5º Domingo da Páscoa – Ano B

Por Mons. Inácio José Schuster

V Domingo de Páscoa – B
Atos 9, 26-31; I João 3, 18-24; João 15, 1-8
Toda videira que dá fruto, poda-a
«Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o vinhateiro. Toda videira que em mim não dá fruto, corta-a, e toda a que dá fruto, poda-a, para que dê mais fruto». Em seu ensinamento Jesus parte com freqüência de coisas familiares para todos que lhe escutam, coisas que estavam ante os olhos de todos. Desta vez nos fala com a imagem da videira. Jesus expõe dois casos. O primeiro, negativo: a videira está seca, não dá fruto, assim é cortada e deixada; o segundo, positivo: a videira está ainda viva e sã, então é podada. Já este contraste nos diz que a poda não é um ato hostil para com a videira. O vinhateiro espera ainda muito dele, sabe que pode dar frutos, tem confiança nele. O mesmo ocorre no plano espiritual. Quando Deus intervém em nossa vida com a cruz, não quer dizer que esteja irritado conosco. Justamente o contrário. Mas, por que o vinhateiro poda a videira e faz «chorar», como se costuma dizer, à vinha? Por um motivo muito simples: se não é podada, a força da vinha se desperdiça, dará talvez mais frutos que o devido, com a conseqüência que nem todos amadureçam e de que descenda a graduação do vinho. Se permanece muito tempo sem ser podada, a vinha até se assilvestra e produz só uvas silvestres. O mesmo ocorre em nossa vida. Viver é eleger, e eleger e renunciar. A pessoa que na vida quer fazer demasiadas coisas, ou cultiva uma infinidade de interesses e de afeições, se dispersa; não sobressairá em nada. Deve-se ter o valor de fazer eleições, de deixar à parte alguns interesses secundários para concentrar-se em outros primários. Podar! Isto é ainda mais verdadeiro na vida espiritual. A santidade se parece com a escultura. Leonardo da Vinci definiu a escultura como «a arte de tirar». As outras artes consistem em colocar algo: cor na tela na pintura, pedra sobre pedra na arquitetura, nota após nota na música. Só a escultura consiste em tirar: tirar os pedaços de mármore que estão demais para que surja a figura que se tem na mente. Também a perfeição cristã se obtém assim, tirando, fazendo cair os pedaços inúteis, isto é, ambições, projetos e tendências carnais que nos dispersam por todas as partes e não nos deixam acabar nada. Um dia, Miguelangelo, passando por um jardim de Florença, viu, em uma esquina, um bloco de mármore que surgia desde debaixo da terra, meio coberto de mato e barro. Parou, como se tivesse visto alguém, e dirigindo-se aos amigos que estavam com ele exclamou: «Nesse bloco de mármore está encerrado um anjo; devo tira-lo para fora». E armado de cinzel começou a trabalhar aquele bloco até que surgiu a figura de um belo anjo. Também Deus nos olha e nos vê assim: como blocos de pedra ainda disformes, e diz para si: «Aí dentro está escondida uma criatura nova e bela que espera sair à luz, mais ainda, está escondida a imagem de meu próprio Filho Jesus Cristo [nós estamos destinados a «reproduzir a imagem de seu Filho» (Rm 8, 29. Ndt)]; quero tira-la para fora!». Então o que faz? Toma o cinzel, que é a cruz, e começa a trabalhar-nos; toma as tesouras de podar e começa a fazê-lo. Não devemos pensar em quem sabe que cruzes terríveis! Normalmente Ele não acrescenta nada ao que a vida, por si só, apresenta de sofrimento, fadiga, tribulações; só faz que todas estas coisas sirvam para nossa purificação. Nos ajuda a não desperdiça-las.

 

Neste quinto domingo da Páscoa Jesus afirma: “Ser a verdadeira videira e seu Pai o agricultor. Todo o ramo que não produz fruto, nele será cortado”. E em primeiro lugar notem o adjetivo: “videira verdadeira”, é possível que nas entrelinhas do texto houvesse uma polêmica com o antigo Israel. É possível que o Evangelista quisesse dizer que, contrariamente a Israel, deixou de ser uma vinha produtiva para Deus. Jesus e os seus são a verdadeira videira de Deus. No entanto, este dito proverbial de Jesus é bastante profundo; Jesus é a videira toda inteira e os ramos fazem parte desta videira, os ramos vivem a vida da videira. Notem Jesus não diz: Eu sou o tronco e os cristãos os ramos, Eu sou a videira toda inteira. Neste particular o Evangelista se aproxima da teologia paulina que fala do corpo de Cristo, ao menos nas primeiras cartas, como sendo constituído de Cristo e de todos os seus. Para o Evangelista é imprescindível ao cristão estar unido intimamente a Jesus e através desta união intima com Jesus, produzir frutos normalmente, se entende de maneira inadequada esta produção de frutos, em termos de virtudes. Não, a própria união de um ramo com a videira faz com que ele seja produtivo e este verificado no amor a Deus e no amor aos irmãos. No dualismo de João, que pensa em branco e preto e não dá espaço para cores intermédias, ou se está na videira e se é produtivo para Deus, ou então se é um ramo morto, sem nenhuma vida. Santo Agostinho na antiguidade colheu este dualismo do quarto Evangelho, afirma ele ou na videira, ou no fogo para ser queimado. Hoje nós queremos perguntar a nós e para nossas comunidades, se estamos na videira, se estamos produzindo constantemente frutos de amor para Deus, ou se de algum tempo estamos definitivamente mortos e cortados da vida de Deus.

 

V DOMINGO DA PÁSCOA (B)
“JESUS É A VIDEIRA E NÓS OS RAMOS”
Jesus se compara com a videira. Uma das plantas mais antigas da humanidade que fornece uma bebida que se tornou universal desde a era antiga. Jesus é o transmissor da seiva do Pai. Sem a seiva do amor de Deus jamais seremos felizes. Parece que a humanidade inventa desculpas para justificar a ela mesma. Procura subterfúgios afirmando que eles trazem felicidade. Há muitos galhos secos dentro do mundo. Pessoas infelizes porque não se comunicam com Deus. Nós cristãos precisamos oferecer às pessoas escravas da ditadura do relativismo imposto pelos meios de comunicação social a verdadeira alegria que vem da comunicação permanente com o Criador. Vamos rezar neste domingo pela profunda vocação de nossas mães. Que Deus as ajude para que elas vivam sua maternidade seguindo o exemplo de Maria nossa mãe.
ORAÇÃO: Ó Deus, Pai de bondade, que nos redimistes e adotastes como filhos e filhas, concedei aos que crêem no Cristo a liberdade verdadeira e a herança eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo na unidade do Espírito Santo. Amém.
EVANGELHO (Jo 15, 01-08): Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos: “Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que em mim não dá fruto ele o corta; e todo ramo que dá fruto, ele o limpa, para que dê mais fruto ainda. Vós já estais limpos por causa da palavra que eu vos falei. Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permaneceu em mim, e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Quem não permanecer em mim, será lançado fora como um ramo e secará. Tais ramos são recolhidos, lançados no fogo e queimados. Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e vos será dado. Nisto meu Pai é glorificado: que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos”. “Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permaneceu em mim, e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer”.
Na comparação que Jesus faz sobre a videira e os ramos, sentimos o quanto somos amados por Deus. Este amor deve fermentar em nós. Levando-nos a uma ação amorizante para que este mundo seja melhor através dos frutos que produzimos em nossa vida. A prática do bem é nosso desafio. Estamos impregnados com a influência do individualismo que leva a pessoa a sua própria ruína. A doutrina de Jesus serve para ser aplicada em todas as épocas. Por esta razão que ele se serve de comparações. De fatos bem comuns do cotidiano do povo, para que se entenda a profundidade de sua doutrina. A videira é um tipo de vegetal bem resistente e que em determinadas épocas do ano parece ter perdido a vida quando os ramos secos são retirados no momento da poda. Parece que não ficou mais nada. Na época certa surge a brotação como um verdadeiro milagre da natureza. Do tronco seco surge um verde belíssimo que enche nossos olhos de alegria. Jesus se utiliza desta beleza simples e significativa que acontece na natureza, para dizer que longe do tronco nós perdemos a vida. Ele é o responsável por transmitir a seiva para nós que somos os ramos. Se nos afastarmos do essencial seguindo nosso egoísmo, estaremos perdendo a seiva do amor de Deus. A oração faz que estejamos sempre unidos a Ele. O diálogo sincero com o Senhor transmite a seiva do amor para nosso coração e aos poucos vai nos transformando. Muitas vezes precisamos ser podados pelo Senhor. Tirar de nossa vida aquilo que nos impede de nos sentirmos amados por Ele. As dificuldades da vida quando lidas de uma forma humilde e oferecidas a Deus podem nos ajudar a crescer continuamente no amor. Na realidade todos passam por momentos difíceis que Deus permite para que sejamos forjados no seu amor. O sintoma da presença do amor é a capacidade de sofrimento do que ama de verdade. Nesta vida não teremos felicidade permanente porque Deus nos reservou a vida eterna. Jesus é a verdadeira videira, porque é por meio dele que alcançamos à salvação. Quando procuramos viver uma vida nova na graça de Deus superamos as barreiras do egoísmo e crescemos no amor. A nossa tarefa é produzir frutos. Eles são conseqüência da nossa comunhão com Cristo. Quando nos aproximamos do bem, produzimos o bem. Quanto mais podados nós formos em nosso egoísmo, mais capacitados nós estaremos em produzir frutos. Só poderemos produzir frutos se estivermos ligados ao tronco. Por nossa própria engenharia não podemos fazer o bem que tem a sua fonte única em Deus. O amor é exigente e transformante. O contato com a seiva de Cristo muda nossas atitudes e valores. Quando amamos de verdade estamos sempre dispostos a deixar algo pelo amado. Hoje as pessoas querem uma felicidade imediata que não passa pela poda da verdade e por isso acabam sofrendo muito mais do que se estivessem a inteira disposição do Senhor. “Senhor Jesus nós vos pedimos a graça de estarmos sempre ligados convosco através da oração”.

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