Nossa Senhora de Lourdes – Dia Mundial do Enfermo

“Abriu-se o Templo de Deus no céu” (Ap 11, 19); o véu da fé rasgou-se e deixou-nos passar, a fim de vermos o céu, o que se passa lá em cima, a sua glória e perene juventude, a sua força e o seu poder.

Isto é Lourdes: a porta do céu que se entreabre. Quando a ciência médica e cirúrgica pensava ter atingido o zênite de progresso, a Virgem Santíssima valia àqueles que os médicos desenganavam. Quando a ciência racionalista se ria do sobrenatural e tinha como infantis os Vaticanistas que aceitavam a palavra infalível do “ultrapassado” Pontífice, que a 8 de dezembro de 1854 definira solenemente a Imaculada Conceição, a muralha do sobrenatural deu passagem a Maria e ela apareceu no Sul da França a uma menina do campo, e disse-lhe também: “Sou a Imaculada Conceição”.

De 11 de fevereiro a 10 de julho, a bem-aventurada Virgem Imaculada dignou-se transmitir uma missão durante 18 aparições:

1ª aparição – 11 de fevereiro.
Na manhã dessa quinta-feira, as duas irmãs Bernadette e Antonieta, e uma amiga Joana Abadie, procuravam lenha junto à gruta de Massabielle, nas margens do rio Gave. As duas pequenas saltam sem dificuldade um regato. Bernadette descalça-se para meter os pés na água e passar ao outro lado. Entretanto – escreve ela – “vi numa cavidade do rochedo uma moita, uma só, que se agitava como se houvesse muito vento. Quase ao mesmo tempo saiu do interior da gruta uma nuvem dourada, e logo a seguir uma Senhora nova e bela, bela mais que todas as criaturas, como eu nunca tinha visto nenhuma. Veio pôr-se à entrada da concavidade, por cima do tufo de mato. Logo olhou para mim, sorriu-me e fez-me sinal para que me aproximasse, como o faria minha mãe. Tinha-me passado o medo, mas parecia-me que não sabia onde estava. Esfreguei os olhos, fechei-os, tornei-os a abrir; mas a Senhora estava lá sempre, continuando a sorrir e fazendo-me compreender que eu não estava enganada. Sem saber o que fazia, tomei o terço e ajoelhei-me. A Senhora aprovou com um sinal de cabeça e passou para os seus dedos um rosário que trazia no braço direito. Quando quis começar a rezar e erguer a mão à testa, o meu braço ficou imóvel, como que paralisado. Só depois de a Senhora fazer o sinal da cruz é que eu o pude fazer também. A Senhora deixava-me rezar sozinha. Ela apenas passava as contas pelos dedos, sem falar. Só no fim de cada mistério dizia comigo: Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Quando acabou a reza, a Senhora voltou a entrar do interior do rochedo e a nuvem de ouro desapareceu com Ela”. A quem lhe perguntava como era a Senhora, Bernadette fazia esta descrição: “Tem as feições duma donzela de 16 ou 17 anos. Um vestido branco cingido com faixa azul até aos pés. Traz na cabeça véu igualmente branco, que mal deixa ver os cabelos, caindo-lhe pelas costas. Vem descalça, mas as últimas dobras do vestido encobrem-lhe um pouco os pés. Na ponta de cada um sobressai uma rosa dourada. Do braço direito pende um rosário de contas brancas encadeadas em ouro, brilhante como as duas rosas dos pés”.

2ª aparição – 14 de fevereiro.
Tudo, mais ou menos, como na primeira. Temendo que fosse alguma alma do outro mundo, como lhe tinham dito, Bernadette asperge o penedo com água benta. “Ela não se zanga” diz a pequena com satisfação. “Pelo contrário, sorri para todos nós”. Nestas duas primeiras aparições, Nossa Senhora nada disse, além de rezar os Glórias dos mistérios.

3ª aparição – 18 de fevereiro.
A celestial aparição pergunta delicadamente à menina: “Queres fazer-me o favor de vir aqui durante 15 dias?” – “Assim o prometo” – respondi. “Também eu prometo fazer-te feliz, não neste, mas no outro mundo”.

4ª aparição – 19 de fevereiro.
Enquanto a vidente rezava, uma multidão de vozes sinistras, que pareciam sair das cavernas da terra, cruzaram-se e entrechocaram-se, como os clamores duma multidão em desordem. Uma dessas vozes, que dominava as outras, gritava em tom estridente, raivoso, para a pastorinha: Foge! Foge daqui! Nossa Senhora ergueu a cabeça, franziu ligeiramente a fronte e logo aquelas vozes fugiram em debandada.

5ª aparição – 20 de fevereiro.
Nossa Senhora ensinou pacientemente, palavra por palavra, uma oração só para Bernadette, que ela devia repetir todos os dias.

6ª aparição – 21 de fevereiro.
“A Senhora – escreve a vidente – desviou durante um instante de mim o seu olhar, que alongou por cima da minha cabeça. Quando voltou a fixá-lo em mim, perguntei-lhe o que é que a entristecia e Ela respondeu-me: “Reza pelos pecadores, pelo mundo tão revolto.”

7ª aparição – 23 de fevereiro.
A Vidente, caminhando de joelhos e beijando o chão, vai do lugar onde se encontrava até à gruta. Nossa Senhora comunica-lhe um segredo que a ninguém podia revelar.

8ª aparição – 24 de fevereiro.
A Santíssima Virgem disse estas palavras: “Reza a Deus pelos pecadores! Penitência! Penitência! Penitência! Beija a terra em penitência pela conversão dos pecadores!”

9ª aparição – 25 de fevereiro.
“A Senhora disse-me: “Vai beber à fonte e lavar-te nela.” Não vendo ali fonte alguma, eu ia ao rio Gave beber. Ela disse-me que não era ali. Fez-me sinal com o dedo mostrando-me o sítio da fonte. Para lá me dirigi. Vi apenas um pouco de lama. Meti a mão e não pude apanhar água. Escavei e saiu água mais suja. Tirei-a três vezes. À quarta já pude beber”. Era a água milagrosa que tantos prodígios tem realizado. Nossa Senhora mandou-lhe ainda fazer esta penitência pelos pecadores: “Come daquela erva que ali está!” Quando troçavam da pequena por tão estranha ordem, respondia: – “Mas vocês também não comem salada!?”

10ª e 11ª aparições – 27 e 28 de fevereiro.
Na primeira destas visitas, a Virgem Imaculada tornou a mandar beijar o chão em penitência pelos pecadores; na segunda sorriu e não respondeu quando a Vidente lhe perguntou o nome.

12ª aparição – 1º de março.
A Aparição manda a Bernadette rezar o terço pelas suas contas e não pelas duma companheira, Paulina Sans, que lhe tinha pedido para usar as suas.

13ª aparição – 2 de março.
A Virgem pede: “Vai dizer aos sacerdotes que tragam o povo aqui em procissão e que me construam uma capela”.

14ª aparição – 3 de março.
A Senhora não aparece à hora habitual, mas sim ao entradecer e deu explicação. “Não me viste esta manhã porque havia pessoas que desejavam examinar o que fazias enquanto eu estava presente. Mas elas eram indignas. Tinham passado a noite na gruta, profanando-a”.

15ª aparição – 4 de março.
No segundo mistério do primeiro terço, Bernadette começa a ver Nossa Senhora. Acabou esse terço e rezou outros dois, refletindo ora alegria, ora tristeza. Durante esta quinzena, Nossa Senhora comunicou à menina três segredos e uma oração com esta ordem: “Proíbo-te de dizer isto, seja a quem for”.

16ª aparição – 25 de março.
Na manhã da festa da Anunciação dirigiu-se para a gruta a privilegiada menina. “Peguei no terço – escreve ela – Enquanto rezava, assaltava-me teimosamente o desejo de lhe pedir que dissesse o seu nome. Receava, porém, ser importuna com uma pergunta que já tinha ficado sem resposta mais de uma vez… Num impulso, que não me foi possível conter, as palavras saíram me boca… – Senhora, quereis ter a bondade de me dizer quem sois? A única resposta foi uma saudação de cabeça, acompanhada dum sorriso. Nova tentativa, seguida de idêntica resposta. A terceira vez que lhe perguntei, tomou um ar grave e humilde. Em seguida, juntou as mãos, ergueu-as… olhou para o céu… depois separando lentamente as mãos e inclinando-as para mim, deixando tremer um pouco voz, disse-me: “Eu sou a Imaculada Conceição”.

17ª aparição – 7 de abril.
Nossa Senhora nada disse, mas verificou-se nesta aparição o chamado milagre da vela. A vela benta, que Bernadette segurava, escorregou-lhe pela mão atingindo-lhe os dedos. – Meu Deus, ela queima-se! – gritam várias pessoas. – Deixem-na estar! ordena o Dr. Dozous. Bernadette não se queimou.

18ª aparição – 16 de julho.
Como é festa de Nossa Senhora do Carmo, a Vidente assiste à missa e comunga na igreja. À tarde sente que Deus a chama para a gruta, mas não pode aproximar-se devido à sebe, e aos soldados que, por malvada ordem do governo, cercam o recinto. A menina contempla a Senhora, de além do rio e da sebe. “Não via o rio, nem as tábuas – explicará ela mais tarde. Parecia-me que entre mim e a Senhora, não havia mais distância que nas outras vezes. Só a via a Ela. Nunca a vi tão bela”. Foi o último adeus da Senhora até ao céu.

Desde 1858 até hoje, contínuas multidões se têm reunido em Lourdes, às vezes presididas por papas ou seus legados, e muito mais freqüentemente por bispos e cardeais. Os milagres de curas são estudados com todo o rigor e só reconhecidos quando de todo certos. Mais numerosas são as curas de almas, embora mais difíceis de contar. Como vimos, Nossa Senhora pediu a Bernadette que se dirigisse aos sacerdotes e lhes dissesse que levantassem uma capela no lugar das aparições. “Uma capela!”, comentou um sacerdote a quem foi comunicado o pedido. “Tens tu dinheiro para erguê-la?” “Não tenho”, disse com muita naturalidade a Vidente. – “Pois nós também não. Diz a essa Senhora que to dê”. Maria Imaculada deu mais que dinheiro. Abriu-se o céu, choveram e continuam a chover ainda agora os seus tesouros.

“O dedo de Deus” está em Lourdes há mais de cento e cinquenta e quatro anos. Quanto ao caráter sobrenatural das Aparições, indicamos alguns pensamentos que deveriam ser cotejados com os fatos decorridos: Bernadette estava de perfeita boa fé ao relatar as manifestações recebidas, e, sendo a menos nervosa das meninas, não foi vítima de exaltação entusiasta. O caráter sobrenatural deduz-se da atitude que prudentemente assumiu a hierarquia da Igreja: o pároco, o bispo e tantos outros prelados e mesmo os vários Papas. E tenha-se presente que o estudo dos pretensos milagres se faz em Lourdes por uma comissão médica que trabalha com máxima seriedade.

Qual é a mensagem que se depreende das 18 aparições de Lourdes?
“O elemento principal – responde Laurentin, grande teólogo da Virgem – é a manifestação de Maria na sua Imaculada Conceição… O resto é função deste primeiro elemento e pode também resumir-se numa palavra: em contraste com a Virgem sem mancha, o pecado… Mas, inimiga do pecado, Ela é também amiga dos pecadores, não enquanto estão ligados às suas faltas ou se gloriam delas, mas enquanto se vêem esmagados pelos sofrimentos físicos e morais, conseqüência do pecado. Reduzida à sua expressão mais simples, poderíamos sintetizar desta forma a mensagem de Lourdes: A Virgem sem pecado, que vem socorrer os pecadores. E para isso propõe três meios: a fonte de águas vivas, oração, a penitência”.

Texto extraído de: Leite, José (Org.). Santos de cada dia. 3.ed. Vol. I. Braga: Editorial A.O., 1993. p.206-210. Fonte: http//www.capeladelourdes.org.br/

 

NOSSA SENHORA DE LOURDES

A Imaculada e a Camponesa.
A história do acontecimento de Lourdes tem momentos de excepcional humanidade, sobretudo no que se refere ao diálogo entre Maria e Bernadete Soubirous. A Senhora dá dignidade á camponesa e a camponesa, apesar de sua extrema simplicidade e pouca instrução, reconhece perfeitamente isso.

Entre a Senhora e a serva, só existe Deus.
A senhora vive a plenitude das Bem-aventuranças; a serva percorre ainda o estreito caminho até elas. A Senhora é Imaculada; a serva é inocente, e ambas dialogam como mãe e filha, na intimidade. A Senhora é “a serva do Senhor”, em que foi feita a vontade dele; a serva está disponível a servir com fiel humildade. A Senhora pede a conversão, à volta á inocência vigorosa do Batismo; a serva vai e escava a terra e a água brota e jorra até hoje. A Senhora aponta para o grande dom da Eucaristia; a serva não quer outro pão, como nada mais desejam os milhões de peregrinos que ali vão até hoje.

Entre a Senhora e a Serva, só existe Cristo Jesus.
154 anos (1858-2012) nos separam das 16 aparições que mudaram a vida da camponesa e daquele pequeno povoado, que iluminaram a vida da Igreja. A Senhora continua a dialogar com os servos: a quem chega, sobretudo aos doentes, ela oferece seu regaço de mãe, sua paciência amorosa, seu zelo acolhedor, seus cuidados extremados. Não há dor que não encontre consolo e alívio nos braços da mãe. Continua a Senhora a pedir nossa conversão, a apontar para seu filho, e sorri comovida durante a celebração das missas que sucedem como um louvor contínuo ao Senhor da vida. Nas noites, quando se apagam as velas da longa procissão, quando se calam os cantos em todas as línguas, os servos voltam á gruta para escutar a Senhora e, na alegria da intimidade, conversar sobre Jesus.

Nossa Senhora de Lourdes, Rogai por de nós!
Santa Bernadete, ensina-nos a ouvir a Imaculada!

 

APARIÇÕES DE NOSSA SENHORA

APRESENTAÇÃO
Apresento e Aprovo as Orientações contidas em “ALGUMAS QUESTÕES SOBRE AS APARIÇÕES DE NOSSA SENHORA”, de Pe. Otacílio F. Lacerda, e gostaria de salientar que estas devoções como outras que são aprovadas pela Igreja não substituem a Bíblia e a Tradição da Igreja, fontes legítimas da Revelação. Estas devoções são legítimas enquanto estejam concordes e ajudem a vivenciar a verdadeira revelação (Bíblia e Tradição) + Dom Luiz Gonzaga Bergonzini Guarulhos, 14 de setembro de 2008. Festa da Exaltação da Santa Cruz

ALGUMAS QUESTÕES SOBRE AS APARIÇÕES DE NOSSA SENHORA
O povo faz muitas perguntas sobre as Aparições de Nossa Senhora. O assunto é complicado e merece ser tratado com cuidado. Vejamos as principais questões que se colocam hoje algumas dicas e orientações pastorais.

1 – As aparições existem mesmo ou são invenção das pessoas?
A pergunta deve ser respondida concretamente para cada caso. Há ocasiões em que há muitos indícios de uma forte presença de Deus, fazendo-nos acreditar que não é algo inventado ou sonhado pelas pessoas. Assim aconteceu em Guadalupe, Lurdes e Fátima. Em outras ocasiões, os sinais são tão confusos, que devemos desconfiar, como quando aparecem videntes fanáticos com mensagens esquisitas, que não estão em sintonia com o Evangelho e a caminhada da Igreja. De qualquer forma, as aparições não são uma comunicação de Deus totalmente pura. Na mensagem do vidente, sempre vêm misturadas as suas experiências psicológicas e culturais, a visão que ele tem do mundo, a mentalidade da época e tantas outras coisas. Por isso a mensagem das aparições não pode ser tomada ao pé da letra, como se fosse uma comunicação “diretinha” de Jesus ou de Nossa Senhora. Devemos separar o que nos parece mais próximo de Deus, daquilo que é limitação humana. Tomar o que é bom e deixar fora o que não nos ajuda a viver na “liberdade dos filhos de Deus” (Gl 5, 1).

2 – Por que só algumas pessoas vêem Nossa Senhora? Ela tem mais fé do que a gente?
O fato de ver ou ouvir Nossa Senhora não significa que os videntes tenham mais fé do que nós. Para um cristão, o mais importante não é ver coisas extraordinárias, mas entregar o coração para Deus, buscar realizar sua vontade e esperar Nele. A fé não precisa de sinais, embora a devamos agradecer muito a Deus quando Ele nos deixa algum sinal. As pessoas que vêem e ouvem Nossa Senhora são chamadas de “videntes” ou “confidentes”. Normalmente, elas têm um poder mental extraordinário, são “sensitivas” ou “paranormais” Captam e interpretam a presença de Deus de maneira mais intensa do que nós. No momento de uma provável “aparição”, elas entram em “êxtase”, uma forma de consciência diferente do normal. Para nós, importa saber que Deus se serve dessa capacidade extraordinária das pessoas para nos comunicar algo de seu amor, através de Maria.

3 – Para que existem aparições, se Deus deixou sua revelação na Bíblia?
As aparições não podem ser uma nova revelação de Deus para completar ou continuar o que Jesus Cristo nos deixou. Elas são uma experiência mística, vivida pelos videntes na presença de Nossa Senhora, para recordar a única revelação de Deus em Jesus Cristo. Os videntes destacam alguns aspectos da vida de fé, como a conversão, a penitência, a renovação da opção pelo Evangelho e a oração. Embora seja uma forma de comunicação extraordinária, as mensagens das aparições não substituem a Bíblia nem o Espírito Santo, que fala no coração de cada cristão e da comunidade.

4 – Por que hoje há tantas prováveis aparições?
O mundo de hoje está em crise, conturbado. A passagem do milênio deixou muitas perguntas sobre o futuro do nosso planeta. As pessoas, desesperadas, confusas, cheias de problemas pessoais e familiares, com medo, procuram na religião alguma coisa segura, na qual se agarrar. Buscam alívio, consolo e algumas certezas para viver. Ficam encantadas com as coisas maravilhosas e mágicas da religião. Todo esse contexto de insegurança, crise, medo e misticismo da atualidade cria um ambiente favorável para surgir e se desenvolver fenômenos místicos extraordinários. Quando se tem notícia de uma possível aparição, as multidões correm para lá, na esperança de encontrar o que buscam. E o fato se divulga logo, com a facilidade dos transportes e dos meios de comunicação (sensacionalismo midiático em busca de audiência).

5 – Como saber se uma aparição é verdadeira ou não?
Dificilmente se pode afirmar com total certeza. Nada como acolher aquelas aparições que a Igreja já reconheceu. Divinamente inspirada, e com a experiência de 20 séculos de História, a Igreja analisa com muito cuidado todas as manifestações supostamente sobrenaturais. Depoimentos são tomados, analisados, revisados. Verifica-se se não há algo que deponha contra a aparição e se nenhum detalhe desabonador foi esquecido. E só após cuidadoso exame a Santa Igreja reconhece a autenticidade desta ou daquela aparição. Mais precisamente: declara-as “dignas de crédito”, sem impor aos fiéis a sua aceitação. A Igreja é cautelosa: antes de se pronunciar a respeito de alguma aparição, manda examinar o caso criteriosamente, pois sabe que muitas vezes os fiéis, com toda boa fé, podem imaginar estar vendo e ouvindo o que não passa de projeções de sua fantasia. Não existe legislação canônica sobre a avaliação do fenômeno das aparições e manifestações miraculosas. O Direito Canônico cala sobre o assunto. O que existe é uma práxis observada pelos bispos e pela Sé Apostólica.
No livro intitulado “Enquête sobre as aparições da Virgem”,* que procura fazer uma análise, com rigor histórico, das diversas aparições marianas ocorridas no século XX. O autor não toma posição nas controvérsias, não se manifestando a favor ou contra esta ou aquela aparição. Limita-se a registrar os fatos. No final da obra, no último capítulo encontra-se uma tabela registrando as aparições desde 1900 até 1993; portanto, durante quase todo o século XX. No total, são 362 aparições analisadas.
Há um aspecto que chama a atenção: o baixíssimo número de aparições aprovadas: apenas quatro. Ao que se saiba, mais uma foi aprovada posteriormente — totalizando cinco, portanto — mas isto representa pouco mais de 1% das aparições analisadas. Outras 11 tiveram algum culto autorizado, sendo a maioria destas anteriores a 1950. Em sentido contrário, há 79 aparições desautorizadas, ou seja, pouco mais de 20%.
Traduzindo os números em linguagem mais simples: a Igreja, das aparições do século XX, aprovou uma em cada 100 e desautorizou uma em cada 5. São dados significativos para exprimir o rigor da Igreja Católica ao examinar os fatos, revelando a seriedade e cautela os fiéis devem agir nesta matéria, não se deixando levar por sensacionalismos.

Mas há alguns CRITÉRIOS que nos ajudam para avaliar a veracidade da aparição:

a) Equilíbrio mental do vidente: Se a pessoa tem boa saúde física e psíquica (mental), por parte de médicos competentes e psicólogos ou psiquiatras a fim de que não se confunda alucinação com visão. Pessoas desequilibradas mentalmente podem ter visões de Nossa Senhora que são apenas criação de sua imaginação e do seu desejo. Na verdade, o vidente não deve buscara aparição. Ela vem por pura graça de Deus e deve acontecer em pessoas mentalmente saudáveis.

b) Honestidade do vidente e de seu grupo: Por vezes, a busca de fama, poder ou dinheiro, ou a pressão de parentes e amigos acaba provocando aparições falsas nos videntes, que, como gravadores, passam a repetir mensagens para atrair um grande público. O vidente e seu grupo devem buscar, com simplicidade, a fidelidade à vontade de Deus, e não seus interesses pessoais. É importante verificar se há falta de sinceridade e de humildade da parte dos videntes, se há interesse em tirar proveito próprio ou em se colocar no centro das atenções. É preciso verificar os contra-testemunhos que os videntes apresentam na vida cotidiana, a falta de respeito e de obediência aos pastores, a exploração das emoções com objetivos comerciais, políticos ou outros interesses. O objetivo de qualquer revelação autêntica é a edificação da Igreja. Por isso, tudo o que a divide, tudo o que leva ao pecado, tudo o que não leva à evangelização não pode vir de Deus. Os videntes deixam de ter credibilidade a partir do momento em que procuram sustentar com apoio celestial, portanto, com autoridade pretensamente superior à da Igreja, uma certa orientação doutrinária, da qual se estivesse convencido; ou então promover mais facilmente certos aspectos da vida cristã, como os sacramentos, valendo-se da tendência das massas para o maravilhoso.

c) A qualidade da mensagem: A mensagem do vidente deve estar de acordo com o Evangelho e com a caminhada da Igreja no Brasil e no mundo. Tem de ser Boa Notícia, atualização do Evangelho. Se, ao contrário, o vidente só lembra do castigo e da ira de Deus, está esquecendo a mensagem da misericórdia do Evangelho (Lc 15). Se começa a falar mal dos outros, a criticar as pastorais e os movimentos, especialmente os que defendem os pobres, é sinal de que não vem de Deus, mas do engano, do orgulho e da vaidade.

Há basicamente três CRITÉRIOS para avaliar a mensagem:

1 – Ortodoxia: o conteúdo da mensagem das aparições não pode estar em contradição com a revelação bíblica, nem com a Doutrina da Igreja.
2 – Convergência: O conteúdo da mensagem deve estar em sintonia com as linhas pastorais da Igreja e os pastores podem encontrar nessa mensagem matéria para incentivar a vida pastoral e a conversão e renovação da vida cristã.
3 – Coerência: Deve haver uma coerência entre o que os videntes vêem, ouvem e dizem. O conjunto deve formar uma mensagem coerente. Além disso, toda autêntica aparição há de ser coerente com as linhas e o espírito do Evangelho. Assim, as muitas minúcias (quanto a datas, local, duração e tipo dos fenômenos preditos) merecem reservas, pois não são habituais na linguagem da Sagrada Escritura. O Senhor Jesus mesmo recusou-se, mais de uma vez, a revelar a data de sua vinda e do fim dos tempos (cf. Mc 13, 32; At 1, 7).

d) Os frutos das aparições: Se o movimento de uma aparição eleva muitos cristãos a viver melhor na fé, na esperança e na caridade, é um bom sinal. Também as curas e milagres podem nos dizer que Deus está agindo ali de maneira especial.

alguns CRITÉRIOS a respeito das ressonâncias da aparição:

Os Sinais: O fenômeno pode estar acompanhado de milagres, curas, conversões, fenômenos cósmicos extraordinários em favor da veracidade da aparição, os quais, porém, devem ser cuidadosamente examinados pela ciência e pela teologia. E como dizia o Papa João XXIII, em sua radiomensagem de 18/2/1959, comemorativa do centenário de Lourdes, que os dons extraordinários são concedidos aos fiéis “não para propor doutrinas novas, mas para guiar nossa conduta”.
Há que se perguntar quais os Frutos espirituais estão surgindo em decorrência da aparição?
Trata-se de conversões, renovação da vida cristã, devoção mais intensa e mais qualificada a Nossa Senhora, amor à Igreja, vocações missionárias, sacerdotais e consagradas? Caso o resultado dos exames acima sejam positivos, a Igreja não somente permite, mas favorece o culto ao Senhor ou ao santo(a) que se julga ter aparecido. É o caso do culto a Nossa Senhora de Fátima ou de Lourdes, havendo inclusive a festa respectiva no calendário da Igreja.
Importante: embora a Igreja favoreça o culto a Nossa Senhora em tal ou tal lugar, ela não obriga os fiéis a acolher as respectivas revelações particulares, uma vez que elas não fazem parte do depósito da fé. Fica a critério de cada fiel julgar as razões pró e contra a autenticidade de cada ´aparição´ não condenada pela Igreja e daí assumir ou não sua mensagem para a própria vida.
A respeito de tais fenômenos extraordinários, o Papa Bento XIV (1740-1758) publicou o seguinte: “A aprovação (de aparições) não é mais do que a permissão de publicá-las, para instrução e utilidade dos fiéis, depois de maduro exame. Pois estas revelações assim aprovadas, ainda que não se lhes dê nem possa dar um assentimento de fé católica, devem, contudo ser recebidas com fé humana segundo as normas da prudência, que fazem de tais revelações objeto provável e piedosamente aceitável”. Esta posição tornou-se clássica na prática da Igreja. Pode acontecer ainda que a Igreja se abstenha de qualquer pronunciamento a respeito dos fenômenos e do culto prestado em decorrência dos mesmos.
É o que acontece na maioria dos casos: não há motivos para condenar os fenômenos relatados; nem a saúde mental dos (as) videntes dá lugar à suspeitas nem as mensagens apresentadas por eles contêm alguma heresia ou erro na fé.
A Igreja considera os frutos pastorais que decorrem de tais mensagens: muitos fiéis se beneficiam peregrinando a tal ou tal lugar ou santuário; aí se convertem, recuperam ou adquirem o hábito da prática sacramental, da oração… Por tudo isso, a Igreja deixa que a piedade se desenvolva até haver razões de ordem doutrinária ou moral que exijam algum pronunciamento.
Diante dos fenômenos de aparições e revelações particulares, a Igreja tem a obrigação de ser prudente. Ela é responsável pela preservação da doutrina da fé. Por um lado, ela sabe que o Espírito Santo pode falar por vias extraordinárias, de tal modo que não lhe é lícito extinguir o Espírito (cf. 1Ts 5, 19s); por outro lado, o extraordinário não é a via normal pela qual Deus guia seus filhos.
A fé madura não diz Sim a qualquer notícia sobre portentos, prodígios e milagres, mas pergunta sempre: por que deveria eu crer? Qual a autoridade de quem me transmite a notícia? Em que se baseia? Como fala?
Aparições e revelações particulares não devem ser presumidas nem admitidas em primeira instância num juízo precipitado. Os fenômenos alegados hão de ser comprovados ou criteriosamente credenciados. Diante de um fenômeno tido como extraordinário, procurem-se, antes do mais, as explicações ordinárias ou naturais (físicas, psicológicas, parapsicológicas).
É preciso levar em conta a fragilidade humana, sujeita a engano, sugestões, alucinações coletivas, etc. Facilmente quem conta um fato acrescenta-lhe ou subtrai-lhe um traço que pode ter importância; em conseqüência, um acontecimento explicável por vias naturais pode tornar-se,na boca dos narradores, um fenômeno altamente portentoso. Daí o senso crítico, que deve começar por investigar de que realmente se trata, para depois procurar a explicação adequada.
Leve-se em conta especialmente à tendência dos meios de comunicação social a provocar artificiosamente as emoções e o sensacionalismo, sem compromisso sério com a verdade. São critérios que podem ajudar a analisar se um movimento de supostas aparições é bom ou não, se pode ser digno de crédito ou não.

6 – Quando acontecem milagres ou sinais do céu, é uma prova de que a aparição é divina?
Não. No local de possíveis aparições é comum a gente presenciar curas de doenças, consolo espiritual e conversões. Pode acontecer que, mesmo que o vidente seja desonesto ou desequilibrado, as pessoas também vejam sinais no sol, na lua, nas nuvens ou em qualquer outra coisa da natureza. A força do poder da mente, associada à fé das pessoas que procurar esses locais, pode produzir frutos maravilhosos, mesmo que a aparição não seja verdadeira.

7 – Por que muitos videntes insistem sobre o fim do mundo e o castigo de Deus sobre a humanidade?
Esse é um exemplo típico de como se misturam, na experiência de vidente, as coisas de Deus com as coisas humanas. No passado, muitos santos e videntes já erraram quando fizeram previsão do fim do mundo e da segunda vinda de Jesus (parusia). Sempre que há uma grande crise nas civilizações, única forma de limpar tudo e começar direito outra vez. Nós não sabemos sobre o fim do mundo (Mt 24, 36). O futuro do mundo está nas mãos de Deus e depende também da humanidade. De qualquer forma, a verdadeira conversão não nasce do medo de ser destruído, mas da certeza de que Deus é bom, de que ele age com misericórdia em relação a nós e nos chama a conversão e vida plena (João 10, 10).

8 – Somos obrigados a acreditar nas aparições?
Não. As aparições não fazem parte do credo e dos dogmas católicos. Temos a liberdade de aceitar ou ignorar essa experiência religiosa. As aparições têm seu valor, mas não são absolutas. Até os pedidos dos videntes – que eles consideram vindos de Maria -, como rezar o terço ou fazer penitencia, são apenas conselhos para ajudar a nossa vida cristã. Ninguém é obrigado a segui-los. Se a pessoa sente que isso a faz ficar mais perto de Deus e realizar sua vontade, pode agir assim. Mas ela não tem direito de julgar e condenar os que não acreditam nas aparições nem seguem os pedidos dos videntes. Por outro lado, os que não crêem em aparições devem respeitar os que pensam diferente deles. O católico pode confiar na experiência e na mensagem de alguns videntes, mas será uma confiança humana, mesmo que haja muitos sinais maravilhosos.

9 – Orientações Pastorais
Algumas orientações para a prática do povo de Deus:
a) Não se faça, em nome de Pastorais, Movimentos e Espiritualidades, lotações para afluírem aos locais de supostas aparições.
b) Não se divulgue nas Pastorais, Movimentos e Espiritualidades, folhetos, apostilas, fitas cassete ou vídeos com mensagens de cunho milenarista, apocalíptico ou catastrófico. Seja mantida a devida prudência com relação aos escritos de pessoas que teriam a faculdade de locução interior. O devido cuidado deve ser tomado de não colocá-los em forma de leitura espiritual como substituto ou auxiliar da Palavra de Deus.
c) Em última instância, prevaleça sempre a Orientação e Ensinamento do Magistério, representada pela palavra do Bispo Diocesano, em comunhão com seus Conselhos e Organismos.

10 – Conclusão:
O Documento Vaticano II, nos ensina em relação ao culto da Bem Aventurada Virgem, que os filhos e filhas da Igreja ”generosamente promovam o culto, sobretudo o litúrgico, para com a Bem Aventurada Virgem, dêem grande valor às práticas e aos exercícios de piedade recomendados pelo Magistério no curso dos séculos e observem religiosamente o que em tempos passados foi decretado sobre o culto das imagens de Cristo, da Bem-aventurada Virgem e dos Santos” (LG 67). Aos fiéis, insiste ainda que, a verdadeira devoção não consiste num estéril e transitório afeto, nem numa certa vã credulidade, mas procede da fé verdadeira pela qual somos levados a reconhecer a excelência da Mãe de Deus, excitados a um amor filial para com nossa Mãe e à imitação das suas virtudes (LG 67). Enquanto peregrinamos, Maria será a mãe educadora da fé (cf. LG 63). A Igreja cuida que o Evangelho nos penetre intimamente, plasme nossa vida de cada dia e produza em nós frutos de santidade (cf. Puebla, 290).

Texto Adaptado para a Pastoral tendo como Referência Bibliográfica:
-Com Maria rumo ao novo Milênio – a Mãe de Jesus na devoção, na Bíblia e nos dogmas – CNBB – Editora Paulus – 91 páginas
-CNBB (Comissão Episcopal de doutrina) Aparições e revelações particulares. Subsídios doutrinais da CNBB – São Paulo, Paulinas 1990, 62 páginas.
-Ir. Afonso Murad, Visões e Aparições. Deus continua falando? Vozes, Valdis 1997, 214 páginas.
-O que pensar das aparições de Nossa Senhora – Grinsteins – www.catolicismo.com.br
Texto elaborado por Pe. Otacílio Ferreira de Lacerda Diocese de Guarulhos-SP

 

Lourdes: reconhecido o 69º milagre
Bispo de Pavia assina decreto que declara oficialmente a cura “prodigiosa” de uma mulher
Roma,  23 de Julho de 2013  (Zenit.org)  Redação

O presidente do Comitê Médico deLourdes, dr. Alessandro De Franciscis, anunciou que o bispo da diocese italiana de Pavia, dom Giovanni Giudici, reconheceu como “milagrosa” a cura da sra. Danila Castelli, moradora da cidade de Bereguardo. É a 69ª cura reconhecida oficialmente por um bispo católico como “milagrosa”, ou seja, “cientificamente inexplicável”.

Nascida em janeiro de 1946, Danila Castelli começou a sofrer de hipertensão aos 34 anos, mas os exames médicos não conseguiram encontrar a causa.

Em 1982, uma série de raios-X e ecografias revelaram uma massa para-uterina e um útero fibromatoso. A conselho do marido, médico de origem iraniana, ela retirou os ovários e o útero. Em novembro do mesmo ano, Danila foi submetida a uma remoção parcial do pâncreas.

O sofrimento da mulher continuou no ano seguinte, quando, em novembro, novos exames revelaram a presença de um tumor que provocava catecolaminas na região retal, na bexiga e na vagina. Os novos procedimentos cirúrgicos não conseguiram melhorar as suas condições.

Em maio de 1989, Danila fez uma peregrinação a Lourdes junto com o marido, pensando que seria a última viagem da sua vida.

Ao sair das piscinas do santuário, ela percebeu uma sensação extraordinária de bem-estar. O próprio marido, que estava esperando a sua vez, notou que ela estava melhor. Depois disso, Danila não voltou a apresentar crises graves de hipertensão e pôde interromper todos os tratamentos, recuperando-se completamente.

Danila se apresentou várias vezes ao Comitê Médico de Lourdes para testemunhar a sua cura. Em setembro de 2010, o Bureau des Constatations Médicales de Lourdes confirmou definitivamente e por unanimidade de votos a sua recuperação, com apenas uma abstenção, e divulgou a seguinte declaração: “A sra. Danila Castelli está curada de modo completo e duradouro desde a data de sua peregrinação a Lourdes em 1989, ou seja, há 21 anos, da síndrome da qual sofria, sem que haja qualquer relação entre a cura e as intervenções e tratamentos realizados”. Desde então, acrescentou o dr. De Franciscis, “ela vem levando uma vida completamente normal”.

Em sua reunião de 19 de novembro de 2011, em Paris, o Comitê Médico Internacional de Lourdes certificou que “esta recuperação continua inexplicada no atual estágio do conhecimento científico”.

Em fevereiro de 2012, o então bispo de Tarbes-Lourdes, dom Jacques Perrier, enviou o seu relatório ao bispo de Pavia, a diocese em que vive Danila Castelli.

O decreto, assinado recentemente por mons. Giovanni Giudici, proclama o caráter “prodigioso-milagroso” e “simbólico” da cura, semelhante aos sinais realizados por Jesus no evangelho.

“Esse decreto é uma grande oportunidade para reencontrar o frescor da alegria de viver com o Senhor. É a reproposição de um caminho, e acontece, como sempre, no momento perfeito, porque perfeitos são os tempos de Deus”, declarou Danila Castelli ao informativo semanal Il Ticino, da diocese de Pavia.

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