Solenidade de São José – 19 de Março

Por Mons. Inácio José Schuster

Pouco conhecemos sobre a vida de São José; unicamente as rápidas referências transmitidas pelos evangelhos. Este pouco, contudo, é o suficiente para destacar seu papel primordial na história da salvação. José é o elo de ligação entre o Antigo e o Novo Testamento. É o último dos patriarcas.
Para destacar este caráter especial de José, o evangelho de São Mateus se apraz em atribuir-lhe “sonhos”, à exemplo dos grandes patriarcas, fundadores do povo judeu (Mt 1,20-24; 2,13-19). A fuga de José com sua família para o Egito repete, de certa forma, a viagem do patriarca José, para que nele e em seu filho Jesus se cumprisse o novo Êxodo (Mt 2,13-23; Os 11,1; Gn 37; 50,22-26).
A missão de José na história da salvação consistiu em dar a Jesus um nome, fazê-lo descendente da linhagem de Davi, como era necessário para cumprir as promessas. Sua pessoa fica na penumbra, mas o Evangelho nos indica concisamente as fontes de sua grandeza interior: era um “justo” (Abraão tinha buscado seis justos na cidade e não os tinha achado); de uma fé profunda, inteiramente disponível à vontade de Deus, alguém que “esperou contra toda esperança”. Sua figura quase desapareceu nos primeiros séculos do cristianismo, para que se firmasse melhor a origem divina de Jesus.
Mas já na Idade Média, São Bernardo, Santo Alberto Magno e Santo Tomás de Aquino lhe dedicaram tratados cheios de devoção e entusiasmo. Desde então, seu culto não tem feito senão crescer continuamente. Pio IX declarou-o padroeiro da Igreja universal com o decreto Quemadmodum Deus; Leão XIII, na encíclica Quamquam pluries, propunha-o como advogado dos lares cristão.
Em nossos dias foi declarado modelo dos operários.

 

SÃO JOSÉ – PAI DE JESUS, ESPOSO DE MARIA
“Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado o Cristo” (Mt 1, 16).

Quem foi São José? A Sagrada Escritura nos ensina que “José era um homem justo…”. Um homem simples e trabalhador, que vivia na humildade de Nazaré. Como Deus não faz acepção de pessoas, Ele inclui esse singelo homem no seu plano de salvação. Com isso percebemos que ninguém está excluído dos mistérios divinos. Também nós, fazemos parte desse plano de amor e redenção. Deus conta com o nosso testemunho de amor e fidelidade a Ele. Devemos como, o bom José, saber escutar a voz de Deus e nos colocar a disposição de sua vontade. O Pai confiou a São José uma grande e importante missão, por isso, também o cumulou de virtudes e santidade. “José era justo”.
Os santos doutores da Igreja dizem que essa afirmação atesta que José possuía todas as virtudes num grau elevado de perfeição. Isso porque ele deixava Deus agir em sua vida. São José é ainda chamado de “Santíssimo”, o que não acontece com nenhum outro santo. Ele era da família de Davi, a qual devia dar ao mundo o Salvador.
Da estirpe de Davi devia nascer o Messias prometido. “Que honra e que dignidade! Nele verificou-se o sonho de José do Egito. O sol de justiça, a lua mística o veneram, as estrelas da pátria celeste se curvam diante dele. A Igreja lhe atribui um culto especial. Seu nome enche de alegria o Céu e faz tremer o inferno. Os Anjos honram-no e cumprem suas ordens”.
Venerar São José é uma grande graça e presente do céu, pois esta é uma excelente devoção. José é assim honrado porque sempre esteve ao lado e junto de Jesus e Maria. É uma sólida devoção, por isso a Igreja e os Papas sempre a recomendaram e os Santos Doutores propagam e aconselham essa prática.
Quem é guiado por São José não se desvia, avança sem cair, sem recuar, a passos gigantes em direção a Deus. Santa Tereza de Jesus, santa carmelita, diz: “Tomei a São José por meu advogado e protetor e não me lembro de lhe ter pedido algo que não me atendesse. É de pasmar a enormidade de graças que Deus me tem concedido por sua intercessão e o número de perigos da alma e do corpo de que tem me livrado. Quisera persuadir o Mundo inteiro a ser devoto deste glorioso Santo pela grande experiência que tenho dos bens que ele concede. Contento-me, porém, em pedir, pelo amor de Deus, que o experimente quem nele não crê e verá, por si mesmo, que imenso bem é o recomendar-se o cristão ao glorioso Patriarca e ser se devoto”.
São José é invocado como Padroeiro da Igreja Universal, Advogado dos lares cristãos, modelo dos operários, Protetor dos agonizantes, entres outros.

 

SÃO JOSÉ: UM HOMEM JUSTO
19 de março

Uma existência vivida no anonimato de todos os dias, mas com uma fé segura na Providência. Hoje celebramos a solenidade de São José, Esposo de Maria (cf. Mt 1, 24; Lc 1, 27). A Escritura nos indica como “pai” de Jesus (cf. Lc 2, 27.33.41.43 e 48), pronto para realizar os desígnios divinos, mesmo quando fogem à compreensão humana. Foi a ele, “filho de David” (Mt 1, 20; Lc 1, 27), que Deus confiou a guarda do Verbo eterno feito homem, por obra do Espírito Santo, no seio da Virgem Maria. No Evangelho, São José é definido como um “homem justo” (Mt 1, 19) e, para todos os fiéis, é um modelo de vida na fé.
A palavra “justo” recorda a sua retidão moral, a sua sincera adesão ao exercício da lei e a sua atitude de abertura total à vontade do Pai celestial. Também nos momentos difíceis e às vezes dramáticos, o humilde carpinteiro de Nazaré nunca arroga para si mesmo o direito de pôr em discussão o projeto de Deus. Espera a chamada do Alto e em silêncio respeita o mistério, deixando-se orientar pelo Senhor. Com poucos mas significativos traços, São José é descrito pelos evangelistas como cuidadoso guardião de Jesus, esposo atento e fiel, que exerce a autoridade familiar numa constante atitude de serviço. As Sagradas Escrituras nada mais nos dizem sobre ele, mas neste silêncio está encerrado o próprio estilo da sua missão: uma existência vivida no anonimato de todos os dias, mas com uma fé segura na Providência.
São José tinha de prover às necessidades da família, com o duro trabalho manual. Justamente por isso, a Igreja indica-o como Padroeiro dos Trabalhadores. Portanto, a solenidade do dia de hoje constitui uma ocasião propícia para refletir também sobre a importância do trabalho na existência do homem, na família e na comunidade. O homem é sujeito e protagonista do trabalho e, à luz desta verdade, pode compreender-se o nexo fundamental existente entre pessoa, trabalho e sociedade.
A atividade humana, recorda o Concílio Vaticano II, deriva do homem e está orientada para o homem. Segundo o desígnio e a vontade de Deus, ela deve servir o verdadeiro bem da humanidade e permitir “ao homem, como indivíduo ou como membro da sociedade, cultivar e realizar a sua vocação integral” (cf. Gaudium et spes, 35). São José, santo tão grande e tão humilde, seja exemplo em que se inspirem todos os trabalhadores cristãos, invocando-o em todas as circunstâncias.
 São João Paulo II

 

SÃO JOSÉ, SANTO PATRONO DA IGREJA
José era o guarda, o administrador e o defensor legítimo e natural da casa divina de que era o chefe. Exerceu esses cargos durante a sua vida mortal. Aplicou-se a proteger com um amor soberano e uma solicitude quotidiana a sua Esposa e o divino Filho; ganhou dia a dia, com o seu trabalho, o que era necessário a um e a outro, para o alimento e para o vestuário; preservou da morte o Menino ameaçado pelo ciúme de um rei…; nas dificuldades da viagem e nas amarguras do exílio, foi constantemente o companheiro, o auxílio e o sustentáculo da Virgem e de Jesus.
Ora a divina casa que José governou com autoridade de pai continha as primícias da Igreja nascente. Tal como a Virgem santíssima é a mãe de Jesus, também ela é mãe de todos os cristãos que gerou no Calvário, no meio dos sofrimentos supremos do redentor; Jesus Cristo é também o primogênito dos cristãos que são seus irmãos, pela adoção e pela redenção (Rm 8, 29).
Tais são as razões pelas quais o bem-aventurado patriarca São José considera como sendo-lhe particularmente confiada a multidão dos cristãos que compõem a Igreja, isto é, essa imensa família espalhada por toda a terra, sobre a qual ele detém como que uma autoridade paternal, uma vez que é o esposo de Maria e o pai de Jesus Cristo. É, portanto, natural e muito digno do bem-aventurado São José que, tal como provia outrora a todas as necessidades de família de Nazaré e santamente a envolvia com a sua proteção, cubra agora com o seu patrocínio celeste a Igreja de Jesus Cristo e a defenda (Leão XIII, papa de 1878 a 1903 Quanquam pluries).

 

ESTUDO SOBRE SÃO JOSÉ
Salvatore Vitiello explica a história e a importância do santo carpinteiro
Por Antonio Gaspari

ROMA, segunda-feira, 19 dezembro, 2011 (ZENIT.org) – Tem centenas de milhões de devotos no mundo. Há milhões de meninos e meninas que têm o seu nome. Está bem presente no Evangelho, no Presépio e nas Igrejas, mas a sua história humana e a sua importância na história da salvação são pouco conhecidas.
Estamos falando de São José, esposo de Maria e pai adotivo de Jesus. Para saber mais ZENIT entrevistou o Reverendo Professor Salvatore Vitiello Coordenador do Mestrado em Arquitetura, arte sacra e Liturgia da Universidade Europeia de Roma e do Pontifício Ateneu Regina Apostolorum

Quem foi São José?
Vitiello: Era antes de mais nada um homem autêntico, que soube viver, com inteligência, fé e total dedicação, as circunstâncias nas quais Deus o tinha colocado, reconhecendo nelas a presença do mesmo mistério. Era um judeu observante, portanto, com profunda espera do cumprimento das promessas de Deus para o Seu povo. Nos falam dele sobretudo os santos Evangelistas Lucas e Mateus, quando nos contam o início da nossa Salvação, do Anúncio do anjo à Maria de Nazaré, “uma virgem prometida em casamento a um homem da casa de Davi, chamado José”, que se teria tornado Mãe do Altíssimo. A casa de Davi (cf. Lc 1,27) era a descendência genealógica, a partir da qual, segundo as profecias do Antigo Testamento, Deus teria suscitado o Rei, que teria libertado o povo de Israel. A história de São José, a sua santidade, a atualidade da sua intercessão e do seu modelo para nós hoje, e do seu patrocínio com relação à Igreja universal iniciam, por providencial Vontade divina, desde a ligação “esponsal” com Maria. Acolhendo a Maria, o Desenho de Deus sobre Ela atraía e envolvia também toda a sua vida. Na verdade, ele foi ainda convidado a “cooperar”, num modo único e extraordinário, na mesma Obra da Salvação, tomando consigo Maria como sua esposa e se tornando, portanto, o pai “legal” de Jesus. De fato, no início da manifestação pública do Senhor Jesus, a primeira reação de cética maravilha dos habitantes de Nazaré foi a de perguntar: “Não é ele o filho do carpinteiro?” (cf. Mt 13,55).

O que o convenceu a aceitar Maria já grávida?
Vitiello: O entender, por revelação divina, que esta aceitação coincidiria com a adesão à vontade de Deus para ele: acolher aquela jovem israelita, que Ele amava profundamente, com a sua Criança, significava, para José, acolher a entrada de Deus na história e na sua mesma vida. Havia começado, com a concepção de Jesus no seio imaculado da Virgem e com a especial Vocação de José, o novo “método” de Deus: o Altíssimo, Criador do universo e Senhor de Israel, Aquele do qual não se podia pronunciar o Nome, nem fazer imagem, o absolutamente Outro, se revelava, numa hora por meio de um ponto preciso, um rosto, aquele da Criança que Maria tinha concebido, aquele da Criança que tinha os mesmos traços de Maria. Tudo o que tinha a ver com essa mulher e com o seu filho, teria a ver com o próprio Deus. São José o tinha entendido: depois da inicial dificuldade de tomar posição diante daquele acontecimento – dificuldade na qual ele mostrou toda a própria “justiça” (cf. Mt 1,19), tomando a decisão de não repudiar Maria, mas somente de deixá-la no segredo, para não expô-la ao apedrejamento previsto nas leis judaicas – ele recebeu o anúncio do anjo que o chamava a assumir para si a sua esposa e a tornar-se pai Daquele que tinha sido gerado por obra do Espírito Santo. Daquele momento, ele se dedicou sem reserva alguma ao serviço humilde, silencioso e cheio de amor, da sua nova família, a Família de Deus.

Como ele desempenhou o papel de pai de Jesus, ainda sabendo que ele era o Filho de Deus?
Vitiello: O relacionamento pessoal entre Cristo e São José, tal como se desenvolveu diariamente e especialmente nos anos da “vida oculta” do Senhor em Nazaré, é para nós um mistério muito delicado e extraordinário. Sabemos, como a mesma Igreja que nos transmite nas Escrituras, que “Aquele de quem toma o nome toda paternidade no céu e na terra” (Ef 3.15) chamou José para se tornar, na terra, o pai de Jesus, o Filho eterno feito homem. Sabemos que ele aceitou, sem reservas e em obediência total, esta missão sublime, que, nas palavras do Papa Pio XI, foi colocada “recolhida, silenciosa, despercebida e desconhecida […] na humildade e no serviço” entre as duas missões de João Batista e de São Pedro (cf. Pio XI, Homilia na Solenidade de São José, 19 de março de 1928). Conhecemos, depois, os acontecimentos que se sucederam até o retorno a Nazaré do Egito, onde tinha levado a Sagrada Família para escapar da ira assassina do rei Herodes, até o reencontro de Jesus adolescente entre os doutores do Templo.
Sobre a paternidade de São José e a filiação de Jesus, no entanto, existe como um mistério – o mistério da íntima relação entre Cristo e José -, do qual podemos ter um vislumbre de algo, por ocasião do encontro de Jesus no Templo.
São Lucas escreve que, tendo-o encontrado, a Mãe disse-lhe: “Filho, por que você fez isso conosco? Eis que teu pai e eu ansiosos te procurávamos” (Lc 2,48). As palavras de Maria revelam a “angústia” de São José, o amor profundo que ele tinha por Jesus e também como se ele não estava sozinho para cumprir a missão recebida, mas a compartilhava – poderíamos dizer – cada “detalhe”, com a mesma Beata Virgem Maria, tendo diante de seus olhos o constante e feliz “sim” dela à Vontade de Deus, aprendendo dela a reconhecer no filho, com profunda admiração, o Mistério Presente. Na mesma passagem do Evangelho se diz que Jesus “desceu com eles a Nazaré e foi obediente” (Lc 2,51).
O Filho de Deus, nascido da Virgem, tinha-se despojado da glória divina para assumir a nossa condição humana, para abaixar-se até “mendigar” o nosso amor e a nossa acolhida, que eram o amor e acolhida de Maria e José de Nazaré. O mesmo Amor mendigava o ser amado e se confiava totalmente aos cuidados de São José, de tal forma que acreditamos que tenha sido, ainda na consciência orante da própria responsabilidade, extraordinariamente agradável poder tomar conta do Deus menino, tanto que na tradicional oração a São José recitamos: “O felicem virum, beatum Ioseph – oh, homem feliz, beato José, ao qual foi concedido não somente de ver Aquele que muitos reis desejaram ver e não viram, ouvir e não ouviram, mas também de abraçá-lo, beijá-lo, vesti-lo e cuidá-lo!”
(Tradução TS)

 

O NOSSO PAI SÃO JOSÉ
Homem que agradou a Deus

Não é sem razão que a Igreja, no meio da Quaresma, tira o roxo no dia 19 de março e coloca o branco na liturgia, para celebrar a festa de São José, esposo da Virgem Maria. Entre todos os homens do seu tempo, Deus escolheu o glorioso São José para ser pai adotivo de seu Filho divino e humanado. E Jesus lhe era submisso, como mostra São Lucas.

Santo Gertrudes (1256-1302), um grande místico da Saxônia, afirmou que “viu os Anjos inclinarem a cabeça quando no céu pronunciavam o nome de São José”.

Santa Teresa de Ávila (1515-1582), a primeira doutora da Igreja, a reformadora do Carmelo, disse: “Quem não achar mestre que lhe ensine a orar, tome São José por mestre e não errará o caminho”. E declarava que em todas as suas festas lhe fazia um pedido e que nunca deixou de ser atendida. Ensinava ainda que cada santo nos socorre em uma determinada necessidade, mas que São José nos socorre em todas.

O Evangelho fala pouco de sua vida, mas o exalta por ter vivido segundo “a obediência da fé” (cf. Rm 1,5). Deus nos dá a graça para viver pela fé (cf. Rm, 5,1.2; Hb 10,38) em todas as circunstâncias. São José, um homem humilde e justo, “viveu pela fé”, sem a qual “é impossível agradar a Deus” (cf. Hab 2,3; Rm 1,17; Hb 11,6).

O grande doutor da Igreja Santo Agostinho compara os outros santos às estrelas, e São José ele o compara ao Sol. A esse grande santo Deus confiou Suas riquezas: Jesus e a Virgem Maria. Por isso, o Papa Pio IX, em 1870,  declarou São José Padroeiro da Igreja Universal com o decreto “Quemadmodum Deus”. Leão XIII, na Encíclica “Quanquam Pluries”, propôs que ele fosse tido como “advogado dos lares cristãos”. Pio XII o declarou como “exemplo para todos os trabalhadores” e fixou o dia 1º de maio como festa ao José Trabalhador.

São José foi pai verdadeiro de Jesus, não pela carne, mas pelo coração; protegeu o Menino das mãos assassinas de Herodes o Grande, e ensinou-lhe o caminho do trabalho. O Senhor não se envergonhou de ser chamado “filho do carpinteiro”. Naquela rude carpintaria de Nazaré Ele trabalhou até iniciar Sua vida pública, mostrando-nos que o trabalho é redentor.

Na história da salvação coube a São José dar a Jesus um nome, fazendo-O descendente da linhagem de Davi, como era necessário para cumprir as promessas divinas. A José coube a honra e a glória de dar o nome a Jesus na Sua circuncisão. O Anjo disse-lhe: “Ela dará à luz um filho e tu o chamarás com o nome de Jesus, pois ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1,21).

A vida exemplar desse grande santo da Igreja é exemplo para todos nós. Num tempo de crise de autoridade paterna, na qual os pais já não conseguem “conquistar seus filhos” e fazerem-se obedecer, o exemplo do Menino Jesus submisso a seu pai torna-se urgente. Isso mostra-nos a enorme importância do pai na vida dos filhos. Se o Filho de Deus quis ter um pai, ao menos adotivo, neste mundo, o que dizer de muitos filhos que crescem sem o genitor? O que dizer de tantos “filhos órfãos de pais vivos” que existem no Brasil, como nos disse aqui mesmo em 1997 o Papa João Paulo II? São José é o modelo de pai presente e atencioso, de esposo amoroso e fiel.

Celebrar a festa de São José é lembrar que a família é fundamental para a sociedade e que não pode ser destruída pelas falsas noções de  família, “caricaturas de família”, que nada têm a ver com o que Deus quer. É lutar para resgatar a família segundo a vontade e o coração de Deus. Em todos os tempos difíceis os Papas pediram aos fiéis que recorressem a São José; hoje, mais do que nunca é preciso clamar: “São José, valei-nos!” Ao falar desse santo, o Papa João Paulo II, na  exortação apostólica “Redemptoris Custos” (o protetor do Redentor), de 15 de agosto de 1989, declarou: “Assim como cuidou com amor de Maria e se dedicou com empenho à educação de Jesus Cristo, assim também guarda e protege o seu Corpo Místico, a Igreja” (nº1). “Hoje ainda temos motivos que perduram, para recomendar todos e cada um dos homens a São José (nº 31).

Celebrar a festa de São José é celebrar a vitória da fé e da obediência sobre a rebeldia e a descrença que hoje invadem os lares, a sociedade e até a Igreja. O homem moderno quer liberdade; “é proibido proibir!”; e, nesta loucura lança a humanidade no caos.

São José, tal como a Virgem Maria, com o seu “sim” a Deus, no meio da noite, preparou a chegada do Salvador. Deus Pai contou com ele e não foi decepcionado. Que o Altíssimo possa contar também conosco! Cada um de nós também tem uma missão a cumprir no plano divino. E o mais importante é dizer “sim” a Deus como São José. “Despertando, José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado” (Mt 1,24).

Celebrar a festa de São José é celebrar a santidade, a espiritualidade, o silêncio profundo e fértil. O pai adotivo de Jesus entrou mudo e saiu calado, mas nos deixou o Salvador pronto para começar a Sua missão. É como alguém destacou: “O servo que faz muito sem dizer nada; o especial agente secreto de Deus”. Ele é o mestre da oração e da contemplação, da obediência e da fé. Com ele aprendemos a amar a Deus e ao próximo.

São José viveu o que ensinou João Batista: “É preciso que Ele [Jesus] cresça e eu diminua” (Jo 3,30).

Felipe Aquino
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