Carnaval: alegria ou fuga?

Prof. Felipe Aquino

Estamos próximos de mais um carnaval (o “carne vale”), ou o “currus navalis”, que os gregos e romanos antigos faziam, usando um enorme carro em forma de navio, para homenagear o deus Dionísio ou Baco, o deus do vinho.

A Igreja procurou dar uma nova mentalidade a essas festas pagãs, eliminando toda mitologia e superstição, bem como a orgia que, muitas vezes, predominava nelas. Portanto, não foi a Igreja quem instituiu o carnaval, mas foi ela quem procurou dar novos rumos ao que já acontecia. Conseguiu fazer com que, com muita luta, essa festa popular ficasse restrita a apenas três dias antes da Quaresma.

Com o passar do tempo, sobretudo no Brasil, o carnaval descambou para a dissolução dos costumes, especialmente nos bailes e nas escolas de samba, em cujos desfiles predominam o luxo, a esnobação de artistas, o exibicionismo em forma de nudismo e toda espécie de erotismo. Pode-se chamar a isso de “alegria”? Não! Alegria é a satisfação do espírito liberto das paixões, não a satisfação da carne. Quem se entrega ao pecado é escravo dele, disse São Paulo. Esquece-se de que os Mandamentos de Deus são o caminho da libertação. Entre eles estão o Sexto e o Nono Mandamentos: “Não pecar contra a castidade” e “Não desejar a mulher do próximo” (cf. Êxodo 20, 1-17; Deuteronômio 5, 1-21).

Jesus, em inúmeras passagens de Suas pregações, mandou cumprir esses preceitos. Diz São Paulo: “Nem os impudicos, nem idólatras, nem adúlteros, nem depravados, nem de costumes infames, nem ladrões, nem cobiçosos, como também beberrões, difamadores ou gananciosos terão por herança o Reino de Deus” (1 Cor 6,9; Rom 1, 24-27). O apóstolo condena a prostituição (cf 1 Cor 6,13 ss, 10,8; 2 Cor 12,21; Col 3,5).

No Sermão da Montanha, o Senhor Jesus interpreta de maneira rigorosa o plano de Deus: “Ouvistes o que foi dito: ‘Não cometerás adultério’. Eu, porém, vos digo: todo aquele que olha para uma mulher com desejo libidinoso já cometeu adultério com ela em seu coração” (Mt 5,27-28). Cristo proclamou: “Bem-aventurados os puros, porque eles verão a Deus”.

É triste observar que até o Governo estimula esse desregramento com uma ampla distribuição de “camisinhas”, para que os foliões “pequem à vontade” sem perigo de contaminação. O Papa São João Paulo II assim se expressou sobre o uso desse preservativo: “Além de que o uso de preservativos não é 100% seguro, liberar o seu uso convida a um comportamento sexual incompatível com a dignidade humana […]. O uso da chamada camisinha acaba estimulando, queiramos ou não, uma prática desenfreada do sexo […]. O preservativo oferece uma falsa ideia de segurança e não preserva o fundamental” (PR, nº 429/1998, pag. 80).

As consequências da imoralidade liberada no carnaval, para muitos, são terríveis: uso de drogas, “sexo livre”, sem responsabilidade, famílias destruídas, mães e pais jovens solteiros; filhos, muitas vezes, abandonados ou em orfanatos, e muitas crianças “órfãs de pais vivos”, como disse São João Paulo II aqui no Brasil. No ano passado um carro alegórico de escola de samba pegou fogo em Santos; ao menos quatro pessoas morreram.

O homem quer a felicidade, foi feito para a felicidade, mas muitos se esquecem de que “Deus é a felicidade”, e é inútil procurar onde ela não existe. Longe de odiar esses “irmãos enganados”, vamos trazê-los para perto de Deus nesses “dias maus”! Sabemos que essa festa, para muitos, é fuga de seus problemas, de uma vida sem sentido, de um vazio insuportável na alma, que precisa ser esquecido… Rezemos por todos eles!

Por tudo isso o cristão deve aproveitar esses dias de folga para descansar, rezar, estar com a família e se preparar para o começo da Quaresma, na Quarta-feira de Cinzas. O cristão não precisa dessa “alegria falsa”, que, quando passa, deixa sabor de morte; pois o prazer é satisfação do corpo, mas a verdadeira alegria é a satisfação da alma, e esta é espiritual.

 

Reflita sobre suas atitudes durante o carnaval

O carnaval está se aproximando, e muitos aproveitam essa oportunidade para extravasar e fazer tudo o que em dias normais não lhes é permitido. Será que realmente para ser feliz é preciso desfrutar de sentimentos passageiros e supérfluos? O que leva os indivíduos a cometerem tantos excessos durante o carnaval, esquecendo-se da vida real para viver uma fantasia?

Segundo a psicóloga Judinara Braz, é preciso que cada um se preserve e tome cuidado com o seu comportamento durante essa festa popular, porque a ideologia divulgada neste momento é de que “tudo está liberado”, ou seja, para se divertir vale tudo.

“É preciso fazer a opção pela vida e negar as tendências que nos descaracterizam como filhos de Deus”, aconselha psicóloga.

“Não podemos nos influenciar pelos estímulos que este ambiente nos oferece. Lembrando que, no meio da multidão, os estímulos não aparentam ser agressivos, porque têm a desculpa de que ‘é para ser feliz’, mas as consequências destes são extremamente agressivas”, salienta Judinara.

A psicóloga ressalta que é importante que as pessoas tenham consciência das suas ações e que não percam o equilíbrio. Durante a folia os convites são muitos, mas nós não devemos nos esquecer de nossos valores em tempo algum.

“Acredito que as consequências disso são tão sérias que este folião precisa realmente pensar no sentido da sua vida, porque a ‘ressaca moral’ agride a sua imagem e o que ele é. As pessoas não esquecem com facilidade o que você fez, e você também não consegue fazer isso. Não adianta sentir uma ‘ressaca moral’ se você não sentir a necessidade de mudar a sua postura. Se não há mudança de vida, este tipo de comportamento vai se repetir de carnaval em carnaval”, explicou a especialista.

Ela esclarece que o “peso na consciência” depois de uma atitude impensada ou precipitada deve nos servir como o começo para uma autorreflexão sobre o nosso comportamento, de forma a termos consciência dos nossos limites, e alerta sobre o fato de que o vazio e a angústia que sentimos não podem ser preenchidos com sentimentos passageiros.

“É importante que as pessoas reflitam que tudo isso só dura cinco dias, e nada ali é eterno, mas que pode as afastar do Eterno. É preciso fazer a opção pela vida e negar as tendências que nos descaracterizam como filhos de Deus. Portanto, para curar as feridas precisamos estar nos lugares e com as pessoas certas para que esse vazio seja preenchido”, recomenda a psicóloga.

Para desfrutarmos das verdadeiras alegrias da vida, com discernimento e prudência, precisamos ter um encontro pessoal com o Senhor para conhecê-Lo e nos conhecermos também.

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