Cobrir as imagens das igrejas

http://www.portal.ecclesia.pt/ecclesiaout/liturgia/liturgia_site/questoes/quest_ver.asp?cod_quest=60

Pergunta:  Gostaria de receber uma orientação, quanto ao costume de se cobrirem as imagens das igrejas no tempo da Quaresma. Quando se cobrem: No início da Quaresma ou apenas no início da Semana Santa, ou seja, no Domingo de Ramos? E quando se descobrem: Antes da celebração do Lava-pés, em Quinta-Feira Santa, ou no fim da celebração da Adoração da Cruz, em Sexta-Feira Santa?

Resposta:  Antes da reforma litúrgica do Vaticano II era obrigatório cobrir, com véus roxos, todas as cruzes e imagens expostas ao culto na igreja. No Missal Romano de São Pio V, terminada a missa do Sábado que precedia o Domingo da Paixão (atual V Domingo da Quaresma), vinha esta rubrica: “Antes das Vésperas, cobrem-se as Cruzes e Imagens que haja na igreja. As Cruzes permanecem cobertas até ao fim da adoração da Cruz, na Sexta-Feira Santa, e as Imagens até ao Hino dos Anjos (Glória a Deus nas Alturas) no Sábado Santo”.

Vê-se que era um costume ligado às duas últimas semanas da Quaresma, através do qual se desejava centrar a atenção dos fiéis no mistério da Paixão do Senhor. Tudo o que pudesse desviá-la, como eram as imagens dos Santos, cobria-se.

Donde vinha este costume? Certamente dos começos do segundo milênio ou dos finais do primeiro.

E o que dizem as normas litúrgicas atuais? Uma rubrica inserida no Missal Romano de Paulo VI, depois da Missa do Sábado anterior ao V Domingo da Quaresma, diz: “O costume de cobrir as cruzes e as imagens das igrejas pode conservar-se, conforme o parecer da Conferência Episcopal. As cruzes permanecem cobertas até ao fim da celebração da Paixão do Senhor, na Sexta-Feira Santa; as imagens, até ao começo da Vigília Pascal (cf. Missal Romano atual [edição do altar], p. 206.

A grande diferença entre as rubricas dos dois Missais (de Trento e do Vaticano II) consiste no seguinte: no primeiro, cobrir as Cruzes e Imagens era obrigatório (“cobrem-se…”); no segundo deixou de o ser (“pode conservar-se o costume de cobrir…). Como o nosso consulente pode verificar por si mesmo, consultando o Missal Romano, são-lhe deixadas várias hipóteses:

a) pode cobrir as imagens ou não as cobrir;

b) se as cobrir, mantém‑nas cobertas desde a tarde do Sábado anterior ao V Domingo da Quaresma, até ao começo da Vigília Pascal (e não até antes do Lava-pés na Missa da Ceia do Senhor, nem tão pouco até Sexta-Feira Santa).

A rubrica é clara: “… as imagens permanecem cobertas até ao começo da Vigília Pascal”. Espero ter respondido com clareza às suas perguntas.

Um colaborador do SNL (BPL 133)

 

A “Velatio” das Imagens na Quaresma
Por Cleiton Robsonn
http://www.salvemaliturgia.com/2014/03/a-velatio-das-imagens-na-quaresma.html

Do ponto de vista espiritual, o costume da velatio foi interpretado como sinal da penitência à qual todos os fiéis são chamados como sinal da antecipação do luto da Igreja pela morte do seu Esposo e da humilhação de Cristo, que teve de esconder-se para escapar da ameaça de morte (cf. Jo 8, 59).
O motivo principal para a orientação de COBRIR AS IMAGENS NAS IGREJAS, COM VÉUS ROXOS, é para que os fiéis não “se distraiam” com os Santos e que a sua devoção deve estar fundamentada no Mistério Pascal de Cristo, ou seja, na Sua paixão, morte e ressurreição.
Assim, cobrindo-se todas as imagens dos Santos e os crucifixos, surge com maior evidência o que há de essencial nas igrejas: o altar, onde se opera e atualiza o Mistério Pascal de Cristo, por seu Sacrifício incruento.
A rubrica no Missal Romano, 2ª edição típica, no sábado da IV semana da Quaresma (pág. 211, em português) e também a contida na Paschalis Sollemnitatis: A Preparação e Celebração das Festas Pascais, nº 26, nos ensina que: “o uso (costume) de cobrir as cruzes e as imagens na igreja, desde o V Domingo da Quaresma, pode ser conservado segundo a disposição da Conferência Episcopal. As cruzes permanecem cobertas até ao término da celebração da Paixão do Senhor na Sexta-feira Santa; as imagens até ao início da Vigília Pascal”.
A grande diferença entre as rubricas dos dois Missais (de Trento e do Vaticano II) consiste no seguinte: no primeiro, cobrir as Cruzes e Imagens era obrigatório (“cobrem-se…”); No segundo, deixou de sê-lo (“pode ser conservado…”).
Com os sinais externos da penitência, do recolhimento, da purificação da visão e do coração, de tudo o que é secundário ou mesmo supérfluo, poderemos concentrar o nosso sentir, pensar e agir no Cristo Crucificado. Com os olhos fixos no Senhor, percorrendo com Ele a Via Dolorosa, chegaremos às núpcias do Cordeiro Redivivo, à Páscoa da Ressurreição.
(Compilação de diversas fontes, com atualizações e adaptações).

 

A morte da liturgia, ou: Por que cobrimos as imagens no fim da Quaresma?
Por Maite Tosta
O padre-blogueiro John Zuhlsdorf, conhecido como “padre Z”, é um favorito de muitos membros da equipe do Salvem a Liturgia!. No dia 29 de março de 2009, 5º domingo da Quaresma (no calendário litúrgico atual) e 1º domingo da Paixão (no calendário tridentino), ele colocou em seu blog o seguinte texto, que vai aqui traduzido:

No Missale Romanum de 1962, na forma extraordinária do Rito Romano, este é o primeiro Domingo da Paixão. No Novus Ordo também chamamos o Domingo de Ramos de “Domingo da Paixão”. Hoje é o início do “Tempo da Paixão”. É conhecido como o Domingo Iudica, da primeira palavra do Intróito da Missa, do Salmo 42 (41).
Perdemos coisas durante a Quaresma. Estamos sendo podados através da liturgia. A Santa Igreja experimenta morte litúrgica antes da festa da Ressurreição. O Aleluia cessa na Septuagésima. Música e flores são abandonadas na Quarta-Feira de Cinzas. Hoje, estátuas e imagens são envolvidas com um véu roxo. Por isso é que hoje é às vezes chamado Domingo Repus, de repositus analogus to absconditus ou “escondido”, porque esse é o dia em que cruzes e outras imagens nas igrejas são cobertas. O Ordo universal da Igreja publicado pela Santa Sé tem uma indicação de que as imagens podem ser cobertas a partir deste domingo, o 5º da Quaresma. Tradicionalmente as cruzes podem estar cobertas até o fim da celebração da Paixão do Senhor na Sexta-Feira Santa e as imagens, tais como estátuas, podem continuar cobertas até o início da Vigília Pascal. Em minha paróquia natal de Santa Inês em St. Paul, Minnesota, a grande estátua da Pietá está apropriadamente descoberta durante a função litúrgica da Sexta-Feira Santa.
Também, como parte da poda, a partir de hoje no rito antigo da Missa, o salmo “Iudica nas preces ao pé do altar e o “Glória ao Pai” no fim de certas orações não foi mais recitado.
A poda se faz mais profunda conforme avançamos pelo Tríduo. Depois da Missa da Quinta-Feira Santa o Santíssimo é removido do altar principal, que fica nu (a toalha é removida) e sinos são substituídos por matracas de madeira. Na Sexta-Feira Santa não há sequer Missa. No início da Vigília somos privados até de luz! É como se a Igreja mesma estivesse completamente morta com o Senhor em sua tumba. Essa morte litúrgica da Igreja revela como Cristo se esvaziou completamente de Sua glória para nos salvar de nossos pecados e nos ensinar quem somos.
Na vigília da Páscoa, a Igreja então ressurge gloriosa para a vida. Nos tempos antigos, a vigília era celebrada tarde da noite. Na escuridão, uma simples centelha era espalhada pelas chamas. As chamas espalhavam-se por toda a Igreja.
Se pudermos nos conectar de coração e mente com a liturgia da Igreja, na qual esses sagrados mistérios são reapresentados, por nossa receptividade ativa nos tornaremos participantes nos mistérios salvíficos da vida, morte e ressurreição de Cristo. Para iniciar essa receptividade devemos ser membros batizados da Igreja e estar em estado de graça.

Nenhum comentário ainda

Comentários desativados

Desenvolvido por Origy Networks – Criação de sites e propaganda