Domingo da Misericórdia – Segundo da Páscoa

Por Mons. Inácio José Schuster

II Domingo de Páscoa – B
(João 20, 19-31)

«Se não colocar minhas mãos em seu lado, não acreditarei»

«Oito dias depois, estavam outra vez seus discípulos dentro, e Tomé com eles. Apresentou-se Jesus no meio deles estando as portas fechadas, e disse: “A paz esteja convosco”. Logo diz a Tomé: “Aproxima teu dedo e vê minhas mãos; traz tua mão e coloca em meu lado, e não sejas incrédulo, mas crente”. Tomé lhe respondeu: “Senhor meu e Deus meu”. Diz Jesus: “Porque me viste acreditaste. Felizes os que não viram e creram”». Com a insistência sobre o sucedido a Tomé e sua incredulidade inicial («Se não vejo em suas mãos o sinal dos cravos e não coloco meu dedo nas chagas dos cravos não acredito»), o Evangelho sai ao encontro do homem e da era tecnológica que não crê mais que no que pode verificar. Podemos chamar Tomé de nosso contemporâneo entre os apóstolos. São Gregório Magno diz que, com sua incredulidade, Tomé foi-nos mais útil que todos os demais apóstolos que creram em seguida. Atuando de tal maneira, por assim dizer, obrigou Jesus a dar-nos uma prova «tangível» da verdade de sua ressurreição. A fé na ressurreição saiu beneficiada de suas dúvidas. Isto é certo, ao menos em parte, também aplicado aos numerosos «Tomés» de hoje que são os não crentes. A crítica e o diálogo com os não crentes, quando se desenvolvem no respeito e na lealdade recíproca, resultam-nos de grande utilidade. Antes de tudo nos fazem humildes. Obrigam-nos a tomar nota de que a fé não é um privilégio, ou uma vantagem para ninguém. Não podemos impô-la nem demonstrá-la, mas só propô-la e mostrá-la com a vida. «Que é que possuis que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que haverias de te ensoberbecer como se não o tivesses recebido?», diz São Paulo! (1 Coríntios 4,7). A fé, no fundo, é um dom, não um mérito, e como todo dom não pode viver-se mais que na gratidão e na humildade. A relação com os não crentes ajuda-nos também a purificar nossa fé de representações. Com muita freqüência, o que os não crentes rejeitam não é o verdadeiro Deus, o Deus vivo da Bíblia, mas uma imagem distorcida de Deus que os próprios crentes contribuíram a criar. Rejeitando este Deus, os não crentes obrigam-nos a voltarmos a situar após as marcas do Deus vivo e verdadeiro, que está mais além de toda nossa representação e explicação. A não fossilizar ou banalizar a Deus. Mas também há um desejo que expressar: que São Tomé encontre hoje muitos imitadores não só na primeira parte de sua história –quando declara que não crê–, mas também ao final, naquele magnífico ato seu de fé que o leva a exclamar: «Senhor meu, Deus meu!». Tomé é também imitável por outro fato. Não fecha a porta; não fica em sua postura, dando por resolvido, de uma vez por todas, o problema. De fato, certamente o encontramos oito dias depois com os demais apóstolos no cenáculo. Se não tivesse desejado crer, ou «mudar de opinião», não teria estado ali. Quer ver, tocar: portanto está em busca. E ao final, depois de que viu e tocou com sua mão, exclama, dirigindo a Jesus, não como um vencido, mas como um vencedor: «Senhor meu, Deus meu!». Nenhum outro apóstolo havia-se lançado ainda a proclamar com tanta clareza a divindade de Cristo.

 

II DOMINGO DA PÁSCOA (B) – FESTA DA MISERICÓRDIA
“DEUS NOS AMA ACIMA DE NOSSAS LIMITAÇÕES”

O segundo domingo da Páscoa é reconhecido oficialmente pela Igreja como Domingo da Misericórdia. Jesus entra no Cenáculo Glorioso com as portas fechadas e transmite a grande consequência dos que experimentam a Deus. A Paz que é fruto do amor misericordioso de Deus para com suas criaturas. Deus oferece o seu imenso amor a todos os seus filhos através de Jesus Cristo. É o grande mistério de amor da Santíssima Trindade que deseja que façamos parte de sua felicidade. Deus nos criou para o Eterno Convívio com Ele e com todos os que procuraram fazer o bem passando por cima de suas limitações. “Diz à humanidade sofredora que se aconchegue no Meu misericordioso Coração, e Eu a encherei de paz. A humanidade não encontrará a paz enquanto não se voltar, com confiança, para a minha misericórdia”. Estas palavras foram pronunciadas por Jesus Cristo na aparição a Santa Maria Faustina Kowalska nos anos trinta do século passado. A missão desta santa iniciou-se em 22 de fevereiro de 1931, quando o misericordioso Salvador lhe apareceu. Ela viu Jesus vestido de túnica branca, com a mão direita levantada a fim de abençoar, enquanto a esquerda pousava no peito, fazendo que a túnica, levemente aberta, deixasse sair dois grandes raios, um vermelho e outro pálido. A Santa Faustina fixou em silêncio o olhar de Jesus que lhe disse: “Pinta uma imagem de acordo com o modelo que estás vendo, com a inscrição: Jesus eu confio em Vós. Desejo que esta Imagem seja venerada, primeiramente, na vossa capela e, depois no mundo inteiro. Prometo que a alma que venerar esta Imagem não perecerá. Desejo que a Festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas, especialmente para os pecadores. Neste dia, estão abertas as entranhas da Minha misericórdia. Derramo todo um mar de graças sobre as almas que se aproximam da fonte da Minha misericórdia. A alma que se confessar e comungar alcançará o perdão das culpas e das penas. Nesse dia, estão abertas todas as comportas divinas, pelas quais fluem as graças. A Festa da Misericórdia saiu das Minhas entranhas. Desejo que seja celebrada solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa. A humanidade não terá paz enquanto não se voltar à fonte da Minha misericórdia” (Diário, nº 699). Neste próximo domingo em muitas comunidades católicas será exposta a imagem de Jesus Misericordioso. O sacerdote que divulgar esta devoção receberá muitas graças para si e para sua comunidade.

 

EVANGELHO (Jo 20, 19-31): Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos de Jesus se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. Depois destas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. E depois de ter dito isto, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados eles serão perdoados; a quem não perdoardes, eles lhes serão retidos”. Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. Os outros discípulos contaram-lhe depois: “Vimos o Senhor!” Mas Tomé disse-lhes: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos em suas mãos, e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”. Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”. Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”. Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!” Jesus lhe  disse: “Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!” Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro. Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo tenhais a vida em seu nome. “Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!”

A humanidade está passando por uma grande crise afetiva. As pessoas não se sentem amadas e por isso se perdem em seus próprios egoísmos. Nós seremos bem-aventurados no momento em que crermos firmemente que Jesus está vivo no meio de nós. Temos a certeza de sua presença e esta realidade é fonte de realização interior. Jesus nos oferece uma felicidade permanente. Hoje devemos crer no testemunho dos apóstolos que viram Jesus Ressuscitado. O cristianismo é uma herança do testemunho apostólico. A profissão de fé de Tomé, chamado dídimo, que significa pequeno; faz-nos repensar sobre nossa Fé como aceitação do Mistério da presença de Deus em nossa vida. Muitas vezes agimos como ele. Queremos uma comprovação daquilo que só é possível saber pela Fé.  Jesus entra três vezes no local onde os discípulos se encontravam com as portas fechadas. Com medo da perseguição e das críticas que os outros poderiam fazer em relação ao seu discipulado. Eles ainda não tinham experimentado a força do Espírito Santo que fará a abertura do Cenáculo e o anúncio do testemunho da Ressurreição de Jesus. A saudação de Jesus é uma saudação de Paz. Uma paz que muitas vezes exigirá sofrimento daqueles que irão ser seus apóstolos após Pentecostes. A segunda saudação de paz está unida à missão apostólica. O perdão dos pecados, o sacramento da reconciliação que nos renova da nossa incapacidade de amar. Jesus pede que os seus discípulos perdoem os pecados. É o mistério da Igreja, a forma de mediação mais perfeita que Deus deixou para nossa salvação. Infelizmente com o surgimento do protestantismo muitas pessoas relativizaram este mandato de Jesus pensando em um perdão pessoal. O pecado atinge a comunidade e o sacerdote em nome de Deus e da comunidade prejudicada com nossas faltas, nos perdoa. É um momento de profunda libertação para todos nós. Se este sacramento fosse mais frequente em nossa vida, certamente teríamos menos problemas de ordem afetiva e emocional. Crer é aceitar e se entregar ao que Deus nos apresenta com sua linguagem paradoxal. Os discípulos “viram o Senhor”. Hoje devemos crer nesta verdade que perpassa os séculos. O testemunho é uma verdade que se vê na testa. Na frente da pessoa envolvida pelo mistério. Jesus não está morto, mas vive no meio de nós, nos sacramentos, na sua Igreja. Crer é ter a vida em Cristo. É se dispor a negar-se a si mesmo em favor da missão que Ele nos confia. Quando acreditamos somos enviados ao sofrimento. A experiência de Deus é rica em misericórdia. Por esta razão ela é uma experiência de perdão. Quando somos perdoados nos sentimos amados. Por esta razão a humildade se faz necessária para sermos realmente felizes em nosso processo de ressurreição. Somos pecadores, mas o Senhor é misericordioso e quer nos reconciliar. A comunicação perdida com Deus através do pecado original é derrotada pelo próprio amor que Deus sente pelas suas criaturas. Hoje, através de nossa vida, devemos mostrar ao mundo que Cristo está vivo. Especialmente pelos valores que vamos assumindo em nossa existência em direção ao Pai. Os cristãos precisam viver na alegria verdadeira que nasce da conexão com o Criador através de Jesus Cristo. Hoje queremos ser os bem-aventurados, que mesmo sem termos visto o Senhor acreditamos no testemunho dos que nos antecederam na Fé. A profissão de fé de Tomé marcou a história da humanidade. Podemos cair na tentação de achar que ele era uma pessoa fraca e insensível. Mas o crer no Cristo ressuscitado é o maior desafio que temos em nossa vida. Crer é realizar na vida os valores de Cristo no concreto de nossa existência. Pela fé teremos paz que é um dom necessário para sermos felizes. A saudação que Jesus ressuscitado faz ao estar junto aos seus discípulos é muito importante para que saibamos qual é a consequência da vida de seus seguidores. A paz é fruto do amor que invade o coração daquele que crê. O processo de ressurreição começa já nesta vida quando iniciamos a aceitar a realidade do amor que  Deus sente em  grande escala por nós. O perdão é uma graça dada a partir do Espírito Santo e isto provoca a unidade dentro de nós mesmos e na vivência comunitária.  Tomé representa todos nós que queremos uma comprovação tátil daquilo que é sobrenatural. Quando amamos temos certeza de fatos que não conhecemos de um modo racional. A razão é um instrumento que deve nos levar a experiência de sermos criaturas amadas por Deus.  Os primeiros mártires da Igreja nos dão provas de que quando vamos nos entregando ao mistério da ressurreição, nos desapegamos da sociedade que valoriza o que não tem valor.  Como é importante aceitarmos o testemunho de nossos irmãos. Vermos a transformação que acontece em suas vidas a partir da fé. Se Tomé tivesse valorizado aquilo que seus irmãos tinham experimentado, ele não seria revestido da dúvida em relação ao fato da ressurreição de Jesus. A partir do mistério da Ressurreição de Jesus a história da humanidade já não é mais a mesma e a definição sobre a existência humana toma outro sentido. Jesus está vivo no meio de nós oferecendo a sua infinita misericórdia. Não podemos mais perder tempo com alegrias momentâneas, tudo o que estamos passando é preparação para a vida definitiva. Se existimos é porque somos amados. Estamos sobre o olhar amoroso de Deus que nos criou para a vida. A conversão ou o nosso processo de ressurreição exige de nossa parte uma mudança em nosso olhar. Para nos santificarmos precisamos olhar como Deus olha. Deixarmos de lado todo egoísmo para experimentarmos o amor.

 

Neste segundo domingo da Páscoa e sua oitava, outrora chamado domingo “in albis”, hoje, domingo da Divina Misericórdia, nós lemos o final do Evangelho de João. Na verdade o seu primeiro final, porque, após, veio acoplado um apêndice que não estava presente na primeira redação do texto. Neste primeiro final o evangelista apresenta a Duvida apostólica, cada evangelista trabalhou, a seu modo, à dúvida dos apóstolos de Jesus. Eles não eram crédulos, ou simplórios, como muitas vezes se pensam. Eram pessoas que relutaram em aceitar a Ressurreição de Jesus. Não lhes foi fácil, não tinham o intelecto preparado para tal, nem Jesus Se tinha manifestado tão claramente a respeito de Sua própria Ressurreição, de se notar que as próprias predições de Jesus, com relação a Sua morte e a Sua vitória, não foram, historicamente, tão claras quanto hoje se lêem nos evangelhos, por exemplo em Marcos, capítulos IX, X e XI.
Jesus deve ter falado numa linguagem mais ampla e menos transparente. De qualquer maneira, foi difícil para eles aceitarem a realidade de um mundo que se iniciava, ou se inaugurava, com a ressurreição de Jesus.
Cada evangelista, a seu modo, trabalhou esta dúvida apostólica e a trajetória que, com dificuldade e sofrimento, tiveram que realizar aqueles discípulos passando do real e trágico da morte de Jesus à Sua vitória definitiva. O evangelista João também realiza o mesmo serviço, só que ele, de certa maneira, condensa em Tomé o que era um aspecto geral apostólico. Todos duvidaram, nenhum deles aceitou plenamente, num primeiro momento, a ressurreição. Todos tiveram que realizar um longo “iter” e uma revolução Copérnica nas suas idéias e no seu universo mental judaico religioso.
Diante de Jesus ressuscitado finalmente Tomé, que aqui representa todos os 11, se posta de joelhos e exclama: “Meu senhor e meu Deus”. Até então, por causa da técnica narrativa, o Jesus do quarto evangelho não podia se dirigir diretamente aos leitores, isto é, a nós, à platéia. Mas agora, quando o cenário está para se concluir e a cortina para se cerrar definitivamente, o Jesus do texto de João se permite olhar para a platéia, olhar para cada um de nós e dizer para todos nós: “Bem aventurados aqueles que creram sem terem visto”. Somos todos nós. Nós cremos sem termos visto. Sem termos visto, colocamos as nossas melhores esperanças em Jesus ressuscitado. E por causa da presença do Espírito Santo, Ele não é uma simples imagem do passado; é pessoa viva no meio de nós.

 

SOMOS CHAMADOS A VIVER A RESSURREIÇÃO DE JESUS EM COMUNHÃO COM DEUS
Padre Bantu Mendonça

Nas tradições das primeiras comunidades, circulavam dois tipos de textos sobre a Ressurreição de Cristo: uns relativos à constatação do túmulo vazio e outros relacionados às aparições do Ressuscitado. Em Marcos, encontramos apenas a tradição do túmulo vazio. Os demais evangelistas combinam-se ao coletar textos extraídos das duas tradições. No Evangelho de João, temos a narrativa do encontro do túmulo vazio. Em continuação, este Evangelho apresentará as narrativas das aparições. A tradição do túmulo vazio suscita a fé no Ressuscitado sem vê-Lo.
Precisamos fazer um rebusco sobre o que Jesus disse para os discípulos na Última Ceia. Ele já havia comunicado aos discípulos, de maneira expressiva, a sua paz; agora, na condição de ressuscitado, renova-a. Jesus aparece entre os discípulos reunidos, anuncia-lhes a paz e lhes mostra as chagas.
A primeira testemunha do cumprimento dessas Palavras foi Maria Madalena quando chegou ao túmulo. Ela vê a pedra que O fechava removida e acha que roubaram Seu corpo. Ela comunica o fato a Pedro e ao discípulo que Jesus amava. Este discípulo é mais ágil do que Pedro ao dirigir-se ao túmulo; porém, em consideração a ele, deixa que entre primeiro.
O pano que havia coberto a cabeça de Jesus estava enrolado num lugar à parte. O discípulo que Jesus amava viu e acreditou na presença viva do Senhor. Até então, não haviam compreendido que Ele ressuscitaria. Contudo, os sinais do túmulo vazio são suficientes para João crer que Cristo continuava vivo.
No Evangelho de hoje, os discípulos estão com as portas trancadas com medo dos judeus. Esse detalhe exprime a situação da comunidade de João – excluída pelos judeus -, os quais, inclusive, denunciavam os cristãos aos romanos. Porém, a presença do Ressuscitado liberta essa comunidade do medo e lhes traz a alegria. O “mostrar as chagas” das mãos e do lado é a confirmação da identificação do Ressuscitado com Jesus de Nazaré que foi crucificado. Agora, conforme anunciara nos discursos de despedida, Jesus comunica aos discípulos o Espírito, soprando sobre eles.
Os discípulos são enviados em missão, com o conforto do Espírito. Suas comunidades, que vivem na comunhão e partilha – movidas pela fé em Jesus – são responsáveis pela prática da misericórdia no acolhimento dos excluídos como pecadores e de todos aqueles que se sentem atraídos por Jesus. A partir da experiência de Tomé, Jesus proclama a bem-aventurança da fé. Começa o tempo dos bem-aventurados que não viram e creram.
Cristo ressuscitado continua presente entre os Seus discípulos. É o mesmo Jesus de Nazaré, Filho de Deus encarnado, que a todos comunicou eternidade e vida divina. As primeiras comunidades tinham consciência de que, pelo batismo, já viviam como ressuscitadas, isto é, em união com Jesus em Sua eternidade e divindade.
Comprometer-se, hoje, com o projeto vivificante de Jesus – na justiça, no amor e na partilha – é viver a Ressurreição em comunhão com o Deus eterno.

 

Divina Misericórdia do Senhor   

Termina a oitava da Páscoa celebrando a Divina Misericórdia do Senhor.

Renovemos o ímpeto de anunciar a todo o mundo a Boa Nova: Cristo Ressuscitou. Apenas Jesus viveu a sua passagem da morte à vida. Os seus discípulos vão passar do medo à alegria e à paz, basta-lhes uma palavra – «a paz esteja convosco» – e verem as chagas ainda visíveis no Ressuscitado. Basta-lhes um sopro, o do Espírito de Cristo, para se tornarem embaixadores da reconciliação. Tomé vai passar da dúvida à fé, basta-lhe ver e tocar o que Cristo lhe oferece, então ele crê.

No ano 2000, o Papa João Paulo II canonizou Irmã Faustina e decretou o primeiro domingo depois da Páscoa como 2º Domingo de Páscoa ou Domingo da Misericórdia. Santa Faustina recebeu aparições regulares de Cristo consignadas no seu livro “O pequeno Jornal”. O essencial da mensagem recebida por ela gira em torno da misericórdia de Deus para com toda a humanidade. O próprio Cristo solicitou que esta verdade fosse solenemente objeto de meditação no domingo subsequente à comemoração de Sua ressurreição.

“Diz à humanidade sofredora que se aconchegue no meu misericordioso Coração, e Eu a encherei de paz. A humanidade não encontrará a paz enquanto não se voltar, com confiança, para a minha Misericórdia”.

Estas palavras foram pronunciadas por Jesus Cristo na aparição a Santa Maria Faustina Kowalska, nos anos trinta do século passado. A missão desta santa iniciou-se em 22 de fevereiro de 1931, quando o misericordioso Salvador lhe apareceu. Ela viu Jesus vestido de túnica branca, com a mão direita levantada a fim de abençoar, enquanto a esquerda pousava no peito, fazendo que da túnica, levemente aberta, deixasse sair dois grandes raios, um vermelho e outro pálido. Santa Faustina fixou o olhar de Jesus, que lhe disse:

“Pinta uma imagem de acordo com o modelo que estás vendo, com a inscrição: Jesus, eu confio em Vós. Desejo que esta Imagem seja venerada, primeiramente na vossa capela, e depois no mundo inteiro. Prometo que a alma que venerar esta Imagem não perecerá. Desejo que a Festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas, especialmente para os pecadores. Neste dia, estão abertas as entranhas da minha Misericórdia. Derramo todo um mar de graças sobre as almas que se aproximam da fonte da minha Misericórdia. A alma que se confessar e comungar alcançará o perdão das culpas e das penas. Neste dia, estão abertas todas as comportas divinas, pelas quais fluem as graças. A Festa da Misericórdia saiu das minhas entranhas. Desejo que seja celebrada solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa. A humanidade não terá paz enquanto não se voltar à fonte da minha Misericórdia” (Diário nº. 699).

As chagas de Jesus devem ser o refúgio de todos, a repetirem com Santo Tomé, repletos de confiança, num ato de fé profunda: “Meu Senhor e meu Deus”.

Jesus entra glorioso no Cenáculo, com as portas fechadas, e transmite a Paz, que é fruto do amor misericordioso de Deus para com suas criaturas. É o grande fruto do amor de Deus, que jamais Se esquece de seus filhos, oferecendo o seu imenso amor a todos nós, através de Jesus Cristo. É o grande mistério de amor da Santíssima Trindade, desejosa de que façamos parte de sua Felicidade.

O objetivo Dele é que a clemência, a indulgência, a bondade de Deus seja sempre refúgio sobretudo para os pecadores. Neste domingo, em muitas comunidades católicas será exposta a imagem de Jesus Misericordioso. O sacerdote que divulgar esta devoção receberá muitas graças para si e para sua comunidade. Também podemos alcançar a graça da Indulgência Plenária, conforme a Igreja prescreve para este dia.

Jesus relacionou com a esta Festa uma graça especial: o perdão de todas as culpas e penas. Esta graça prometida por Jesus é algo muito maior do que a indulgência plenária, é uma da graças que recebemos no Batismo. Além da exigência da confiança, a promessa foi relacionada diretamente com a santa Eucaristia, recebida neste dia. Isso pressupõe evidentemente o sacramento da penitência, recebido antes.

Terminemos esta reflexão coma as palavras de João Paulo II sobre a Misericórdia Divina:
Cristo sublinha com insistência a necessidade de perdoar aos outros. Quando Pedro lhe perguntou quantas vezes devia perdoar ao próximo, indicou-lhe o número simbólico de «setenta vezes sete», querendo desta forma indicar-lhe que deveria saber perdoar sempre a todos e a cada um.

É evidente que exigência tão generosa em perdoar não anula as exigências objetivas da justiça. A justiça bem entendida constitui, por assim dizer, a finalidade do perdão. Em nenhuma passagem do Evangelho o perdão, nem mesmo a misericórdia como sua fonte, significam indulgência para com o mal, o escândalo, a injúria causada, ou os ultrajes. Em todos estes casos, a reparação do mal ou do escândalo, a compensação do prejuízo causado e a satisfação da ofensa são condição do perdão.

Com razão a Igreja considera seu dever e objetivo da sua missão, assegurar a autenticidade do perdão, tanto na vida e no comportamento concreto, como na educação e na pastoral. Não a protege de outro modo senão guardando a sua fonte, isto é, o mistério da misericórdia de Deus, revelado em Jesus Cristo (Dives in misericordia sobre a Misericórdia Divina Ioannes Paulus PP. II 30/11/1980).

ORAÇÃO: Ó Deus de eterna misericórdia, que reacendeis a fé do vosso povo na renovação da festa pascal, aumentai a graça que nos destes. E fazei que compreendamos melhor o batismo que nos lavou, o espírito que nos deu nova vida e o sangue que nos redimiu. Por nosso Senhor Jesus Cristo na unidade do Espírito Santo. Amém.

 

Grande é o poder da Misericórdia Divina
Padre Fábio de Melo

“Feliz a alma que confiou na vossa bondade. E submeteu-se inteiramente à Vossa Misericórdia! Essa alma está repleta da paz, do amor, em toda parte eu a defendeis, como Minha filha. Ó alma quem quer que sejas no mundo, ainda que seus pecados sejam negros como a noite. Não temas a Deus, tu frágil criança, porque grande é minha misericórdia” (Diário Faustina nº 1652). Hoje você pode substituir a palavra alma, pelo seu nome.

Entre minha morte e a eternidade existe um abismo de amor, do amor de Deus. Deus é um Pai amoroso que está sempre de mesa posta para acolher os que tem fome.

A parábola do filho prodigo, quebra todo paradigma, entender a misericórdia de Deus é para uma vida inteira. Você que se sente “estropiado”, longe de Deus e rejeitado.

O primeiro movimento da misericórdia de Deus em nós, é criar dentro do nosso coração a capacidade de amar e ser amado. E misericórdia é isso, ter um coração que ainda tem condição de acolher.

Deus coloca em nós a dignidade humana, é o elo que nos prende a Ele. Caminhamos na certeza que Deus está em mim. A opção de Deus por mim é definitiva. Precisamos responder a essa misericórdia.

João Paulo II viveu experimentou e viveu a dinâmica da misericórdia. Ele deve ter lutado para ser o bom filho, um bom seminarista, um bom padre, e um bom papa. Qual a diferença entre nós e João Paulo II, João entendeu que quanto mais ele tinha Deus, mais ele precisava ter. E Deus não acumulamos como as coisas. A cada dia é uma experiência nova, a única diferença que a experiência de hoje levará a base do cristão de amanhã.

Cuidado, para você não confundir misericórdia com preguiça, não ache que Deus vai ficar passando a mão na sua cabeça. Mas Deus fará no imperativo: “Sai desta vida! Esforça-te!”

Viver a misericórdia é viver o esforça de sermos melhor. A aprovação da lei que foi aprovada na semana passado é só inicio. A misericórdia do senhor me motiva a ser cada dia mais um vitorioso. O amor de Deus pode até doer, mas é uma dor de trás redenção”.

Hoje no dia da misericórdia, não podemos negar a realeza de ser filho de Deus.

O caminho de salvação é feito todos dias. O coração de Jesus está disposto a nos conduzir do Egito para terra prometida. Qual é seu Egito? É seu esposo? Um doença? Espera, caminhe rumo a terra prometida!

Quem não caminha não chega a lugar nenhum: dê passos! Não desanime! Não se curve aos destrato que o mundo quer te dar.

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