Nossa Senhora de Lourdes, Saúde dos enfermos

Santíssima Virgem de Lourdes

Abriu-se o Templo de Deus no céu (Ap 11, 19); o véu da fé rasgou-se e deixou-nos passar, a fim de vermos o céu, o que se passa lá em cima, a sua glória e perene juventude, a sua força e o seu poder. Isto é Lurdes (em francês Lourdes), a porta do céu que se entreabre. Quando a ciência médica e cirúrgica pensava ter atingido o cume do progresso, a Virgem Santíssima valia àqueles que os médicos desenganavam. Quando a ciência racionalista se ria do sobrenatural e tinha como infantis os Vaticanistas que aceitavam a palavra infalível do “ultrapassado” Pontífice, que a 8 de Dezembro de 1854 definira solenemente a Imaculada Conceição, a muralha do sobrenatural deu passagem a Maria e ela apareceu no Sul da França a uma menina do campo, e disse-lhe também: “Sou a Imaculada Conceição”. A festa de hoje, ao que parece, mereceria ser chamada Memória ou Comemoração das aparições. porque, na verdade, de 11 de Fevereiro a 10 de Julho, a bem-aventurada Virgem Imaculada dignou-se transmitir uma missão durante 18 Aparições:

1ª Aparição – 11 de Fevereiro
Na manhã dessa quinta-feira, as duas irmãs Bernadette (ou Bernardina) e Antonieta, e uma amiga Joana Abadie, procuravam lenha junto à gruta de Massabielle, nas margens do rio Gave. As duas pequenas saltam sem dificuldade um regato. Bernadette descalça-se para meter os pés na água e passar ao outro lado. Entretanto – escreve ela – “vi numa cavidade do rochedo uma moita, uma só, que se agitava como se estivesse muito vento. Quase ao mesmo tempo saiu do interior da gruta uma nuvem do irada, e logo a seguir uma Senhora nova e bela, bela mais que todas as criaturas, como eu nunca tinha visto nenhuma.
Veio pôr-se à entrada da concavidade, por cima do tufo de verdura. Logo olhou para mim, sorriu-me e fez-me sinal para que me aproximasse, como o faria minha mãe. Tinha-me passado o medo, mas parecia-me que não sabia onde estava. Esfreguei os olhos, fechei-os, tomei-os a abrir; mas a Senhora estava lá sempre, continuando a sorrir-se e fazendo-me compreender não estar eu enganada. Sem saber o que fazia, tomei o terço e ajoelhei-me. A Senhora aprovou com um sinal de cabeça e passou para os seus dedos um rosário que trazia no braço direito. Quando quis começar a rezar e erguer a mão à testa, o meu braço ficou imóvel, como que paralisado. Só depois de a Senhora fazer o sinal da cruz é que eu o pude”, fazer também. A Senhora deixava-me rezar sozinha. Ela apenas passava as contas pelos dedos, sem falar. Só no fim de cada mistério dizia comigo: Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo… Quando acabou a reza, a Senhora voltou a entrar no interior do rochedo e a nuvem de ouro desapareceu com Ela”. A quem lhe perguntava como era a Senhora, Bernadette fazia esta descrição: “Tem as feições duma donzela de 16 ou 17 anos. Um vestido branco cingido com faixa azul até aos pés. Traz na cabeça véu igualmente branco, que mal deixa ver os cabelos, caindo-lhe pelas costas. Vem descalça, mas as últimas pregas do vestido encobrem-lhe um pouco os pés. Na ponta de cada um sobressai uma rosa doirada. Do braço direito pende um rosário de contas brancas encadeadas em ouro, brilhante como as duas rosas dos pés”.

2ª Aparição -14 de Fevereiro
Tudo, mais ou menos, como na primeira. Temendo que fosse alguma alma do outro mundo, como lhe tinham dito, Bernadette asperge o penedo com água benta. Ela não se zanga – diz a pequena com satisfação. Pelo contrário, sorri para todos nós. Nestas duas primeiras aparições, Nossa Senhora nada disse, além de rezar as Glórias dos mistérios.

3ª Aparição – 18 de Fevereiro
A celestial Aparição pergunta delicadamente à menina: – Queres fazer-me o favor de vir aqui durante 15 dias? – Assim o prometo – respondi. – Também eu prometo fazer-te feliz, não neste, mas no outro mundo.

4ª Aparição – 19 de Fevereiro
Enquanto a vidente rezava, uma multidão de vozes sinistras, que pareciam sair das cavernas da terra, cruzaram-se e entrechocaram-se, como os clamores duma multidão em desordem. Uma dessas vozes, que dominava as outras, gritava em tom estridente, raivoso, para a pastorinha: Foge! Foge daqui! Nossa Senhora ergueu a cabeça, franziu ligeiramente a fronte e logo aquelas vozes fugiram em debandada.

5ª Aparição – 20 de Fevereiro
Nossa Senhora ensinou pacientemente, palavra por palavra, uma oração só para Bernadette, que ela devia repetir todos os dias.

6ª Aparição – 21 de Fevereiro
“A Senhora – escreve a vidente – desviou durante um instante de mim o seu olhar, que alongou por cima da minha cabeça. Quando voltou a fixá-lo em mim, perguntei-lhe o que é que a entristecia e Ela respondeu-me: – Reza pelos pecadores, pelo mundo tão revolto”.

7ª Aparição – 23 de Fevereiro
A Vidente, caminhando de joelhos e beijando o chão, vai do lugar onde se encontrava até à gruta. Nossa Senhora comunica-lhe um segredo que a ninguém podia revelar.

8ª Aparição – 24 de Fevereiro
A Santíssima Virgem disse estas palavras: Reza a Deus pelos pecadores! Penitência! Penitência! Penitência! Beija a terra em penitência pela conversão dos pecadores.

9ª Aparição – 25 de Fevereiro
“A Senhora disse-me: – Vai beber à fonte e lavar-te nela. Não vendo ali fonte alguma, eu ia ao rio Gave beber. Ela disse-me que não era ali. Fez-me sinal com o dedo mostrando-me o local da fonte. Para lá me dirigi. Vi apenas um pouco de lama. Meti a mão e não pude apanhar água. Escavei e saiu água mais suja. Tirei a três vezes. A quarta já pude beber”. Era a água milagrosa que tantos prodígios tem realizado. Nossa Senhora mandou-lhe ainda fazer esta penitência pelos pecadores: – Come daquela erva que ali está! Quando troçavam da pequena por tão estranha ordem, respondia: – “Mas vocês também não comem salada!?”

10ª e 11ª Aparições – 27 e 28 de Fevereiro
Na primeira destas visitas, a Virgem Imaculada tomou a mandar beijar o chão em penitência pelos pecadores; na segunda sorriu e não respondeu quando a Vidente lhe perguntou o nome.

12ª Aparição -1º de Março
A Aparição manda a Bernadette rezar o terço pelas suas contas e não pelas duma companheira, Paulina Sans, que lhe tinha pedido para usar as suas.

13ª Aparição – 2 de Março
A Virgem pede: – Vai dizer aos sacerdotes que tragam aqui o povo em procissão e que me construam uma capela.

14ª Aparição – 3 de Março
A Senhora não aparece à hora habitual, mas sim ao entardecer e deu a explicação: – Não me viste esta manhã porque havia pessoas que desejavam examinar o que fazias enquanto eu estava presente. Mas elas eram indignas. Tinham passado a noite na gruta, profanando-a.

15ª Aparição – 4 de Março
No segundo mistério do primeiro terço, Bernadette começa a ver Nossa Senhora. Acabou esse terço e rezou outros dois, refletindo ora alegria, ora tristeza. Durante esta quinzena, Nossa Senhora comunicou à menina três segredos e uma oração com esta ordem: – Proibo-te de dizer isto, seja a quem for.

16ª Aparição – 25 de Março
Na manhã da festa da Anunciação dirigiu-se para a gruta a privilegiada menina. “Peguei no terço – escreve ela. Enquanto rezava, assaltava-me teimosamente o desejo de lhe pedir que dissesse o seu nome. Receava, porém, ser importuna com uma pergunta que já tinha ficado sem resposta mais de uma vez… Num impulso, que não me foi possível conter, as palavras saíram-me da boca… – Senhora, quereis ter a bondade de me dizer quem sois? A única resposta foi uma saudação de cabeça, acompanhada dum sorriso. Nova tentativa, seguida de idêntica resposta. A terceira vez que lhe perguntei, tomou um ar grave e humilde. Em seguida, juntou as mãos, ergueu-as… olhou para o céu… depois, separando lentamente as mãos e inclinando-as para mim, deixando tremer um pouco a voz, disse-me: – Eu sou a Imaculada Conceição”.

17ª Aparição – 7 de Abril
Nossa Senhora nada disse, mas verificou-se nesta aparição o chamado milagre da vela. A vela benta, que Bernadette segurava, escorregou lhe pela mão atingindo-lhe os dedos. – Meu Deus, ela queima-se! – gritam várias pessoas. – Deixem-na estar! – ordena o Dr. Dozous. Bernadette não se queimou.

18ª Aparição -16 de Julho
Como é festa de Nossa Senhora do Carmo, a Vidente assiste à missa e comunga na igreja. À tarde sente que Deus a chama para a gruta, mas não pode aproximar-se devido à sebe e aos soldados que, por malvada ordem do governo, cercam o recinto. A menina contempla a Senhora, de além do rio e da sebe. “Não via o rio, nem as tábuas – explicará ela mais tarde. Parecia-me que, entre mim e a Senhora, não havia mais distância que nas outras vezes. Só a via a Ela. Nunca a vi tão bela”. Foi o último adeus da Senhora até ao céu.

 

Saúde dos enfermos
http://blog.cancaonova.com/padrejoaozinho/2009/03/26/31-saude-dos-enfermos/

Algumas palavras são muito ricas de significados. A palavra “cura”, por exemplo, pode significar a solução para um mal que aflige o nosso corpo ou também o “cuidado” que umamãe tem por seu filho. Podemos dizer que Maria “cuida” de cada um de nós, ou seja, ela nos “cura”. É isso mesmo. Certa vez entrei em um hospital e havia na parede uma lista de nomes com a inscrição “Conselho Curador”. Perguntei se eram os médicos daquela casa. A recepcionista respondeu prontamente: “- Não, padre, são os nossos benfeitores e o grupo que cuida deste hospital”. Entendi que cuidar e curar é a mesma coisa. Há crianças que, quando estão um pouco doentes, ficam boas só de encontrar o refúgio no colo materno. Cheiro de mãe cura. Infelizmente, nos dias de hoje, não podemos dizer isso de todas as ães. Mas tems uma mãe no céu que sempre está pronta para nos dar seu colo, seu cuidado, sua cura. Você já ouviu falar de São João Maria Vianei? É o padrono de todos os párocos. Ele é cconhecido também como Santo Cura D’Ars. Sabe por quê? Ele era o pároco da pequena cidade francesa de Ars. Ali, como se dizia na época, ele era  “cura das almas”. Ou seja, ele “cuidava” do rebanho do Senhor. Mais uma vez vemos que cura é cuidado. Quem sabe cuidar das pessoas está colaborando com a sua cura. É por isso que chamamos Maria de “Saúde dos Enfermos”. Ela é mãe de todas as mães e cuida de nós… e cura cada um de nós. Quer saúde? Procure o colo de Maria.

A palavra “saúde” também tem raízes de vários significados. Salutar pode ignificar saudável ou salvífico. Quando Jesus realizava curas, na verdade estava fazendo o silencioso sermãode anunciar um Reino onde não haverá doenças, nem pranto, nem dor: o Reino nos céus, da salvação. Quando perguntaram se ele era de fato o Messias, ao invés de fazer um discurso ele simplesmente mandou olhar os sinais de vida que estavam acontecendo. Paralíticos andando, cegos vendo, leprosos purificados! O Reino havia chegado. É sempre assim. O Reino dos céus está no meio de nós, mas aguardamos sua plenitude para um dia junto de Deus.

Uma ocasião Jesus curou dez leprosos de uma vez. Somente um voltou para agradecer. Este recebeu o elogio de Jesus: “- Vai em paz, tua fé te salvou”. Viu o detalhe? Nove foram curados. Somente um foi salvo, porque mudou de vida. São tantos milagres que Deus realiza todos os dias. Alguns deles são realmente incríveis. Até os médicos ficam admirados com algumas curas que para a medicina seriam impossíveis. Mas será que todos estes estarão no céu? Este já é um outro discurso. Precisamos corresponder aos dons de Deus. Neste sentido, Maria não quer apenas a nossa cura física, sem somente a saúde do nosso corpo. Ela quer colaborar com a nossa saude eterna, ou seja, com a nossa salvação.

Ao enviar seus apóstlos em missão, Jesus lhes deu o poder de curar toda espécie de doença (Mc 16,18). De modo ainda mais sublime, Maria recebeu este ministério. Não erra quem se consagra aos cuidados da Mãe de Deus. Ela é realmente a “saúde dos enfermos”. A Igreja repete esta mesma invocação na celebração litúrgica da Unção dos Enfermos. Antes de ungir o doente, pedimos a intercessão da mãe.

Conheço muitos doentes que vivem o ministério da dor em uma cama de hospital. Como faz bem aquela visita serena e pacífica! Visitar os doentes é uma obra de misericórdia. Em cada um deles encontramos a face desfigurada do próprio Cristo sofredor. Devemos ser portadores desta boa notícia de cura e salvação. Levemos conosco  exemplo de Maria, saúde dos enfermos. Uma boa idéia é levar uma pequena estampa ou até um terço abençoado para aquele doente. Quem está enfermos precisa segurar na mãe de alguém. O terço é um jeito de segurar nas mãos de Maria, que nos leva até o Coração de seu Filho, aonde encontramos refúgio seguro.

Saúde dos enfermos, rogai por nós!

 

Santíssimo Nome de Maria
O Nome  de Maria é nome de salvação para os regenerados, sinal de todas as virtudes, honra da castidade; é o sacrifício agradável a Deus; é a virtude da hospitalidade; é a escola de santidade;  é, enfim, um nome completamente maternal.  

O nome de Maria é como um bálsamo que corre agradavelmente sobre os membros dos enfermos e os penetra com eficácia. Ele é semelhante a este óleo que, por suas unções, reanima e suaviza, dá força, flexibilidade e saúde. Mais do que o nome de todos os Santos. O de Maria nos repousa de nossas fadigas, cura todos os nossos males, ilumina nossa cegueira, comove nosso endurecimento e nos encoraja em nossos desânimos. Maria é a vida e a respiração de seus servidores, a saúde dos enfermos, o remédio dos pecadores. Ricardo de São Vítor, interpretando estas palavras do Eclesiastes (VII, 2): “É melhor o bom nome do que os bálsamos preciosos”, as aplica assim à Bem-aventurada Virgem: “O nome de Maria cura os males do pecador com maior eficácia do que a dos unguentos mais procurados; não há doença, por desastrosa que seja, que não ceda imediatamente à voz desse bendito nome”.

O nome de Maria abre o coração de Deus e põe todos os  seus tesouros à disposição da  alma que o invoca.

Nosso Divino Salvador, se não me engano, no-lo quis recomendar quando, ressuscitando dos mortos, o primeiro nome que aflorou em seus lábios foi o de Maria.

Com efeito, dirigindo-se à Madalena, a primeira a quem Ele aparecia após sua Ressurreição, disse-lha (Jo XX, 16): “Maria”, para nos significar que o nome de Maria encerra a vida em si mesmo, e se harmoniza tão bem com a vida imortal, que merece ser o primeiro a sair da boca do Salvador, já em possessão da imortalidade. Esta reflexão é de Cesário, em sua bomilia sobre a Visitação.

Nome que desarma e abre o coração de Deus, em favor dos homens  
E acrescentamos com o Pe. J. Guibert, que assim se expressa na sua Meditação para a festa do Santo Nome de Maria: “O nome de Maria desarma o coração de Deus. Não há pecador, por mais criminoso, que pronuncie em vão esse nome. Embora merecesse, por suas faltas, todas as cóleras do céu, ele se vê protegido como por inviolável pára-raios, logo que articule o nome de Maria.

A este nome, o perdão desce infalivelmente sobre as almas pecadoras, não porque tenha Ela o direito de concedê-lo, mas porque é onipotente para implorá-lo – Omnipotentia suppex. O nome de Maria abre o coração de Deus e põe todos os seus tesouros à disposição da alma que o invoca.

A História nos ensina que uma multidão de Santo caridosos fizeram voto de jamais recusar a esmola que lhes fosse pedida em tal ou tal nome. Assim que ouviam o nome amada, eles davam, davam sempre, até o último óbulo e até suas próprias vestimentas. O nome de Maria tem esse poder mágico sobre o coração de Deus. Deus Filho, Jesus Cristo, entrega tudo o que tem àqueles que Lhes estendem a mão em nome de sua Mãe; Deus Padre, fonte de toda riqueza, concede toda graça àqueles que mendigam diante dEle invocando o nome de sua Filha Bem-amada. (…)

Nome de salvação e de alegria  
O nome de Maria é um nome salvador, sobretudo nos perigos de ordem moral. Quantas tentações por ele foram vencidas, quantos pecados evitados, quantos imundos corações purificados, quantas penosas confissões extraídas de almas que se cria para sempre fechadas!   É também um nome de consolação e de alegria. Ele dissipa a tristeza na alma que o pronuncia. Tendes medo de Deus e de seus julgamentos? Pensai em Maria e invocai seu nome: vossa confiança em Deus renascerá. Tendes medo dos homens, diante dos quais vos cobristes de vergonha e perdestes a reputação? Pensai em Maria e invocai seu nome: e não tereis mais receio de levantar os olhos diante de vossos semelhantes. Esmaga-vos o peso da humilhação ou da dor física? Pensai em Maria, invocai seu nome, e sereis aliviado. Tendes a horrível morte que rompe e põe fim a tudo? Pensai em Maria, invocai seu nome, e tereis coragem de aceitar esse supremo sacrifício.

“Este nome tem mais virtude do que todos os nomes dos Santos para confortar os débeis, curar os enfermos, iluminar os cegos, abrandar os corações endurecidos, fortificar  os que  combatem, dar ânimo aos cansados e derrubar o poderio dos demônios”

Nome de força  
O nome de Maria, enfim, é um nome de força. Quaisquer que sejam os inimigos que vos ameaçam, venham eles do Inferno, como o demônio que vos tenta; ou venham do mundo, como os adversários que vos perseguem, invocai o poderoso nome de Maria e a todos vencereis.

Quaisquer que sejam vossas próprias fraquezas, provenham elas do orgulho, da inveja, da sensualidade ou da preguiça, confiai vosso débil coração à solicitude da Virgem, invocai o poderoso nome de Maria, e vos vencereis a vós mesmos.

Precioso tesouro da Santíssima Trindade  
Recolhendo opiniões dos santos Doutores sobre o nome de Maria, traça São João Eudes esta admirável síntese:

“O nome de Maria, diz Santo Antônio de Pádua, é júbilo para o coração, mel na boca e doce melodia no ouvido.”

“Bem-aventurado o que ama vosso nome, ó Maria (é São Boaventura quem fala), porque este santo nome é uma fonte de graça que refresca a alma sedenta e a faz produzir frutos de justiça.”

“Ó Mãe de Deus, diz o mesmo Santo, que glorioso e admirável é vosso nome. O que o leva em seu coração se verá livre do medo da morte. Basta pronunciá-lo para fazer tremer a todo inferno e por em fuga a todos os demônios. O que deseja possuir a paz e a alegria do coração, que honre vosso santo nome.”

“O nome de Maria, diz São Pedro Crisólogo, é nome de salvação para os regenerados, sinal de todas as virtudes, honra da castidade; é o sacrifício agradável a Deus; é a virtude da hospitalidade; é a escola de santidade; é, enfim, um nome completamente maternal.”

“Ó amabílissima Maria, exclama também São Bernardo, vosso santo nome não pode passar pela boca sem abrasar o coração! Os que Vos amam não podem pensar em Vós, sem um consolo e um gozo muito particulares. Nunca entrais sem doçura na memória dos que Vos honram.”

“Ó Maria, diz o Santo Abade Raimundo Jordão, o chamado Idiota, a Santíssima Trindade Vos deu um nome que, depois do de vosso Filho, está acima de todos os nomes; nome a cuja pronunciação devem dobrar o joelho todas as criaturas do Céu, da terra e do Inferno, e toda língua confessar e honrar a graça, a glória e a virtude do santo nome de Maria. Porque, depois do nome de vosso Filho, não há quem seja tão poderoso para nos assistir em nossas necessidades, nem de quem devamos esperar mais os socorros que necessitamos para nossa eterna salvação.”

“Este nome tem mais virtude do que todos os nomes dos Santos para confortar os débeis, curar os enfermos, iluminar os cegos, abrandar os corações endurecidos, fortificar os que combatem, dar ânimo aos cansados e derrubar o poderio dos demônios” (…).

“Ouçamos a São Germano de Constantinopla: “Como a respiração, diz, não só é o sinal como também a causa da vida, assim quando vedes cristãos que tem com frequência o santo nome de Maria na boca, é sinal de que estão vivos com a verdadeira vida. O afeto particular que se tem a este sagrado nome, dá vida aos mortos, a conserva nos vivos, e os enche de gozo e de benção.”

O nome de Maria é um nome salvador, sobretudo  nos perigos de ordem moral. Quantas tentações por ele  foram vencidas, quantos pecados evitados,  quantos imundos corações   purificados, quantas penosas confissões  extraídas  de almas que se cria  para sempre fechadas!

Numa palavra, quem diz Maria, diz o mais precioso tesouro da Santíssima Trindade, como afirma Orígenes.

Quem diz Maria, diz o mais admirável ornamento da casa de Deus. Quem diz Maria, diz a glória, o amor e as delícias do Céu e da Terra.

Nome terrível para os demônios 
Concluímos com estas fervorosas palavras do venerável Tomás de Kempis, a respeito do glorioso nome da Mãe de Deus:

Os espíritos malignos tremem ante a Rainha dos Céus, e fogem como se corre do fogo, ao ouvir seu santo nome. Causa-lhes pavor o santo e terrível nome de Maria, que para o cristão é um extremo amável e constantemente celebrado.

Não podem os demônios comparecer nem poder por em jogo suas artimanhas onde vêem resplandecer o nome de Maria. Como trovão que ressoa no céu, assim caem derrubados ao ouvirem o nome de Santa Maria. E quanto mais amiúde se profere este nome, e mais fervorosamente se invoca, mais céleres e para mais longe escapam.

Nome a ser continuamente invocado  
De outro lado, os Santos Anjos e os espíritos dos justos se alegram e se deliciam com a devoção dos fiéis, ao verem com quanto afeto e frequência celebram estes a memória de Santa Maria, cujo glorioso nome aparece em todas as igrejas do orbe, que tem especialmente consagradas a seu louvor. E é justo e digno que acima de todos os Santos seja honrada na Terra a Mãe de Deus, a quem os Anjos veneram todos a uma só voz, com sublimes cânticos.

Seja, pois, o nome de Maria venerado por todos os fiéis, sempre amado pelos devotos, vinculado aos religiosos, recomendado aos seculares, anunciado pelos pregadores, infundindo aos atribulados, invocado em toda sorte de perigos. É desejo de Deus que os homens amem a Nossa Senhora.

É desejo de Deus que os homens amem a Nossa Senhora   Devemos amar a Santíssima Virgem – escreve Santa Antônio Maria Claret – porque Deus o quer. (…) Ele próprio nos dá exemplo e nos incita a amar a Maria: O Padre Eterno A escolheu por Filha sua muito amada; o Filho Eterno A tomou por Mãe, e o Espírito Santo, por Esposa. Toda a Santíssima Trindade A coroou como Rainha e Imperatriz do Céu e da terra, e A constituiu dispensadora de todas as graças (…)

Devemos amar a Maria Santíssima porque Ela o merece, pelo cúmulo de graças que recebeu sobre a Terra, pela eminência da glória que possui no Céu, pela dignidade quase infinita de Mãe de Deus a que foi exaltada, e pelas prerrogativas inerentes a esta sublime dignidade. (…) Devemos amar a Maria Santíssima e ser seus devotos verdadeiros, porque a devoção a Ela é um meio poderosíssimo para alcançar a salvação.

Bem-aventurados os que amam a Maria
Feliz, feliz aquele que Vos ama, ó Maria, Mãe dulcíssima” – exclama Santo Afonso de Ligório. São João Berchmans, da Companhia de Jesus, costumava dizer: Se amo a Maria, estou certo da minha perseverança e de Deus obtenho tudo o que quiser. Renovava por isso sem cessar este propósito: Quero amar a Maria, quero amá-La sempre.

Oh! como esta boa Mãe excede em amor a todos os seus filhos! Amem-Na estes quanto puderem, sempre serão vencidos pelo amor que lhes consagra Maria, observa Pseudo-Inácio, mártir.

Tenham-lhe a mesma ternura de amor com que A tem amado tantos de seus servos, que já nem sabiam o que mais fazer como prova muito que Lhe bem-queriam. (…)

O nome de Maria cura os males do pecador com maior eficácia do que a dos unguentos mais procurados; não há doença, por desastrosa que seja, que não ceda  imediatamente à voz desse bendito nome”.

Estava uma vez ao pé de uma imagem de Maria o Venerável Afonso Rodriguez, da Companhia de Jesus. Abrasado de amor para com a Santíssima Virgem, disse-lhe: Minha Mãe amabilíssima, bem sei que Vós me amais; mas Vós não me quereis tanto quanto eu Vos amo. Então, Maria, como que ofendida em seu amor, lhes respondeu: Que dizes, Afonso, que dizes? Oh! Quanto é maior o meu amor por ti do que o teu por Mim! Sabe, lhe disse, que do meu amor ao teu há mais distância do que do céu à Terra.

Tem, pois, razão São Boaventura ao exclamar: Bem-aventurados aqueles que tem a felicidade de ser fiéis servos e amantes desta Mãe amantíssima! Sim, porque esta gratíssima Rainha não admite que em amor A vençam os seus devotos servidores. Maria, imitando nisto a Nosso Senhor Jesus Cristo, com seus benefícios e favores dá a quem A ama o seu amor duplicado.

Ao amor de Mãe, deve corresponder nosso amor de filhos   Sendo assim, ao amor de Mãe que nos tem Maria, devemos corresponder com nosso amor de filhos. Pois é justo que nosso coração se mostre conquistado pelo seu. Se nós A amamos, devemos nos comprazer com sua lembrança, falar dEla com agrado e obedecê-La com diligência (…)

Devemos nos esforçar por imitá-La. A mais bela homenagem que um filho pode render à sua mãe é de lhe reproduzir os traços em sua própria conduta. Que nosso coração, portanto, seja semelhante ao de Maria. Antes de tudo, que ele seja puro como o dEla; evitemos, pois, a imundície do pecado. Que nosso coração seja bom e terno como o dEla; compassivo, acolhedor, benévolo, generoso. Portanto, que nada exista de duro em nossos pensamentos nem em nossas palavras, em relação ao nosso próximo.

Enfim, que nosso coração seja forte, como o dEla, indomável quando se trata da salvação das almas, não abandonando jamais o terreno, quando nos tenha sido confiado o regate de uma alma, trabalhando para isto com o perigo de nossa própria vida. Portanto, nada dessas timidezes que se recusam a abordar as almas, nada de covardias que recuam diante dos dificuldades.

(Clá Dias, João – Pequeno Ofício da Imaculada Conceição Comentado, Artpress, São Paulo, 1997, p. 299 à 304)

Nenhum comentário ainda

Comentários desativados

Desenvolvido por Origy Networks – Criação de sites e propaganda