Os Dez Mandamentos da Lei de Deus

“AMARÁS O SENHOR SOBRE TODAS AS COISAS”
TODO O HOMEM TEM O DIREITO E O DEVER MORAL DE PROCURAR A VERDADE
Catecismo da Igreja Católica

O Senhor revela Sua Lei a Moisés para que este a transmita a Seu povo. A vida de santidade – tanto no Antigo como no Novo Testamento – é direcionada a partir das normas contidas na Aliança de Deus com o Seu povo por intermédio dos Dez Mandamentos (cf. Ex 20, 2-17; Dt 5, 6-21). De acordo com o Catecismo da Igreja Católica, os Dez Mandamentos, ou Decálogo, significam «dez palavras» (cf. Ex 34, 28). Estas palavras se resumem na Lei, dada por Deus ao povo de Israel, no contexto da Aliança, por intermédio de Moisés. Este, ao apresentar os Mandamentos do amor a Deus (os três primeiros) e ao próximo (os outros sete), traça, para o povo eleito e, para cada um de nós em particular, o caminho duma vida liberta da escravidão do pecado. O Decálogo é compreendido à luz dessa Aliança de Deus com Seu povo, no qual o Senhor se revela e dá a conhecer a Sua vontade. Na observância dos Dez Mandamentos, o povo mostra a sua pertença ao Senhor e responde com gratidão à iniciativa de amor d’Ele. Bento XVI nos ensina que Cristo não somente é um modelo de cumprimento perfeito das Leis Divinas, como também é em si a revelação do Pai, o mandamento do Senhor, revelando o pleno significado destas e atestando a sua perenidade. Seguir Jesus implica observá-las [Leis Divinas], o homem é convidado a encontrá-las na pessoa do Divino Mestre.

O primeiro mandamento é: “Amarás o Senhor teu Deus com todo teu coração, com toda tua alma e com todas as tuas forças”. Todo o homem tem o direito e o dever moral de procurar a verdade, em especial no que se refere a Deus e à Sua Igreja, e, uma vez conhecida, abraçá-la e guardá-la fielmente, prestando ao Senhor um culto autêntico. Ao mesmo tempo, a dignidade da pessoa humana requer que, em matéria religiosa, ninguém seja forçado a agir contra a própria consciência nem seja impedido de agir em conformidade com ela, dentro dos limites da ordem pública, privada ou publicamente, de forma individual ou associada. “Os Dez Mandamentos implicam, para o fiel, guardar e praticar as três virtudes teologais e evitar os pecados que se lhes opõem. A fé crê em Deus e rejeita o que lhe é contrário, como, por exemplo, a dúvida voluntária, a incredulidade, a heresia, a apostasia e o cisma. A esperança é a expectativa confiante da visão bem-aventurada de Deus Pai e da Sua ajuda, evitando o desespero e a presunção. A caridade ama a Deus Pai sobre todas as coisas; são rejeitadas, portanto, a indiferença, a ingratidão, a tibieza, a acédia ou preguiça espiritual e o ódio ao Senhor, que nasce do orgulho” (CCIC n. 445). Implica da mesma forma, adorar a Deus como Senhor de tudo o que existe; prestar-Lhe o culto devido individual e comunitariamente, rezar-Lhe com expressões de louvor, ação de graças, intercessão e de súplica, oferecer-Lhe sacrifícios, sobretudo o sacrifício espiritual da nossa vida, em união com o sacrifício perfeito de Cristo, e manter as promessas e os votos que fizermos a Ele. O Compêndio do Catecismo da Igreja Católica (CCIC n. 445) também afirma que os Dez Mandamentos proíbem o politeísmo e a idolatria, pois estes divinizam a criatura, o poder, o dinheiro, e até mesmo o demônio. Assim como proíbem a superstição, um desvio do culto devido ao verdadeiro Deus, expressa nas várias formas de adivinhação, magia, feitiçaria e espiritismo; bem como a irreligião, expressa no tentar a Deus com palavras ou atos, no sacrilégio, que profana pessoas ou coisas sagradas, sobretudo a Eucaristia, e na simonia, que pretende comprar ou vender realidades espirituais. Proíbem também o ateísmo, que nega a existência de Deus, fundando-se muitas vezes numa falsa concepção de autonomia humana; e o agnosticismo, segundo o qual nada se poder saber de Deus, que inclui o indiferentismo e o ateísmo prático. Outro ponto interessante a ser abordado está na afirmação contida em Êxodos 20, 3: “não farás para ti qualquer imagem esculpida”. Isso significa que, no Antigo Testamento, este mandamento proibia representar o Deus absolutamente transcendente. Porém, a partir da Encarnação do Filho de Deus, o culto cristão das imagens sagradas é justificado (como afirma o segundo Concílio de Niceia, de 787), porque se funda no Mistério do Filho de Deus feito homem, no qual Deus transcendente se torna visível. Não se trata de uma adoração da imagem, mas de uma veneração de quem nela é representado: Cristo, a Virgem Santíssima, os anjos e os santos (CCIC, n. 446). Enfim, na certeza de que esses mandamentos são semelhantes aos sinais de trânsito, que se não observados causam um caos social, devemos respeitar e viver bem os preceitos do Senhor para não causarmos em nós mesmos o caos do pecado, e assim nos afastarmos da nossa meta de santidade. Somos chamados a voltar para o Senhor e amá-Lo sobre todas as coisas, renunciando ao politeísmo, à idolatria, à superstição, à irreligião, ao ateísmo, ao agnosticismo e a tudo o que nos afasta d’Ele, para desta forma restabelecer em nossa vida a aliança com o Senhor.

O SEGUNDO MANDAMENTO DO DECÁLOGO
NÃO TOMARÁS O NOME DE DEUS EM VÃO
Javier López
http://www.opusdei.org.br

O segundo mandamento da Lei de Deus é: “Não tomarás o nome de Deus em vão”. Esse mandamento «manda respeitar o nome do Senhor» (Catecismo da Igreja Católica (CIC), n. 2142) e honrar o nome de Deus. Não se deve pronunciar «senão para bendizê-lo, louvá-lo e glorificá-lo» (CIC  n. 2143).   O nome de Deus «O nome de uma pessoa expressa a essência, sua identidade e o sentido de sua vida. Deus tem um nome. Não é uma força anônima» (CIC n. 203). No entanto, O Todo-Poderoso não pode ser abarcado pelos conceitos humanos, nem há ideia alguma capaz de representá-Lo, nem nome que possa expressar exaustivamente a essência divina. Deus é “Santo”, o que significa que é absolutamente superior, que está acima de toda criatura, que é transcendente. Apesar de tudo, para que O possamos invocar e nos dirigir pessoalmente a Ele, no Antigo Testamento «se revelou progressivamente e sob diversos nomes a seu povo» (CIC n. 204). O nome que manifestou a Moisés indica que Deus é o Ser por essência. «Disse Deus a Moisés: “Eu sou o que sou”. E acrescentou: “Assim dirás aos filhos de Israel: ‘Eu sou’ [Yahvé: ‘Ele é’] me enviou a vocês”… Este é meu nome para sempre» (Ex 3, 13-15; cf. CIC n. 213). Por respeito à santidade de Deus, o povo de Israel não pronunciava este nome, mas o substituía pelo título “Senhor” (“Adonai”, em hebreu; “Kyrios”, em grego) (cf. CIC n. 209). Outros nomes de Deus no Antigo Testamento são: “Élohim”, termo que é o plural majestático de plenitude ou de grandeza; “O-Saddai”, que significa poderoso, onipotente. No Novo Testamento, Deus dá a conhecer o mistério de Sua vida íntima trinitária: um único Deus em Três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Jesus Cristo ensina-nos a chamar a Deus “Pai” (cf. Mt 6, 9): “Abbá”, que é o modo familiar de dizer “Pai” em hebreu (cf. Rm 8, 15). Deus é Pai de Jesus Cristo e Pai nosso, ainda que não do mesmo modo, porque Ele é o Filho Unigênito e nós filhos adotivos. No entanto, somos verdadeiramente filhos (cf. 1Jo 3, 1), irmãos de Jesus Cristo (cf. Rm 8, 29), porque o Espírito Santo foi enviado a nossos corações e participamos da natureza divina (cf. Gl 4, 6; 2Pd 1, 4). Somos filhos de Deus em Cristo. Em consequência podemos dirigir-nos a Deus chamando-O com verdade: “Pai”, como aconselha São Josemaria: «Deus é um Pai cheio de ternura, de infinito amor. Chama-O ‘Pai’ muitas vezes ao dia, e diz-Lhe – a sós, em teu coração – que O amas, que O adoras; que sentes o orgulho e a força de ser Seu filho».

Honrar o nome de Deus No Pai-nosso rezamos: “Santificado seja o vosso nome”. O termo “santificar” deve entender-se aqui no sentido de «reconhecer o nome de Deus como santo, tratar seu nome de uma maneira santa» (CIC n. 2807). É o que fazemos quando adoramos, louvamos ou damos graças a Deus. Mas as palavras “santificado seja o vosso nome” são também uma das petições do Pai-nosso: ao pronunciá-las pedimos que o nome do Senhor seja santificado por nosso intermédio, isto é, que demos glória a Ele com nossa vida e que os demais O glorifiquem (cf. Mt 5, 16). «Depende de nossa vida e de nossa oração que seu Nome seja santificado entre as nações» (CIC n. 2814). O respeito ao nome de Deus reclama também respeito ao nome da Santíssima Virgem Maria, dos santos e das realidades santas nas quais Deus está presente de um modo ou outro, antes de mais nada, na Santíssima Eucaristia, verdadeira Presença de Jesus Cristo, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, entre os homens. O segundo mandamento proíbe todo uso inconveniente do nome de Deus (cf. CIC n. 2146) e, em particular, a blasfêmia que «consiste em proferir contra Deus – interior ou exteriormente – palavras de ódio, de repreensão, de desafio (…). É também blasfemo recorrer ao nome de Deus para justificar práticas criminosas, reduzir povos à servidão, torturar ou gerar morte. (…) A blasfêmia é em si um pecado grave» (CIC n. 2148). Também proíbe o juramento em falso (cf. CIC n. 2150). Jurar é tomar a Deus por testemunha do que se afirma (por exemplo, para dar garantia de uma promessa ou de um depoimento, para provar a inocência de uma pessoa injustamente acusada ou exposta a suspeita, ou para pôr fim a pleitos e controvérsias, etc.). Há circunstâncias nas quais é lícito o juramento, se for feito com verdade e com justiça, e se for necessário, como pode suceder em um julgamento ou ao assumir um cargo (cf. CIC n. 2154). Nos demais casos, o Senhor ensina a não jurar: «seja vossa linguagem: sim, sim; não, não» (cf. Mt 5, 37; cf. Tg 5, 12; CIC n. 2153).

O nome do cristão O homem é a única criatura na Terra a qual Deus amou por si mesma. Não é “algo” mas “alguém”, uma pessoa. «Só ele está chamado a participar, pelo conhecimento e pelo amor, da vida de Deus. Para este fim foi criado e esta é a razão fundamental de sua dignidade» (CIC n. 356). No batismo, ao ser feito filho de Deus, recebe um nome que representa sua singularidade irrepetível diante de Deus e diante dos demais (cf. CIC n. 2156 e 2158). Batizar também se diz “cristianizar”: cristão, seguidor de Jesus Cristo, é nome próprio de todo batizado, que recebeu o chamado a se identificar com o Senhor: «foi em Antioquia onde os discípulos [os que se convertiam no nome de Jesus Cristo, pela ação do Espírito Santo] receberam pela  primeira vez o nome de cristãos» (At 11, 26). Deus chama a cada um por seu nome (cf. 1Sm 3, 4-10; Is 43, 1; Jo 10, 3; At 9, 4 ). Ama a cada um pessoalmente. Jesus Cristo, diz São Paulo, «amou-me e entregou-se a si mesmo por mim» (Gl 2, 20). Da cada um espera uma resposta de amor: «amarás ao Senhor teu Deus com todo teu coração e com toda tua alma e com toda tua mente e com todas tuas forças» (Mc 12, 30). Ninguém pode substituir nessa resposta de amor a Deus. São Josemaria nos anima a meditar «com calma aquela divina advertência que enche a alma de inquietação e, ao mesmo tempo, lhe traz sabores de mel: redemi te, et vocavi te nomine tuo: meus é tu (cf. Is 43,1); Eu te redimi e te chamei pelo teu nome: tu és meu! Não roubemos de Deus o que é d’Ele. Um Deus que nos amou a ponto de morrer por nós, que nos escolheu desde toda a eternidade, antes da criação do mundo, para que sejamos santos em Sua presença (cf. Ef 1, 4)».

O TERCEIRO MANDAMENTO DO DECÁLOGO
DOMINGO É DIA DE SANTA MISSA
Catecismo da Igreja Católica, 2168 a 2195

O terceiro mandamento do decálogo ressalta a santidade do sábado: “O sétimo dia é sábado, repouso absoluto em honra do Senhor” (Ex 31, 15). Este dia marca também a libertação de Israel da escravidão do Egito e a Aliança que Deus estabeleceu com o povo. As pessoas devem interromper o trabalho e tomarem novo fôlego. Neste dia, portanto, se recorda a festa da liberdade humana. Jesus reconheceu a santidade do sábado e, com a Sua autoridade divina, deu-lhe a Sua interpretação autêntica: «O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado» (cf. Mc 2, 27). Os cristãos trocaram a celebração deste dia pelo domingo, em virtude da Ressurreição de Cristo, que se torna o Dia do Senhor. O domingo é o dia da Ressurreição de Jesus Cristo. Como «primeiro dia da semana» (cf. Mc 16, 2) ele evoca a primeira criação. E como «oitavo dia», que segue o sábado, significa a nova criação, inaugurada com a Ressurreição de Cristo. Tornou-se assim para os cristãos o primeiro de todos os dias e de todas as festas: o dia do Senhor, no qual Ele, com a Sua Páscoa, leva à realização a verdade espiritual do sábado judaico e anuncia o repouso eterno do homem em Deus. Os cristãos devem santificar o domingo e as festas de preceito participando na Eucaristia do Senhor e abstendo-se também das atividades que o impedem de prestar culto a Deus e perturbam a alegria própria do dia do Senhor ou o devido descanso da mente e do corpo. São permitidas as atividades ligadas a necessidades familiares ou a serviços de grande utilidade social, desde que não criem hábitos prejudiciais à santificação do domingo, à vida de família e à saúde. O beato João Paulo II, na Carta Apostólica Dies Domini, afirma que o domingo, dia do Senhor — como foi definido, desde os tempos apostólicos, mereceu sempre, na história da Igreja, uma consideração privilegiada devido à sua estreita conexão com o próprio núcleo do mistério cristão. O domingo, de fato, recorda, no ritmo semanal do tempo, o dia da Ressurreição de Cristo. É a Páscoa da semana, na qual se celebra a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, o cumprimento n’Ele da primeira criação e o início da «nova criação» (cf. 2Cor 5, 17; DD 1). Desta forma, o domingo é um verdadeiro serviço ao bem da sociedade, porque é um sinal de resistência contra a liquidação do ser humano pelo mundo do trabalho, por isso, os cristãos dos países marcados pelo Cristianismo devem não somente solicitar a proteção estatal para este dia, como também não exigir aos outros o trabalho que eles não querem fazer nesse dia [domingo]. Portanto, deve-se reconhecer civilmente o domingo como dia festivo, para que todos possam gozar de repouso suficiente e de tempo livre para cuidar da vida religiosa, familiar, cultural e social e dispor de tempo propício para a meditação, reflexão, silêncio e estudo; assim como para praticar boas obras, servir os doentes e os anciãos. Enfim, o cristão católico é chamado a participar da Santa Missa aos domingos, deixando de lado todos os trabalhadores que o impedem de adorar a Deus e de viver este dia nas suas dimensões de festa, alegria, descanso e restabelecimento. Razão pela qual é de interesse central para cada cristão católico “santificar” o domingo e outras festas de guarda.

O QUARTO MANDAMENTO DO DECÁLOGO: HONRAR PAI E MÃE
DEVEMOS AMAR E RESPEITAR A TODOS
Catecismo da Igreja Católica, 2197 a 2257

O Quarto Mandamento do Decálogo: Honrar pai e mãe. Refere-se, em primeiro lugar, aos pais biológicos, mas também às pessoas a quem devemos a nossa vida, a nossa prosperidade, a nossa segurança e a nossa fé. Aquilo que devemos aos nossos pais: amor, gratidão e atenção, também deve reger o nosso relacionamento com as pessoas e com nossos deveres de cidadãos diante do Estado. Ele nos manda honrar e respeitar os nossos pais e aqueles que Deus, para o nosso bem, revestiu com a Sua autoridade. O Quarto Mandamento refere-se, em primeiro lugar, às relações entre pais e filhos no seio da família. «Ao criar ao homem e à mulher, Deus instituiu a família humana e dotou-a de sua constituição fundamental» (CIC 2203). «Um homem e uma mulher unidos em casamento formam com seus filhos uma família» (CIC 2202). «A família cristã é uma comunhão de pessoas, reflexo e imagem da comunhão do Pai e do Filho no Espírito Santo» (CIC 2205). Um homem e uma mulher, unidos em matrimônio, formam com os filhos uma família. Deus instituiu a família e dotou-a de sua constituição fundamental. O matrimônio e a família são ordenados ao bem dos esposos e à procriação e educação dos filhos. Entre os membros da família estabelecem-se relações pessoais e responsabilidades primárias. Em Cristo, a família torna-se Igreja doméstica, porque ela é comunidade de fé, de esperança e de amor. Sendo assim, a família é a célula originária da sociedade humana e precede qualquer reconhecimento da autoridade pública. Os princípios e os valores familiares constituem o fundamento da vida social. A vida de família é uma iniciação à vida da sociedade. A sociedade tem o dever de sustentar e consolidar o matrimônio e a família, no respeito também do princípio de subsidiariedade. Os poderes públicos devem respeitar, proteger e favorecer a verdadeira natureza do matrimônio e da família, a moral pública, os direitos dos pais e a prosperidade doméstica. Os filhos devem aos pais respeito (piedade filial), reconhecimento, docilidade e obediência, contribuindo, assim, também com as boas relações entre irmãos e irmãs, para o crescimento da harmonia e da santidade de toda a vida familiar. Se os pais se encontrarem em situação de indigência, de doença, de solidão ou de velhice, os filhos adultos devem-lhes ajuda moral e material. Os pais são os primeiros responsáveis pela educação dos filhos e os primeiros anunciadores da fé. Têm o dever de amar e respeitá-los [filhos] como pessoas e filhos de Deus e, dentro do possível, de prover  suas necessidades materiais e espirituais, escolhendo-lhes uma escola adequada e ajudando-os com prudentes conselhos na escolha da profissão e do estado de vida. Em particular, têm a missão de educá-los na fé cristã. Desta forma, os laços familiares são importantes, mas não absolutos, porque a primeira vocação do cristão é seguir Jesus e amá-Lo: «Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim; quem ama a filha ou o filho mais do que a Mim não é digno de Mim» (Mt 10, 37). Os pais devem, com alegria, ajudar os filhos no seguimento de Jesus, em todos os estados de vida, mesmo na vida consagrada ou no ministério sacerdotal. No âmbito civil a autoridade deve ser exercida, como um serviço, respeitando os direitos fundamentais da pessoa humana, uma justa hierarquia de valores, as leis, a justiça distributiva, e o princípio de subsidiariedade. No exercício da autoridade, cada um deve procurar o interesse da comunidade em vez do próprio e deve inspirar as suas decisões na verdade acerca de Deus, do homem e do mundo. Portanto, os que estão submetidos à autoridade devem ver os superiores como representantes de Deus e colaborarem lealmente no bom funcionamento da vida pública e social. Isso comporta o amor e o serviço da Pátria, o direito e o dever de votar, o pagamento dos impostos, a defesa do país e o direito a uma crítica construtiva. Porém, a estes, em consciência, não devem obedecer quando os mandamentos das autoridades civis se opõem às exigências da ordem moral: «É necessário obedecer mais a Deus do que aos homens» (At 5, 29).

QUINTO MANDAMENTO: NÃO MATARÁS
UM ACORDO PARA A PAZ!
Catecismo da Igreja Católica, 2258 a 2330

“Não matarás” (Ex 20, 13). Este mandamento atesta que a vida humana é sagrada e desde seu início ela supõe a ação criadora de Deus e mantém-se para sempre numa relação especial com o Criador, seu único fim. A ninguém é lícito destruir diretamente um ser humano inocente, pois é um ato gravemente contrário à dignidade da pessoa e à santidade do Criador. O direito inalienável à vida de cada ser humano, desde a sua concepção, é um elemento constitutivo da sociedade civil e da sua legislação. Quando o Estado não coloca a sua força ao serviço dos direitos de todos, e em particular dos mais fracos, e entre eles dos concebidos ainda não nascidos, passam a ser minados os próprios fundamentos do Estado de direito. Assim, o Quinto Mandamento proíbe e os considera como gravemente contrários à lei moral: O homicídio direto e voluntário e a cooperação nele. O aborto direto, querido como fim ou como meio, e também a cooperação nele, crime que leva consigo a pena de excomunhão, porque o ser humano, desde a sua concepção, deve ser, em modo absoluto, respeitado e protegido totalmente. A eutanásia direta, que consiste em pôr fim à vida de pessoas com deficiências, doentes ou moribundas, mediante um ato ou omissão duma ação devida. O suicídio e a cooperação voluntária nele, enquanto ofensa grave ao justo amor de Deus, de si e do próximo: a responsabilidade pode ser ainda agravada por causa do escândalo ou atenuada por especiais perturbações psíquicas ou temores graves. São consideradas práticas contra o respeito à integridade corpórea da pessoa humana os raptos e sequestros de pessoas, o terrorismo, a tortura, as violências, a esterilização direta. As amputações e as mutilações duma pessoa só são moralmente consentidas para indispensáveis fins terapêuticos. Proteger a vida humana requer também do homem um devido cuidado com a saúde física, da nossa e da dos outros, evitando todavia o culto do corpo e toda a espécie de excessos. Por isso deve ser  evitado o uso de substâncias que colocam em risco a saúde e também o abuso dos alimentos, do álcool, do tabaco e dos remédios. Esse mandamento é um clamor pela paz, o Senhor, que proclama «bem-aventurados os obreiros da paz» (Mt 5, 9), pede a paz do coração e denuncia a imoralidade da ira, que é desejo de vingança pelo mal recebido, e do ódio, que leva a desejar o mal ao próximo. Essas atitudes, se voluntárias e consentidas em matéria de grande importância, são pecados graves contra a caridade. A paz no mundo, a qual é exigida para o respeito e desenvolvimento da vida humana, não é a simples ausência de guerra ou equilíbrio entre as forças em contraste, mas é «a tranquilidade da ordem» (Santo Agostinho), «fruto da justiça» (Is 32, 17) e efeito da caridade. A paz terrena é imagem e fruto da paz de Cristo. Para isso se exige a distribuição equitativa e a tutela dos bens das pessoas, a livre comunicação entre os seres humanos, o respeito da dignidade das pessoas e dos povos, a assídua prática da justiça e da fraternidade. Por outro lado, o Catecismo da Igreja Católica ensina que o uso da força militar é moralmente consentido quando há a certeza de um dano permanente e grave; a ineficácia de outras alternativas pacíficas. Essa alternativa é fundamentada na possibilidade concreta de êxito; quando há ausência de males piores, considerado o poder atual dos meios de destruição. Porém, devemos fazer tudo o que é razoavelmente possível para evitar, de qualquer modo, a guerra, devido aos males e injustiças provocados por ela. É necessário, em especial, evitar a acumulação e o comércio de armas não devidamente regulamentadas pelos poderes legítimos; assim como as injustiças, sobretudo, econômicas e sociais; as discriminações étnicas e religiosas; a inveja, a desconfiança, o orgulho e o espírito de vingança. Tudo quanto se fizer para eliminar estas e outras desordens ajudará a construir a paz e a evitar a guerra. Portanto, a ordem do Senhor para não matar é acima de tudo um mandamento que respeita a dignidade da pessoa humana como um direito inalienável, condenando todas as formas de violação ao homem desde o momento da concepção até a morte natural, evitando assim, toda violência física, psíquica e social. Desta forma, para vivermos a santidade proposta neste mandamento, devemos, acima de tudo, respeitar o ser humano, afastando toda atividade nociva a ele, procurando sempre a paz.

SEXTO MANDAMENTO: NÃO COMETER O ADULTÉRIO
O DOM DA SEXUALIDADE HUMANA
Catecismo da Igreja Católica, 2331 a 2400

O Sexto Mandamento apresenta as ordens do Senhor para a vivência de um dos mais belos dons que Ele concedeu aos homens: a sexualidade humana. Esta afeta todos os aspectos da pessoa humana, em unidade de corpo e alma, diz respeito à afetividade, à capacidade de amar e de procriar e, de maneira mais geral, à aptidão para criar vínculos de comunhão com os outros. Embora no texto bíblico se leia «não cometerás adultério» (cf. Ex 20, 14), a Tradição da Igreja segue complexivamente todos os ensinamentos morais do Antigo e Novo Testamento, e considera o Sexto Mandamento como englobando todos os pecados contra a castidade.  Afirma o Catecismo da Igreja Católica que Deus criou o ser humano como homem e mulher, com igual dignidade pessoal, e inscreveu neles a vocação ao amor e à comunhão. Compete a cada um aceitar a sua identidade sexual, reconhecendo a sua importância para a pessoa toda, bem como o valor da especificidade e da complementaridade. O beato João Paulo II, na Exortação Apostólica Familiaris Consortio (FC), afirmou que: “Deus criou o homem à sua imagem e semelhança: chamando-o à existência por amor, chamou-o ao mesmo tempo ao amor. Deus é amor e vive em si mesmo um mistério de comunhão pessoal de amor. Criando-a à sua imagem e conservando-a continuamente no ser, Deus inscreve na humanidade do homem e da mulher a vocação, e, assim, a capacidade e a responsabilidade do amor e da comunhão. O amor é, portanto, a fundamental e originária vocação do ser humano” (FC 11). Desta maneira, a sexualidade torna-se verdadeiramente humana quando é bem integrada na relação pessoa a pessoa, tendo como via a castidade, que é a integração positiva da sexualidade na pessoa. Esta supõe a aprendizagem do domínio de si, para tal fim, é necessária uma educação integral e permanente em etapas graduais de crescimento. Os meios para se viver a castidade propostos pela Igreja são numerosos, dentre eles estão à disposição: a graça de Deus, a ajuda dos sacramentos, a oração, o conhecimento de si, a prática de uma ascese adaptada às situações, o exercício das virtudes morais, em particular da virtude da temperança, que procura fazer com que as paixões sejam guiadas pela razão. Portanto, todos, seguindo Cristo, nosso modelo de castidade, são chamados a levar uma vida casta, segundo o próprio estado de vida: alguns na virgindade ou no celibato consagrado; os outros, se casados, vivendo a castidade conjugal; os solteiros, namorados, ou seja, todos os não casados devem viver a castidade na continência. O ato conjugal possuiu um duplo significado: unitivo (a mútua doação dos esposos) e procriador (a abertura à transmissão da vida). Ninguém deve quebrar a conexão inquebrável que Deus quis entre os dois significados do ato conjugal, excluindo um deles. Por isso, a relação sexual, quando não contém estes elementos, é considerada um pecado contra a castidade. São consideradas ofensas à dignidade do matrimônio: o adultério, o divórcio, a poligamia, o incesto, a união de fato (convivência, concubinato) e o ato sexual antes ou fora do matrimônio. O Catecismo da Igreja Católica afirma que os filhos são um dom de Deus, o maior dom do matrimônio. Não existe um direito a ter filhos («o filho exigido, a todo o custo»). Existe, ao contrário, o direito do filho a ser o fruto do ato conjugal dos seus progenitores e o direito a ser respeitado como pessoa desde o momento da sua concepção. Aqueles casais que não possuem filhos, esgotados os recursos médicos legítimos, podem mostrar a sua generosidade, mediante o cuidado ou a adoção, ou então realizando serviços significativos em favor do próximo. Deste modo, realizarão uma preciosa fecundidade espiritual. Enfim, o Sexto Mandamento é uma ordem de Deus aos homens para conservarem, em sua vocação original e fundamental, o amor. Desta forma, ele nos ensina a viver a castidade, a paternidade e a maternidade responsáveis dos cônjuges, e a evitarmos os danos morais da fertilização e inseminação artificial, por fim, apresenta diretrizes para a vivência do ato conjugal. Este mandamento é, sobretudo, uma ordem de Deus aos homens, para que estes vivam a santidade por meio da sexualidade ordenada. Portanto, a vivência deste sacramento se torna um instrumento eficaz de testemunho a Deus, por intermédio de uma vida casta e santa, em meio à sociedade cada vez mais distante imoral.

O SÉTIMO MANDAMENTO: NÃO ROUBAR
ELE DIRECIONA O HOMEM AO VERDADEIRO DESENVOLVIMENTO
Catecismo da Igreja Católica, 2401 a 2463

O Sétimo Mandamento não nos proíbe apenas de retirar algo de outra pessoa; ele exige também uma justa administração e divisão dos bens da terra, isto é, a regulação da propriedade privada e da distribuição dos rendimentos do trabalho humano. Também é denunciada, nesse mandamento, a injusta repartição das matérias-primas. A Igreja encontra fundamentada neste mandamento também a sua doutrina social, que compreende o reto agir na atividade econômica e na vida social e política, o direito e o dever do trabalho humano, a justiça e a solidariedade entre as nações, o amor aos pobres. Desta forma, o Catecismo da Igreja Católica afirma que esse mandamento prescreve o respeito aos bens alheios com a prática da justiça e da caridade, da temperança e da solidariedade. Em particular, exige o respeito das promessas e dos contratos estipulados; a reparação da injustiça cometida e a restituição do mal feito; bem como o respeito pela integridade da criação com o uso prudente e moderado dos recursos minerais, vegetais e animais existentes no universo, com especial atenção para com as espécies ameaçadas de extinção. O Sétimo Mandamento, antes de mais, proíbe o furto, que é a usurpação do bem alheio contra a razoável vontade do seu proprietário. É o que também sucede no pagamento de salários injustos; na especulação sobre o valor dos bens para obter vantagens com prejuízo para os outros; na falsificação de cheques ou faturas. Proíbe, além disso, cometer fraudes fiscais ou comerciais, causar um dano às propriedades privadas ou públicas. Proíbe também a usura, a corrupção, o abuso privado dos bens sociais, os trabalhos culpavelmente mal feitos e o esbanjamento.  O furto também diz respeito aos bens imateriais. Esse tipo de pecado começa, por exemplo, quando copiamos alguém na escola, baixamos ilegalmente conteúdos da internet, fazemos fotocópias ilegais ou cópias piratas dos mais diversos tipos. O vandalismo e a danificação intencional do equipamento ou patrimônio público são formas de roubo e também devem ser reparados, afirma o Youcat – Catecismo Jovem (429). A Igreja afirma que, tendo em vista que as pessoas são filhas de Deus, detentoras de uma dignidade única, é dever da doutrina social da Igreja interferir-se nas relações humanas, dando diretrizes a respeito da política, economia, ciências, entre outros, quando a dignidade delas é ameaçada. Assim, a Igreja emite um juízo moral em matéria econômica e social quando isso é exigido pelos direitos fundamentais da pessoa, do bem comum ou da salvação das almas. Pois todas estas relações sociais devem ter o homem como seu autor, centro e fim. Portanto, todo homem tem o dever e o direito a um trabalho, por meio do qual ele colabora com Deus criador, pois, ao trabalhar com empenho e competência, a pessoa põe em ação capacidades inscritas na sua natureza, exalta os dons do Criador e os talentos recebidos, sustenta-se a si e aos seus familiares, serve a comunidade humana. Além disso, com a graça de Deus, o trabalho pode ser meio de santificação e de colaboração com Cristo para a salvação dos outros. Os trabalhadores devem realizar o seu trabalho, com consciência, competência e dedicação, procurando resolver, com o diálogo, eventuais controvérsias. O recurso à greve, quando esta não é violenta, é moralmente legítimo ao se apresentar como instrumento necessário em vista dum benefício proporcionado e tendo em conta o bem comum. Compete ao Estado fornecer a segurança das garantias das liberdades individuais e da propriedade, para além duma moeda estável e de serviços públicos eficientes; compete-lhe ainda zelar e orientar o exercício dos direitos humanos no setor econômico. A sociedade deve ajudar os cidadãos a encontrar trabalho, conforme as circunstâncias. No plano internacional, todas as nações e instituições devem atuar na solidariedade e na subsidiariedade, com vista a eliminar, ou pelo menos reduzir, a miséria, a desigualdade dos recursos e dos meios econômicos, as injustiças econômicas e sociais, a exploração das pessoas, a acumulação da dívida dos países pobres, os mecanismos perversos que criam obstáculos ao progresso dos países menos desenvolvidos. O homem é autor, centro e fim de toda a vida econômica e social, sendo assim, o ponto central das questões sociais, tratadas no Sétimo Mandamento, para que os bens criados por Deus para todos, de fato, cheguem a todos, conforme a justiça e com a ajuda da caridade.

O OITAVO MANDAMENTO – NÃO LEVANTAR FALSO TESTEMUNHO
APRENDA A VIVER NA VERDADE
Catecismo da Igreja Católica, 2464 a 2513

O Oitavo Mandamento prescreve o seguinte: Não levantar falso testemunho (cf. Ex 20, 16), ou seja, proíbe-nos falsear a verdade nas relações com os outros. Essa prescrição moral decorre da vocação do povo santo a ser testemunho de seu Deus, que é e quer a verdade. As ofensas à verdade exprimem, por palavras ou atos, uma recusa de abraçar a retidão moral: são infidelidades fundamentais a Deus, e neste sentido, minam as bases da Aliança com Ele. Ele exige de nós a verdade. Mentir significa falar ou agir consciente e voluntariamente contra a verdade. Quem mente se engana a si mesmo e ilude os outros, os quais têm o direito a conhecer a verdade integral de um fato. Desta forma, toda a pessoa é chamada à sinceridade e à veracidade no agir e no falar. Cada um tem o dever de procurar a verdade e de aderir a ela, organizando toda a sua vida segundo as exigências dessa virtude. Viver no respeito pela verdade não significa apenas ser fiel a si mesmo. Ser verdadeiro significa ser fiel a Deus, pois, em Jesus Cristo, a verdade de Deus manifestou-se na sua totalidade: Ele é a Verdade. Seguir Jesus é viver do «Espírito de verdade» (cf. Jo 14, 17) e evitar a duplicidade, a simulação e a hipocrisia. O cristão deve testemunhar a verdade evangélica em todos os campos da atividade pública e privada, mesmo com o sacrifício da própria vida, se necessário. O martírio é o supremo testemunho dado em favor da verdade da fé. O Oitavo Mandamento proíbe: O falso testemunho, o perjúrio e a mentira, cuja gravidade se mede pela natureza da verdade que estes deformam, das circunstâncias, das intenções do mentiroso e dos danos causados às vítimas. Proíbe também: O juízo temerário, a maledicência, a difamação, a calúnia, que lesam ou destroem a boa reputação e a honra a que a pessoa tem direito. Ele condena também: a lisonja, a adulação ou complacência, sobretudo se finalizadas à realização de pecados graves ou à obtenção de vantagens ilícitas. Uma culpa contra a verdade exige a reparação, quando se ocasionou dano a outrem. Este mandamento requer o respeito da verdade, acompanhado pela discrição da caridade: na comunicação e na informação, que devem assegurar o bem pessoal e comum, a defesa da vida particular e o perigo de escândalo; na reserva dos segredos profissionais, que se devem sempre manter, salvo em casos excepcionais, por motivos graves e proporcionados. Exige-se também o respeito pelas confidências feitas sob o sigilo do segredo. Dessa forma, ser verdadeiro significa agir seriamente e falar honestamente. Quem é a favor da verdade se protege da ambiguidade, do fingimento, da ilusão e da dissimulação. A pior forma de mentira é o juramento falso. Quando se fala em não levantar falso testemunho, a Doutrina da Igreja chama a atenção para os meios de comunicação em massa, hoje com o advento destes meios, este pecado é cada vez mais comum, por isso, a informação mediática deve estar a serviço do bem comum, ser sempre verdadeira no conteúdo e, salva a justiça e a caridade, deve ser também íntegra. Além disso deve expressar-se de modo honesto e conveniente, respeitando escrupulosamente as leis morais, os direitos legítimos e a dignidade da pessoa. O Magistério da Igreja aponta alguns perigos existentes nos meios de comunicação, uma vez que, muitas pessoas, especialmente as crianças, consideram real o que veem na mídia. Quando no contexto da diversão, a violência é glorificada, o comportamento antissocial e a sexualidade humana são banalizadas, pecam tanto os responsáveis pela mídia, como as instâncias de controle, que deveriam rejeitar os produtores sem qualidade ética. Por fim, o Catecismo da Igreja Católica nos ensina que a verdade é bela por si mesma. Ela comporta o esplendor da beleza espiritual. E existem numerosas formas de expressão da verdade, em especial as obras artísticas. São o fruto do talento dado por Deus e do esforço do homem, destacando a arte sacra, que, para ser verdadeira e bela, deve evocar e glorificar o Mistério de Deus, revelado em Cristo e conduzir à adoração e ao amor de Deus Criador e Salvador, Beleza excelsa de Verdade e de Amor. Portanto, o homem é chamado a buscar e viver a verdade no agir e no falar, fugindo da duplicidade, da simulação e da hipocrisia, não se envergonhando de dar testemunho de Nosso Senhor, que é a Verdade plena, mesmo que, por amor à verdade, este alcance o martírio.

NONO MANDAMENTO
GUARDAR A CASTIDADE NOS PENSAMENTOS E NOS DESEJOS

Não cobiçaras a casa de teu próximo, não desejarás sua mulher, nem seu servo, nem sua serva, nem seu boi, nem seu jumento, nem coisa alguma que pertença a teu próximo (Ex 20, 17). Todo aquele que olha para uma mulher com o desejo libidinoso à cometeu adultério com ela em seu coração (Mt 5, 28). O Nono Mandamento exige vencer a concupiscência carnal nos pensamentos e nos desejos. A luta contra a concupiscência passa pela purificação do coração e pela prática da virtude da temperança. São João distingue três espécies de cobiça ou concupiscência: a da carne, a dos olhos e a soberba da vida. O Catecismo da Igreja Católica nos ensina, no número 2514, que concupiscência significa qualquer forma veemente de desejo humano. São Paulo a identifica com a revolta que a “carne” provoca contra o “espírito” (cf. Gl 5, 16.17.24). O Nono Mandamento não se dirige contra o desejo em si, mas contra os desejos desordenados. Portanto, este proíbe cultivar pensamentos e desejos relativos às ações proibidas pelo Sexto Mandamento – Não cometer o adultério. A atração erótica entre um homem e uma mulher foi criada por Deus e é, consequentemente, boa, pertence ao ser humano. Ela procura unir o homem e a mulher, fazendo nascer deles a descendência do seu amor. Esta união deve ser protegida pelo Nono Mandamento. Jogando com o fogo, isto é, lidando negligentemente com a crepitação erótica entre o homem e a mulher, podem ser colocados em risco o casamento e a família, afirma o Catecismo Jovem – Youcat (462). A pureza de coração é o objetivo deste mandamento; para conquistá-la é necessário que o batizado conte com a graça de Deus e lute contra os desejos desordenados, chegando à pureza do coração mediante a virtude e o dom da castidade, tendo a pureza de intenção e do olhar exterior e interior, procurando tudo isso por intermédio da disciplina dos sentidos e da imaginação e pela oração. A pureza exige o pudor, que, ao preservar a intimidade da pessoa, exprime a delicadeza da castidade e orienta os olhares e os gestos em conformidade com a dignidade das pessoas e da sua comunhão. Ela liberta do erotismo difuso e afasta de tudo aquilo que favorece a curiosidade mórbida. Requer uma purificação do ambiente social, mediante uma luta constante contra a permissividade dos costumes, que assenta numa concepção errônea da liberdade humana. O pudor protege o espaço íntimo da pessoa, isto é, o seu mistério, o que tem de mais próprio e interior: a sua dignidade. Acima de tudo, defende a sua capacidade para o amor e a entrega erótica. Ele remete ao que deve ser amor. Muitos cristãos vivem num ambiente em que o sentimento do pudor é desaprendido. Mas a impudência não é humana. Os animais não conhecem sentimentos de pudor, pelo contrário, no ser humano, é um distintivo essencial. O pudor não esconde uma coisa sem valor, mas protege algo valioso, isto é, a dignidade da pessoa na sua capacidade para amar. O sentimento de pudor encontra-se em todas as culturas, ainda que sob diferentes formas. Não tem nada a ver com beatice ou educação frustrada. O ser humano também tem vergonha dos seus pecados e de outras coisas cuja divulgação o rebaixariam. Quem, mediante palavras, olhar, gestos e atos, fere o sentimento de pudor natural de outra pessoa rouba-lhe a dignidade, segundo o Catecismo Jovem – Youcat (464).   Portanto, fazei morrer o que em vós é terreno: imoralidade, impureza, paixões, maus desejos e avareza, que é uma idolatria (Cl 3, 5). Esta é a ordem de Deus expressa nesse mandamento, o Senhor deseja que o homem viva uma vida casta e pura, valorizando-se e respeitando o outro, por meio da castidade em atos, pensamentos e palavras, pois, quando nos dedicamos ao Altíssimo com o intuito puro, Ele transforma o nosso coração, dá-nos a força necessária para correspondermos à Sua vontade e para nos afastarmos de pensamentos e desejos impuros.

DÉCIMO MANDAMENTO
NÃO COBIÇARÁS OS BENS DO TEU PRÓXIMO!
Catecismo da Igreja Católica, 2534 a 2557

Encerrando a série sobre o Decálogo, o Décimo Mandamento ordena: “Não cobiçar as coisas alheias”. Este proíbe ao cristão a cobiça dos bens alheios, sentimento que é a raiz do roubo e da fraude. Assim, ele proíbe avidez e o desejo de uma apropriação desmedida dos bens terrenos. Proíbe também o desejo de cometer uma injustiça pela qual se prejudicaria o próximo em seus bens temporais. O cristão deve aprender a distinguir as ambições razoáveis dos desejos insensatos e injustos, adquirindo uma atitude interior de respeito pelos bens alheios. O Catecismo da Igreja Católica nos ensina que, ao desejarmos obter bens semelhantes aos de nossos próximos, não violaremos esse mandamento, contando que os obtenhamos por meios justos. O Décimo Mandamento da Lei de Deus exige banir a inveja do coração humano, pois esta pode levar às piores ações. A inveja é o ciúme e a fúria de quem vê a prosperidade dos outros e deseja apoderar-se injustamente do que eles têm. Quem deseja mal aos outros peca gravemente. A inveja diminui à medida que a pessoa procura cada vez mais alegrar-se com as conquistas e os dons dos próximos, quando ela crê na providência de Deus também para si e quando ela dirige o seu coração para a verdadeira riqueza, que consiste no fato de já participarmos em Deus pelo Espírito Santo.   A confiança em Deus, acima de todas as coisas, foi pedida por Jesus aos Seus discípulos, isso para que estes tivessem um coração livre, pobre, desprendido das riquezas, isso é o princípio do espírito da pobreza evangélica, pois é o abandono à providência de Deus, que nos liberta da preocupação pelo amanhã, prepara-nos para a bem-aventurança dos «pobres em espírito, porque deles é já o Reino dos céus» (Mt 5, 3). Portanto, o desprendimento total do homem dos bens materiais, manifestado principalmente nas prescrições indicadas por esse mandamento, vem ao encontro do seu desejo final, que é ver a Deus. Muitas vezes, o vazio interior é causado pelo amor desmedido às coisas, roubando, assim, do Senhor a possibilidade de ocupar inteiramente o coração humano. Somente por intermédio de uma vida justa e honesta, o grito interior presente em todo homem: “Quero ver a Deus!” será realizado, pois, a verdadeira e perfeita felicidade se concretiza na visão e na bem-aventurança d’Aquele que nos criou por amor e nos atrai a Si no Seu infinito amor.

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