3º Domingo de Quaresma – Ano B

Por Mons. Inácio José Schuster

Êxodo 20, 1-17; 1 Coríntios 1, 22-25; João 2, 13-25

OS DEZ MANDAMENTOS

O Evangelho do terceiro domingo da Quaresma tem como tema o templo.
Jesus purifica o antigo templo, expulsando do mesmo, com o chicote de cordas, vendedores e mercadorias, então apresenta a si mesmo como o novo templo de Deus que os homens destruirão, mas que Deus fará ressurgir em três dias.

Mas desta vez desejaria deter-me na primeira leitura, porque contém um texto importante: o decálogo, os dez mandamentos de Deus. O homem moderno não compreende os mandamentos; toma-os por proibições arbitrárias de Deus, por limites postos a sua liberdade. Mas os mandamentos de Deus são uma manifestação de seu amor e de sua solicitude paterna pelo homem. «Cuida de praticar do que te fará feliz» (Dt 6, 3; 30, 15s): este, e não outro, é o objetivo dos mandamentos.

Em alguns passos perigosos do caminho que leva ao Sinai, onde os dez mandamentos foram dados por Deus, para evitar que algum distraído ou inexperiente saia do caminho e se precipite ao vazio, colocaram-se sinais de perigo, alertas, ou se criaram barreiras. O objetivo dos mandamentos não é diferente disso. Nós mesmos vemos o que passa na sociedade quando se pisoteiam sistematicamente certos mandamentos, como o de não matar ou não roubar…

Jesus resumiu todos os mandamentos, e mais, toda a Bíblia, em um único mandamento, o do amor a Deus e ao próximo. «Destes dois mandamentos pendem toda a Lei e os Profetas» (Mt 22, 40). Tinha razão Santo Agostinho ao dizer: «Ama e faz o que quer». Por que, se ama de verdade, tudo o que fizer será para o bem.

Inclusive se rejeita e corrige, será por amor, pelo bem de outro.

Mas os dez mandamentos há que observá-los em conjunto; não se podem observar cinco e violar os outros cinco, ou inclusive um só deles. Certos homens da máfia honram escrupulosamente seu pai e sua mãe; mas se permitiriam «desejar a mulher do próximo», e se um filho seu blasfema, reprovam-no asperamente, mas não matar, não mentir, não cobiçar os bens alheios são tema à parte. Deveríamos examinar nossa vida para ver se também nós fazemos algo parecido, isto é, se observamos escrupulosamente alguns mandamentos e transgredimos alegremente outros, ainda que não sejam os mesmos dos mafiosos.

Desejaria chamar a atenção em particular sobre um dos mandamentos que, em alguns ambientes, transgride-se com maior freqüência: «Não tomarás o nome de Deus em vão». «Em vão» significa sem respeito, ou pior, com desprezo, com ira, em resumo, blasfemando. Em certas regiões, há pessoas que usam a blasfêmia como uma espécie de intercalação em suas conversas, sem ter em absoluto em conta os sentimentos de quem escuta.

Também muitos jovens, especialmente se estão em companhia, blasfemam repetidamente com a evidente convicção de impressionar assim as moças presentes. Emprega-se muita diligência para convencer um ser querido de que deixe de fumar, dizendo que prejudica a saúde; por que não fazer o mesmo para convencê-lo de que deixe de blasfemar?

 

«DESTRUÍ ESTE TEMPLO, e em três dias Eu o levantarei»
Santo Agostinho (354-430), Bispo de Hipona (Norte de África) e Doutor da Igreja
Sermão 163, 5 (trad. Brésard, 2000 anos p. 96 rev)

Somos os trabalhadores de Deus e construímos o templo de Deus. A dedicação deste templo já teve lugar na sua Cabeça, uma vez que o Senhor ressuscitou dos mortos, após ter triunfado da morte; tendo destruído n’Ele o que era mortal, subiu ao céu […]. E agora, construímos este templo pela fé, de modo a que aconteça também a sua dedicação aquando da ressurreição final. É por isso que […] há um salmo intitulado: «quando se reconstruía o Templo, após o cativeiro» (95, 1 Vulg). Recordai-vos do cativeiro onde estivemos outrora, quando o diabo tinha o mundo inteiro em seu poder, como um rebanho de infiéis. Foi por causa deste cativeiro que o Redentor veio. Ele derramou o Seu sangue para nos resgatar; pelo Seu sangue derramado, suprimiu o bilhete da dívida que nos mantinha cativos (Colo 2, 14). […] Outrora vendidos ao pecado, fomos libertados pela graça. Após este cativeiro, construímos agora o templo; para o edificar, anunciamos a Boa Nova. É por isso que este salmo começa assim: «Cantai ao Senhor um cântico novo.» E para que não penses que se construiu este templo num pequeno recanto, como o constroem os hereges que se separam da Igreja, presta atenção ao que segue: «Cantai ao Senhor terra inteira». […] «Cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor terra inteira.» Cantai e construí! Cantai e «bendizei o Seu nome» (v. 2). Anunciai o dia nascido do dia da salvação, o dia nascido do dia de Cristo. Quem é, com efeito, a salvação de Deus se não Seu Cristo? Para a salvação, nós rezamos o salmo: «Mostrai, Senhor, a vossa misericórdia, e dai-nos a vossa salvação.» Os antigos justos desejavam esta salvação, eis o que dizia o Senhor aos seus discípulos: «Muito quiseram ver o que vedes, e não o viram» (Lc 10, 24). […] «Cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor.» Vede o ardor dos construtores! «Cantai ao Senhor e bendizei o Seu nome.» Anunciai a Boa Nova! Qual boa nova? O dia nasceu do dia […]; a Luz nasceu da Luz, os Filhos nascidos do Pai, a Salvação de Deus! Eis como se constrói o templo após o cativeiro.

 

É preciso dizer que o Evangelho deste terceiro domingo da quaresma, pode chocar alguns espíritos. Como compreender que Jesus, tão manso, humilde, bondoso, compreensível, tenro para com os pecadores, certa vez tenha realizado uma ação violenta, buscado um chicote e expulsado vendilhões do templo de Jerusalém.
Na verdade a resposta encontra-se já nos Profetas do Antigo Testamento: “Por acaso minha casa, onde meu nome, diz Deus, é invocado tornou-se uma espelunca de ladrões?” Os judeus da época de Jesus, usavam o atrium exterior, ou o pátio externo do templo, para o comércio, que tudo somado, não era, a primeira vista de tudo ilícito. Tratava-se da venda de animais necessários ao sacrifício, ou então, da troca de moedas, pois o templo de Jerusalém não recebia moedas com esfinges de pagãos, no entanto para Jesus, aquela prática era abusiva, e os pôs para fora.
Se Jesus entrasse em nossas igrejas hoje, quem sabe realizaria em muitas delas, as mesmas ações. Percorrer uma igreja sem nenhum respeito, conversar frivolidades dentro de uma igreja, estar ali com uma postura inadequada, ou com roupas sumárias. Não é isto uma falta de respeito a Deus? E quantas vezes as nossas igrejas se transformaram em salões de beleza, em barbeiros, onde todos conversam a respeito de tudo, sem reverência ao Santíssimo Sacramento, que lá se encontra.
Nós católicos estamos exagerando, ultrapassando os limites, nós possuímos igrejas, e as mais das vezes, somos menos respeitosos dentro delas, do que os protestantes em seus templos, do que os judeus em suas sinagogas, do que os mulçumanos em suas mesquitas. Nós católicos estamos declinando a falta de respeito para com Deus, um lugar sagrado tem ultrapassado os limites, de resto Deus, é sempre Deus. Se uma certa familiaridade pode andar par e passo com o respeito, é certo também que não se dão tapinhas nas costas de Deus.
No entanto, existe um outro templo, que também as mais das vezes é profanado, o templo do nosso coração: “Não sabeis que sois o templo de Deus, não sabeis, escreve o apóstolo Paulo, que o Espírito Santo habita em vós?” Se devemos respeito à casa de Deus, nós devemos respeito para com o nosso corpo, sendo ele também templo do Espírito Santo.
Neste terceiro domingo da quaresma perguntamos a nós mesmos: glorificamos a Deus em nossos corpos? Deus se compraz em habitar o nosso coração, nós mandamos para fora, todo o lixo que Lhe desagrada ou não?

 

CHAMADOS A PERMANECER NA BÊNÇÃO
Padre Roger Luís

A palavra de Deus nos mostra os mandamentos de Deus. Mandamentos nos soam negativo, por termos a impressão negativa da palavra mandamento, os termos também serem negativos “não matarás, não roubarás…” e por fazermos parte de uma sociedade que não aceita as negações.
Mas se assumirmos os mandamentos para nossa vida, “A palavra de Deus é um conforto para alma, a lei do Senhor Deus é perfeita” (Sl 18), pois os mandamentos é um ato de amor de Deus. Você faz parte do povo escolhido do Senhor, do novo povo de Deus e precisamos entender que os mandamentos são mensagens de profundo amor de Deus para seu povo. Deus nos deu estes mandamentos porque não quer que seu povo se perca, que deixem de viver a bênção.
O povo de Deus foi resgatado por Jesus. Jesus declara “eu sou o caminho, a verdade e a vida”, Ele é a palavra de Deus concretizada. Quando invocamos o nome de Jesus, proclamamos o Seu poderoso nome, a palavra de Deus que se fez carne, acontecem milagres, curas, libertações, porque Jesus é o caminho.
O mandamento é uma força é uma investida de amor de Deus para nós, porque através dos mandamentos iremos caminhar no caminho da vida. Os mandamentos são um caminho de amor do pai, para que caminhamos para a vida eterna. Pois o nosso lugar é o céu.
Deus diz a Josué: “Não te desvies nem para a direita nem para a esquerda, a fim de que tenhas êxito por onde quer que andes. Não cesses de falar deste livro da Lei. Medita nele dia e noite, para que procures agir de acordo com tudo o que nele está escrito. Assim farás prosperar teus caminhos e serás bem sucedido” (Js 1, 7b-8).
E isto nos dá um novo sentido, nos retira o peso negativo. Deus quer te fazer um homem livre pelo poder de Sua palavra de amor para seu povo. Deus nos ama muito, por isso Ele não quer que nos desviemos de seu caminho, Deus quer que vivamos a santidade.
Em Efésios cap. 6, São Paulo nos diz que a palavra de Deus é a espada do Espírito, se você quer vencer o diabo, tem que andar com a espada, ler a bíblia todos os dias.
Modernamente falando a Bíblia é nosso “GPS” para chegar ao céu.
“1.Se obedeceres fielmente à voz do Senhor teu Deus, observando e praticando todos os mandamentos que hoje te prescrevo, o Senhor teu Deus te elevará acima de todos os povos da terra. 2.Se obedeceres à voz do Senhor teu Deus, virão sobre ti e te seguirão todas estas bênçãos: 3.Bendito serás na cidade e bendito no campo. 4.Bendito será o fruto do teu ventre, o fruto da terra, a cria dos animais, do gado e das ovelhas. 5.Bendita será tua cesta e tua amassadeira. 6.Bendito serás ao entrar e bendito ao sair. 7.O Senhor desbaratará diante de ti os inimigos que se levantarem contra ti. Se vierem por um caminho, fugirão à tua vista por sete caminhos. 8.O Senhor fará a bênção estar contigo nos celeiros e em todo trabalho de tuas mãos. E o Senhor teu Deus te abençoará na terra que te dá” (Dt 28, 1-8).
‘Todos querem viver na benção.
O Senhor nos dá a receita: viver Seus mandamentos’
Precisamos entender que os mandamentos são os recados de amor de Deus, um caminho seguro para que permaneçamos na benção de Deus. Todos querem viver na benção, o Senhor nos dá a receita: viver os Seus mandamentos. Todas as vezes que o povo se desviou de Deus e dos seus mandamentos, foi acorrentado, oprimido.
Temos que optar pela benção. Diga: “Senhor, nesta tarde eu me comprometo a estar na sua benção, vivendo a partir de hoje, ou pelo menos lutando para permanecer nos Teus caminhos, que é caminho de benção, libertação, cura e salvação. Eu me decido em cumprir Seus mandamentos, mesmo que eu tenha que sofrer pela renuncias que irei fazer. Eu proclamo diante de Deus e dos meus irmãos, eu sou uma benção de Deus, eu sou abençoado por Deus”.
É o que Senhor quer para cada um de nós, que sejamos abençoados. Se nós obedecermos fielmente sua voz, sua benção nos acompanhará. Se você crer, verá a glória de Deus e a partir de agora sua vida, sua família nunca mais será a mesma.
“Clama por mim, que eu te ouvirei e te mostrarei coisas grandiosas e sublimes, que tu não conheces” (Jr 33, 3), está é a palavra que Deus dirige a você que se decidiu a viver na bênção de Deus. O povo de Deus sempre foi alvo da bênção dEle, sempre é alvo dos milagres do Senhor, mas hoje precisamos ter a coragem profética de derrubar toda fé morna, fria, sem poder, sem unção na nossa vida.
Precisamos jogar a idolatria fora, idolatria do dinheiro, a pessoas, coisas, pois este é o primeiro mandamento. Você não pode colocar nada no lugar Deus. Enquanto colocarmos as coisas no lugar de Deus – dinheiro, pessoas – nunca seremos alvo da bênção dEle. Você é alvo da bênção de Deus, por isso derrube toda a idolatria. Talvez seu ídolo seja você mesmo.
Você se acha tão maravilhoso que tomou o lugar de Deus em sua vida.
Ore ao Senhor: “Entra na minha vida, governe a minha vida, eu me entrego em Tuas mãos, o trono do meu coração, porque acabo de limpá-lo tirando todos os ídolos, para que o Senhor possa reinar em mim. O nosso Deus que foi crucificado pela nossa salvação é a minha benção, é o meu milagre.” Somos abençoados em toda sorte de bênçãos em Cristo Jesus.

 

TERCEIRO DOMINGO DA QUARESMA
Jo 2,13-25: “Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio”

13Estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. 14Encontrou no templo os negociantes de bois, ovelhas e pombas, e mesas dos trocadores de moedas. 15Fez ele um chicote de cordas, expulsou todos do templo, como também as ovelhas e os bois, espalhou pelo chão o dinheiro dos trocadores e derrubou as mesas. 16Disse aos que vendiam as pombas: Tirai isto daqui e não façais da casa de meu Pai uma casa de negociantes. 17Lembraram-se então os seus discípulos do que está escrito: O zelo da tua casa me consome [Sl 68(69),10]. 18Perguntaram-lhe os judeus: Que sinal nos apresentas tu, para procederes deste modo?   19Respondeu-lhes Jesus: Destruí vós este templo, e eu o reerguerei em três dias. 20Os judeus replicaram: Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu hás de levantá-lo em três dias?! 21Mas ele falava do templo do seu corpo. 22Depois que ressurgiu dos mortos, os seus discípulos lembraram-se destas palavras e creram na Escritura e na palavra de Jesus. 23Enquanto Jesus celebrava em Jerusalém a festa da Páscoa, muitos creram no seu nome, à vista dos milagres que fazia. 24Mas Jesus mesmo não se fiava neles, porque os conhecia a todos. 25Ele não necessitava que alguém desse testemunho de nenhum homem, pois ele bem sabia o que havia no homem.

No Evangelho de hoje, começamos nossa oração pela Páscoa dos Judeus, que era a festa religiosa mais importante do povo do Antigo Testamento e será a prefiguração da Páscoa cristã. A Páscoa Judaica era celebrada no dia 14 do mês de Nisan e logo a seguir acontecia a semana festiva dos Ázimos (pão sem fermento), onde, conforme prescrevia a Lei de Moisés: nestes dias todo israelita  devia “apresentar-se ao Senhor” (cf. Dt 16,16). Daí vem a explicação para o piedoso costume de peregrinação ao Templo de Jerusalém para estas festas, a grande aglomeração de gente e afluência de vendedores, que abasteciam as necessidades dos peregrinos, mas que, lamentavelmente, davam lugar a sérios abusos.
Para o cumprimento desta prescrição, “Jesus sobe a Jerusalém”, para desta forma manifestar a Sua observância da Lei de Deus. Mas, como o Evangelista irá narrar os fatos, mostrará um Jesus Cristo, cumprindo a prescrição como Filho Unigênito, e quer velar pelo decoro devido à Casa de Seu Pai. “E desde então Jesus, o Ungido de Deus, começa sempre por reformar os abusos e purificar do pecado; tanto quando visita a Sua Igreja, como quando visita a alma cristã” (Orígenes, Homilias sobre São João,1).
Na festa da Páscoa, todo israelita tinha que oferecer como sacrifício: uma cabra ou uma ovelha, se fosse rico, ou duas rolas ou dois pombos, se fosse pobre (cf. Lv 5,7). Além disso, devia pagar, a cada ano, meio siclo, a partir dos vinte anos de idade. O meio siclo equivalia à jornada de um operário, era uma moeda especial, também chamada moeda do Templo (cf. Ex 30,13); as outras moedas utilizadas à época (denários, dracmas etc…), por possuirem efígies de autoridades pagãs, eram consideradas impuras. Por ocasião da Páscoa, quando o fluxo de pessoas era maior, o pátio dos gentios (átrio exterior do Templo), enchia-se de vendedores e cambistas, que provocavam ruídos, mugidos, esterco, inclusive os profetas já haviam predito tal abuso (cf. Zc 14,21).
Ao chegar ao Templo e ver a tamanha balburdia, Jesus faz uma afirmação transcendente, citando o salmo 68(69),10: “Não façais da casa de Meu Pai casa de comércio”. Ao proclamar Deus como “Meu Pai” diante de todos, quer mostrar que é o Messias, Filho de Deus e desta forma atua com fortaleza, mostrando o zelo que tinha pela Casa do Pai.
O Templo de Jerusalém, substitui o antigo Santuário que os israelitas transportavam no deserto, era o lugar escolhido por Deus, conforme nos narra o Antigo Testamento, para manifestar a presença de Deus no meio do povo. Mas, esta é uma realidade antiga que será superada pela presença do Verbo de Deus feito carne. Jesus, em que “habita toda a plenitude da divindade corporalmente” (Cl 2,9), é a plena presença de Deus aqui na terra e, portanto, o verdadeiro Templo de Deus. Jesus, ao identificar o Templo de Jerusalém com o seu próprio Corpo, está se referindo a uma das verdades mais profundas sobre Si mesmo: a Encarnação.
O comportamento de Jesus no Templo, ao expulsar os vendedores, manifesta claramente que Ele é o Messias anunciado pelos profetas. Por isto alguns judeus, se aproximam, e pedem um sinal de Seu poder (cf. Mc 8,11). Mas, a resposta de Jesus é obscura para as autoridas judaicas e para aqueles que não têm fé. Para indicar a grandiosidade do milagre da Sua Ressurreição, Jesus recorre a uma metáfora: Vedes este Templo? Pois bem, imaginai-o destruído. Não seria um grande milagre reconstruí-lo em três dias? Isto farei Eu como sinal. Porque vós destruíreis o meu Corpo, que é o Templo verdadeiro, e Eu o voltarei a levantar no terceiro dia.
A declaração de Jesus deixa confuso: judeus e discípulos, que pensavam no Templo que Herodes, o Grande tinha começado a construir, aproximadamente no ano 20 a.C. Mais, tarde a época da Ressurreição, os discípulos lembrarão das palavras de Jesus: “Destruí vós este templo, e eu o reerguerei em três dias”.
Os milagres de Jesus levaram muitos judeus a reconhecer que n’Ele havia poderes divinos e extraordinários. Mas, Jesus conhecia a limitação daquela fé, pois era uma adesão superficial, pois desejavam acompanhar Jesus, apenas para assistir Suas manifestações extraordinárias. Por isto, Jesus desconfia deles. Mais tarde, São João Crisóstomo (†407 – Patriarca de Cosntantinopla e Doutor da Igreja), dizia: “Muitos agora são iguais. Têm o nome de fiéis, mas são volúveis e inconstantes”.
Jesus conhece o interior do ser humano, devido a Sua divindade. E, como exemplo deste conhecimento interior, podemos citar os exemplos de Natanael e da samaritana, que reconhecerem Jesus como o Messias, pois ficaram rendidos diante da evidência do poder sobrenatural que Jesus Cristo mostrava ao conhecer a intimidade de um e de outro (cf. Jo 1,49; 4,29).
Que esta Quaresma nos faça crescer em sabedoria e graça. Amém!

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