Preparando a Semana Santa

A Semana Santa é um período religioso da Igreja Católica que celebra a Paixão, Morte e ressurreição do Senhor Jesus Cristo.

No século IV, algumas comunidades cristãs passaram a vivenciar a paixão, a morte e a ressurreição, o que exigia três dias de celebração, consagrados à lembrança dos últimos dias da vida terrena de Cristo. Jerusalém, por ter sido o local desses acontecimentos, é que deu início a essa tradição seguida pelas demais igrejas.

A Semana Santa não acontece na mesma data todos os anos. Assim como o carnaval, é um evento móvel que varia em relação ao calendário litúrgico da Igreja Católica. Assim, 40 dias depois da Quarta-Feira de Cinzas se iniciam os dias Santos. Ela começa no Domingo de Ramos, que comemora a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, e termina no domingo de Páscoa propriamente dito. Esta semana começa com o Domingo de Ramos e termina no Domingo de Páscoa.

Rituais

Com o passar dos tempos, os cristãos foram estabelecendo rituais objetivando tornar acessível a todos, através de gestos litúrgicos, o sentido daquele tríduo que se transformou em uma semana com a introdução da celebração do Domingo de Ramos, por volta do século IV. Essa festa foi se tornando uma das mais populares do catolicismo e, em torno daqueles ramos empunhados à mão em procissão, tem surgido uma infinidade de interpretações, como guardar devocionalmente os ramos em forma de espécie em memorial à semana santa.

Em algumas regiões esses ramos ressequidos durante o ano são utilizados para a produção da cinza que é posta na fronte dos fiéis na quarta-feira que encerra o carnaval, a quarta-feira de cinzas, e dá início à Quaresma.

Ao longo da Idade Média, a Semana Santa foi acrescida de novos rituais. Um desses foi a cerimônia do Lava Pés que ocorre na quinta feira. É a memória de um acontecimento durante a última ceia, que Cristo celebrou com os seus seguidores mais próximos. Por seu aspecto visual e dramático vem se tornando mais importante do que as reflexões que os cristãos devem fazer naquela na Semana Santa.

No período medieval, surgiu um outro ritual, a desnudação do altar, ou seja, a retirada das toalhas e utensílios que foram utilizados, e as hóstias são transladadas para um altar lateral onde podem ser adoradas. Esse rito é uma lembrança ao fato de que quando ainda não havia os templos, a cada celebração, eram postas antes e retiradas após a cerimônia, as toalhas sobre a mesa que servia como altar.

Um outro ritual, que também ocorre na Quinta-Feira Santa, este pela manhã, é a missa da Bênção dos Óleos, utilizada para representar a unidade do clero em torno do bispo local, ao mesmo tempo em que demonstra a sua catolicidade.

Os ritos da Sexta-Feira da Paixão lembram a morte de Jesus Cristo. Nesse dia, não ocorre a celebração da missa, apenas são feitas leituras e a Adoração da Santa Cruz.

A celebração do sábado à noite, é uma Vigília em honra ao Senhor, segundo uma antiqüíssima tradição (Ex. 12, 42), de maneira que os fiéis, seguindo a exortação do Evangelho (Lc. 12, 35 ss), tem acesas as lâmpadas como os que aguardam a seu Senhor quando chega, para que, ao chegar, os encontre em vigília e os faça sentar em sua mesa.

A Vigília Pascal se desenvolve na seguinte ordem:

Bênção do fogo –  Prepara-se o círio no qual o sacerdote com uma punção traça uma cruz. Depois marca na parte superior a letra Alfa e na inferior Ômega, entre os braços da cruz marca as cifras do anos em curso. A continuação se anuncia o Precônio Pascal.

Liturgia da Palavra – Nela a Igreja confiada na Palavra e na promessa do Senhor, media as maravilhas que desde os inícios Deus realizou com seu povo.

Liturgia Batismal – Abençoa-se a água do Batismo e faz-se a renovação dos compromissos batismais.

Liturgia Eucarística – Ao se aproximar o dia da Ressurreição, a Igreja é convidada a participar do banquete eucarístico, que por sua Morte Ressurreição, o Senhor preparou para seu povo.

Toda a celebração da Vigília Pascal é realizada durante a noite, de tal maneira que não se deva começar antes de anoitecer, ou se termine a aurora do Domingo.

O Domingo de Páscoa marca a passagem da morte para a vida, das trevas para a luz.

“‘Por que procurais entre os mortos àquele que está vivo? Não está aqui, ressuscitou!’ (Lc 24, 5b-6). Três dias após a morte de Jesus, algumas mulheres foram ao seu túmulo, ouviram este anúncio e se tornaram mensageiras dessa boa notícia.

Também hoje a Igreja testemunha e anuncia, como fez através dos séculos: Jesus Cristo, morto na cruz, ressuscitou, está vivo e presente no meio de nós! Por infinita condescendência para conosco, Deus tornou-se próximo de nós e manifestou-nos amor sem medida, iluminou e deu sentido novo à vida através da ressurreição de Jesus.

A Páscoa, passagem das trevas para a luz, da morte para a vida, empenha-nos decididamente na superação dos sinais de morte ainda presentes na cultura e na convivência humana. O anúncio pascal traz a certeza de que a injustiça e o egoísmo, a violência e o ódio não terão a última palavra sobre a existência…

Ressuscitou! Não está mais entre os mortos! O amor de Deus, manifestado a nós na ressurreição de seu Filho Jesus Cristo, alimenta a alegria e a esperança; ao mesmo tempo, faz-nos participar da edificação da sociedade, segundo os critérios da verdade, da justiça e da solidariedade.

A Páscoa de Jesus é sinal da vitória possível sobre a morte e todos os males…

Jesus Cristo, que passou da morte para a vida, fortifique nossa esperança. O Deus da vida abençoe a todos.

 

ENTENDENDO A SEMANA SANTA

Vem desde os primeiros séculos cristãos o costume de celebrar de modo especial a semana anterior à Festa da Páscoa, se bem que inicialmente as solenidades reduziam-se à sexta-feira e ao sábado. O nome: No século IV, essa semana especial chamava-se Hebdomada paschalis (semana pascal), e no século seguinte passou a chamar-se Semana Autêntica. Isso em Roma. No Oriente, chamava-se Semana Maior. Por esse mesmo tempo surgiu o nome Semana Santa. Duração: Como dissemos, inicialmente, talvez já nos tempos dos apóstolos, a Semana Santa era celebrada só a partir da sexta-feira. Eram dois dias (sexta-feira e sábado) de jejum rigoroso, em preparação para o domingo, em que se celebrava a ressurreição de Cristo. Depois, foi incluída também a quarta-feira, para lembrar o dia em que os chefes judeus decidiram prender o Salvador. Lá pelo ano de 247, parece que já tínhamos toda uma Semana Santa. Um escritor desse tempo diz que muitos passavam todos esses dias sem provar nenhum alimento. Em algumas igrejas, esses dias eram também de descanso para todos os servos e escravos. Algumas Igrejas celebravam todas as noites vigílias solenes de orações e leituras, com a celebração da eucaristia.

Onde Surgiu: Ao que parece, as cerimônias próprias da Semana Santa surgiram principalmente em Jerusalém onde, de certo modo, permaneciam mais vivas as lembranças dos últimos dias de Jesus. Essas solenidades foram imitadas pelas Igrejas do Oriente, depois pelas Igrejas européias. Só lá pelo século IX é que chegaram até Roma. É interessante notar que, já nesses primeiros tempos, na sexta-feira e no sábado jamais se celebrava a eucaristia.

Domingo de Ramos

O nome desse domingo já existia lá pelo ano 600 e pouco. Houve tempo em que esse domingo se chamava Capitulavium (Lavação das cabeças), porque nesse dia, os que iam ser batizados no sábado seguinte, participavam de uma cerimônia preparatória, quando suas cabeças eram solenemente lavadas. A procissão de ramos: começou a ser feita em Jerusalém, no século IV, para relembrar a entrada solene de Jesus, aclamado como Messias. Não se tratava apenas de relembrar um fato do passado, mas de dar um testemunho público de fé em Jesus como o Salvador enviado. Em Jerusalém, a procissão começava às treze horas, no Monte das Oliveiras. Cantavam-se hinos e salmos, e ouviam leituras da Escritura Sagrada. Finalmente, lá pelas dezessete horas, era lido o evangelho que descreve a entrada de Jesus em Jerusalém. Todos, então, com ramos de oliveira e palmas, saiam em direção da cidade, cantando e orando. De tempos a tempos havia umas paradas, semelhantes aos “Passos” da Semana Santa brasileira. Na Idade Media, a celebração do Domingo de Ramos deu oportunidade para grandes encenações do episódio. Em alguns lugares não faltava nem mesmo um burrinho de madeira, arrastado sobre rodas. Sobre o burrinho vinha uma imagem de Jesus.  Leitura da Paixão: Já era feita, nos tempos mais antigos. Lá pelo ano 1000, as Igrejas do norte da Europa introduziram o costume de fazer a leitura, ou o canto, de forma dialogada por várias pessoas. Salientava-se assim a dramaticidade da narrativa.

Quinta-feira Santa

Seu nome antigo era: Feria quinta in Coena Domini, Quinta-feira da Ceia do Senhor; isso já no século V. Em alguns lugares chamava-se Dia da Traição. Missa dos Santos Óleos: Data do século VI o costume de fazer na Quinta-feira santa a bênção dos santos óleos. Isto é, do óleo usado para as unções nos sacramentos do Batismo, da Crisma e dos Enfermos. Purificação do altar: Atualmente, depois da missa da tarde, o altar é deixado sem nenhuma toalha. A piedade popular em pouco tempo atribuiu a esse uso um sentido simbólico: a denudação de Cristo antes de sua crucifixão. Historicamente, parece que a origem da cerimônia foi o costume que havia de deixar o altar sem toalhas quando não se celebrava a eucaristia. Na idade Média, surgiu o costume de, nesse dia, se lavar o altar com água e vinho. Inicialmente era a prosaica limpeza do altar e de toda a Igreja para as solenidades de Páscoa. Mas em breve passou a ser um rito com significado simbólico. Lava-pés: A cerimônia do Lava-pés procura reproduzir ritualmente o gesto de Cristo que lavou os pés de seus discípulos, como prova de amor e disposição para servir. O costume já existia desde o século VI. Em Roma, o papa lavava os pés de treze pobres, aos quais tinha servido uma ceia. Por que treze e não doze pobres? Conta-se que o Papa S. Gregório Magno costumava servir uma refeição diária a doze pobres: um dia havia um pobre a mais. Seria o Cristo disfarçado de mendigo. O Lava-pés chama-se também Mandatum. Esse nome vem das palavras de Cristo cantadas durante o rito: “Eu vos dou, um novo mandatum, um novo mandamento”.

Sexta-feira Santa

Nomes antigos: Um dos primeiros nomes da Sexta-feira Santa foi: Parasceve, que era o nome do dia de preparação para a Páscoa dos judeus; segundo os evangelhos, nesse dia é que, Jesus foi crucificado. Tertuliano dava-lhe, no século III, o nome de Dies Paschae, Dia da Páscoa. No século IV, Santo Ambrósio chamava essa sexta-feira de Dies amaritudinis: Dia da amargura. Ainda agora é chamada também de Sexta-feira Maior.Desde os tempos primitivos do cristianismo, nesse dia não se celebrava a eucaristia. Havia apenas leituras e orações. As cerimônias litúrgicas desse dia trazem ainda a marca de uma antiguidade muito grande. Estrutura da Celebração: É composta de três partes:

1) Leituras e orações;

2) Adoração da Cruz;

3) Comunhão.

1. Leituras e orações: A liturgia começa diretamente com leituras dos profetas, cantos e a leitura dialogada da Paixão. Há depois uma série de orações solenes pelas necessidades da Igreja e do mundo. A tradição dessas orações, abandonada no século VI, foi retomada pela nova liturgia depois do Concílio Vaticano II, que introduziu em todas as missas as assim chamadas “orações dos fiéis” ou “Oração da Comunidade”.

2. Adoração da Cruz: Desde logo é preciso fazer um esclarecimento: Aqui a palavra “adoração” significa apenas veneração solene. Adoração, no sentido próprio, pode ser prestada só a Deus. A cerimônia da Adoração da Cruz teve origem em Jerusalém, no século IV, depois que Constantino encontrou as relíquias da Cruz do Salvador. Aos poucos a cerimônia foi sendo adotada também por outras cidades onde havia relíquias da Cruz. Mais tarde, foi assumida por todas as Igrejas. Prestando uma veneração especial à Cruz ou ao Crucifixo, manifestamos nossa fé no Cristo Redentor, que nos salvou por sua morte. Adorando a cruz, é de fato ao Cristo que adoramos, reconhecendo nele o Filho de Deus Encarnado e oferecido em sacrifício por nós.

3. A comunhão: Desde os tempos mais antigos foi costume não celebrar a Missa na Sexta-feira Santa. Geralmente a explicação dada é que assim a Igreja quer manifestar seu luto pela morte do Salvador. Até o século VIII não havia nem mesmo a comunhão, que só aos poucos foi introduzida na liturgia do dia. Em l622, foi proibida a comunhão dos fiéis. Isso continuou até os nossos dias, quando foi reintroduzida.

Sábado Santo

Desde os tempos primitivos, também no Sábado Santo não havia celebração da missa. Os fiéis reuniam-se nas igrejas para uma última preparação dos que iam ser admitidos ao batismo. Eles tinham acabado de aprender o Credo, e nesse dia eram trazidos para diante da comunidade, para fazerem uma solene declaração de fé. Ao cair da tarde começava a solene vigília, que se prolongava até o nascer do sol do Domingo da Ressurreição. Com o passar do tempo, o início dessa vigília foi sendo colocado cada vez mais cedo, até ser realizada na manhã do próprio sábado. Assim foi até a reforma realizada pelo papa Pio XII que, apropriadamente recolocou a Vigília Pascal na noite do Sábado Santo. Assim, já não tem cabimento falar em Sábado da Aleluia. A comemoração da ressurreição é agora feita com muito mais sentido nas horas noturnas.

Solene vigília de Páscoa: Seu horário de início varia um tanto de lugar para lugar. De modo geral está marcado em torno das 22 horas.

Estrutura da Celebração:

Sua liturgia consta de quatro partes:

1) a bênção do fogo novo;

2) a bênção do Círio Pascal;

3) a bênção da água batismal;

4) a Missa de Páscoa.

1. A bênção do fogo novo: Essa cerimônia começou a ser realizada de modo mais geral só a partir do século IX. No pátio, à entrada da igreja, acendia-se o fogo, usando pedras. Talvez inicialmente não fosse propriamente uma cerimônia, mas apenas um gesto normal, imposto pelas circunstâncias. Na quinta-feira, tinham sido apagadas todas as luzes da igreja. Era preciso reacendê-las para as funções noturnas. O meio normal para se conseguir fogo era o uso de pedras, uma vez que não dispunham de nossos meios modernos. Aos poucos o ato foi sendo enriquecido com simbolismos. O que, aliás, não é de se estranhar: para os antigos o fogo era sempre um elemento misterioso. Era símbolo da vida, lembrava a divindade. Nada mais natural que esse simbolismo fosse aproveitado pelos cristãos. A própria oração da bênção do fogo diz-nos que “O Cristo é a pedra usada por Deus para acender em nós o fogo da claridade divina”. Esse simbolismo, aliás, do Cristo que ilumina, aquece e é centro de vida, era mais claro ainda para os antigos. Isso porque, na Sexta-feira Santa, era costume apagar o fogão e todas as luzes das casas. Era no fogo novo que cada família acendia uma lâmpada para levar para casa e acender tudo de novo.

2. A bênção do Círio Pascal: Com o fogo novo, solenemente tirado da pedra e benzido, acende-se o Círio Pascal (vela grossa de cera), que é solenemente levado para dentro da igreja, que ainda está às escuras. O diácono, que leva o círio, na entrada, depois no meio da igreja, e finalmente quase chegando ao altar, pára e canta alegremente: A LUZ DE CRISTO! Isso já nos ajuda a perceber o que significa a cerimônia: glorificação alegre do Cristo que ilumina o mundo. A cada vez que o diácono canta A LUZ DE CRISTO. o celebrante, o clero e o povo vão acendendo também suas velas na chama do círio. Em breve toda a igreja está iluminada por velas, que foram todas acesas na mesma chama. Cristo é a Luz, da qual todos os homens recebem a vida, a mesma vida em todos. O Círio Pascal é colocado ao lado do altar. Canta-se então uma das melodias mais belas de toda a música da Igreja: o Exultet – Alegre-se agora toda a multidão dos anjos dos céus… Não sabemos com certeza quando começou essa tradição litúrgica. O certo é que já encontramos referências lá pelo ano 384.

3. A bênção da Fonte Batismal: Nos primeiros séculos da Igreja, era neste sábado que se fazia o Batismo dos que, durante um tempo mais ou menos longo, tinham sido preparados para a admissão na comunidade. Os que já tinham abraçado a fé cristã, mas ainda estavam recebendo a catequese, chamavam-se catecúmenos. Nessa noite de vigília recebiam as últimas instruções e ouviam com a comunidade leituras da Escritura apropriadas para a circunstância. Logo em seguida o bispo, rodeado pelos sacerdotes e acompanhado pelos catecúmenos e seus padrinhos, dirigiam-se para a fonte batismal, enquanto os fiéis permaneciam na Igreja. A fonte batismal geralmente estava colocada num ambiente separado, chamado Batistério. Durante muitos séculos a fonte batismal era como que uma pequena piscina, onde as pessoas podiam ser mergulhadas na água. Desde os primeiros séculos também, em alguns lugares a fonte estava colocada num local um pouco mais baixo que o piso do batistério, tendo ao centro uma coluna com um reservatório de água. Água que era abundantemente derramada sobre a cabeça dos neófitos (palavra grega que significa novas plantas). Hoje, temos na Vigília Pascal apenas lembranças dessas cerimônias dos primeiros séculos. Mas lembranças ainda suficientes para nos fazer perceber o significado de nosso batismo, pelo qual nos unimos à morte e à ressurreição de Cristo.

4. A missa de Páscoa: É a maior solenidade do ano. Até o século XI, era só nesse dia que os simples padres podiam cantar solenemente o Glória a Deus nas alturas. Nesse momento do canto do Glória, como ainda hoje, novamente os sinos e o órgão irrompiam numa grande explosão de alegria. Cristo venceu a morte, também para nós existe a tranqüila garantia de vida e esperança.

 

SÍMBOLOS DA PÁSCOA

Branco
O mais antigo símbolo de Páscoa é a cor branca, que simboliza realeza, autoridade e paz.

O sepulcro vazio
É a mais bíblica maneira de representar a Ressurreição, a Páscoa.

O Círio
É a grande vela que se acende na Aleluia quer dizer: “Cristo, a luz dos povos”. Alfa e Ômega nela gravadas querem dizer: “Deus é o princípio e o fim de tudo”. O Círio Pascal se ascende na Vigília Pascal, também conhecida como sábado da aleluia.

A Cruz
Traduz o sofrimento de Cristo, porém na Páscoa, ela fica vazia, sinal da ressurreição. Já a partir do segundo século, os cristãos desenhavam, pintavam e gravavam a cruz como símbolo visual de sua fé e também faziam o sinal da cruz em si e nas outras pessoas que criam em Jesus.

O peixe
A palavra “peixe” em grego, é um acróstico de confissão de fé: “Jesus Cristo Filho de Deus Salvador”. Esta foi uma das maneiras que os primeiros cristãos utilizaram para continuar se encontrando, testemunhando a fé em Jesus e resistindo às perseguições.

O cordeiro
Jesus Cristo foi o sacrifício máximo, que foi dado em favor dos homens. “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.” (Jo 1,29)

Pão e Vinho
Na ceia do senhor, Jesus escolheu o pão e o vinho para dar vazão ao seu amor. Representando o seu corpo e sangue, eles são dados aos seus discípulos, para celebrar a vida eterna. “Porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos para a remissão dos pecados.” (Mat 26,28)

A flor
Significa vitória. Apenas depois da ressurreição de Cristo, os cristãos passaram a colocar flores nos cemitérios.

Ovo de Páscoa
A existência da vida está intimamente ligada ao ovo, que simboliza o nascimento.

Coelho da Páscoa
Na Europa, quando a neve começa a derreter, o coelho é o primeiro animal que sai de sua toca. O coelho surge anunciando que a vida surge novamente. Desta forma, o coelho simboliza a ressurreição de Jesus; ele representa a Igreja. Por serem animais com capacidade de gerar grandes ninhadas, sua imagem simboliza a capacidade da Igreja de multiplicar-se espalhando novos discípulos de Cristo

 

CHEGA A PÁSCOA…

É verdade, mesmo que se diga que é a Quaresma. Não duvidem, pois que, de outro modo, nunca chegará. O que se prepara ativamente (referimo-nos a atividade interior), isto é, o que se espera, torna-se em certa medida presente. A vivência da Páscoa, como qualquer outra realidade humana viva, tem fases, dinamismo, tem níveis, colorido, densidades e intensidades. O seu clima é pascal. Envolve a preparação (Quaresma), a celebração (o Tríduo), a mistagogia (a Cinquentena ou Pentecostes). Não são tempos isolados e, muito menos, desligados. Contudo têm a sua marca própria, evidenciada pelas cores dos paramentos: do roxo e violeta ao rubro e branco. E por tantos outros elementos confluentes: a cruz, o círio, a luz, o canto e a música, as cinzas, a água, os arranjos, etc.

A preparação “Se chegares sempre há horas diferentes, nunca vou saber quando devo preparar o meu coração. Os rituais são necessários” (de O principezinho de Saint-Exupéry). Criar um clima pascal, preparando o coração.

Impondo as cinzas, no primeiro dia, anuncia-se o programa pascal da preparação: penitência interior (“rasgar o coração”, pela prática de uma paciente e contínua conversão salutar e radiante), oração intensa (no segredo da intimidade de Deus que sonda os corações), caridade generosa (imitando a gratuidade e bondade divina, nas relações humanas).

A Palavra de Deus. Na Quaresma, Deus conduz-nos ao deserto, para nos falar ao coração. É, por isso, tempo de retiro do que não é essencial e nos afasta do necessário alimento espiritual: a Palavra de Deus (a melhor parte). É tempo de apurar o “ouvido do coração”, aos sons únicos, inefáveis que saem da boca de Deus.

“Deve ministrar-se, sobretudo nas homilias do Domingo, a catequese do mistério pascal e dos sacramentos, explicando com maior profundidade os textos do Lecionário e, de modo especial, as perícopes evangélicas que aclaram os diversos aspectos do Batismo e dos demais sacramentos, bem como da misericórdia de Deus” (Cf. PCFP, 12 = Preparação e Celebração das Festas Pascais, Carta circular da Congregação para o Culto divino, 1988). “Exponha-se mais a miúdo a Palavra de Deus, nas homilias dos dias feriais, nas celebrações da Palavra de Deus, nas celebrações penitenciais, nas pregações especiais próprias deste tempo, nas visitas que façam às famílias ou a grupos de famílias para a sua bênção. Os fiéis participem mais frequentemente nas Missas feriais e, se isso não lhes for possível, serão convidados para ao menos ler, em família ou privadamente, as leituras do dia”.

A penitência e reconciliação. Na Quaresma, os ouvintes da Palavra, pelo influxo da ação do Espírito Santo, convertem-se em praticantes, até se transformarem em Palavra viva. Este é “o tempo favorável”.

“A virtude e a prática da Penitência continuam a ser elementos necessários da preparação pascal: a prática externa da Penitência, tanto dos indivíduos como de toda a comunidade, deverá ser o resultado da conversão do coração. Não se esqueça à participação da Igreja na ação penitencial e insista-se na oração pelos pecadores, introduzindo-a frequentemente na oração universal” “Exortem-se os fiéis para que, segundo a lei e as tradições da Igreja, se abeirem neste tempo do sacramento da Penitência e possam assim participar de alma purificada nos mistérios pascais. É muito conveniente que o sacramento da Penitência se celebre, durante o tempo da Quaresma, segundo o rito para reconciliar vários penitentes com confissão e absolvição individual, tal como vem indicado no Ritual Romano… Os pastores estejam mais disponíveis para o exercício do ministério da reconciliação, e dêem facilidades para celebrar o sacramento da Penitência ampliando os horários para as confissões individuais.”.

A Quaresma e a iniciação cristã “Toda a iniciação cristã comporta um caráter eminentemente pascal enquanto é a primeira participação sacramental na Morte e na ressurreição de Cristo. Por esta razão convém que a Quaresma adquira o seu caráter pleno de tempo de purificação e de iluminação…” “Durante a Quaresma há que organizar uma catequese para aqueles adultos que, batizados quando eram crianças, não a tenham recebido, e que ainda não tenham recebido a Confirmação e a Eucaristia”.

A vivência comunitária da Quaresma “Todas as manifestações da observância quaresmal deverá contribuir também para mostrar e fomentar a vida da Igreja local. Por esta razão se recomenda que se mantenham e renovem as assembléias da Igreja local segundo o modelo das antigas «estações» romanas”. “Fomentem-se os exercícios de piedade que melhor correspondem ao caráter do tempo da Quaresma, como a «Via-sacra», e estejam imbuídos do espírito da Liturgia, de modo a conduzirem os fiéis à celebração do mistério pascal de Cristo”.

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