O que há por trás da opinião pública?

Os meios de comunicação têm um peso importante na formação das mentes de milhões de pessoas
Por Fr. Fernando Pascual
Roma, 31 de Julho de 2015 (ZENIT.org)

Os meios de comunicação têm um papel importante na formação da mentalidade de milhões de pessoas. Com a sua informação e omissões alimentam e promovem o que chamamos de “opinião pública”.
Os meios de comunicação são tão fortes que receberam o nome de “quarto poder”, uma fórmula que alguns restringem à imprensa clássica, mas que também poderia ser verdade para alguns dos fenômenos que caracterizam o mundo da Internet.
Por trás dos meios de comunicação, especialmente por trás das grandes agências de notícias, há pessoas reais, com interesses e necessidades, algumas delas estão sob pressão de outros poderes, como grupos econômicos ou autoridades políticas.
Portanto, por trás da opinião pública não existe apenas meios informativos populares (imprensa, rádio, televisão, Internet, etc), mas homens e mulheres. Uns, honestos e amantes da verdade. Outros, interessados na defesa das suas próprias ideologias pessoais. Outros, talvez em número maior do que poderíamos imaginar, vivem submetidos às indicações dos seus chefes, que determinam o que deve ser “informado” e em que condições.
O mito (alguns ainda acreditam) do jornalismo independente é apenas isso: um mito. Porque muitos jornalistas trabalham ou com o material que oferecem as grandes agências de informação (muitas delas cheias de interesses e de ideologias), ou com material próprio que procura que seja aceito e publicado pelo meio de comunicação que o contratou. Assim, esses jornalistas vivem vinculados às ideias de outros, pois só assim será possível não perder o contrato que lhes permite receber um salário no final do mês.
Se reconhecemos que boa parte do jornalismo mundial sobrevive submetido aos poderes econômicos e ideológicos, teremos dado o primeiro passo para adquirir um espírito mais crítico diante de tantas “notícias” que não são notícia, e diante de tantas notícias reais que chegam revestidas de uma forte carga ideológica e deformadora.
Ao mesmo tempo, começaremos a procurar fontes alternativas de informação, tais como as decorrentes de genuínos amantes da verdade, homens e mulheres autônomos que não dependem economicamente de outras pessoas e nem se curvam diante das ideologias da moda.
Talvez esses “jornalistas alternativos” encontrados na Internet ou em outros meios espaços para divulgar notícias não manipuladas e bem preparadas, e para transmitir reflexões profundas e enriquecedoras. Se os encontramos, vamos nos beneficiar de seu trabalho e teremos acesso a um mundo de informações válidas e bem analisadas. Esse é o grande objetivo de um jornalismo autêntico e livre, graças ao qual será possível avançar no sentido de uma “opinião pública” madura e bem formada.
[Fonte: Catholic.net / Traduzido por ZENIT]

 

CRISTÃO-CRISTÃO e cristão-pagão
Por Revista Shalom Maná
http://www.cristoreinosso.org/2009_08_01_archive.html
 
Às vezes fico a pensar como tem cristão que é cristão e como tem cristão que é pagão.

Cristão-cristão sabe que o Batismo é a fonte da graça santificante, isto é, a graça que nos é dada por Deus para que sejamos santos, graça a ser vivida a vida inteira.
Cristão-pagão considera o Batismo um evento social meio chato, com um monte de menino chorando e correndo pelo meio das mesas nas quais os adultos comem e bebem.

Cristão-cristão sabe que existe um só Deus, Uno e Trino, cujo Filho deu a vida no lugar da nossa e que e Seu Sacrifício de amor é a única fonte da salvação de todos os homens.
Cristão-pagão acha que todos os deuses são o mesmo Deus dos cristãos, que, no final, tanto faz Buda, Alá, Krishna, Energia Cósmica, tudo dá na mesma.

Cristão-cristão sabe que só existe uma Igreja Católica, fundada por Jesus Cristo em Pentecostes, vinda dos Apóstolos e que nela temos a verdade e, por ela, a salvação de toda a humanidade.
Cristão-pagão crê que nem precisa de Igreja para salvar-se, que pode até ter uma fé pessoal, um deus só seu, sem fazer parte de nenhuma comunidade eclesial.

Cristão-cristão sabe que a Igreja é o corpo de Cristo, isso é, que ele e todos os batizados formam, juntos, o Corpo Místico de Jesus, que tem a missão de continuar Sua missão de salvação sobre a terra.
Cristão-pagão pensa que a Igreja é dispensável, que ser cristão se reduz a ir à missa aos domingos, aos casamentos e missas de sétimo dia.

Cristão-cristão sabe que não basta ir à Igreja aos domingos ou fazer parte de uma comunidade. Sabe que daí brota – e aí é alimentado – o amor que o leva a desejar amar sempre mais, dar-se sempre mais e de todas as formas a Cristo e seus irmãos.
Cristão-pagão crê que a Igreja e os sacramentos (confissão, Eucaristia, Crisma) são desnecessários, que basta amar e fazer o bem para agradar a Deus. Esquece-se que a única fonte de amor é Deus e sem Ele não se tem como amar.

Cristão-cristão sabe que a felicidade consiste em amar a Deus acima de todas as coisas e amar o irmão como Jesus o amou, isto é, dando toda a vida sem restrições, sem nada reter para si.
Cristão-pagão acha que ser feliz é não ter nenhum problema, preocupação ou perturbação.

Cristão-cristão sabe que o sofrimento contém em si um sentido misterioso e sobrenatural que lhe foi impresso pela cruz de Cristo. Por isso, mesmo sofrendo é feliz.
Cristão-pagão faz qualquer coisa para se ver livre do sofrimento: troca de igreja, vai a cartomante, a macumba, usa cristais, faz massagens esotéricas, qualquer coisa, desde que não sofra mais. Nem pensa em dar sentido ao sofrimento.

Cristão-cristão, quando passa aperto financeiro, sabe que Deus aproveitará esta oportunidade para fazê-lo viver unido à pobreza de Cristo e da Sagrada Família. Continua trabalhando, ou buscando trabalho, e confia na providência do Pai.
Cristão-pagão, quando passa aperto financeiro, diz que Deus se esqueceu dele e que não vê como ele tem sido bom, como tem ajudado aos pobres, como tem até pago o tributo da Igreja. Considera Deus ingrato e começa a jogar na loteria ou a se desesperar, preocupado com o dia de amanhã.

Cristão-cristão pensa mais nos outros que em si. Vive para fazer os outros felizes.
Cristão-pagão pensa mais em si que nos outros. Vive para que os outros o façam feliz.

Cristão-cristão encontra a liberdade ao entregar-se a Deus, confiar Nele e obedecer ao Evangelho.
Cristão-pagão encontra a escravidão ao entregar-se ao possuir, ao poder, ao prazer e confiar em si mesmo e esperar de si a felicidade.

Cristão-cristão sabe que é chamado a ser diferente, que nem toda moda lhe convém, nem toda diversão o ajuda a crescer na graça, nem todo programa de TV ou leitura o levam para mais perto de Deus e, assim, em coerência com sua fé, simplesmente os evita.
Cristão-pagão considera tudo isso besteira, pieguice, caretice e acha que pode fazer de tudo, que o negócio é curtir, que programas e leituras não influenciam os valores de ninguém e, assim, acabam por afastar-se cada vez mais de Deus e do Evangelho.

Cristão-cristão cultiva a castidade e sabe que amar é doar-se.
Cristão-pagão não conhece o valor da pureza e acha que amar é transar.

Cristão-cristão, enfim, pensa como Cristo e vê o valor, a beleza e a riqueza do caminho estreito que leva à felicidade do amor.
Cristão-pagão, enfim, pensa como o mundo e se deixa atrair pelo caminho largo que leva à infelicidade do egoísmo.

Um é cristão e, coerentemente, pensa e age como o Cristo que ama.
Outro é cristão e, incoerente, pensa e age como os outros, como o mundo.
Qual dos dois, em sua opinião, é feliz em toda circunstância e para sempre?

 

CEGUEIRA PLÚMBEA
Dom Aloísio Roque Oppermann, scj

O fascismo chauvinista alemão se estabeleceu, entrando pela porta da frente. Hitler manipulou a alma alemã, com recursos de encantamento irresistível. Seu nome estourou nas urnas. Estava tão certo da vitória que não ocultou nenhum de seus tenebrosos pensamentos. Todos conheciam suas pregações imperialistas, seu gosto pelo uso da força, sua arrogância diante dos judeus, sua presunção de superioridade da raça ariana.

Um observador, colocado a certa distância, poderia prever a colisão inexorável que aconteceria entre o bem do povo alemão, e o programa foguetório do regime político, que deveria arrostar todas as conquistas civilizatórias. É a história do passarinho encantado, que fica à disposição da cobra que o engole sem escrúpulos.

Não sou daqueles que consideram a Revolução de 31 de março, como um mal absoluto. As intenções foram boas, tendo recebido o firme apoio da opinião pública. Os nobres ideais foram obumbrados, progressivamente, pelo uso abusivo do cerceamento das liberdades. Com o correr do tempo, as lideranças socialistas, em vez de se converterem, entraram na clandestinidade. Mas posteriormente retornaram, entre aplausos, e ocuparam tranquilamente quase todos os escalões da República cripto-socialista.

Certíssimos do sucesso, já se tem como garantida a execução de alguns programas antiqüíssimos: a interrupção violenta da gravidez; o enfraquecimento da vida familiar, pelo apoio a outros tipos de “família”; a redução à obediência de veículos de comunicação através de prêmios e castigos; a insegurança dos direitos constitucionais;  a subserviência do poder judiciário; a impossibilidade de manifestação religiosa em  público; a descaracterização do país de qualquer sinal cristão, depois de termos passado ao povo, durante séculos,  os ensinamentos de Cristo…

Será que se avizinha o tempo em que precisamos ocultar que somos católicos? A vitória desse programa “moderno” parece ser tão evidente como o pôr do sol antes da noite escura. O nosso veículo tem freio e tem direção. Enxergamos o perigo que se avizinha? “Eis agora o dia da salvação” (2Cor 6, 2). Ainda podemos evitar o grande mal.

 

EM BUSCA DA OPINIÃO PÚBLICA
Dom Aloísio Roque Oppermann, scj

São poucos os que têm força moral para fazer um jogo “solo”, sem se importar com o que pensam os outros. Olhemos os adolescentes: não é o pensamento da mãe, ou do professor, que os assusta. O que interessa é ser avaliado positivamente pela turma. Ela é que dá a sentença se uma atitude é boa ou má. Por isso eles agem, sim, mas com um olho voltado para a roda. Se os amigos condenam um ato, isso é como a morte. É motivo de stress e de paralisia nos planos de vida. Nisso tudo se revelam muito humanos. Um quadro semelhante, em outras proporções, se repete entre os adultos.
Para a Igreja é muito útil, para a propagação mais fácil do evangelho, gozar da força da opinião pública. Assim suas propostas são aceitas com maior chance de sucesso. Mas há o que distinguir nesta selva de comunicação do mundo moderno. Refiro-me às contradições encontradas pelos seguidores de Cristo. As opiniões adversas, a propagação de eventuais mazelas, e até o insulto soez não são acontecimentos tão raros. Dentro desse contexto tão abundante, quero me ater a três reflexões atinentes ao caso.
1 – Existem tentativas de formar opinião pública contra a Igreja, que não passam de «opiniões publicadas», sem maiores consequências. Merecem ser contestadas? Essas opiniões são de tão baixa qualidade, que a melhor resposta é aguardar os acontecimentos. Depois da feroz intervenção, o povo continua com a sua opinião favorável à Igreja, sem ter havido nenhuma mudança substancial. Aqui faço uma citação não merecida, ao colunista da revista Veja, que semanalmente solta a sua diatribe contra a instituição eclesial. Parece que foi contratado, sem ele o perceber, para ser uma nota destoante dentro do corpo redacional. Ele deve ser o “mau” da publicação. É claro que idéias, semelhantes às expostas por ele, devem ser deixadas ao seu próprio destino, que é o esquecimento. Jamais formarão opinião pública.
2 – Há, no entanto, opiniões contrárias, que precisam ser examinadas, sob pena de perdermos uma grande riqueza. Às vezes pode ser que a contradição seja uma atitude honesta do mundo moderno. Ela pode refletir os «sinais dos tempos» – como dizia João XXIII – para os quais é requisitada uma mudança de atitude comportamental da esposa de Cristo. Fechar-se simplesmente a essas opiniões diferentes, seria perder eventuais valores, para melhor compreensão da doutrina de Cristo. O próprio Concílio Vaticano II incorporou alguns valores do mundo moderno, na doutrina eclesiástica. Por exemplo, o respeito pela liberdade religiosa, o reconhecimento explícito dos direitos humanos, a valorização da democracia, o diálogo com os homens e as mulheres dos tempos atuais, deixando os confrontos para segundo plano. Para tanto é preciso o discernimento do Espírito para seguir a instrução sábia de São Paulo: «Examinem tudo, e fiquem com o que é bom» (1 Tess 5, 21). Nós somos uma comunidade de firmeza na fé, mas não somos fanáticos. Estaremos abertos a opiniões consistentes, mesmo adversas.
3 – No entanto, não podemos esquecer jamais que a Igreja, a exemplo de seu Mestre e Senhor, não pode deixar de escandalizar o mundo. «Eis que eu ponho em Sião uma pedra de tropeço, uma rocha de escândalo» (Rm 9, 33). A doutrina de Jesus, anunciada pelos discípulos de Cristo, realmente pode ser chocante em alguns pontos, e provocar reações iradas por quem se julga possuidor da verdade. Se a Igreja deve elevar os olhos para o horizonte, e se deter nos “sinais dos tempos”, da mesma forma o mundo moderno deveria se abrir para os ensinamentos do Filho de Deus, que propõem à humanidade tempos melhores, a fraternidade universal e um “homem novo”. Se isso acarreta para os cristãos dissabores e até perseguições, só nos resta tolerar tais atitudes negativas, e aguardar tempos melhores.

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