Festa da Beata Regina Protmann – 405 anos de Céu

“Ó meu querido Jesus, estejas Tu somente no meu coração e eu no Teu coração”.
Beata Regina Protmann

BIOGRAFIA PELO VATICANO
MADRE REGINA PROTMANN (1552-1613)
Madre Regina Protmann (1552-1613), fundadora da Congregação das Irmãs de Santa Catarina de Alexandria. Nasceu numa família burguesa católica, em Braniewo, na região de Warmia, no período em que a região passava sob a influência do protestantismo. Aos 19 anos de idade experimentou uma viragem existencial, assistindo os doentes da sua cidade. Em 1571 fundou, com a ajuda dos jesuítas, a sua Congregação de tipo contemplativo-ativo para a assistência aos doentes e necessitados, o que constituiu para o seu tempo uma novidade, pois naquela época só existiam conventos de clausura. A Congregação recebeu a aprovação pontifícia em 1662, difundindo-se na Polônia e na Lituânia e, depois, também na Finlândia, Rússia, Inglaterra, Brasil, Alemanha, Itália e Togo. O carisma da fundadora tem inspirado o trabalho das suas filhas espirituais que, de modo especial, se dedicam à obra assistencial dos doentes.
Fonte: http://www.vatican.va/news_services/liturgy/saints/ns_lit_doc_19990613_protmann_po.html

 

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II À CONGREGAÇÃO DAS IRMÃS DE SANTA CATARINA
POR OCASIÃO DO 400° ANIVERSÁRIO DA APROVAÇÃO PONTIFÍCIA

12 de Dezembro de 2002
Caríssimas Irmãs
1. É com uma cordial saudação que vos acolho a todas no Palácio Apostólico. Uno-me a vós na alegria pelo 400º aniversário da aprovação pontifícia da Congregação das Irmãs de Santa Catarina, Virgem e Mártir e pelo 450º aniversário do nascimento da vossa fundadora. Este duplo aniversário convida-nos, na fidelidade ao carisma da Beata Regina Protmann, a renovar a dedicação à missão dela herdada, para levar o amor de Deus a quantos o procuram e sofrem.
2. A espiritualidade de uma comunidade religiosa deve inspirar-se sempre no carisma da fundação, deixar-se interpelar e confrontar-se com ele. Regina Protmann nasceu em Braunsberg do Ermland, na época da Reforma. Ela própria viveu o espírito da autêntica reforma religiosa no seguimento de Cristo. Ocupou-se dos pobres, doentes e crianças para lhes dar testemunho da bondade divina. Considerava como seu dever sagrado confortar os aflitos e cuidar dos doentes (cf. Mt 25, 35 ss.) e dar às crianças uma boa educação.
3. Estreitamente ligada a este serviço de amor, a principal preocupação da Beata Regina Protmann era a relação viva com o seu Senhor e Esposo, Jesus. “Rezava na verdade e incessantemente”, diz o seu primeiro biógrafo. A oração prepara o terreno para a acção. “Ao abrir o coração ao amor de Deus, abre-o também ao amor dos irmãos, tornando-nos capazes de construir a história segundo o desígnio de Deus” (Novo millennio ineunte, 33).
4. Caríssimas Irmãs! Como filhas da Madre Regina sois chamadas a amar Cristo nos pobres. A Regra (de 1602) exorta-vos a “servir com diligência a Cristo, Senhor e Esposo, segundo o Seu conselho divino” (art. 1). Esta disponibilidade para o serviço continua a adoração de Cristo na vida de cada dia. “Venerai Cristo Senhor nos vossos corações”, diz Pedro. Estai sempre prontas a dar testemunho a todos “dando razões da esperança que há em vós” (1 Pd 3, 15). Assim podereis, verdadeiramente, levar o Salvador aos homens. Com a intercessão da Beata Virgem e Mártir Catarina, da Beata Madre Regina e de todos os Santos, concedo-vos do coração a vós, queridas Irmãs, e a todos os que estão confiados aos vossos cuidados, a Bênção Apostólica.
Fonte: http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/2002/december/documents/hf_jp-ii_spe_20021212_congr-st-catherine_po.html

 

VIAGEM APOSTÓLICA DO PAPA JOÃO PAULO II À POLÔNIA
HOMILIA DO SANTO PADRE

Varsóvia, 13 de Junho de 1999
«Felizes os que são misericordiosos, porque encontrarão misericórdia» (Mt 5, 7).
Caríssimos Irmãos e Irmãs! …A Beata Regina Protmann, Fundadora da Congregação das Irmãs de Santa Catarina, proveniente de Braniewo, dedicou-se com todo o seu coração à obra de renovação da Igreja entre os séculos XVI e XVII. A sua atividade, que brotava do amor a Cristo acima de tudo, desenvolveu-se depois do Concílio de Trento. Ela inseriu-se ativamente na reforma pós-conciliar da Igreja, realizando com grande generosidade uma humilde obra de misericórdia. Fundou uma Congregação que unia a contemplação dos mistérios de Deus ao cuidado dos enfermos nas suas casas e com a educação das crianças e da juventude feminina. Dedicou uma atenção particular à pastoral das mulheres. Com abnegação, a Beata Regina abraçava com o olhar clarividente as necessidades do povo e da Igreja. As palavras: «Como Deus quiser» tornaram-se o mote da sua vida. O amor ardente levava-a a cumprir a vontade do Pai celeste, a exemplo do Filho de Deus. Ela não temia aceitar a cruz do serviço quotidiano, dando testemunho de Cristo ressuscitado…
Fonte: http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/travels/documents/hf_jp-ii_hom_19990613_beatification_po.html

 

RESUMO DA VIDA DE MADRE REGINA
Regina Protmann nasceu em 1552, na cidade de Braunsberg – hoje Braniewo, Polônia – no seio de uma família rica e piedosa, onde recebeu boa educação intelectual, moral e religiosa. Regina foi batizada na Igreja de Santa Catarina, padroeira de sua cidade. Cedo aprendeu a admirar esta santa e encontrou afinidade com ela: jovem, bela, delicada, cora­josa e inteligente como Santa Catarina, ela o era. E decidiu imitar o exemplo da Santa em sua adesão radical a Jesus Cristo. Nesta época a Europa vivia intensas conturbações sócio-culturais. No campo político-religioso avançava o movimento da Reforma Protestante, através da luta armada, dividindo a cristandade entre católicos e protestantes. A Igreja católica convoca o Concílio de Trento e reage com o movimento da Contra Reforma. No início de sua juventude, Regina demonstrou-se inclinada às vaidades e às ambições materiais. Espirituosa, inteligente e esperta, gostava de sobressair-se e ser a preferida entre suas companheiras. Quando “o brilho da graça divina luziu no seu coração”, sentiu a presença do Senhor como um fogo abrasador. Esta experiência provocou nela uma grande mudança. Com apenas 19 anos de idade, deixou o conforto da casa paterna, renunciou ao casamento, e, com duas companheiras, foi morar numa casa pobre, para aí viver uma vida de oração, de ascese, de amor ao próximo e de pobreza. Por sua coerência de vida no ideal de seguir a Jesus Cristo, irradia uma força espiritual que foi atraindo mais jovens para a sua companhia… Vol­tou-se também ela para as pessoas sofredoras e marginalizadas de sua Cidade. Fez uma opção consciente e decidida pelos doentes, pe­los pobres e pelas meninas abandonadas e carentes de instrução. Regina fundou escolas e, com suas companheiras, começou a tratar dos doentes em seus domicílios e em hospitais. Assim, fortalecida pela graça, Regina fundou uma Congregação contemplativa e ativa, o que foi inaudito para aquele tempo. Madre Regina colocou a nova congregação sob a proteção de Santa Catarina, V.M. a qual passou a chamar-se Irmãs de Santa Catarina. Faleceu aos 18 de janeiro de 1613. O Papa João Paulo II beatificou-a, em Varsóvia, aos 13 de junho de 1999.

BIOGRAFIA
Nascimento
Estamos nos primeiros dias de 1552. Regin dá á luz uma linda menina. A alegria é grande. Muitos vêm cumprimentar o negociante e sua esposa. – Como se chama? – Regina! O nome de minha mulher. Responde Peter, satisfeito. Peter já marcou com o Pároco a hora do Batismo. Acrescenta Regin, mostrando a menina enrolada nos panos. Ela ainda conserva os olhos fechados por causa da claridade. Vai ser na Matriz de Braunsberg, Igreja de Santa Catarina.
Menina
Continua nevando lá fora. É agradável ficar aqui, com o nariz colado à vidraça, apreciando os flocos brancos caindo de mansinho. Peter e Regin são católicos praticantes e esmeram-se na educação dos filhos. A maioria dos moradores de Braunsberg se conserva católica… Os anos se sucedem. Regina cresce neste ambiente de fé…
Adolescente
Quando a camada de neve gelava, a garota gostava de abrir os braços e sair deslizando pela rua, saboreando o frio, por alguns minutos. Dotada, de fina sensibilidade, … Agora Regina está saltitando, ora num pé, ora noutro, distribuindo seu sorriso, e espalhando alegria por onde passa. – Onde vai, Regina? – À Igreja. Gosto de ouvir o Bispo Hosius. Regina é atenta ao ensinamento do Bispo…Ninguém pode suspeitar que ali estão duas pessoas que tornarão célebre a cidade de Braunsberg: o Bispo Hosius e a menina Regina.
Cardeal
Em março de 1551 o Cabido Diocesano escolhe o Padre Estanislau Hosius para Bispo do Ermland. No inverno de 1557/58 Hosius é chamado a Roma. Já é conhecido como grande teólogo e diplomata. O Papa Paulo IV lhe pede para colaborar nos preparativos da grande reunião do Concilio de Trento. Aos 26 de fevereiro de 1561, Hosius é elevado à dignidade de Cardeal. Aos 7 de fevereiro de 1564 chega a Heilsberg (Ermland); e umas semanas após, segue a Braunsberg. Aos 24 de março, começa suas conferências com os magistrados da cidade. Consegue restabelecer a paz religiosa; com paciência e zelo leva os magistrados à adesão à fé, com exceção de dois deles que são excluídos. Porém, outro inimigo se apresenta: a peste. Empregam-se todos os meios preventivos, enquanto nas Igrejas não cessam as orações coletivas. A Diocese do Ermland terá poucas vítimas. O Cardeal está atento a tudo, zela pelo bem do povo e pela formação do clero. Ainda em Trento, pedira ao Geral dos Jesuítas, alguns padres para a formação de sacerdotes. Em novembro de 1564, chegam os primeiros Jesuítas a Frauenburg e a Heilsberg. Aos 8 de janeiro de 1565, após a extinção da peste, chegam em Braunsberg e fundam o Colégio. Hosius confia seus diocesanos ao zelo dos Jesuítas e retorna a Roma na qualidade de embaixador da Polônia. Voltará a visitar o Ermland, pela última vez, na semana Santa de 1568. Regina terá 16 anos.
Vinagre
Apesar de ter passado o perigo da peste que deixou a cidade em sobressalto, Regina traz consigo o paninho embebido em vinagre. É um bom preventivo contra o contágio. – Mamãe, como estão os doentes que a senhora visitou? Gostaria de ir junto. Mas tenho medo. Confessa a jovem. E cheira o paninho para desinfetar-se. – A senhora parece triste! – Filha, um dia você compreenderá. A caridade tem muitas dimensões…. A mãe parece desfalecer. Solícita, a jovem a faz recolher-se ao leito. Peter chega do trabalho. Coloca o cesto das provisões sobre a mesa. – Onde está a mãe? Os olhos vermelhos da filha já dizem tudo. De fato, Regina Tingels cumpria sua missão. As colegas apreciam ouvir Regina… Elas já nem percebem as pessoas que param a fim de admirar-lhes a jovialidade que irradiam… – Há pessoas que são como estas florinhas. Enfeitam o pasto, lhe dão graça e perfume; mas só quando vem o inverno que tudo envolve no branco gélido é que se percebe o quanto elas fazem falta ao conjunto da paisagem. – Você me faz lembrar algo! – Que foi? – As senhoras que cuidam dos pobres que a peste deixou na miséria! Em casa, Regina ajuda no preparo do jantar…
Mudança de vida
Algo está acontecendo com Regina. Observa um dos irmãos. – Parece apaixonada… Não sei por quem! – É! Ela procura mais a Igreja e o silêncio. Passa horas em oração. – Você reparou? Quando acaba a festa, ela se recolhe ao quarto. Não vibra mais com ela. Um novo tipo de felicidade brilha em Regina. Percebe-se a transformação e não se consegue descobrir as razões. – Onde vai, Regina? – À Igreja. Preciso falar com o Pároco. Regina está amadurecendo. Deixa-se invadir pela Graça que, qual luz, lança nova compreensão em seu ser. Como Catarina, ela escolhe o Senhor Jesus e se doa inteiramente a Ele. Inflamada deste amor, experimenta a dimensão profunda da vida de intimidade com Deus. Tudo o mais se toma relativo para Regina. Tudo não passa de sombra da realidade da vida que “Deus preparou para aqueles que o amam” . E a alegria parece transpirar-lhe de todos os poros. As conversas com suas duas amigas preferidas giram em torno disso. O luxo, os passatempos, antes tão desejados, se tornam insípidos para ela.
Oração pessoal
As Duas amigas entram no quarto de Regina. Apontam para o escrito que Regina tem nas mãos e perguntam: – Que é isso? Regina… sorri e olha para as amigas… Regina lê pausadamente: – “Ó meu Senhor e Deus, fere meu coração pecador com a flecha ardente de Teu grande amor, para que nenhuma criatura me distraia, mas somente Tu, Deus, nosso Senhor; dá-me tal amor que me abrase inteiramente e em Ti me dissolva. Ó meu querido Jesus, estejas Tu somente no meu coração e eu no Teu coração, para que eu possa agradar somente a Ti, eternamente. Ah! Tu, meu doce Jesus, meu Senhor e meu Deus, quando Te amarei perfeitamente? Quando, meu dulcíssimo Esposo, Te receberei interiormente com os braços de minha alma indigna e repousarei aí eternamente? Ó Senhor Jesus, doçura de minha alma, Esposo do meu coração, oxalá pudesse eu desprezar a mim e a todo mundo por amor a Ti! Ah! que minha alma se desfizesse e se derretesse de amor a Ti como a cera, pelo sol, e eu fosse inteiramente consumida em Ti, ó meu Senhor” . E o silêncio envolve as três por longo tempo. Regina, sob o impulso do Espírito Santo, toma firme decisão.
Incompreensão pelos parentes e amigos
Ninguém consegue compreender a mudança de comportamento operada em Regina. – Pai, Regina está doente? – Onde está ela? – Ora, deve estar na Igreja. – Não, recolheu-se ao quarto. Eu vi. Está em oração e nem percebeu que entrei lá. Batem à porta da casa. Peter atende. Faz sinal com a mão para as jovens entrarem no quarto de Regina.- Regina, suas amigas estão ai.Na conversa, Regina lhes transmite as maravilhas que Deus está realizando nela. – Sinto-me fortemente atraída pelo Senhor. Passaria o tempo todo pensando nele. E intuo tanto ensinamento quando assim me entretenho com Ele. Em Braunsberg não há convento. Que está pensando? – … Aqui em casa não dá para viver assim. Sou um escândalo para todos. – Regina, eu também sinto o mesmo.
19 anos
Ante… o protesto dos parentes, dos amigos e dos conhecidos, Regina e duas de suas amigas vão viver na casa de uma piedosa viúva. Elas se ocupam com pequenos trabalhos e passam a maior parte do tempo em oração, meditação e estudo da Sagrada Escritura. – Não dá para vivermos aqui. – Por quê? lhe pergunta a viúva. – As visitas são muitas e as reclamações e protestos dos parentes não têm fim. – Que pretende fazer? Regina decidira viver totalmente para o Senhor Deus. E, sem delongas, ela e suas companheiras mudam-se para a Kirchgasse (Rua da Igreja). Regina tem apenas 19 anos.
O berço
A casa está mais ou menos em ruínas e a desmoronar. As três, de mãos vazias, iniciam nova vida. – Isto aqui se parece com o estábulo de Belém, berço de Jesus. Observa uma delas. – Regina, já dei uma olhada em tudo: o porão, a despensa, as arcas e os baús, estão vazios; e as paredes, nuas! Exclama a outra. – Achei um barril! – Ótimo! Ele nos servirá de mesa. Regina pendura o crucifixo na parede. E as três se olham e sorriem.Despojada de tudo, desprezada pelos parentes, malvista pelo povo, Regina lança os alicerces de sua obra, para a glória de Deus, seu Esposo.O frio, a fome e a penúria são seus companheiros. Porém, inexplicável alegria reina entre elas e tudo sofrem com fortaleza de coração. Agora podem saborear, com novo gosto, a leitura das bem-aventuranças: “Felizes os pobres… porque deles é o reino dos céus. Felizes os mansos… possuirão a terra. Felizes os que choram… serão consolados. Felizes são vocês quando os insultam e perseguem e mentindo, dizem todo tipo de calúnia contra vocês por serem meus seguidores. Fiquem alegres e contentes, porque está guardada para vocês uma grande recompensa no céu. Pois foi assim que perseguiram os profetas que viveram antes de vocês”. Regina mortifica-se com vigílias, orações, jejuns e disciplinas; mantém-se moderada, e sóbria no comer, no beber e no vestir. Transmite às companheiras as lições que aprende na intimidade com o Senhor, seu Esposo, e na Sagrada Escritura. Jamais está ociosa; maneja a roca com maestria. Com o trabalho de suas mãos, elas se provêm de alguma coisa do estritamente necessário.
Admiração
Passaram-se alguns anos. – Peter, sua filha Regina, não é tão louca como diziam. Você reparou o que falam dela e de suas companheiras?… – Eu, que tanto me opus! bem que podia tê-la ajudado! Quem poderia adivinhar? – Encontrei gente da cidade vizinha que trouxe a filha. Ela também quer viver como Regina. – Sabe quantas são? – Não sei. Mas é bonito vê-las indo juntas à missa na Igreja Matriz! Regina permanece ajoelhada durante as cinco missas do domingo, desde a primeira até a última. E não é ostentação. Parece que Deus lhe fala diretamente. Nunca vi coisa igual. Assim falam Patrício e Peter. Peter levanta-se para disfarçar as lágrimas… No quintal, lava o rosto na bica. Nisto chegam os irmãos de Regina para passar o domingo em casa. As sobrinhas enchem de festa o ambiente. E a conversa continua em volta de Regina…
Partilha
– Chegam a dizer que elas vivem tal qual viviam os primeiros cristãos. – E é a nossa irmã! Quem o diria? – É inacreditável! Elas colocam tudo em comum. – Não sei se é verdade, porque não entrei lá. Minha vizinha, que é muito amiga de Regina, contou-me que elas têm dormitório e alimento em comum. O trabalho é distribuído entre elas e o fazem com alegria. Não dá para ver quem é rica, nem quem é pobre. Tudo, entre elas, é colocado em comum. Nem procuram saber quem produz mais, nem quem produz menos. Cada uma faz seu trabalho com amor.
Caridade
– Não posso entender, Peter! – O que? – Elas vivem tão pobres e ajudam a tanta gente. Não cobram pelos serviços que prestam. – Também, elas estão sempre ajudando às famílias mais pobres. Não dá para cobrar… – Eu vi com meus olhos. Você lembra daquela família perto do Porto do Passarge? – Sim. – A mulher deu à luz uma criança. Regina ficou sabendo. Foi imediatamente lá com uma companheira e as duas fizeram os trabalhos da casa. Quando o marido chegou, encontrou a mãe e a criança dormindo e uma sopa quente que Regina acabara de fazer com os mantimentos que ela trouxe, pois este pobre homem não tinha deixado nada em casa.
Vida de Oração
– Fico maravilhada e envergonhada quando lembro da Madre. – Por que? – Ela tem uma vida de oração, de penitência e de jejum que não dá para imitar. Nisto batem à porta. Uma das Irmãs atende. – É uma senhora desconhecida. Exige sua presença, Madre. Assim que Madre Regina chega à sala, a senhora vai logo dizendo com amabilidade! – Vejo que está precisando de dinheiro. E coloca sobre a mesa algumas dezenas de marcos de ouro. – Por favor, agora peço que assine este recibo. É um comprovante de que a senhora me restituirá esta soma, daqui a sete anos. A Madre fica maravilhada e quase confusa. Diz-lhe: – Peço-lhe esperar um pouco até que chame uma de minhas Irmãs. Regina vai ter com uma Irmã para preparar alguma coisa para dar à senhora. Quando retorna à sala: – Que é isso? Onde está a senhora? Procuram-na por toda parte. Ninguém sabe dar notícias da mulher. O dinheiro está sobre a mesa.
Humilde
Apesar de rica em virtudes e graças, ela é humilde e conhece suas limitações. Muitas vezes repete a prece que escreveu: “Ó doce Senhor Jesus, conserva-me em tua graça, para que eu jamais Te abandone ou Te ofenda com pecados e vícios. Não deixes a mim, pobre serva, morrer e perecer; dá-me, ó Deus, a mim, pobre criaturinha, a mim, “pobre cachorrinho, as migalhas que caem de Tua mesa”. Não sou digna de tuas grandes graças; dá-me, ó Deus, que eu Te ame, honre e bendiga eternamente”. Quando ouvia falar de… guerra, ou perigos… para a cidade de Braunsberg, assumia o caso juntamente com as Irmãs, fazia um jejum, uma oração de dois dias ou das 40 horas e silêncio; e os fazia com tanto empenho, como se a ela e a suas Irmãs coubesse a responsabilidade”.
Outros Conventos
Ano de 1586. A cidade de Wormditt; está em festa. O povo recebe Madre Regina e as sete outras Irmãs. O bispo Martinho Cromer providenciou a residência das Irmãs. Ali, elas serão a presença visível da bondade de Deus entre os homens. As Irmãs, por sua vez, esperam que tudo seja para a maior glória de Deus e para o bem de todos. Wormditt dista 40 km de Braunsberg. No ano seguinte, 1587, os moradores de Heilsberg assistem à chegada das Irmãs de Santa Catarina que são recebidas no Palácio Episcopal do Bispo Martinho Cromer. Algumas semanas depois, elas podem transferir-se para a residência definitiva que o Bispo adquiriu para elas, onde iniciam a escola para as meninas. Em 1593, Regina funda o quarto Convento das Irmãs de Santa Catarina, na cidade de Rõssel. Os novos Conventos de Wormditt, Heilsberg e Rõssel contam com sete Irmãs cada um. O Convento de Braunsberg está com 14 Irmãs. Regina consulta suas Irmãs para as iniciativas. As fundações e as obras são assumidas por todas. Cada Convento tem uma superiora escolhida pelas Irmãs da Comunidade. E os quatro Conventos prestam obediência à Madre Regina.
Madre Geral
Madre Regina medita muitas vezes sobre a responsabilidade de Fundadora e de Superiora Geral. Busca em Deus segurança, força e luzes para bem orientar as Irmãs. Regina é conhecida como “a Mãe dos pobres”. Sabe que sozinha, pouco consegue fazer. Empenha-se em formar aquelas jovens corajosas que deixaram tudo para se colocar sob sua orientação, a serviço dos pobres, dos doentes, por amor a Deus, na consagração total a Ele. Sabe que as Irmãs são continuadoras da tarefa que Deus lhe confia. Não mede sacrifícios: “Nem granizo, nem neve, nem chuva, nem tempestade, nem vento ou frio, a atemorizam”, ou a impedem de visitar suas Irmãs dos quatro Conventos. Conversa com cada Irmã; encoraja e exorta a todas.
Mãe dedicada
As Irmãs colheram os frutos do pomar. Regina acaba de ver as conservas de legumes e verduras. Tudo está sendo colocado na adega. – Irmã Scholástica, você pode me acompanhar nesta viagem? – Madre Regina, o tempo está ruim; teremos que pernoitar em casa de camponeses, passar por lugares alagados e já se faz sentir o inverno que se aproxima. Parece-me que sua saúde não é mais a mesma! – Preciso falar pessoalmente às Irmãs. Talvez é minha despedida. Seja como Deus quer! As duas põem-se a caminho… vão pelas estradas… do campo. Depois de muitos dias, chegam a seu destino, cansadíssimas. A alegria é grande nas Comunidades. Madre Regina, como é bom revê-la! Depois dos cumprimentos, de se lavarem e comerem algo, as Irmãs se reúnem para ouvir a palavra da Madre, que é cheia de sabedoria.
61 anos de idade
Irmã Scholástica está preocupada. Percebe que as forças da Madre estão diminuindo. Passaram pelas Comunidades de Wormditt, Heilsberg e Rõssel. As Irmãs de Braunsberg recebem as duas, com entusiasmo. Mas este, logo se apaga. A Madre está visivelmente doente. Fazem-na deitar-se. Lá fora não se ouve mais o canto dos pássaros. Emigraram para outras regiões (38). Não se vê um ramo verde, sequer. O inverno cobriu tudo de neve. Madre não se levanta mais. – Como está a Madre Regina? Pergunta o Padre que vem trazer-lhe os Sacramentos. – Ela sempre responde: Como Deus quer. Já se vão oito semanas que está assim sofrendo as dores com paciência. Responde a Irmã Scholástica. E continua: – Jamais se ouve dela uma pequena reclamação. Parece que se consome no desejo de se encontrar face a face com o Senhor, seu Deus. O Padre entra no quarto, dá-lhe a Unção dos Enfermos e o Viático. Madre Regina, mansa e tranqüilamente, entrega seu espírito, aos 61 anos de idade. E o calendário marca, Segunda-Feira – 18 de janeiro – 1613.
Saudades
Regina deixou entre seus escritos, o seguinte testamento: “A vocês, queridas Irmãs, deixo minha modesta mensagem: Andem sempre na presença do Pai, do Cristo e de todos os homens, com simplicidade e dignidade, com profunda humildade, com paciência, obediência responsável e sincero amor fraternal. Procurem dominar não só as paixões perigosas, mas também as solicitações ilusórias que prejudicam a vivência cristã, quais sejam: conversas inúteis, suspeitas contra os irmãos, indiferença e atitudes levianas. Façam todo esforço para viver em paz e amor fraterno, não só na sua Comunidade, mas com todos os homens. Assim, a bênção do Pai estará em todos os empreendimentos de sua vida”. …A espiritualidade e o carisma de Madre Regina continuam através das Irmãs de Santa Catarina que hoje estão espalhadas em vários países. Assistem aos necessitados, aos doentes, nos Hospitais, a domicílios; trabalham em asilos, creches, orfanatos; em obras de assistência social, em escolas, em colégios, em comunidades eclesiais de base, em paróquias, nas missões e outros (Livro: Novidade no Ermland de Ir. Mª Berenice Ziviani).
Fonte: http://www.madreregina.com.br

Humildade em reconhecer suas limitações
Regina, ao começar a caminhada, sabia de suas limitações de mulher vaidosa… Mas sabia também que Deus a amava… E soube aproveitar as limitações e as riquezas de sua personalidade como meios de crescimento, … ao caminho da santidade. (p.60) …percebia as falhas e olhava primeiro para dentro de si mesma e, …admitia que tudo o que possuía de dons e habilidades era graça, era gratuidade do bom Deus. (p.63)
Alegria nos sofrimentos
Sabendo que alguém falara mal dela, simplesmente respondeu: “Rezemos por ele, eu vou lhe fazer todo o bem que me for possível, pois este é o mandamento do Senhor: Abençoai aos que vos maldizem, fazei bem aos que vos perseguem, assim sereis filhos do Pai celeste” (Mt 5, 44-45) (p.28) Muitas vezes fez do chão a sua cama. Passou noites em oração… Renunciando a si mesma, às posses familiares, ao conforto e aos seus interesses pessoais, tornou-se serva de todos. E, ao tornar-se serva de todos, sem colocar em ninguém seu apego; ao amar a todos, sem distinção; Regina manteve seu coração sempre voltado para o seu Senhor e Deus…(p.62) Em qualquer adversidade, enfermidade, perseguição… não se desesperava, …alegrava-se ao máximo e dizia: “Agora sei que Deus, o Senhor, me ama”. (p.62) Quando injuriada por inimigos e caluniada, rezava por eles e lhes desejava todo o bem… ela não deixava transparecer frieza ou indiferença diante do ofensor ou mesmo caluniador…(p.62) A beata madre Regina Protmann disse: “A oração de quem teme a Deus e está em sofrimentos e tentações agrada mais a Deus, o Senhor, do que a oração daquele que está em paz e livre de tentações e sente doçuras na oração.” (p.63)
Sabia a importância de aconselhar
Quando uma advertência se fazia necessária, não se omitia, para que o mal não progredisse na irmã ou no irmão. Sabia admoestar com firmeza e, ao mesmo tempo com brandura, ajudando a pessoa a crescer e a madurar sua personalidade…(p.64)
O amor aos doentes
Visitava doentes, lavava-lhes os pés, aplica-lhes pomadas, pensa feridas com ataduras…, e deita-lhes um beijo carinhoso, em sinal de terna compaixão. E isso Regina faz de joelhos, porque, no paciente, ela via Jesus sofredor…(p.44)
Fonte: Seu nome é Regina. Irmã M. Áurea Cecília Endlich. Irmã Maria Gessi Bohn. 1999.

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