos. Vivestes na terra rodeados de volúpias e delícias; cevastes os vossos corações para o dia da matança”.
Todas estas previsões se haviam de cumprir muito depressa, no ano 70, quando os exércitos de Tito e Vespasiano rodeassem as muralhas de Jerusalém e a fome corresse por todas as casas e palácios, até ao ponto de algumas mães chegarem a matar os próprios filhos para se alimentarem com as suas carnes inocentes. Antes, porém, tinha de morrer o profeta. Deus queria coroar-lhe a vida com a vitória dos mártires. No ano 62, por ocasião da morte de Festo, Procurador de Roma, houve um momento de exaltação nacionalista. São Tiago foi preso pelos judeus e lançado de cima da muralha do templo. Hoje se venera o seu túmulo na torrente do Cedrão, perto da Basílica da Agonia.

Jesus move os corações e as decisões de cada missionário
Por Pe. Fernando José Cardoso

Na festa dos apóstolos Felipe e Tiago, neste Tempo Pascal, ouvimos no Evangelho de hoje o seguinte: “Em verdade vos digo – diz Jesus – aquele que crê em Mim realizará as obras que Eu faço e fará ainda maiores do que Eu, porque vou para o Pai e tudo aquilo que pedirdes em Seu nome Eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho”.
Normalmente existe uma pontuação infeliz neste texto, seguida de muitas traduções, inclusive nossas traduções em português. Em muitas bíblias lê-se o seguinte: “Aquele que crê em Mim realizará as obras que Eu faço e as realizará ainda maiores, porque vou para o Pai”. Lido o texto desta maneira, com esta pontuação, temos a impressão de que os discípulos realizarão obras maiores do que o próprio Jesus realizou durante a Sua existência neste mundo.
E não é esta a impressão que nos querem dar o evangelista e o último redator deste texto – é preciso seguir outra pontuação, aquela que faço neste momento: “Aquele que crer em Mim realizará as obras que Eu faço e ainda maiores, porque vou para o Pai e tudo aquilo que pedirdes em Seu nome Eu o farei”. Somente agora se deve colocar o ponto final, não antes. O sentido é totalmente diverso.
Na sua vida pública Jesus se limitou à Palestina, à Galiléia e à Judéia. Ele nunca viajou para o exterior – Jesus não pregou o Evangelho aos pagãos – de início apenas às ovelhas da casa de Israel. Paulo, pelo contrário, pode circular pelo Império inteiro do Oriente e do Ocidente. É então verdade que Paulo realizou obras maiores do que as de Jesus? Não, se o texto for lido obedecida a pontuação que eu manifestei há pouco.
O texto, então, nos diz que Jesus ressuscitado se encontra por detrás de Paulo, por detrás de todo e qualquer missionário ou missionária. Estes poderão ampliar enormemente Suas ações, e poderão levar o Seu Evangelho a todos os rincões deste mundo.
Mas, atenção, é sempre Jesus quem move os corações e as decisões de cada missionário e, desta maneira, nós todos podemos realizar, inclusive, obras maiores. Podemos fazer hoje coisas que Ele não fez.
Jesus, por exemplo, nunca falou diante de uma câmera de televisão, nem se dirigiu a milhares de telespectadores juntos, como estou fazendo faço – mas eu não estou, de forma alguma, realizando algo superior a Cristo. É o Cristo ressuscitado quem suscita em mim a capacidade e a competência de chegar até os irmãos e irmãs deste Brasil, através destas meditações. E o faz não só através de mim, mas através de todos aqueles que se dispõem a pregar em Seu nome o Evangelho.
Neste sentido realizamos obras maiores do que aquelas feitas na Judéia ou na Galiléia.

Jesus nos revela o Pai
*Cf. Konings, J. “Liturgia Dominical”. Ed. Vozes. Petrópolis RJ: 2004.

“Felipe, há tanto tempo estou convosco e não me conheces”? Esta resposta de Jesus a Felipe nos questiona. Aliás, neste dia em que celebramos a Festa de São Felipe e São Tiago, cabe-nos esta pergunta: será que conhecemos a Jesus Cristo? Conhecimento como fruto de uma experiência e não, simplesmente, como fruto de um estudo intelectual, por mais importante que este seja! Do conhecimento de Cristo Jesus subentende-se o “conhecimento” do Pai.
Na plenitude dos tempos, quis o Pai dar-se a conhecer a todos, sem exceção, com o intuito de fazer comunhão e aliança com a humanidade e resgatá-la. Para isso, quis fazer-se Homem, assumindo a nossa humanidade em tudo, exceto o pecado. Para isso toda a Santíssima Trindade concorreu, pois o que não é assumido não pode ser redimido. O Pai envia o Filho; o Filho se deixa enviar e cumpre tudo em obediência ao Pai; o Espírito Santo gera o Filho no seio de Maria. Esta maravilha toda para quê? Para que pudéssemos ter vida na Santíssima Trindade.
O Filho age na força e no poder do Espírito e cumpre a missão, revelando o Pai a toda a criatura, fazendo cada uma se tornar filho/filha de Deus.
Porque o Filho revela o Pai, o Filho sendo um com o Pai, torna-se o Caminho, a Verdade e a Vida. Como deparamos com pessoas totalmente perdidas, vivendo mergulhadas num mundo de ilusão e mentira e, consequentemente, desiludidas, desanimadas da vida! Isso, infelizmente, é óbvio, pois o caminho, a verdade e a vida, não se descobre em Jesus: Ele, por excelência, é o Caminho, a Verdade e a Vida. É muito mais que mostrar e indicar: é Ele próprio.
Nós precisamos, urgentemente, entender que nunca haverá caminho certo para nós, nunca teremos vida e nunca estaremos na verdade se quisermos andar sem Cristo, sem Sua Palavra. É impossível! Ele nos revela o Pai; logo, nos revela – sendo Ele mesmo – o Caminho, a Verdade e a Vida.
“Há tanto tempo estou convosco, e não me conheces, Felipe”? A pergunta de Jesus Cristo é forte. Felipe, hoje, tem sobrenome. Sim! Qual o seu nome, meu irmão, minha irmã? Seu nome, meu nome, é o sobrenome de Felipe. Para dizer que esta pergunta de Jesus é feita diretamente para cada um de nós: “Há quanto tempo estou contigo e não me conheces?” Se conhecêssemos, eu e você, nossa vida, nossa família, nossa sociedade, nosso mundo, tudo seria bem diferente; seriam bem menos egoístas, mentirosos, desumanos.
Quem verdadeiramente conhece a Jesus, não consegue mais ter certas atitudes que muitos ainda têm, como por exemplo, pensar numa possível aprovação teste “Plano Nacional de Direitos Humanos”, que nosso Governo estava pensando em implantar. Disparate!
Celebrar a Festa dos Apóstolos São Felipe e São Tiago é celebrar a certeza da presença de um Deus, que é Pai e está presente: primeiro em Jesus, que O revela por excelência, depois nos apóstolos que transmitem esta revelação até nós, por meio da Igreja. Convençamo-nos, irmãos e irmãs: o Caminho, a Verdade e a Vida/Felicidade só são possíveis em uma Pessoa: Jesus Cristo, que se encontra vivo e ressuscitado. Fora d’Ele só há uma certeza: perdição, mentira e morte.

Assim descobri a Tumba de São Filipe
Entrevista com o professor Francesco DAndria, diretor da missão arqueológica que fez a descoberta

ROMA, quinta-feira, 3 de Maio de 2012 (ZENIT.org) – Hoje, dia 3 de maio a Igreja celebra São Felipe e São Tiago menor. Dois apóstolos que fizeram parte dos doze.
Renzo Allegri, jornalista italiano, diretor do jornal Medjugorje Torino, entrevistou o professor D’Andria, da Puglia, formado na Universidade Católica de Milão em Letras clássicas e especializado em arqueologia pela Universidade de Salento-Lecce, que há trinta anos trabalha em Hierápolis, buscando a tumba de São Filipe.
O tema da entrevista foi a descoberta, realizada no verão do ano passado, onde encontrou-se em Hierápolis, na Frigia, a Tumba do apóstolo São Filipe, fato que chamou a atenção de estudiosos de todo o mundo.
Durante a entrevista disse o professor que sobre São Filipe temos poucas notícias: “Dos evangelhos se sabe que era originário de Betsaida, no lago de Genezaré. Pertencia à família de pescadores. João é o único dos quatro evangelistas que o cita várias vezes”. A Tradição nos fala que Filipe passou os últimos anos na Frígia, em Hierápolis. Por meio de uma carta de Policrate, final do segundo século, ao Papa Vitor I, sabemos que Filipe morreu em Hierápolis, que duas filhas suas morreram virgens… e que outra filha sua foi enterrada em Éfeso.
Sobre como e quando morreu o apóstolo, o professor Francesco nos disse que a “maioria dos documentos afirmam que Filipe morreu em Hierápolis, no ano 80 depois de Cristo, quando tinha 85 anos. Morreu mártir pela sua fé, crucificado de cabeça para baixo como São Pedro.” Foi o Papa Pelágio I, no sexto século, que transferiu seus restos mortais a Roma, para uma Igreja construída para essa ocasião, atualmente é a Igreja dos Santos Apóstolos, reformada no ano 1500.
As investigações sobre a tumba de Filipe em Hierápolis começaram no ano de 1957, continua o professor, dizendo que o mérito foi do Professor Paolo Verzone, apaixonado pela arqueologia. A primeira grande descoberta foi uma igreja Bizantina do quinto Século que o professor chegou a pensar que tinha sido construída sobre a tumba do apóstolo Filipe, porém, várias escavações no local não tinham encontrado mais nada.
“Eu mesmo pensava que a tumba se encontrasse na região daquela Igreja” –afirma o professor – porém no ano 2000 “quando me tornei diretor da missão arqueológica italiana de Hierápolis sob concessão do ministério da Cultura da Turquia, mudei de opinião”.
O professor disse ter dirigido a sua atenção a outro ponto, sempre na mesma região. “Os meus colaboradores e eu estudamos atentamente uma série de fotos de satélite da região” – disse o D’Andria- e “entendemos que o Martyrion, a Igreja octonal, era o centro de um complexo devocional mais amplo e articulado”. A colina toda era um complexo preparado para acolher os peregrinos, até mesmo com uma parte termal, para que os peregrinos se lavassem depois das suas longas viagens, antes de visitarem a grande tumba do apóstolo Filipe.
No ano 2010, vieram à luz algumas descobertas também que o levaram até a Tumba do apóstolo: encontrou-se um tumba romana, do primeiro século depois de Cristo. Mas era uma tumba que estava no centro da Igreja, ou seja, sem dúvida, com uma grandíssima importância dada à ela pelos cristãos. No verão do 2011, depois de encontrar uma escada muito consumida, tudo indicava que era pelo grande afluxo de peregrinos naquela Igreja, que era um “extraordinário local de peregrinação”, disse o professor. Na fachada também há muitos grafites nos muros, com desenhos de cruzes, que sacralizaram de certa forma a tumba pagã.
“Mas a confirmação principal de que aquela construção é realmente a tumba de São Filipe” – afirma o professor D’Andria – é um pequeno objeto que se encontra no museu de Richmond nos EUA”. “Trata-se de um selo em bronze com uns 10 centímetros de diâmetro, que servia para autenticar o pão de São Filipe que era distribuído aos peregrinos.”
Foram encontrados ícones com a imagem de São Filipe com um grande pão na mão, assim como hoje temos o Pão de Santo Antonio.
Portanto, no ícone aparece desenhado, como uma autêntica fotografia de todo o complexo de então, e tem levado a entender que a tumba se encontrava na Igreja basilical e não no martyrion.
Por fim, afirmou o professor Francesco que no dia “24 de novembro do ano passado, eu tive a honra de apresentar a descoberta para a Pontifícia academia arqueológica de Roma diante de estudiosos e representantes do Vaticano. Também o patriarca de Constantinópoles, Bartolomeu, primaz da Igreja ortodoxa, quis receber-me para ter detalhes da descoberta, e no dia 14 de novembro, festa de São Filipe para a Igreja Ortodoxa, quis celebrar a Missa sobre a tumba reencontrada em Hierápolis. E eu estava presente, emocionado como nunca estive, também porque os cantos da liturgia grega ressoavam depois de dois mil anos entre as ruínas da Igreja.
[Adaptação e tradução Thácio Siqueira]

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