Festa da Cátedra de São Pedro – 22 de Fevereiro

A Igreja celebra hoje a chamada “Cadeira de  São Pedro”. Cadeira significa assento de honra – com espaldar e até almofada – em que se punha quem tinha autoridade de juiz ou de mestre. Por isso, a cadeira por excelência é a do Bispo, juiz e ao mesmo tempo mestre; e chamam-se catedrais as igrejas onde se encontra a cadeira ou cátedra do magistério episcopal. A igreja de São Pedro em Roma poder-se-ia chamar a catedral das catedrais. Na verdade, aquela cadeira que se encontra em cada igreja episcopal é, em São Pedro do Vaticano, símbolo dum magistério universal e está colocada na mais destacada evidência. Ao lado, na verdade vive de há séculos o Papa, embora tenha a Sé episcopal mais longe, em São João de Latrão. Entrando na Basílica Vaticana, logo se descobre no fundo, já de longe, aquilo que alguém chamou um deslumbrante ciclone dourado. Aproximando-se o visitante da ábside, fica surpreendido ao notar como aquele triunfo de anjos e aquele empolar-se de nuvens rasgadas pelas luzes radiantes vindas do Espírito Santo, representado em forma de pomba, são o glorioso enquadramento duma cadeira vazia, de bronze escuro, debruada de ouro. Uma cadeira como que lançada ao ar, suspensa entre nuvens e levantada por anjos; cadeira sobre a qual ninguém se poderia sentar sem vertigens. Chama-se-lhe cátedra de São Pedro e está no ponto extremo da majestade da nave central, pouco acima das figuras dos quatro doutores “máximos” da Igreja. Esse troféu, de inflamado e rutilante estilo barroco, não podia ser concebido nem feito senão pelo imaginoso arquiteto e escultor Lourenço Berníni, que soube prodigalizar o seu gosto cenográfico à volta duma cadeira suspensa. O trabalho foi-lhe confiado pelo Papa Alexandre VII, em 1663, e custou ao artista quatro anos de canseiras. Tratava-se de encerrar, dentro duma cadeira oca de novas formas, a antiga cátedra, de madeira encastrada de marfim, na qual a tradição pretendia ter-se sentado o próprio São Pedro. Segundo os eruditos, porém, esta cátedra foi oferecida ao Papa João VIII por Carlos, o Calvo, rei de França (843-877). Já não é pequena glória que tenha servido a muitos sucessores de São Pedro na cerimônia da eleição e nas maiores solenidades. Simboliza, como dissemos, o magistério supremo dos Papas, magistério infalível. É isto recordado e venerado pela festa de hoje.

 

Por Pe. Fernando José Cardoso

Um respiro no meio da quaresma. Aliás, neste ano, o único respiro, uma espécie de parêntesis para celebrarmos a Cátedra de São Pedro. É uma festa, através da qual a catolicidade, se une toda inteira, ao redor da Cátedra de Pedro, da Igreja de Roma e seu sucessor, o Santo Padre Francisco. O texto do Evangelho afirma que certa vez Pedro, iluminado por Deus, pôde traduzir a verdadeira identidade de Jesus. “Tu és o Cristo, o Filho de Deus bendito”. Jesus notou que, naquele momento, Pedro estava sendo iluminado por Deus. “Bem aventurado és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi nem a carne, nem o sangue, que te revelaram a minha identidade, mas o Pai que está no Céu”. Jesus também era dócil ao Pai, porque deixou que o Pai escolhesse, dentre os discípulos, aquele que deveria ser o primeiro líder do cristianismo, e viu, nesta confissão de fé de Pedro, um sinal de Deus Pai, que a ele, Pedro, deveria ser entregue a comunidade Cristã. Então Jesus imediatamente lhe responde: “Bem aventurado és tu Pedro, porque sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”. Mais tarde, Pedro apóstolo, já transfigurado e transformado pela Paixão de Cristo e pelo perdão que recebeu de suas negações, recorda a misericórdia e a bondade de Deus no passado. Quanto Deus foi bom para com a Humanidade, enviando o Salvador prometido, Jesus ressuscitado dentre os mortos e Senhor da História. Para o futuro também se descortina um grande esplendor. Bendito seja Deus que abriu para nós as portas da imortalidade. Bendito seja Deus, continua Pedro na sua primeira Epístola, que nos oferece uma herança Celeste, no Céu. Entre o passado, onde Deus mostrou Sua misericórdia, perdoando, em Cristo, os nossos pecados e chamando-nos a reconciliação, e o futuro, o Paraíso, que olho algum viu, que ouvido algum ouviu, que jamais passou pela mente de quem quer seja, um presente nos é dado, onde nós vivemos determinadas provações. Mas Pedro, na sua primeira carta, iluminado pelo Espírito Santo, redimensiona as provações da vida presente e como Paulo, a seu modo também insiste em que elas são desproporcionais à glória futura.

 

Jesus como que faz um teste para os seus discípulos. Ele lhes interroga: “Quem dizem os homens que eu sou?” A própria pergunta nos coloca de início num ponto de vista humano, como que considerando a natureza humana de Jesus. De fato, Ele era reconhecido em Israel como um homem de Deus poderoso, comparado mesmo aos maiores profetas. A resposta de São Pedro, porém, nos abre os horizontes para reconhecer a sua natureza divina: é Ele o Cristo, o Filho de Deus.  Sobre esta fé Cristo edifica a sua Igreja. Pedro é a rocha e terá como função ser sinal visível de unidade e confirmar os irmãos na fé. Tal função, como a Igreja de Jesus, se perpetua na história e é exercida pelos seus sucessores, hoje o Papa João Paulo II. Santo Hilário escreve a este respeito: “O Filho de Deus, nascido de Deus, eternamente… Ele assumiu um corpo, se fez homem; e assim como a Eternidade assumiu o corpo de nossa natureza, devemos ter consciência de que a natureza de nosso corpo pode receber (no Cristo) o poder da Eternidade. Porque é essencial à fé reconhecer a dupla natureza do Cristo, o Senhor pergunta aos seus discípulos: “Quem dizem…” (…). É preciso reter e confessar que o Cristo é o Filho de Deus e o Filho do homem. Confessar um sem o outro, não nos daria nenhuma esperança de salvação… “Quem dizem eles…?”, o Cristo deixa pressentir que para além do que se via nele, havia algo mais para compreender”. São Leão Magno ressalta que “quando Jesus apela para o sentimento dos discípulos, o primeiro a reconhecer o Senhor é o primeiro em dignidade entre os Apóstolos”. Prontidão de um coração caloroso, mas também e, sobretudo Dom de Deus: a natureza e a graça. Tu és o Cristo, o Ungido, unção manifestada no batismo do Cristo. Se tal unção é o “sacramento” da consagração de uma pessoa a Deus, em Jesus ela é constitutiva de sua Encarnação, pois sua humanidade é diretamente assumida pela Pessoa do Verbo divino. Ele é o Cristo, o Ungido, por excelência. Em Cristo, todos os batizados são ungidos. Os profetas, sacerdotes e evangelizadores recebem a unção para uma missão de “Verdade, de Sacrifício e de Salvação”. “É belo, exclama Orígenes, que Pedro tenha dito ao Salvador: “Tu és o Cristo”; melhor ainda que tenha reconhecido “Filho do Deus vivo”. Ele mesmo que dissera pelos profetas: “Eu sou o Vivente”!” e no Evangelho diz: “Eu sou a Vida”… Se nós também professamos como Pedro, será porque a luz do Pai nos terá revelado, e seremos também proclamados “Bem-aventurados”. “Senhor Jesus, eu professo e creio que vós sois o Cristo, o Filho do Deus vivo. Vós sois meu Senhor e meu Salvador. Fortalecei minha fé e dai coragem para proclamar a todos que eles podem vir e conhecê-lo pessoalmente como Senhor e Salvador e cresçam no conhecimento de vosso amor.”

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