Domingo de Páscoa

Evangelho segundo São João 20, 1-9
No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo logo de manhã, ainda escuro, e viu retirada a pedra que o tapava. Correndo, foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo, o que Jesus amava, e disse-lhes: «O Senhor foi levado do túmulo e não sabemos onde o puseram.» Pedro saiu com o outro discípulo e foram ao túmulo. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo correu mais do que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. Inclinou-se para observar e reparou que os panos de linho estavam espalmados no chão, mas não entrou. Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no túmulo e ficou admirado ao ver os panos de linho espalmados no chão, ao passo que o lenço que tivera em volta da cabeça não estava espalmado no chão juntamente com os panos de linho, mas de outro modo, enrolado noutra posição. Então, entrou também o outro discípulo, o que tinha chegado primeiro ao túmulo. Viu e começou a crer, pois ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.

 

Por Pe. Fernando José Cardoso

Domingo da Páscoa, da Ressurreição, nesta noite vibraram todos os sinos cristãos e católicos do mundo inteiro, sinos de grandes Catedrais de Basílicas suntuosas e também de Capelas modestas. Todos vibraram e nos convidaram à alegria, porque foi também entoado em muitas nações, em diversas línguas o canto do Aleluia; Louvamos e bendizemos a Deus, porque depois do seu silêncio que acompanhou Cristo na paixão toda inteira e na sua morte e na sua descida ao sepulcro, agora pronuncia a sua Palavra Salvadora. Páscoa de Cristo, vitória de Cristo e vitória daqueles que estão unidos a Cristo. Na verdade, os sinais da ressurreição neste mundo e, sobretudo em Jerusalém de dois mil anos atrás, foram pequenos, humildes e simples. Um túmulo abandonado, alguns panos dobrados lá dentro e mais tarde algumas aparições de Jesus ressuscitado a testemunhas escolhidas por Deus. Nada mais, o triunfo da Ressurreição não se passa neste mundo, o mundo de Deus não é exatamente este universo; jamais O poderemos contemplar com os olhos carnais. No entanto estes pequenos sinais: um túmulo vazio, alguns panos ensangüentados dobrados e umas tantas testemunhas que afirmaram ter visto Jesus vivo, após a sua paixão e morte, foram suficientes para transformar pouco a pouco, a humanidade. Hoje, vinte séculos passados, são bilhões aqueles que crêem no Cristo ressuscitado, vencedor do pecado e da morte. Estão enganados, foram induzidos a enganos por alguns apóstolos alucinados? Assim dizem aqueles que não crêem, e eles têm o direito de não crer, mas não podem negar, não tivesse havido o primeiro brado da Ressurreição lá na cidade de Jerusalém, nenhum sino teria repicado ainda hoje, nenhum canto de aleluia teria sido entoado e não teria havido cristianismo. Nós cremos na vitória pascal de Jesus Cristo e cremos na nossa vitória com Cristo também, cremos firmemente que se O seguimos neste mundo é para tomarmos parte no seu triunfo por toda Eternidade, e este ato de fé que hoje realizamos é forte e nos acompanha, quer nas horas alegres, quer nas horas tristes da nossa existência. Somos homens pascais, homens da vitória e devemos a nossa vitória a Jesus ressuscitado. Nas alegrias de Páscoa, eu desejo a cada um daqueles que seguem Nosso Senhor, uma santa, feliz e alegre Páscoa da Ressurreição.

 

DOMINGO DA PÁSCOA – MISSA DO DIA NA RESSURREIÇÃO DO SENHOR – Ano B

“Ressuscitei, ó Pai, e sempre estou contigo: pousaste sobre mim a tua mão, tua sabedoria é admirável, aleluia!” (Sl 138, 18.5s)

Meus irmãos e minhas irmãs no Senhor Ressuscitado!

Aleluia! Jesus Ressuscitou Verdadeiramente, Aleluia!

Celebramos neste dia o mistério central de nossa vida cristã: a vitória da graça sobre o pecado e a inauguração de um novo tempo, tempo de graça, de santidade, de vida, vida plena e vida eterna. Tempo de esperança e tempo de paz no Senhor Ressuscitado!

É o primeiro dia da semana, o dia da ressurreição narrado pelo Evangelista João (20,1-9) na liturgia de hoje. A vida venceu a morte. A ressurreição de Cristo é a consciência dos seus discípulos de que ele vive e não é abandonado pelo Pai, mas confirmado na vida e confirmado também na obra que ele levou a termo.

Hoje, Deus cumpriu o que prometera aos homens: “Ressuscitou-o [seu filho] ao terceiro dia e tornou-o manifesto…” É o mesmo sentido que aparece no Evangelho de Emaús, lido na celebração vespertina da missa de hoje: Jesus mesmo mostra que as Sagradas Escrituras prefiguravam seu caminho. Mas agora, Ele vive e, quando o pedimos, fica conosco e se nos dá a conhecer no “partir o pão”, na celebração da comunidade cristã.

Na missa matutina, o Evangelho é outro: a corrida de Pedro e do misterioso “discípulo amado” ao sepulcro. Pedro tem a precedência, embora o outro impulsionado pelo generoso amor tenha corrido mais rápido. Pedro entra primeiro e vê. O outro vem depois: vê e crê! O amor é que faz reconhecer nos sinais da ausência – as faixas, o sudário, a presença, transformada e gloriosa de Cristo. “Crê, só agora, porque até então não tinha entendido as Escrituras que significam a ressurreição de Cristo dos mortos ao terceiro dia”.

Meus irmãos,

Celebramos hoje o grande milagre da nova criação. Domingo é o dia do Senhor, o “Dies Domini”. A ressurreição de Jesus, como também a nossa ressurreição, é assunto de fé. Pode-se buscar explicações e conveniências. Elas estarão sempre aquém do fato divino. É diferente do brotar do trigo no campo e dos astros que se mantém no espaço. Porque eles tem explicações. A Páscoa não se explica. A Páscoa se crê. É o maior dos milagres. Só a fé é capaz de assimilá-lo.

Diante do milagre, as palavras se apequenam. Compreende-se a sobriedade dos Evangelistas em narrar a Páscoa. No Evangelho de hoje está acentuado o ver. Viu Maria Madalena, viu Pedro, viu João. E João completa: “Viu e acreditou” (Jo 20, 8). O verbo ver, no Evangelho de hoje, tanto o ver físico, quanto o ver espiritual, carrega em si as sementes do crer e faz brotar a fé.

Por isso, todos nós somos convidados a ver, a crer e a compreender a Escritura. A escritura serve de base e garantia lídima de nossa fé. A garantia da verdade não são os olhos que vêem, nem a mente e o coração que compreendem. A Palavra de Deus é segura: “Eterna e estável como os céus é a tua Palavra, Senhor!” (Sl 119, 89).

Meus irmãos,

No Cristo Ressuscitado renascem o novo homem e a nova mulher, e com eles a nova criação. A grande e secreta esperança da humanidade se realiza. Livres do que poderia nos manter escravos de nós mesmos e de nossos caprichos, livres também daqueles que nos manteriam escravos de seus próprios planos opressores, podemos marchar para a vida, num novo êxodo. Estamos livres para amar e para cantar com a Liturgia deste dia Santo: “Cantai, cristãos, afinal! Salve, ó vitima pascal! Cordeiro inocente, o Cristo, abriu-nos do Pai o aprisco!” Cristo nos faz novas criaturas e no Batismo somos imersos nesta vida nova que nos vem dele.

Nossa vocação é crescermos em Cristo, em direção a esse homem/mulher novo, livre, maduro, puro e lindo, tal como o Criador nos pensou desde a eternidade. Reassumir como novo vigor a nossa vocação batismal é um compromisso irrecusável nesta Páscoa.

Já temos a certeza que Cristo venceu. Agora só nos resta viver e celebrar essa vitória na esperança de que também nós venceremos, chamados que somos à luz, à vida, à liberdade, à alegria imorredoura.

Meus irmãos,

Se é verdade que a ressurreição é obra exclusiva de Deus, é também verdade que ela tem a ver com a vida presente, restaurada pela morte e ressurreição de Jesus.

A vida presente, modifica-se na medida de nossa fé na ressurreição. Por isso, os Apóstolos, em suas pregações e cartas, insistiram tanto que a vida presente deve ser pautada pela esperança da vida futura. Não como um consolo pelas possíveis desgraças sofridas aqui, mas como um retorno pleno à vida divina, de onde saímos.

Fomos criados por um gesto de amor. Ressuscitamos por um outro gesto de amor extremado: a morte e ressurreição de Jesus Cristo.

Ao celebramos o dom da vida, elevemos a Deus, o autor e restaurador da vida plena, na nova vida eterna, pelo dom da nossa vida, um canto de ação de graças, para que, configurados pela ressurreição do Salvador, possamos ser testemunho desta luz brilhante que é o Senhor Ressuscitado! Amém. Aleluia!

Padre Wagner Augusto Portugal, Vigário Judicial da Diocese da Campanha, MG.

 

«ESTE É O DIA QUE O SENHOR FEZ, EXULTEMOS E CANTEMOS DE ALEGRIA»
São Máximo de Turim (?-c. 420), bispo
CC Sermão 53, sobre o salmo 117 ; PL 57, 361 (trad. coll. Migne n° 65, p. 126)

«Este é o dia que o Senhor fez, exultemos e cantemos de alegria» (Sl 117, 24). Não é por acaso, meus irmãos, que lemos hoje este salmo em que o profeta nos convida à alegria, em que o santo David convida toda a criação a celebrar este dia; porque hoje a ressurreição de Cristo abriu a mansão dos mortos, os novos batizados da Igreja rejuvenesceram a terra, o Espírito Santo mostrou o céu. O inferno, aberto, devolve os seus mortos; a terra, rejuvenescida, faz eclodir os ressuscitados; e o céu abre-se em toda a sua grandeza para acolher aqueles que a ele ascendem. O ladrão subiu ao paraíso (Lc 23, 43); os corpos dos santos entram na cidade santa (Mt 27, 53). […] À ressurreição de Cristo, todos os elementos se elevam, com uma espécie de impulso, até às alturas. O inferno entrega aos anjos aqueles que mantinha presos, a terra envia para o céu aqueles que cobria, o céu apresenta ao Senhor aqueles que acolheu. […] A ressurreição de Cristo é vida para os defuntos, perdão para os pecadores, glória para os santos. Assim, o grande David convida toda a criação a festejar a ressurreição de Cristo, incita-a a exultar de alegria neste dia que o Senhor fez. Dir-me-eis talvez […] que o céu e o inferno não foram estabelecidos no dia deste mundo; como podemos então pedir aos elementos que celebrem um dia com o qual nada têm de comum? O certo é que este dia que o Senhor fez tudo penetra, tudo contém, abraçando o céu, a terra e o inferno! A luz que é Cristo não foi detida pelas paredes, não foi abalada pelos elementos, não foi ensombrada pelas trevas. A luz de Cristo é um dia sem noite, um dia sem fim. Por toda a parte resplandece, por toda a parte brilha, em toda a parte permanece.

 

IDE E SEDE APÓSTOLO DA MINHA RESSURREIÇÃO
Padre Roger Luís

O túmulo está vazio, Jesus ressuscitou, e esta é maior notícia. Você acredita que Jesus ressuscitou? Vocês voltarão para suas casas, para os trabalhos, para os relacionamentos, e talvez encontrem muitas pessoas que não viram a ressurreição de Cristo porque não crêem. Você vai ter que decidir em qual lado ficará, porque elas não irão acreditar na sua experiência. Já Tomé viu Jesus e disse: “só acredito se eu O tocar”. Tocando Jesus ele disse: “Senhor eu creio, mas aumentai a minha fé”. Vemos a evidência da ressurreição nas escrituras, a pedra havia rolado, o sepulcro estava vazio, as faixas que enrolava o Cristo estava no chão, Maria Madalena e João ao verem, correram para Pedro que havia sido intitulado como o chefe da Igreja, o primeiro Papa. Tenho ficado impressionado como os cristãos tem sido fracos e frouxos, muitos estão acreditando em livros, e abandonado a Bíblia, a Palavra de Deus que tem poder. Como Tomé temos que dizer: ‘eu creio, mas aumentai a minha fé’, para que não sejamos balançados pelas propostas do mundo. São Paulo nos diz: ‘Também vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado; o qual também recebestes, e no qual também permaneceis. Pelo qual também sois salvos se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado; se não é que crestes em vão. Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, E que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. E que foi visto por Cefas, e depois pelos doze. 6 Depois foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormem também. Depois foi visto por Tiago, depois por todos os apóstolos. E por derradeiro de todos me apareceu também a mim, como a um abortivo. Porque eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, pois que persegui a igreja de Deus’ (1Cor 15, 1-3). Eis a sua missão: anunciar a experiência com Cristo e buscar as coisas do alto Paulo era um decrescente, mas ele fez a experiência com o Cristo e passou a testemunhar a sua fé. Quando você deparar com as realidades do seu cotidiano, você precisa lembrar da experiência. Como São Paulo você teve a oportunidade de conhecer o Cristo ressuscitado, agora você é chamado a testemunhar. Frei Raniero Cantalamessa na função da Sexta-feira Santa disse que um grupo colocou nos ônibus da Inglaterra, e de algumas cidades da Europa a frase que dizia: ‘provavelmente Deus não existe, por isso aproveite a vida’.  Você que está aqui deixou de ser feliz ou de aproveitar a vida? Frei Raniero disse mais: ‘Se Deus não existe eu não perdi nada, mas se Ele existe vocês perderam tudo’. Precisamos ser apóstolos da ressurreição e assim fazer entediar o coração daqueles que não crêem. E se você assumiu que é um apóstolo da ressurreição escute o que diz São Paulo: ‘Irmãos: Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres’. Eis a sua missão: anunciar a experiência com Cristo e buscar as coisas do alto.

 

A VITÓRIA DE CRISTO  

O Apóstolo Paulo (Cl 1, 24) nos convida a manifestar os sentimentos pascais nos seguintes termos: “Alegro-me nos sofrimentos suportados por vossa causa”. A comemoração da paixão e morte de Jesus é seguida, nas cerimônias litúrgicas, de uma grande alegria que é participada por todos os cristãos. A pedra do túmulo onde estava o Corpo do Senhor foi removida e Ele, por seu poder, ressuscitou. O pecado feriu o relacionamento filial do gênero humano com Deus. O Redentor, contudo, restabeleceu a amizade primitiva do Criador à sua criatura, embora perdurem as marcas da transgressão original, manifestadas pelo sofrimento que nos acompanha durante toda a nossa vida. A grande lição da Páscoa é a vitória da alegria sobre a dor, mesmo sem a suprimir. Essa visão transcendental é importante para cada um de nós. São Paulo, escrevendo aos Coríntios (1Cor 15, 14), salienta o valor desse domingo, no qual Cristo ressurgiu glorioso do seu sepulcro, vencedor da morte: “Se Cristo não ressuscitou, é vã nossa pregação e também vã a vossa fé”. Os discípulos de Jesus, após sua morte, encontravam-se mergulhados no atordoamento causado pelas recentes e trágicas ocorrências. Lemos no Evangelho de São João (20, 19): “Estando fechadas as portas onde se achavam os discípulos por medo dos judeus”. No entanto, circulavam notícias alvissareiras entre os fiéis – sem dúvida, israelitas – afirmando que Ele havia ressurgido dos mortos, estava vivo, fora visto por vários discípulos. O episódio ocorrido com Tomé bem revela a situação da pequena comunidade. Relata ainda São João em seu Evangelho (20, 25): “Se eu não vir em suas mãos o lugar dos cravos e se eu não puser meu dedo no lugar dos cravos e minha mão no seu lado, não crerei”. Nós não celebramos a Ressurreição no sábado à noite e, no domingo, a Páscoa, simplesmente como fatos históricos, mas como algo de atual. Há uma continuidade entre ontem e hoje. O pequeno grupo, apavorado, tornou-se o poderoso veículo da difusão do Evangelho. Rapidamente, a Boa Nova chegou aos confins da terra! Já no ano 63, São Paulo, escrevendo aos Filipenses (4, 22) podia afirmar: “Todos os santos vos saúdam, especialmente os da casa de César”. Após tão poucas décadas da morte de Cristo, até no palácio do imperador romano havia cristãos. Cabe uma pergunta: como aproveitar estas comemorações da vitória de Cristo sobre o pecado, em favor de nossa vida pessoal e exercício de nossa fé cristã, hoje? O túmulo vazio é a garantia do que podemos e devemos usufruir uma profunda alegria. A vitória aí significada assegura a superação dos males e limitações que acompanham a vida de cada fiel e da comunidade eclesial. A busca de felicidade é o drama da Humanidade. Nós fomos criados por Deus e para Deus; somente n’Ele saciaremos a fome que angustia o coração humano. Procurar alhures, onde as inclinações pecaminosas se chocam com os ensinamentos do Senhor, leva-nos sempre à decepção. O proposto pelo mundo enche os ouvidos, os olhos, alimenta as paixões, mas depois de tudo, restam apenas cinzas. E a insatisfação perdura. Na realidade, vida fiel às diretrizes do Cristo, festejos religiosos ou não, desde que não firam o Evangelho, mitigam uma sede que somente na eternidade será plenamente aplacada. Quantas vezes temos ouvido essa verdade e, no entanto, o mundo continua a procurar a felicidade onde ela não se encontra. Santo Agostinho é admirável na sua observação: “Senhor, fomos criados para Vós e o nosso coração vive inquieto, até que ele repouse em vós” (“Confissões” 1,1). Na festa da Ressurreição do Senhor, este ano, reflitamos sobre a importância da alegria e onde a encontrar. Em meio à violência, suportando o peso de tantos problemas que nos afligem, reafirmemos nossa fé cristã e nosso firme propósito de viver inteiramente a Mensagem de Jesus Ressuscitado, glorioso! A celebração da Páscoa deve incutir em nós a certeza da vitória final de Cristo e sua obra. A glória da Ressurreição já é vislumbrada nas feições de Jesus, no alto do Gólgota. O Redentor, aparentemente vencido, sempre derrotará seus opositores. Tamanha certeza é de grande importância na vida de cada cristão que luta para viver sua fé, seguindo a trajetória da Igreja através dos séculos. Houve momentos no decorrer da História em que parecia se repetir o drama da condenação e da morte do Salvador. Constituindo a Comunidade Cristã o Corpo Místico de Cristo, torna-se bastante compreensível a sua participação nos sofrimentos do Senhor. Em certas épocas, o Mal parecia vencer definitivamente, ora pelas falhas internas, ora pelos ataques de fora. Em um e outro caso, era o pecado que dominava. Neste dia glorioso, a vitória de Cristo, é bom recordar que ainda hoje inimigos externos, como os sumos sacerdotes, fariseus, representantes da Roma imperial são menos perigosos e mais fáceis de serem superados que os internos e estes, como a traição de Judas, sem dúvida, são mais perniciosos, pois ferem a unidade e atingem o âmago da estrutura eclesial. Assim, acobertando as ações negativas com o nome de “discípulos de Cristo” confundem o rebanho, dificultam a aceitação dos ensinamentos eclesiais. O fato de reconhecer variados e sutis ataques à obra do Senhor não nos deve induzir a uma atitude pessimista. Quem vive em intensidade a vitória de Cristo sobre a morte sente em si a paz, usufrui a alegria e irradia a esperança fundamentada em Cristo Ressuscitado.

Agradeço e retribuo os votos de uma feliz, santa e abençoada Páscoa no Senhor Jesus Cristo, que vive e reina por todos os séculos dos séculos.

 

MENSAGEM PASCAL DO PAPA: RESSURREIÇÃO DE JESUS NÃO É TEORIA
Pronunciada da janela da Basílica de São Pedro, diante de 200 mil peregrinos
CIDADE DO VATICANO, domingo, 12 de abril de 2009 (ZENIT.org).- Bento XVI dedicou a mensagem da Páscoa – pronunciada da janela da Basílica de São Pedro do Vaticano – a mostrar como a ressurreição de Jesus não é uma teoria ou um mito, mas o fato mais significativo da história. Diante de 200 mil fiéis que enchiam a Praça de São Pedro e as ruas adjacentes, o Papa considerou, por este motivo, que o anúncio da Páscoa limpa as regiões escuras do materialismo e do niilismo, que parecem estender-se nas sociedades modernas. Em uma manhã de céu coberto, o Santo padre recolheu «uma das questões que mais angustia a existência do homem é precisamente esta: o que há depois da morte?». «A este enigma – respondeu –, a solenidade de hoje permite-nos responder que a morte não tem a última palavra, porque no fim quem triunfa é a Vida.» A ressurreição de Jesus «não é uma teoria, mas uma realidade histórica revelada pelo Homem Jesus Cristo por meio da sua ‘páscoa’, da sua ‘passagem’, que abriu um ‘caminho novo’ entre a terra e o Céu». «Não é um mito nem um sonho, não é uma visão nem uma utopia, não é uma fábula, mas um acontecimento único e irrepetível: Jesus de Nazaré, filho de Maria, que ao pôr do sol de Sexta-feira foi descido da cruz e sepultado, deixou vitorioso o túmulo», sublinhou. O Bispo de Roma explicou que «o anúncio da ressurreição do Senhor ilumina as zonas escuras do mundo em que vivemos. Refiro-me de modo particular ao materialismo e ao niilismo, àquela visão do mundo que não sabe transcender o que é experimentalmente constatável e refugia-se desconsolada num sentimento de que o nada seria a meta definitiva da existência humana». De fato, assegurou, «se Cristo não tivesse ressuscitado, o ‘vazio’ teria levado a melhor. Se abstraímos de Cristo e da sua ressurreição, não há escapatória para o homem, e toda a sua esperança permanece uma ilusão». Com a ressurreição de Cristo, sublinhou, «já não é o nada que envolve tudo, mas a presença amorosa de Deus». Porém, continuou dizendo, ainda que seja verdade que a morte já não tem poder sobre o homem e o mundo, no entanto, «restam ainda muitos, demasiados sinais do seu antigo domínio». Por este motivo, o papa afirmou que Cristo «precisa de homens e mulheres que, em todo o tempo e lugar, O ajudem a consolidar a sua vitória com as mesmas armas d’Ele: as armas da justiça e da verdade, da misericórdia, do perdão e do amor».

 

BENTO XVI LANÇA «BATALHA PACÍFICA» DIANTE DA CRISE GLOBAL
Com as armas «da justiça e da verdade, da misericórdia, do perdão e do amor»
CIDADE DO VATICANO, domingo, 12 de abril de 2009 (ZENIT.org).- Bento XVI lançou neste domingo de Páscoa a «batalha pacífica» que surge da ressurreição de Jesus, para enfrentar a crise global caracterizada por conflitos, falta de alimentos e desajuste financeiro. Esta foi a indicação que ele deixou na mensagem da Páscoa, pronunciada da janela da fachada da Basílica de São Pedro do Vaticano, diante de 200 mil peregrinos, e transmitida ao vivo por canais de televisão dos cinco continentes. O Santo Padre explicou que «se, por meio da Páscoa, Cristo já extirpou a raiz do mal, todavia precisa de homens e mulheres que, em todo o tempo e lugar, O ajudem a consolidar a sua vitória com as mesmas armas d’Ele: as armas da justiça e da verdade, da misericórdia, do perdão e do amor». Esta mensagem, disse, é particularmente necessária na África, continente que acaba de visitar ao estar nos Camarões e em Angola, pois « sofre desmedidamente com os cruéis e infindáveis conflitos – freqüentemente esquecidos – que dilaceram e ensangüentam várias das suas Nações». Segundo denunciou, um número «cada vez maior dos seus filhos e filhas» acaba sendo vítima da fome, da pobreza e da doença. O pontífice esclareceu que esta mensagem será repetida na Terra Santa, onde ele visitará a Jordânia, Israel e os Territórios palestinos, de 8 a 15 de maio. «A reconciliação difícil mas indispensável, que é premissa para um futuro de segurança comum e de pacífica convivência, não poderá tornar-se realidade senão graças aos esforços incessantes, perseverantes e sinceros em prol da composição do conflito israelita-palestino», assegurou. Ele explicou que, ao visitar a terra de Jesus, ampliará sua mensagem aos países limítrofes, ao oriente Médio e ao mundo inteiro. «Num tempo de global escassez de alimento, de desordem financeira, de antigas e novas pobrezas, de preocupantes alterações climáticas, de violências e miséria que constringem muitos a deixar a própria terra à procura duma sobrevivência menos incerta, de terrorismo sempre ameaçador, de temores crescentes perante a incerteza do amanhã, é urgente descobrir perspectivas capazes de devolverem a esperança.» «Ninguém deserte nesta pacífica batalha iniciada com a Páscoa de Cristo, o Qual – repito-o – procura homens e mulheres que O ajudem a consolidar a sua vitória com as suas próprias armas, ou seja, as armas da justiça e da verdade, da misericórdia, do perdão e do amor», concluiu o Papa.

 

HOMILIA DO PAPA NA MISSA DO DOMINGO DA RESSURREIÇÃO
O Ressuscitado precede-nos e acompanha-nos pelas estradas do mundo
CIDADE DO VATICANO, domingo, 12 de abril de 2009 (ZENIT.org).- Publicamos a homilia que Bento XVI pronunciou durante a missa do Domingo de Páscoa na Ressurreição do Senhor, presidida na Basílica de São Pedro do Vaticano. * * *
Amados irmãos e irmãs! «Cristo, o nosso cordeiro pascal, foi imolado» (1Cor 5, 7): ressoa hoje esta exclamação de São Paulo que ouvimos na segunda leitura, tirada da primeira Carta aos Coríntios. É um texto que remonta apenas a uns vinte anos depois da morte e ressurreição de Jesus e, no entanto – como é típico de certas expressões paulinas – já encerra, numa síntese admirável, a plena consciência da novidade cristã. Aqui, o símbolo central da história da salvação – o cordeiro pascal – é identificado em Jesus, chamado precisamente «o nosso cordeiro pascal». A Páscoa hebraica, memorial da libertação da escravidão do Egito, previa anualmente o rito da imolação do cordeiro, um cordeiro por família, segundo a prescrição de Moisés. Na sua paixão e morte, Jesus revela-Se como o Cordeiro de Deus «imolado» na cruz para tirar os pecados do mundo. Foi morto precisamente na hora em que era costume imolar os cordeiros no Templo de Jerusalém. O sentido deste seu sacrifício tinha-o antecipado Ele mesmo durante a Última Ceia, substituindo-Se – sob os sinais do pão e do vinho – aos alimentos rituais da refeição na Páscoa hebraica. Podemos assim afirmar com verdade que Jesus levou a cumprimento a tradição da antiga Páscoa e transformou-a na sua Páscoa. A partir deste novo significado da festa pascal, compreende-se também a interpretação dos «ázimos» dada por São Paulo. O Apóstolo refere-se a um antigo costume hebraico, segundo o qual, por ocasião da Páscoa, era preciso eliminar de casa todo e qualquer resto de pão fermentado. Por um lado, isto constituía uma recordação do que tinha acontecido aos seus antepassados no momento da fuga do Egito: saindo à pressa do país, tinham levado consigo apenas fogaças não fermentadas. Mas, por outro, «os ázimos» eram símbolo de purificação: eliminar o que era velho para dar espaço ao novo. Agora, explica São Paulo, também esta antiga tradição adquire um sentido novo, precisamente a partir do novo «êxodo» que é a passagem de Jesus da morte à vida eterna. E dado que Cristo, como verdadeiro Cordeiro, Se sacrificou a Si mesmo por nós, também nós, seus discípulos – graças a Ele e por meio d’Ele –, podemos e devemos ser «nova massa», «pães ázimos», livres de qualquer resíduo do velho fermento do pecado: nada de malícia ou perversidade no nosso coração. «Celebremos, pois, a festa (…) com os pães ázimos da pureza e da verdade»: esta exortação de São Paulo, que conclui a breve leitura que há pouco foi proclamada, ressoa ainda mais forte no contexto do Ano Paulino. Amados irmãos e irmãs, acolhamos o convite do Apóstolo; abramos o espírito a Cristo morto e ressuscitado para que nos renove, para que elimine do nosso coração o veneno do pecado e da morte e nele infunda a seiva vital do Espírito Santo: a vida divina e eterna. Na Seqüência Pascal, como que respondendo às palavras do Apóstolo, cantamos: «Scimus Christum surrexisse a mortuis vere – sabemos que Cristo ressuscitou verdadeiramente dos mortos». Sim! Isto é precisamente o núcleo fundamental da nossa profissão de fé; é o grito de vitória que hoje nos une a todos. E se Jesus ressuscitou e, por conseguinte, está vivo, quem poderá separar-nos d’Ele? Quem poderá privar-nos do seu amor, que venceu o ódio e derrotou a morte? O anúncio da Páscoa propaga-se pelo mundo com o cântico jubiloso do Aleluia. Cantemo-lo com os lábios; cantemo-lo sobretudo com o coração e com a vida: com um estilo «ázimo» de vida, isto é, simples, humilde e fecundo de obras boas. «Surrexit Christus spes mea: / precedet suos in Galileam – ressuscitou Cristo, minha esperança / precede-vos na Galileia». O Ressuscitado precede-nos e acompanha-nos pelas estradas do mundo. É Ele a nossa esperança, é Ele a verdadeira paz do mundo. Amém. © Copyright 2009 – Libreria Editrice Vaticana

 

MENSAGEM DE PÁSCOA DE BENTO XVI
“A ressurreição do Senhor é nossa esperança!”
CIDADE DO VATICANO, domingo, 12 de abril de 2009 (ZENIT.org).- Publicamos a mensagem de Páscoa que Bento XVI dirigiu aos milhares de peregrinos congregados na praça de São Pedro do Vaticano, a partir do balcão da fachada da Basílica de São Pedro. * * *
Amados irmãos e irmãs de Roma e do mundo inteiro! A todos vós formulo cordiais votos de Páscoa com as palavras de Santo Agostinho: «Resurrectio Domini, spes nostra – a ressurreição do Senhor é a nossa esperança» (Agostinho, Sermão 261, 1). Com esta afirmação, o grande Bispo explicava aos seus fiéis que Jesus ressuscitou para que nós, apesar de destinados à morte, não desesperássemos, pensando que a vida acaba totalmente com a morte; Cristo ressuscitou para nos dar a esperança (cf. ibid.). Com efeito, uma das questões que mais angustia a existência do homem é precisamente esta: o que há depois da morte? A este enigma, a solenidade de hoje permite-nos responder que a morte não tem a última palavra, porque no fim quem triunfa é a Vida. E esta nossa certeza não se funda sobre simples raciocínios humanos, mas sobre um dado histórico de fé: Jesus Cristo, crucificado e sepultado, ressuscitou com o seu corpo glorioso. Jesus ressuscitou para que também nós, acreditando n’Ele, possamos ter a vida eterna. Este anúncio situa-se no coração da mensagem evangélica. Declara-o com vigor São Paulo: «Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação e vã a nossa fé». E acrescenta: «Se tão somente nesta vida esperamos em Cristo, somos os mais miseráveis de todos os homens» (1 Cor 15, 14.19). Desde a alvorada de Páscoa, uma nova primavera de esperança invade o mundo; desde aquele dia, a nossa ressurreição já começou, porque a Páscoa não indica simplesmente um momento da história, mas o início duma nova condição: Jesus ressuscitou, não para que a sua memória permaneça viva no coração dos seus discípulos, mas para que Ele mesmo viva em nós, e, n’Ele, possamos já saborear a alegria da vida eterna. Portanto a ressurreição não é uma teoria, mas uma realidade histórica revelada pelo Homem Jesus Cristo por meio da sua «páscoa», da sua «passagem», que abriu um «caminho novo» entre a terra e o Céu (cf. Heb 10, 20). Não é um mito nem um sonho, não é uma visão nem uma utopia, não é uma fábula, mas um acontecimento único e irrepetível: Jesus de Nazaré, filho de Maria, que ao pôr do sol de Sexta-feira foi descido da cruz e sepultado, deixou vitorioso o túmulo. De fato, ao alvorecer do primeiro dia depois do Sábado, Pedro e João encontraram o túmulo vazio. Madalena e as outras mulheres encontraram Jesus ressuscitado; reconheceram-No também os dois discípulos de Emaús ao partir o pão; o Ressuscitado apareceu aos Apóstolos à noite no Cenáculo e depois a muitos outros discípulos na Galiléia. O anúncio da ressurreição do Senhor ilumina as zonas escuras do mundo em que vivemos. Refiro-me de modo particular ao materialismo e ao niilismo, àquela visão do mundo que não sabe transcender o que é experimentalmente constatável e refugia-se desconsolada num sentimento de que o nada seria a meta definitiva da existência humana. É um fato que, se Cristo não tivesse ressuscitado, o «vazio» teria levado a melhor. Se abstraímos de Cristo e da sua ressurreição, não há escapatória para o homem, e toda a sua esperança permanece uma ilusão. Mas, precisamente hoje, prorrompe com vigor o anúncio da ressurreição do Senhor, que dá resposta à pergunta freqüente dos cépticos, referida nomeadamente pelo livro do Coeleth: «Há porventura qualquer coisa da qual se possa dizer: / Eis, aqui está uma coisa nova?» (Co 1, 10). Sim – respondemos –, na manhã de Páscoa, tudo se renovou. «Mors et vita / duello conflixere mirando: dux vitae mortuus / regnat vivus – Morte e vida defrontaram-se / num prodigioso combate: / O Senhor da vida estava morto; / mas agora, vivo, triunfa». Esta é a novidade! Uma novidade que muda a vida de quem a acolhe, como sucedeu com os santos. Assim aconteceu, por exemplo, com São Paulo. No contexto do Ano Paulino, várias vezes tivemos ocasião de meditar sobre a experiência do grande Apóstolo. Saulo de Tarso, o renhido perseguidor dos cristãos, a caminho de Damasco encontrou Cristo ressuscitado e foi por Ele «conquistado». O resto já sabemos. Aconteceu em Paulo aquilo que ele há-de escrever mais tarde aos cristãos de Corinto: «Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura. O que era antigo passou: tudo foi renovado!» (2Cor 5, 17). Olhemos para este grande evangelizador que, com o audaz entusiasmo da sua ação apostólica, levou o Evangelho a muitos povos do mundo de então. Que a sua doutrina e o seu exemplo nos estimulem a procurar o Senhor Jesus; nos animem a confiar n’Ele, porque o sentido do nada, que tende a intoxicar a humanidade, já foi vencido pela luz e a esperança que dimanam da ressurreição. Já são verdadeiras e reais as palavras do Salmo: «Nem as trevas, para Vós, têm obscuridade / e a noite brilha como o dia» (139/138, 12). Já não é o nada que envolve tudo, mas a presença amorosa de Deus. Até o próprio reino da morte foi libertado, porque também aos «infernos» chegou o Verbo da vida, impelido pelo sopro do Espírito (Sal 139/138, 8). Se é verdade que a morte já não tem poder sobre o homem e sobre o mundo, todavia restam ainda muitos, demasiados sinais do seu antigo domínio. Se, por meio da Páscoa, Cristo já extirpou a raiz do mal, todavia precisa de homens e mulheres que, em todo o tempo e lugar, O ajudem a consolidar a sua vitória com as mesmas armas d’Ele: as armas da justiça e da verdade, da misericórdia, do perdão e do amor. Tal foi a mensagem que, por ocasião da recente viagem apostólica aos Camarões e a Angola, quis levar a todo o Continente Africano, que me acolheu com grande entusiasmo e disponibilidade de escuta. De fato, a África sofre desmedidamente com os cruéis e infindáveis conflitos – freqüentemente esquecidos – que dilaceram e ensangüentam várias das suas Nações e com o número crescente dos seus filhos e filhas que acabam vítimas da fome, da pobreza, da doença. A mesma mensagem repetirei com vigor na Terra Santa, onde terei a alegria de me deslocar daqui a algumas semanas. A reconciliação difícil mas indispensável, que é premissa para um futuro de segurança comum e de pacífica convivência, não poderá tornar-se realidade senão graças aos esforços incessantes, perseverantes e sinceros em prol da composição do conflito israelita-palestiniano.  Da Terra Santa, o olhar estende-se depois para os países limítrofes, o Médio Oriente, o mundo inteiro. Num tempo de global escassez de alimento, de desordem financeira, de antigas e novas pobrezas, de preocupantes alterações climáticas, de violências e miséria que constringem muitos a deixar a própria terra à procura duma sobrevivência menos incerta, de terrorismo sempre ameaçador, de temores crescentes perante a incerteza do amanhã, é urgente descobrir perspectivas capazes de devolverem a esperança. Ninguém deserte nesta pacífica batalha iniciada com a Páscoa de Cristo, o Qual – repito-o – procura homens e mulheres que O ajudem a consolidar a sua vitória com as suas próprias armas, ou seja, as armas da justiça e da verdade, da misericórdia, do perdão e do amor. Resurrectio Domini, spes nostra – a ressurreição de Cristo é a nossa esperança! É isto que a Igreja proclama hoje com alegria: anuncia a esperança, que Deus tornou inabalável e invencível ao ressuscitar Jesus Cristo dos mortos; comunica a esperança, que ela traz no coração e quer partilhar com todos, em todo o lugar, especialmente onde os cristãos sofrem perseguição por causa da sua fé e do seu compromisso em favor da justiça e da paz; invoca a esperança capaz de suscitar a coragem do bem, mesmo e, sobretudo quando custa. Hoje a Igreja canta «o dia que o Senhor fez» e convida à alegria. Hoje a Igreja suplica, invoca Maria, Estrela da Esperança, para que guie a humanidade para o porto seguro da salvação que é o coração de Cristo, a Vítima pascal, o Cordeiro que «redimiu o mundo», o Inocente que «nos reconciliou a nós, pecadores, com o Pai». A Ele, Rei vitorioso, a Ele crucificado e ressuscitado, gritamos com alegria o nosso Aleluia!
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