Domingo de Ramos e da Paixão – B

Por Mons. Inácio José Schuster

COM PEDRO OU COM JUDAS
Isaías 50, 4-7; Filipenses 2, 6-11; Marcos 14, 1-15, 47

O Domingo de Ramos é a única ocasião, em todo o ano, em que se escuta por inteiro o relato evangélico da Paixão. O que mais impressiona, lendo a paixão segundo Marcos, é a relevância que se dá à traição de Pedro. Primeiro é anunciada por Jesus na Última Ceia; depois se descreve em todo seu humilhante desenvolvimento. Esta insistência é significativa, porque Marcos era uma espécie de secretário de Pedro e escreveu seu Evangelho unindo as recordações e as informações que lhe chegavam precisamente dele. Foi, portanto, o próprio Pedro quem divulgou a história de sua traição. Fez uma espécie de confissão pública. Na alegria do perdão encontrado, a Pedro não importou nada seu bom nome e sua reputação como líder dos apóstolos. Quis que nenhum dos que posteriormente caíssem como ele ficasse desesperado. É necessário ler a história da negação de Pedro paralelamente à da traição de Judas. Também esta é pré-anunciada por Cristo no cenáculo, depois consumada no Horto das Oliveiras. De Pedro lê-se que Jesus voltou-se e «olhou» para ele (Lc 22, 61); com Judas fez mais ainda: beijou-o. Mas o resultado foi bem diferente. Pedro, «saindo, rompeu a chorar amargamente»; Judas, saindo, foi enforcar-se.
Estas duas históricas não estão fechadas; prosseguem, afetam-nos de perto. Quantas vezes temos de dizer que fizemos como Pedro! Nós nos vimos na situação de dar testemunho de nossas convicções cristãs e preferimos nos fechar para não correr perigos, para não nos expor. Dissemos, com os fatos ou com nosso silêncio: «Não conheço esse Jesus de quem vós falais». Igualmente a história de Judas, pensando bem, não nos é alheia.
O padre Primo Mazzolari teve uma pregação famosa uma Sexta-Feira Santa sobre «nosso irmão Judas», fazendo ver como cada um de nós poderia ter estado em seu lugar. Judas vendeu Jesus por trinta denários, e quem pode dizer que não o traímos às vezes até por muito menos? Traições, certo, menos trágicas que a sua, mas agravadas pelo fato de que nós sabemos, melhor que Judas, quem é Jesus. Precisamente porque as duas histórias afetam-nos de perto, devemos ver o que marca a diferença entre uma e outra: por que as duas histórias, de Pedro e de Judas, acabam de modo tão diferente. Pedro arrependeu-se do que havia feito, mas Judas também teve remorsos, tanto que gritou: «Traí sangue inocente!», e devolveu os trinta denários.
Onde está então a diferença? Só em uma coisa: Pedro teve confiança na misericórdia de Cristo, Judas não! No Calvário, de novo, ocorre o mesmo. Os dois ladrões pecaram igualmente e estão manchados de crimes. Mas um maldiz, insulta e morre desesperado; o outro grita: «Jesus, lembra-te de mim quando estiveres em teu reino», e se Lhe ouve responder: «Eu te asseguro: hoje estarás comigo no Paraíso» (Lc 23, 43). Viver a Páscoa significa viver uma experiência pessoal da misericórdia de Deus em Cristo.
Uma vez uma criança, à qual se lhe havia relatado a história de Judas, disse com o candor e a sabedoria das crianças: «Judas equivocou-se de árvore para enforcar-se: elegeu uma figueira». «E o que deveria ter elegido?», perguntou-lhe surpresa a catequista. «Devia ter-se colocado no colo de Jesus!». Tinha razão: se tivesse se colocado no colo de Jesus para pedir-lhe perdão, hoje seria honrado como é São Pedro.
Conhecemos o antigo «preceito» da Igreja: «Confessar-se uma vez ao ano e comungar ao menos na Páscoa». Mais que uma obrigação, é um dom, um oferecimento: é aí onde nos é oferecida a ocasião para nos «colocarmos no colo» de Jesus.

 

Evangelho segundo São Marcos 14, 1-72.15, 1-39
Faltavam só dois dias para a Páscoa e os Ázimos; os sumos sacerdotes e os doutores da Lei procuravam maneira de capturar Jesus à traição e de o matar. É que diziam: «Durante a festa não, para que o povo não se revolte.» Jesus encontrava-se em Betânia, na casa de Simão, o leproso. Estando à mesa, chegou uma certa mulher que trazia um frasco de alabastro, com perfume de nardo puro de alto preço; partindo o frasco, derramou o perfume sobre a cabeça de Jesus. Alguns, indignados, disseram entre si: «Para quê este desperdício de perfume? Podia vender-se por mais de trezentos denários e dar-se o dinheiro aos pobres.» E censuravam-na. Mas Jesus disse: «Deixai-a. Porque estais a atormentá-la? Praticou em mim uma boa ação! Sempre tereis pobres entre vós e podereis fazer-lhes bem quando quiserdes; mas a mim, nem sempre me tereis. Ela fez o que estava ao seu alcance: ungiu antecipadamente o meu corpo para a sepultura. Em verdade vos digo: em qualquer parte do mundo onde for proclamado o Evangelho, há-de contar-se também, em sua memória, o que ela fez.» Então, Judas Iscariotes, um dos Doze, foi ter com os sumos sacerdotes para lhes entregar Jesus. Eles ouviram-no com satisfação e prometeram dar-lhe dinheiro. E Judas espreitava ocasião favorável para o entregar. No primeiro dia dos Ázimos, quando se imolava a Páscoa, os discípulos perguntaram-lhe: «Onde queres que façamos os preparativos para comeres a Páscoa?» Jesus enviou, então, dois dos seus discípulos e disse: «Ide à cidade e virá ao vosso encontro um homem trazendo um cântaro de água. Segui-o e, onde ele entrar, dizei ao dono da casa: O Mestre manda dizer: ‘Onde está a sala em que hei-de comer a Páscoa com os meus discípulos?’ Há-de mostrar-vos uma grande sala no andar de cima, mobilada e toda pronta. Fazei aí os preparativos.» Os discípulos partiram e foram à cidade; encontraram tudo como Ele lhes dissera e prepararam a Páscoa. Chegada a tarde, Jesus foi com os Doze. Estavam à mesa a comer, quando disse: «Em verdade vos digo: um de vós há-de entregar-me, um que come comigo.» Começaram a entristecer-se e a dizer-lhe um após outro: «Porventura sou eu?» Jesus respondeu-lhes: «É um dos Doze, aquele que mete comigo a mão no prato. Na verdade, o Filho do Homem segue o seu caminho, como está escrito a seu respeito; mas ai daquele por quem o Filho do Homem vai ser entregue! Melhor fora a esse homem não ter nascido!» Enquanto comiam, tomou um pão e, depois de pronunciar a bênção, partiu-o e entregou-o aos discípulos dizendo: «Tomai: isto é o meu corpo.» Depois, tomou o cálice, deu graças e entregou-lho. Todos beberam dele. E Ele disse-lhes: «Isto é o meu sangue da aliança, que vai ser derramado por todos. Em verdade vos digo: não voltarei a beber do fruto da videira até ao dia em que o beba, novo, no Reino de Deus.» Após o canto dos salmos, saíram para o Monte das Oliveiras. Jesus disse-lhes: «Todos ides abandonar-me, pois está escrito: Ferirei o pastor e as ovelhas hão-de dispersar-se. Mas, depois de Eu ressuscitar, hei-de preceder-vos a caminho da Galiléia». Pedro disse: «Mesmo que todos venham a abandonar-te, eu não.» E Jesus disse: «Em verdade te digo, que hoje, esta noite, antes de o galo cantar duas vezes, tu me terás negado três vezes.» Mas ele insistia com mais ardor: «Mesmo que tenha de morrer contigo, não te negarei.» E todos afirmaram o mesmo. Chegaram a uma propriedade chamada Getsémani, e Jesus disse aos discípulos: «Ficai aqui enquanto Eu vou orar.» Tomando consigo Pedro, Tiago e João, começou a sentir pavor e a angustiar-se. E disse-lhes: «A minha alma está numa tristeza mortal; ficai aqui e vigiai.» Adiantando-se um pouco, caiu por terra e orou para que, se possível, passasse dele aquela hora. E dizia: «Abbá, Pai, tudo te é possível; afasta de mim este cálice! Mas não se faça o que Eu quero, e sim o que Tu queres.» Depois, foi ter com os discípulos, encontrou-os a dormir e disse a Pedro: «Simão, dormes? Nem uma hora pudeste vigiar! Vigiai e orai, para não cederdes à tentação; o espírito está cheio de ardor, mas a carne é débil.» Retirou-se de novo e orou, dizendo as mesmas palavras. E, voltando de novo, encontrou-os a dormir, pois os seus olhos estavam pesados; e não sabiam que responder-lhe. Voltou pela terceira vez e disse-lhes: «Dormi agora e descansai! Pois bem, chegou a hora. Eis que o Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores. Levantai-vos! Vamos! Eis que chega o que me vai entregar.» E logo, ainda Ele estava a falar, chegou Judas, um dos Doze, e, com ele, muito povo com espadas e varapaus, da parte dos sumos sacerdotes, dos doutores da Lei e dos anciãos. Ora, o que o ia entregar tinha-lhes dado este sinal: «Aquele que eu beijar é esse mesmo; prendei-o e levai-o bem guardado.» Mal chegou, aproximou-se de Jesus, dizendo: «Mestre!»; e beijou-o. Os outros deitaram-lhe as mãos e prenderam-no. Então, um dos que estavam presentes, puxando da espada, feriu o criado do Sumo Sacerdote e cortou-lhe uma orelha. E tomando a palavra, Jesus disse-lhes: «Como se eu fosse um salteador, viestes com espadas e varapaus para me prender! Estava todos os dias junto de vós, no templo, a ensinar, e não me prendestes; mas é para se cumprirem as Escrituras.» Então, os discípulos, deixando-o, fugiram todos. Um certo jovem, que o seguia envolto apenas num lençol, foi preso; mas ele, deixando o lençol, fugiu nu. Conduziram Jesus a casa do Sumo Sacerdote, onde se juntaram todos os sumos sacerdotes, os anciãos e os doutores da Lei. E Pedro tinha-o seguido de longe até dentro do palácio do Sumo Sacerdote, onde se sentou com os guardas a aquecer-se ao lume. Ora os sumos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um testemunho contra Jesus a fim de lhe dar a morte, mas não o encontravam; de fato, muitos testemunharam falsamente contra Ele, mas os testemunhos não eram coincidentes. E alguns ergueram-se e proferiram contra Ele este falso testemunho: «Ouvimo-lo dizer: ‘Demolirei este templo construído pela mão dos homens e, em três dias, edificarei outro que não será feito pela mão dos homens.’» Mas nem assim o depoimento deles concordava. Então, o Sumo Sacerdote ergueu-se no meio da assembléia e interrogou Jesus: «Não respondes nada ao que estes testemunham contra ti?» Mas Ele continuava em silêncio e nada respondia. O Sumo Sacerdote voltou a interrogá-lo: «És Tu o Messias, o Filho do Deus Bendito?» Jesus respondeu: «Eu sou. E vereis o Filho do Homem sentado à direita do Poder e vir sobre as nuvens do céu.» O Sumo Sacerdote rasgou, então, as suas vestes e disse: «Que necessidade temos ainda de testemunhas? Ouvistes a blasfémia! Que vos parece?» E todos sentenciavam que Ele era réu de morte. Depois, alguns começaram a cuspir-lhe, a cobrir-lhe o rosto com um véu e, batendo-lhe, a dizer: «Profetiza!» E os guardas davam-lhe bofetadas. Estando Pedro em baixo, no pátio, chegou uma das criadas do Sumo Sacerdote e, vendo Pedro a aquecer-se, fixou nele o olhar e disse-lhe: «Tu também estavas com Jesus, o Nazareno.» Mas ele negou, dizendo: «Não sei nem entendo o que dizes.» Depois, saiu para o átrio e um galo cantou. A criada, vendo-o de novo, começou a dizer aos que ali estavam: «Este é um deles.» Mas ele negou outra vez. Pouco depois, os presentes disseram de novo a Pedro: «Com certeza que és um deles, pois também és galileu.» Ele começou, então, a dizer imprecações e a jurar: «Não conheço esse homem de quem falais!» E logo cantou o galo pela segunda vez. Pedro recordou-se, então, das palavras de Jesus: «Antes de o galo cantar duas vezes, tu me terás negado três vezes.» E desatou a chorar. Logo de manhã, os sumos sacerdotes reuniram-se em conselho com os anciãos e os doutores da Lei e todo o Sinédrio; e, tendo manietado Jesus, levaram-no e entregaram-no a Pilatos. Perguntou-lhe Pilatos: «És Tu o rei dos Judeus?» Jesus respondeu-lhe: «Tu o dizes.» Os sumos sacerdotes acusavam-no de muitas coisas. Pilatos interrogou-o de novo, dizendo: «Não respondes nada? Vê de quantas coisas és acusado!» Mas Jesus nada mais respondeu, de modo que Pilatos estava estupefato. Ora, em cada festa, Pilatos costumava soltar-lhes um preso que eles pedissem. Havia um, chamado Barrabás, preso com os insurrectos que tinham cometido um assassínio durante a revolta. A multidão chegou e começou a pedir-lhe o que ele costumava conceder. Pilatos, respondendo, disse: «Quereis que vos solte o rei dos judeus?» Porque sabia que era por inveja que os sumos sacerdotes o tinham entregado. Os sumos sacerdotes, porém, instigaram a multidão a pedir que lhes soltasse, de preferência, Barrabás. Tomando novamente a palavra, Pilatos disse-lhes: «Então que quereis que faça daquele a quem chamais rei dos judeus?» Eles gritaram novamente: «Crucifica-o!» Pilatos insistiu: «Que fez Ele de mal?» Mas eles gritaram ainda mais: «Crucifica-o!» Pilatos, desejando agradar à multidão, soltou-lhes Barrabás; e, depois de mandar flagelar Jesus, entregou-o para ser crucificado. Os soldados levaram-no para dentro do pátio, isto é, para o pretório, e convocaram toda a coorte. Revestiram-no de um manto de púrpura e puseram-lhe uma coroa de espinhos, que tinham entretecido. Depois, começaram a saudá-lo: «Salve! Ó rei dos judeus!» Batiam-lhe na cabeça com uma cana, cuspiam sobre Ele e, dobrando os joelhos, prostravam-se diante dele. Depois de o terem escarnecido, tiraram-lhe o manto de púrpura e revestiram-no das suas vestes. Levaram-no, então, para o crucificar. Para lhe levar a cruz, requisitaram um homem que passava por ali ao regressar dos campos, um tal Simão de Cirene, pai de Alexandre e de Rufo. E conduziram-no ao lugar do Gólgota, que quer dizer ‘lugar do Crânio’. Queriam dar-lhe vinho misturado com mirra, mas Ele não quis beber. Depois, crucificaram-no e repartiram entre si as suas vestes, tirando-as à sorte, para ver o que cabia a cada um. Eram umas nove horas da manhã, quando o crucificaram. Na inscrição com a condenação, lia-se: «O rei dos judeus.» Com Ele crucificaram dois ladrões, um à sua direita e o outro à sua esquerda. Deste modo, cumpriu-se a passagem da Escritura que diz: Foi contado entre os malfeitores. Os que passavam injuriavam-no e, abanando a cabeça, diziam: «Olha o que destrói o templo e o reconstrói em três dias! Salva-te a ti mesmo, descendo da cruz!» Da mesma forma, os sumos sacerdotes e os doutores da Lei troçavam dele entre si: «Salvou os outros, mas não pode salvar-se a si mesmo! O Messias, o Rei de Israel! Desça agora da cruz para nós vermos e acreditarmos!» Até os que estavam crucificados com Ele o injuriavam. Ao chegar o meio-dia, fez-se trevas por toda a terra, até às três da tarde. E às três da tarde, Jesus exclamou em alta voz: «Eloí, Eloí, lemá sabachtáni?», que quer dizer: Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste? Ao ouvi-lo, alguns que estavam ali disseram: «Está a chamar por Elias!» Um deles correu a embeber uma esponja em vinagre, pô-la numa cana e deu-lhe de beber, dizendo: «Esperemos, a ver se Elias vem tirá-lo dali.» Mas Jesus, com um grito forte, expirou. E o véu do templo rasgou-se em dois, de alto a baixo. O centurião que estava em frente dele, ao vê-lo expirar daquela maneira, disse: «Verdadeiramente este homem era Filho de Deus!»

 

Por Pe. Fernando José Cardoso

Domingo da paixão, estamos no início da Semana Santa, semana terrível e magnífica também. Esta semana nós contemplamos o Filho de Deus que se despoja de praticamente tudo, por nosso amor. Ele já havia se despojado de Sua Divindade, sem deixar de ser Deus, quando foi concebido no seio da Virgem Maria; Ele velou a sua Glória. Mas nesta semana Ele se rebaixa e se humilha muito mais. Ele se despojará nesta semana, da amizade de seus discípulos, e de Judas, que de amigo, se tornará um traidor. Ele se despojará nesta semana da Sua dignidade humana, da suas vestes e do seu pudor, entregando-se aos olhos dos curiosos, pregado numa Cruz. Ele se despojará até mesmo do socorro que poderia Lhe vir dos Céus. Nesta semana despojemo-nos, nós também, do nosso tempo.
Ofereçamos a Jesus, que tanto nos fez, um porvir maravilhoso, a Vida Eterna, um pouco de nós mesmos. Façamos-lhe companhia a Jesus Cristo, despojado por nós. Na verdade, no Tríduo Sagrado, e nos dias da Paixão, parece que Ele continua ainda anda sozinho em nossas paróquias, despojado de nossa amizade, porque muitos católicos, preferem nestes dias aproveitar o feriado, o material, o seu conforto, a estar com Jesus uma hora apenas.
A estas pessoas, amargamente, Jesus repetirá o que disse aos Apóstolos no Horto das Oliveiras: “Não podeis vigiar uma hora sequer comigo?” Sim, diante de um Deus, que se tornou um verme, para que eu me tornasse filho de Deus, e tivesse uma Eternidade feliz assegurada, nós nos comportamos da maneira mais ingrata e insensível possível.
Gostaria de dizer no início desta Semana Santa, neste Domingo de Ramos, ou Domingo da Paixão, que o hábito, e, sobretudo o hábito da insensibilidade, não ser sensível aos sofrimentos do Filho de Deus por nós, é pior do que qualquer pecado perverso que venhamos a cometer. Sim, os pecados perversos podem ter perdão e reconciliação, mas aquele que é impermeável, que é sempre morno, que jamais se comoveu diante dos sofrimentos do Filho de Deus, que nesta semana preferir o seu conforto a estar com Jesus, este dificilmente fará companhia a Jesus no outro mundo também.
Ou nós fazemos companhia com Jesus no Calvário agora e seremos companheiros na Glória, ou nos despedimos de Jesus já neste mundo. A Semana Santa se inicia, de que lado você deseja estar?

 

«HOSANA! BENDITO AQUELE QUE VEM EM NOME DO SENHOR, O REI DE ISRAEL!»
Santo André de Creta (660-740), monge e bispo
Sermão para os Ramos; PG 97, 1002 (trad. Orval)

Coragem, filha de Sião, não temas: «Eis que o teu Rei vem a ti: Ele é justo e vitorioso, humilde, montado num jumento, sobre um jumentinho, filho de uma jumenta» (Zac 9, 9). Ele vem, Aquele que está em toda a parte e que enche o universo, Ele avança para realizar em ti a salvação de todos. Ele vem, Aquele que não veio chamar os justos, mas os pecadores (Lc 5, 32), para fazer sair do pecado os que nele se extraviaram. Não temas, pois: «Deus está no meio de ti, tu és inabalável» (Sl 45, 6). Acolhe, de mãos erguidas, Aquele cujas mãos desenharam as tuas muralhas. Acolhe Aquele que aceitou em Si mesmo tudo aquilo que é nosso, à exceção do pecado, para nos assumir Nele. […] Rejubila, filha de Jerusalém, canta e dança de alegria. […] «Levanta-te e resplandece, chegou a tua luz; a glória do Senhor levanta-se sobre ti!» (Is 60, 1) Que luz é esta? É a luz que ilumina todo o homem que vem a este mundo (Jo 1, 9): é a luz eterna […] que apareceu no tempo; luz que Se manifestou na carne e que Se encontra oculta por esta natureza humana; a luz que envolveu os pastores e conduziu os magos; a luz que estava no mundo desde o princípio, pela qual o mundo foi feito, mas que o mundo não conheceu; a luz que veio aos Seus, mas que os Seus não receberam (Jo 1, 10-11). E o que é a glória do Senhor? É sem dúvida nenhuma a cruz sobre a qual Cristo foi glorificado, Ele, o esplendor da glória do Pai. Ele mesmo o dissera, ao aproximar-se a Sua Paixão: «Agora foi glorificado o Filho do Homem e Deus foi glorificado Nele; […] e glorificá-Lo-á sem demora» (Jo 13, 31-32). A glória de que aqui se fala é a Sua subida à cruz. Sim, a cruz é a glória de Cristo e a Sua exaltação, como Ele próprio disse: «E Eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a Mim» (Jo 12, 32).

 

GRATIDÃO PELA SALVAÇÃO EM JESUS
Padre José Augusto

Quero iniciar desejando a você uma santa Semana Santa. A Igreja fala que essa é a maior semana que temos, porque é a semana que entramos nos últimos dias de Jesus aqui na terra. A Procissão do Domingo Ramos nos leva a entrar nesta grande semana com o coração agradecido, mas ao tempo com tristeza. Jesus ficou 33 anos na terra, nos três últimos anos Ele falou, e no último ano Ele morreu por nós, a alegria está aqui, mas a tristeza vem porque Ele não deveria ter morrido, pois Ele não fez nada. Jesus desceu do céu para nos salvar e só fez o bem, não tinham motivo para matá-Lo. Jesus fala aos discípulos: “um de vocês irá me trair”. Veja o sentimento do coração de Jesus, sentimento de tristeza. O sentimento do coração dos discípulos também era de tristeza: “serei eu o traidor?” E Jesus diz aos discípulos: “vocês estão desorientados”. Jesus chamou três de seus discípulos para rezarem e quando Ele voltou os discípulos estavam dormindo e Jesus novamente se entristeceu. Quando Cristo foi preso Ele disse: “todos me abandonaram”. E quando Ele estava na cruz, todos começaram a gozá-Lo dizendo: “salve-se”. Veja a tristeza do coração de Jesus. Jesus sabia que era a Sua última semana. Ele foi para o templo de Jerusalém e derrubou todas as mercadorias porque as pessoas estavam no templo para vender. Ele se entristeceu mais uma vez, foi para Betânia e depois voltou para celebrar a última ceia. Na hora que Jesus mais precisou todos O abandonaram, até Pedro que dizia que não se afastaria d’Ele. Quem condenou Jesus? Todos aqueles que estavam lá: os sumos sacerdotes, os discípulos que foram embora, o povo que O aclamou e sumiu com medo de também serem condenados. Ele foi preso e levado, quem apareceu depois? Deus foi totalmente abandonado pelos seres humanos. Ele ficou sem ninguém. Na hora das curas e milagres a multidão o seguia, mas cadê o povo? Agora é Ele e o Pai e mais ninguém. Ele precisou passar por isso para nos salvar, não vamos nos condenar, pois Ele veio para nos salvar. Passe essa Semana Santa agradecendo a Deus: “Obrigado Jesus porque por tuas chagas fomos sarados. Nós não merecíamos, mas obrigado Senhor, porque a salvação entrou na minha casa”. Nós fomos salvos por Jesus. A maldição que pesava sobre nós não pesa mais porque fomos salvos por Ele. Fomos redimidos pelo Sangue d’Ele, não há condenação para nós. Precisamos andar de cabeça erguida, Deus nos recuperou, estávamos perdidos, mas Ele nos recuperou. Ele é o nosso Rei. Bendita hora em que Ele entrou em Jerusalém. Nós não vamos na Sexta-feira Santa nos dirigir a Jesus como “coitado”, “tadinho d’Ele”. Não! Nós vamos com o coração alegre e entristecido, pois nós é que somos os coitadinhos, aí se chora, não por Ele, mas por nós mesmos, e por nós filhos, pois por Suas chagas fomos sarados. Tem gente que acha que o Pai do Céu é um “monstro”, não! Ele é Pai, Ele mandou seu Filho para morrer em nosso lugar. Bendita substituição, Ele deu a vida por mim, Ele me salvou, por Suas chagas nós fomos salvos. Precisamos tomar consciência daquilo que aconteceu. Tristeza por causa de nós, mas alegria porque Ele nos salvou. Nós vamos ao Monte das Oliveiras com Jesus, onde Ele suou sangue e disse: “Pai afasta de mim esse cálice”. Ele estava pensando n’Ele, mas quando Ele pensou em você Ele disse: “Eu irei. Onde o Senhor me mandar Eu irei, porque o Senhor não quer perder nenhum de seus filhos”. Essa Semana Santa existe por sua causa, por causa de nós. Deus olhou para você, olhou para mim e mandou o Filho d’Ele para morrer por nós. “Bendito o que vem em Nome do Senhor! Hosana nas alturas! Essa foi a grande vitória, Ele venceu a morte”. Nós somos de Deus, nós pertencemos a Deus. O inferno não gosta da Semana Santa porque ele sabe que é a semana da sua derrota, mas nós vibramos com essa semana aguardando o grande momento em que a pedra do túmulo vai rolar e veremos o Ressuscitado. Sexta-feira Santa não é dia de ir para a praia, a Semana Santa é tempo de silêncio. Hoje vamos aplaudir esse Senhor que morreu por nós, porque por Suas chagas fomos sarados, somos as pessoas mais felizes desse mundo porque temos o Senhor. Graças a Ele fomos salvos. Não merecíamos a salvação, mas quando Jesus mandou os discípulos pregarem o Evangelho Ele disse: “diga que Eu os salvei”.

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